246: O cérebro controla quanto tempo vivemos (e pode reverter o envelhecimento)

 

Investigadores do Albert Einstein College of Medicine, em Nova York, testaram com sucesso um novo procedimento em cobaias, que poderia permitir controlar e prevenir doenças relacionadas com a idade e até mesmo o próprio envelhecimento.

Num artigo publicado esta quinta-feira na revista Nature, uma equipa de investigadores norte-americanos anuncia ter descoberto o papel crucial que o hipotálamo, a região do cérebro responsável pelos processos hormonais e metabólicos do corpo, desempenha no envelhecimento do organismo.

“A nossa pesquisa mostra que o número de células estaminais neurais hipotalâmicas diminui naturalmente ao longo da vida, e esse declínio acelera o envelhecimento”, diz o autor principal do artigo, Dongsheng Cai.

Mas segundo descobriram os autores do estudo, o processo não é irreversível.

Para descobrir se o desaparecimento de células estaminais foi causado por ou devido ao envelhecimento, os investigadores injectaram uma toxina nas cobaias, que matou 70% de suas células estaminais neurais.

“Esta ruptura aumentou muito o envelhecimento em comparação com as cobaias de controle, e os animais com células estaminais interrompidas morreram antes do tempo expectável”, explica Cai.

Numa segunda experiência, os investigadores implantaram células estaminais prontas a se transformarem-se em neurónios novos no cérebro de cobaias mais velhas, e isso prolongou a vida das cobaias em 10 a 15%, mantendo-as fisicamente e mentalmente em forma durante vários meses.

Anteriormente, outros investigadores sugeriram o papel do hipotálamo no envelhecimento – embora nunca antes a hipótese tenha sido validada com tanta clareza.  A equipa de Dongsheng Cai parece ter encontrado o elo perdido, que poderia impulsionar significativamente a pesquisa na área.

“É um avanço. O cérebro controla quanto tempo vivemos”, diz David Sinclair, investigador da Harvard Medical School.

Segundo Dongsheng Cai, o próximo passo é testar o procedimento em seres humanos, e a equipa quer iniciar ensaios clínicos em breve, mas os resultados poderão demirar algum tempo a surgir. “Os humanos são mais complexos”, diz Cai.

As pesquisas no campo do envelhecimento aumentaram ao longo dos últimos anos, à medida que a ideia de que envelhecer é uma doença que pode e deve ser curada é cada vez mais aceite. E, sem nenhuma surpresa, muitos destes tratamentos potenciais têm base em alguma função do cérebro.

// HypeScience / Futurism

Zap-aeiou
04/08/2017

 

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