391: Dores de cabeça, confusão e delírios. Coronavírus pode invadir o cérebro

 

 

SAÚDE/CORONAVÍRUS/EFEITOS

De acordo com o estudo, liderado por Akiko Iwasaki, imunologista da Universidade de Yale, o vírus pode duplicar-se dentro do cérebro e a sua presença priva as células cerebrais próximas de oxigénio.

© EPA/Juan Ignacio Roncoron

Dores de cabeça, confusão e delírios apresentados por alguns pacientes com covid-19 podem ser resultado de uma invasão directa do novo coronavírus no cérebro, segundo um estudo divulgado nesta quarta-feira.

Embora a pesquisa ainda seja preliminar, traz novas evidências para apoiar o que até agora era apenas uma teoria não comprovada.

De acordo com o estudo, liderado por Akiko Iwasaki, imunologista da Universidade de Yale, o vírus pode duplicar-se dentro do cérebro e a sua presença priva as células cerebrais próximas de oxigénio. A frequência com que essa situação acontece ainda não está clara.

Andrew Josephson, chefe do departamento de neurologia da Universidade da Califórnia em São Francisco, elogiou as técnicas usadas no estudo e destacou que “compreender se existe ou não uma participação viral directa no cérebro é extremamente importante”. Entretanto, acrescentou que ele seria cauteloso até que a investigação seja objecto de revisão pelos pares.

Não seria uma grande surpresa o SARS-CoV-2 ser capaz de penetrar a barreira hematoencefálica, uma estrutura que envolve os vasos sanguíneos do cérebro e tenta bloquear substâncias estranhas.

“Tempestade de citocinas”

Os médicos até agora acreditavam que as consequências neurológicas observadas em aproximadamente metade dos pacientes hospitalizados com covid-19 poderiam ser resultado de uma resposta imunológica anormal, “a tempestade de citocinas”, que causava uma inflamação do cérebro em vez de uma invasão do vírus no cérebro.

A professora Iwasaki e os seus colegas decidiram abordar o problema de três maneiras: infectando mini-cérebros criados em laboratório (os chamados organoides cerebrais), infectando ratos e examinando o cérebro de pacientes que morreram de covid-19.

Nos organoides cerebrais, a equipa descobriu que o vírus poderia infectar neurónios e depois “invadir” o mecanismo da célula neuronal para se duplicar.
As células infectadas provocavam a morte das células circundantes ao privá-las de oxigénio.

Um dos principais argumentos contra a teoria da invasão cerebral directa é que o cérebro não possui altos níveis de uma proteína chamada ACE2, à qual o coronavírus se liga e que é encontrada em abundância noutros órgãos, como os pulmões.

No entanto, a equipa descobriu que os organoides tinham ACE2 suficiente para facilitar a entrada do vírus e que as proteínas também estavam presentes nos cérebros dos pacientes falecidos.

Os investigadores também analisaram dois grupos de ratos: um modificado geneticamente para ter receptores ACE2 somente nos pulmões e o outro apenas no cérebro.

Os ratos infectados nos pulmões apresentaram lesões nesses órgãos; os animais infectados no cérebro perderam peso e morreram rapidamente, um potencial sinal de maior letalidade quando o vírus penetra no cérebro.

Além disso, os cérebros de três pacientes que morreram por complicações graves relacionadas com o coronavírus também mostraram rastos do vírus, em vários graus.

Diário de Notícias

DN/AFP

 

233: Tomou um medicamento e teve um efeito secundário? Por favor, diga

 

Em Portugal, há 10 reacções adversas por dia a medicamentos, mas são poucos os doentes que as reportam.

Foto: Lusa

Foto: Lusa

A Autoridade Nacional do Medicamento e Produtos de Saúde (Infarmed) lança esta segunda-feira uma campanha de sensibilização para a importância de lerem as bulas dos medicamentos e declararem todos os efeitos secundários que surjam.

De acordo com os últimos dados, são poucas as vezes em que doentes ou familiares tomam a iniciativa de comunicar as suas queixas ao regulador.

No primeiro semestre, foram notificadas 2.602 reacções adversas, das quais 1.920 eram graves. Apenas 150 destas notificações partiram dos doentes.

A maioria dos efeitos estava relacionada com medicamentos para o tratamento do cancro (quimioterapia), antivirais, imunosupressores, antibióticos e vacinas.

Porque “notificar efeitos secundários torna os medicamentos + seguros”, o Infarmed lança uma campanha de sensibilização nas redes sociais. E porque o problema da falta de notificações por parte do doente não é apenas português, foi desenvolvido o projecto europeu SCOPE – Strenghtening Collaboration for Operating Pharmacovigilance in Europe, no qual participam 22 países (como Portugal) e a Agência Europeia do Medicamento.

Entre 2012 e 2016, registou-se alguma evolução positiva no número de doentes que participa as reacções adversas sentidas, mas ainda abaixo do desejável.

Rádio Renascença
07 nov, 2016 – 08:13

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