266: Ansiedade pode ser sinal precoce de Alzheimer

 

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Sintomas de ansiedade crescente podem ser um sinal precoce de Alzheimer, anos antes do comprometimento cognitivo ser evidente, sugere um novo estudo.

Há muito que os investigadores estudam os factores de risco que aumentam as probabilidades de desenvolver Alzheimer, incluindo condições neuro-psiquiátricas como depressão. Agora, os cientistas dizem que sintomas de ansiedade podem ser um marcador dinâmico da doença numa fase inicial.

“Em vez de olhar para a depressão como a pontuação total, olhamos para sintomas específicos como a ansiedade“, explica a psiquiatra geriátrica Nancy Donovan do Bigham and Women’s Hospital, em Boston, nos EUA.

“Quando comparado com outros sintomas da depressão como tristeza ou perda de interesse, os sintomas de ansiedade aumentaram ao longo do tempo nos pacientes com níveis mais altos de beta amilóide no cérebro”.

A beta amilóide é uma proteína que está compreensivelmente ligada ao Alzheimer, acumulando-se no cérebro em aglomerados que formam placas e perturbam a comunicação entre neurónios.

Essa interrupção é considerada a principal culpada por trás do comprometimento cognitivo do Alzheimer, mas isso poderia também estar implicado na fase pré-clínica da condição, potencialmente até 10 anos antes do declínio da memória ser diagnosticado.

Donovan e outros investigadores examinaram dados do “Harvard Aging Brain Study“, um estudo observacional com a duração de cinco anos a 270 homens e mulheres saudáveis com idades entre os 62 e os 90 anos sem desordens psiquiátricas activas.

Entre outros testes, os participantes foram submetidos a exames ao cérebro e anualmente os cientistas analisavam uma potencial depressão. com o decurso do estudo, a equipa encontrou níveis de beta amilóide mais altos nos cérebros associados a sintomas de ansiedade crescente no córtex cerebral.

“Isto sugere que os sintomas de ansiedade podem ser uma manifestação precoce de Alzheimer”, explica Donovan. “Se as próximas investigações fixarem a ansiedade como um indicador precoce, seria importante não só para identificar pessoas cedo com Alzheimer, mas também no sentido de tratar e prevenir o desaceleramento e prevenção do processo da doença”.

Neste ponto, os investigadores reconhecem que há muito por saber sobre como ocorre esta associação entre a ansiedade e a beta amilóide – e vale a pena reforçar que serão necessários acompanhamentos longitudinais para verificar se os participantes mostram agudização da ansiedade quando desenvolvem o Alzheimer.

264: Uma boa noite de sono pode ajudar a controlar o nosso desejo de comer açúcar

 

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Será que o truque para acabar com a nossa vontade de comer açúcar está numa boa noite de sono? Um novo estudo realizado no Reino Unido sugere que sim.

Não é surpresa nenhuma que uma noite mal dormida nos leva a sentir mais cansados e com um péssimo humor no dia seguinte. Mas, pelos vistos, o mínimo de 7 horas de sono recomendadas pelas organizações de saúde também parecem ter efeitos na nossa saúde, sobretudo em doenças como a obesidade, diabetes e doenças cardiovasculares, escreve o Live Science.

De acordo com um novo estudo, publicado na semana passada no American Journal of Clinical Nutrition, mais de um terço dos norte-americanos só dorme seis horas ou menos por noite. Com esses dados, os investigadores foram tentar perceber como é que isso poderia afectar as escolhas que fazem na sua alimentação.

A equipa recrutou 21 indivíduos para participar numa consulta de sono de 45 minutos, projetada para prolongar o seu tempo de sono em até 1,5 horas por noite. No outro grupo, também com 21 voluntários, ninguém recebeu intervenção nos seus padrões de sono.

Todos os participantes foram convidados a registar o seu sono e os seus padrões alimentares durante sete dias. Durante este período, também usaram sensores de movimento nos pulsos que mediram a quantidade exata de sono todas as noites, bem como a quantidade de tempo que passavam na cama antes de adormecerem.

Os resultados mostraram que os participantes que aumentaram as horas de sono reduziram a quantidade de açúcar ingerida em até dez gramas no dia seguinte, quando comparado com a quantidade que consumiam no início do estudo.

Além disso, os mesmos participantes também apresentaram uma menor ingestão diária de hidratos de carbono quando comparado com o grupo que não ampliou os seus padrões de sono.

“O facto de o sono prolongado ter levado a uma redução na ingestão de açúcares – referimo-nos aos que são adicionados aos alimentos pelos fabricantes ou mesmo em casa – sugere que uma simples mudança no estilo de vida pode ajudar as pessoas a ter melhores hábitos alimentares”, afirma uma das autoras do estudo, Wendy Hall, do Departamento de Diabetes e Ciências da Nutrição da King’s College London, no Reino Unido.

O grupo que dormiu mais horas recebeu uma lista de sugestões para ajudar os voluntários a ter uma boa noite de sono – evitar cafeína horas antes, estabelecer uma rotina relaxante e não ir para a cama muito cheio ou com fome eram algumas delas.

“A duração e a qualidade do sono são uma área de crescente preocupação com a saúde pública e tem sido associada como um fator de risco para várias condições”, disse a principal autora da pesquisa, Haya Al Khatib, professora do mesmo departamento.

No geral, os resultados deste estudo mostraram que 86% dos participantes que recebeu alguns conselhos aumentou o tempo total passado na cama, e 50% prolongaram a duração do sono em cerca de 52 a 90 minutos por noite, em comparação com o outro grupo. Além disso, três dos participantes alcançaram uma média semanal entre as 7 a 9 horas recomendadas.

No entanto, os cientistas observaram uma coisa: os dados sugerem que a quantidade prolongada de sono pode ter sido de menor qualidade do que o sono dos participantes que estavam no outro grupo. Algo que pode ser explicado pelo facto de qualquer nova rotina necessitar de um período de ajuste.

“Os nossos resultados também sugerem que aumentar o tempo na cama por uma hora ou mais pode levar a escolhas alimentares mais saudáveis”, disse Al Khatib. “Esta ideia fortalece ainda mais a ligação entre poucas horas de sono e dietas de menor qualidade que já foram observadas em estudos anteriores”.

“Agora queremos investigar ainda mais esta descoberta com estudos a longo prazo que examinam a ingestão de nutrientes e a adesão contínua aos comportamentos de extensão do sono com mais detalhes, especialmente em grupos de risco de obesidade ou doenças cardiovasculares”, conclui.

ZAP //
Por ZAP
14 Janeiro, 2018

262: O ibuprofeno pode causar infertilidade nos homens

 

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Um estudo de cientistas franceses e dinamarqueses revela que a toma de ibuprofeno pode levar à infertilidade masculina e a problemas cardíacos.

Um estudo, publicado esta segunda-feira na revista Proceedings of f the National Academy of Sciences (PNAS), sugere que a toma de ibuprofeno está associado a um impacto negativo nos testículos, que pode levar à infertilidade masculina e outras complicações como disfunção eréctil, depressão ou doenças cardiovasculares.

A investigação envolveu 31 homens, com idades compreendidas entre os 18 e os 35 anos. No estudo, os cientistas franceses e dinamarqueses perceberam que a administração de ibuprofeno, um anti-inflamatório não esteróide, alterava o sistema endócrino, responsável pela secreção de hormonas.

Segundo o Público, essa alteração resultava no desenvolvimento de hipogonadismo, um problema comum nos idosos que diminui a actividade funcional dos testículos, podendo levar à infertilidade e a outras complicações, como depressão e aumento do risco de ventos cardiovasculares.

O ibuprofeno é um dos analgésicos mais tomados para “dores, febre, artrite“, sendo “muito usado por atletas”, como refere o estudo. Dos 31 indivíduos, 14 receberam uma dose diária de ibuprofeno semelhante à que tomam alguns atletas: 600 miligramas duas vezes por dia. Aos restantes 17 voluntários, foi dado um placebo.

Nos indivíduos que tomaram o fármaco, foi possível verificar que as suas hormonas luteinizantes, que estimulam as células de Leydig a produzir testosterona, passaram a estar associadas ao nível de ibuprofeno que circulava no sangue. O nível de testosteronadiminuiu, um dos sinais de testículos disfuncionais.

Bernard Jégou, co-autor e director do Instituto francês de Pesquisa em Saúde Ambiental e Ocupacional, disse acreditar que estes efeitos são reversíveis em homens que tenham tomado ibuprofeno durante curtos períodos de tempo.

“Mas o alerta está dado”, disse à CNN. “Se isto servir para lembrar as pessoas de que estamos a lidar verdadeiramente com fármacos – e não com coisas que não são perigosas – é uma coisa boa”.

Este novo estudo é uma continuação da pesquisa que começou com mulheres grávidas, explicou Jégou. Investigações anteriores sugeriam que a toma de aspirina, paracetamol ou ibuprofeno poderia afectar os testículos dos bebés e a sua capacidade de reprodução

A dose média diária recomendada de ibuprofeno varia entre 1200 e 1800 miligramas, tomados com um intervalo de oito horas.

ZAP //
Por ZAP
11 Janeiro, 2018

 

261: Afinal, os suplementos de cálcio e vitamina D não protegem os ossos

 

Mizianitka / pixabay

Comer vegetais, fazer exercício ou tomar vitaminas são três ações, aparentemente, benéficas para a nossa saúde. No entanto, os cientistas ainda não conseguiram encontrar provas concretas de que as vitaminas trazem benefícios.

Este novo estudo, publicado em Dezembro no Journal of the American Medical Association,é uma revisão de mais de 33 estudos. Com ele, os cientistas queriam descobrir se as pessoas que tomavam cálcio, vitamina D ou ambas apresentavam menor probabilidade de sofrer fracturas ósseas.

A investigação, liderada por Jia-Guo Zhao, médico do Departamento de Cirurgia Ortopédica, do Hospital de Tianjin, na China, não encontrou nenhuma relação entre os suplementos e a proteção contra fraturas ósseas.

A equipa de investigadores comparou o uso de suplementos com vitamina D, cálcio ou de ambos com o uso de um placebo. Comparou, também, o não uso de suplementos com o surgimento de novas fraturas ósseas. Os estudos incluíam mais de 50 mil adultos, com mais de 50 anos de idade.

Com esta investigação, os cientistas chegaram à conclusão de que os suplementos estudados não estavam, afinal, associados a um menor risco de surgimento de novas fraturas. Este resultado desafia as diretrizes que recomendam a toma de suplementos de cálcio e vitamina D para protegerem os ossos de fraturas.

Embora os suplementos possam parecer inofensivos, muitos deles são desnecessários, enganadores e, até, perigosos. Segundo o ScienceAlert, a indústria dos suplementos está desregulada. Nos EUA, os suplementos enviam, todos os anos, cerca de 23 mil pessoas para os hospitais.

“Isto significa que a Food and Drug Administration (FDA) e os consumidores não têm como saber se o que está na caixa é o que está efetivamente no rótulo. Não há como saber, com certeza, se o produto é seguro”, afirma Bryn Austin, professor de ciências comportamentais da Harvard T.H. Chan School of Public Health.

Geralmente, os nutrientes não são processados de forma eficiente, pelo que é preciso ter em conta que, quando ingerimos uma vitamina ou um suplemento, não estamos a ingerir alimentos reais.

Assim, tomar suplementos como meio de compensar as deficiências nutricionais – que podem ser derivadas, por exemplo, de uma alimentação pouco saudável – pode não funcionar como previsto. Ou, pelo menos, como gostaria que funcionasse.

ZAP //
Por ZAP
12 Janeiro, 2018

 

259: Vírus Zika é eficaz contra células cancerígenas no cérebro de adultos

 

Midiamax
O Aedes aegypti pode transmitir três doenças: Zika, dengue e chikungunya

Investigadores da Faculdade de Ciências Médicas da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), no Brasil, descobriram que o vírus Zika se mostrou eficaz no combate a células cancerígenas no cérebro de adultos.

Os investigadores chegaram a essa conclusão, publicada numa revista científica norte-americana, depois de terem injectado o vírus em células que continham “glioblastoma”, o tumor do sistema nervoso central mais comum e maligno, dado que apenas 24 horas depois, o Zika já tinha eliminado metade das células cancerígenas.

Esse processo foi repetido nas horas seguintes sem que as células saudáveis fossem afetadas pela ação do vírus.

A experiência ocorreu sob a premissa de que o vírus Zika é consideravelmente destrutivo em células cerebrais em recém-nascidos, mas não em adultos.

“As células do bebé têm uma alta taxa de proliferação. Parecida com as do cancro, que nada mais é do que uma doença que prolifera de forma descontrolada. E as células saudáveis, não. Então ele protegeria as células normais do adulto, mas eliminaria apenas as células do cancro, tornando um tratamento mais específico do que uma quimioterapia”, explicou a investigadora Estela de Oliveira Lima, citada pelo portal de notícias brasileiro G1.

Além disso, os investigadores notaram que quando ocorreu o contacto entre o Zika e a célula cancerígena aumentou significativamente a quantidade de “digoxina”, uma substância responsável pela morte dos tumores e que é utilizada já na medicina no tratamento de algumas doenças cardíacas.

“A descoberta da substância e o mecanismo com que ela também atua no glioblastoma, nesse tipo de cancro, é inédito no mundo“, afirmou o médico Rodrigo Ramos Catarino.

Após as descobertas em laboratório, o próximo passo será realizar testes com animais e, por fim, em humanos, o que poderá levar, a confirmarem-se os resultados da investigação, a um novo tratamento contra o referido tumor e mesmo ao desenvolvimento de uma vacina.

O Zika, tal como a dengue, a chikungunya e a febre amarela, é transmitido pelo Aedes aegypti, um mosquito cuja população se multiplica com a chegada do verão.

O Brasil foi um dos países mais afetados pelo Zika em 2016, que declarou estado de emergência antes de a própria Organização Mundial de Saúde (OMS) alertar para a gravidade da doença.

Em 2016, foram registados 216.207 casos prováveis de febre pelo vírus Zika no Brasil e foram confirmadas laboratorialmente oito mortes.

ZAP // Lusa
Por Lusa
13 Janeiro, 2018

 

258: Medicamento contra a diabetes pode reverter significativamente a perda de memória por Alzheimer

 

lucasfrasca / Flickr

Num novo estudo de colaboração internacional, cientistas descobriram que um medicamento desenvolvido para diabetes tipo 2 pode reduzir e reverter significativamente a perda de memória em ratos com doença de Alzheimer.

O próximo passo da pesquisa será testar a droga em humanos. A melhor notícia é que, como o remédio já foi aprovado para comercialização, caso se prove um sucesso, pode atingir o mercado muito mais rápido do que outras opções experimentais de tratamento para a demência.

O estudo envolveu investigadores da Universidade Shaoyang e da Universidade Médica de Shanxi, na China, e da Universidade Lancaster, no Reino Unido.

Pesquisas anteriores já estabeleceram uma ligação entre as duas condições – a diabetes tipo 2 é um factor de risco para a doença de Alzheimer. Além disso, parece fazer a doença progredir mais rápido.

A explicação pode passar pelaa insulina não chegar às células corretamente. A insulina é um fator de crescimento conhecido por proteger as células cerebrais. A resistência à insulina tem sido observada nos cérebros de pessoas com Alzheimer, bem como é o mecanismo biológico por trás da diabetes tipo 2.

Logo, os cientistas têm investigado se drogas que tratam diabetes tipo 2 podem também melhorar os sintomas de Alzheimer.

Estas abordagens são muito importantes, porque se aproveitam de conhecimentos existentes e substâncias já testadas, tornando muito mais rápido a oferta de novos tratamentos promissores para as pessoas.

O novo tratamento é interessante porque protege as células cerebrais atacadas pela doença de três maneiras diferentes, juntando diversas abordagens.

Alguns estudos tiveram sucesso no passado com uma droga mais antiga para diabetes, conhecida como liraglutida, mas este medicamento parece ser mais eficaz.

O fármaco, referido apenas como “agonista de receptores triplo” (do inglês “triple receptor agonist”) na pesquisa, actua de várias maneiras para evitar a degeneração do cérebro: activando o GIP-1, o GIP e os receptores de glucagon ao mesmo tempo.

Como a sinalização de fatores de crescimento fica prejudicada nos cérebros dos pacientes com Alzheimer, a ideia era que a droga poderia ajudar a reestimular as células cerebrais danificadas e impedir danos futuros.

Os cientistas testaram a droga em ratos que tinham sido geneticamente modificados para ter doença de Alzheimer.

Depois foi analisada a aprendizagem e a formação da memória nos animais, e descobriram que a droga reverteu significativamente o défice de memória e foi capaz de melhorar níveis de um factor de crescimento cerebral que protege o funcionamento das células nervosas, assim como reduzir a quantidade de placas amilóides tóxicas no cérebro. A droga experimental também reduziu a inflamação crónica e o stress oxidativo, assim como retardou a taxa de perda de células nervosas.

“Estes resultados muito promissores demonstram a eficácia de novos fármacos múltiplos que originalmente foram desenvolvidos para tratar diabetes tipo 2, mas têm efeitos neuro-protectores consistentes vistos em vários estudos”, disse o principal autor do estudo, Christian Hölscher, da Universidade Lancaster.

Contudo, ainda é necessário verificar se o mesmo efeito será observado em seres humanos. Comparações diretas com outros medicamentos também deverão ser realizadas para avaliar se este novo tratamento é superior aos anteriores.

ZAP // HypeScience

 

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