264: Uma boa noite de sono pode ajudar a controlar o nosso desejo de comer açúcar

 

quinnanya / Flickr

Será que o truque para acabar com a nossa vontade de comer açúcar está numa boa noite de sono? Um novo estudo realizado no Reino Unido sugere que sim.

Não é surpresa nenhuma que uma noite mal dormida nos leva a sentir mais cansados e com um péssimo humor no dia seguinte. Mas, pelos vistos, o mínimo de 7 horas de sono recomendadas pelas organizações de saúde também parecem ter efeitos na nossa saúde, sobretudo em doenças como a obesidade, diabetes e doenças cardiovasculares, escreve o Live Science.

De acordo com um novo estudo, publicado na semana passada no American Journal of Clinical Nutrition, mais de um terço dos norte-americanos só dorme seis horas ou menos por noite. Com esses dados, os investigadores foram tentar perceber como é que isso poderia afectar as escolhas que fazem na sua alimentação.

A equipa recrutou 21 indivíduos para participar numa consulta de sono de 45 minutos, projetada para prolongar o seu tempo de sono em até 1,5 horas por noite. No outro grupo, também com 21 voluntários, ninguém recebeu intervenção nos seus padrões de sono.

Todos os participantes foram convidados a registar o seu sono e os seus padrões alimentares durante sete dias. Durante este período, também usaram sensores de movimento nos pulsos que mediram a quantidade exata de sono todas as noites, bem como a quantidade de tempo que passavam na cama antes de adormecerem.

Os resultados mostraram que os participantes que aumentaram as horas de sono reduziram a quantidade de açúcar ingerida em até dez gramas no dia seguinte, quando comparado com a quantidade que consumiam no início do estudo.

Além disso, os mesmos participantes também apresentaram uma menor ingestão diária de hidratos de carbono quando comparado com o grupo que não ampliou os seus padrões de sono.

“O facto de o sono prolongado ter levado a uma redução na ingestão de açúcares – referimo-nos aos que são adicionados aos alimentos pelos fabricantes ou mesmo em casa – sugere que uma simples mudança no estilo de vida pode ajudar as pessoas a ter melhores hábitos alimentares”, afirma uma das autoras do estudo, Wendy Hall, do Departamento de Diabetes e Ciências da Nutrição da King’s College London, no Reino Unido.

O grupo que dormiu mais horas recebeu uma lista de sugestões para ajudar os voluntários a ter uma boa noite de sono – evitar cafeína horas antes, estabelecer uma rotina relaxante e não ir para a cama muito cheio ou com fome eram algumas delas.

“A duração e a qualidade do sono são uma área de crescente preocupação com a saúde pública e tem sido associada como um fator de risco para várias condições”, disse a principal autora da pesquisa, Haya Al Khatib, professora do mesmo departamento.

No geral, os resultados deste estudo mostraram que 86% dos participantes que recebeu alguns conselhos aumentou o tempo total passado na cama, e 50% prolongaram a duração do sono em cerca de 52 a 90 minutos por noite, em comparação com o outro grupo. Além disso, três dos participantes alcançaram uma média semanal entre as 7 a 9 horas recomendadas.

No entanto, os cientistas observaram uma coisa: os dados sugerem que a quantidade prolongada de sono pode ter sido de menor qualidade do que o sono dos participantes que estavam no outro grupo. Algo que pode ser explicado pelo facto de qualquer nova rotina necessitar de um período de ajuste.

“Os nossos resultados também sugerem que aumentar o tempo na cama por uma hora ou mais pode levar a escolhas alimentares mais saudáveis”, disse Al Khatib. “Esta ideia fortalece ainda mais a ligação entre poucas horas de sono e dietas de menor qualidade que já foram observadas em estudos anteriores”.

“Agora queremos investigar ainda mais esta descoberta com estudos a longo prazo que examinam a ingestão de nutrientes e a adesão contínua aos comportamentos de extensão do sono com mais detalhes, especialmente em grupos de risco de obesidade ou doenças cardiovasculares”, conclui.

ZAP //
Por ZAP
14 Janeiro, 2018

258: Medicamento contra a diabetes pode reverter significativamente a perda de memória por Alzheimer

 

lucasfrasca / Flickr

Num novo estudo de colaboração internacional, cientistas descobriram que um medicamento desenvolvido para diabetes tipo 2 pode reduzir e reverter significativamente a perda de memória em ratos com doença de Alzheimer.

O próximo passo da pesquisa será testar a droga em humanos. A melhor notícia é que, como o remédio já foi aprovado para comercialização, caso se prove um sucesso, pode atingir o mercado muito mais rápido do que outras opções experimentais de tratamento para a demência.

O estudo envolveu investigadores da Universidade Shaoyang e da Universidade Médica de Shanxi, na China, e da Universidade Lancaster, no Reino Unido.

Pesquisas anteriores já estabeleceram uma ligação entre as duas condições – a diabetes tipo 2 é um factor de risco para a doença de Alzheimer. Além disso, parece fazer a doença progredir mais rápido.

A explicação pode passar pelaa insulina não chegar às células corretamente. A insulina é um fator de crescimento conhecido por proteger as células cerebrais. A resistência à insulina tem sido observada nos cérebros de pessoas com Alzheimer, bem como é o mecanismo biológico por trás da diabetes tipo 2.

Logo, os cientistas têm investigado se drogas que tratam diabetes tipo 2 podem também melhorar os sintomas de Alzheimer.

Estas abordagens são muito importantes, porque se aproveitam de conhecimentos existentes e substâncias já testadas, tornando muito mais rápido a oferta de novos tratamentos promissores para as pessoas.

O novo tratamento é interessante porque protege as células cerebrais atacadas pela doença de três maneiras diferentes, juntando diversas abordagens.

Alguns estudos tiveram sucesso no passado com uma droga mais antiga para diabetes, conhecida como liraglutida, mas este medicamento parece ser mais eficaz.

O fármaco, referido apenas como “agonista de receptores triplo” (do inglês “triple receptor agonist”) na pesquisa, actua de várias maneiras para evitar a degeneração do cérebro: activando o GIP-1, o GIP e os receptores de glucagon ao mesmo tempo.

Como a sinalização de fatores de crescimento fica prejudicada nos cérebros dos pacientes com Alzheimer, a ideia era que a droga poderia ajudar a reestimular as células cerebrais danificadas e impedir danos futuros.

Os cientistas testaram a droga em ratos que tinham sido geneticamente modificados para ter doença de Alzheimer.

Depois foi analisada a aprendizagem e a formação da memória nos animais, e descobriram que a droga reverteu significativamente o défice de memória e foi capaz de melhorar níveis de um factor de crescimento cerebral que protege o funcionamento das células nervosas, assim como reduzir a quantidade de placas amilóides tóxicas no cérebro. A droga experimental também reduziu a inflamação crónica e o stress oxidativo, assim como retardou a taxa de perda de células nervosas.

“Estes resultados muito promissores demonstram a eficácia de novos fármacos múltiplos que originalmente foram desenvolvidos para tratar diabetes tipo 2, mas têm efeitos neuro-protectores consistentes vistos em vários estudos”, disse o principal autor do estudo, Christian Hölscher, da Universidade Lancaster.

Contudo, ainda é necessário verificar se o mesmo efeito será observado em seres humanos. Comparações diretas com outros medicamentos também deverão ser realizadas para avaliar se este novo tratamento é superior aos anteriores.

ZAP // HypeScience

 

256: Isolamento social pode contribuir para o desenvolvimento da diabetes tipo 2

 

jimgris / Flickr

Um estudo recente descobriu uma intrigante relação entre isolamento social e o desenvolvimento da diabetes tipo 2, sugerindo que ter um pequeno grupo de amigos pode tornar-nos mais propensos ao desenvolvimento da doença.

Como em qualquer estudo, no entanto, a natureza precisa desta ligação não é clara. Mas é uma razão tão boa como outra qualquer para fugir ao isolamento neste natal.

Enquanto que a diabetes tipo 1 é uma doença vitalícia auto-imune que tipicamente é desenvolvida durante a infância, a diabetes tipo 2 refere-se à crescente resistência do corpo à insulina, que pode ser desenvolvida em qualquer idade e ter um progresso lento.

Investigações passadas exploraram a ligação entre estruturas sociais e o tipo 2 da diabetes, procurando pistas de como fatores como o stress e o apoio emocional podem ajudara  melhorar a qualidade de vida.

Enquanto que é bastante claro que existe algum tipo de ligação, existem, no entanto, algumas questões sobre as quais os elementos sociais desempenham um papel crucial.

Investigadores da Universidade de Maastricht, na Holanda, fizeram uso de uma extensa base de dados de estudos de indivíduos com tipo 2 de diabetes para determinar exatamente que características do isolamento podem estar relacionadas com aquela condição.

Os cientistas analisaram 2861 sujeitos com idades entre os 40 e os 75 anos. Cerca de um terço da amostra foi diagnosticada com diabetes tipo 2 antes ou durante o estudo.

Foram recolhidas algumas características dos seus grupos sociais através de um questionário, dando aos investigadores vários detalhes sobre o tamanho do seu grupo de amigos, a frequência de contacto e quão longe viviam uns dos outros.

Os investigadores descobriram que ter um grupo de amigos pequeno está altamente associado com um novo ou anterior diagnóstico de diabetes tipo 2.

Também descobriram que a proximidade de familiares, amigos e conhecidos faziam a  diferença para a mulher – ter pessoas próximas com quem sair significava menos probabilidade de ser diagnosticada a doença.

Para os homens, viver sozinho fazia uma grande diferença e os que tinham apenas colegas de casa tinham também menos probabilidade de vir a desenvolver a doença.

“As nossas descobertas apoiam a ideia que resolver o isolamento social pode ajudar a prevenir o desenvolvimento da diabetes tipo 2″, disse Stephanie Brinkhues, principal autora do estudo.

A diabetes não é, contudo, a única doença vitalícia associada ao isolamento social e é pouco provável que essas condições de saúde sejam, elas próprias, factores de isolamento. As razões por trás desta ligação permanecem por descobrir.

Cuidados de saúde são uma rua de dois sentidos – podemos sempre fazer algo mais para ajudar os que precisam. Por isso, este natal, tente chegar a um vizinho mais solitário, Não é apenas um gesto simpático, como pode ajudar a salvar a vida deles.

Diabetes tipo 2 revertida em ensaio “histórico”

 

Um grupo de investigadores de várias universidades conseguiu por em remissão a diabetes tipo 2, uma doença que até agora se pensava ser irreversível.

A experiência contou com vários pacientes diabéticos e com excesso de peso, de idades entre os 20 e os 65 anos, escolhidos de forma aleatória, que tinham sido diagnosticados com diabetes tipo 2 nos últimos 6 anos e que não estavam a receber insulina.

Os participantes foram postos numa dieta líquida pobre em calorias, desenvolvida especificamente para gerar uma grande perda de peso, num período de 2 a 5 meses.

A dieta consistia em sopas ou batidos, feitos a partir da dissolução de saquetas de pó em água, com cerca de 200 calorias cada uma. Cada saqueta correspondia a uma refeição.

Ao mesmo tempo, os pacientes deixaram de tomar qualquer medicamento contra a diabetes ou contra a hipertensão que estivessem a tomar no momento.

O estudo concluiu que:

– 46% dos pacientes que participaram na experiência entraram em remissão um ano depois.

– 86% dos pacientes que perderam 15 ou mais quilos ficaram com a diabetes tipo 2 em estado remissivo.

– Apenas 4% dos pacientes do grupo de controlo, que continuaram a receber os tratamentos usados atualmente para a diabete tipo 2, entraram em remissão.

“É um verdadeiro momento histórico”, explica Roy Taylor, co-autor do estudo e professor na Universidade de Newcastle, no Reino Unido, à BBC.

“Antes de começarmos este tipo de trabalho, os médicos e especialistas consideravam a [diabetes] tipo 2 irreversível”, diz. “Mas se formos ousados e tirarmos as pessoas do seu estado perigoso [o excesso de peso], elas conseguem a remissão da diabetes”.

No entanto, este método de ação é apenas um tratamento contra o diabetes, e não uma cura. Os investigadores estimam que, caso os pacientes recuperem o peso que perderam, a diabetes tipo 2 possa voltar.

“Agora temos provas concretas que uma perda de peso de 10-15kg é suficiente para dar a volta a esta doença”, afirma Michael Lean, professor na Universidade de Glasgow e coautor do estudo.

Mas como é que a perda de peso influencia a diabetes?

A gordura que se acumula em volta do pâncreas causa stress nas células beta, responsáveis pela produção de insulina, que regula os níveis de açúcar no sangue. Isto faz com que a insulina não seja devidamente produzida e que os níveis de açúcar no sangue subam descontroladamente.

Através da perda de peso, a gordura que envolve o pâncreas pode ser dissolvida e o órgão pode voltar ao seu funcionamento normal.

Segundo dados de 2014, 8,5% da população adulta mundial sofre de diabetes, reporta a Organização Mundial de Saúde.

msn lifestyle
10/12/2017

 

248: Como um remédio da diabetes pode combater a malária

 

Sara Matos / Global Imagens

Equipa de Maria Mota, no Instituto de Medicina Molecular, descobriu “interruptor” que dita virulência do parasita. E fármaco que o afecta

O combate ao Plasmodium, parasita causador da malária, é um dos principais desafios do planeta em termos de saúde pública. Apesar dos progressos alcançados neste milénio, com quebras significativas no número de casos e de mortes, o balanço desta doença continua a ser assustador: em 2012, mais de 200 milhões pessoas tinham a doença e cerca de 627 mil morreram. Sobretudo na África subsariana e no Sul da Ásia e entre as crianças com menos de 5 anos. Não existe outro ser vivo no planeta – à excepção do próprio ser humano – tão eficaz a matar a nossa espécie.

Para alguns, a guerra contra este minúsculo inimigo, transmitido por mosquitos, tem de ser combatida sem quartel e até às últimas consequências. É o caso da Fundação Bill & Melinda Gates, que já assumiu compromissos da ordem dos dois mil milhões de euros para o combate direto à doença, acrescidos de cerca de 1,5 mil milhões para a luta combinada contra o HIV, tuberculose e malária.

O multimilionário casal de norte-americanos, donos da Microsoft, – responsável por cerca de 50% de todo o investimento nesta área -, só aceita um desfecho: um mundo livre da malária.

Mas também há quem tenha dúvidas de que uma doença espalhada por cerca de cem países, que tem relevado grande resiliência após décadas de combate, possa simplesmente ser erradicada da face da terra. Maria Mota, diretora-executiva do Instituto de Medicina Molecular (IMM) e uma das maiores especialistas mundiais nesta doença, está entre os cientistas que acreditam que as hipóteses de sucesso estão mais em tentar dominar o parasita do que em conseguir exterminá-lo.

No laboratório que lidera, na Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa, investigadores portugueses e estrangeiros, alunos recém-licenciados e bolseiros de pós-doutoramento, trabalham unidos pelo objetivo de procurar fragilidades no Plasmodium que possam ser utilizadas para o enfraquecer e controlar.

“Tudo o que trabalhamos aqui é só malária e o nosso objetivo nunca foi desenhar uma vacina ou um fármaco contra a malária, porque o nosso projeto não é nesse sentido”, explica Maria Mota. “O nosso objetivo é, no fundo, perceber melhor o inimigo, compreendê-lo melhor.”

A frase poderia ser uma citação de A Arte da Guerra, de Sun Tzu, e a investigadora não tem problemas em assumir a analogia militar. “Se temos um exército que queremos atacar, se o entendermos, o ataque pode ser feito de forma mais funcional”.

No caso concreto, explica, “o objetivo é compreender como é que o parasita da malária vive dentro de nós, e como é que vive tão bem, o que é que ele usa de nós – porque é um parasita. Se percebermos o que é que lhe fornecemos, simplesmente podemos tratar isso”.

A dieta e o remédio da diabetes

Maria Mota não fala em abstrato. Muitas das descobertas que a sua equipa tem feito ao longo dos anos baseiam-se nesta abordagem. E uma das mais recentes, ainda em fase de investigação, poderá conter a chave para que a doença venha finalmente a ser dominada.

“Compreendemos que um parasita como a malária tem a capacidade de perceber o seu ambiente, nomeadamente o estado do hospedeiro”, conta.

Os diferentes regimes alimentares das populações afetadas e a forma como estes se relacionam com a intensidade dos casos de malária são um dos principais focos da investigação. “Ele [parasita] adapta a sua replicação e a sua virulência de acordo com o que o hospedeiro come”, conta.

Esta é uma conclusão que tem motivado alguma polémica. ” Recebi um e-mail de uma pessoa a dizer: como é que é possível estar a propor que as pessoas em África passem fome”, conta a investigadora. “Obviamente” não é isso que pretendem os investigadores. “O objetivo é perceber qual é o interruptor que permite que o parasita passe a replicar-se menos”, explica. “Se o manipularmos, conseguimos fazer que o parasita seja menos virulento e passe a ser mais atenuado”.

Unir remédios para ter sucesso

Associada a esta descoberta está outra, que deu origem a um projeto de investigação autónomo, intitulado “Reuse4malaria”, que foi recentemente apoiado com uma bolsa avançada do Conselho Europeu de Investigação. A equipa de Maria Mota já descobriu uma forma de interferir com esse interruptor. E a boa notícia é que os meios para o fazer já existem, em larga escala. “O mais engraçado é que este interruptor ou esta molécula no parasita – chamemos-lhe assim – é afetada por uma droga que já é utilizada para a diabetes, que é a metformina.” O objetivo do projeto de investigação não é usar este fármaco para eliminar a malária e sim descobrir a melhor forma de o utilizar de modo a que o parasita “se replique menos” e que, “provavelmente associado a outras terapias, acabe por matá-lo mais rapidamente”.

A ideia de não matar diretamente o parasita poderá não ser tão popular como outras abordagens mais radicais. Mas, do ponto de vista da investigadora, tem melhores hipóteses de sucesso: “O parasita provavelmente nem vai criar resistência, não vai por ali para tentar “fugir” a isto. Simplesmente vai sentir que está num ambiente diferente e vai viver de uma forma diferente, o que para nós é mais agradável.”

No entanto, a expectativa é que esta abordagem, combinada com outras terapias, possa mesmo ser um passo decisivo para eliminar a doença. “No fundo, vamos precisar das várias ferramentas que estamos a desenvolver”, diz Maria Mota ao DN. Se para a Fundação Gates o objetivo é encontrar a magic bullet que extermine o parasita de uma vez, no laboratório do Instituto de Medicina Molecular procura-se um ataque em várias frentes.

“Sabemos que este fármaco em si não vai matar o parasita. Terão de ser dadas combinações. Este fármaco com outros que matem o parasita”, assume. “Este baixa o número, não cria resistência e temos outro a seguir. Essa provavelmente poderia ser uma fórmula vencedora”, considera, ressalvando estarmos “só ainda na hipótese teórica”. O certo é que a equipa de Maria Mota já está a testar combinações, nalguns casos utilizando fármacos da mesma linha do que combate a diabetes e, noutros, recorrendo a medicamentos já existentes no mercado para combater a doença. O desafio é encontrar “a combinação perfeita”.

Diário de Notícias
investigação
07 DE AGOSTO DE 2017 | 00:01
Pedro Sousa Tavares

 

241: FreeStyle Libre

 

FreeStyle Libre é “Produto do Ano” na área da Saúde

• TECNOLOGIA INOVADORA ELEITA POR MAIS DE 6.000 CONSUMIDORES
• SISTEMA DE MONITORIZAÇÃO DA DIABETES QUE ELIMINA A NECESSIDADE DA PICADA DE ROTINA NO DEDO*
• EM APENAS ALGUNS SEGUNDOS, FORNECE DADOS SOBRE O NÍVEL ATUAL DA GLICOSE, VALORES ANTERIORES E TENDÊNCIA DE GLICOSE

Sabia que….

O Produto do Ano é o maior e único prémio mundial que elege os produtos que se destacam pela inovação e que conta com o voto directo dos consumidores. Criado em França em 1987, este galardão é atribuído em mais de 35 países de todo o mundo com o mesmo objectivo: guiar os consumidores até aos melhores produtos no mercado e premiar os produtores pela qualidade e inovação.

O sistema Flash de Monitorização da Glicose FreeStyle Libre, foi galardoado com o prémio de “Produto do Ano” na área da Saúde, tendo sido eleito por mais de 6.000 consumidores que o escolheram pela sua inovação tecnológica no controlo e gestão da Diabetes.

O FreeStyle Libre é uma ferramenta inédita na medição dos níveis de glicose para pessoas com diabetes, estando indicado essencialmente para pessoas com diabetes que necessitam de fazer diariamente várias picadas dos dedos* para controlar os níveis de açúcar, incluindo crianças entre os 4 e os 17 anos**.

A sua Equipa FreeStyle

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Infelizmente, minha filha é diabética há mais de 15 anos e sempre utilizou as clássicas palhetas com a inevitável picada no dedo para ver os níveis de glicose.

Numa das consultas do seu médico de endócrinas, foi-lhe testado o equipamento acima publicitado. Ao fim de 3 meses, este equipamento não produz resultados fiáveis dado que toda a leitura que se situar abaixo dos 40, apresenta no écran LO.

Ora, LO não é informação correcta, no meu entender, para quem sofre de constantes comas hipoglicémicos, alguns dos quais têm de ter a intervenção do INEM para injectarem glucose na veia e quando pedem quais os valores, não vou indicar que são LO (baixo)…

Mas existem leituras de 43 e 47 que também acusam LO no equipamento o que demonstra que, embora seja um equipamento digital, as leituras variam e não oferecem a confiabilidade que um doente desta natureza necessita.

Em sentido oposto, lê pelo menos até 423 mas ao fazer o teste simultâneo com o equipamento clássico de palhetas, este valor situa-se nos 368. Ora, nesta última situação, a dose de insulina a injectar tem de ser em conformidade com os valores recebidos, o que comprova que as leituras não são confiáveis.

Alertado o médico para esta discrepância de valores entre o equipamento digital e o clássico, foi-me dito que “Quanto aos desvios acho que estão dentro do esperado (o libre ~15% em relação ao laboratório e as tiras <10% tudo somado até 20%)”.

Fica aqui o aviso a quem pretenda utilizar este equipamento – e não estou a dizer para não o fazerem -, mas penso que custando cada sensor a quantia de € 65,85 (portes incluídos) para uma utilização de apenas 14 dias por cada sensor, só para quem tiver um bom orçamento familiar, não esquecendo as discrepâncias entre as leituras dos dois tipos de leitores.

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