313: Mesmo que não beba, o seu fígado pode sofrer danos causados por álcool

 

andrew_bro / Flickr

A lesão hepática é uma das consequências bem conhecidas do consumo excessivo de álcool. Mas nem sempre é preciso beber para sofrer delas.

Algumas bactérias intestinais produzem álcool e podem danificar o nosso fígado sem lhe proporcionar prazeres temporários da bebida.

Cerca de um quarto dos adultos do mundo sofre de doença hepática gordurosa não alcoólica (NAFLD), onde a gordura se acumula no fígado, impedindo a sua função, sem beber em excesso. A sua causa é desconhecida, mas um artigo publicado recentemente na revista especializada Cell Metabolism sugere que o nome é um pouco enganador.

ing Yuan, do Instituto de Pediatria da Capital da China, e os seus colegas estudaram um paciente com DHGNA grave que também se embebedava sempre que comia alimentos ricos em açúcar, uma condição conhecida como síndrome da auto-cervejaria (ABS). O ABS normalmente está associado a infecções por leveduras, mas este paciente aparentemente não teve uma – ambas apresentando resultados negativos nos testes e não respondendo a medicamentos anti-leveduras.

Yuan aprofundou o estudo e descobriu que o álcool vinha de bactérias intestinais. “Ficamos surpreendidos que as bactérias pudessem produzir tanto álcool”, disse Yuan num comunicado divulgado pelo EurekAlert. “Quando o corpo está sobrecarregado e não consegue decompor o álcool produzido por essas bactérias, pode-se desenvolver a doença hepática gordurosa mesmo se não beber”.

Os autores estudaram as fezes das pessoas nessa situação para identificar as bactérias específicas responsáveis ​​e descobriram que a culpa era de cepas específicas de Klebsiella pneumonia.

Embora quase todo a gente tenha K. pneumonia no seu sistema digestivo, a maioria produz apenas pequenas quantidades de álcool. As cepas que Yuan encontrou em pessoas com NAFLD produzem quatro a seis vezes mais álcool do que as variedades mais comuns, o equivalente a transformar um único copo de vinho numa garrafa.

Yuan descobriu que 60% de uma amostra de chineses que sofrem de DHGNA têm bactérias intestinais que produzem quantidades consideráveis ​​de álcool, embora raramente suficiente para produzir sinais óbvios de intoxicação.

Assim, uma em cada sete pessoas produz álcool suficiente para prejudicar a sua saúde sem ficar levemente agitada e sem beber nada.

Para confirmar que todo este álcool não-alcoólico é realmente responsável pela DHGNA, Yuan alimentou ratos com estirpes de K. pneumonia de alta fermentação e, num mês, os seus fígados apresentavam acumulação de gordura. Após outro mês, os fígados ficaram com cicatrizes, indicando danos a longo prazo. A remoção da K. pneumonia interrompeu os efeitos.

“O DHGNA é uma doença heterogénea e pode ter muitas causas”, disse Yuan. “O nosso estudo mostra que a K. pneumonia provavelmente é uma delas. Estas bactérias danificam o seu fígado como o álcool”.

O próximo passo é descobrir porque é que as cepas são infecciosas.

ZAP //

Por ZAP
23 Setembro, 2019

 

37: Cancro oral mata cada vez mais em Portugal

 

Rastreio vai avançar para travar tumor

O rastreio é feito normalmente em clínicas dentárias, e as pessoas vão cada vez menos ao dentista por dificuldades financeiras, referiu Fernando Leal da Costa

O Governo anunciou a criação de um programa nacional de rastreio do cancro oral, tumor que está a aumentar em Portugal e que tem elevada taxa de mortalidade, devido sobretudo à falta de detecção precoce.

O bastonário da Ordem dos Médicos Dentistas (OMD), Orlando Monteiro, revelou que o cancro oral está a aumentar, principalmente nas mulheres e nos jovens, devido ao aumento do consumo de álcool e tabaco. No entanto, 25 por cento destes cancros verificam-se em pessoas que não fumam nem bebem.

Segundo Orlando Monteiro, é fundamental o rastreio para detectar precocemente este tipo de cancro, um dos mais fáceis de detectar e curar, se diagnosticado em fase inicial.

Questionado pela Lusa, o secretário de Estado Adjunto e da Saúde, Fernando Leal da Costa, mostrou-se preocupado e adiantou que o Governo está a estudar soluções.

O governante confirmou haver uma proposta da OMD e assegurou que vai “trabalhar com a Direcção-Geral da Saúde (DGS) para desenhar um programa de rastreio nacional e encontrar maneira de o financiar”.

“Vamos implementar e manter junto dos médicos dentistas uma maior capacidade e um programa organizado de rastreio de cancro oral”, afirmou Leal da Costa.

Para o bastonário, o rastreio é uma medida fundamental para detectar precocemente este tipo de cancro, um dos mais fáceis de detectar e curar, se diagnosticado em fase inicial.

“Mas, paradoxalmente, 50% das pessoas com cancro oral morrem e a taxa de sobrevida é muito baixa, com morte ao fim de cinco anos”, disse, considerando ser uma taxa de mortalidade muito elevada para o tipo de cancro que é.

O problema é que o rastreio é feito normalmente em clínicas dentárias, porque o Serviço Nacional de Saúde (SNS) não tem resposta, e as pessoas vão cada vez menos ao dentista por dificuldades financeiras, um cenário que tende a agravar-se mais ainda devido à crise, explicou.

“Os sinais de alerta, que podem ser detectados com um espelho e uma boa luz, são manchas ou lesões na boca que não desaparecem, e dificuldade persistente em mastigar ou engolir”, explicou.

“Há uma relação directa entre o tabaco e o cancro oral, e o que puder ser feito, nós faremos, para minimizar o tabagismo em Portugal”, afirmou Fernando Leal da Costa.

O bastonário dos dentistas alertou ainda para a necessidade da falta de dados estatísticos em Portugal sobre este tipo de cancro, revelando ser “uma das poucas situações neoplásicas não avaliadas”.

Os médicos reportam-se normalmente, para estes cancros, aos dados internacionais, pois no país só existem os registos dos institutos de oncologia (embora muitos casos passem por outras instituições de saúde).

Os mais recentes datam de 2001 e já apontavam para um aumento da incidência, principalmente na região do sul do país e em pessoas com hábitos de alcoolismo e tabagismo, maus cuidados de higiene oral e dentária e baixo poder económico. À data, o cancro oral matava 300 pessoas por ano.

Este sábado decorre em Lisboa uma conferência internacional sobre ‘Cancro Oral e Saúde Oral em Portugal’, em que vão ser debatidos estes e outros problemas e apresentados exemplos de sucesso, nomeadamente em Espanha.

In Correio da Manhã online
09/03/2012 | 14h021

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