37: Cancro oral mata cada vez mais em Portugal

 

Rastreio vai avançar para travar tumor

O rastreio é feito normalmente em clínicas dentárias, e as pessoas vão cada vez menos ao dentista por dificuldades financeiras, referiu Fernando Leal da Costa

O Governo anunciou a criação de um programa nacional de rastreio do cancro oral, tumor que está a aumentar em Portugal e que tem elevada taxa de mortalidade, devido sobretudo à falta de detecção precoce.

O bastonário da Ordem dos Médicos Dentistas (OMD), Orlando Monteiro, revelou que o cancro oral está a aumentar, principalmente nas mulheres e nos jovens, devido ao aumento do consumo de álcool e tabaco. No entanto, 25 por cento destes cancros verificam-se em pessoas que não fumam nem bebem.

Segundo Orlando Monteiro, é fundamental o rastreio para detectar precocemente este tipo de cancro, um dos mais fáceis de detectar e curar, se diagnosticado em fase inicial.

Questionado pela Lusa, o secretário de Estado Adjunto e da Saúde, Fernando Leal da Costa, mostrou-se preocupado e adiantou que o Governo está a estudar soluções.

O governante confirmou haver uma proposta da OMD e assegurou que vai “trabalhar com a Direcção-Geral da Saúde (DGS) para desenhar um programa de rastreio nacional e encontrar maneira de o financiar”.

“Vamos implementar e manter junto dos médicos dentistas uma maior capacidade e um programa organizado de rastreio de cancro oral”, afirmou Leal da Costa.

Para o bastonário, o rastreio é uma medida fundamental para detectar precocemente este tipo de cancro, um dos mais fáceis de detectar e curar, se diagnosticado em fase inicial.

“Mas, paradoxalmente, 50% das pessoas com cancro oral morrem e a taxa de sobrevida é muito baixa, com morte ao fim de cinco anos”, disse, considerando ser uma taxa de mortalidade muito elevada para o tipo de cancro que é.

O problema é que o rastreio é feito normalmente em clínicas dentárias, porque o Serviço Nacional de Saúde (SNS) não tem resposta, e as pessoas vão cada vez menos ao dentista por dificuldades financeiras, um cenário que tende a agravar-se mais ainda devido à crise, explicou.

“Os sinais de alerta, que podem ser detectados com um espelho e uma boa luz, são manchas ou lesões na boca que não desaparecem, e dificuldade persistente em mastigar ou engolir”, explicou.

“Há uma relação directa entre o tabaco e o cancro oral, e o que puder ser feito, nós faremos, para minimizar o tabagismo em Portugal”, afirmou Fernando Leal da Costa.

O bastonário dos dentistas alertou ainda para a necessidade da falta de dados estatísticos em Portugal sobre este tipo de cancro, revelando ser “uma das poucas situações neoplásicas não avaliadas”.

Os médicos reportam-se normalmente, para estes cancros, aos dados internacionais, pois no país só existem os registos dos institutos de oncologia (embora muitos casos passem por outras instituições de saúde).

Os mais recentes datam de 2001 e já apontavam para um aumento da incidência, principalmente na região do sul do país e em pessoas com hábitos de alcoolismo e tabagismo, maus cuidados de higiene oral e dentária e baixo poder económico. À data, o cancro oral matava 300 pessoas por ano.

Este sábado decorre em Lisboa uma conferência internacional sobre ‘Cancro Oral e Saúde Oral em Portugal’, em que vão ser debatidos estes e outros problemas e apresentados exemplos de sucesso, nomeadamente em Espanha.

In Correio da Manhã online
09/03/2012 | 14h021

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