608: Mais de metade dos doentes hospitalizados com covid-19 grave apresentam lesões no coração após alta

 

 

SAÚDE/COVID-19/CORAÇÃO

O estudo da Sociedade Europeia de Cardiologia envolveu 148 doentes de seis hospitais de Londres, dos quais 54% apresentavam cicatrizes ou lesões no músculo cardíaco (incluindo miocardite, enfarte do miocárdio e isquemia), que foram detectadas um a dois meses após alta.

© NUNO VEIGA/LUSA

Um estudo divulgado esta quinta-feira revela que mais de metade das pessoas hospitalizadas com covid-19 grave, e com níveis elevados da proteína troponina no sangue, apresentam lesões no coração que foram detectadas um a dois meses após alta clínica.

O estudo, divulgado na publicação European Heart Journal, da Sociedade Europeia de Cardiologia, envolveu 148 doentes de seis hospitais de Londres, capital do Reino Unido, dos quais 80 (54%) apresentavam cicatrizes ou lesões no músculo cardíaco (incluindo miocardite, enfarte do miocárdio e isquemia).

As lesões foram detectadas em exames de ressonância magnética feitos aos pacientes um a dois meses depois de terem alta hospitalar.

Todos os 148 doentes tinham níveis elevados da proteína troponina no sangue, indicador de uma inflamação no coração. Os dados da amostra foram comparados com os de um grupo de controlo de doentes que não tinham covid-19 e com 40 voluntários saudáveis.

“Algumas das lesões” no músculo cardíaco “eram novas e provavelmente causadas por covid-19”

Muitos dos doentes hospitalizados com covid-19 costumam ter concentrações elevadas da proteína troponina no sangue durante a fase crítica da doença, quando o corpo desencadeia uma resposta imunitária exagerada à infecção respiratória causada pelo coronavírus SARS-CoV-2.

Segundo uma das coordenadoras do estudo, Marianna Fontana, professora de cardiologia na University College London, no Reino Unido, o coração “pode ser directamente afectado” pelas manifestações graves da covid-19.

Ao identificar “diferentes padrões de lesão” no coração, a ressonância magnética permitirá, de acordo com a especialista, citada em comunicado pela Sociedade Europeia de Cardiologia, “fazer diagnósticos mais precisos e direccionar os tratamentos mais eficazes” aos doentes.

Marianna Fontana adiantou que os exames mostraram que “algumas das lesões” no músculo cardíaco “eram novas e provavelmente causadas por covid-19”.

Mais de 109,4 milhões casos de infecção em todo o mundo

“Vimos lesões que estavam presentes mesmo quando a função de bombeamento do coração não foi prejudicada”, disse, assinalando a preocupação de, nos casos mais graves, estas lesões poderem eventualmente aumentar o risco de insuficiência cardíaca.

A pandemia da covid-19 provocou, pelo menos, mais de 2,4 milhões de mortos, resultantes de mais de 109,4 milhões de casos de infecção, segundo um balanço feito pela agência noticiosa francesa AFP.

A covid-19 é uma doença respiratória provocada por um novo coronavírus (tipo de vírus) detectado no final de Dezembro de 2019, em Wuhan, uma cidade do centro da China, e que se disseminou rapidamente pelo mundo.

Diário de Notícias

DN/Lusa

 

 

 

493: Comer alimentos picantes reduz risco de morte prematura em 25%

 

 

SAÚDE/ALIMENTAÇÃO

Hans / Pixabay

Os indivíduos que consomem alimentos picantes, sobretudo malagueta, podem viver mais e ter um risco significativamente reduzido de morrer de doenças cardiovasculares ou cancro, de acordo com uma pesquisa que será apresentada nas American Heart Association’s Scientific Sessions 2020.

De acordo com uma pesquisa levada a cabo por investigadores norte-americanos, divulgada no Science Daily, a ingestão abundante do ingrediente picante pode reduzir o risco de morte precoce em 25%.

A investigação revela que os consumidores frequentes apresentam uma predisposição entre 26 a 23% menor de morrerem vítimas de doenças cardiovasculares ou de cancro, respectivamente.

Para analisar os efeitos da malagueta na mortalidade, os cientistas analisaram 4.729 estudos de cinco bancos de dados de saúde globais (Ovid, Cochrane, Medline, Embase e Scopus). Os registos de saúde e dieta de mais de 570.000 indivíduos nos Estados Unidos, Itália, China e Irão foram usados para comparar os resultados daqueles que consumiram malagueta com aqueles que raramente ou nunca comeram.

O estudo descobriu que as pessoas que comiam malagueta tinham uma redução relativa de 26% na mortalidade cardiovascular; de 23% na mortalidade por cancro; e de 25% na mortalidade por todas as causas.

“Ficamos surpreendidos ao descobrir que, nestes estudos já publicados, o consumo regular de malagueta foi associado a uma redução geral do risco de morte por todas as causas, doenças cardiovasculares e cancro”, reagiu o autor Bo Xu, cardiologista da Cleveland Clinic’s Heart, Vascular & Thoracic Institute em Cleveland, Ohio.

As razões e os mecanismos que explicam esta descoberta são, no entanto, desconhecidos.

ZAP //

Por ZAP
14 Novembro, 2020

 

 

467: Novos implantes cardíacos podem salvar 10 mil vidas por ano

 

 

SAÚDE

Lucien Monfils / Wikimedia
Radiografia de um paciente com um pacemaker

O chamado envelope antibiótico envolve o implante cardíaco e previne infecções no paciente. Por ano, morrem cerca de 10 mil pessoas devido a infecções geradas pelo implante.

O pacemaker é um pequeno aparelho que é colocado debaixo da pele para controlar e promover os batimentos cardíacos. Existem muitos motivos para a implantação de um pacemaker, sendo que o envelhecer natural do sistema eléctrico do coração é o principal motivo.

A implantação de um pacemaker é um procedimento simples e rápido, que envolve uma pequena cirurgia com anestésico local. No entanto, milhões de pessoas que recebem implantes cardíacos correm o risco de infecções potencialmente fatais.

Estudos mostraram que até 4% dos pacientes com implante, ou 60.000 pacientes a cada ano, desenvolvem uma infecção. Esta pode levar a internamentos hospitalares durante semanas e, em países sem serviço nacional de saúde como os EUA, custar dezenas de milhares de dólares. Além disso, até 17% dos pacientes, ou 10.000 por ano, que contraem estas infecções podem morrer.

Agora, uma equipa de investigadores está a tentar encontrar uma solução para esse problema, procurando reduzir o risco de infecção. Os cientistas criaram envelopes antibióticos, que se colocam à volta dos implantes e que evitam a infecção.

Neste momento há dois envelopes deste tipo, o TYRX e o CanGaroo, que já receberam aprovação da Food and Drug Administration (FDA).

“O uso do envelope antibiótico levou a uma redução adicional de 40% nas infecções durante o primeiro ano após a implantação. E não vimos nenhum aumento nas complicações com o uso do envelope, indicando que é seguro usar”, disse Khaldoun Tarakji, especialista em electrofisiologia cardíaca em Cleveland, citado pelo OZY.

Uma paciente de 19 anos norte-americana relatou a um blogue médico de Stanford a sua experiência de implantar um pacemaker com recurso ao novo envelope antibiótico. Bea White realçou que a sua saúde mental “está completamente diferente da primeira que entrou no hospital” e que agora tem “mais confiança e felicidade”.

ZAP //

Por ZAP
20 Outubro, 2020

 

 

359: Não é só um coração partido. O cérebro também sofre com o fim de uma relação

 

CIÊNCIA/SAÚDE/DEPRESSÃO/NEUROCIÊNCIA

(CC0/PD) 1388843 / Pexels

Ter um “coração partido” depois do término de uma relação é normal. No entanto, uma nova investigação sugere que o cérebro sofre mais do que pensávamos.

Um estudo recentemente publicado na revista NeuroImage: Clinical concluiu que não é apenas o coração que sofre com o fim de uma relação. Ter o “coração partido” dificulta o pensamento, porque o cérebro perde o controlo devido a padrões anormais de comunicação neural e organização funcional reduzida.

Estes indícios cerebrais são sintomas de pacientes com depressão clínica. “Os estudos de neuro-imagem em repouso identificaram a comunicação anormal de todo o cérebro em pacientes com depressão”, referem os autores do estudo. “No entanto, ainda não está claro se os sintomas depressivos em indivíduos sem diagnóstico clínico têm uma base neural confiável.”

Para descobrir se havia também uma base neural no caso de pacientes que passaram por um recente término de relação, os cientistas decidiram analisar o cérebro de 69 indivíduos sem um diagnóstico clínico depressivo que tinham terminado recentemente um relacionamento.

“Investigamos até que ponto a gravidade dos sintomas depressivos numa amostra não clínica foi associada a desequilíbrios na dinâmica cerebral complexa durante o repouso”, explicaram os investigadores, citados pelo Hipertextual.

Os participantes apresentaram diferentes graus de sintomas depressivos, mas nenhum teve um diagnóstico clínico. No entanto, os cientistas concluíram que a gravidade dos sintomas estava directamente relacionada com os défices na capacidade do cérebro de processar informações.

“Os indivíduos mais tristes mostraram reduções acentuadas na integração global, que se refere à capacidade do cérebro de combinar e processar todas as informações. Esta integração permite-nos entender o mundo e desenvolver respostas cognitivas e comportamentais apropriadas às situações em que nos encontramos”, justificaram.

A equipa de cientistas observou ainda que quanto mais graves os sintomas de depressão, menor a diversidade espacial no cérebro. Se a diversidade cerebral diminui, “a natureza hierárquica da conectividade decompõe-se, resultando num estado mais caótico que reduz a eficiência cognitiva.”

Os cientistas advertiram que a amostra desta investigação é muito pequena. Ainda assim, concluíram que “experiências negativas podem ter um efeito prejudicial na competência operacional do cérebro”. “Podem desencadear uma diminuição na saúde mental, mesmo em pessoas sem diagnóstico clínico.”

ZAP //

Por ZAP
29 Junho, 2020


 

276: Comer um ovo por dia faz bem ao coração

 

(CC0/PD) Trang Doan / pexels

Um estudo publicado recentemente apontou o ovo como um alimento benéfico na prevenção de doenças cardíacas.

As doenças cardiovasculares são, actualmente, a principal causa de morte e incapacidade em todo o mundo, especialmente pelas cardiopatias isquémicas e acidentes vasculares cerebrais (AVC). Ao contrário do resto do mundo onde é mais frequente a doença isquémica, na China a principal causa de morte prematura é o derrame cerebral.

Enquanto uns apontam a necessidade de limitar o consumo de ovos, devido ao risco de salmonela e colesterol elevado, outros defendem o consumo diário por outras propriedades do alimento. É o exemplo de um estudo recente, publicado na Heart, realizado por um grupo de cientistas do Reino Unido e China, das universidades de Pequim e Oxford.

A investigação refere que os ovos são uma fonte importante de colesterol mas que também contêm proteínas de alta qualidade, muitas vitaminas e componentes bioactivos, como os fosfolipídeos (lípidos que contém ácido fosfórico) e os carotenoides (importantes na alimentação e antioxidantes).

O estudo refere que investigações anteriores que analisaram a associação entre comer ovos e a saúde foram inconsistentes.

Desta vez, os cientistas examinaram as relações entre o consumo de ovos e as doenças cardiovasculares, usando dados de um estudo a decorrer e que junta mais de 500 mil pessoas adultas, com idades compreendidas entre os 30 e os 79 anos, de 10 diferentes regiões da China.

Os participantes, recrutados entre 2004 e 2008, foram questionados sobre a frequência do consumo de ovos e foram acompanhados para determinar a sua morbilidade e mortalidade.

A análise dos resultados revelou que, em comparação com pessoas que não consomem ovos, o consumo diário está associado a um risco menor de doenças cardiovasculares.

Os consumidores diários de um ovo baixaram em 18% o risco de uma doença cardiovascular e só em relação a um AVC a probabilidade baixou 26%. O consumo diário de ovos levou também a uma redução de 25% no risco de cardiopatia isquémica.

Os autores notam que o estudo foi de observação, pelo que não se pode tirar uma conclusão categórica de causa e efeito. Ainda assim, salientam o tamanho da amostra.

“”O presente estudo revela que há uma associação entre o consumo moderado de ovos (um por dia) e uma menor taxa de eventos cardíacos”, afirmaram os autores.

ZAP // Lusa

Por ZAP
24 Maio, 2018

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263: Fazer sauna traz benefícios ao coração

 

(CC0/PD) Zerocool / pixabay

Um banho de sauna de 30 minutos pode fazer a diferença. Uma equipa de investigadores chegou à conclusão que esta prática pode melhorar a sua saúde cardiovascular.

Uma equipa de investigadores internacionais demonstrou que um banho de sauna de 30 minutos reduz a pressão arterial e aumenta a complacência vascular, ao mesmo tempo que “aumenta também a frequência cardíaca de forma semelhante ao exercício físico de intensidade média”.

O líder da equipa, Jari Laukkanen, da Universidade da Finlândia Oriental, em Kuopio, analisou os efeitos de uma sessão de sauna de 30 minutos em 100 indivíduos, tendo o resultado sido publicado no Journal of Human Hypertension.

“A complacência vascular foi medida a partir da artéria carótida e femoral antes da sauna, imediatamente depois da sauna e após 30 minutos de recuperação”, explicaram os investigadores.

Com o avançar da idade, as grandes artérias vão perdendo complacência arterial. A complacência é uma grandeza que expressa a razão entre a variação do volume e a variação de pressão. Isto é, a complacência mede a facilidade de expansão de um sistema tridimensional quando submetido à pressão.

Desta forma, à medida que um indivíduo envelhece, a complacência arterial diminui. Quando submetidas a pressão sistólica, as artérias de grande calibre dilatam-se menos, oferecendo uma maior resistência ao trabalho do ventrículo.

De acordo com o Sci-News, imediatamente após 30 minutos do banho de sauna, a pressão arterial sistólica média dos indivíduos de teste reduziu de 137 mmHg para 130 mmHg e sua pressão arterial diastólica de 82 mmHg a 75 mmHg.

Além disso, a velocidade da onda de pulso carotídeo-femoral média – que é um indicador de complacência vascular – foi de 9,8 m/s antes da sauna, diminuindo para 8,6 m/simediatamente depois.

Durante o banho, a frequência cardíaca dos indivíduos aumentou de forma semelhante ao exercício de intensidade média, assim como a temperatura corporal, que aumentou aproximadamente 2 graus Celsius.

Os resultados evidenciam assim que os mecanismos fisiológicos, provocados pelo banho de sauna, trazem benefícios para a saúde cardíaca através da exposição ao calor.

“A nossa pesquisa indica que o exercício físico regular e um estilo de vida saudável promovem a saúde cardíaca e previnem doenças, mas nem todos os fatores de risco e de proteção são ainda conhecidos”, disse Laukkanen.

No entanto, os investigadores admitem ser necessários novos dados de pesquisa, provenientes de novas experiências relacionadas com os mecanismos fisiológicos da sauna e dos consequentes benefícios para a saúde cardiovascular.

ZAP //
Por ZAP
11 Janeiro, 2018

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