345: E se um remédio para a malária fosse solução para o coronavírus?

 

SAÚDE/CODIV-19

É uma velha conhecida da medicina tropical, mas de repente está no centro das atenções por causa da pandemia de covid-19. Estudos preliminares apontaram para a possibilidade de a cloroquina, que há décadas é utilizada para tratar a malária, vir a ser usada em doentes infectados com o novo coronavírus.

É preciso, no entanto, esperar que os ensaios clínicos em curso demonstrem a sua eficácia e segurança no tratamento do covid-19, o que só acontecerá, na melhor das hipóteses, dentro de algumas semanas.

Isso não impediu, no entanto, o presidente americano de anunciar que a FDA, a agência dos Estados Unidos para os medicamentos e a alimentação, tinha aprovado uma “droga muito poderosa” para tratar o coronavírus. Referia-se à cloroquina e as repercussões não tardaram.

Apesar de a própria FDA ter emitido um comunicado a desmentir, uma vez que não existe nesta altura qualquer medicamento para a nova doença, o que se seguiu às declarações de Donald Trump foi uma corrida às farmácias no país, que quase limpou das prateleiras aquele medicamento e um seu derivado, a hydroxychloroquine.

Foi tanto assim que os doentes de lúpus, os que o usam no seu tratamento, enfrentam agora a incerteza da sua escassez. Um pouco como aconteceu com o pânico que há cerca de duas semanas fez esgotar temporariamente o papel higiénico nos supermercados em vários países, mas de forma mais grave, aquele medicamento, que é usado no tratamento de lúpus e da artrite reumatóide, duas doenças auto-imunes, quase desapareceu das farmácias, pondo agora em risco a saúde destes doentes, como noticia o ProPublica, um site de jornalismo de investigação nos Estados Unidos.

A Lupus Foundation of America já fez entretanto saber que está a trabalhar para garantir que os cerca de 1,5 milhões de cidadãos americanos que sofrem de lúpus vão continuar a ter acesso a este medicamento agora tão cobiçado em tempos de pandemia de covid-1

E houve histórias mais ridículas. Em Phoenix, no estado do Arizona, um homem morreu e a mulher ficou em estado crítico depois de ambos terem tomado fosfato de cloroquina, um produto usado para limpar aquários. Depois de melhorar, a mulher falou com o canal de televisão NBC e disse que tinha tomado a substância depois de ter ouvido o presidente Donald Trump e porque tinha medo de ficar doente. “Tinha cá aquilo, porque costumava ter carpas koi. Olhei para o frasco na prateleira e perguntei ao meu marido: ‘Hey, isto não é o que eles estavam a falar na tv?'” Os frascos destas pastilhas vendidas em lojas de animais tinham subido para centenas de dólares no eBay – isto apesar dos avisos públicos de que 1) não era a mesma coisa e 2) não há nenhum medicamento contra o covid-19.

Na Nigéria pelo menos três pessoas tiveram de ser hospitalizadas por intoxicação medicamentosa, depois de terem tomado uma overdose daquela droga – comum em África por causa da malária, sendo a única que previne os seus efeitos mais negativos. As autoridades de saúde nigerianas viram-se obrigadas a lançar um alerta público contra a utilização indiscriminada de medicamentos contra a malária no contexto da pandemia.

No Brasil, o presidente Bolsonaro também ajudou a disseminar a ideia: publicou um vídeo nas redes sociais dizendo que o pesquisadores do Hospital Albert Einstein, em São Paulo, teriam iniciado um programa de testes com cloroquina para tratamento de pacientes diagnosticados com covid-19 e que os laboratórios do Exército brasileiro iriam aumentar a produção daquele composto. Medida adicional do seu governo: o Brasil deixou de vender a cloroquina a outros países.

O ensaio do médico estranho

A cloroquina saltou para as notícias a propósito do novo coronavírus SARS-CoV-2 depois de um grupo de médicos e investigadores franceses terem anunciado na semana passada “resultados promissores” no tratamento de alguns destes doentes, como afirmou Didier Raoult, o diretor do hospital de Marselha onde o estudo foi feito.

Segundo aquele médico, citado na revista francesa Science et Avenir , três quartos dos doentes que foram tratados com hydroxychloroquine não apresentavam rasto do vírus seis dias depois do início do tratamento, ao passo que 90% dos que não receberam aquela droga mantinham a presença do vírus no organismo decorrido o mesmo período de tempo. Este estudo, no entanto, não foi revisto pela comunidade científica.

Dos 20 doentes que foram tratados naquele pequeno ensaio, seis receberam também, além da hydroxychloroquine, um medicamento chamado azitromicina (que é normalmente administrada para prevenir infecções severas do trato respiratório em pacientes com infecções virais) e, nesses, a eficácia do tratamento na eliminação do vírus foi de 100%. Face a estes resultados, e mesmo com dúvidas, o governo francês decidiu alargar a outros hospitais e a um maior número de doentes de covid-19 a administração das duas moléculas combinadas, em contexto de ensaios clínicos, para obter conclusões robustas.

Ensaios clínicos estão a testar a eficácia de medicamentos da malária no tratamento do covid-19.
© EPA/Olivier Hoslet

Segundo o site de jornalismo de investigação The Intercept, no entanto, este médico e o seu ensaio têm levantado muitas dúvidas na comunidade científica, “pelo seu tamanho pequeno”, e escolhas estranhas como foi conduzido. “Há o facto de que seis dos pacientes tratados tiveram condições muito adversas em três dias: um morreu, três foram retirados do estudo para irem para os cuidados intensivos, um estava negativo e um parou o tratamento por causa das náuseas. Estes falhanços foram simplesmente retirados das estatísticas” diz a peça do jornalista Robert Mackey

O médico Didier Raoult é visto como pouco ortodoxo pela comunidade médica – que, como todos, está tão esperançada numa possível cura que escolhe dar o benefício da dúvida ao médico, bastante conhecido e cronista habitual da revista Le Point. Negacionista ambiental, e conhecido pelas suas boutades sobre este vírus – disse, nomeadamente que “este vírus não justifica medidas como se fosse uma catástrofe atómica”, anunciou que vai já publicar um livro chamado Epidemias, Verdadeiros Perigos e Falsos Alertas, segundo o jornal local La Provence. La Nouvel Observateur. Um maverick, como ele próprio se descreve à revista francesa Nouvel Observateur, diz que é ” uma estrela mundial.”

E outros ensaios

Mas a verdade é que a comunidade científica e política está em tanta aflição que a esperança acaba por sobrepor-se à cautela. E este não é o único ensaio clínico em curso com a cloroquina. Tudo começou, aliás, na China, onde os investigadores foram os primeiros a dar conta de efeitos positivos do medicamento contra o vírus SARS-CoV-2 que provoca a covid-19.

Segundo a agência de notícias chinesas Xinhua, a cloroquina, a cloroquina foi testada em 135 doentes numa dezena de hospitais em Pequim e na província de Cantão. 130 passaram a apresentar sintomas moderados e apenas cinco evoluíram para o estado grave. E, segundo, Xu Nanping, vice-ministra da Ciência chinesa, nenhum dos 130 viu a sua situação agravar-se.

Numa conferência de imprensa em Pequim, Sun Yanrong, vice-líder do Centro Nacional Chinês para o Desenvolvimento da Biotecnologia, deu o caso de uma doente de 54 anos que testou negativo depois de ter recebido aquele tratamento durante uma semana apenas. Segundo esta especialista, a maior parte dos doentes tratados levou também menos tempo a recuperar.

A Comissão para a Saúde chinesa ouviu também um conjunto de peritos, liderado pelo renomado médico Zhong Nanshan, especialista da Academia Chinesa de Engenharia, que ficou impressionado com os resultados obtidos.

A cloroquina, uma esperança em testes para o coronavírus.
© DR

Apesar das cautelas, o mundo está a ver aqui um sinal positivo e está a ir atrás dele. A Europa e os Estados Unidos também estão lançados nesta demanda para se perceber se existe aqui um caminho viável para um tratamento eficaz. Em Nova Iorque, o governador Andrew Cuomo anunciou que o estado ia usar 750 mil doses de cloroquina e 70 mil de hydroxychloroquina e 10 mil de azithromycina para fazerem o seu próprio ensaio médico. Mas fez também questão de proibir a venda do medicamento a quem não o use, já, e em pequenas quantidades, apenas para 14 dias de uso. “Nenhuma outra experiência é permitida”, disse.

Em Marrocos, decidiu-se recorrer à cloroquina como tratamento em todos os pacientes internados com covid-se, segundo o jornal local La Quotidiene. A nota foi enviada pelo ministério da Saúde para todos os centros hospitalares e directores regionais. As autoridades instam aos responsáveis que se aprovisionem do medicamento. A farmacêutica Sanofi, que tem uma fábrica deste medicamento em Marrocos, recusou-se a exportar o Nivaquine e o Plaquenil, na semana passada, apesar das demandas. Alegou que só tinha autorização para aquele mercado.

A atenção de Marrocos deveu-se ao facto de o ministro dos transportes, Abdelkader Amara, ter testado positivo para o covid-19, de volta de uma missão à Europa, e ter revelado nas redes sociais que se tinha tratado com nivaquine, um “medicamento para o tratamento da malária, fabricado em Marrocos”. ​​​​Os testes em Marrocos estão a ser feitos com um protocolo elaborado por um comité científico e técnico. Marrocos tem 143 casos, cinco mortos.

A cloroquina, uma esperança em testes para o coronavírus, é produzida pela Sanofi em Marrocos.
© DR

Medicamento bem conhecido

A Bélgica também começou também nesta segunda-feira a testar um novo tratamento para a covid-19 à base de cloroquina. Uma das vantagens da utilização das moléculas de hydroxychloroquine prende-se o facto de estar amplamente testada para a malária, sendo a sua “toxicidade bem conhecida” dos especialistas, como o microbiologista do laboratório de referência da Universidade Católica de Lovaina, Emmanuel Andre, que anunciou o tratamento.

“Já está também a ser feito um ensaio clínico a nível europeu com a combinação das duas moléculas”, informa a investigadora portuguesa em malária, Joana Tavares, do Instituto de Investigação e Inovação em Saúde (I3S) da Universidade do Porto. Diz que face aos “resultados promissores” este é um passo essencial para se determinar com rigor como se “comportam estas droga com estes pacientes de covid-19”, quais as dosagens óptimas ou a duração do tratamento.

Joana Tavares acredita que no contexto urgente da pandemia poderá haver uma resposta mais concreta sobre a real eficácia daqueles medicamentos contra o SARS-CoV-2 “dentro de algumas semanas, talvez um mês”. “Mesmo que os doentes não fiquem completamente curados, se deixarem de ter carga viral deixam de transmitir a doença, e isso já será muito positivo”, conclui a investigadora.

O laboratório farmacêutico Novartis anunciou entretanto que doará doses de hydroxychloroquine em quantidade suficiente para tratar milhões de pessoas se se comprovar que ela é eficaz no tratamento do covid-19. A farmacêutica suíça está, aliás, a colaborar com os ensaios clínicos em curso. Dentro de algumas semanas saber-se-á a resposta.

Diário de Notícias
Filomena Naves com Catarina Carvalho e João Francisco Guerreiro em Bruxelas
24 Março 2020 — 17:23

 

Japão já tem medicamento para a gripe “claramente eficaz” contra o coronavírus

 

NOTÍCIAS

Anúncio foi feito por autoridades médicas chinesas.

As autoridades médicas na China anunciaram que o Japão está a produzir um medicamento contra a gripe que se está a mostrar “claramente eficaz” no tratamento de pacientes com coronavírus, segundo avança o The Guardian.

O funcionário do ministério da ciência e tecnologia da China, Zhang Xinmin, afirma que o favipiravir, desenvolvido por uma subsidiária da conhecida marca Fujifilm, produziu resultados positivos em ensaios clínicos na cidade de Wuhan e em Shenzhen que contaram com a participação de 340 pacientes.

“Tem um alto nível de segurança e é claramente eficaz no tratamento”, revela Zhang.

Os pacientes que foram medicados com favipiravir deram negativo ao teste de coronavírus após cerca de quatros dias de se terem tornado casos positivos de Covid-19.

Os raios-X a estes pacientes confirmaram ainda uma melhoria na condição pulmonar em cerca de 91%, contra os 62% de quem é tratado sem o medicamento.

A Fujifilm Toyama Chemical, que desenvolveu o favipiravir, recusou-se a comentar as alegações.

CM
18 de Março de 2020 às 11:17

 

339: Lavar as mãos ou usar gel desinfectante? O que é mais eficaz?

 

SAÚDE/CORONAVIRUS

O que faz, afinal, o sabão ao vírus? E o gel pode ser usado com o mesmo grau de eficiência? Há várias regras a cumprir para que sejam, de facto, ambos eficazes. Saiba quais.

Lavagem frequente das mãos é uma das medidas mais eficazes para travar a epidemia
© EPA/Zsolt Szigetvary

O novo coronavírus SARS-CoV-2 progrediu rapidamente através do mundo e está agora a infectar as populações de mais de 110 países, com a Itália, no coração da Europa, a liderar o número de novos doentes diários – só nesta terça-feira foram identificados mais 977 casos, elevando ali para mais de dez mil as infecções – 631 doentes morreram e 877 estão em estado crítico.

Para travar a epidemia, o governo italiano pôs todo o país de quarentena pelo menos até 3 de Abril. O combate cerrado à progressão da doença prossegue, no entanto, a um nível mais básico: ao nível das mãos. Uma das recomendações mais importantes para os cidadãos – e mais repetidas – por parte das autoridades de saúde e da própria Organização Mundial da Saúde (OMS) é a da lavagem frequente das mãos.

Além dos comportamento preventivos, como tossir e espirrar para a face interna do cotovelo e manter o distanciamento de pelo menos dois metros de pessoas visivelmente doentes, a lavagem frequente das mãos (ou a sua desinfecção, se não puder ser de outra maneira) é uma das regras de ouro para se conseguir interromper as cadeias de contágio do covid-19.

E o que se deve usar? O que é mais eficaz? Simples sabão? Ou gel desinfectante?

Depende. Tanto uma coisa como a outra dependem da forma como se faz. Segundo as regras divulgadas pela Direcção-Geral da Saúde, lavar as mãos com água e sabão é suficiente. Mas tem de ser feito durante mais de 20 segundos (ou cantando os Parabéns a Você, duas vezes, ou, numa versão mais pop, o Karma Cameleon) – e seguindo todas as regras amplamente divulgadas, esfregando toda a superfície da mão.

“Lavar as mãos é mesmo lavar as mãos”, explicava Graça Freitas na entrevista ao DN e à TSF. “Toda a superfície, dos dedos e do punho, não é passar as mãos debaixo de água uns segundos, tem de se esfregar. Há uma técnica própria.” Há muitos desenhos sobre isso que podem servir de guia.

E pode usar-se gel desinfectante?

Quando não se tem maneira de lavar as mãos, podem usar-se os géis desinfectantes –mas apenas os que têm álcool a mais de 60%. Também a sua eficácia depende da utilização, ou seja, devem ser esfregados na mão como se estivesse a lavá-la, percorrendo todos os locais indicados nas imagens.

Essas indicações da DGS e da entidade congénere americana CDC devem-se ao facto de apenas o álcool a 60% matar todos os coronavírus que actualmente se conhecem. Aliás, as indicações da OMS são de que o gel desinfectante dever ser produzido com álcool etílico a 96 graus. Sendo assim, também de nada vale usar álcool de consumo normal, como, por exemplo, vodca.

Mas o que faz o sabão ao vírus?

A explicação da eficiência do sabão normal acaba por ser simples. Quando são excretados pelos doentes, os coronavírus vêm envolvidos numa fina película protectora, que o vírus “roubou” ao tecido da célula infectada para se poder proteger – isso permite-lhe manter-se vivo por várias horas. Ora, o sabão – e o desinfectante também – tem o poder de romper esta película protectora. E, sem ela, o vírus morre.

O mesmo é válido para a desinfecção de superfícies contaminadas pelo coronavírus. Neste momento, tudo indica que o maior contágio desta nova pneumonia viral se faz por contacto com superfícies contaminadas e daí, também, as imagens que nos chegam dos países mais afectados, onde se veem brigadas de desinfecção a pulverizar os espaços públicos.

Diário de Notícias

Filomena Naves e Catarina Carvalho

 

169: Risco de propagação do Ébola em Portugal é ínfimo, diz especialista

 

O risco de propagação do Ébola em Portugal é ínfimo, mesmo que entre alguma pessoa infectada, não só devido aos meios e às práticas existentes no país, mas também às características de contágio desta doença, assegura um infecciologista.

dd13082014“A probabilidade de chegar uma pessoa infectada não é tão pequena, mas a de propagação da doença é infinitesimal”, garantiu Jaime Nina à agência Lusa, justificando com os meios de rastreio e de isolamento eficazes, com a preparação dos hospitais para receber os doentes e com as práticas de higiene, prevenção e segurança já existentes há muito tempo entre os profissionais de saúde.

“Em Portugal, se chegar alguém com febre ao hospital, não há enfermeira que lhe faça análises sem luvas. Em África isso não acontece”, exemplificou.

O Ébola é uma doença que não se transmite durante a fase de incubação do vírus, apenas quando a doença já se manifesta, e apenas se transmite por contacto directo com fluidos biológicos, como o sangue ou o sémen, e não por via aérea como acontece com a gripe.

Estas características diminuem o risco de contágio, pois permitem que todas as medidas preventivas sejam tomadas.

“Só se pode transmitir por via aérea se a pessoa tossir e tiver sangue, pois faz aerossol de partículas de sangue. Estes são os doentes mais perigosos e que justificam isolamentos mais rigorosos e utilização dos escafandros pelos profissionais de saúde”, explicou.

Se o doente só tem febre e hemorragias pequenas debaixo da pele, não tem perigo de contágio por via aérea, acrescentou.

“Se um doente viesse com diagnóstico ou com o vírus incubado, não haveria problema, pois seria isolado em tempo útil e quando se manifestasse a doença já estaria controlado”, sublinhou o especialista em medicina tropical.

Após um período de incubação do vírus que dura entre uma semana e dez dias, e em que a doença não é contagiosa, esta manifesta-se através de febre, hemorragias, vómitos e diarreias, variando a taxa de mortalidade entre os 25 e os 90 por cento.

O surto de Ébola que assola a África Ocidental superou a barreira dos mil mortos, com 1.013 vítimas mortais e 1.848 casos, de acordo com o último balanço da Organização Mundial de Saúde.

In Diário Digital online
13/08/2014 |20:01

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18: Como prevenir a bronquiolite

 

Tudo o que pode fazer para defender o seu filho desta infecção respiratória viral

A bronquiolite é uma infecção respiratória viral, sendo 50 a 90 por cento dos casos provocados pelo VSR (Vírus Sincicial Respiratório).

É uma doença contagiosa, transmitindo-se o vírus directamente por secreções contaminadas (tosse, espirro) e indirectamente pelas mãos ou utensílios contaminados. As epidemias ocorrem sobretudo entre os meses de Outubro e Março, atingindo as crianças com menos de dois anos de idade.

A bronquiolite representa um problema de saúde pública, sendo a sua prevenção fundamental, onde os fisioterapeutas têm um papel preponderante ao nível do ensino dos pais e educadores, indo de encontro ao objectivo principal do Programa Nacional de Saúde Escolar da Direcção Geral de Saúde, promover e proteger a saúde e prevenir a doença na comunidade educativa.

O ensino e informação aos pais, sobre o risco que a criança corre de contrair uma infecção das vias respiratórias, sobretudo se nasceu numa época de epidemia, se frequenta ou tem irmãos que frequentam creches, é de primordial importância na prevenção deste tipo de infecção. A promoção de regras de higiene e cuidados básicos dirigidas aos pais e educadores deverá diminuir a incidência da bronquiolite. A prevenção tem dois objectivos principais, designadamente reduzir a incidência da bronquiolite e retardar a idade da primeira infecção.

Existem várias formas de prevenirmos a bronquiolite das quais salientamos:

1. Lavagem das mãos com água e sabão

A simples lavagem das mãos com água e sabão é a primeira medida indispensável a uma protecção eficaz, principalmente antes do contacto com a criança. Os anti-sépticos podem ser uma alternativa.

2. Lavagem do nariz com soro fisiológico

O ensino da lavagem do nariz com soro fisiológico durante as rinofaringites também é muito importante.

3. Esterilização dos biberões

Regra de higiene simples que deve ser ensinada e à qual se deve dar atenção.

4. Lavagem frequente dos objectos e superfícies

A lavagem frequente dos brinquedos, das chuchas (que não devem ser partilhadas), dos objectos e das superfícies é de extrema importância. Quer em casa, quer na escola, os objectos em contacto com as crianças devem ser diariamente desinfectados.

5. Evitar a exposição de crianças a ambientes de fumo

Existe uma correlação positiva entre a gravidade da bronquiolite e a existência de um fumador em casa. As crianças filhas de fumadoras apresentam uma maior incidência de infecções respiratórias e otites crónicas.

6. Evitar o contacto da criança com familiares e amigos constipados

Esta regra torna-se mais importante ainda quando a criança é mais pequena. Se a própria mãe ou cuidador está constipado, deverá usar máscara que lhe cubra a boca e o nariz durante os cuidados dispensados à criança, caso não haja uma pessoa disponível para o substituir. É também recomendado que lugares com grande concentração de pessoas, como transportes públicos e supermercados sejam evitados, principalmente com crianças de risco.

7. Manter um bom nível nutricional

O aleitamento materno é de extrema importância, uma vez que o colostro e o leite humano contêm anticorpos contra bactérias e vírus importantes na defesa das crianças contra infecções, designadamente a bronquiolite.

8. Retardar a admissão da criança na creche pelo menos até aos 6 meses

Todas as crianças que frequentam creches ou que têm irmãos que as frequentam têm uma probabilidade maior de contrair a doença, posto isto, é importante diminuir o risco, sendo recomendável, em período de epidemia, retardar a admissão da criança na creche pelo menos até aos 6 meses.

Estas são as regras base para a prevenção da bronquiolite, regras estas que deverão ser adaptadas à realidade de cada um e utilizadas com bom senso. Caso existam dúvidas poderá recorrer a um profissional de saúde, nomeadamente a um fisioterapeuta que vai ajudá-la a tomar a decisão mais adequada à situação.

Texto: Inês Fiuza (fisioterapeuta, especialista em fisioterapia respiratória)

A responsabilidade editorial desta informação é da revista

17: Bronquiolite

 

O papel da fisioterapia no tratamento desta infecção respiratória provocada por um vírus

A bronquiolite é uma infecção respiratória viral, sendo 50 a 90 % dos casos provocados pelo VSR (Vírus Sincicial Respiratório).

É uma doença contagiosa, transmitindo-se o vírus directamente por secreções contaminadas (tosse e/ou espirro) e indirectamente pelas mãos ou utensílios contaminados.

De acordo com diversos estudos epidemiológicos, as epidemias ocorrem sobretudo entre os meses de Outubro e Março, atingindo as crianças com menos de dois anos.

Os sintomas

A bronquiolite caracteriza-se por um acesso agudo de sibilâncias (pieira), febre e/ou rinorreia (corrimento nasal) e hiperinsuflação torácica (tórax insuflado). Pode também existir tosse e dispneia (sinais objectivos de dificuldade respiratória).

Esta doença poderá ser mais ou menos grave, sendo que nos casos mais graves poderá levar mesmo ao internamento hospitalar. Nos nossos hospitais todos os anos são internadas crianças com bronquiolite e o estudo casuístico (Hospital Santo António, Hospital São João, Hospital Santa Maria, Hospital Dona Estefânea, Hospital Garcia da Orta) revela que os picos de maior prevalência ocorreram em Dezembro, Janeiro e Fevereiro e que 66% a 85% das crianças tinham idade inferior a 6 meses.

Como se trata a bronquiolite

O tratamento mais adequado desta doença deverá ser composto por um tratamento médico associado a tratamentos de fisioterapia.

O tratamento médico é baseado na gravidade dos sintomas e centra-se na farmacologia.

Existem várias substâncias que podem ser administradas, sendo que apesar de objectivos idênticos, a sua acção e reacção podem ser diferentes.

Dentro das substâncias medicamentosas encontram-se os broncodilatadores, os corticosteroides, os anti-virais, a antibioterapia (para tratar infecções bacterianas secundárias), os anti-tússicos e a oxigenoterapia. É ainda aconselhado o suplemento hídrico e a alimentação frequente, com refeições fraccionadas.

O papel da fisioterapia

A fisioterapia é recomendada quando há uma obstrução das vias aéreas intra e extra torácicas por secreções. Tendo como modelos de referência os componentes ventilatório, cardiovascular e metabólico subjacentes ao transporte de oxigénio, juntamente com o modelo ICF (International of Functioning, Disability and Health), o fisioterapeuta realiza um exame adequado, uma avaliação dos dados recolhidos que lhe permitem identificar, relacionar e hierarquizar os problemas que podem beneficiar com a sua intervenção.

A intervenção do fisioterapeuta tem vários objectivos, nomeadamente eliminar ou reduzir a obstrução brônquica, prevenir ou tratar a hiperinsuflação e finalmente prevenir danos estruturais que esta doença pode provocar no aparelho respiratório do bebé. Lembre-se que, em caso de suspeita de bronquiolite, poderá sempre recorrer a um fisioterapeuta que, após avaliação criteriosa, o encaminhará de acordo com a situação, podendo desta forma evitar repercussões a longo prazo, sobre a função respiratória do seu filho.

Saiba como prevenir esta infecção respiratória aqui

Texto: Inês Fiuza (fisioterapeuta especialista em fisioterapia respiratória)

A responsabilidade editorial desta informação é da revista

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