94: Vacina da gripe A está sob suspeita

 

Saúde: Há 795 casos de narcolepsia na União Europeia

Adolescente adormece em qualquer lado e tem alucinações. Anda sempre acompanhada pela avó

Adolescente adormece em qualquer lado e tem alucinações. Anda sempre acompanhada pela avó

A família de uma adolescente de 16 anos reportou à Autoridade Nacional do Medicamento (Infarmed) a sonolência diurna excessiva (narcolepsia), paralisia no sono, fraqueza muscular e alucinações, sintomas que a rapariga passou a ter depois de ser vacinada com a Pandemrix contra a gripe A, em 2009. Há mais dois casos de narcolepsia em Portugal, cuja ligação à vacina também está a ser investigada pelo Infarmed. Noutros países europeus registaram-se 795 casos, 200 dos quais na Suécia, mas há também na Finlândia, Noruega, Irlanda e França.

Esta doença, que provoca uma sonolência extrema e súbita, não tem cura. A especialista em doenças do sono, a neurologista Teresa Paiva, afirmou ao CM que acredita haver mais casos em Portugal. “Acho muito estranho que não haja mais casos da doença, porque muitas crianças e adolescentes foram vacinados. Eu própria notifiquei um caso ao Infarmed, de uma criança, em 2009”, afirmou Teresa Paiva.

A especialista sublinhou que “há uma relação entre a vacina Pandemrix e a narcolepsia e isso está actualmente provado através de vários estudos internacionais”.

Segundo Teresa Paiva, haverá uma “predisposição genética” das pessoas vacinadas para desenvolver a doença do sono, que é “muito grave” e manifesta-se pouco tempo depois da vacinação.

A adolescente, que pediu ao CM para não ser identificada, sofre com a doença. “Adormeço nas aulas, no autocarro e por isso tenho de andar acompanhada pela minha avó”, conta a rapariga.

O Infarmed afirma ao CM que recebeu três notificações de narcolepsia associada à vacina, uma das quais já em 2013, e que está a ser “investigada”. Os restantes dois casos foram reportados em 2010 e 2011. O CM contactou a direcção do laboratório GlaxoSmithKline, que comercializou a vacina Pandemrix, mas recusou prestar esclarecimentos.

ADOLESCENTE SUECA TOMA ESTIMULANTES

A sueca Emelie Olsson é uma das adolescentes que desenvolveu narcolepsia, após ter sido imunizada com a vacina Pandemrix. Contou que precisa de tomar estimulantes para controlar o problema. O especialista na doença, Emmanuel Mignot, da Universidade de Stanford, EUA, acredita que as evidências científicas mostram a relação entre a vacina e a doença. Porém, Norman Begg, médico da divisão de vacinas do laboratório diz não existirem provas suficientes.

In Correio da Manhã online
03/02/2013
Por:Cristina Serra

15: Gripe ou constipação?

 

As diferenças entre as duas patologias mais comuns do Outono

Já alguma vez sentiu tosse, o nariz obstruído, cansaço e afirmou ter gripe? Então fique a saber que, apesar de terem um denominador comum – o sentimento de mal-estar generalizado –, estas patologias são distintas.

«A gripe pode desenvolver outras complicações, o que não acontece com a constipação», alerta Cecília Longo, pneumologista. Esclareça as suas dúvidas.

A gripe

Como se transmite?

O vírus influenza transmite-se facilmente pelo ar ou pelo contacto com superfícies contaminadas. Por isso, as medidas do plano de contingência para a Gripe A devem ser mantidas: lavar regularmente as mãos, cobrir a boca ao tossir (com o antebraço) e isolar-se no período de contágio.

Os primeiros sinais

«Uma gripe não complicada começa com cefaleias, febre, tosse, odinofagia (deglutição dolorosa), mialgias com a duração do período de incubação, ou seja, de três a cinco dias», indica Cecília Longo. Se apresentar estes sintomas e mais de 39 graus de febre deve consultar o médico de família, sobretudo «se se sentir demasiado prostrado».

Como prevenir?

A principal medida de prevenção da gripe é a vacinação «que deve ser repetida anualmente sobretudo pelos grupos de risco: crianças, idosos e doentes crónicos», diz a pneumologista, acrescentando que «todas as pessoas com doenças respiratórias têm indicação para fazer a vacina». Mas atenção: durante o período em que está doente, não deverá ser vacinado.

Como tratar?

O tratamento da gripe deve ser individualizado e indicado por um especialista. «Uma gripe pode conduzir a complicações pulmonares (pneumonia), e cardíacas, sobretudo em grupos vulneráveis, como as pessoas com asma, doença pulmonar obstrutiva crónica, doenças cardíacas e os diabéticos», diz a pneumologista. Não ignore os sintomas.

A constipação

Como se transmite?

«A constipação é uma doença vírica do aparelho respiratório superior, habitualmente auto-limitada. Vários tipos de vírus podem estar implicados, dependendo do grupo etário e da época do ano», defende Cecília Longo. A transmissão faz-se por gotículas que contêm os vírus e que são libertadas pelo doente ao respirar, tossir ou espirrar.

Os primeiros sinais

Apesar de afectar o nariz e a garganta, ao nível de sintomatologia, as pessoas constipadas não têm febre ne dores no corpo. Estas são as principais diferenças entre as duas patologias.

Como prevenir?

Em geral, «a prevenção das doenças víricas passa pela existência de um sistema imunitário competente – sistema de defesa do organismo – e no caso particular da constipação deve evitar-se o contacto com ar ou lenços contaminados», aconselha.

Como tratar?

A constipação deve ser tratada com um antipirético para alívio dos sintomas. «Quem tem uma constipação vulgar não tem necessariamente de ir ao médico a menos que surja uma complicação, como uma infecção secundária bacteriana (por exemplo: nos seios perinasais, ouvidos)». Nestes casos, «será necessária a realização de um diagnóstico diferencial», conclui.

Texto: Cláudia Pinto com Cecília Longo (pneumologista)

A responsabilidade editorial desta informação é da revista

14: 13 dúvidas sobre constipações

 

O que são, os sintomas, como se previnem, qual o tratamento e quando ir ao médico

Não é de estranhar que, a partir do momento em que chega o frio, as salas de espera de consultórios médicos e urgências comecem a receber inúmeras pessoas com o pingo no nariz.

De facto, todos acabamos por ser enredados nas malhas dos vírus respiratórios e muitas vezes sem percebermos como tal aconteceu. Quantas vezes se assoou no último mês? Pois é, certamente mais do que uma.

Mas se, mesmo assim, não deu grande importância ao assunto e acha que este Inverno ainda não esteve constipado, está na altura de saber de que falamos quando o assunto é constipações.

O que é uma constipação?

Uma constipação é uma infecção das vias respiratórias superiores provocada por um vírus. O que pode tornar uma constipação mais complicada é o facto de poderem ter na sua origem vários tipos de vírus.

Quais são os vírus mais comuns?

Nos adultos, os mais comuns são o rinovírus e o coronavírus, nas crianças o vírus sincial respiratório, o para-influenza e o adenovírus.

Quais são os sintomas da constipação?

A constipação pode provocar conjuntivite, rinite – inflamações dos olhos e do nariz – faringite, tosse, pode dar alguma rinorreia (aquilo a que as pessoas chamam habitualmente «ranho»), muito raramente febre, alguma prostração, dor de garganta e dor de cabeça.

Qual é a diferença entre a constipação e a gripe?

O quadro de sintomas da constipação não é tão intenso como o da gripe. A gripe provoca sempre febre e uma grande fraqueza, um enorme mal-estar geral e dores musculares. Aliás, quando temos constipações andamos todos de pé e a trabalhar e quando temos outro tipo de infecção respiratória, nomeadamente uma gripe, ficamos em casa na cama..

Mas a febre pode surgir quando nos constipamos?

A partir dos cinco anos é muito raro que a constipação provoque febre, apesar de em algumas situações isso acontecer. Mesmo nesses casos é uma febre ligeira e de pouca duração, porque este é um dos sintomas que melhor distingue a constipação da gripe.

Uma pessoa pode constipar-se mais do que uma vez por ano?

Sim, isto porque na origem de uma constipação podem estar vários tipos de vírus respiratórios próprios do homem, em que este funciona como seu hospedeiro natural. Estes vírus circulam entre as populações e facilmente se transmitem. No entanto, esta doença é mais comum nos meses frios, no Outono, Inverno e início da Primavera.

Qual é o meio de transmissão desta doença?

A forma mais frequente é através de gotículas de saliva através do ar ou de mãos contaminadas (quando se utilizam para pôr à frente da boca).

Quais são os principais factores de risco para que nos constipemos?

Um forte factor de risco são os locais fechados como os transportes públicos, pois basta estarem duas ou três pessoas a espirrar ou a tossir para poder haver transmissão. Aconselha-se a que as pessoas não se aglomerem em sítios fechados, como tendas, salas ou transportes públicos. Os locais devem ser sempre ventilados e arejados.

E as correntes de ar são perigosas?

A maioria das pessoas tem muito medo das correntes de ar e de andar descalço pela casa e, apesar de não ser aconselhável que sejamos submetidos a mudanças de temperaturas bruscas para não favorecer a instalação dos vírus no nosso organismo, no caso das constipações é preferível estar perto de uma janela aberta do que num local fechado e sem ventilação.

As crianças estão mais propensas a ficar constipadas do que os adultos?

As crianças têm mais probabilidade de sofrer uma constipação porque a sua imunidade é mais fraca e o mesmo acontece com os idosos. Por outro lado, as crianças podem ser mais vulneráveis por estarem sujeitas a uma série de outros agentes para os quais ainda não criaram defesas ou por terem outras complicações respiratórias que, quando associadas a uma constipação, podem provocar sintomatologia muito exuberante.

Como se pode prevenir uma constipação?

Estes vírus estão amplamente disseminados entre nós e é difícil escapar a uma constipação. As medidas são as regras de higiene normais, uma boa alimentação, não estar sujeito a muito stress, não ter outro tipo de patologias, não estar em sítios fechados com muita gente e sem arejamento das instalações. Tudo isso favorece o não aparecimento, mas não nos torna completamente resguardados.

Quando se deve ir ao médico?

Nesta época, a concentração de doentes nas salas de espera é enorme, podendo agravar a situação do doente. Aconselha-se que as pessoas que estejam doentes e que não tenham febre nem um grande mal-estar, a não irem directamente ao médico. Isto porque, nas salas de espera dos médicos (sítios fechados), estão outros doentes com outros vírus, portanto a probabilidade de passarem o seu vírus para outras pessoas é grande e vice-versa. Antes de ir ao médico, pode aconselhar-se junto da linha Saúde 24 (telefone: 808 24 24 24).

Em que consiste o tratamento da constipação?

Ao contrário das bactérias, para estes vírus não há medicamentos específicos, a única solução é o uso de terapêuticas sintomáticas, ou seja, para tirar os sintomas. Podem pôr-se pingos nos olhos, soro no nariz, tomar um analgésico se a garganta doer, tomar alguma coisa para baixar a febre no caso desta existir. São terapêuticas para nos dar algum bem-estar, mas daqueles quatro ou cinco dias de constipação ninguém se livra.

Texto: Lúcia Vinheiras Alves

A responsabilidade editorial desta informação é da revista

13: Gripes e constipações

 

As melhores maneiras de as prevenir

Apesar da constipação comum e da gripe serem duas infecções causadas por vírus e provocarem um aumento da mucosidade, lacrimejo, espirros ou tosse, nem todos os seus sintomas coincidem. Os vírus que provocam estas duas infecções respiratórias altas são diferentes.

O processo gripal caracteriza-se por produzir uma temperatura corporal elevada, mal-estar geral e, por vezes, estomacal, dores no corpo e de cabeça, espirros e perda de apetite.

O seu vírus é mais contagioso do que o da constipação. Para além disso, afecta a população em geral, pode ter consequências graves, obrigar à hospitalização e levar à morte. A constipação comum apresenta, sobretudo, manifestações respiratórias como aumento de mucosidade e tosse, congestão e secreção nasal, sensação de picadas e ardor na garganta, mas não produz febre e o mal-estar é mais leve. A constipação afecta mais as crianças, dura menos tempo e as suas complicações são muito menos frequentes.

São ambas causadas por vírus (ainda que vírus diferentes), são muito contagiosas, têm uma alta incidência sobre a população e atacam nas estações frias. Chegam através das vias respiratórias e causam um grande mal-estar. Uma vez contraídas, a única coisa a fazer é aliviar os seus sintomas e reduzir a duração ou a intensidade do processo. Existem medidas eficazes para não as contrair ou para diminuir a sua intensidade. Apenas tem de as pôr em prática.

Estas duas infecções costumam ser confundidas. No entanto, não são a mesma coisa. Coincidem apenas no facto de saturarem as consultas médicas e de ainda estarem envoltas em muito desconhecimento.

De qualquer das formas, apesar da sua incubação, sintomas, evolução e tratamentos apresentarem certas diferenças, as medidas de prevenção são muito semelhantes, com uma excepção, só a gripe pode ser prevenida através da vacinação anual. Apesar destas medidas de protecção não serem eficazes a 100% (nem mesmo a vacina contra a gripe), ajudam a minimizar a possibilidade de contágio.

Se faz parte daquele grupo de pessoas que não prestam atenção aos conselhos médicos ou que, simplesmente, não os seguem, por acharem que se tiverem de adoecer, adoecem mesmo, independentemente daquilo que fizerem (como se fosse uma imposição do destino) está completamente enganado. O primeiro passo consiste em acreditar que a prevenção é eficaz, porque realmente funciona! Eis as 11 medidas higiénicas e naturais que pode adoptar para que os germes o respeitem:

1. Evite as aglomerações em lugares fechados

As mudanças na humidade relativa do ar fazem com que os vírus se multipliquem e penetrem mais facilmente nas mucosas nasais. Os ambientes fechados e lugares com muito fluxo de pessoas, como os centros comerciais, salas de espectáculos ou estádios e transportes públicos, aumentam as possibilidades de contágio, pelo que convém evitá-los.

2. Cuidado com os ambientes extremos ou mutáveis

Apesar do frio favorecer as infecções virais, não é o seu único elemento desencadeante. As mudanças bruscas de temperatura, como as que ocorrem ao passar de zonas climatizadas (no carro ou lugares fechados) para as condições naturais do ar livre, bem como as condições exageradas de secura ou humidade, favorecem a proliferação de vírus no ambiente e uma maior vulnerabilidade das nossas membranas aos seus ataques.

3. Afaste-se dos cigarros. Dos seus e dos alheios!

Os fumadores têm mais possibilidades de contrair uma infecção, tal como as pessoas que convivem habitualmente em ambientes com fumo. Fumar baixa as defesas do aparelho respiratório e da actividade imunológica em geral, favorecendo a entrada dos vírus e o facto de inspirar o fumo, mesmo de forma passiva, irrita os tecidos respiratórios, tornando-os mais vulneráveis.

Apesar de ser impossível viver em condições de isolamento (a única forma de evitar um contágio), pode-se evitar os ambientes com atmosferas carregadas.

4. Mantenha uma boa higiene

Lave as mãos frequentemente e, em especial, depois de estar em contacto ou cumprimentar uma pessoa que possa estar infectada. Tente não tocar nos olhos, nariz ou boca se não tiver antes oportunidade de as limpar convenientemente, já que o vírus pode chegar até si, após tocar em objectos contaminados. Se não tiver água, utilize um desinfectante de mãos (sem enxaguar).

5. Tome precauções perante pessoas infectadas

Quando o inimigo está em casa, limpe e desinfecte com frequência as superfícies onde a pessoa constipada ou engripada tocou, como as maçanetas das portas, os corrimãos das escadas, as mesas ou copos. Evite partilhar toalhas, loiças e utensílios e, sobretudo, não toque nos seus lenços, um autêntico viveiro de vírus. Os beijos, ou partilhar o mesmo alimento também não são recomendáveis porque o contacto é mais directo.

6. Actividade física regular

Caminhar uma hora por dia, treinar no ginásio duas vezes por semana ou andar de bicicleta, bem como a prática de qualquer exercício moderado em geral, reduz de forma significativa o risco de contrair este tipo de doenças. As pessoas com uma vida fisicamente activa têm o seu sistema imunológico mais bem preparado para se defenderem da imensidão de vírus que existem no ambiente e que nos podem atacar a qualquer momento.

7. Conheça as formas de contágio

As gotas de saliva expelidas ao falar, tossir ou espirrar são as principais causas de contágio. São partículas com vírus que chegam aos 20-25 m metros de distância.

Não desaparecem imediatamente, permanecem activas no ar que respiramos, nos objectos que nos rodeiam e na pele, durante bastante tempo.

São mais contagiosas durante os primeiros dias da doença, mas depois o seu poder de infecção decresce.

8. Se as suas defesas baixarem, esteja alerta!

As possibilidades de contágio e de complicações provocadas pela gripe e pela constipação são maiores nas crianças, que têm as suas defesas imaturas, e nos idosos, que as têm debilitadas. Nas pessoas com doenças crónicas, como diabetes, asma, DPOC (Doença Pulmonar Obstrutiva Crónica), doenças cardíacas ou pulmonares, ou que têm as suas defesas diminuídas por qualquer outro motivo, a infecção pode ter complicações bem mais graves. Nestes casos convém levar as precauções ao extremo e consultar o médico.

9. Vírus sob controlo em ambiente humidificado

Manter as vias respiratórias húmidas e uma temperatura ambiental moderada, entre os 18 e os 20 graus, evita que as mucosas fiquem ressequidas e, por conseguinte, com fraca capacidade protectora. O vapor emitido pelo humidificador eléctrico humedece as membranas mucosas do nariz e da garganta, facilitando a captura e a expulsão dos germes. No caso de crianças com menos de dois anos e dos lactentes, é aconselhável fazer-lhes uma limpeza periódica com soro fisiológico e um aspirador nasal. As inalações de eucalipto também são benéficas.

10. Beba líquidos com abundância

A hidratação é o mucolítico mais poderoso, ou seja, faz com que as secreções nasais sejam mais fluídas e capturem e bloqueiem os germes. Beba entre 1,5 e 2 litros de líquidos por dia (água, caldos, sumos de fruta, etc), e deixe de lado os refrescos, as colas e as bebidas com cafeína, e em especial o álcool porque provoca desidratação.

Comer rebuçados de mentol, por exemplo, também é benéfico, pois aumentam a secreção de saliva, amolecendo a dureza da mucosa faríngea, o que reduz a irritação nesta zona.

11. Equinácia e propólis

«Apesar de não existir qualquer evidência científica sobre o carácter preventivo destas duas substâncias, há quem refira resultados positivos com o seu uso», refere Isabel Santos, regente da disciplina de Medicina Geral e Familiar na Faculdade de Ciências Médicas de Lisboa. A equinácia é uma planta medicinal que se considera ser estimulante das defesas naturais, pela sua acção na produção e actividade dos macrófagos, linfócitos, leucócitos e outras células que combatem os vírus, ajudando a impedir que as infecções se desenvolvam. Nesta circunstância, recomenda-se começar o tratamento 15 dias antes do início da época fria, com gotas ou comprimidos.

Outra opção para reforçar a prevenção é o propólis, uma substância elaborada pelas abelhas, que se utiliza como agente preventivo devido às suas propriedades activadoras do sistema imunológico. É considerado por alguns como um antivírico potente, eficaz para proteger das doenças das vias respiratórias superiores e inferiores. Para além disso, é revigorante e contém vitaminas, aminoácidos essenciais e minerais.

Relaxamento e vitamina C para combater o stress

Desportos intensos, trabalhos exigentes, épocas de exames, situações conflituosas, excesso de esforço físico e mental, ritmo de vida vertiginoso, problemas financeiros.

O stress deprime o sistema imunológico, facilitando o contágio das infecções respiratórias. Qualquer técnica de relaxamento, desde a meditação ao yoga, até às respirações profundas e os alongamentos ajudam a contrariar os seus efeitos negativos e a reforçar a barreira defensiva contra o vírus.

Por outro lado, e apesar de alguns estudos descartarem a hipótese da vitamina C ajudar a prevenir as doenças virais na população em geral, os especialistas concordam que as pessoas submetidas a um stress contínuo ou severo podem beneficiar com o seu consumo e reduzir o risco de adoecer.

Apesar do papel protector dos suplementos vitamínicos não ser claro, há um consenso relativamente ao facto da ingestão desta vitamina antioxidante através dos alimentos ajudar a aumentar a resposta do sistema imunológico perante o vírus. Por isso, continua a ser aconselhável reforçar a ingestão de vitamina C, durante os meses de maior risco, através de frutas e dos seus sumos, especialmente citrinos e quivis, e de verduras, como batata-doce, couves, pimentos, espinafres, tomate, batatas cozidas com casca e vegetais verdes no geral.

Vacina contra a gripe

A imunização é a melhor arma para combater a gripe em grupos de pessoas com um risco acrescido. Para saber se deve vacinar-se deve falar com o seu médico.

A imunização está indicada, sobretudo, para pessoas com mais de 65 anos, doentes crónicos (pulmonares, cardiovasculares ou metabólicos), pessoas imuno-deprimidas e grupos expostos a contrair ou a propagar a doença, como profissionais de saúde, professores, assim como pessoas que vivam em lares ou estejam em contacto com pacientes de risco.

Os vírus da doença mudam aos poucos e a vacina é modificada todos os anos, para que seja o mais eficaz possível, razão pela qual o facto de se ter vacinado no ano anterior não confere protecção para o ano em curso. O início da campanha de vacinação determina a época em que o vírus começa a circular. Normalmente ocorre em finais do Outono e princípios do Inverno.

A protecção da vacina antigripal pode durar até um ano e chegar aos 70 a 90%, apesar de depender da idade e saúde da pessoa, e da semelhança entre os vírus circulantes e os da vacina. Em todo o caso, consegue reduzir a gravidade da gripe, no caso de contrair a doença. A vacina, que é administrada numa dose, começa a fazer efeito passadas duas semanas após a sua aplicação, pelo que convém recebê-la quando os vírus começam a circular, se bem que é igualmente útil se for administrada mais tarde.

Algumas pessoas têm uma leve reacção à vacina que surge entre as seis e as 12 horas seguintes e que consiste em febre, mal-estar e outros sintomas que podem ser confundidos com uma infecção gripal. Esta reacção desaparece em 24 ou 48 horas. «A vacina da gripe não confere imunidade para a vulgar coriza (inflamação aguda da mucosa nasal) ou constipação. Por isso não espere que a vacine lhe traga um ano sem constipações. Isso poderá não acontecer», conclui Isabel Santos.

Texto: Madalena Alçada Baptista com Isabel Santos (regente da disciplina de Medicina Geral e Familiar na Faculdade de Ciências Médicas de Lisboa)

A responsabilidade editorial desta informação é da revista

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