665: Um quarto da população portuguesa tem imunidade à covid-19

 

 

SAÚDE/IMUNIDADE/COVID-19

Manuel Fernando Araújo / Lusa

O Painel Serológico Longitudinal Covid-19 estima em 27% a taxa de imunidade à covid-19 para a população em Portugal. Até Março, 13% da população teria sido infectada

Um estudo hoje divulgado estima que 13% da população portuguesa teria em Março anticorpos contra o coronavírus da covid-19 após a infecção natural, uma percentagem que sobe para 17% quando incluídas as pessoas vacinadas.

O estudo, designado Painel Serológico Longitudinal Covid-19, analisou a presença de anticorpos para o SARS-CoV-2 em colheitas de sangue feitas entre 1 e 17 de Março, em Portugal continental e ilhas, com uma amostra representativa da população portuguesa.

A amostra é constituída por 2.172 pessoas de várias idades e regiões, incluindo 156 que foram vacinadas maioritariamente até ao fim de Fevereiro e 264 que tinham revelado anticorpos contra o novo coronavírus num estudo serológico anterior, de Setembro e Outubro de 2020, conduzido pela mesma equipa.

Em declarações à Lusa, o coordenador de ambos os estudos, Bruno Silva-Santos, investigador e vice-director do Instituto de Medicina Molecular (IMM) João Lobo Antunes, em Lisboa, disse que os dados indicam que “a vacinação é a única via em tempo útil para se atingir a imunidade de grupo”, essencial para um regresso à normalidade.

“Sem a vacinação, é um processo demasiado lento”, frisou o imunologista, assinalando que apenas 13% da população terá atingido a imunidade por “via natural” passado um ano sobre a pandemia e após dois confinamentos generalizados no país, um primeiro entre Março e Abril de 2020 e um segundo entre Janeiro e o início de Abril de 2021.

Confirmando os prazos apontados pelo Governo, Bruno Silva-Santos admitiu que, se o plano nacional de vacinação decorrer sem mais perturbações, reunindo “doses disponíveis” e uma “adesão normal das pessoas”, a imunidade de grupo poderá ser alcançada em Portugal em Setembro, com 75% da população protegida contra a covid-19.

Citando estatísticas oficiais de 02 de Abril sobre o número de pessoas infectadas e vacinadas com pelo menos uma dose, o estudo estima em 27% a taxa de imunidade à covid-19 para a população em Portugal.

Neste contexto, o investigador do IMM reiterou a importância da vacinação, sublinhando que a imunidade contra o novo coronavírus, adquirida pela presença de anticorpos neutralizantes no sangue, aumentou 10% “num mês de vacinação”, e num quadro de “escassez de vacinas”.

Bruno Silva-Santos realçou, em contrapartida, que, de acordo com as estimativas calculadas com base na amostra do Painel Serológico Longitudinal, essa imunidade foi alcançada “ao fim de quase um ano inteiro sem vacinação” por apenas 13% da população.

“Isto refuta a tese anterior de que a imunidade de grupo poderia ser atingida por via natural. A chave é a vacinação”, vincou.

Tendo como ponto de partida a estimativa da população portuguesa, os resultados obtidos no estudo “permitem estimar em cerca de 1 milhão e 750 mil” pessoas “a população residente que teria anticorpos contra o vírus SARS-CoV-2 nos primeiros dias de Março”, sendo que “cerca de 400 mil terão adquirido os anticorpos através da vacina e 1 milhão e 350 mil por infecção natural”.

Segundo o imunologista do IMM, o novo estudo sugere que “a circulação de anticorpos” específicos para o SARS-CoV-2 se mantém de “forma robusta” até um ano nas pessoas que estiveram infectadas, sendo expectável que uma vacina confira protecção por igual período de tempo, ou até mais (se se considerar que os níveis de anticorpos nas pessoas vacinadas são mais elevados).

“Os anticorpos são a primeira grande barreira contra a infecção ao neutralizarem o vírus nas células”, sublinhou Bruno Silva-Santos, assinalando que a segunda dose de uma vacina “maximiza a resposta imunitária”.

Entre os 264 participantes que revelaram anticorpos contra o SARS-CoV-2 (após a infecção) no estudo serológico anterior, de Setembro, 94% “não perderam esses anticorpos” passados seis meses, de acordo com o novo estudo, adiantou o imunologista.

“Os níveis têm valores muito semelhantes aos verificados há seis meses”, acentua o novo estudo, acrescentando que, nas pessoas vacinadas, o nível de anticorpos detectados “é elevado”, com “os valores observados” a serem comparáveis aos “que se observam no pico da infecção natural por SARS-CoV-2”.

O Painel Serológico Longitudinal Covid-19 apresenta-se como um “retrato da segunda e terceira vagas da covid-19” em Portugal através da “proporção da população que, mediante avaliação serológica, desenvolveu anticorpos específicos contra o vírus SARS-CoV-2”.

“Dado que a produção de anticorpos aumenta a partir do momento da infecção e podem ser necessárias duas semanas para os detectar numa amostra de sangue através de um teste serológico, os resultados referem-se a pessoas que terão sido infectadas (ou vacinadas) até meados de Fevereiro de 2021″, ressalva o documento que descreve os resultados.

O estudo resulta de uma parceria entre o Instituto de Medicina Molecular, que coordena o trabalho científico, a Sociedade Francisco Manuel dos Santos e o grupo Jerónimo Martins, que financia.

A amostra foi “seleccionada aleatoriamente” para haver “uma distribuição análoga à do país” em termos de densidade populacional, grupo etário, sexo, agregado familiar e nível de escolaridade, sendo que a percentagem de participantes vacinados (7%) “está em linha com a percentagem nacional de vacinação no início do estudo”.

Cada participante do painel respondeu a um inquérito epidemiológico, que incluiu perguntas demográficas, profissionais, sobre o agregado familiar, saúde geral, exposição potencial ao SARS-CoV-2, sintomas e possível doença. As recolhas de sangue foram feitas em 314 postos de colheita, de norte a sul de Portugal continental, Madeira e Açores.

Para a caracterização da amostra, desenhada em colaboração com a Pordata, base de dados gerida pela Fundação Francisco Manuel dos Santos, foram considerados três grupos etários (menos de 18 anos, entre os 18 e os 54 anos e 55 ou mais anos) e a densidade populacional da região de residência (baixa ou média e elevada).

De acordo com o estudo, 15% dos menores de 18 anos terão desenvolvido naturalmente anticorpos contra o SARS-CoV-2, contra 14% dos adultos entre os 18 e os 54 anos e 11% dos maiores de 55 anos. Nas duas últimas faixas etárias, a percentagem sobe, respectivamente, para 21% e 14% tendo em conta também as pessoas vacinadas.

A percentagem estimada da população imune (só através da infecção natural ou incluída a vacinação) é proporcional à densidade populacional, sendo ligeiramente maior (entre 14% e 18%) em áreas de densidade alta (mais de 500 habitantes por quilómetro quadrado).

Nas regiões de baixa ou média densidade populacional (menos de 60 a 500 habitantes por quilómetro quadrado), a percentagem varia entre 12% e 17%.

ZAP ZAP // Lusa

Por ZAP
16 Abril, 2021

 

 

 

664: Mais quatro mortes e 553 casos. R(t) e incidência descem

 

 

SAÚDE/COVID-19/ESTATÍSTICAS

Há mais 596 pessoas que recuperaram da covid-19, segundo os dados da DGS.

Unidade de Cuidados Intensivos do Hospital Pedro Hispano, em Matosinhos
© Artur Machado / Global Imagens

Portugal registou 553 novos casos de covid-19 nas últimas 24 horas, indica a Direcção-Geral da Saúde (DGS). O boletim epidemiológico desta sexta-feira (16 de Abril) refere também que morreram mais quatro pessoas devido à infecção pelo novo coronavírus.

O índice de transmissibilidade, denominado R(t), desde para 1,05 a nível nacional (antes estava a 1,06) e para 1,04 se só tivermos em conta o território continental (a última actualização era de 1,05).

Também desce a incidência da infecção pelo SARS-CoV-2. A nível nacional situa-se nos 71,6 casos por 100 mil habitantes (antes era de 72,4) e no continente é de 68,0 (antes era de 69,0).

© DGS

O boletim diário mostra que o número de internados subiu para 429 (mais seis doentes face ao dia anterior), dos quais 101 estão em unidades de cuidados intensivos (menos oito).

No total, desde o início da pandemia (em Março de 2020), Portugal confirmou 829.911 casos de infecção pelo novo coronavírus, 16.937 óbitos e 787.607 recuperados da doença, dos quais 596 foram reportados nas últimas 24 horas.

Desta forma, o número de casos activos da doença recuou para 25.367 (menos 47 do que ontem).

Das quatro mortes reportadas no relatório desta sexta-feira, duas ocorreram na região Norte, uma em Lisboa e Vale do Tejo e outra no Centro.

O Norte é hoje a região que regista o maior número de novas infecções, com 228 notificações em 24 horas. Verificam-se mais 182 casos em Lisboa e Vale do Tejo, 32 na região Centro, 25 no Alentejo e 23 no Algarve.

Nos Açores, a autoridade de saúde reporta mais 38 infecções enquanto na Madeira foram diagnosticados 25 novos casos de covid-19.

© DGS

A DGS anunciou hoje que “procedeu a uma rectificação da incidência cumulativa de covid-19 a 14 dias por 100 000 habitantes” em relação a Beja, para o período de 31 de Março a 13 de Abril de 2021. Com esta correcção, o concelho vai avançar para a terceira fase de desconfinamento, ao contrário do que foi indicado ontem pelo Governo.

A incidência cumulativa do município é, afinal, de “107 casos por 100 000 habitantes”, abaixo do limite dos 120 casos por 100 000 habitantes, informou a DGS.

Nas medidas anunciadas na quinta-feira pelo primeiro-ministro, António Costa, Beja estava incluída nos concelhos que não vão passar à fase seguinte do desconfinamento que se inicia na segunda-feira (19 de Abril), por terem “duas avaliações sucessivas em situação de risco”.

Com a saída de Beja do grupo, não prosseguem para a nova fase seis concelhos, mantendo as restrições actualmente em vigor. São eles Alandroal, Albufeira, Carregal do Sal, Figueira da Foz, Marinha Grande e Penela.

Já os municípios de Moura, Odemira, Portimão e Rio Maior vão regressar na segunda-feira às regras que vigoravam no continente português no início do processo de desconfinamento em curso, iniciado em 15 de Março.

Covid-19 responsável por 70,8% do excesso de mortalidade no primeiro ano de pandemia

Também nesta sexta-feira foram divulgados os dados do Instituto Nacional de Estatística (INE) referentes à mortalidade.

Os números indicam que entre Março de 2020 e Fevereiro de 2021 morreram 134 278 pessoas em Portugal, mais 23 089 do que a média para o mesmo período entre 2015 e 2019.

Do total de mortes, 16 351 (12,2%) foram atribuídas à covid-19, o que representa 70,8% do excesso de mortalidade para o primeiro ano da pandemia que começou com o novo coronavírus detectado em 2019 na cidade chinesa de Wuhan.

Nos dados referentes à transição de Março para Abril deste ano, o INE nota que o número mortes continua a estar abaixo da média anual para o mesmo período calculada a partir dos números de 2015 a 2019.

Estudo estima 17% da população portuguesa com anticorpos em Março após infecção e vacinação

Foram também conhecidos hoje os resultados do estudo, designado Painel Serológico Longitudinal Covid-19, que analisou a presença de anticorpos para o SARS-CoV-2 em colheitas de sangue feitas entre 1 e 17 de março, em Portugal continental e ilhas, com uma amostra representativa da população portuguesa.

O estudo estima que 13% da população portuguesa teria em Março anticorpos contra o coronavírus da covid-19 após a infecção natural, uma percentagem que sobe para 17% quando incluídas as pessoas vacinadas.

Bruno Silva-Santos, investigador e vice-director do Instituto de Medicina Molecular (IMM) João Lobo Antunes, em Lisboa, disse à Lusa que os dados indicam que “a vacinação é a única via em tempo útil para se atingir a imunidade de grupo”, essencial para um regresso à normalidade.

A nível mundial, a infecção pelo SARS-CoV-2 é responsável por mais de 2,98 milhões de mortes, de acordo com o balanço desta sexta-feira da AFP, com base em fontes oficiais.

Mais de 139.008.120 casos de novas infecções foram oficialmente diagnosticados desde o início da pandemia, indica a agência de notícias.

Diário de Notícias
DN
16 Abril 2021 — 14:03

 

 

 

663: Lisboa e Vale do Tejo sem mortes por covid-19 pela primeira vez desde Agosto

 

 

SAÚDE/ESTATÍSTICAS/COVID-19

Número de internados regista uma nova diminuição. Há agora 423 doentes hospitalizados, dos quais 109 estão em unidades de cuidados intensivos, indica o boletim epidemiológico da DGS.

Profissional de saúde prepara dose da vacina contra a covid-19
© Rui Manuel Fonseca/Global Imagens

O boletim epidemiológico da Direcção-Geral da Saúde (DGS) indica que Portugal registou, nas últimas 24 horas, 501 novos casos de covid-19. O relatório desta quinta-feira (15 de Abril) dá também conta de mais duas mortes devido à infecção por SARS-CoV-2.

Há agora 423 doentes internados (menos 24 pessoas face ao dia anterior), dos quais 109 em unidades de cuidados intensivos (menos sete).

Nas últimas 24 horas foram reportados mais 542 casos de pessoas que recuperaram da doença, num total de 787.011.

Desde o início da pandemia, Portugal confirmou 829.358 diagnósticos de covid-19 e registou 16.933 óbitos. O país tem, actualmente, 25.414 casos activos da infecção pelo novo coronavírus (menos 43 do que ontem).

A DGS indica que as duas mortes reportadas nas últimas 24 horas ocorreram no Norte, que notificou mais 156 casos de covid-19.

Lisboa e Vale do Tejo não regista óbitos, o que acontece pela primeira vez desde 30 de Agosto de 2020, dia em que foram reportados na região 121 casos, num total nacional de 320 novas infecções, tendo sido registada em Portugal uma morte por covid-19.

A região de Lisboa e Vale do Tejo é, no entanto, a que regista o maior número de novas infecções (188), indica o relatório diário da autoridade de saúde.

Verificam-se mais 73 diagnósticos de covid-19 na região Centro, 21 no Alentejo e 32 no Algarve. Os Açores registam 16 novos casos e na Madeira foram reportados 15 novas infecções.

© DGS

O boletim diário da DGS indica também que há mais 642 pessoas que estão em vigilância pelas autoridades de saúde, elevando para 19 046 o número total.

Os indicadores que fazem parte da matriz de risco foram actualizados na quarta-feira. Assim sendo o índice de transmissibilidade, o chamado R(t), está a 1,06 a nível nacional e a 1,05 no território continental. Já a incidência da infecção por SARS-CoV-2 situa-se nos 72,4 casos por 100 mil habitantes a nível nacional e 69,0 infectados por 100 mil habitantes se só tivermos em conta o Continente.

Nesta quinta-feira, Portugal fica a saber se o plano de desconfinamento avança como está previsto pelo Governo. O Executivo liderado por António Costa define, em Conselho de Ministros, as medidas a adotar para a terceira fase do desconfinamento, que começa na próxima segunda-feira (19 de abril).

Marcelo pede “mais um esforço” aos portugueses

No debate parlamentar sobre a prorrogação do estado de emergência, na quarta-feira, o ministro da Administração Interna deixou antever que poderá haver um tratamento diferenciado para os concelhos com um maior índice de transmissibilidade nas medidas a adoptar no Conselho de Ministros desta quinta-feira.

“Com base em toda a informação científica disponível até ao último momento, o Governo não deixará de adoptar um justo equilíbrio entre a vontade e necessidade de desconfinamento e a absoluta determinação de medidas restritivas ou de eventual pausa e suspensão no processo de reabertura onde tal seja necessário”, disse Eduardo Cabrita.

Depois da aprovação do 15ª estado de emergência, no âmbito da pandemia, o Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, pediu “mais um esforço” aos portugueses. “Hoje quero sobretudo pedir-vos ainda mais um esforço, para tornar impossível o termos de voltar atrás, para que o estado de emergência caminhe para o fim, para que o desconfinamento possa prosseguir sempre com a segurança de que o calendário das restrições e os confinamentos locais, se necessários, garantam um verão e um outono diferentes.”

As medidas previstas a partir de segunda-feira

Na próxima segunda-feira está previsto, por exemplo, o regresso das aulas presenciais no ensino secundário e no superior, reabertura de todas as lojas e centros comerciais, bem como de cinemas, teatros, auditórios e salas de espectáculos.

Deverão também reabrir os restaurantes, cafés e pastelarias, embora com um máximo de quatro pessoas nas mesas no seu interior ou seis, por mesa, em esplanadas. Estarão abertos até às 22:00 durante a semana ou 13:00 ao fim de semana e feriados.

As Lojas do Cidadão deverão abrir com atendimento presencial por marcação, regressam as modalidades desportivas de médio risco e a actividade física ao ar livre até seis pessoas e os ginásios sem aulas de grupo.

O plano prevê ainda a realização de eventos exteriores com diminuição de lotação e casamentos e baptizados com 25% da respectiva capacidade de acolhimento.

Bruxelas pede ao regulador europeu para rever dados da vacina da AstraZeneca

Enquanto Portugal aguarda para saber se o desconfinamento vai avançar como estava previsto, a presidente da Comissão Europeia garantiu que “as vacinas vão continuar a ganhar ritmo, uma vez que as entregas estão a acelerar na União Europeia”.

Uma mensagem que Ursula von der Leyen transmitiu para assinalar o momento em que foi imunizada com a primeira dose da vacina contra a covid-19.

Depois de termos passado as 100 milhões de vacinas [administradas] na UE, estou muito satisfeita por ter recebido hoje a minha primeira dose contra a covid-19″, escreveu Ursula von der Leyen, numa publicação na rede social Twitter, sem especificar qual o fármaco administrado.

“Quanto mais depressa vacinarmos, mais depressa poderemos controlar a pandemia”, acrescentou a líder do executivo comunitário.

A Comissão Europeia fez também saber esta quinta-feira que pediu à Agência Europeia de Medicamentos (EMA, na sigla em inglês) para rever os dados sobre a vacina da AstraZeneca, para garantir uma “abordagem coerente e unificada” na União Europeia relativamente ao fármaco.

Diário de Notícias
DN
15 Abril 2021 — 14:11

 

 

 

662: R(t) sobe para 1,06 e incidência para 72,4 infectados por 100 mil habitantes

 

 

SAÚDE/COVID-19/ESTATÍSTICAS

Boletim epidemiológico da DGS indica que Portugal registou nas últimas 24 horas 684 novos casos de covid-19 e oito mortes, havendo agora 447 doentes internados, dos quais 116 em unidades de cuidados intensivos.

Campanha de vacinação contra a covid-19 em Viana do Castelo
© Rui Manuel Fonseca/Global Imagens

No dia em que o parlamento vota o 15º estado de emergência, em contexto de pandemia, Portugal registou, nas últimas 24 horas, 684 novos casos de covid-19. O boletim epidemiológico da Direcção-Geral da Saúde (DGS) desta quarta-feira (14 de Abril) refere também que morreram mais oito pessoas devido à infecção pelo novo coronavírus. Há agora 447 doentes internados, menos 12 do que no dia anterior, sendo este o número mais baixo desde meio de Setembro. Deste total, 116 ainda se encontram em unidades de cuidados intensivos menos dois que na terça-feira.

Nesta quarta-feira, o boletim da DGS destaca-se pela subida da incidência da doença a nível nacional, passando para 72,4 de infectados por 100 mil habitantes, e para 69,0 de infectados por 100 mil no Continente. Quanto ao R(t), e tal como foi referido ao DN na segunda-feira por Carlos Antunes, professor da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa, está a crescer em média uma centésima por dia, e nesta quarta-feira já está em 1,06 a nível nacional, antes estava a 1.04, e 1,05 no Continente, antes estava a 1,03.

Recorde-se, e como explicou Carlos Antunes ao DN, os valores de incidência e de R(t) indicados pelo Instituto Nacional de Saúde Ricardo (INSA) e divulgados no boletim diário da DGS, têm um atraso de alguns dias. Por exemplo, o do R(t), como referiu o especialista que tem acompanhado a modelação da devolução da doença em Portugal, o R(t) já deve estar acima dos 1,11, devendo estar no dia 19 já em 1,18.

De acordo com o boletim da DGS, Portugal soma agora 828.857 casos de infecção desde o início da pandemia e 16.931 óbitos.

Nas últimas 24 horas, há ainda a registar mais 16 casos activos, totalizando agora 25.457 casos. Em vigilância, há apenas mais oito casos, num total e 18.404. A nível dos recuperados, há uma subida significativa, mais 660 casos nas últimas 24 horas, havendo agora 786.469 de infectados curados.

A região do Norte continua a ser a que regista maior número de casos, uma tendência que se mantém desde a semana passada, mais 265 casos e três óbitos. Segue-se a região de Lisboa e Vale do Tejo com mais 188 casos e cinco óbitos, depois destaca-se a região do Algarve com mais 66 casos – na terça-feira tinha registado apenas 13 casos – mas sem qualquer óbito. A região do Centro registou também 66 novos casos e a do Alentejo mais 43, ambas sem óbitos.

Governo decide amanhã o que vai fazer

Amanhã, Portugal fica a saber se a próxima fase do plano de desconfinamento, que começa a 19 de Abril, vai manter-se, tendo em conta a actual situação epidemiológica. Isso mesmo disse a ministra da Saúde. Após a reunião de ontem no Infarmed, em Lisboa, Marta Temido remeteu a decisão de uma eventual alteração para a reunião do Conselho de Ministros desta quinta-feira.

Marta Temido deixou claro que o Governo “vai apreciar todos os números” da evolução da infecção em Portugal. “Estes dias que estamos a viver são decisivos para que se consolidem tendências num sentido ou noutro e para que possamos tomar decisões na quinta-feira para o período que vem a seguir ao dia 19, para o qual estava previsto um conjunto de decisões, mas a nossa estratégia gradual poderá ter paragens ou avanços”, observou.

“Seria prudente esperar antes de continuar a aliviar medidas”

Ao DN, a médica pneumologista Raquel Duarte, que integrou a equipa que elaborou a proposta de desconfinamento pedida pelo governo, diz que o momento é de alerta e que se deve dar “passos seguros”.

“Devemos dar passos mais pequenos, mas seguros, que não prejudiquem o que se conseguiu até agora”, defendeu, após ter ouvido os colegas especialistas na reunião de ontem no Infarmed. Raquel Duarte considera que é preciso “ser prudente e esperar algum tempo antes de continuar o aliviar das medidas restritivas e de se abrir mais sectores”

UE compra mais 50 milhões da vacina da Pfizer

Entretanto, esta quarta-feira, a presidente da Comissão Europeia anunciou a compra de mais 50 milhões de doses da vacina da Pfizer, elevando para 250 milhões o total para entrega neste segundo trimestre, após problemas com o fármaco da Janssen.

De referir que o regulador de medicamentos norte-americano recomendou uma pausa na administração da vacina da farmacêutica do grupo Johnson & Johnson, após a detecção de coágulos sanguíneos em seis mulheres vacinadas.

Ursula von der Leyen, presidente do executivo comunitário, anunciou que, “mais uma vez”, o Bruxelas “chegou a acordo com a BioNTech/Pfizer para acelerar a entrega de vacinas, num total de 50 milhões de doses adicionais que serão entregues no segundo trimestre, com início em Abril”.

De acordo com von der Leyen, “estas doses serão distribuídas proporcionalmente à população entre todos os Estados-membros, o que ajudará substancialmente a consolidar o desenvolvimento das campanhas de vacinação”.

Esta aquisição foi anunciada no dia em que o jornal La Stampa, que cita uma fonte do ministério da Saúde italiano, a dar conta de um “acordo” com a Comissão Europeia e “líderes de muitos países”, para que não haja renovação dos contratos com a AstraZeneca e a Johnson & Johnson, cujas respectivas vacinas se encontram em análise pelos reguladores da UE e dos EUA, por suspeitas de reacções adversas.

Contactada esta manhã pelo DN para reagir à notícia, o porta-voz da Comissão Europeia para a Saúde, escusou-se a “comentar questões contratuais”, mas não fechou a porta a qualquer das opções. Pelo contrário, afirma que todas as possibilidades “estão em aberto”.

Diário de Notícias
DN
14 Abril 2021 — 14:36

 

 

 

661: 408 novos casos e 5 mortes por covid-19 em Portugal nas últimas 24 horas

 

 

SAÚDE/COVID-19/ESTATÍSTICAS

O boletim epidemiológico da DGS indica 408 novos casos e cinco mortos nas últimas 24 horas e 459 doentes internados, dos quais 118 em cuidados intensivos.

Há mais 408 novos casos de covid-19 em Portugal nas últimas 24 horas e mais cinco óbitos, de acordo com o boletim epidemiológico da Direcção-Geral da Saúde (DGS) desta terça-feira (13 de Abril). Neste momento, há 459 pessoas internadas, das quais 118 em unidades de cuidados intensivos. No total, menos 20 do que no dia anterior e nos cuidados intensivos apenas menos um.

De acordo com o Boletim diário da DGS, há 25.441 casos activos, menos 343 do que na segunda-feira, e 18.013 em vigilância, menos 207 do que no dia anterior.

Ao todo, Portugal soma 828.173 casos de infecção, 16.923 mortes e 785.809 recuperados.

“Duas semanas a um mês” para atingir os 120 casos por 100 mil habitantes

Esta manhã, decorreu nas instalação do Infarmed, em Lisboa, mais uma reunião com especialistas de várias áreas, o Presidente da República, governo, conselheiros de Estado e representantes dos partidos com assento parlamentar.

Tendo em conta o actual ritmo de evolução da pandemia, Portugal deverá demorar duas semanas a um mês para chegar aos 120 casos por 100 mil habitantes, o limiar de risco definido pelo Governo, como explicou Baltazar Nunes neste encontro. Actualmente, o país tem cerca de 71 casos por 100 mil habitantes, segundo André Peralta Santos, da DGS.

A região de Lisboa e Vale do Tejo não apresenta risco de atingir este valor tão cedo porque “tem taxa de crescimento praticamente nula”.

“Há um efeito significativo” do efeito da vacinação nos maiores de 80 anos, disse o especialista.

Especialista refere que há um aumento “mais expressivo” na população mais jovem.

Regista-se aumento na faixa etária dos 0 aos 9 anos, referiu André Peralta Santos, da DGS. “Todas as faixas etárias têm uma incidência inferior, face a 15 de Março, excepto a dos 0 aos 9 anos”, acrescentou.

“É de realçar a diminuição de casos na faixa etária dos 80 anos, a mais vulnerável à morte”, indicou. Esta foi a faixa etária mais castigada nas primeiras vagas da pandemia e antes da campanha de vacinação tem sido menos afectada. Por outro lado, começa-se a registar um aumento na faixa etária dos “25 aos 55 anos que traduz a população activa”, disse André Peralta Santos.”Houve uma intensificação da testagem da semana 13 para a semana 14 e segue um padrão em que concelhos com maior incidência têm maior testagem”, indica o especialista. Ao mesmo tempo, está a haver uma diminuição da taxa de positividade, inferior a 4% no território nacional, disse.

Gouveia e Melo sobre a vacinação: “A partir de agora vamos fazer uma sequenciação etária pura”

Quando vacinarmos as pessoas com mais de 60 estará vacinada a faixa etária que mais sofreu com a covid-19, explica o coordenador da task force, vice-almirante Gouveia e Melo. Neste momento, 400 mil pessoas entre os 75 e os 80 anos estão já vacinadas, adiantou Gouveia e Melo.

Na sua curta apresentação, o coordenador da task force garantiu ainda que “a partir de agora vamos fazer uma sequenciação etária pura”, explica.

A vacinação continuará a passar pelo agendamento dos centros de saúde, mas será também aberto o auto-agendamento. Juntas de freguesias e bombeiros poderão colaborar neste agendamento, antecipa Gouveia e Melo.

Neste momento, 15% da população recebeu a primeira dose da vacina.

Diário de Notícias
DN
13 Abril 2021 — 14:02

 

 

 

660: Especialista alerta que uso de máscara aumentou doenças da voz

 

 

SAÚDE/COVID-19/MÁSCARAS/VOZ

Especialista diz ter atendido nos últimos meses cada vez mais pessoas com disfonia por tensão muscular, que se caracteriza pela dificuldade para emitir a voz, rouquidão, falta de volume e projecção.

O uso de máscara de protecção é uma das medidas para travar a propagação da infecção pelo novo coronavírus
© Nuno Pinto Fernandes/ Global Imagens

A otorrinolaringologista Clara Capucho alertou esta terça-feira que o uso de máscaras imposto pela pandemia da covid-19 aumentou o número de patologias da voz, sobretudo nos aparelhos vocais dos portugueses.

O alerta da coordenadora da Unidade de Voz do Centro Hospitalar Lisboa Ocidental (CHLO), que integra os hospitais Egas Moniz, S. Francisco Xavier e Santa Cruz, surge nas vésperas de se assinalar o Dia Mundial da Voz (a 16 de Abril).

“O número de pacientes com disfonia por tensão muscular está a aumentar desde Março de 2020”, afirma em comunicado a especialista, que diz ter atendido nos últimos meses cada vez mais pessoas com este problema que se caracteriza pela dificuldade para emitir a voz, rouquidão, falta de volume e projecção, entre outros.

A especialista reconhece que, “ainda que importantes para travar a propagação do vírus, a utilização de máscaras tem agravado as patologias associadas à voz”.

“O número de pacientes diagnosticados com disfonia por tensão muscular tem aumentado desde Março de 2020, quando as autoridades de saúde recomendaram o uso de máscaras como medida essencial para reduzir os riscos de contágio por covid-19”, salienta.

“O aumento do esforço para a emissão vocal — provocado pelas máscaras, pela ansiedade e pela postura em frente ao computador — conduz a uma tensão muscular na zona cervical, dos ombros e do próprio aparelho vocal, resultando muitas vezes numa disfonia por tensão muscular. Essa tensão é tão intensa que, em certos casos, acarreta graves prejuízos vocais”, salienta.

Inquérito vai avaliar o impacto da covid-19 no desempenho da voz de actores e cantores

Dado que a voz é o principal instrumento de trabalho dos artistas, a Unidade de Voz do Hospital Egas Moniz a Fundação GDA — Gestão dos Direitos dos Artistas irão lançar um inquérito para avaliar o impacto da covid-19 no desempenho da voz de actores e cantores, uma iniciativa que irá assinalar o Dia Mundial da Voz 2021, este ano sob o lema “Um mundo, muitas vozes”.

O vice-presidente da GDA, Luís Sampaio, afirma que “os artistas estão a ser severamente fustigados com os efeitos causados pela pandemia da covid-19, tais como a limitação das actividades culturais e o cancelamento de espectáculos. Mas, apesar desta paragem, não podem descurar aquele que para muitos é o principal instrumento de trabalho: a voz”.

“É fundamental que os artistas tenham cuidados preventivos de saúde que identifiquem e tratem patologias do aparelho vocal, mantendo-o apto para as exigências que o regresso do seu uso profissional no pós-pandemia irá colocar“, defende Luís Sampaio.

A Fundação GDA irá enviar a todos os cooperadores um inquérito ‘online’ para avaliar os níveis do desconforto vocal dos artistas, cujos dados serão remetidos à Unidade de Voz do Hospital Egas Moniz, que irá avaliar os sintomas e, posteriormente, reencaminhar os casos graves para consultas ou rastreios.

A equipa de Clara Capucho irá depois utilizar os resultados na elaboração de um estudo científico sobre os efeitos das máscaras anti-covid-19 na voz dos artistas em Portugal.

A Fundação e o CHLO irão promover também, na quarta e quinta-feira, rastreios gratuitos da voz dirigidos à comunidade artística, mas também à população no Hospital Egas Moniz.

Devido à pandemia, os artistas interessados devem inscrever-se previamente, preenchendo um formulário no site da Fundação GDA, e restante população deverá contactar a Unidade da Voz do CHLO.

Diário de Notícias
DN/Lusa
13 Abril 2021 — 08:30

– Não sou “especialista” da voz nem otorrinolaringologista, mas já fui cantor de conjuntos de música para baile, durante mais de 50 anos, e sem mencionar as péssimas condições de trabalho a que fomos submetidos nessas actuações, faltou mencionar, no texto acima, que a voz também se “perde” quando se deixa de ter esta actividade, seja de cantor, actor de teatro ou onde tenha de empregar-se a voz com frequência. As cordas vocais, com a inactividade, começam a perder a elasticidade a que estão sujeitas frequentemente e levam aos sintomas referidos pelo uso das máscaras contra o COVID-19.