562: Utilização de máscara bloqueia 99,9% das grandes gotículas ligadas à covid-19

 

 

SAÚDE/COVID-19/MÁSCARAS

Anna Shvets / Pexels

Já era de conhecimento geral que as máscaras tinham um grande peso no combate à disseminação da covid-19, o que não se sabia é que estas reduzem o risco de espalhar grandes gotículas em 99,9%. 

As conclusões foram obtidas depois de ter sido realizada uma experiência de laboratório com seres humanos. Imaginem-se dois indivíduos separados por dois metros de distância, sendo que um deles está a tossir sem máscara: este último vai acabar por colocar a outra pessoa em risco porque será exposta a 10 mil vezes mais gotículas do que se o outro individuo estivesse a usar uma máscara.

“Não restam mais dúvidas de que as máscaras podem reduzir drasticamente a dispersão de gotículas potencialmente carregadas de vírus”, disse o autor Ignazio Maria Viola, que também é professor na Escola de Engenharia da Universidade de Edimburgo.

O investigador acredita que as grandes gotículas respiratórias sejam as principais responsáveis ​​pela transmissão do SARS-CoV-2. As menores, por vezes chamadas de aerossóis, podem permanecer suspensas no ar por períodos mais longos.

“Nós exalamos continuamente uma grande variedade de gotas, da escala micro à escala milimétrica. Algumas das gotas que andam no ar morrem mais rápido do que outras, dependendo da temperatura, humidade e da velocidade do ar”, explicou o professor.

Porém, este estudo, publicado no Royal Society Open Science no dia 23 de Dezembro, concentrou-se em partículas grandes, o que significa que são cerca de duas a quatro vezes maiores do que a largura de um fio de cabelo humano. No caso dos aerossóis, estes tendem a seguir correntes no ar e por isso dispersam mais rapidamente.

Com estas descobertas a equipa quer evidenciar ainda mais a necessidade de se fazer uma utilização correta da máscara. “Se usarmos máscara, estamos a mitigar a transmissão do vírus numa ordem muito superior”, frisa Ignazio Maria Viola.

O especialista revela ainda que, durante o estudo, a equipa percebeu que a máscara pode evitar o contacto com 99,9% das grandes gotículas que circulam no ar.

De acordo com o Institute for Health Metrics and Evaluation (IHME) em Seattle, Washington, pelo menos 55 mil vidas podem ainda ser salvas nos Estados Unidos nos próximos quatro meses, caso se aplique uma política universal de uso de máscara.

Como recorda o Phys, no início deste mês, a Organização Mundial da Saúde (OMS) actualizou a sua orientação sobre a utilização de máscaras, de modo a recomendar que estas sejam usadas em ambientes fechados na presença de outras pessoas, sobretudo se a ventilação for inadequada.

Por Ana Moura
5 Janeiro, 2021

 

 

 

517: COVinBOX-BPA: Dispositivo impede a contaminação de profissionais

 

 

SAÚDE/COVID-19/PROTECÇÃO

O mundo deposita esperança nas vacinas que estão para vir. No entanto, até lá, há ainda um longo caminho a percorrer, tempo esse que pode ser usado para criar soluções que nos protejam.

Na Covilhã foi recentemente criado um dispositivo que impede a contaminação de profissionais. Vamos conhecer o projecto COVinBOX-BPA.

COVinBOX-BPA – A Barreira Protectora de Aerossóis

Uma parceria Empresarial, Hospitalar e Universitária permitiu criar uma barreira protectora de aerossóis que impede a contaminação de profissionais de saúde quando tratam doentes com COVID-19 e outras doenças infecciosas do foro respiratório.

O COVinBOX-BPA (Barreira Protectora de Aerossóis) foi desenvolvido por médicos anestesiologistas do Centro Hospitalar Universitário Cova da Beira (CHUCB) e por um professor da unidade de I&D Aeronautics and Astronautics Research Center (AEROG) sediada na Universidade da Beira Interior. O dispositivo será produzido e comercializado pela Joalpe International.

O primeiro dispositivo-barreira “foi criado com plástico em forma de tenda, montada sobre o separador entre a área de anestesia e área cirúrgica e depois a tenda de plástico foi montada sobre a estrutura de um andarilho, e a partir daqui nasceu a estrutura da COVinBOX.

O equipamento encontra-se em fase de certificação pelo Infarmed – Autoridade Nacional do Medicamento e Produtos de Saúde, aguardando igualmente a obtenção da certificação CE.

Primeiro pensada apenas para proteger a equipa da sala operatória, à medida que os protótipos foram evoluindo e tendo em conta a protecção de profissionais de saúde de outras áreas, “chegou-se ao protótipo final, com aplicação em blocos operatórios, unidades de cuidados intensivos, enfermarias, serviços de urgência, salas de emergência, consultórios médicos de qualquer especialidade, consultórios de medicina dentária e de outros profissionais de saúde oral, lares de idosos, unidades de cuidados continuados e transporte de doentes em ambulância e dentro do hospital”, acrescenta o investigador.

O protótipo foi apresentado este sábado, numa sessão restrita de demonstração no CHUCB

Pplware
Imagem: DN e Jornal do Fundão
Autor: Pedro Pinto
28 Nov 2020

411: Detectado factor climático determinante para a propagação do coronavírus

 

 

SAÚDE/COVID-19/CLIMA

Rovena Rosa / ABr

Altas temperaturas combinadas com baixa humidade propiciam que as gotículas contaminadas com o novo coronavírus evaporem mais rapidamente, reduzindo a sua capacidade de infectar pessoas.

De acordo com os cientistas, citados pelo canal estatal russo RT, a velocidade a que as gotículas de saliva se evaporam, determinada pela temperatura e humidade relativa da atmosfera, é um factor chave no ritmo de proliferação da covid-19.

Através de um modelo informático, a equipa descobriu que “as altas temperaturas e a baixa humidade provocam altas taxas de evaporação das gotículas de saliva contaminadas, o que reduz significativamente a viabilidade do vírus”, afirma Talib Dbouk, um dos autores do estudo publicado, esta terça-feira, na revista científica Physics of Fluids.

Além disso, os investigadores examinaram a influência da velocidade do vento na propagação do vírus, tendo descoberto que a nuvem de gotículas contaminadas mantém a sua forma esférica tanto com ventos de 10 metros por segundo como de 15 metros por segundo. Portanto, o distanciamento social deve ser respeitado não só na direcção do vento, mas também na direcção perpendicular a ele, acrescentam os cientistas.

“Estas descobertas devem ser tidas em conta devido à possibilidade de uma segunda vaga no outono e no inverno, quando as baixas temperaturas e as altas velocidades do vento aumentarão a sobrevivência e a transmissão do vírus no ar”, afirma a equipa.

A pandemia do novo coronavírus já infectou mais de 31 milhões de pessoas em todo o mundo, incluindo mais de cinco milhões na Europa, segundo um recente balanço da agência AFP.

ZAP //

Por ZAP
24 Setembro, 2020

 

363: Primeira máscara que inactiva novo coronavírus criada em Portugal

 

CIÊNCIA/SAÚDE/COVID-19/PROTECÇÃO

(dr) Mo

A primeira máscara têxtil e reutilizável com capacidade comprovada para inactivar o novo coronavírus foi criada em Portugal, num projecto de cooperação entre a comunidade empresarial, académica e científica.

Em causa está a máscara MOxAd-Tech, que “superou com sucesso os testes realizados pelo Instituto de Medicina Molecular João Lobo Antunes, tornando-a na primeira máscara com capacidade de inactivar o vírus SARS-CoV-2”, informa, em comunicado, o consórcio responsável pela inovação.

Composto pela fabricante Adalberto, a retalhista do grupo Sonae Fashion (Mo), o Instituto de Medicina Molecular João Lobo Antunes, o Centro Tecnológico das Indústrias Têxtil e do Vestuário de Portugal e a Universidade do Minho, este projecto “de cooperação entre a comunidade empresarial, académica e científica” permitiu, então, “o desenvolvimento de uma máscara reutilizável de elevado desempenho”, que além de ser feita de um tecido com características anti-microbianas, tem agora “protecção adicional” comprovada.

Após vários testes realizados pelo Instituto de Medicina Molecular João Lobo Antunes chegou-se à conclusão de que “a máscara beneficia de um revestimento inovador que neutraliza o vírus SARS-CoV-2 quando este entra em contacto com o tecido, efeito que se mantém mesmo depois da realização de 50 lavagens”.

Pedro Simas, investigador e virologista deste instituto, explica, em nota de imprensa, que “os testes à máscara MOxAdtech revelaram uma inactivação eficaz do SARS-CoV-2 mesmo após 50 lavagens, onde se observou uma redução viral de 99% ao fim de uma hora de contacto com o vírus, de acordo com os parâmetros de testes indicados na norma internacional”.

“De forma simplificada, estes testes consistem na análise do tecido após o contacto com uma solução que contém uma determinada quantidade de vírus, cuja viabilidade se mede ao longo do tempo”, adianta o especialista.

Estas máscaras, produzidas em Portugal, estão já a ser comercializadas por 10 euros no país e também em toda a União Europeia.

ZAP // Lusa

Por Lusa
25 Julho, 2020

Eu já utilizo esta máscara desde que saiu para o mercado.

 

340: Lista de Compras para a Quarentena (Socialmente Responsável)

 

SAÚDE/CORONAVIRUS/QUARENTENA

Não, não vão precisar de 10 litros de desinfectante, 5 embalagens de papel higiénico e 30 latas de atum. Mais importante do que ter mantimentos para a quarentena, é assegurar que não estamos a prejudicar os outros.

Não se fala de outra coisa: o número de infectados pelo Coronavírus em Portugal tem aumentado, a OMS declarou pandemia e recomenda tomar precauções essenciais. Prevê-se que precisemos de ficar em casa por alguns dias e surge uma questão importante: a Lista de Compras para a Quarentena. O que compramos? Quanto compramos? Onde compramos?

Antes de mais, estas decisões devem partir de uma noção de responsabilidade social. Afinal, o consumo responsável é um dos pilares da gestão equilibrada de uma epidemia. O objectivo não é garantir que ficamos em casa com mantimentos para 2 meses, mas sim que todos os cidadãos portugueses conseguem ter acesso ao necessário para um par de semanas.

Neste artigo, apresentamo-vos uma lista de compras socialmente responsável para quarentena e para casos de infecção pelo COVID-19, falamos sobre alternativas aos bens escassos, sobre como fazer compras sem sair de casa e sobre a importância de sermos uns para os outros.

Lista de Compras para a Quarentena

Precisamos de ter duas coisas em mente antes de fazer compras para um eventual período de quarentena:

1. O acesso aos supermercados não vai ser cortado. Nada indica que não poderemos ir às compras, mesmo que fiquemos em quarentena preventiva. Também nada indica que ninguém poderá fazê-lo por nós se estivermos doentes, ou que os serviços de home delivery parem de funcionar. Como tal, não precisamos de comprar quantidades absurdas de produtos: o carrinho de compras habitual, com alguns ajustes, é o ideal.

2. Vivemos em comunidade. É importante comprar de forma consciente para que não estejamos a prejudicar os outros, quer por comprarmos quantidades desnecessárias, quer por comprarmos todos os produtos mais baratos, deixando famílias mais carenciadas sem alternativas.

Tendo isto em conta, esta lista de compras para a quarentena poderá ajudar-vos a não se esquecerem de nada de que possam precisar:

  • Congelados
    Ao contrário de algumas situações, como é o caso dos terramotos, não está prevista a perda de electricidade durante um eventual período de quarentena, Assim, pode ser muito útil comprar congelados ou congelar alimentos: legumes, comida pré-preparada, pão, fruta. Assim, poderão garantir que mesmo que comprem com alguma antecedência, os alimentos não se vão estragar.
  • Enlatados
    A escolha mais óbvia, os enlatados têm longos prazos de validade. Das salsichas aos cogumelos e à fruta, é bom ter em casa mas não façam deles a base da vossa alimentação: afinal, estes não são os alimentos mais saudáveis e é importante que ingiram alimentos que fortaleçam o sistema imunitário.
  • Bolachas e snacks
    Frutos secos (ricos em calorias), fruta desidratada, pipocas de micro-ondas e aqueles biscoitos e bolachas que são famosos lá em casa e não se estragam com facilidade.
  • Chocolate
    Rico em calorias, é um dos alimentos mais recomendados para ter em casa.
  • Arroz, massa e leguminosas
    Feijão, grão, arroz, massa, quinoa, lentilhas e outros produtos não perecíveis. Compre as quantidades habituais, sem exagero. É bom ter um pouco de cada.
  • Leite, iogurtes e queijos
    De origem animal ou vegetal, fazem sempre falta.
  • Produtos de Cosmética e Limpeza
    Principalmente sabonete e detergente da loiça. Quando aos restantes, não faz sentido comprar mais do que o habitual.Recomenda-se fazer uma limpeza diária de objectos como as maçanetas das portas, tampos de mesa, sanitas e telefones, que são muito tocados ao longo do dia.
  • Água
    O coronavírus não afecta a água, pelo que podemos continuar a beber água da torneira tranquilamente. Caso costumem comprar água engarrafada, comprem alguns garrafões, sem exageros.

O que devo comprar em caso de infecção?

Antes de mais, caso verifique sintomas de infecção por Coronavírus, deve manter-se em isolação e entrar em contacto com a linha de saúde 24: 808 24 24 24 ou contactar o 112, que lhe darão indicações do que fazer.

De momento, não existe nenhuma recomendação de medicamentos antivirais para tratar o COVID-19. Assim, o tratamento que poderá existir é direccionado ao alívio dos sintomas. Para tal, é útil ter em casa analgésicos, antipiréticos e medicamentos para a tosse. Para além disto, recomenda-se aos doentes muito descanso, ingestão de líquidos e banhos quentes.

Não encontrei o que queria no supermercado. E agora?

Todos temos em nós um bocadinho de avó portuguesa: “E se o arroz não chega? E se as crianças ficam sem papel higiénico? Mais vale ter a mais do que a menos!”.

A verdade é que este tipo de mentalidade é contra produtivo em situações de epidemia, em que o consumo consciente se torna ainda mais importante pelos efeitos que pode ter a curto prazo. Deixamos algumas dicas para que não falte nada nem aí em casa nem nas outras casas:

Alimentos e bens essenciais

Em muitos supermercados, começa a notar-se a escassez de alguns produtos.

Em Portugal, somos privilegiados. Temos acesso a uma variedade enorme de alimentos e produtos, todos com várias alternativas. O que é crucial neste cenário, é conseguir racionar estes bens para que todos possamos ter um acesso justo àquilo de que necessitamos.

Ficam algumas dicas para que não falte nada (a ninguém):

  • Não faça da sua lista de compras para a quarentena uma regra: há pouca massa no supermercado? Leve antes arroz. Os legumes frescos estão a esgotar? Se calhar pode levar menos, comprar alguns congelados e deixar stock disponível para outras famílias.
  • Não exagere nas quantidades: por norma, dependendo do tamanho das famílias, temos em casa mantimentos suficientes para 1-2 semanas de alimentação. Mesmo que passemos por um cenário de quarentena preventiva, não faz sentido acumular numa só casa alimentos suficientes para 3-4 semanas. Planeie as refeições conscientemente e não compre mais do que necessário.
  • A variedade ajuda a combater a escassez: comprar alimentos e marcas diferentes faz com que não faltem com tanta facilidade. Caso tenha possibilidades, opte por comprar produtos, marcas e preços diferentes em vez de contribuir para escassez de um em específico.

Desinfectante e Máscaras

Lavar as mãos é o método mais eficaz para prevenir o contágio pelo coronavírus. Devemos recorrer aos desinfectantes apenas quando não nos é possível lavar as mãos.

Quanto às máscaras, só se recomenda o seu uso por pessoas infectadas pelo COVID-19, para evitar o contágio de mais pessoas.

Portanto, descansem se não têm 3 litros de desinfectante e 2 caixas de máscaras em casa: provavelmente não os iriam usar de qualquer forma.

Caso sejam daquelas pessoas que têm quantidades extraordinárias, verifiquem se as pessoas à vossa volta estão precavidas. Afinal, é mais eficiente todos termos um pequeno boião de desinfectante do que apenas alguns terem muitos boiões.

Se ficar em casa, decerto não vai precisar de desinfectante. Garanta que tem uma quantidade normal de sabonete, e basta lavar as mãos.

Se não consegue encontrar desinfectante ou se a sua reserva chegar ao fim, existem sempre opções:

  • Faça o seu próprio desinfectante caseiro: precisa apenas de álcool (no mínimo 60%) e de glicerina ou gel de aloe vera em proporção 4/3.
  • Transporte consigo pequenas toalhas ou lenços de papel embebidos em álcool ou em água e sabonete. São úteis para limpar mãos e superfícies.
  • Leve sabonete e uma garrafa de água consigo, para que possa lavar as mãos em qualquer lugar.

Compras sem sair de casa

Não se esqueçam desta opção: quer estejam em isolação, tenham receio de ir ao supermercado ou simplesmente não tenham tempo, existem vários supermercados em Portugal que permitem fazer compras online, que são entregues directamente em sua casa.

Esta é uma opção muito útil para as pessoas que fazem parte dos grupos de risco. Para além disto, é possível verificar online se os produtos que pretende comprar ainda estão disponíveis, podendo optar por outros de forma prática e simples.

Muito importante: as compras dos outros

O vizinho precisa de desinfectante? A avó, que faz parte do grupo de risco, precisa de comprar comida? Sejamos uns para os outros.

Se temos algum produto de que eles precisam, podemos partilhar. Se não fazemos parte de um grupo de risco nem partilhamos casa com alguém que faz, podemos ir às compras por quem mais precisa.

Esta lista de compras para a quarentena é uma sugestão pessoal da Pumpkin. As nossas recomendações são baseadas nas directivas da DGS  e da OMS e no muito que temos lido sobre o assunto. Achamos que faz falta, no meio de tanta informação, o apelo ao cuidado sem pânico e à consciência social, para que as famílias possam passar por esta fase da forma mais ilesa possível.

Não desesperem. Vamos garantir que temos todos os cuidados possíveis, ajudar os outros e manter a cabeça fresca: em breve a tranquilidade (e o papel higiénico de folha tripla) regressarão.

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  • Coronavírus: sabem que os sintomas são semelhantes aos da gripe?

Pumpkin Famílias Felizes
Mar.2020

 

265: O café faz bem aos olhos

 

jilleatsapples / Flickr

Dois ou três cafés por dia protegem as células da retina. Esta é a conclusão de um estudo realizado por investigadores das universidades de Coimbra e de Bona, na Alemanha.

Numa nota enviada esta segunda-feira à agência Lusa, a Universidade de Coimbra refere que esta investigação abre caminho para o desenvolvimento de “novas abordagens terapêuticas para o tratamento de doenças da visão associadas a episódios isquémicos, como a retinopatia diabética e glaucoma”.

Estas são duas das principais causas de cegueira a nível mundial. Na mesma nota, a Universidade de Coimbra indica que a isquemia da retina é uma complicação que está associada às doenças degenerativas da retina, que contribui para a perda de visão e cegueira.

isquemia da retina “ocorre por oclusão de vasos sanguíneos, maioritariamente da artéria central da retina, de um ramo da artéria da retina ou por oclusão venosa”.

O estudo, liderado por Ana Raquel Santiago, investigadora no laboratório Retinal Dysfunction and Neuroinflammation da Faculdade Medicina da Universidade de Coimbra, foi realizado em modelos animais (ratos) e desenvolvido em duas fases, tendo sido publicado na Cell Death and Disease.

No início, foram avaliados os efeitos da cafeína nas células da microglia – “células imunitárias que funcionam como os macrófagos da retina, mas que em situação de isquemia libertam substâncias nocivas que contribuem para o processo degenerativo”, explica a Universidade.

Os ratos começaram por consumir cafeína durante duas semanas ininterruptamente, tendo sido posteriormente sujeitos a um período transitório de isquemia ocular. Após a recuperação, voltaram a beber cafeína.

As análises revelaram que “a cafeína controla a reactividade das células da microglia de forma a conferir protecção à retina, quando comparado com animais que bebiam água”, acrescenta a Universidade de Coimbra.

“Nas primeiras 24 horas assistiu-se a uma activação exacerbada das células da microglia, indicando que, de alguma forma, a cafeína estava a promover um ambiente pró-inflamatório para depois garantir protecção e travar a progressão da doença”, refere a coordenadora do estudo.

Sabendo que a cafeína é um antagonista dos receptores de adenosina (envolvidos na comunicação do sistema nervoso central) e perante os primeiros resultados, a segunda fase do estudo centrou-se em testar o potencial terapêutico de um fármaco, a istradefilina, no controlo do ambiente inflamatório após um episódio isquémico da retina.

Este é um fármaco capaz de bloquear a ação dos recetores A2A de adenosina e que tem sido avaliado noutras doenças neurodegenerativas.

“Neste grupo de experiências, observou-se que a administração de istradefilina diminui a reactividade das células da microglia, atenuando o ambiente pró-inflamatório e o dano causado pela isquemia transiente”, descreve Ana Raquel Santiago. Este fármaco foi testado pela primeira vez na retina, tendo sido administrado após o insulto isquémico da retina.

Estes resultados podem abrir portas à identificação de novos fármacos que possam tratar ou atenuar as alterações visuais inerentes a estas doenças. “Os receptores A2A de adenosina podem vir a ser um alvo interessante para travar a perda de visão causada por doenças como o glaucoma ou a retinopatia diabética”, acrescenta a investigadora.

Actualmente, não há cura para estas doenças e os tratamentos disponíveis não são eficazes. Desenvolvido ao longo de três anos, o estudo foi financiado pela Fundação para a Ciência e Tecnologia (FCT) e pela empresa Manuel Rui Azinhais Nabeiro.

ZAP // Lusa

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