397: Partículas de ouro dentro de tumores podem ajudar a matar cancro

 

 

SAÚDE/CANCRO

cottonbro / Pexels

Uma equipa de investigadores descobriu uma forma de bio-sintetizar pequenas nano-partículas de ouro dentro das células cancerígenas para auxiliar na obtenção de imagens de raios-X – e até mesmo destruí-las.

Os cientistas descobriram uma forma de cultivar nano-partículas de ouro directamente dentro das células cancerosas em 30 minutos, o que pode ajudar na obtenção de imagens de raios-X. As partículas podem mesmo ser aquecidas de forma a matar os tumores.

De acordo com o NewAtlas, esta não seria a primeira vez que os cientistas usariam nano-partículas de ouro para combater crescimentos cancerígenos. Porém, até agora, as técnicas eram limitadas na forma como eram introduzidas no cancro. Alguns métodos persuadiam as partículas a prenderem-se aos peptídeos ou às células brancas do sangue.

Esta nova técnica permite a biossíntese das nano-partículas de ouro directamente dentro das células cancerígenas, uma “abordagem altamente promissora para aplicação de entrega de drogas”, de acordo com Dipanjan Pan, professor da Universidade de Maryland, em comunicado.

A equipa dissolveu as nano-partículas de ouro numa solução de “polietilenoglicol” para criar ouro iónico – sais de ouro num líquido. Uma vez injectado, as nano-partículas de ouro começaram a ser geradas nas células cancerígenas durante uma experiência de laboratório, um processo que demorou apenas alguns minutos.

“Desenvolvemos um sistema único onde as nano-partículas de ouro são reduzidas por bio-moléculas celulares e são capazes de reter a sua funcionalidade, incluindo a capacidade de guiar o cluster remanescente para o núcleo”, explicou Pan.

Os investigadores demonstraram a mesma abordagem dentro de um tumor de camundongo antes de destruí-lo com o aquecimento das nano-partículas com um laser, um processo conhecido como “remediação foto-térmica”.

Este método é muito mais rápido do que outras abordagens e não exige muito ouro. O tratamento pode funcionar num período de tempo tão curto quanto 30 minutos, em comparação com outras opções que podem demorar 24 horas ou mais.

Para Pan, “a investigação mais desafiadora que temos pela frente será encontrar novos métodos de produção dessas partículas com reprodutibilidade descomprometida” e avaliar a forma como as nano-partículas afectarão a saúde humana a longo prazo.

Este estudo foi publicado este mês na revista científica Nature Communications.

ZAP //

Por ZAP
17 Setembro, 2020

 

384: Molécula encontrada no veneno de abelha destruiu células de cancro da mama

 

 

SAÚDE/CANCRO/MAMA

(CC0/PD) Photos / pixabay

Um novo estudo de laboratório mostra que uma molécula encontrada no veneno das abelhas pode suprimir o crescimento de células cancerígenas.

De acordo com o site Science Alert, o estudo focou-se em certos subtipos do cancro da mama, incluindo cancro da mama triplo negativo (TNBC), uma condição de saúde extremamente agressiva cujas opções de tratamento ainda são limitadas.

Em muitos casos, as suas células produzem mais uma molécula chamada EGFR do que as células normais. As tentativas anteriores de desenvolver tratamentos que visassem especificamente essa molécula não funcionaram, porque também afectariam negativamente as células saudáveis.

O veneno da abelha-europeia (Apis mellifera) tem demonstrado o seu potencial noutras terapias médicas, como o tratamento do eczema, e é conhecido por ter propriedades anti-tumorais há algum tempo, incluindo o melanoma.

As abelhas usam a melitina – a molécula que constitui metade do seu veneno e torna as suas picadas realmente dolorosas – para lutar contra os seus próprios patogénicos. Estes insectos produzem este peptídeo não apenas no seu veneno, mas também noutros tecidos.

Desta forma, investigadores decidiram submeter células cancerígenas cultivadas em laboratório e células normais ao veneno de abelha da Irlanda, Inglaterra e Austrália, e ao veneno do abelhão de Inglaterra (Bombus terrestris).

A equipa, cujo estudo foi publicado, a 1 de Setembro, na revista científica Nature Precision Oncology, descobriu que o veneno do abelhão – que não contém melitina, mas tem outros potenciais ‘assassinos’ de células – teve pouco efeito nas células do cancro da mama, mas o veneno da abelha de todos os locais fez a diferença.

“O veneno foi extremamente potente. Descobrimos que a melitina pode destruir completamente as membranas das células cancerígenas em 60 minutos”, afirmou a investigadora Ciara Duffy, do Instituto de Pesquisa Médica Harry Perkins, na Austrália.

Quando a melitina foi bloqueada com um anticorpo, as células cancerígenas expostas ao veneno de abelha sobreviveram, mostrando que a melitina era, de facto, o componente do veneno responsável pelos resultados dos testes anteriores.

E a melhor parte é que a melitina teve pouco impacto nas células normais, visando especificamente as células que produziram muito EGFR e HER2, e até mexeu com a capacidade de replicação das células cancerígenas.

Além disso, a equipa produziu uma versão sintética da melitina, para ver como seria o seu desempenho em comparação com a verdadeira. “Descobrimos que o produto sintético reflete a maioria dos efeitos anti-cancro do veneno das abelhas”, disse Duffy.

De seguida, os cientistas testaram a acção da melitina combinada com drogas quimioterápicas em ratos. O tratamento experimental reduziu os níveis de uma molécula que as células cancerígenas usam para evitar a detecção pelo sistema imunitário.

“Descobrimos que a melitina pode ser usada com pequenas moléculas ou quimioterapias, como docetaxel, para tratar tipos altamente agressivos de cancro da mama. Esta combinação foi extremamente eficiente na redução do crescimento do tumor em ratos.”

Apesar destes serem resultados animadores, os investigadores alertam que há ainda um longo caminho a percorrer antes desta molécula poder ser usada como um tratamento em humanos.

ZAP //

Por ZAP
7 Setembro, 2020

 

371: Novo método não-invasivo permite diagnosticar cancro cerebral sem fazer incisões

 

CIÊNCIA/SAÚDE

Diagnosticar tumores cerebrais pode ser difícil e muito invasivo. Agora, uma equipa de investigadores desenvolveu um método para detectar cancro no cérebro sem ser necessária qualquer incisão.

Os tumores cerebrais são normalmente diagnosticados através de imagens de ressonância magnética, uma vez que a colheita de uma amostra para uma biopsia do tecido é arriscada e pode não ser possível devido à localização do tumor ou às más condições de saúde do paciente.

Investigadores da Universidade de Washington, em St. Louis, estão a desenvolver um método para diagnosticar tumores cerebrais sem ser necessária qualquer incisão.

O método é desenvolvido por uma equipa liderada por Hong Chen, professora assistente de engenharia biomédica na McKelvey School of Engineering e de radiação oncológica na School of Medicine, e usa energia ultra-sónica para atingir tumores nas profundezas do cérebro.

Quando o tumor é localizado, os investigadores injectam micro-bolhas no sangue que viajam para o tecido visado pela ecografia e estouram, causando pequenas rupturas na barreira hematoencefálica. As rupturas permitem que bio-marcadores, como ADN, ARN e proteínas, do tumor atravessem essa barreira e sejam libertados no sangue, que pode ser testado com uma colheita de sangue, chamada biopsia líquida.

Chen e a sua equipa têm trabalhado no seu método de biopsia líquida habilitada por ecografia (FUS-LBx) durante vários anos, conduzindo um estudo de viabilidade em camundongos, seguido por um estudo de avaliação de segurança em camundongos e, mais recentemente, outro estudo em porcos jovens, que têm uma espessura de crânio semelhante à dos humanos.

A equipa teve sucesso na medição de dois bio-marcadores específicos do cérebro usando FUS-LBx em sete dos oito porcos que usaram e não encontraram danos nos tecidos cerebrais após o procedimento.

Embora a biopsia líquida à base de sangue tenha sido usada em pacientes humanos com outros tipos de cancro para medicina personalizada, estender o método ao cancro cerebral em humanos continua a ser um desafio.

“A ressonância magnética fornece apenas informações anatómicas sobre o tumor cerebral”, disse Chris Pacia, estudante de doutorado em engenharia biomédica e autor do estudo, em comunicado. “O FUS-LBx pode ser integrado na prática clínica futura como um complemento à ressonância magnética e biopsias de tecido para fornecer informações moleculares do tumor.”

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“O impacto potencial desta técnica pode ser enorme – e não só para o diagnóstico de tumor cerebral. Este método pode ser aplicado ao diagnóstico de outras doenças cerebrais”, explicou Chen.

Agora, a equipa de Chen quer fazer mais estudos para entender melhor e optimizar a tecnologia enquanto se prepara para testes clínicos em humanos.

Este estudo foi publicado em maio na revista científica Nature.

ZAP //

Por ZAP
11 Agosto, 2020

 

283: Cientistas “congelam” cancro para que a doença não se espalhe

 

National Cancer Institute / NIH

Recorrendo a uma estratégia inédita, cientistas do Instituto OHSU Knight Cancer, em Oregon, nos Estados Unidos, conseguiram “congelar” células cancerígenas em cobaias. Através de uma nova molécula, travaram o movimento das células, impedido assim que o tumor se alastrasse para o resto do corpo.

A nova pesquisa, publicada o mês passado na revista Nature Communications, explica que esta é uma mudança na perspectiva na longa batalha contra o cancro. Actualmente, os grandes esforços para combater o cancro concentravam-se mais em matar o tumor.

Os novos testes foram realizados em cobaias com a molécula KBU2046, um composto capaz de inibir o movimento de células cancerígenas de mama, próstata, colo, recto e pulmão.

“Estamos a estudar uma maneira completamente diferente de tratar o cancro”, disse em comunicado Raymond Bergan, professor de oncologia médica no instituto.

O cientista explicou que, juntamente com a sua equipa, fizeram diversos estudos químicos para pensar num composto que só inibisse o movimento das células cancerígenas, não causando qualquer dano ou efeitos nas células saudáveis.

Bergan refere ainda que o laboratório de Karl Scheidt – professor de Química e Farmacologia na Universidade de Northwestern – foi o responsável por pensar em novos compostos que pudessem impedir a motilidade dos tumores. O grande desafio passava por encontrar substâncias com poucos efeitos colaterais.

“Começamos com uma substância química que impedia o movimento das células. Depois, sintetizámos o composto várias vezes para que fizesse um trabalho perfeito – mobilizar as células sem causar efeitos colaterais”, explicou Karl Scheidt.

Scheidt explica que a molécula KBU2046 liga-se às proteínas das células de forma específica, garantindo assim que só impede o movimento. Não há outra qualquer acção sobre as estruturas celulares, o que minimiza os efeitos colaterais e a toxicidade. “Levámos anos para a descobrir”, comemora.

Kristyna Wentz-Graff / OHSU
Ryan Gordon e Raymond Bergan com membros de sua equipe

Os investigadores esperam que a molécula possa ser administrada em cancros em fases iniciais, tendo diminuir ao máximo que o tumor se espalhe para o resto do corpo, tornando a doença intratável.

Serão agora necessários, segundo os cientistas, dois anos e cerca de 5 milhões de euros para que os primeiros testes possam ser aplicados em humanos.

Por ZAP
20 Agosto, 2018

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277: Número de casos de cancro vai aumentar 58% até 2035

 

Annie Cavanagh / Wellcome Images
Células cancerígenas

O número de casos de cancro vai aumentar 58% em menos de 20 anos. O estilo de vida é um dos principais responsáveis deste aumento.

Um relatório recente do Fundo Mundial para a Pesquisa do Cancro, divulgado esta quinta-feira, estima que o número de novos casos de cancro deverá aumentar 58% em 2035, à medida que mais países adoptam estilos de vida “ocidentais”.

O documento junta recomendações sobre a prevenção do cancro baseadas em evidências, muitas delas relacionadas com o excesso de peso e os hábitos alimentares.

De acordo com o documento, o excesso de peso ou a obesidade estão na origem de pelo menos 12 tipos de cancro, mais cinco do que o Fundo referia há uma década. Ao cancro do fígado, ovários, próstata, estômago, boca e garganta (boca, faringe e laringe) junta-se o cancro do intestino, mama, vesícula biliar, rins, esófago, pâncreas e útero.

Enquanto que o risco de cancro aumenta se ingerirmos regularmente bebidas com açúcar, ser fisicamente activo pode ajudar a proteger contra três tipos de cancro – intestino, mama e útero – e ajuda a manter um peso saudável. O relatório refere ainda a importância de uma dieta rica em legumes e frutas e pobre em carnes vermelhas e processadas.

Além disso, alerta para que o consumo de álcool está fortemente ligado ao risco de contrair seis tipos de cancro como o de estômago, intestino, mama, fígado, boca e garganta e esófago.

Os autores do trabalho notam ainda que estilos de vida sedentários e com uma alimentação rápida e processada estão a levar a “aumentos dramáticos” de casos de cancro em todo o mundo, e salientam que uma em cada seis mortes no mundo se deve ao cancro.

“À medida que mais países adoptam estilos de vida ocidentais o número de novos casos de cancro deverá aumentar 58% para 24 milhões de pessoas no mundo em 2035“, refere o relatório hoje divulgado.

Com o título “Dieta, Nutrição, Actividade Física e Cancro, uma Perspectiva Global”, o documento providencia um pacote de comportamentos que sendo seguidos podem permitir uma vida mais saudável e menos probabilidade de cancro.

Com mais de 3,7 milhões de casos e 1,9 milhões de mortes por ano, o cancro representa a segunda causa de morte e morbilidade na Europa.

ZAP // Lusa

Por Lusa
24 Maio, 2018

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– Só que estes idiotas, esquecem-se (ou não?) que o maior contributo para o aparecimento de cancro, seja ele de que tipo for, está situado principalmente no ar poluído que respiramos, nos químicos que entram em tudo o que comemos e bebemos, sendo o resto uma ajuda para o aparecimento desta terrível doença.

203: Turno da noite pode ter consequências bem mais graves do que os sonos trocados

 

Bastam cinco anos em turnos nocturnos rotativos para se verificar uma redução da esperança média de vida e um aumento do risco de morrer de acidente cardiovascular. E as mulheres são as mais afectadas

visao16012015Um estudo recente publicado na revista científica American Journal of Preventive Medicine, chegou à conclusão que as mulheres que trabalham em turnos nocturnos rotativos durante cinco anos ou mais experienciam não só uma redução da média de vida, como também aumentam o risco de morrer de acidente cardiovascular. O estudo salienta ainda que aquelas que trabalham 15 anos ou mais na mesma situação estão mais propensos a morrer de cancro de pulmão.

Os cientistas definiram como turno rotativo “trabalhar pelo menos três noites por mês, para além dos dias ou fins de tarde desse mesmo mês”.

Para a realização desta investigação a equipa monitorizou cerca de 75 mil mulheres enfermeiras nos Estados Unidos, a quem interrogaram sobre o número de anos que trabalharam nesse regime.

Das observações retiradas do estudo feito entre 1988 e 2010, a primeira nota é a de que cerca de 14.200 mulheres enfermeiras morreram nesses 22 anos analisados, o que representa 11% na redução do tempo médio de vida. O risco de morte por acidente cardiovascular era de 19% nas mulheres que fizeram esse turno entre seis a 14 anos; e a percentagem dos que trabalharam nesse regime durante 15 ou mais anos subiu para 23%. As mulheres que trabalharam em turno rotativo da madrugada durante mais de 15 anos tinham, por outro lado,  um risco em morrer por cancro de pulmão 25% superior.

Investigações anteriores já haviam feito a ligação entre os turnos da noite e o decréscimo na qualidade da saúde. A Organização Mundial de Saúde comparou em 2007 os turnos da noite aos riscos cancerígenos presentes no tabaco. Esta relação foi explicada pela associação deste trabalho ao aumento de problemas cerebrais e de coração.

In Visão online
16:45 Sexta feira, 16 de Janeiro de 2015

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