207: A resposta para a luta contra a diabetes pode estar numa planta

 

DIABETES

Harmina é um composto extraído de uma planta do Médio Oriente e da videira. A descoberta acontece 50 anos depois de uma experiência semelhante que desvendou o medicamento mais eficaz contra o cancro.

observador10032015A batalha entre a medicina natural e a medicina tradicional já vai longa e os apologistas de cada uma delas não hesitam em apontar lacunas uma à outra. Mas a verdade é que cada vez mais que ambas se completam.

Uma equipa internacional de cientistas experimentou 100 mil remédios a fim de desvendar o mais eficaz na luta contra a diabetes. Conclusão: o melhor é um composto de nome harmina, que é extraída de uma planta do Médio Oriente e das videiras sul americanas. A explicação está publicada no El País.

A diabetes afecta 38 milhões de pessoas no mundo. Acontece quando as células beta do pâncreas deixam de fabricar insulina. Como consequência, os diabéticos tornam-se incapazes de controlar os níveis de açúcar sanguíneos, pelo que são obrigados a injectar insulina para compensar.

A solução que a comunidade científica procura passa por ser capaz de multiplicar as células beta produzidas pelo pâncreas dos doentes. Segundo os investigadores do Hospital Monte Sinai, em Nova Iorque, a molécula de harmina aumentou em três vezes essa produção de células beta em ratos geneticamente modificados para processar a informação da diabetes humana.

A descoberta foi possível graças a um sensor microscópico, através de um gene luminescente que brilhava perante a actuação de uma proteína responsável pela divisão celular. Das 100 mil amostras, 86 provocaram a expressão do gene, mas apenas a harmina provocou a proliferação das células.

O impacto terapêutico deste alcalóide é confirmado pelo biólogo Adolfo García Ocaña. O cientista afirma que a harmina pode ter efeitos noutros órgãos, pelo que um dos próximos passos é torná-lo mais preciso na actuação. O composto actua sobre uma proteína que impulsiona a divisão de outras células. Os investigadores acreditam que esta interacção aumentaria os níveis de outros promotores da divisão celular.

Segundo Andrew Stewart, autor da investigação e director do Instituto de Diabetes, Obesidade e Metabolismo do Hospital, “ainda há muito trabalho para aumentar a especificidade e potencial da harmina e dos compostos relacionados, mas os resultados são uma peça chave para o futuro do tratamento da diabetes”.

A descoberta surge cinquenta anos depois da experiência que revelou o medicamento mais eficaz na luta contra o cancro, o Paclitaxel, numa altura em que o Instituto Nacional do Cancro dos Estados Unidos da América decidiu investigar a actividade anti-tumoral de 35 mil plantas.

Jornal Observador online
10/03/2015

195: Alzheimer e esquizofrenia vêm da mesma parte do cérebro?

 

Estudo

Um estudo da Universidade de Oxford mostrou que as mesmas regiões do cérebro poderão ser responsáveis pelo desenvolvimento por duas doenças distintas: o Alzheimer e a Esquizofrenia.

observador25112014Esquizofrenia e Alzheimer. A primeira é uma doença mental, a forma mais comum de demência. A outra é uma psicopatologia com carácter degenerativo. E, ao que parece, a mesma parte do cérebro poderá ser responsável pelo desenvolvimento de ambas as doenças — e que, por norma, é a primeira a mostrar sinais neuro-degenerativos, afirma um estudo elaborado pelo Centro Funcional de Imagem por Ressonância Magnética (MRC) da Universidade de Oxford, em Inglaterra.

O estudo, publicado esta terça-feira no Proceedings of the National Academy (PNAS), um jornal científico norte-americano, aponta que a região em questão está na massa cinzenta do cérebro, sendo “rica em ligações entre células nervosas”, escreveu o site Medical News Today.

Esta parte do cérebro, aliás, apenas se desenvolve na fase tardia da adolescência ou no início da idade adulta, estando ligada à capacidade intelectual e à memória a longo prazo: aptidões que são afectadas pela esquizofrenia e o Alzheimer. E como descobriram isto os investigadores? Realizando ressonâncias magnéticas aos cérebros de 484 pessoas saudáveis, entre os oito e os 85 anos.

Os resultados, lá está, mostraram que, na maioria das pessoas, a última região do cérebro a desenvolver-se era também a primeira a aparentar sinais de declínio com a idade. Depois, quando os investigadores compararam estes resultados aos de ressonâncias magnéticas efectuadas em pacientes de esquizofrenia ou Alzheimer, descobriram que o mesmo acontecia.

E, sobretudo, na mesma região do cérebro. “Os nossos resultados mostram que algumas partes específicas do cérebro não só se desenvolvem mais lentamente, como também se degeneram mais rápido. E são estas que parecem estar mais vulneráveis do que o restante cérebro à esquizofrenia e ao Alzheimer”, explicou Gwenaëlle Douaud, investigador que coordenou o estudo, apesar de ressalvar que “as duas doenças terem origens distintas e surgirem em alturas da vida quase opostas”.

Estes resultados poderão abrir o caminho para que estudos posteriores testem a possibilidade de diagnosticar mais cedo estas duas doenças. “Antigamente, os médicos chamavam ‘demência prematura’ à Esquizofrenia e agora temos uma evidência clara de que as mesmas partes do cérebro podem estar associadas a doenças diferentes”, disse Hugh Perry, um dos investigadores do MRC, à BBC.

In Observador online
25/11/2014, 21:59

189: Lavar as mãos é a melhor vacina

 

Dia mundial da lavagem das mãos

Lavar as mãos com sabão é uma das ‘vacinas’ mais baratas e eficazes contra doenças virais. Na véspera do Dia Mundial da Lavagem das Mãos, o Observador fez um vídeo onde explica como lavar bem as mãos.

observador14102014Parece um fait divers, mas lavar as mãos é tão importante para a saúde que a Organização das Nações Unidas instituiu, em 2008, o dia 15 de Outubro como o Dia Mundial da Lavagem das Mãos. À medida que a resposta ao ébola tem vindo a afectar os serviços de saúde nos países atingidos, lavar as mãos pode ser fundamental para a contenção de doenças virais, avisa a UNICEF.

“Lavar as mãos com sabão é uma das ‘vacinas’ mais baratas e eficazes contra doenças virais, desde a gripe sazonal, à constipação mais comum,” afirmou Sanjay Wijesekera, responsável dos programas de água, saneamento e higiene da UNICEF. “As nossas equipas no terreno na Serra Leoa, Libéria e Guiné estão a reforçar a importância de lavar as mãos como parte de uma série de medidas necessárias para travar a propagação do ébola. Não é uma fórmula mágica, mas é um meio de defesa adicional que é barato e facilmente disponibilizado”, explicou, em comunicado.

Mas nem só nos países africanos é que lavar bem as mãos é fundamental. As mãos devem ser lavadas com água e sabão principalmente antes e depois das refeições, após ir à casa de banho, antes de preparar alimentos, de pegar em bebés e de coçar os olhos, de mexer com dinheiro e animais, ao tossir ou espirrar. O Observador explica os passos a seguir: (vídeo no online não passível de ser aqui reproduzido).

observador14102014_02Só em 2013, mais de 340 mil crianças com menos de cinco anos morreram de doenças diarreicas devido à falta de água segura para consumo, saneamento e higiene básica. São quase mil por dia. A UNICEF distribuiu artigos de protecção, tais como fatos, luvas e lixívia, bem como 1,5 milhões de barras de sabão na Serra Leoa, e vários milhões na Libéria e na Guiné.

Depois, é preciso não esquecer a sua importância. Para lembrar o contributo da lavagem das mãos com sabão na prevenção de doenças comuns, mas potencialmente fatais, tais como a diarreia, há algumas actividades preparadas um pouco por todo o mundo para o Dia Mundial da Lavagem das Mãos. No Sri Lanka, por exemplo, mais de 38 mil alunos de 96 escolas vão participar em eventos no âmbito desta iniciativa juntamente com políticos e membros da sociedade. No Líbano, a mensagem ‘Proteja a sua saúde; lave as mãos’ vai ser enviada por SMS a centenas de pessoas. No Mali, vai decorrer uma campanha nacional nos media, bem como acções de lavagem das mãos e distribuição de barras de sabão em dezenas de escolas. Estão também a ser organizados vários eventos na Gâmbia, na Nigéria e no Camboja, entre outros países.

In Observador online
14/10/2014, 20:31

188: Esqueci-me! Dicas para não perder a memória

 

saúde mental

Todos os anos perdemos cerca de 0,5% da massa cinzenta o que significa que aos 90 anos já perdemos 1/3 do cérebro. Cientistas já encontraram formas de reverter deterioração.

observador05102014

Exercitar a memória pode reverter a deterioração da massa cinzenta AFP/Getty Images

Já sofreu lapsos de memória? Um simples nome, uma palavra que, de repente, escapa? Uma equipa de cientistas, que tem no Youtube um conjunto de vídeos sobre o cérebro, explica que todos os anos perdemos 0,5% do volume do cérebro, o que significa que aos 90 anos de idade já perdemos cerca de 1/3 da massa cinzenta. Mas a comunidade científica já fez algumas investigações que mostram como é possível reverter este processo de deterioração cerebral associado ao envelhecimento.

A equipa “Head Squeeze” explica que há certas zonas do cérebro que podem adaptar-se e, até, crescer. E lembra um estudo, feito em 2000, com taxistas e condutores de autocarros britânicos. E mostravam que quatro anos a conduzir pelas 25 mil ruas de Londres aumentavam o hipocampo, a região do cérebro responsável pela memória. O que não se verificou com os condutores de autocarros, que faziam percursos predefinidos. Os cientistas concluíram que ao memorizar os mapas de de Londres, o cérebro constrói “conexões sinápticas” que permitem às células cerebrais comunicarem umas com as outras. Ou seja, é possível treinar o cérebro para compensar o declínio neuronal. Basta manter-se mentalmente ativo.

Desafiar o cérebro pode ser uma das formas de combater a deterioração. Aqui estão algumas dicas de como o poderá fazer:

1. Optar por actividades tradicionais como aprender a tocar um instrumento musical.

2. Aprender uma língua estrangeira, também pode manter o cérebro mais activo.

3. Fazer exercício físico e uma dieta alimentar saudável podem prevenir a demência.

4. Uma vida social activa. Estar e falar com outras pessoas excita os neurónios e preserva as sinapses (regiões de contacto entre dois neurónios).

5. Uma boa noite de sono. Descansar faz bem.

O vídeo da Head Squeeze integra um conjunto de vídeos produzidos em parceria com o projecto da União Europeia “Hello Brain“, que fornece informações várias sobre o funcionamento do cérebro e a saúde mental, explica a BBC.

In Observador online
5/10/2014, 11:08

Dormir mal aumenta o risco de suicídio nos idosos

 

perturbações de sono

As noites mal dormidas afectam a nível cognitivo e emocional, mas podem constituir um factor de risco de suicídio — especialmente nos indivíduos mais velhos.

observador13082014Não são apenas as depressões que levam ao suicídio. Noites mal dormidas aumentam o risco em quase uma vez e meia de indivíduos mais velhos porem termo à vida, segundo um estudo publicado esta quarta-feira na revista científica JAMA Psychiatry. “Os resultados indicam que a baixa qualidade de sono está associado ao risco de morte por suicídio dez anos mais tarde, mesmo depois da correcção dos sintomas depressivos”, conclui a equipa de cientistas norte-americana.

Os dois factores prevalentes em relação ao risco de suicídio encontrados foram a dificuldade em adormecer e sonos não-reparadores. As noites mal dormidas aumentam 1,4 vezes o risco de suicídio, revela o estudo conduzido por Rebecca Bernert, investigadora no Centro de Distúrbios Emocionais da Escola Médica da Universidade de Stanford, na Califórnia (Estados Unidos).

Os investigadores tinham uma amostra de mais de 14 mil indivíduos com idades superiores a 65 anos seguidos ao longo de dez anos (de 1981 a 1991) com objectivo de estabelecer, pela primeira vez, uma relação entre a fraca qualidade de sono detectada na primeira entrevista e o risco de cometer suicídio ao longo do período do estudo. Pretendiam avaliar as noites mal dormidas como um factor único e não enquanto uma consequência da depressão, porque se tornaria difícil distinguir qual a causa em caso de suicídio.

Um milhão de mortes por suicídio

Ao longo dos 10 anos, a equipa de cientistas obteve dados suficientes de 20 casos de suicídio. Cada um deles foi comparado com 20 indivíduos-controlo escolhidos ao acaso, totalizando 420 doentes estudados. Os indivíduos com problemas de sono, causados tanto por insónias, como por pesadelos ou sonos pouco profundos, mostraram ter um risco de suicídio 1,4 vezes maior que os indivíduos-controlo, mas também um risco 1,2 maior que os indivíduos que apresentavam outros sintomas de depressão. Os suicídios ocorreram em média dois anos após a entrevista inicial.

Neste estudo a má qualidade do sono parece ser um factor que influencia mais o suicídio do que os sintomas depressivos, referem os autores, alertando, porém, que estas duas situações combinadas tornam o risco ainda maior. Os investigadores crêem ainda que as perturbações de sono podem conduzir ao suicídio porque criam problemas cognitivos e emocionais.

A idade dos participantes está relacionada com as queixas que surgem mais tarde na vida dos indivíduos e com a taxa desproporcionalmente alta de idosos que se suicidam comparado com a população em geral. Os adultos mais velhos também tendem a escolher métodos mais letais nas tentativas de suicídio. Actualmente, morrem todos os anos por suicídio um milhão de pessoas no mundo, constituindo 57% do casos de morte violenta.

In Observador online
13/08/2014

Nova técnica pode acabar com o uso das brocas no dentista

 

Investigação

Treme de pavor de cada vez que tem de se sentar na cadeira do dentista para enfrentar a maldita broca? Investigadores do King’s College, em Londres, descobriram uma solução.

observador16062014Investigadores do King’s College of London desenvolveram uma nova técnica de tratamento dentário que pode vir a acabar como uso da broca no dentista, fazendo com que o dente se regenere a ele mesmo. De acordo com a imprensa internacional, a técnica, que pode chegar aos consultórios dentro de três anos, acelera o movimento natural de cálcio e minerais no dente danificado.

Passa por aplicar um ‘cocktail’ de minerais e, em seguida, usar uma pequena corrente eléctrica para os accionar em profundidade no dente. Esta mineralização eléctrica, um processo que não induz dor, pode reduzir a cárie dentária e evitar injecções ou a perfuração com as brocas habitualmente usadas para tratar dentes infectados, que são muitas vezes motivo de receio no momento de consultar o dentista.

Contudo, segundo Nigel Pitts, um dos investigadores, a técnica não poderá vir a ser aplicada em grandes cáries, consideradas em “fase terminal”. Citado pela cadeia BBC, Nigel Pitts afirmou que foi já criada uma empresa para converter esta tecnologia num produto comerciável e que poderá chegar aos consultórios dentro de cerca de três anos.

Observador
16/06/2014

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