233: Tomou um medicamento e teve um efeito secundário? Por favor, diga

 

Em Portugal, há 10 reacções adversas por dia a medicamentos, mas são poucos os doentes que as reportam.

Foto: Lusa

Foto: Lusa

A Autoridade Nacional do Medicamento e Produtos de Saúde (Infarmed) lança esta segunda-feira uma campanha de sensibilização para a importância de lerem as bulas dos medicamentos e declararem todos os efeitos secundários que surjam.

De acordo com os últimos dados, são poucas as vezes em que doentes ou familiares tomam a iniciativa de comunicar as suas queixas ao regulador.

No primeiro semestre, foram notificadas 2.602 reacções adversas, das quais 1.920 eram graves. Apenas 150 destas notificações partiram dos doentes.

A maioria dos efeitos estava relacionada com medicamentos para o tratamento do cancro (quimioterapia), antivirais, imunosupressores, antibióticos e vacinas.

Porque “notificar efeitos secundários torna os medicamentos + seguros”, o Infarmed lança uma campanha de sensibilização nas redes sociais. E porque o problema da falta de notificações por parte do doente não é apenas português, foi desenvolvido o projecto europeu SCOPE – Strenghtening Collaboration for Operating Pharmacovigilance in Europe, no qual participam 22 países (como Portugal) e a Agência Europeia do Medicamento.

Entre 2012 e 2016, registou-se alguma evolução positiva no número de doentes que participa as reacções adversas sentidas, mas ainda abaixo do desejável.

Rádio Renascença
07 nov, 2016 – 08:13

150: Portugueses consumiram três milhões de Omeprazol em 2013, medicamento pode ser prejudicial

 

O fármaco é usado no tratamento da úlcera gástrica e da doença do refluxo gastro-esofágico. A ingestão prolongada deste fármaco e de outros semelhantes pode levar a uma carência da vitamina B12, osteoporose ou o retardamento de diagnósticos graves entre outros.

tsf29052014Os portugueses consumiram em 2013 quase três milhões de unidades de omeprazol, um medicamento para o tratamento da úlcera gástrica e da doença do refluxo gastro-esofágico, mas cuja utilização prolongada sem indicação clínica pode ser prejudicial.

Dados da Consultora IMS Health, a que a Lusa teve acesso, revelam que no ano passado foram consumidas 2.973.591 unidades de omeprazol, no valor de 13.447.694 euros.

Nos últimos anos tem-se assistido a um crescimento acentuado do consumo deste fármaco, de tal forma que, em 2008, a autoridade que regula o sector (Infarmed) decidiu investigar o seu «consumo excessivo».

Apesar deste aumento – o crescimento abrandou em 2010 — o valor gasto na compra destes fármacos baixou significativamente, passando de 77.153.835 euros por 2.407.520 unidades, em 2007, para 13.447.694 euros por 2.973.591 unidades, em 2013.

A diminuição do preço, associado a um desconhecimento sobre as verdadeiras indicações deste fármaco, bem como os riscos que podem resultar de uma toma prolongada, são razões apontadas por gastroenterologista Hermano Gouveia para o aumento deste consumo.

Este dirigente da Sociedade Portuguesa de Gastroenterologia (SPG) disse à agência Lusa que a organização está atenta a este fenómeno e que há algum tempo estuda o seu impacto na saúde, sempre que a toma não tem justificação clínica.

«É um medicamento seguro, mas que está a ser sobre-utilizado», disse, afirmando que há quem o use como protector gástrico quando estão a tomar outros fármacos, mas sem necessidade, pois nem todos os medicamentos são lesivos para a mucosa do estômago.

Além disso, acrescentou, o facto deste fármaco ser um protector gástrico não significa que seja esta a sua indicação médica e muito menos como minimizador de efeitos associados a indisposições gástricas.

Um estudo recentemente publicado na revista científica da Associação de Médicos Americanos atribuiu à ingestão prolongada deste fármaco e de outros semelhantes uma carência da vitamina B12.

A investigação refere que as pessoas que tomaram diariamente um medicamento do grupo do omeprazol durante dois ou mais anos tinham 65 por cento mais de probabilidades de ter níveis baixos de vitamina B12, que tem um papel importante na formação de novas células, do que os que não ingeriram o fármaco.

Confrontado com este estudo, o Infarmed indicou que «a possibilidade de redução da absorção da vitamina B12 em terapêuticas a longo prazo com omeprazol foi já identificada há vários anos, especificamente actualizada na informação do medicamento desde procedimento de arbitragem a nível europeu em 2010».

Além desta carência vitamínica, Hermano Gouveia refere outros riscos da toma prolongada de omeprazol, como a osteoporose ou o retardamento de diagnósticos graves, por estes estarem «disfarçados» com o efeito do fármaco.

O especialista alerta ainda para o risco acrescido de infecções e, logo, maior incidência de sintomas como diarreias.

Para Hermano Gouveia, o medicamento pode e deve ser utilizado, mas desde que prescrito por médico após avaliação clínica e nunca por iniciativa da pessoa.

A este propósito, lembrou que, apesar do omeprazol ser um medicamento de receita médica obrigatória, pode ser adquirido sem necessidade de prescrição em doses mais baixas, o que não diminui o risco.

In TSF online
Lusa
Publicado 29/05/2014 às 11:39

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