139: Investigação pioneira desenvolvida em Coimbra

 

Demência fronto-temporal

Investigadores da Universidade de Coimbra (UC) estão a desenvolver um estudo pioneiro sobre os mecanismos da demência fronto-temporal “a segunda mais comum das demências”, anunciou hoje aquela instituição.

dn17032014“Pela primeira vez, em Portugal”, uma equipa de 14 investigadores da UC, através do Centro de Neurociências e Biologia Celular e da Faculdade de Medicina, está a “estudar os mecanismos envolvidos” na demência fronto-temporal, afirma a universidade, numa nota hoje distribuída.

A degenerescência lobar fronto-temporal, também conhecida por demência fronto-temporal, é uma “patologia com grandes implicações no comportamento” — que “afecta sobretudo o ‘centro de decisão’ do cérebro (os lobos fronto-temporal)” — e, apesar de ser a segunda demência mais comum, a seguir à doença de Alzheimer, “é ainda praticamente desconhecida”.

Os primeiros resultados do estudo, que envolve 70 doentes seguidos na consulta de demências, coordenada pela neurologista Isabel Santana, do Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra, revelaram “profundas alterações ao nível do complexo 1 da cadeia respiratória mitocondrial”, em comparação com “um grupo controlo constituído por voluntários saudáveis”.

Em 69 dos 70 doentes acompanhados foram verificadas “deficiências genéticas e bioenergéticas”, enquanto em 40 doentes foi observada uma “diminuição nos níveis de ATP circulantes”, que se “correlaciona com o decréscimo da actividade do complexo 1” da cadeia respiratória, refere Manuela Grazina, coordenadora do estudo e responsável pelo Laboratório de Bioquímica Genética da UC.

De forma simples, pode dizer-se que os investigadores “identificaram a ‘falha de energia’ que pode ajudar a esclarecer os mecanismos envolvidos na doença, ou seja, permite perceber onde é que o código está errado para, a partir daí, desenvolver formas de compensar ou reparar esse erro”.

A investigação, financiada pela Fundação para a Ciência e Tecnologia (FCT), pretende “ajudar no desenvolvimento de escalas neuropsicológicas de diagnóstico e análise de biomarcadores bigenómicos e bioquímicos, que permitam a detecção precoce da doença, e contribuir para novas abordagens terapêuticas que previnam e/ou travem a progressão” da demência fronto-temporal, uma doença complexa e sobre a qual se desconhecem “os mecanismos exactos subjacentes à sua etiologia”, sublinha a investigadora.

Apesar de não haver estudos sobre a incidência da patologia em Portugal, estima-se que a demência fronto-temporal representa 7% do conjunto das demências degenerativas na população com idades compreendidas entre os 45 anos e os 64 anos.

Este primeiro grande estudo de avaliação da interacção bigenómica (genomas mitocondrial e nuclear) na demência fronto-temporal conta com a colaboração do Baylor College of Medicine (EUA) e do Institute of Ageing and Health (Inglaterra).

In Diário de Notícias online
17/03/2014
por Lusa, texto publicado por Paula Mourato

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