151: Suspensão de despacho pode colocar saúde dos diabéticos em risco

 

Suspensão de despacho impede técnicos de ministrar injecção de glicose em casos de hipoglicemia. Especialistas contestam. “Até a avozinha, o pode fazer”, diz à Renascença um dirigente da Sociedade Portuguesa de Diabetologia.

Foto: DR

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A saúde dos diabéticos pode estar em risco, devido à suspensão provisória do despacho governamental que determina novas competências dos técnicos de ambulância e emergência.

A decisão de suspensão foi tomada pelo Tribunal Administrativo de Lisboa, em resultado de uma contestação da Ordem dos Enfermeiros, que interpôs uma providência cautelar, aceite pela juíza.

A suspensão impede os técnicos de administrar, mesmo que sob supervisão médica, uma injecção de glicose em vítimas de hipoglicemia, facto que Luis Gardete Correia, da Sociedade Portuguesa de Diabetologia, diz não entender.

Em declarações à Renascença, o especialista sustenta que o acto em questão “não contém riscos para o doente e pode, até, salvar vidas “. Luis Gardete Correia concluiu; “Esta decisão do tribunal não faz sentido”.

O dirigente da Sociedade Portuguesa de Diabetologia lembra que se trata de um acto de urgência, que, caso não seja praticado, “pode levar a danos ao nível do cérebro”.

O especialista sublinha que o procedimento costuma ser “usado pelo próprio doente” ou, quando este não tem condições para o fazer, a injecção é, muitas vezes, ministrada “por pessoas que estão à sua volta e que são ensinadas para isso”.

“Até a avózinha o pode fazer”, reforça.

In Rádio Renascença online
29-05-2014 11:00
por Teresa Almeida

132: Governo vai fazer levantamento de pessoas com demência a receber apoio

 

O Ministério da Solidariedade, Emprego e Segurança Social (MSESS) vai fazer um levantamento de todas as pessoas com demência e que já recebem apoio, seja domiciliário ou em lar, de forma a adequar as necessidades e os apoios existentes.

dd14022014Em comunicado enviado à agência Lusa, o MSESS adianta que vai “dinamizar um projecto-piloto para doentes com demências” em parceria com a União das Misericórdias Portuguesas (UMP), e que o protocolo para formalizar a iniciativa será assinado na próxima segunda-feira, dia 17 de Fevereiro.

“Esta iniciativa (…) pretende identificar a população com demência que já se encontra a receber cuidados em SAD [Serviço de Apoio Domiciliário] ou Lar, estabelecendo padrões de boas práticas com os recursos existentes, adequando o nível de cuidados a estas necessidades específicas”, diz o ministério.

Nesse sentido, o MSESS diz que identificou a unidade Bento XVI, em Fátima, pertencente à União das Misericórdias e especializada em doentes com Alzheimer, por esta dispor de “uma equipa de nível diferenciado”.

Segundo o ministério, o objectivo passa por “desenvolver modelos de intervenção” que possam ser disseminados, de modo a “assegurar no país a existência de unidades especializadas e de capacidade de resposta profissional, nos locais onde as pessoas com demência já vivem”.

Com o protocolo, o ministério diz pretender assegurar a formação, não só dos profissionais da unidade de Fátima, mas também de outras unidades e “dar resposta a pessoas com demências com manifestações secundárias e/ou fase de diagnóstico e correcção terapêutica”.

“Este projecto prevê um protocolo de parceria entre a UMP, a Associação Alzheimer de Portugal e a Direcção Geral da Saúde, sendo ainda financiado pelo POPH do actual QREN”, diz o MSESS, que, no entanto, não adianta valores.

A implementação do projecto irá decorrer durante o ano de 2014, até ao final do actual quadro comunitário, e, segundo o ministério, “vão ser realizadas acções de formação que favoreçam o desenvolvimento de competências, com componentes específicas nas vertentes cognitiva e de terapia relacional, a quem presta cuidados a pessoas com demência”.

A formação será feita de forma integrada e individualizada com as respectivas famílias, “de modo a prevenir ou reduzir os riscos da evolução da demência”.

A Unidade de Cuidados Continuados Bento recebeu os dois primeiros doentes a 06 de Novembro.

A unidade que integra a Rede Nacional de Cuidados Continuados e que foi apoiada pelo Estado em 750 mil euros tem como responsável clínico o professor catedrático de Psiquiatra da Faculdade de Ciências Médicas da Universidade Nova de Lisboa e director do Hospital do Mar, Caldas Almeida.

Cerca de 40 pessoas trabalham na Unidade de Cuidados Continuados, entre enfermeiros, assistentes sociais, terapeutas da fala e ocupacionais, médicos e animadores.

Das 60 camas disponibilizadas pela unidade, 50 foram protocolizadas com o Estado para cuidados de média e longa duração.

Em maio de 2012, antes da assinatura do protocolo de arranque da unidade especializada em doentes com Alzheimer, o presidente da União das Misericórdias Portuguesas já tinha informado que o espaço também iria funcionar como um pólo de formação para quem trata e cuida destes doentes.

Dados da UMP mostravam, então, que o número de pessoas com demências em lares é cada vez maior, mas poucas pessoas sabem cuidar destes doentes, apontando-se para a existência em Portugal de 180 mil pessoas com demências, 95 mil das quais com Alzheimer.

Estima-se que estas doenças afectem cerca de 5% das pessoas com 65 anos, 20% das que têm 80 anos e oscilando entre os 25% a 30% entre os idosos com 90 anos ou mais.

In Diário Digital online
Diário Digital com Lusa
14/02/2014 | 17:06

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