555: Há pessoas que não conseguem “contar carneirinhos”. A culpa é de uma condição rara

 

SAÚDE/NEURO-CIÊNCIA/PSICOLOGIA

blende12 / Pixabay

Se pedissem para desenhar sala de estar dos seus avós, conseguiria? Para a maioria das pessoas, certos detalhes são fáceis de visualizar. Para outros, a tarefa seria quase impossível.

Em causa está uma condição rara chamada afantasia, que impede as pessoas que sofrem com ela de recriar facilmente imagens na sua mente.

“Alguns indivíduos com afantasia relataram que não entendem o que significa ‘contar carneirinhos’ antes de ir para a cama”, disse Wilma Bainbridge, professora assistente de psicologia da Universidade de Chicago, em comunicado. “Pensavam que era só uma expressão e nunca perceberam até à idade adulta que outras pessoas conseguiam realmente visualizar ovelhas sem vê-las.”

Bainbridge, que é especialista em neuro-ciência da percepção e da memória, decidiu quantificar experimentalmente as diferenças entre indivíduos afantásicos e aqueles com imagens típicas num conjunto específico de tarefas de memória visual. O objectivo era caracterizar melhor a afantasia, que é pouco estudada, e desvendar as diferenças entre o objecto e a memória espacial.

A investigadora e os colegas mostraram fotografias de três quartos a dezenas de indivíduos com imaginário típico e limitado. Em seguida, pediram aos participantes de ambos os grupos que desenhassem as salas, uma vez de memória e uma vez olhando para a fotografia.

Indivíduos com imaginário típico geralmente desenhavam os objectos mais salientes na sala com uma quantidade moderada de detalhes, como cores e elementos-chave de design. Indivíduos com afantasia tinham mais dificuldade – os desenhos eram geralmente mais simples e às vezes baseavam-se em descrições escritas. Por exemplo, escrever a palavra “janela” dentro do contorno de uma janela em vez de desenhar as vidraças.

Wilma Bainbridge / University of Chicago

“Uma possível explicação pode ser que, como pessoas com afantasia têm problemas com esta tarefa, contam com outras estratégias, como a codificação verbal do espaço”, disse Bainbridge. “As suas representações verbais e outras estratégias compensatórias podem realmente torná-los melhores em evitar memórias falsas.”

Em contraste, as pessoas com imaginário típico cometeram 14 erros e incluíram regularmente objectos que não estavam nas fotografias. Por exemplo, uma pessoa desenhou um piano numa sala de estar que continha apenas uma lareira, cadeiras e um sofá.

Bainbridge disse que isso pode ter acontecido porque estavam a usar as suas memórias visuais de outras salas de estar – algo que pessoas com afantasia não conseguiriam fazer.

Ambos os grupos desenharam mais objectos, não cometeram erros e pontuaram igualmente bem quando usaram as fotografias como referência, sugerindo que a diferença é real e específica da memória – não habilidade artística ou esforço.

O reconhecimento também não é afectado. As pessoas com afantasia sabiam que fotografias de quartos já tinham visto quando mostradas uma segunda vez e também reconhecem familiares e amigos – embora não consigam visualizar seus rostos sem vê-los.

A afantasia só apareceu recentemente como um fenómeno psicológico. Bainbridge disse que isso se deve em parte a pessoas famosas, incluindo Ed Catmull, co-fundador da Pixar, e Blake Ross, co-fundador do Firefox, que escreveram sobre a sua falta de experiência com imagens visuais, chamando a atenção para a doença.

Este estudo contribui para um crescente corpo de investigações que valida a afantasia como uma experiência e demonstra as principais diferenças entre o objecto e a memória espacial. Bainbridge espera continuar a explorar a afantasia conforme se manifesta no cérebro, usando a ressonância magnética para elucidar alguns dos mecanismos por trás da imaginação em indivíduos típicos e com afantasia.

Este estudo vai ser publicado em Fevereiro na revista científica Cortex.

Por Maria Campos
4 Janeiro, 2021

 

Falhas de memória? “Investigação sem precedentes” aponta dedo a molécula

 

Descoberta é determinante para o Alzheimer, doença incurável caracterizada pela perda de memória, nomeadamente “para o desenvolvimento de novos fármacos para o tratamento da demência mais comum”.

rr13012015Uma equipa de duas dezenas de investigadores de Portugal, Holanda, Estados Unidos e China acaba de identificar o “possível responsável pelo surgimento de problemas de memória”.

A equipa descobriu que “os receptores A2A para a adenosina” têm “um papel crucial no surgimento de problemas de memória”, anunciou a Universidade de Coimbra, esta terça-feira.

A adenosina é a “molécula que funciona como sinal de stress no funcionamento de vários sistemas do organismo, especialmente no cérebro”.

Esta é uma “investigação sem precedentes”, sublinha a universidade, adiantando que o estudo, envolvendo especialistas da Faculdade de Medicina e do Centro de Neurociências e Biologia Celular da UC, vai ser publicado no Molecular Psychiatry, “o mais importante jornal internacional da área da psiquiatria”.

A investigação, desenvolvida com “modelos animais (ratinhos) saudáveis”, permitiu verificar, pela primeira vez, que o funcionamento em excesso dos receptores A2A (“localizados na membrana dos neurónios”) é “suficiente para causar distúrbios na memória”, salienta a mesma nota.

Para conseguir a máxima precisão na informação sobre o comportamento dos ratinhos durante as experiências, os especialistas de Coimbra envolvidos no estudo criaram “um dispositivo inovador para, através da utilização de uma técnica de optogenética (técnica que não existe na natureza e que utiliza a luz para actuar e controlar ocorrências específicas em sistemas biológicos), activar este receptor de adenosina e controlar de forma única o comportamento dos circuitos neuronais”.

Assim, “no exacto momento em que os modelos animais desempenhavam as tarefas de memória, foi possível verificar, inequivocamente, que uma simples activação intensa do receptor A2A era suficiente para provocar danos no circuito e gerar problemas de memória”, explica Rodrigo Cunha, coordenador da equipa portuguesa.

Esta descoberta é determinante para o Alzheimer, doença incurável caracterizada pela perda de memória, nomeadamente “para o desenvolvimento de novos fármacos para o tratamento da demência mais comum”, sustenta o mesmo responsável.

“Os investigadores já sabem o caminho a seguir”, conclui Rodrigo Cunha, recordando que “seis anteriores estudos epidemiológicos (alguns europeus) distintos” já tinham confirmado que “o consumo de cafeína diminui a probabilidade de desenvolver Alzheimer e que age sobre os receptores A2A (a cafeína liga-se aos receptores e impede o perigo)”.

In Rádio Renascença online
13-01-2015 10:04

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188: Esqueci-me! Dicas para não perder a memória

 

saúde mental

Todos os anos perdemos cerca de 0,5% da massa cinzenta o que significa que aos 90 anos já perdemos 1/3 do cérebro. Cientistas já encontraram formas de reverter deterioração.

observador05102014

Exercitar a memória pode reverter a deterioração da massa cinzenta AFP/Getty Images

Já sofreu lapsos de memória? Um simples nome, uma palavra que, de repente, escapa? Uma equipa de cientistas, que tem no Youtube um conjunto de vídeos sobre o cérebro, explica que todos os anos perdemos 0,5% do volume do cérebro, o que significa que aos 90 anos de idade já perdemos cerca de 1/3 da massa cinzenta. Mas a comunidade científica já fez algumas investigações que mostram como é possível reverter este processo de deterioração cerebral associado ao envelhecimento.

A equipa “Head Squeeze” explica que há certas zonas do cérebro que podem adaptar-se e, até, crescer. E lembra um estudo, feito em 2000, com taxistas e condutores de autocarros britânicos. E mostravam que quatro anos a conduzir pelas 25 mil ruas de Londres aumentavam o hipocampo, a região do cérebro responsável pela memória. O que não se verificou com os condutores de autocarros, que faziam percursos predefinidos. Os cientistas concluíram que ao memorizar os mapas de de Londres, o cérebro constrói “conexões sinápticas” que permitem às células cerebrais comunicarem umas com as outras. Ou seja, é possível treinar o cérebro para compensar o declínio neuronal. Basta manter-se mentalmente ativo.

Desafiar o cérebro pode ser uma das formas de combater a deterioração. Aqui estão algumas dicas de como o poderá fazer:

1. Optar por actividades tradicionais como aprender a tocar um instrumento musical.

2. Aprender uma língua estrangeira, também pode manter o cérebro mais activo.

3. Fazer exercício físico e uma dieta alimentar saudável podem prevenir a demência.

4. Uma vida social activa. Estar e falar com outras pessoas excita os neurónios e preserva as sinapses (regiões de contacto entre dois neurónios).

5. Uma boa noite de sono. Descansar faz bem.

O vídeo da Head Squeeze integra um conjunto de vídeos produzidos em parceria com o projecto da União Europeia “Hello Brain“, que fornece informações várias sobre o funcionamento do cérebro e a saúde mental, explica a BBC.

In Observador online
5/10/2014, 11:08

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128: Criada aplicação para ajudar doentes com Alzheimer a manterem as suas memórias

 

Uma aplicação para Tablets, Android e IPads foi criada pela empresa Indra tendo em vista os doentes com Alzheimer e idosos. A app está em fase de teste final e tem como objectivo a conservação das nossas memórias…

dd07012014

«Trata-se de “Mis Recuerdos”, uma solução criada pelos especialistas do Software Lab da Indra em Salamanca, que, através da associação de imagens, vídeos, textos e músicas, aproxima o utilizador das pessoas (familiares, amigos ou cuidadores) e lugares que lhe são mais familiares», refere um comunicado da multinacional de consultoria e tecnologia, que acrescenta que a ferramenta encontra-se em fase de validação em ambiente real.

«A Indra está também neste momento a trabalhar no sentido de fornecer o acesso ao aplicativo através da cloud, disponibilizando assim todas as vantagens de redução de custos e ganhos de eficiência associados aos modelos de cloud computing

A empresa revela que a «facilidade e simplicidade de utilização» são os principais trunfos da app.

«O ecrã de boas-vindas apresenta um conteúdo aleatório (uma pessoa, um lugar ou uma memória) que liga à secção correspondente. Através do dispositivo, o utilizador acede aos conteúdos nas secções, que se apresentam em forma de registo, com um nome e uma descrição associados a uma série de imagens e vídeos, que se podem reproduzir directamente na aplicação. Por exemplo, a fotografia do filho do utilizador, com dados pessoais e profissionais e um link para um vídeo de uma celebração familiar.»

Mas a ferramenta apresenta outras aplicações, como revela o comunicado:

«A aplicação conta ainda com uma secção de músicas que podem ser reproduzidas com um simples clique, podendo também ser associadas a imagens para ajudar o utilizador a evocar as suas memórias. Por exemplo, pode associar a música favorita do utilizador (previamente gravada no dispositivo) a uma fotografia do casamento ou da esposa.

Outra das secções da aplicação, “Dados do Dia”, inclui breves notas que ajudam o utilizador a recordar as suas rotinas diárias e a obter um resumo do que fez no dia anterior. Para evitar a repetição de tarefas, o utilizador pode ir apagando as suas acções à medida que as vai concretizando, existindo também a opção de enviar automaticamente esta informação para os cuidadores, quando conectados aos respectivos sistemas de informação.

Outra contribuição muito importante desta aplicação é a ajuda na localização de pessoas, que se perderam, ou estão em risco de o fazer. Através do serviço “Perdi-me” o utilizador pode ligar ou enviar um SMS para uma pessoa de contacto predefinida, pedindo ajuda para que seja possível alguém ir buscá-lo.

Por outro lado, o dispositivo integra um serviço de localização, que envia um SMS de forma automática para a pessoa de contacto, sempre que o utilizador ultrapasse o perímetro previamente definido. A aplicação permite estabelecer um ponto de referência e uma distância máxima que o utilizador não pode ultrapassar. Se o fizer, o utilizador é notificado e é automaticamente enviado um SMS com a sua localização actual à pessoa de contacto. Para tal, apenas é necessário que o dispositivo esteja ligado à Internet e disponha de GPS.»

In Diário Digital online
07/01/2013

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