351: Uso frequente de desinfectante de mãos pode aumentar a resistência antimicrobiana

 

 

SAÚDE/CORONAVÍRUS

agenciasenado / Flickr

Melhores práticas de higiene pessoal são fundamentais para evitar a disseminação do novo coronavírus. No entanto, o uso excessivo de desinfectante para as mãos pode trazer consequências.

Desde o início da pandemia de coronavírus, cientistas e governos têm aconselhado as pessoas sobre as melhores práticas de higiene para se protegerem. Esse conselho levou a um aumento significativo na venda e no uso de produtos de limpeza e desinfectantes para as mãos. Infelizmente, estas instruções raramente vêm com conselhos sobre como usá-los com responsabilidade ou sobre as consequências do uso indevido.

Mas, tal como no uso indevido de antibióticos, o uso excessivo de produtos de limpeza e desinfectantes para as mãos pode levar à resistência anti-microbiana das bactérias.

Há uma preocupação de que o uso repentino e excessivo destes produtos durante a pandemia possa levar a um aumento no número de espécies bacterianas resistentes que encontramos. Isto colocaria uma pressão maior nos nossos sistemas de saúde já em dificuldades, potencialmente levando a mais mortes. Além disso, o problema pode continuar muito depois de a pandemia actual terminar.

Anti-microbianos são importantes para a nossa saúde, já que nos ajudam a combater infecções. No entanto, alguns organismos podem mudar ou sofrer mutações após serem expostos a um anti-microbiano. Isto torna-os capazes de suportar os medicamentos projectados para matá-los.

Os processos que levam à resistência anti-microbiana são muitos e variados. Uma via é através da mutação. Algumas mutações ocorrem após o ADN da bactéria ter sido danificado. Isto pode acontecer naturalmente durante a replicação celular ou após a exposição a produtos químicos tóxicos, que danificam o ADN da célula. Outra via é se a bactéria adquire genes resistentes de outra bactéria.

Geralmente (e correctamente) associamos a resistência anti-microbiana ao uso indevido de medicamentos, como antibióticos. Isto pode aumentar a probabilidade das cepas de bactérias mais resistentes numa população sobreviverem e multiplicarem-se.

Mas as bactérias também podem adquirir resistência após o uso inadequado ou excessivo de certos produtos químicos, incluindo agentes de limpeza. Diluir agentes desinfectantes ou usá-los de forma intermitente e ineficiente pode oferecer uma vantagem de sobrevivência para as cepas mais resistentes. Em última análise, isto leva a uma maior resistência.

Os “especialistas” da Internet e das redes sociais oferecem conselhos sobre como fazer desinfectantes caseiros para as mãos que, segundo eles, podem matar o vírus. Para a maioria destes produtos, não há evidências de que sejam eficazes. Também não há consideração sobre possíveis efeitos adversos do seu uso.

Por ZAP
21 Abril, 2020

 

 

305: Ressuscitada a bactéria da cólera que matou um soldado da I Guerra Mundial

 

State Library of South Australia / Flickr

As bactérias que provocaram um quadro grave de diarreia num soldado do Império Britânico na I Guerra Mundial acabam de voltar à vida.

Um grupo de cientistas britânicos ressuscitou-as e cultivou-as. O sequenciamento do seu genoma mostra que as bactérias que fizeram o militar ficar doente é diferente daquelas que causaram as últimas pandemias de cólera. Já tinha resistência aos antibióticos e sofreu uma mutação em todo este tempo em que esteve guardada.

O soldado, de quem não há registos do nome e posição, adoeceu em 1916, estando na frente oriental. Durante a convalescença num hospital militar em Alexandria, no Egipto, recolheram amostras das suas fezes, isolando as bactérias da espécie Vibrio cholerae, a causa da cólera.

Preservadas liofilizadas – desidratados por congelamento -, desde 1920, fazem parte da Colecção Nacional de Culturas de Tipo, um repositório público britânico com 5.100 variedades de bactérias. Esta é uma das mais antigas do género Vibrio.

Agora, conta o El País, microbiólogos do Instituto Wellcome Sanger e da saúde pública britânica recuperaram, descongelaram e cultivaram uma parte das amostras. Os investigadores analisaram, sequenciaram o seu genoma e compararam-no com o de outras 200 linhagens, uma comparação que provocou mais de uma surpresa.

Os resultados, publicados na revista Proceedings of the Royal Society B, mostram que esta antiga cepa, ainda um V. cholerae, está muito longe das duas variedades (sorotipos) que causaram todas as pandemias de cólera desde 1800, incluindo a sexta pandemia, que durante o I Guerra Mundial matou dezenas de milhares de soldados, especialmente as potências centrais.

Embora não possua os genes que codificam a toxina da cólera, possui elementos patogénico isolados, o que poderia ter causado o processo diarreico do soldado.

“Mesmo que esta amostra não cause um surto, é importante estudar tanto aqueles que causam doenças como aqueles que não o fazem”, disse o microbiólogo molecular Nicholas Thomson. “Portanto, esta amostra isolada do meio ambiente representa uma parte importante da história da cólera, uma doença que permanece tão importante hoje como nos séculos anteriores”, acrescenta.

Os autores acreditam que é a amostra viva da bactéria mais antiga da qual há evidências. Chamado NCTC 30, por ocupar essa posição na ordem do arquivo, é a única tirada dos 2.500 soldados britânicos que ficaram doentes com cólera durante toda a guerra, um número menor do que aqueles que afectaram os soldados austríacos, alemães e otomanos.

Além disso, o NCTC 30 é uma raridade. Desenvolve-se sem o flagelo bacteriano característico, um único apêndice que dá a sua motilidade às bactérias. De facto, quando vistas sob o microscópio, as bactérias não se movem.

“Descobrimos uma mutação num gene que é crítico para o desenvolvimento do flagelo, o que poderia explicá-lo”, referiu o investigador Matthew Dorman. As bactérias do soldado tinham o flagelo, por isso deve ter-se perdido desde então.

O NCTC 30 ainda tem uma última surpresa. Obtida em 1916, entre os seus genes existem alguns que codificam para defender-se contra a ampicilina, um antibiótico. Mais de uma década antes de Alexander Fleming encontrar a penicilina, a cepa já tinha desenvolvido resistência aos antibióticos. Esse achado confirma que as bactérias levam a vida inteira defendendo-se de outros microrganismos.

ZAP //

Por ZAP
14 Abril, 2019

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287: Descoberto antibiótico que pode combater as bactérias super-resistentes

 

massdistraction / Flickr

Um grupo de cientistas chineses sintetizou um complexo antibiótico que é eficaz contra as bactérias resistentes aos medicamentos actuais e é baseado num grupo de compostos descobertos na União Soviética na década de 40.

De acordo com a revista Chemical & Engineering News, este antibiótico é utilizado com sucesso em tratamentos experimentais contra infecções em humanos.

Os especialistas explicaram que se focaram nas moléculas de albomicina a partir da bactéria Streptomyces griseus, que se encontra no solo e se alimenta de restos de vegetais em decomposição, relata o estudo publicado esta semana na Nature Communications.

As albomicinas penetram no sistema de defesa das bactérias e atravessam a sua dupla membrana fosfolipídica de forma a torná-las inactivas.

Em 1955, o biólogo russo Georgy Gause desenvolveu um sistema também baseado nas albomicinas, que se mostrou eficaz em casos de pneumonia infantil e complicações derivadas da disenteria e sarampo, relata a British Medical Journal.

A sua natureza completamente atóxica foi confirmada quando o antibiótico foi utilizado em humanos durante práticas clínicas.

A nova pesquisa, liderada por Yun He, da Universidade de Chongqing, China, conseguiu sintetizar três albomicinas e uma delas – denominada delta-2 – tem-se mostrado altamente eficaz contra diferentes variedades da bactéria Streptococcus pneumoniae e Staphylococcus aureus, três das quais eram resistentes à meticilina.

Além disso, a albomicina delta demonstrou ser muito mais potente do que alguns dos antibióticos utilizados frequentemente, como, por exemplo, a penicilina.

Este composto ainda não está disponível para venda, mas proporciona um grande avanço em relação ao combate das bactérias multi-resistentes a antibióticos.

Por SN
9 Setembro, 2018

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240: Doze super-bactérias ameaçam a humanidade

 

Laboratório [Foto: Reuters]

Organização Mundial da Saúde publica lista e insta o mundo a criar novos medicamentos para combater agentes patogénicos que resistem aos antibióticos e que ameaçam levar a uma explosão de doenças incuráveis

A Organização Mundial da Saúde (OMS) instou esta segunda-feira o mundo a criar novos medicamentos para combater 12 super-bactérias que resistem aos antibióticos e que ameaçam levar a uma explosão de doenças incuráveis.

Os agentes patogénicos “prioritários”, de acordo com a lista da OMS, incluem germes que causam infecções mortais na corrente sanguínea, nos pulmões, cérebro ou aparelho urinário, e que não respondem a uma cada vez maior lista de medicamentos.

A resistência aos antibióticos está a crescer e estamos a ficar sem opções de tratamento”, afirmou Marie-Paule Kieny, directora-geral-adjunta da OMS e que publicou a lista, no topo da qual aparecem as ‘Acinetobacter baumannii’, um grupo de bactérias que provoca patologias diversas, que vão desde a pneumonia até infecções em feridas.

A responsável alertou que se funcionar apenas a lei do mercado os novos antibióticos não serão desenvolvidos a tempo, pelo que é necessário que os governos criem políticas para aumentar o financiamento público e privado na investigação de novos medicamentos.

A OMS já tinha advertido que se nada for feito numa era pós-antibiótico as infecções comuns ou pequenos ferimentos podem transformar-se em assassinos, considerando, em comunicado, que as bactérias podem desenvolver resistência aos fármacos quando as pessoas tomam doses incorrectas de antibióticos, e que estirpes resistentes podem ser contraídas directamente de animais, da água, do ar ou de outras pessoas.

Os germes da lista da OMS, que é dividida em três categorias e que inclui entre as bactérias mais preocupantes a “salmonella” e a “Staphylococcus aureus“, foram escolhidos com base na gravidade das infecções que causam, na facilidade com que se propagam, no número de fármacos em uso e nos novos antibióticos que estão a ser estudados.

Uma das prioridades são super-bactérias resistentes a antibióticos que estão muitas vezes em hospitais, clínicas e entre pacientes que dependem de ventiladores e cateteres.

Na lista estão também bactérias resistentes aos medicamentos e que causam doenças “mais comuns” como gonorreia ou intoxicação alimentar induzida por salmonela.

A lista será discutida com especialistas em saúde do grupo dos G20 (maiores economias mundiais), esta semana em Berlim.

TVI24
2017-02-27 18:49 / AR/PD

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Bactéria resistente aos antibióticos tem um ‘calcanhar de Aquiles’

 

Cientistas britânicos acreditam poder “desarmar” a bactéria E.coli

Reuters

Reuters

Os alertas têm sido constantes por parte dos responsáveis de saúde: a resistência aos antibióticos poderá levar a que dentro de 20 anos, até mesmo as intervenções cirúrgicas mais rotineiras sejam potencialmente fatais devido ao risco de infecção.

No entanto, a ameaça global poderá estar agora mais perto de ser dominada, com um grupo de cientistas da Universidade de East Anglia a anunciar, num estudo publicado na revista Nature, ter descoberto como a bactéria E.coli constrói a sua barreira impenetrável contra os antibióticos.

A equipa de investigadores acredita que dentro de poucos anos será possível ter um medicamento que “desligue” essa armadura, tornando a bactéria vulnerável.

“É um avanço muito significativo”, congratula-se o professor Changjiang Dong, da Universidade de East Anglia. “Muitas bactérias constroem uma defesa exterior que é importante para a sua sobrevivência e resistência aos medicamentos. Descobrimos uma forma de impedir isso”.

In Visão online
11:33 Quinta feira, 19 de Junho de 2014

116: Levantada interdição de banhos nas praias de Lisboa

 

Irritação cutânea

Fotografia © Carlos Santos/Global Imagens

Fotografia © Carlos Santos/Global Imagens

A Agência Portuguesa de Ambiente (APA) levantou hoje a interdição de banhos nas praias de Santo Amaro de Oeiras, Carcavelos, Torre e São João da Caparica, que tinha sido decidida depois de relatos de casos de irritação cutânea.

O levantamento da interdição foi decidido por não ter sido detectada uma relação causal entre a presença de micro-algas e as situações de irritação cutânea que foram registadas em várias praias.

Em conferência de imprensa, o presidente da APA, Nuno Lacasta, garantiu que não há contaminação das águas da Grande Lisboa e adiantou que estão a ser recolhidas amostras em várias praias, como Carcavelos, Santo Amaro, Torre, São João e CDS/São João da Caparica.

A prática de banhos pode assim ser retomada ainda que ao abrigo de medidas de protecção, recomendando a lavagem com água doce para as populações mais vulneráveis, como crianças e pessoas com alergias.

In Diário de Notícias online
15/07/2013
por Lusa, texto publicado por Sofia Fonseca

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