333: Uma simples constipação pode ser mortal (e há pessoas em maior risco do que outras)

 

SAÚDE

A maioria das pessoas sabe que a gripe pode matar. Porém, uma simples constipação também pode ser mortal – e há pessoas que estão em maior risco do que outras.

A constipação é um conjunto de sintomas – tosse, espirros, pingo do nariz, cansaço e febre – em vez de uma doença definida. Embora partilhe os sintomas iniciais da gripe, é uma infecção muito diferente.

O rinovírus causa cerca de metade de todas as constipações, mas outros vírus podem causar um ou mais sintomas de constipação, incluindo adenovírus, vírus da influenza, vírus sincicial respiratório e vírus da para-gripal.

A constipação comum é normalmente uma doença leve que desaparece sem tratamento em poucos dias. A maioria dos casos é diagnosticada por si mesma.

No entanto, a infecção por rinovírus ou um dos outros vírus responsáveis pelos sintomas comuns da constipação pode ser grave em algumas pessoas. As complicações causadas pela constipação podem causar doenças graves e até a morte – principalmente em pessoas que têm um sistema imunológico fraco.

Estudos mostraram que pacientes que foram submetidos a um transplante de medula óssea podem ter uma maior probabilidade de desenvolver uma infecção respiratória grave.

Há mais do que apenas uma forma de alguém ficar muito doente após a infecção por um vírus respiratório. Alguns vírus, como o adenovírus, também podem causar sintomas em todo o corpo, incluindo o trato gastro-intestinal, o trato urinário e o fígado. Outros vírus, como o vírus influenza, podem potencialmente causar inflamação grave nos pulmões, mas também podem levar a condições particularmente graves, como pneumonia bacteriana.

Uma infecção bacteriana induzida por vírus é uma das formas pelas quais um vírus da gripe ou constipação pode levar à morte. Enquanto os mecanismos exactos de como as infecções bacterianas podem ser iniciadas pela infecção viral ainda estão a ser investigados, uma possível forma de ocorrer é através do aumento da ligação bacteriana às células do pulmão.

Uma constipação também pode ter sintomas mais graves nos mais jovens e nos mais velhos. As pessoas mais velhas têm maior probabilidade de desenvolver uma infecção mais grave em comparação com adultos ou crianças mais velhas. As pessoas que fumam também têm maior probabilidade de apanhar uma constipação e apresentar sintomas mais graves.

Outro grupo de pessoas que são severamente afectadas pela infecção por vírus causadores da constipação são as pessoas que sofrem de alguma condição pulmonar, com asma, fibrose cística ou doença pulmonar obstrutiva crónica (DPOC). A infecção por um vírus que causa inflamação das vias aéreas pode dificultar a respiração.

Embora a infecção bacteriana nesses pacientes possa ser tratada com antibióticos, não existe tratamento antiviral eficaz contra todos os tipos de rinovírus.

Não existe um único elemento que determine a gravidade de uma infecção por um vírus da constipação. Porém, é uma das melhoras formas de evitar a doença é lavar as mãos adequadamente, que pode impedir a propagação de muitas infecções diferentes. Além disso, todos devem tomar a vacina contra a gripe.

ZAP // The Conversation

Por ZAP
11 Janeiro, 2020

 

332: Nova vacina contra o Alzheimer pronta para avançar para testes em humanos

 

CIÊNCIA/SAÚDE/ALZHEIMER

la_petite_mtx / Flickr

Uma nova vacina que previne a neuro-degeneração associada ao Alzheimer deverá começar a ser testada em humanos dentro dos próximos dois anos.

A comunidade científica antecipa com grande ansiedade uma nova vacina capaz de prevenir a neuro-degeneração associada à doença de Alzheimer. Depois dos testes em ratos terem sido um verdadeiro sucesso, esta vacina está agora pronta para avançar para os testes em humanos já nos próximos dois anos.

Segundo o New Atlas, caso a experiência em seres humanos tenha sucesso esperado, este pode bem ser o principal avanço científico da próxima década. O estudo com os resultados foi recentemente publicado na revista científica Alzheimer’s Research & Therapy.

A vacina desenvolvida pela equipa de investigadores do Instituto de Medicina Molecular da Universidade da Califórnia gera anticorpos que previnem e removem a agregação de amilóides e tau no cérebro. A acumulação destas duas proteínas é uma das principais causas patológicas associadas à neuro-degeneração.

No passado, vários tratamentos apenas se focavam numa destas proteínas. No entanto, acredita-se que o Alzheimer possa surgir da acumulação excessiva de ambas. Assim, este novo tratamento combina duas vacinas: a AV-1959R e a AV-1980R, cada uma focada numa das proteínas.

“Em animais, podemos usá-la para impedir o desenvolvimento da perda de memória antes que o animal comece a acumular estas proteínas”, disse Nikolai Petrovsky, um dos cientistas envolvidos no estudo. “Mas também podemos mostrar que, mesmo quando administramos após os animais terem as proteínas, podemos realmente livrarmo-nos das proteínas anormais”, acrescentou.

É um momento emocionante para começar a nova década — espero que este seja o avanço científico da próxima década, se conseguirmos que funcione nos testes humanos”, atirou Petrovsky.

ZAP //

Por ZAP
10 Janeiro, 2020

 

329: Medicamento para o acne com possível ligação ao suicídio de jovens é vendido em Portugal

 

SAÚDE/MEDICAMENTOS

Jpogi e André Teixeira Lima / Wikimedia

Doze jovens britânicos morreram, dez dos quais por suicídio, após a administração de Roaccutane, também à venda com o nome Accutane. As autoridades de saúde estão a investigar a possível ligação entre o suicídio e a utilização de isotretinoína.

Os reguladores do Reino Unido vão reabrir uma investigação ao fármaco após uma nova onda de queixas, de acordo com jornal britânico The Guardian.

No Reino Unido, a Agência Reguladora de Medicamentos e Produtos para a Saúde no Reino Unido permitiu a comercialização do medicamento porque “não há provas de estarem a acontecer efeitos secundários, mas uma suspeita de que a droga pode ser a causa”. Os estudos científicos não identificaram uma ligação directa entre o medicamento e o aumento do risco de distúrbios psiquiátricos e suicídio.

Em Portugal, o fármaco é vendido com o nome principal Isotretinoína e não se registam mortes possivelmente relacionadas com este medicamento – pelo menos desde 2004.

De acordo com o Observador, já desde 1998 que existem relatórios a alertar para a possibilidade da isotretinoína desenvolver efeitos secundários a nível psiquiátrico e um risco aumentado para a depressão.

Em Portugal, a bula de um dos fármacos com esta substância activa, aprovada pelo Infarmed, pede ao paciente que fale com o médico antes de o utilizar “se alguma vez teve algum tipo de problemas de saúde mental”. “Estes incluem depressão, tendências agressivas ou alterações do humor. Inclui também pensamentos sobre auto mutilar-se ou suicidar-se. Isto porque o seu humor poderá ser afectado enquanto toma Isotretinoína Orotrex”, lê-se.

O documento lista a “depressão ou perturbações”, “agravamento da depressão existente” ou “tornar-se violento ou agressivo” como um efeito raro do medicamento. Entre os efeitos muito raros, diz-se que “algumas pessoas tiveram pensamentos ou sentimentos sobre magoarem-se ou suicidaram-se (pensamentos suicidas), tentaram suicidar-se (tentativa de suicídio) ou suicidaram-se (suicídio)”.

O Infarmed avisa também que o medicamento pode causar um “comportamento não habitual” ou “sinais de psicose, uma perda de contacto com a realidade, como ouvir vozes ou ver coisas que não existem”, descreve.

Segundo o Infarmed, em declarações ao Observador, não há registo de pessoas que tenham cometido suicídio após utilizarem isotretinoína há pelo menos 15 anos.

Já no Reino Unido já se registaram 88 mortes entre os utilizadores de Roaccutane desde 1998, sete dos quais em 2018. Há dois anos, outras queixas alertaram também para a possibilidade de o medicamento estar a provocar problemas de erecção entre os rapazes por diminuir a libido dos pacientes.

O Instituto Nacional de Saúde e Excelência do Cuidado britânico aconselhou os médicos a prescrever este fármaco apenas em casos graves em que outros tratamentos não tenham resultado.

ZAP //

Por ZAP
27 Dezembro, 2019

 

328: Ensaio clínico dá novas esperanças para um tratamento contra o lúpus

 

CIÊNCIA/SAÚDE

strelka / Flickr

Um ensaio clínico com um medicamento chamado anifrolumabe poderá dar a primeira esperança, em 50 anos, aos pacientes diagnosticados com lúpus.

O lúpus é uma doença auto-imune potencialmente fatal, que afecta cerca de cinco milhões de pessoas em todo o mundo, e ainda não tem causa ou cura conhecida. Agora, avança o Science Alert, um ensaio clínico internacional de três anos está a dar a primeira esperança real aos portadores desta doença em 50 anos.

O estudo de fase 3, chamado TULIP-2, testou um medicamento chamado anifrolumabe numa selecção aleatória de 180 pessoas com lúpus, dando-lhes 300 miligramas a cada quatro semanas, durante 48 semanas. Ao mesmo tempo, foi dado um placebo a 182 participantes que também têm a doença.

Os autores do estudo, agora publicado na revista New England Journal of Medicine, afirmam que esta substância produziu uma redução estatisticamente significativa e clinicamente significativa da doença.

Depois de 52 semanas, o medicamento não só reduziu a actividade auto-imune nos órgãos relevantes de muitos dos pacientes tratados, mas também reduziu a taxa de surtos — que incluem febre, dores nas articulações, fadiga e erupções cutâneas — e diminuiu a necessidade de esteróides.

Mesmo quando nenhuma virose pode ser encontrada, estudos recentes mostram que a grande maioria dos pacientes com lúpus produz excesso de interferon Tipo 1, que é uma proteína imune ligada ao desenvolvimento de glóbulos brancos. Tentativas anteriores de bloquear essa proteína falharam, mas o anifrolumabe bloqueia os receptores dessa proteína e não a própria molécula.

Até agora, esta substância foi testada em três ensaios clínicos e os resultados de cinco dos seis desfechos favoreceram o medicamento em relação ao placebo. Dada a desesperada necessidade de tratamento, muitas pessoas com a doença estão a pedir aos reguladores que considerem ensaios que permitam uma maior flexibilidade na definição do sucesso.

E, sim, é necessária mais investigação para comprovar se os benefícios do anifrolumabe superam os seus efeitos colaterais a longo prazo. Alguns pacientes que tomam o medicamento apresentaram um maior risco de bronquite e infecção respiratória e os riscos além das 52 semanas ainda não são claros.

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27 Dezembro, 2019

 

327: Cientistas podem ter encontrado a causa da doença das vacas loucas

 

CIÊNCIA/SAÚDE

Dirk Ingo Franke / Wikimedia

Um grupo de cientistas acredita ter encontrado a possível origem da doença das vacas loucas. Os investigadores sublinham a necessidade de manter medidas de precaução para evitar um possível ressurgimento da doença.

Foram várias as hipóteses apresentadas para explicar a causa da Encefalopatia Espongiforme Transmissível dos Bovinos (EEB), a doença neuro-degenerativa comummente conhecida como “doença das vacas loucas“, que apareceu pela primeira vez na década de 1980, no Reino Unido. No entanto, até agora, numa das hipóteses foi validada.

Esta doença pertence a uma família de doenças que envolvem proteínas que se dobram, conhecidas como priões (um agente infeccioso que, ao contrário de todos os outros conhecidos, parece ser constituído exclusivamente por proteína). Tratam-se de doenças neuro-degenerativas que afectam várias espécies, incluindo o ser humano.

Os priões estão presentes em doenças como o tremor epizoótico, que afecta ovelhas, ou na doença de doença de Creutzfeldt-Jakob, que afecta o ser humano.

Nesta investigação, cientistas do Instituto Nacional de Pesquisa Agronómica, em França, injectaram uma variante de tremor epizoótico em ratos de laboratório que passaram a produzir o prião de origem bovina. Esta experiência permitiu aos investigadores provar que a doença tem a capacidade de “saltar” de uma espécie para outra. Além disso, segundo o artigo científico publicado na PNAS, os roedores transgénicos desenvolveram a doença das vacas loucas.

Os ratos geneticamente modificados são “um exemplo muito bom para saber o que aconteceria caso as vacas estivessem expostas a este tipo de priões”, explicou à AFP o líder da investigação, Olivier Andreoletti. Estes resultados são explicados pela “presença de quantidades clássicas de doença das vacas loucas” que, por sua vez, estão presentes nos priões injectados.

Segundo o Phys.org, a EEB expandiu-se por toda a “Europa, América do Norte e em muitos outros países”, num processo auxiliado pelo consumo de alimentos, incluindo cereais e carcaças de animais afectados com a doença. O contacto com produtos do gado infectado fez com que o Homem contraísse a doença, uma variante de Creutzfeldt-Jakob.

A partir da década de 1990, a Europa introduziu uma série de medidas para combater a propagação da doença, incluindo a proibição de farinhas de origem animal e a destruição dos tecidos com maior risco de contágio. “Estas medidas ainda estão em vigor – mas são muito caras”, aponta Andreoletti, defendendo a necessidade de manter medidas de precaução para evitar um possível ressurgimento da doença.

ZAP //

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23 Dezembro, 2019

 

326: Comer malagueta pode reduzir risco de ataque cardíaco e AVC

 

Hans / Pixabay

Um novo estudo sugere que comer regularmente malaguetas pode ser o segredo para reduzir o risco de ataque cardíaco e acidente vascular cerebral (AVC).

Uma boa alimentação é fundamental para preservar a nossa saúde e, aos poucos, a ciência vai desvendando novas propriedades nos alimentos que nos podem ser favoráveis. Uma equipa de investigadores sugere que o consumo regular de malagueta pode reduzir significativamente o risco de ataque cardíaco e AVC.

Num estudo levado a cabo com 23 mil italianos, durante oito anos, os cientistas identificaram um padrão interessante. Aqueles que comiam malagueta pelo menos quatro vezes por semana tinham um risco 40% menor de morte por ataque cardíaco. Além disso, tinham um risco 50% menor de morrer por AVC.

O estudo, citado WebMD, será publicado dia 25 de Dezembro na revista científica Journal of the American College of Cardiology.

“Um facto interessante é que a protecção contra o risco de mortalidade era independente do tipo de dieta que as pessoas seguiam”, disse à CNN a autora do estudo, Marialaura Bonaccio. “Por outras palavras, alguém pode seguir a saudável dieta mediterrânica, ou alguém pode comer de maneira menos saudável, mas para todos eles a pimenta tem um efeito protector“.

Este efeito protector já tinha sido verificado nos Estados Unidos e na China e verificava-se independentemente da maneira que era consumida. No entanto, a equipa de investigadores quer estudar melhor quais os mecanismos bioquímicos que tornam as malaguetas tão saudáveis para a nossa saúde.

ZAP //

Por ZAP
24 Dezembro, 2019

 

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