282: A obesidade não causa risco maior de morte

 

(CC0/PD) Tirachard Kumtanom / pexels

Acreditamos normalmente que a obesidade está ligada a problemas de saúde, mas aparentemente isso pode não ser exactamente verdade.

Segundo um novo estudo, publicado esta quinta-feira na revista Clinical Obesity, ser obeso por si só não significa necessariamente ser doente.

Investigadores da Faculdade de Saúde da Universidade de York, nos EUA, descobriram que pacientes obesos, mas sem nenhum outro factor de risco metabólico, como diabetes, hipertensão ou alto nível de colesterol, não têm um aumento na taxa de mortalidade.

O estudo, liderado por Jennifer Kuk, professora da Escola de Cinesiologia e Ciências da Saúde da Universidade de York, mostrou que, ao contrário de condições como hipertensão ou diabetes, que por si só estão relacionadas com um alto risco de mortalidade, esse não é o caso da obesidade, quando considerada isoladamente.

O estudo acompanhou mais de 54 mil homens e mulheres que participaram em outros cinco estudos. Os sujeitos foram colocados em três grupos: os que tinham apenas obesidade, aqueles com algum factor metabólico isolado, seja glicose, pressão arterial ou lípidos elevados, e os obesos e com outro factor metabólico agindo em conjunto.

Os investigadores observaram quantas pessoas dentro de cada grupo morreram, em comparação com a população de peso normal e sem factores de risco metabólicos, e descobriram que 1 em cada 20 indivíduos obesos não apresentava outras anomalias metabólicas.

“Mostramos que os indivíduos com obesidade metabolicamente saudável não têm uma taxa de mortalidade elevada. Descobrimos que uma pessoa com peso normal e sem outros factores de risco metabólicos tem a mesma probabilidade de morrer que a pessoa com obesidade e sem outros factores de risco”, assegura Kuk.

“Isso significa que centenas de milhares de pessoas com obesidade metabolicamente saudável estão a ser orientadas a perder peso quando é questionável o benefício que realmente terão”, alerta.

Segundo Kuk, os resultados deste estudo podem afectar a forma como pensamos sobre a obesidade e a saúde. “Isto contrasta com a maior parte da literatura”, diz Jennifer Kuk.

Segundo a investigadora, a maioria dos estudos definiu a obesidade saudável como tendo um factor de risco metabólico.  “É provável que a maioria dos estudos tenha relatado que a obesidade saudável ainda está relacionada com maior risco de mortalidade”, diz.

E isso é um problema, já que condições como açúcar elevado no sangue e colesterol mau aumentam o risco de mortalidade de qualquer pessoa, magra ou gorda.

Por HS
16 Julho, 2018

 

278: Tiras para medir glicemia recolhidas do mercado

 

v1ctor Casale / Flickr

Alguns lotes das tiras de teste Accu-Chek Aviva, para medir a glicemia, foram recolhidos pelo fabricante por falhas no sistema medidor, anunciou o Infarmed.

Alguns lotes das tiras de teste Accu-Chek Aviva, para determinar a glicemia, foram recolhidos pelo fabricante por falhas no sistema medidor, anunciou a Autoridade Nacional do Medicamento e Produtos de Saúde (Infarmed).

A Roche Diabetes Care “verificou que alguns lotes das tiras teste Accu-Chek Aviva para determinação da glicemia (glucose sanguínea) podem apresentar um aumento potencial da identificação de erro antes da medição do valor de glicemia”, consta numa nota do Infarmed.

Segundo a Autoridade Nacional do Medicamento e Produtos de Saúde, esta situação origina uma mensagem de erro no medidor, “após a inserção da tira ou devido ao não reconhecimento da tira”.

Além disso, num número muito limitado de casos, a tira não indica o erro mas origina um falso resultado, que poderá levar a uma terapêutica inadequada.

O Infarmed publica na sua página da Internet a lista dos lotes em causa e aconselha os doentes a verificarem se as tiras que possuem pertencem a estes lotes e, em caso positivo, a não as usarem e contactarem a linha de apoio ao cliente Accu-Chek através do telefone 800 200 265.

“O fabricante encontra-se a investigar as causas deste problema e já iniciou a implementação de medidas correctivas”, refere o Infarmed.

A Autoridade do Medicamento lembra ainda que quaisquer incidentes ou outros problemas relacionados com este dispositivo devem ser notificados à Unidade de Vigilância de Produtos de Saúde do Infarmed.

ZAP // Lusa

Por ZAP
30 Maio, 2018

277: Número de casos de cancro vai aumentar 58% até 2035

 

Annie Cavanagh / Wellcome Images
Células cancerígenas

O número de casos de cancro vai aumentar 58% em menos de 20 anos. O estilo de vida é um dos principais responsáveis deste aumento.

Um relatório recente do Fundo Mundial para a Pesquisa do Cancro, divulgado esta quinta-feira, estima que o número de novos casos de cancro deverá aumentar 58% em 2035, à medida que mais países adoptam estilos de vida “ocidentais”.

O documento junta recomendações sobre a prevenção do cancro baseadas em evidências, muitas delas relacionadas com o excesso de peso e os hábitos alimentares.

De acordo com o documento, o excesso de peso ou a obesidade estão na origem de pelo menos 12 tipos de cancro, mais cinco do que o Fundo referia há uma década. Ao cancro do fígado, ovários, próstata, estômago, boca e garganta (boca, faringe e laringe) junta-se o cancro do intestino, mama, vesícula biliar, rins, esófago, pâncreas e útero.

Enquanto que o risco de cancro aumenta se ingerirmos regularmente bebidas com açúcar, ser fisicamente activo pode ajudar a proteger contra três tipos de cancro – intestino, mama e útero – e ajuda a manter um peso saudável. O relatório refere ainda a importância de uma dieta rica em legumes e frutas e pobre em carnes vermelhas e processadas.

Além disso, alerta para que o consumo de álcool está fortemente ligado ao risco de contrair seis tipos de cancro como o de estômago, intestino, mama, fígado, boca e garganta e esófago.

Os autores do trabalho notam ainda que estilos de vida sedentários e com uma alimentação rápida e processada estão a levar a “aumentos dramáticos” de casos de cancro em todo o mundo, e salientam que uma em cada seis mortes no mundo se deve ao cancro.

“À medida que mais países adoptam estilos de vida ocidentais o número de novos casos de cancro deverá aumentar 58% para 24 milhões de pessoas no mundo em 2035“, refere o relatório hoje divulgado.

Com o título “Dieta, Nutrição, Actividade Física e Cancro, uma Perspectiva Global”, o documento providencia um pacote de comportamentos que sendo seguidos podem permitir uma vida mais saudável e menos probabilidade de cancro.

Com mais de 3,7 milhões de casos e 1,9 milhões de mortes por ano, o cancro representa a segunda causa de morte e morbilidade na Europa.

ZAP // Lusa

Por Lusa
24 Maio, 2018

– Só que estes idiotas, esquecem-se (ou não?) que o maior contributo para o aparecimento de cancro, seja ele de que tipo for, está situado principalmente no ar poluído que respiramos, nos químicos que entram em tudo o que comemos e bebemos, sendo o resto uma ajuda para o aparecimento desta terrível doença.

276: Comer um ovo por dia faz bem ao coração

 

(CC0/PD) Trang Doan / pexels

Um estudo publicado recentemente apontou o ovo como um alimento benéfico na prevenção de doenças cardíacas.

As doenças cardiovasculares são, actualmente, a principal causa de morte e incapacidade em todo o mundo, especialmente pelas cardiopatias isquémicas e acidentes vasculares cerebrais (AVC). Ao contrário do resto do mundo onde é mais frequente a doença isquémica, na China a principal causa de morte prematura é o derrame cerebral.

Enquanto uns apontam a necessidade de limitar o consumo de ovos, devido ao risco de salmonela e colesterol elevado, outros defendem o consumo diário por outras propriedades do alimento. É o exemplo de um estudo recente, publicado na Heart, realizado por um grupo de cientistas do Reino Unido e China, das universidades de Pequim e Oxford.

A investigação refere que os ovos são uma fonte importante de colesterol mas que também contêm proteínas de alta qualidade, muitas vitaminas e componentes bioactivos, como os fosfolipídeos (lípidos que contém ácido fosfórico) e os carotenoides (importantes na alimentação e antioxidantes).

O estudo refere que investigações anteriores que analisaram a associação entre comer ovos e a saúde foram inconsistentes.

Desta vez, os cientistas examinaram as relações entre o consumo de ovos e as doenças cardiovasculares, usando dados de um estudo a decorrer e que junta mais de 500 mil pessoas adultas, com idades compreendidas entre os 30 e os 79 anos, de 10 diferentes regiões da China.

Os participantes, recrutados entre 2004 e 2008, foram questionados sobre a frequência do consumo de ovos e foram acompanhados para determinar a sua morbilidade e mortalidade.

A análise dos resultados revelou que, em comparação com pessoas que não consomem ovos, o consumo diário está associado a um risco menor de doenças cardiovasculares.

Os consumidores diários de um ovo baixaram em 18% o risco de uma doença cardiovascular e só em relação a um AVC a probabilidade baixou 26%. O consumo diário de ovos levou também a uma redução de 25% no risco de cardiopatia isquémica.

Os autores notam que o estudo foi de observação, pelo que não se pode tirar uma conclusão categórica de causa e efeito. Ainda assim, salientam o tamanho da amostra.

“”O presente estudo revela que há uma associação entre o consumo moderado de ovos (um por dia) e uma menor taxa de eventos cardíacos”, afirmaram os autores.

ZAP // Lusa

Por ZAP
24 Maio, 2018

 

274: Está explicado porque temos sempre uma narina mais entupida do que outra

 

foshydog / Flickr

Quando estamos constipados, há sempre uma narina que fica mais entupida do que a outra. E, muitas vezes, ao longo do dia, esse entupimento vai alternando entre uma narina e outra. Não é uma mera coincidência! É um processo fisiológico que assegura a saúde do nariz.

A explicação está no chamado Sistema Nervoso Autónomo que controla funções como a digestão e a frequência cardíaca, que se realizam sem que estejamos a pensar nelas.

No caso do nariz, o Sistema Nervoso Autónomo assegura o que se chama de “ciclo nasal”, ou seja, o “ritmo natural de congestão e descongestão das cavidades nasais nos seres humanos”, como se explica no site Infoescola.com.

Assim, quando uma narina está entupida há “um congestionamento fisiológico da concha nasal”, devido à activação selectiva de uma metade do Sistema Nervoso Autónomo pelo hipotálamo”, acrescenta-se na mesma publicação.

O processo passa por um “crescimento do fluxo sanguíneo” que provoca “a congestão numa narina, durante cerca de três a seis horas, antes de mudar para o outro lado”, segundo nota a médica Jennifer Shu, num consultório médico da CNN.

Mas mesmo sem estarmos constipados, as narinas vão alternando o esforço exigido pelo ciclo nasal. Isto significa que, a cada duas a quatro horas, uma delas vai “trabalhando” mais, deixando passar mais ar, do que a outra, mesmo sem que nos apercebamos disso.

Este funcionamento alternado das duas fosses nasais impede “uma secagem excessiva, crostas e infecções, que são resultados da passagem que está aberta ao fluxo de ar constante, especialmente em regiões do deserto”, explica ainda o Infoescola.com.

Deste modo, o processo mantém o nariz a funcionar na sua plenitude para desempenhar funções importantes como filtrar as partículas que se encontram no ar inalado, para que este chegue aos pulmões mais limpo, e ajustar a temperatura corporal.

Todavia, esta alternância do esforço entre narinas será também uma forma de refinar o nosso sentido do cheiro. “Alguns cheiros são mais fáceis de identificar nas correntes de ar mais rápidas na narina “aberta”, enquanto outros são melhor detectados nas correntes de ar mais lentas da narina “constrita””, refere o investigador Anthony Warren, CEO da empresa BreatheSimple que fornece um programa de treino personalizado de saúde respiratória, através de um software para telemóvel.

Da próxima vez que tiver o nariz entupido, vai certamente pensar na situação de uma outra forma, à luz destes dados, mesmo que este conhecimento não alivie o incómodo.

ZAP

Por ZAP
15 Abril, 2018 //

 

273: É barato, vende-se sem receita e pode evitar o Alzheimer

 

Auntie P / Flickr

Uma equipa de pesquisa liderada pelo neuro-cientista Patrick McGeer sugere que um regime diário de anti-inflamatórios não-esteróides, como o ibuprofeno, pode prevenir o início do Alzheimer.

Isso significa que, ao tomar um remédio que é vendido sem receita médica diariamente, as pessoas podem evitar uma doença que é a quinta principal causa de morte em pessoas com 65 anos ou mais.

De acordo com o Alzheimer’s Disease International, a condição afecta cerca de 47 milhões de pessoas em todo o mundo, custando aos sistemas de saúde globais mais de 818 mil milhões de reais – perto de 200 mil milhões de euros.

McGeer é presidente e director executivo da Aurin Biotech, empresa com sede em Vancouver. Ele e a esposa, Edith McGeer, estão entre os neuro-cientistas mais citados no mundo. O seu laboratório é reconhecido mundialmente por 30 anos de trabalho em neuro-inflamação e doenças neuro-degenerativas, particularmente Alzheimer.

Um artigo que detalha as suas descobertas mais recentes foi publicado na revista científica Journal of Alzheimer’s Disease.

Em 2016, o médico e a sua equipa anunciaram ter desenvolvido um teste simples de saliva que pode diagnosticar a doença de Alzheimer, bem como prever o seu início. O teste baseia-se na medição da concentração da proteína beta amilóide peptídica 42 (Abeta42), secretada na saliva.

Todas as pessoas, independentemente do sexo ou da idade, produzem mais ou menos a mesma taxa de Abeta42. Se essa taxa de produção for duas a três vezes maior do que a média, esses indivíduos estão destinados a desenvolver Alzheimer.

Isso acontece porque o Abeta42 é um material relativamente insolúvel e, embora seja produzido em todo o corpo, os depósitos acumulam-se apenas no cérebro, causando neuro-inflamação e destruindo neurónios.

Ao contrário da crença generalizada de que o Abeta42 era produzido apenas no cérebro, a equipa de McGeer demonstrou que o peptídeo é produzido em todos os órgãos do corpo e é secretado na saliva pela glândula sub-mandibular.

Como resultado, com apenas uma colher de chá de saliva, é possível prever se um indivíduo terá Alzheimer, mesmo antes os sintomas aparecerem.

Isso, por sua vez, dá-lhes a oportunidade de tomar medidas preventivas precoces, como o consumo de medicamentos como o ibuprofeno.

“O que aprendemos com a nossa pesquisa é que as pessoas que estão em risco de desenvolver Alzheimer exibem os mesmos níveis elevados de Abeta42 que as pessoas que já têm a doença. Além disso, exibem esses níveis elevados durante toda a vida e, teoricamente, podem ser testados a qualquer momento. Sabendo que a prevalência de Alzheimer começa aos 65 anos, recomendamos que as pessoas sejam testadas dez anos antes, aos 55 anos. Se apresentam níveis elevados de Abeta42, então é a hora para começar a tomar o ibuprofeno diário”, explicou McGeer.

A maioria dos ensaios clínicos até hoje concentraram-se em pacientes que já possuíam défices cognitivos, de leves a graves. Como resultado, nenhum conseguiu evitar a progressão da doença.

De acordo com o médico, a sua descoberta vem mudar as regras do jogo.

“Temos agora um teste simples que pode indicar se uma pessoa está destinada a desenvolver a doença de Alzheimer muito antes de começar a desenvolver-se. Os indivíduos podem impedir que isso aconteça através de uma solução simples que não requer receita médica ou visita a um médico. Isso é um verdadeiro avanço, pois aponta numa direcção em que o Alzheimer pode eventualmente ser eliminado“, afirmou.

Os cientistas alertam, no entanto, que os resultados deste estudo não significam que deva começar a tomar um medicamento diariamente por conta própria. Se tem dúvidas quanto à sua saúde, consulte um especialista.

ZAP // HypeScience

Por HS
30 Março, 2018

 

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