573: Cientistas descobrem anticorpo que bloqueia o vírus da dengue

 

 

SAÚDE/DENGUE

Sanofi Pasteur / Flickr
Infecção viral com dengue: quando um mosquito morde uma pessoa à procura da sua refeição diária de sangue, liberta saliva que contém o vírus da dengue que entra então na corrente sanguínea do atingido.

Uma equipa de investigadores descobriu um anticorpo que bloqueia a propagação do vírus da dengue dentro do corpo. Pode ainda permitir novos tratamentos para outros flavivírus, como o Zika e o Nilo Ocidental.

A infecção é provocada por um flavivírus e transmite-se através da picada dos mosquitos Aedes Aegypti, infectados com o vírus, não ocorrendo transmissão de pessoa para pessoa.

Não existe um tratamento específico nem uma vacina para esta doença. Entre 50 e 100 milhões de pessoas são infectadas por ano, com os sintomas a variarem entre febre, vómitos e dores musculares. Nos piores casos, pode mesmo levar à morte.

Como há quatro estirpes do vírus, a construção de anticorpos contra uma das estirpes pode deixar as pessoas mais vulneráveis à infecção por outra estirpe.

O anticorpo descoberto pela equipa de investigadores, chamado 2B7, bloqueia fisicamente a proteína NS1 – usada pelo vírus da dengue para se agarrar às células protectoras à volta dos órgãos -, impedindo-a de se ligar às células e retardando a propagação do vírus.

Além disso, como ataca directamente a proteína, é eficaz contra todas as quatro estirpes do vírus, realçam os autores num comunicado citado pela EurekAlert.

O anticorpo mostrou ser eficaz em ratos, evitando a propagação da dengue. Os resultados do estudo foram publicados este mês na revista Science. O artigo sugere que esse mesmo anticorpo pode oferecer novos tratamentos para outros flavivírus, como por exemplo o Zika e o Nilo Ocidental.

Por Daniel Costa
19 Janeiro, 2021

 

 

 

86: Dengue: Ameaças voadoras

 

Terá vindo da Venezuela ou do Brasil e já apresenta alguma resistência aos insecticidas. Uma semana de surto de dengue na Madeira obrigou a reforçar o controlo do mosquito transmissor da doença.

CONSULTE A INFOGRAFIA

Quadro 1

Quadro 2

Quadro 3

Quadro 4

Era uma questão de tempo até que aparecesse o primeiro caso de dengue na Madeira. Desde 2005, altura em que foi detectada, pela primeira vez, a presença do mosquito transmissor da doença, que a ilha andava a ser vigiada pelos especialistas do Instituto de Higiene e Medicina Tropical.

Duzentas e setenta armadilhas, distribuídas pela Madeira e por Porto Santo, e muito trabalho de campo permitiram concluir que o bicharoco terá vindo do Brasil ou da Venezuela e que apresenta “níveis de resistência a alguns insecticidas”, revela Carla Santos, professora de entomologia médica.

A especialista daquele instituto voou terça-feira, 9, de Lisboa para o arquipélago, de forma a estar mais perto dos acontecimentos – os primeiros casos positivos de dengue foram revelados na semana passada. “O objectivo, agora, é estimar a densidade populacional do mosquito e tentar perceber qual o contacto entre ele e as pessoas”, avança. Assim que foi confirmado o primeiro caso de dengue, ficou suspensa uma das técnicas mais usadas para o estudo destes vectores: a exposição das pernas nuas durante a dita hora da melga, para aferir o número de picadas por pessoa.
Eliminar criadouros

“Um surto de dengue tem três vértices: o mosquito, uma população humana susceptível e o agente patogénico que o provoca”, explica Carla Santos. As duas primeiras condições estavam lá desde 2005. Ainda não se sabe como é que a terceira entrou na equação. O mais provável é o mosquito local ter picado uma pessoa infectada. Em alternativa, pode ter chegado à Madeira já com o vírus da dengue nas papilas salivares.

Numa semana, o número de casos subiu às dezenas e a população entrou em pânico, acorrendo às farmácias para comprar repelentes e aos hospitais para descartar possíveis infecções – detectadas através de uma análise laboratorial, feita, numa primeira fase, no Instituto Ricardo Jorge, em Lisboa, mas agora efectuada na Madeira

“Nas casas, o mosquito tem a vida facilitada, porque encontra aquilo de que precisa: alimento e um local para se reproduzir”, nota a entomologista. É por isso que uma das principais mensagens à população tem sido no sentido de controlar o crescimento dos mosquitos, que também são responsáveis pela transmissão da febre amarela. Aos madeirenses, sobretudo da região do Funchal, pede-se que eliminem os criadouros (onde vivem as larvas), como os pratos dos vasos de plantas, os pneus abandonados, as garrafas abertas e expostas à chuva, os baldes com água. Vai-te embora ó melga!

In Visão online
Sara Sá (texto publicado na VISÃO 1023, de 11 de setembro)
1:52 Domingo, 14 de Outubro de 2012