423: Transportes públicos são “ponto nevrálgico” da transmissão da covid-19

 

 

SAÚDE/COVID-19/TRANSPORTES PÚBLICOS

Mário Cruz / Lusa

O infecciologista Jaime Nina defendeu hoje que é necessário quadruplicar a oferta dos transportes públicos para permitir a distância necessária entre os passageiros, considerando que são um “pontos nevrálgico” da transmissão da covid-19.

“Os transportes públicos é um dos pontos nevrálgicos da transmissão”, afirmou, defendendo que “para manter o distanciamento, os autocarros, os comboios e o Metro deviam ter fila sim, fila não, com passageiros”.

Mas para isso era preciso “ter quatro vezes mais carruagens, autocarros, e quatro vezes mais motoristas e maquinistas”, disse o infecciologista do Hospital Egas Moniz em entrevista à agência Lusa, a propósito do agravamento da situação epidemiológica da covid-19.

Se esta solução tivesse começado a ser pensada em Maio, tinha havido tempo para reforçar a frota e ter “maquinistas e motoristas suficientes”. “É caro? É, mas ter a economia fechada não é mais caro”, questionou, argumentando que “só uma semana de economia fechada para tentar evitar [a propagação do vírus] pagava isto tudo e ainda sobrava muito dinheiro”.

O especialista lamentou que não haja “uma abordagem global” e que se esteja a ver “sector a sector”, prevendo “um problema com o inverno”.

“Enquanto que no verão as pessoas evitam os transportes públicos, têm as janelas abertas, se estiver uma chuva desgraçada não estou a ver ninguém a andar de carro com as janelas abertas, nem a andar muito na rua quando pode andar de autocarro”, disse o professor na Universidade Nova de Lisboa, no Instituto de Higiene e Medicina Tropical e da Faculdade de Ciências Médicas.

Sobre a evolução da epidemia, Jaime Nina disse que já está na segunda “onda”: “o Agosto foi um bocado molhado, houve chuva, e isso teve logo uma repercussão em toda a Europa, não só em Portugal”.

Mas, nesta fase, está a atingir mais os jovens, uma situação que disse estar relacionada com o aumento de testes: “estão a apanhar pessoas infectadas que há três meses não eram apanhadas porque tinham uma doença mais ligeira, e como tal, a letalidade está a baixar porque há mais casos ligeiros”.

O infecciologista saudou o aumento da testagem, mas considerou que tem sido “muito lentamente” e “muito longe daquilo que deveria ser feito”.

A este propósito, fez uma analogia futebolística: “a táctica que Portugal e a Europa está a usar é como se chamasse os 10 jogadores de campo tudo em frente da baliza de olhos fechados a tentar apalpar a bola e não a deixar passar”.

“Era muito mais preferível andar a correr pelo campo todo atrás da bola” e tentar apanhá-la e controlá-la.

Exemplificou com o que países como Singapura, Taiwan, Hong Kong e Coreia do Sul estão a fazer ao nível de testes para apanhar os casos ligeiros e cortar as cadeias de transmissão.

“Portugal fez cerca de dois milhões de testes, Singapura vai quase em 100 milhões para uma população um bocadinho mais pequena que a nossa”, disse, observando que, segundo dados da Organização Mundial da Saúde, Portugal tem mais de 1.900 mortes e Singapura tem 27, com um número de casos sensivelmente igual.

No seu entender, “há muita coisa que está a falhar no rastreio e no encaminhamento de casos” porque “o Ministério da Saúde está a utilizar quase exclusivamente os recursos próprios”.

“Depois não tem médicos e técnicos de saúde pública, não tem laboratórios de biologia molecular quando há um manancial enorme de pessoas disponíveis”, salientou.

Em Abril e Maio, contou, “quando toda a gente estava aflita porque não havia capacidade de fazer os testes todos”, os laboratórios de biologia molecular da Universidade Nova estavam fechados com as pessoas em teletrabalho, apesar da faculdade os ter colocado ao dispor.

Por outro lado, podiam chamar os estudantes de medicina: “Era bom para eles porque estavam a fazer um trabalho útil e relevante para o seu curso e, obviamente, era bom para o Ministério da Saúde porque triplicava ou quadruplicava a mão de obra necessária para fazer rastreio de casos”.

ZAP // Lusa

Por ZAP
27 Setembro, 2020

 

420: Doentes hospitalizados com covid-19 podem vir a sofrer de stress pós-traumático

 

 

SAÚDE/COVID-19/STRESS

O medo da morte e do desconhecido são levados ao limite. Ansiedade, insónias e delírios são alguns dos sintomas a que os doentes devem estar atentos após o evento traumático de um internamento com covid-19.

Doente com covid-19 num hospital em El Salvador
© MARVIN RECINOS / AFP

“Era como estar no inferno. Vi pessoas a morrer e todos os funcionários tinham máscaras e só se viam os seus olhos – foi tão solitário e assustador.” A experiência de Tracy, uma doente com covid-19, relatada pela BBC, é semelhante à de todos os outros doentes hospitalizados devido ao coronavírus. Tracy foi internada no Hospital Whittington, no norte de Londres, em Março e passou mais de três semanas lá – uma das quais nos cuidados intensivos. Desde que recebeu alta em Abril, esta mulher de 59 anos está com dificuldade em dormir, tem constantemente medo de morrer e sofre de flahsbacks que a levam de novo para a cama do hospital.

“Tem sido muito difícil. Fisicamente, estou tão cansado. Estou a começar a recuperar, mas o lado mental é muito difícil”, diz. Tracy está agora a receber apoio psicológico. “Eu tenho uma boa rede de apoio de familiares e amigos e sou uma pessoa positiva – e estou a lutar. Acho que haverá muitas pessoas numa situação semelhante, se não pior.”

Tracy é apenas uma das muitas pessoas que ficaram com cicatrizes psicológicas da sua experiência com o coronavírus. As pessoas que estiveram gravemente doentes internadas no hospital com coronavírus têm grandes probabilidade de sofrer de stress pós-traumático (SPT), dizem os médicos.

No Reino Unido, o Grupo de Trabalho de Resposta ao Trauma Covid considera que os doentes que passaram pelo cuidados intensivos são aqueles que correm um risco maior e que devem ser acompanhados durante pelo menos durante um ano após o internamento. Esta conclusão baseia-se num estudo da University College London que mostra que 30% dos pacientes que sofreram doenças graves em surtos de doenças infecciosas no passado desenvolveram SPT, além de também serem comuns os problemas de depressão e ansiedade.

Hospital no México
© ALFREDO ESTRELLA / AFP

Para chegar a estas conclusões, os investigadores analisaram estudos anteriores realizados em pacientes com outros coronavírus, como o SARS e o MERS. Num período de acompanhamento de quase três anos após a doença, quase um em cada três pacientes recuperados desenvolveu sintomas de stress pós-traumático. Além disso, 15% dos pacientes com SARS ou MERS relataram sintomas de depressão aproximadamente um ano após a recuperação e mais de 15% tiveram vários outros problemas (fadiga constante, mudanças de humor, distúrbios do sono, problemas de memória). Portanto, os autores afirmam que existe um risco de os mesmos problemas surgirem em pacientes com covid-19.

Muitos pacientes com SARS e MERS hospitalizados também apresentaram sintomas de delírio (confusão, agitação, consciência alterada) durante o combate à doença. Os primeiros dados da covid-19 sugerem que o delírio também é comum entre os pacientes actuais.

“A probabilidade de os doentes hospitalizados com covid-19 virem a sofrer de stress pós-traumático é alta”, confirma ao DN a psicóloga Ana Marques. Se para todos nós esta já é uma situação complicada porque estamos perante uma doença grave e desconhecida, que obviamente desperta a ansiedade, os doentes com covid-19 estão ainda mais vulneráveis. Além de terem a saúde debilitada pelo vírus, “as pessoas internadas estiveram isoladas durante bastante tempo, privadas da sua família e das suas rotinas, sem saberem quando era dia ou noite, e ainda por cima rodeadas por toda aquela parafernália. E, além disso, estavam cheias de medo.”

Segundo esta psicóloga, existem dois medos principais que todas as pessoas sentem ao longo da sua vida: o medo do abandono e o medo da morte. Ora, os doentes hospitalizados com covid-19 sentiram estes medos “levados ao limites”, diz, lembrando por exemplo o caso das pessoas mais velhas ou com demência que não conseguem perceber exactamente o que lhes está a acontecer e porque é que, de repente, os seus familiares não as visitam, sentindo-se abandonadas.

Também a psicóloga Cécile Domingues, da Clinica da Mente, concorda que a pandemia acarreta riscos que vão muito para além da doença física. “Toda a gente tem medo porque é uma doença desconhecida. E as imagens que nos chegam dos hospitais são muito assustadoras, muito perturbadoras até para quem está de fora quanto mais para quem está no hospital”. O internamento com covid-19 será, seguramente, “algo traumático”. “O medo da morte é muito real, as pessoas sabem que podem morrer”, diz.

Doente com covid-19 à chegada ao hospital na China
© AFP

Por isso, consideram estas duas especialistas, é normal que após o internamento, algumas pessoas continuem a sofrer de ansiedade, pesadelos ou insónias – ou nos casos mais graves sofram delírios ou possam vir a ter depressões.

Os sintomas são muito diversos e por isso é preciso ficar atento. As crises de ansiedade podem ser provocadas por uma simples ida ao médico ou por um cheiro que seja idêntico ao do hospital. Há pessoas que ficam com tanto medo de infectar os outros que passam a ter comportamentos obsessivos de limpeza. Pode haver uma agressividade latente que, em determinadas situações, dá origem a episódios violentos.

“É importante que estas pessoas sejam acompanhadas durante quatro semanas. Se esses sintomas persistirem podemos dizer que se trata de stress pós-traumático”, explica Cécile Domingues.

Diário de Notícias

Maria João Caetano
29 Junho 2020 — 18:04

 

 

410: Hospital de Lisboa deixou entrar pessoas sem máscara

 

 

SAÚDE/COVID-19

Caroline Blumberg / EPA

O Hospital da Luz, em Lisboa, permitiu a entrar e circulação de pessoas sem máscara dentro das instalações. O hospital garante que foi um “erro humano” e que não voltará a acontecer.

A Rádio Renascença escreve, esta quinta-feira, que o Hospital da Luz, em Lisboa, autorizou a circulação de pessoas sem máscara. Ouvido pela rádio, João Carreiro esteve no hospital e foi testemunha do que aconteceu.

“Comecei a ver várias pessoas a entrar sem máscara. E, às sete e pouco da manhã, dirigi-me ao segurança e disse-lhe que a situação me deixava desconfortável. Que não queria arranjar problemas a ninguém, mas que lhe pedia se ele podia ter mais atenção”, explicou.

“[O segurança] disse que estava a cumprir ordens, que quem tinha entrado eram funcionários do hospital, que não eram controlados e entravam como queriam. E que os utentes que fossem para as urgências, se não tivessem máscaras, eles não tinham máscaras para dar até às sete e meia da manhã”, acrescentou o utente.

As pessoas perguntavam ao segurança se também podiam entrar sem máscara, ao que o trabalhador permitia. Este comportamento, notou João Carreiro, ia claramente contra as indicações da Direcção-Geral de Saúde. A justificação dada era que a aplicação do plano de segurança da covid-19 era feita apenas em algumas horas do dia.

“A urgência está aberta 24 horas e as regras funcionarem só num período do dia não faz qualquer sentido. São as pessoas em quem confio que têm mais cuidado [os funcionários] e vi que entram ali sem qualquer atenção”, disse à Renascença.

Face a esta situação, o utente preencheu uma queixa no livro de reclamações e chamou a PSP.

O hospital não nega que isto tenha acontecido, embora garante que não tenha passado de um mal-entendido, que provocou um “erro humano”.

Pedro Libano Monteiro, administrador executivo do Hospital da Luz, garante que não voltará a repetir-se. Numa situação como esta, explica, as pessoas normalmente são alertadas para a importância do cumprimento das regras.

“Todas as pessoas, utentes e colaboradores devem sempre usar sempre a máscara e é obrigatório o seu uso dentro das instalações”, garante Pedro Libano Monteiro.

ZAP //

Por ZAP
24 Setembro, 2020

 

 

311: Leituras de glicemia

 

Este post serve de ALERTA para todos os diabéticos do tipo 1, que utilizam o sistema de medição da glicemia por sensor/leitor dos laboratórios Abbott, sob a designação de FreeStyle Libre.

E porque este tipo de episódios já não é a primeira, nem a quinta vez que acontecem, transcrevo o e-mail que enviei ao médico dela (Endócrinas):

Boa tarde sr. Doutor

Serve o presente para informá-lo, uma vez mais, que o sistema de medição de glicemia da minha filha é uma autêntica máquina de ganhar dinheiro, apenas isso, porque quanto a fiabilidade e confiabilidade, é igual a ZERO!

Referencio esta situação que já aconteceu várias vezes anteriormente porque devem existir muitos diabéticos a utilizarem este sistema por ser prático mas só e apenas por isso.

Esta madrugada, cerca das 06:00 horas, fui medir a glicemia à Vera e o leitor deu LO, ou seja, pela indicação do laboratório ABBOTT, é uma medição (não medida) que se encontra abaixo de 40mg/dl. E a hipoglicemia verifica-se a valores iguais ou inferiores a 70mg/dl (APDP). E segundo informação desta APDP (Associação Protectora dos Diabéticos de Portugal), saber tratar uma hipoglicemia é extremamente importante para evitar complicações graves que podem advir, como o coma hipoglicemico.

Ora, a medição efectuada hoje pelas 06:00 horas, não correspondeu à realidade dos valores, quando medidos directamente pelo sistema de bolha de sangue e palheta e mais grave ainda, por isso a minha referenciação, quando esses valores foram obtidos pelo mesmo leitor apenas com a diferença que o LO foi via sensor e 106 por palheta e feita medição imediatamente após a leitura por palheta, continuava a dar LO.

Ora, se LO está abaixo de 40 (até onde o leitor mede), a reacção imediata do cuidador é fornecer açúcar para que esse valor suba. Se afinal a Vera estava com 106, não era necessária essa medida, por isso acordou com 219, que depois baixou.

Ganham-se muitos milhões, neste país e em outros onde o sistema está implantado, à custa dos doentes e da sua saúde com certo perigo para a sua sobrevivência.

Um bom resto de Domingo

Fica então o ALERTA e nunca confiem, em absoluto, quando medições neste sistema situam-se com a situação LO. Façam de seguida uma medição com palheta, via bolha de sangue, se possível com as palhetas que são lidas pelo mesmo leitor do FreeStyle Libre e são gratuitas quando pedidas aos laboratórios Abbott.

Resposta do médico: Pois não é ainda um sistema preciso e nunca será, pois mede o açúcar na pele e não no sangue. É útil se prestar mais atenção à seta da tendência. Em termos globais mostrou ser aceitável mas não é comparável às glicemias.

Esclarecedor, hein? Quantos milhões estes laboratórios não ganham à pala deste produto?

 

191: E se o leite for, afinal, causador de morte prematura?

 

Há muito que os benefícios do consumo de leite não são consensuais. Mas uma nova investigação vai mais longe e não só não aponta efeitos positivos ao consumo de leite como ainda o associa ao risco de diminuição dos anos de vida

visao29102014Beber três copos de leite por dia não reduz o risco de fracturas ósseas e ainda aumenta o risco de morrer mais cedo. O estudo, conduzido por investigadores suecos, aponta o dedo aos níveis elevados de lactose e galactose encontrados no leite. Estes açúcares, acreditam os cientistas, podem aumentar o stress oxidativo e a inflamação crónica do organismo – duas grandes causas de doenças crónicas e fatais.

A investigação foi conduzida pela Universidade de Uppsala, na Suécia, e liderada pelo professor Karl Michaelsson, que embora defenda a necessidade de aprofundar o estudo sobre o tema, considera que os resultados já obtidos “podem questionar a validade das recomendações de consumo de grandes quantidades de leite para prevenção de fracturas por fragilidade [dos ossos]”.

Os investigadores observaram o regime alimentar e estilo de vida de dois grupos de homens e mulheres ao longo de vários anos. Nas mulheres, o estudo não encontrou qualquer diminuição no risco de fracturas com um consumo elevado de leite. Mas as que bebiam mais de três copos por dia tinham um risco maior de morte. Os resultados foram semelhantes nos homens, mas menos pronunciados.

Pelo contrário, o consumo significativo de produtos à base de leite fermentado, como os iogurtes, foi associado a taxas de mortalidade e fractura inferiores, sobretudo nas mulheres.

Investigações anteriores sobre o efeito do consumo de lacticínios na prevenção da osteoporose obtiveram resultados contraditórios.

In Visão online
11:43 Quarta feira, 29 de Outubro de 2014

170: Infarmed nega riscos cancerígenos da pasta de dentes Colgate Total

 

A autoridade do medicamento, o Infarmed, emitiu um comunicado esta quarta-feira negando o risco cancerígeno do uso da pasta de dentes Colgate Total depois de uma notícia avançada pela agência Bloomberg.

dd13082014_02De acordo com o Infarmed, o triclosan é uma substância química utilizada de forma generalizada e em diferentes situações como conservante e «a sua utilização é permitida e segura desde que se observem as imposições da legislação europeia relativamente a esta classe de produtos».

«A legislação europeia relativa aos produtos cosméticos especifica uma concentração máxima de 0,3% em relação à utilização de triclosan como conservante. Este valor é considerado seguro pelo Comité da Segurança dos Consumidores da Comissão Europeia em pastas dentífricas, sabonetes de mãos, sabonetes corporais/geles de banho, desodorizantes, pós faciais e cremes corretores», assinala o Infarmed.

«Desta forma uma pasta de dentes para ser disponibilizada no mercado europeu poderá apresentar a substância triclosan numa concentração máxima de 0.3%», explica.

«Além disso, foram consideradas seguras para o consumidor outras utilizações de triclosan em produtos para as unhas, quando a utilização pretendida fosse a limpeza das unhas das mãos e dos pés antes da aplicação de unhas artificiais, a uma concentração máxima de 0,3 %, bem como em produtos para lavagem bucal a uma concentração máxima de 0,2 %», refere ainda o documento.

In Diário Digital online
13/08/2014 | 20:31

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