319: Sarampo faz com que o corpo se “esqueça” de como combater infecções

 

(dr) Envato Elements

O sarampo tem um impacto devastador no sistema imunológico que pode debilitar durante anos a capacidade de o corpo combater infecções, concluíram dois investigações recentes sobre o vírus. 

O vírus, apontam os cientistas, pode levar a uma “amnésia imunológica”, ou seja, o corpo esquece-se de como combater micro-organismos que antes sabia derrotar.

Escreve a BBC que o sarampo reverte o sistema imunológico para um estado “infantil”, comprometendo a sua capacidade de criar formas de combater novas infecções.

As descobertas agora divulgadas, frisa a Deutsche Welle, ajuda a explicar por que motivo as crianças costumam contrair outras doenças infecciosas após se curarem do sarampo, alertando ainda para os perigos da não vacinação.

Ambos estudos divulgados recentemente – um publicado na revista Science e outro publicado na Science Immunology – analisaram um grupo de pessoas não vacinadas na Holanda, visando descobrir os efeitos do sarampo no sistema imunológico.

Numa das investigações, os cientistas sequenciaram genes de 26 crianças antes de serem infectadas, tendo depois analisado os mesmo participantes entre 40 a 50 dias depois. A equipa descobriu que determinados anticorpos que tinham sido criados para combater outras doenças tinham desaparecido do sangue dos infectados.

O segundo estudo concluiu que a infecção por sarampo destruiu entre 11% e 73% dos anticorpos protectores das crianças – proteínas do sangue que “recordam” batalhas anteriores contra diferentes vírus e ajudam o corpo a evitar infecções repetidas.

Na prática, as crianças ficaram vulneráveis a infecções a que já tinham sido imunes.

A importância da vacinação

Segundo os cientistas, os resultados obtidos tem implicações para a saúde pública em todo o mundo, uma vez que o declínio nas taxas de vacinação tem conduzido a surtos de sarampo – que, consequentemente, podem permitir o reaparecimento de outras doenças perigosas, como difteria e tuberculose.

“Esta é uma demonstração directa em humanos daquilo a que chamamos ‘amnésia imunológica’, em que o sistema imunológico esquece-se de como responder a infecções enfrentadas anteriormente”, explica a especialista Velislava Petrova, da Universidade de Cambridge, no Reino Unido, que conduziu um dos estudos.

Por sua vez, Stephen Elledge, geneticista e pesquisador do Instituto Médico Howard Hughes, nos Estados Unidos, que conduziu a segunda investigação, sublinha que os seus resultados trazem “evidências realmente fortes de que o vírus do sarampo está mesmo a destruir o sistema imunológico”.

O sarampo – doença que pode ser prevenida com duas doses de uma vacina aplicadas desde a década de 1960 –  causa tosse, feridas na pele e febre, podendo levar a complicações potencialmente fatais, incluindo pneumonia e uma inflamação no cérebro conhecida como encefalite.

Recentemente, a Organização Mundial da Saúde alertou para um “aumento alarmante” de casos de sarampo entre pessoas não vacinadas em todo o mundo. Nos três primeiros meses do ano, o número de casos quadruplicou em relação ao mesmo período de 2018.

“O vírus [do sarampo] é muito mais prejudicial do que imaginávamos, o que significa que a vacina é agora muito mais valiosa”, conclui o geneticista Elledge.

ZAP // BBC / Deutsche Welle

Por ZAP
6 Novembro, 2019

 

79: DGS alerta profissionais de saúde para o risco de importação de casos de sarampo durante o verão

 

Saúde

A Direcção-Geral da Saúde (DGS) alertou os profissionais de saúde para o risco de importação de casos de sarampo durante o verão devido à maior circulação de turistas e emigrantes provenientes da Europa, África ou Ásia.

Numa circular dirigida aos médicos e enfermeiros do sistema de saúde, publicada no site da DGS, o director-geral da Saúde refere que “a situação epidemiológica descrita a nível mundial aumenta a probabilidade de importação de casos da doença, através de viajantes infectados e de, a partir desses casos, poderem surgir surtos em Portugal” como aconteceu em 2005, 2009, 2010 e também já este ano.

Assim, os médicos devem ter em consideração “o risco de importação de sarampo durante o verão, devido à maior circulação no nosso país de viajantes (turistas e migrantes) provenientes da Europa, África ou Ásia”, salienta Francisco George.

In Destak online
30 | 07 | 2012 08.14H
Destak/Lusa | destak@destak.pt

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