76: Seringa a laser sem agulha é portuguesa e deve chegar ao mercado em 2013

 

Uma seringa a laser, sem agulha, está a ser desenvolvida em Coimbra e deverá chegar ao mercado dentro de um ano, anunciou hoje Carlos Serpa, um dos investigadores envolvidos.

O Laserleap (seringa a laser) é um sistema em nada semelhante às tradicionais seringas com agulha, mas que, tal como estas, permite fazer chegar o medicamento ao destino pretendido, só que sem picada e recorrendo a laser.

O protótipo da “seringa” foi hoje apresentado na Universidade de Coimbra (UC), onde o projecto nasceu, em 2008, por um grupo de três investigadores do Departamento de Química, que inclui também Luís Arnaut e Gonçalo Sá.

Através do laser, é criada uma onda de pressão que, ao chegar à pele, gera uma “espécie de tremor de terra”, deixando-a “durante alguns segundos permeável”, o que facilita a aplicação do fármaco, administrado em creme ou gel, explicou Carlos Serpa.

O fármaco “surte efeito mais rapidamente, nomeadamente no caso dos analgésicos tópicos”, acrescentou.

Aplicações no tratamento do cancro da pele e de determinadas doenças dermatológicas, administração de vacinas ou aplicações em cosmética são algumas das utilizações da tecnologia Laserleap.

Testado em três dezenas de estudantes do Departamento de Química, o sistema “não provoca dor nem vermelhidão, de uma maneira geral – “apenas cinco por cento dos casos, mas passa rapidamente” – e é considerado “seguro para os humanos”.

Vencedor da primeira edição do prémio RedEmprendia (2010), no valor de 200 mil euros, o Laserleap, levou já à criação de uma empresa – LaserLeap Tecnologies, em Setembro de 2011, e actualmente incubada no Instituto Pedro Nunes – e a um pedido de patente internacional, em Abril de 2011.

Ainda recentemente, o projecto venceu o desafio internacional lançado no Photonics West 2012, um dos maiores encontros científicos do mundo na área da fotónica.

A RedEmprendia é uma associação criada com apoio do Grupo Santander e orientada para o empreendedorismo, que congrega 20 universidades ibero-americanas – em Portugal, as Universidades de Coimbra e do Porto.

Durante a apresentação do protótipo, o presidente da RedEmpreendia, Senen Barro, classificou o projecto português de “excepcional”, referindo que, na “corrida” ao prémio, estiveram outros também “bastante bons”.

“A qualidade de vida de muitas pessoas pode mudar radicalmente” com a nova seringa, considerou.

O director da divisão do Santander Universidades para Portugal, Marcos Ribeiro, afirmou, por sua vez, que “o país precisa agora, mais do que nunca, que as universidades prossigam o motor de desenvolvimento” que representam para o “crescimento sustentável das sociedades”.

Depois de salientar a importância da RedEmpreende no desenvolvimento dos projectos de investigação, o reitor da UC, João Gabriel Silva, manifestou-se preocupado com a “diminuição global dos montantes disponíveis para os projectos de investigação”, através da Fundação para a Ciência e Tecnologia.

“Se estas restrições se mantiverem, é óbvio que muito do percurso positivo que Portugal tem feito nos últimos 10, 15 anos vai ser posto em causa, o que é preocupante e não é compatível com as afirmações que se fazem de que as universidades são decisivas para o desenvolvimento do país”, sustentou.

In Diário Digital online
Diário Digital com Lusa
02/07/2012

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