285: O óleo de coco é “puro veneno”, alerta professora de Harvard

 

(PPD/P0) moho01/ Pixabay

O óleo de coco – amplamente reconhecido pela sua versatilidade e benefícios para a alimentação e estética – pode ser, na verdade, pouco saudável. Karin Michels, professora da Universidade de Harvard, nos EUA, considerou o produto “puro veneno” e um “dos piores alimentos que se pode comer”.

Foi durante uma palestra na Universidade de Friburgo, na Alemanha, intitulada de “O óleo de coco e outros erros nutricionais” que Karin Michels reiterou, de forma muito explícita, que o óleo de coco não é saudável.

As características do superalimento já tinha sido analisadas no ano passado, depois da American Heart Association (AHA) ter actualizado as suas directrizes, as quais recomendava que as pessoas evitassem ácidos graxos saturados, presentes no óleo de coco.

Michels foi ainda mais longe do que a AHA e durante a palestra – que acabou por se tornar viral no YouTube – afirmou “o óleo de coco é puro veneno”, explicando que é “um dos piores alimentos que se pode comer”.

Não há estudo científicos que demonstrem benefícios significativos do óleo de coco para a saúde. E, segundo a Michels, o óleo de coco é mais perigoso do que a banha de porco porque é composto, quase exclusivamente por ácidos graxos saturados que podem “entupir” as artérias coronárias.

É fácil identificar quais são as gorduras que têm grandes quantidades de ácidos graxos, verificando estes produtos permanecem sólidos à temperatura ambiente – como é o caso da manteiga ou da banha de porco.

Tendo em conta a elevada saturação deste tipo de ácidos, a maioria dos especialista recomenda a utilização de azeite de azeitona ou girassol. E, quando o azeite não for opção, há ainda o óleo de linhaça que é igualmente ricos em ácidos graxos não saturados e ómega 3.

Ao contrário do óleo de coco, todos estes produtos têm ácidos graxos não saturados.

Embora Michels não mencione outro tipo de “super alimentos” – tal como o açai, a chia ou a matcha – como prejudiciais, a professora considera que são ineficazes porque, na maioria dos casos, os nutrientes que estão disponíveis nestes alimentos estão também noutros de mais fácil acesso ao público, como cenouras, cerejas e damascos.

“Estamos bem e suficientemente abastecidos”, reiterou.

Serão as gorduras saturadas prejudiciais?

A maioria dos pesquisadores concorda que o azeite ou o próprio óleo de linhaça são parte importante para uma alimentação saudável. No entanto, a comunidade científica ainda não chegou a um consenso: há quem os considere “super alimentos”, como também há quem os considere extremamente prejudiciais.

Quanto ao óleo de coco em particular, a maioria das orientações dietéticas internacionais recomenda a ingestão de gorduras saturadas de forma moderada. Como diz a sabedoria popular, a dose faz o veneno. O segredo passa pela moderação.

O óleo de coco ganhou popularidade nos últimos anos, sendo amplamente divulgado e aconselhado por marcas e celebridades, que apontam os seus benefícios quer para a saúde quer para a beleza e estética. O óleo pode ser utilizado para cozinhar como alternativa a outras gorduras, como também para hidratar a pele e o cabelo.

Por ZAP
25 Agosto, 2018

 

284: Uma das doenças mais mortais do século XVIII voltou a aparecer nos países ricos

 

jholst / Flickr

O escorbuto, doença associada aos marinheiros dos Descobrimentos, não desapareceu por completo e continua a fazer vítimas em países desenvolvidos como os EUA e a Austrália.

Nos dias que correm, é difícil associar desnutrição a um país rico, desenvolvido e com altos índices de obesidade como os Estados Unidos. No entanto, a verdade é que uma das doenças mais mortais do século XVIII está a regressar a esta nação (que desperdiça um quarto da sua comida por ano).

Estamos a falar do escorbuto, uma doença simples de tratar e que é causada pela falta de uma única vitamina, mais propriamente a vitamina C, que pode ser encontrada em muitos tipos de fruta e legumes.

Esta doença ficou amplamente ligada à época dos Descobrimentos, quando os marinheiros, que passavam meses no mar com uma dieta pouco variada e escassa, começavam a ficar com sintomas como perda de dentes e sangue nas gengivas. Depois, surgiam as dores nas articulações e feridas que não cicatrizavam. Em três meses sem ingerir vitamina C, muitos deles morreram.

A falta desta vitamina aumenta os riscos de hemorragias, infecções e ataques cardíacos. O tratamento para o escorbuto foi descoberto em 1747 e passa simplesmente por ingerir pequenas quantidades de vitamina C todos os dias.

Mas, pelos vistos, esta doença ainda não desapareceu por completo e uma das suas vítimas foi precisamente Sonny Lopez, norte-americano de Springfild, Massachusetts, que foi pedir aconselhamento médico a Eric Churchill quando começou a sentir os mesmos sintomas que os marinheiros do século XV.

Segundo o médico, este não foi o primeiro paciente que apareceu no consultório com esta deficiência vitamínica. “Diagnostiquei o primeiro caso há cerca de cinco ou seis anos. Foi muito dramático porque se tratava de alguém com uma doença mental que só comia pão e queijo”, explicou o especialista, citado pelo Science Alert. “Dessa época até agora,  já diagnosticámos entre 20 a 30 pessoas com escorbuto”, acrescenta.

Churchill e a sua equipa do Baystate High Street Health Centre começaram a questionar os pacientes sobre os seus hábitos alimentares e, actualmente, estão a fazer uma investigação sobre o escorbuto em ambiente urbano.

Lopez, que não tem muitas condições financeiras e passou vários anos a comer apenas uma refeição por dia, optava por comidas mais calóricas para tentar controlar a fome. A receita que recebeu do médico foi “comer uma laranja por dia”.

“Muitas pessoas que passam dificuldades para comprar comida acabam por escolher alimentos ricos em gordura, com muitas calorias e que enchem. São as comidas que nos enchem e nos satisfazem mais do que frutas e verduras”, aponta o médico.

Porém, muitos dos pacientes de Churchill têm peso a mais ou são obesos, mostrando que comer excessivamente não é sinónimo de ingerir todas as vitaminas necessárias.

Além disso, de acordo com o mesmo site, os casos de escorbuto não acontecem apenas nos EUA. Em 2016, um relatório desenvolvido na Austrália indicou que havia uma incidência assustadora de casos entre pacientes diabéticos.

“Quando lhes perguntei sobre a alimentação que faziam, uma pessoa disse que comia pouca ou quase nenhuma quantidade de fruta e legumes, enquanto outros comiam esses alimentos mas estavam a cozinhá-los de forma excessiva. Isso destrói a vitamina C”, explica Jenny Gunton, médica e investigadora do Westmead Institute for Medical Research à ABC.

Churchill concluiu no seu estudo que pessoas mais pobres sofrem mais com a doença. “A pobreza no mundo magoa as pessoas de muitas formas – da exposição à violência à falta de voz e oportunidade, passando pelo acesso limitado à comida saudável e atendimento médico”, diz, considerando que este tipo de doença não deveria existir em países desenvolvidos.

Por HS
22 Agosto, 2018

282: A obesidade não causa risco maior de morte

 

(CC0/PD) Tirachard Kumtanom / pexels

Acreditamos normalmente que a obesidade está ligada a problemas de saúde, mas aparentemente isso pode não ser exactamente verdade.

Segundo um novo estudo, publicado esta quinta-feira na revista Clinical Obesity, ser obeso por si só não significa necessariamente ser doente.

Investigadores da Faculdade de Saúde da Universidade de York, nos EUA, descobriram que pacientes obesos, mas sem nenhum outro factor de risco metabólico, como diabetes, hipertensão ou alto nível de colesterol, não têm um aumento na taxa de mortalidade.

O estudo, liderado por Jennifer Kuk, professora da Escola de Cinesiologia e Ciências da Saúde da Universidade de York, mostrou que, ao contrário de condições como hipertensão ou diabetes, que por si só estão relacionadas com um alto risco de mortalidade, esse não é o caso da obesidade, quando considerada isoladamente.

O estudo acompanhou mais de 54 mil homens e mulheres que participaram em outros cinco estudos. Os sujeitos foram colocados em três grupos: os que tinham apenas obesidade, aqueles com algum factor metabólico isolado, seja glicose, pressão arterial ou lípidos elevados, e os obesos e com outro factor metabólico agindo em conjunto.

Os investigadores observaram quantas pessoas dentro de cada grupo morreram, em comparação com a população de peso normal e sem factores de risco metabólicos, e descobriram que 1 em cada 20 indivíduos obesos não apresentava outras anomalias metabólicas.

“Mostramos que os indivíduos com obesidade metabolicamente saudável não têm uma taxa de mortalidade elevada. Descobrimos que uma pessoa com peso normal e sem outros factores de risco metabólicos tem a mesma probabilidade de morrer que a pessoa com obesidade e sem outros factores de risco”, assegura Kuk.

“Isso significa que centenas de milhares de pessoas com obesidade metabolicamente saudável estão a ser orientadas a perder peso quando é questionável o benefício que realmente terão”, alerta.

Segundo Kuk, os resultados deste estudo podem afectar a forma como pensamos sobre a obesidade e a saúde. “Isto contrasta com a maior parte da literatura”, diz Jennifer Kuk.

Segundo a investigadora, a maioria dos estudos definiu a obesidade saudável como tendo um factor de risco metabólico.  “É provável que a maioria dos estudos tenha relatado que a obesidade saudável ainda está relacionada com maior risco de mortalidade”, diz.

E isso é um problema, já que condições como açúcar elevado no sangue e colesterol mau aumentam o risco de mortalidade de qualquer pessoa, magra ou gorda.

Por HS
16 Julho, 2018

 

278: Tiras para medir glicemia recolhidas do mercado

 

v1ctor Casale / Flickr

Alguns lotes das tiras de teste Accu-Chek Aviva, para medir a glicemia, foram recolhidos pelo fabricante por falhas no sistema medidor, anunciou o Infarmed.

Alguns lotes das tiras de teste Accu-Chek Aviva, para determinar a glicemia, foram recolhidos pelo fabricante por falhas no sistema medidor, anunciou a Autoridade Nacional do Medicamento e Produtos de Saúde (Infarmed).

A Roche Diabetes Care “verificou que alguns lotes das tiras teste Accu-Chek Aviva para determinação da glicemia (glucose sanguínea) podem apresentar um aumento potencial da identificação de erro antes da medição do valor de glicemia”, consta numa nota do Infarmed.

Segundo a Autoridade Nacional do Medicamento e Produtos de Saúde, esta situação origina uma mensagem de erro no medidor, “após a inserção da tira ou devido ao não reconhecimento da tira”.

Além disso, num número muito limitado de casos, a tira não indica o erro mas origina um falso resultado, que poderá levar a uma terapêutica inadequada.

O Infarmed publica na sua página da Internet a lista dos lotes em causa e aconselha os doentes a verificarem se as tiras que possuem pertencem a estes lotes e, em caso positivo, a não as usarem e contactarem a linha de apoio ao cliente Accu-Chek através do telefone 800 200 265.

“O fabricante encontra-se a investigar as causas deste problema e já iniciou a implementação de medidas correctivas”, refere o Infarmed.

A Autoridade do Medicamento lembra ainda que quaisquer incidentes ou outros problemas relacionados com este dispositivo devem ser notificados à Unidade de Vigilância de Produtos de Saúde do Infarmed.

ZAP // Lusa

Por ZAP
30 Maio, 2018

277: Número de casos de cancro vai aumentar 58% até 2035

 

Annie Cavanagh / Wellcome Images
Células cancerígenas

O número de casos de cancro vai aumentar 58% em menos de 20 anos. O estilo de vida é um dos principais responsáveis deste aumento.

Um relatório recente do Fundo Mundial para a Pesquisa do Cancro, divulgado esta quinta-feira, estima que o número de novos casos de cancro deverá aumentar 58% em 2035, à medida que mais países adoptam estilos de vida “ocidentais”.

O documento junta recomendações sobre a prevenção do cancro baseadas em evidências, muitas delas relacionadas com o excesso de peso e os hábitos alimentares.

De acordo com o documento, o excesso de peso ou a obesidade estão na origem de pelo menos 12 tipos de cancro, mais cinco do que o Fundo referia há uma década. Ao cancro do fígado, ovários, próstata, estômago, boca e garganta (boca, faringe e laringe) junta-se o cancro do intestino, mama, vesícula biliar, rins, esófago, pâncreas e útero.

Enquanto que o risco de cancro aumenta se ingerirmos regularmente bebidas com açúcar, ser fisicamente activo pode ajudar a proteger contra três tipos de cancro – intestino, mama e útero – e ajuda a manter um peso saudável. O relatório refere ainda a importância de uma dieta rica em legumes e frutas e pobre em carnes vermelhas e processadas.

Além disso, alerta para que o consumo de álcool está fortemente ligado ao risco de contrair seis tipos de cancro como o de estômago, intestino, mama, fígado, boca e garganta e esófago.

Os autores do trabalho notam ainda que estilos de vida sedentários e com uma alimentação rápida e processada estão a levar a “aumentos dramáticos” de casos de cancro em todo o mundo, e salientam que uma em cada seis mortes no mundo se deve ao cancro.

“À medida que mais países adoptam estilos de vida ocidentais o número de novos casos de cancro deverá aumentar 58% para 24 milhões de pessoas no mundo em 2035“, refere o relatório hoje divulgado.

Com o título “Dieta, Nutrição, Actividade Física e Cancro, uma Perspectiva Global”, o documento providencia um pacote de comportamentos que sendo seguidos podem permitir uma vida mais saudável e menos probabilidade de cancro.

Com mais de 3,7 milhões de casos e 1,9 milhões de mortes por ano, o cancro representa a segunda causa de morte e morbilidade na Europa.

ZAP // Lusa

Por Lusa
24 Maio, 2018

– Só que estes idiotas, esquecem-se (ou não?) que o maior contributo para o aparecimento de cancro, seja ele de que tipo for, está situado principalmente no ar poluído que respiramos, nos químicos que entram em tudo o que comemos e bebemos, sendo o resto uma ajuda para o aparecimento desta terrível doença.

272: O horário de verão está literalmente a matar-nos

 

MattysFlicks / Flickr

O ritual anual de trocar uma hora de luz matinal pelo brilho do fim da tarde pode parecer inofensivo, mas, a cada ano, na segunda-feira seguinte a esta troca, os hospitais norte-americanos registam um aumento de 24% de ataques cardíacos.

Será apenas uma coincidência? Provavelmente não. Os médicos também veem a tendência oposta acontecer no outono: depois de repormos o horário nos nosso relógios, há registo de menos 21% de ataques cardíacos.

A razão pela qual andar com o relógio para a frente pode-nos matar está relacionada com a interrupção dos horários de sono. A 25 de Março, em vez de o relógio passar da 1h59 para as 2 horas, como é normal, passa para as 3 horas, saltando uma hora.

Os investigadores estimam que todos seremos privados de cerca de 40 minutos de sono por causa disso. “É esta a fragilidade que o nosso corpo apresenta a menos uma hora de sono”, disse o especialista em sono Matthew Walker.

Walker explicou que esta “experiência global” que fazemos duas vezes por ano é um sinal do quão sensível o nosso corpo é à mudança de horários: no outono, alterar o relógio é uma bênção, na primavera, uma maldição.

A trágica tendência de aumento do número de ataques cardíacos só dura um dia, mas os nossos corpos podem não conseguir recuperar dessa alteração durante semanas. O ser humano também se torna mais susceptível a fazer erros fatais nas estradas devido à alteração de horários.

Nos Estados Unidos, os investigadores estimam que os acidentes de carro nos EUA causados pela privação de sono na altura de mudar para o horário de verão custou a vida a 30 pessoas, durante o período de nove anos de 2002 a 2011.

“O cérebro, através de lapsos de atenção e micro-sonos, é tão sensível quanto o coração a pequenos distúrbios do sono”, explica Walker no livro “Como dormimos”.

Os problemas não acabam aí. Também há mais relatos de lesões no trabalho, quando chega a altura de trocar de horário. Há mais AVC’s e o número de tentativas de suicídio nesta época do ano aumenta também.

Por estas razões, estados como Florida e Massachusetts estão a começar a pressionar para abandonar a mudança, informa a ABC News, enquanto que o Hawai e o Arizona já o ignoram.

Na Europa, recentemente, o Parlamento europeu propôs também abandonar esta mudança, que acontece duas vezes ao ano.

A história por trás do horário de verão

O horário de verão foi originalmente inventado como uma forma de economizar energia. A medida foi implementada durante a Primeira Guerra Mundial, na Alemanha.

Pesquisas mais recentes sugerem que provavelmente esta mudança não nos poupa qualquer energia. Por outro lado, há provas de que a luz da noite pode reduzir o crime e aumentar o tempo que as pessoas passam a exercitar, pelo menos em determinados climas.

Mas há mais de metade dos países do mundo que participam neste ritual bianual de mudança de relógio, e a tradição inevitavelmente custa a vida a algumas pessoas.

Então, enquanto pode aproveitar a luz extra ao final do dia, tenha mais cuidado com o coração e com as chaves do carro.

ZAP // Science Alert

Por ZAP
11 Março, 2018

 

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...