533: Tomates modificados são uma fonte acessível para tratar a doença de Parkinson

 

 

CIÊNCIA/SAÚDE/PARKINSON

(dr) Phil Robinson
Um tomate projectado para produzir L-DOPA, um medicamento usado para tratar a doença de Parkinson

Uma equipa de cientistas conseguiu produzir frutos com uma maior quantidade de L-DOPA, uma substância usada no tratamento da doença de Parkinson.

Cientistas modificaram geneticamente um tomate para produzir levodopa (L-DOPA), um precursor de aminoácido do neurotransmissor dopamina que compensa o fornecimento desfalcado em pacientes com Parkinson. Apesar de a forma mais comum do medicamento ser sintética, também existem fontes naturais.

A L-DOPA é produzida a partir da tirosina, um aminoácido encontrado em muitos alimentos. Recentemente, a equipa do Centro John Innes, no Reino Unido, inseriu um gene em tomates que codifica a tirosinase, uma enzima que usa a tirosina para construir moléculas como a L-DOPA. O processo elevou o nível da substância na fruta.

Segundo o Tech Explorist, o uso de tomates como fonte de levodopa oferece benefícios às pessoas que sofrem efeitos adversos com a toma do medicamento, nomeadamente náuseas e distúrbios comportamentais causados pela L-DOPA sintetizada quimicamente.

O tomate foi o fruto escolhido uma vez que pode ser produzido em larga escala, além de ser uma cultura amplamente cultivada pelo mundo inteiro.

Cathie Martin, autora do estudo, explicou em comunicado que o objectivo dos cientistas é permitir o cultivo de tomates com “relativamente pouca infra-estrutura” a um “custo relativamente baixo”.

“Demonstramos que o uso de tomates que expressam tirosinase como fonte de L-DOPA é possível. É mais uma demonstração do tomate como uma forte opção para a biologia sintética. Além disso, houve surpreendentes efeitos benéficos, como melhoria na vida útil e níveis elevados de aminoácidos que podemos investigar”, acrescentou Dario Breitel, primeiro autor do artigo científico publicado na Metabolic Engineering.

Além de eliminar os efeitos adversos da L-DOPA, o tomate geneticamente modificado vai tornar acessível um produto farmacêutico que é caro, principalmente em países em desenvolvimento, onde muitos pacientes não conseguem pagar o preço diário de dois dólares (1,65 euros) de levodopa sintética.

Por Liliana Malainho
18 Dezembro, 2020

 

 

526: Proteína cerebral pode ser a chave para o tratamento do Parkinson

 

 

SAÚDE/PARKINSON

heatherbuckley / Flickr

A doença de Parkinson é causada pela perda gradual de neurónios de dopamina. Recentemente, uma equipa de investigadores encontrou uma proteína cerebral capaz de prevenir a perda de neurónios dopaminérgicos, uma descoberta importante para o desenvolvimento de novos tratamentos.

A comunidade científica tem vindo a estudar o uso de factores neuro-tróficos para retardar a progressão da doença de Parkinson, que afecta actualmente cerca de 10 milhões de pessoas em todo o mundo. Esta família de biomoléculas, normalmente encontradas no cérebro, desempenham um importante papel de nutrição e protecção de diferentes tipos de neurónios, incluindo os dopaminérgicos, essenciais no controlo dos movimentos.

O The Next Web explica que, em 1993, os cientistas descobriram que o factor neuro-trófico derivado da linha de células gliais (GDNF) protegia os neurónios de dopamina em testes laboratoriais. No início dos anos 2000, os investigadores deram início aos ensaios clínicos, nos quais o GDNF era aplicado directamente em cérebros de pacientes com Parkinson.

Os primeiros testes apresentaram resultados promissores. No entanto, depois de ter passado por estudos clínicos nos quais os pacientes se dividiram em dois grupos – os que receberam o medicamento e o grupo placebo – o tratamento com GDNF não mostrou melhora significativa nos sintomas dos pacientes com Parkinson.

No ano passado, um ensaio clínico produziu resultados dececionantes, naquele que foi o grande golpe para a comunidade de cientistas que estudam a doença de Parkinson.

Mas um outro factor neuro-trófico, chamado GDF5, revelou-se promissor. Apesar de estar relacionado com o GDNF, actua de forma diferente nos neurónios dopaminérgicos, desempenhando um papel importante no desenvolvimento e funcionamento. O artigo científico com a descoberta foi publicado no dia 30 de Novembro na Brain.

Os cientistas explicam que o GDF5 teve efeitos benéficos em ratos, nos quais o GDNF já havia demonstrado ineficácia. Em comparação com estudos anteriores, foi possível, desta vez, imitar com mais precisão a doença de Parkinson humana.

A equipa aplicou excesso de alfa-sinucleína (provável proteína envolvida na doença) no cérebro dos ratos para replicar o Parkinson e inseriu o gene responsável por produzir a proteína GDF5 nos seres humanos.

Seis meses depois, os investigadores contaram os neurónios de dopamina nos animais e descobriram que, no grupo não tratado com a proteína, cerca de 40% a 50% dos neurónios morreram. O mesmo não se verificou com uso de GDF5. Além disso, este factor neuro-trófico aumentou a quantidade de dopamina no cérebro.

O próximo passo é descobrir qual a melhor fase da doença para se aplicar o GDF5 no órgão e desacelerar a progressão do Parkinson.

ZAP //

Por ZAP
9 Dezembro, 2020

 

 

471: Cientistas revertem a doença de Parkinson em ratos

 

 

CIÊNCIA/SAÚDE/PARKISON

GerryShaw / Wikimedia

Uma equipa de cientistas conseguiu reverter totalmente a doença de Parkinson em ratos. Os animais deixaram de apresentar sintomas e recuperaram neurónios.

A doença de Parkinson resulta da redução dos níveis de uma substância que funciona como um mensageiro químico cerebral nos centros que comandam os movimentos. Essa substância é a dopamina. Quando os seus níveis se reduzem, dá-se a morte das células cerebrais que a produzem.

Os actuais tratamentos contra a doença apenas aliviam temporariamente os sintomas, uma vez que não conseguem evitar a perda de neurónios. Um estudo publicado na revista científica Nature demonstra que é possível reverter a perda de neurónios ao converter astrócitos em neurónios.

Os astrócitos são um dos tipos de células mais numerosos do cérebro e são importantíssimos na comunicação entre várias regiões do cérebro que são relevantes para a cognição.

Os investigadores chegaram a esta conclusão após injectarem em ratos um vírus que suprime a produção de uma proteína chamada PTB, que bloqueia a produção de proteínas neuronais pelos astrócitos. De acordo com o site Massive Science, com níveis mais baixos de PTB, os astrócitos podiam produzir proteínas neuronais e tornar-se cada vez mais semelhantes aos neurónios.

Não só os investigadores verificaram uma restauração dos níveis de dopamina como também uma correcção total dos sintomas em ratos.

Estima-se que cerca de 20 mil portugueses sofram desta doença. À escala mundial, estima-se que existam 7 a 10 milhões de indivíduos com Parkinson. A sua prevalência aumenta com a idade, sendo rara antes dos 50 anos, e é mais comum nos homens do que nas mulheres. Contudo, em 5% dos casos, surge antes dos 40 anos.

Esta descoberta pode ser um passo importante para curar totalmente a doença de Parkinson em humanos, embora os cientistas ainda estejam um pouco longe disso.

ZAP //

Por ZAP
22 Outubro, 2020

 

 

417: Parkinson afinal não é uma doença… são duas

 

 

SAÚDE/PARKINSON

radioalfa / Flickr

Um estudo dinamarquês veio mostrar que a doença de Parkinson se divide em dois tipos diferentes – um começa no cérebro e outro nos intestinos – que são os responsáveis pelos diferentes sintomas reportados pelos pacientes.

A doença de Parkinson é caracterizada pela deterioração lenta do cérebro devido à acumulação de alpha-synuclein, proteína que danifica as células nervosas. Isto causa os movimentos lentos e rígidos, normalmente associados à doença, para os quais existe já dispositivo que os pode ajudar a lidar com a condição.

O estudo publicado na Brain revela que a doença se divide em dois tipos diferentes, o que poderá justificar os sintomas bastante diferentes sentidos pelos pacientes, e aponta para tratamentos personalizados como sendo caminho a seguir para estes doentes.

“Com a ajuda de técnicas de scanning avançadas, mostramos que a doença de Parkinson pode estar dividida em duas variantes, que começam em diferentes sítios do corpo“, revelou Borghammer, um dos responsáveis pelo estudo realizado na Universidade de Aarhus, na Dinamarca.

“Para alguns pacientes, a doença começa nos intestinos e espalha-se até ao cérebro através de ligações neurais”, explicou.

Os investigadores usaram técnicas de imagem – Tomografia Nuclear de Positrões e Ressonância Magnética – para examinar pacientes com Parkinson e pessoas não diagnosticadas, mas com alto risco de a desenvolver, como é o caso de quem sofre de Transtorno Comportamental do Sono REM, que tem risco acrescido de a desenvolver.

O estudo mostrou que alguns pacientes apresentavam danos no sistema de dopamina do cérebro antes dos intestinos ou coração ficarem afetados. Noutros pacientes, os exames revelaram estragos no sistema nervoso dos intestinos e do coração, antes do sistema de dopamina do cérebro ser afetado.

Segundo a Science Daily, para Borghammer esta descoberta é muito importante e desafia a compreensão da doença de Parkinson. Além disso, poderá ser muito importante para o tratamento de Parkinson no futuro, visto que deveria ser baseado no padrão da doença em cada indivíduo.

“Até agora, muitas pessoas viam a doença como relativamente homogénea e classificaram-na com base nos distúrbios de movimento típicos. Mas, ao mesmo tempo, ficamos intrigados sobre o porquê de existir uma grande diferença entre os sintomas dos pacientes”, disse Borghammer.

Os investigadores referem-se aos dois tipos de Parkinson como body-first (primeiro o corpo) e brain-first (primeiro o cérebro). No primeiro caso, poderá ser interessante e pertinente investigar a composição da microbiota intestinal.

“Já foi demonstrado há muito tempo que os pacientes de Parkinson têm um microbioma nos intestinos diferente das pessoas saudáveis, sem se entender verdadeiramente o significado disto”, disse o investigador, que considera pertinente examinar a possibilidade de o tipo body-first ser curado através do tratamento dos intestinos.

“A descoberta do tipo brain-first é um desafio maior. Esta variante da doença é provavelmente assintomática até aparecerem sintomas relacionados com o movimento. Nessa altura, o paciente já perdeu mais de metade do sistema de dopamina e, consequentemente, será mais difícil encontrá-los a tempo de atrasar a doença”, afirmou.

Segundo uma investigação realizada há cerca de três anos, existe uma análise sanguínea que poderá revelar sinais de Parkinson 10 anos antes do diagnóstico.

O estudo da Universidade de Aarhus é longitudinal, o que significa que os pacientes são chamados de novo após três e seis meses para que possam ser reexaminados. De acordo com Borghammer, isto faz com que o estudo faculte aos investigadores informação válida e clara sobre o Parkinson.

“Agora temos informação que nos dá esperança para tratamentos mais direcionados e melhor adaptados às pessoas afetadas pela doença de Parkinson no futuro”, disse Borghammer.

De acordo com a Associação Dinamarquesa da Doença de Parkinson, há em todo o mundo mais de oito milhões de pessoas diagnosticadas com esta doença. Em 2050, espera-se que aumente para 15 milhões, devido à população mais envelhecida, sendo que o risco de ter a doença aumenta drasticamente quanto mais velha for a população.

ZAP //

 

 

412: Reportado o primeiro caso de parkinsonismo após infecção de covid-19

 

 

SAÚDE/COVID-10/PARKINSON

DedMityay / Canva

Um homem de 45 anos de Israel revelou sintomas da doença de Parkinson (parkinsonismo) logo depois de ter sido infectado com a covid-19.

Tal como frisa o portal IFL Science, os vírus foram já muitas vezes associados ao desenvolvimento da doença de Parkinson, mas este é o primeiro caso reportado que poderá dar sinais sobre uma eventual ligação entre o novo coronavírus e doença.

O paciente, cujo caso foi recentemente publicado na revista médica The Lancet Neurology, foi internado no Hospital Universitário Samson Assuta Ashdod, em Israel, com sintomas comuns da covid-19, incluindo perda de olfacto, tosse seca e dores musculares.

Após testar positivo para o novo coronavírus, ficou hospitalizado três dias antes de ficar isolado durante três semana num espaço covid-19. Ao fim deste período, voltou a fazer o teste, testou negativo e voltou para casa.

Ao longo do processo, o homem de Israel começou a sentir tremores nas mãos e um declínio na qualidade da sua caligrafia. Foi admitido no Departamento de Neurologia do Hospital e, após vários exames, concluiu-se que a sua actividade cognitiva estava normal.

Apesar dos resultados, continuar a apresentar sintomas relacionados ao Parkinson.

Foi depois diagnosticado com parkinsonismo – qualquer condição que causa anormalidades de movimento semelhantes ao Parkinson. Desde então, a sua caligrafia tornou-se ainda mais ilegível, tem tremores extremos no lado direito e expressão facial reduzia, condição conhecida como hipomimia.

Não é possível, a partir deste caso, afirmar que o novo coronavírus causou directamente a doença mas, uma vez que o homem não tem histórica familiar de Parkinson ou outro factor de risco evidente, os autores do estudo suspeitam que a covid-19 pode ter desempenhado um papel significativo no aparecimento destes sintomas.

O portal Science Alert, que ouviu vários especialistas, escreve também que os cientistas estão atentos a esta situação, frisando, contudo, que não é possível estabelecer para já uma relação directa a partir do caso deste homem.

Os cientistas sabem já que a covid-19 está associada a danos cerebrais, sintomas neurológicos e perda de memória. O que não se sabe ainda é como e com que extensão é que a infecção por covid-19 pode causar estes sintomas.

“Embora os cientistas estejam ainda a aprender sobre a forma como é que o vírus SARS-CoV-2 é capaz de invadir o cérebro e o sistema nervoso central, o facto é que está a acontecer”, disse ao portal o neuro-cientista Kevin Barnham do Florey Institute of Neuroscience & Mental Health, na Austrália.

“O nosso melhor entendimento é que o vírus pode causar ‘insultos’ às células cerebrais, com potencial para a neuro-degeneração a partir daí”, continuou.

A grande questão passa agora por medir este potencial.

ZAP //

Por ZAP
24 Setembro, 2020

 

 

304: Há uma planta sempre presente na nossa cozinha que previne a perda de memória

 

(CC0/PD) TheVirtualDenise / Pixabay

Ingerir alho pode prevenir o esquecimento, sobretudo em pacientes com Alzheimer ou Parkinson. O benefício vem do sulfeto alílico.

O consumo de alho ajuda a neutralizar as mudanças relacionadas à idade nas bactérias intestinais associadas a problemas de memória, segundo um estudo recente, realizado em cobaias. O benefício vem do sulfeto alílico, um composto presente no alho e conhecido pelos seus benefícios para a saúde.

“A nossa descoberta sugere que a administração dietética de alho, contendo sulfeto alílico, pode ajudar a manter microrganismos intestinais saudáveis e melhorar a saúde cognitiva em idosos”, afirmou Jyotirmaya Behera, líder da equipa de cientistas da Universidade de Louisville, nos Estados Unidos.

Na prática, este composto restaura triliões de microrganismos, também conhecidos como microbiota, no intestino. Pesquisas anteriores já haviam sublinhado a importância da microbiota intestinal para a saúde humana, mas poucos estudos haviam explorado o bem-estar do intestino e as doenças neurológicas normalmente associadas ao envelhecimento.

“A diversidade da microbiota intestinal é diminuída em pessoas idosas, um estágio da vida em que as doenças neuro-degenerativas, como o Alzheimer e o Parkinson, se desenvolvem, e as habilidades cognitivas e de memória podem diminuir”, disse Neetu Tyagi, cientista que fez parte da equipa responsável e co-autora deste estudo.

“Quisemos entender melhor como as alterações na microbiota intestinal estão relacionadas ao declínio cognitivo associado ao envelhecimento”, acrescentou, citada pelo Science Daily.

Behera adiantou que os dados sugerem que o consumo dietético de alho “pode ajudar a manter os microrganismos do intestino saudáveis e melhorar a capacidade cognitiva e de raciocínio na população mais idosa”.

Os cientistas testaram esta teoria em ratos idosos de 24 meses, o que equivale à idade humana entre os 56 e os 69 anos. A estas cobaias foi-lhes dado sulfeto alílico e os animais foram, posteriormente, comparados a ratos mais novos e da mesma idade que não receberam aquela substância.

Os resultados desta experiência revelaram que os roedores mais velhos que consumiram o suplemento revelaram ter uma melhor memória a curto e médio prazo, assim como uma melhor saúde intestinal.

Além disso, pesquisas subsequentes concluíram que o sulfeto alílico preserva ainda uma expressão genética derivada de um factor neuronal natriurético no cérebro que é crucial para a preservação da memória. As descobertas foram anunciadas na reunião anual da American Physiological Society, em Orlando, Florida.

Ainda assim, as experiências continuam. Os cientistas têm como objectivo entender melhor a relação entre a microbiota intestinal e o declínio cognitivo como tratamento no envelhecimento da população.

ZAP //

Por ZAP
14 Abril, 2019

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