471: Cientistas revertem a doença de Parkinson em ratos

 

 

CIÊNCIA/SAÚDE/PARKISON

GerryShaw / Wikimedia

Uma equipa de cientistas conseguiu reverter totalmente a doença de Parkinson em ratos. Os animais deixaram de apresentar sintomas e recuperaram neurónios.

A doença de Parkinson resulta da redução dos níveis de uma substância que funciona como um mensageiro químico cerebral nos centros que comandam os movimentos. Essa substância é a dopamina. Quando os seus níveis se reduzem, dá-se a morte das células cerebrais que a produzem.

Os actuais tratamentos contra a doença apenas aliviam temporariamente os sintomas, uma vez que não conseguem evitar a perda de neurónios. Um estudo publicado na revista científica Nature demonstra que é possível reverter a perda de neurónios ao converter astrócitos em neurónios.

Os astrócitos são um dos tipos de células mais numerosos do cérebro e são importantíssimos na comunicação entre várias regiões do cérebro que são relevantes para a cognição.

Os investigadores chegaram a esta conclusão após injectarem em ratos um vírus que suprime a produção de uma proteína chamada PTB, que bloqueia a produção de proteínas neuronais pelos astrócitos. De acordo com o site Massive Science, com níveis mais baixos de PTB, os astrócitos podiam produzir proteínas neuronais e tornar-se cada vez mais semelhantes aos neurónios.

Não só os investigadores verificaram uma restauração dos níveis de dopamina como também uma correcção total dos sintomas em ratos.

Estima-se que cerca de 20 mil portugueses sofram desta doença. À escala mundial, estima-se que existam 7 a 10 milhões de indivíduos com Parkinson. A sua prevalência aumenta com a idade, sendo rara antes dos 50 anos, e é mais comum nos homens do que nas mulheres. Contudo, em 5% dos casos, surge antes dos 40 anos.

Esta descoberta pode ser um passo importante para curar totalmente a doença de Parkinson em humanos, embora os cientistas ainda estejam um pouco longe disso.

ZAP //

Por ZAP
22 Outubro, 2020

 

 

417: Parkinson afinal não é uma doença… são duas

 

 

SAÚDE/PARKINSON

radioalfa / Flickr

Um estudo dinamarquês veio mostrar que a doença de Parkinson se divide em dois tipos diferentes – um começa no cérebro e outro nos intestinos – que são os responsáveis pelos diferentes sintomas reportados pelos pacientes.

A doença de Parkinson é caracterizada pela deterioração lenta do cérebro devido à acumulação de alpha-synuclein, proteína que danifica as células nervosas. Isto causa os movimentos lentos e rígidos, normalmente associados à doença, para os quais existe já dispositivo que os pode ajudar a lidar com a condição.

O estudo publicado na Brain revela que a doença se divide em dois tipos diferentes, o que poderá justificar os sintomas bastante diferentes sentidos pelos pacientes, e aponta para tratamentos personalizados como sendo caminho a seguir para estes doentes.

“Com a ajuda de técnicas de scanning avançadas, mostramos que a doença de Parkinson pode estar dividida em duas variantes, que começam em diferentes sítios do corpo“, revelou Borghammer, um dos responsáveis pelo estudo realizado na Universidade de Aarhus, na Dinamarca.

“Para alguns pacientes, a doença começa nos intestinos e espalha-se até ao cérebro através de ligações neurais”, explicou.

Os investigadores usaram técnicas de imagem – Tomografia Nuclear de Positrões e Ressonância Magnética – para examinar pacientes com Parkinson e pessoas não diagnosticadas, mas com alto risco de a desenvolver, como é o caso de quem sofre de Transtorno Comportamental do Sono REM, que tem risco acrescido de a desenvolver.

O estudo mostrou que alguns pacientes apresentavam danos no sistema de dopamina do cérebro antes dos intestinos ou coração ficarem afetados. Noutros pacientes, os exames revelaram estragos no sistema nervoso dos intestinos e do coração, antes do sistema de dopamina do cérebro ser afetado.

Segundo a Science Daily, para Borghammer esta descoberta é muito importante e desafia a compreensão da doença de Parkinson. Além disso, poderá ser muito importante para o tratamento de Parkinson no futuro, visto que deveria ser baseado no padrão da doença em cada indivíduo.

“Até agora, muitas pessoas viam a doença como relativamente homogénea e classificaram-na com base nos distúrbios de movimento típicos. Mas, ao mesmo tempo, ficamos intrigados sobre o porquê de existir uma grande diferença entre os sintomas dos pacientes”, disse Borghammer.

Os investigadores referem-se aos dois tipos de Parkinson como body-first (primeiro o corpo) e brain-first (primeiro o cérebro). No primeiro caso, poderá ser interessante e pertinente investigar a composição da microbiota intestinal.

“Já foi demonstrado há muito tempo que os pacientes de Parkinson têm um microbioma nos intestinos diferente das pessoas saudáveis, sem se entender verdadeiramente o significado disto”, disse o investigador, que considera pertinente examinar a possibilidade de o tipo body-first ser curado através do tratamento dos intestinos.

“A descoberta do tipo brain-first é um desafio maior. Esta variante da doença é provavelmente assintomática até aparecerem sintomas relacionados com o movimento. Nessa altura, o paciente já perdeu mais de metade do sistema de dopamina e, consequentemente, será mais difícil encontrá-los a tempo de atrasar a doença”, afirmou.

Segundo uma investigação realizada há cerca de três anos, existe uma análise sanguínea que poderá revelar sinais de Parkinson 10 anos antes do diagnóstico.

O estudo da Universidade de Aarhus é longitudinal, o que significa que os pacientes são chamados de novo após três e seis meses para que possam ser reexaminados. De acordo com Borghammer, isto faz com que o estudo faculte aos investigadores informação válida e clara sobre o Parkinson.

“Agora temos informação que nos dá esperança para tratamentos mais direcionados e melhor adaptados às pessoas afetadas pela doença de Parkinson no futuro”, disse Borghammer.

De acordo com a Associação Dinamarquesa da Doença de Parkinson, há em todo o mundo mais de oito milhões de pessoas diagnosticadas com esta doença. Em 2050, espera-se que aumente para 15 milhões, devido à população mais envelhecida, sendo que o risco de ter a doença aumenta drasticamente quanto mais velha for a população.

ZAP //

 

 

412: Reportado o primeiro caso de parkinsonismo após infecção de covid-19

 

 

SAÚDE/COVID-10/PARKINSON

DedMityay / Canva

Um homem de 45 anos de Israel revelou sintomas da doença de Parkinson (parkinsonismo) logo depois de ter sido infectado com a covid-19.

Tal como frisa o portal IFL Science, os vírus foram já muitas vezes associados ao desenvolvimento da doença de Parkinson, mas este é o primeiro caso reportado que poderá dar sinais sobre uma eventual ligação entre o novo coronavírus e doença.

O paciente, cujo caso foi recentemente publicado na revista médica The Lancet Neurology, foi internado no Hospital Universitário Samson Assuta Ashdod, em Israel, com sintomas comuns da covid-19, incluindo perda de olfacto, tosse seca e dores musculares.

Após testar positivo para o novo coronavírus, ficou hospitalizado três dias antes de ficar isolado durante três semana num espaço covid-19. Ao fim deste período, voltou a fazer o teste, testou negativo e voltou para casa.

Ao longo do processo, o homem de Israel começou a sentir tremores nas mãos e um declínio na qualidade da sua caligrafia. Foi admitido no Departamento de Neurologia do Hospital e, após vários exames, concluiu-se que a sua actividade cognitiva estava normal.

Apesar dos resultados, continuar a apresentar sintomas relacionados ao Parkinson.

Foi depois diagnosticado com parkinsonismo – qualquer condição que causa anormalidades de movimento semelhantes ao Parkinson. Desde então, a sua caligrafia tornou-se ainda mais ilegível, tem tremores extremos no lado direito e expressão facial reduzia, condição conhecida como hipomimia.

Não é possível, a partir deste caso, afirmar que o novo coronavírus causou directamente a doença mas, uma vez que o homem não tem histórica familiar de Parkinson ou outro factor de risco evidente, os autores do estudo suspeitam que a covid-19 pode ter desempenhado um papel significativo no aparecimento destes sintomas.

O portal Science Alert, que ouviu vários especialistas, escreve também que os cientistas estão atentos a esta situação, frisando, contudo, que não é possível estabelecer para já uma relação directa a partir do caso deste homem.

Os cientistas sabem já que a covid-19 está associada a danos cerebrais, sintomas neurológicos e perda de memória. O que não se sabe ainda é como e com que extensão é que a infecção por covid-19 pode causar estes sintomas.

“Embora os cientistas estejam ainda a aprender sobre a forma como é que o vírus SARS-CoV-2 é capaz de invadir o cérebro e o sistema nervoso central, o facto é que está a acontecer”, disse ao portal o neuro-cientista Kevin Barnham do Florey Institute of Neuroscience & Mental Health, na Austrália.

“O nosso melhor entendimento é que o vírus pode causar ‘insultos’ às células cerebrais, com potencial para a neuro-degeneração a partir daí”, continuou.

A grande questão passa agora por medir este potencial.

ZAP //

Por ZAP
24 Setembro, 2020

 

 

304: Há uma planta sempre presente na nossa cozinha que previne a perda de memória

 

(CC0/PD) TheVirtualDenise / Pixabay

Ingerir alho pode prevenir o esquecimento, sobretudo em pacientes com Alzheimer ou Parkinson. O benefício vem do sulfeto alílico.

O consumo de alho ajuda a neutralizar as mudanças relacionadas à idade nas bactérias intestinais associadas a problemas de memória, segundo um estudo recente, realizado em cobaias. O benefício vem do sulfeto alílico, um composto presente no alho e conhecido pelos seus benefícios para a saúde.

“A nossa descoberta sugere que a administração dietética de alho, contendo sulfeto alílico, pode ajudar a manter microrganismos intestinais saudáveis e melhorar a saúde cognitiva em idosos”, afirmou Jyotirmaya Behera, líder da equipa de cientistas da Universidade de Louisville, nos Estados Unidos.

Na prática, este composto restaura triliões de microrganismos, também conhecidos como microbiota, no intestino. Pesquisas anteriores já haviam sublinhado a importância da microbiota intestinal para a saúde humana, mas poucos estudos haviam explorado o bem-estar do intestino e as doenças neurológicas normalmente associadas ao envelhecimento.

“A diversidade da microbiota intestinal é diminuída em pessoas idosas, um estágio da vida em que as doenças neuro-degenerativas, como o Alzheimer e o Parkinson, se desenvolvem, e as habilidades cognitivas e de memória podem diminuir”, disse Neetu Tyagi, cientista que fez parte da equipa responsável e co-autora deste estudo.

“Quisemos entender melhor como as alterações na microbiota intestinal estão relacionadas ao declínio cognitivo associado ao envelhecimento”, acrescentou, citada pelo Science Daily.

Behera adiantou que os dados sugerem que o consumo dietético de alho “pode ajudar a manter os microrganismos do intestino saudáveis e melhorar a capacidade cognitiva e de raciocínio na população mais idosa”.

Os cientistas testaram esta teoria em ratos idosos de 24 meses, o que equivale à idade humana entre os 56 e os 69 anos. A estas cobaias foi-lhes dado sulfeto alílico e os animais foram, posteriormente, comparados a ratos mais novos e da mesma idade que não receberam aquela substância.

Os resultados desta experiência revelaram que os roedores mais velhos que consumiram o suplemento revelaram ter uma melhor memória a curto e médio prazo, assim como uma melhor saúde intestinal.

Além disso, pesquisas subsequentes concluíram que o sulfeto alílico preserva ainda uma expressão genética derivada de um factor neuronal natriurético no cérebro que é crucial para a preservação da memória. As descobertas foram anunciadas na reunião anual da American Physiological Society, em Orlando, Florida.

Ainda assim, as experiências continuam. Os cientistas têm como objectivo entender melhor a relação entre a microbiota intestinal e o declínio cognitivo como tratamento no envelhecimento da população.

ZAP //

Por ZAP
14 Abril, 2019

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298: Vem aí uma pandemia global de Parkinson

 

yanivg / Flickr

A doença de Parkinson passou de uma doença rara a uma potencial pandemia global em algumas décadas, sendo actualmente “o distúrbio neurológico que mais cresce no mundo”. E nos próximos 20 anos, o número de doentes de Parkinson pode triplicar.

Um artigo científico no Journal of Parkinson’s Disease (O Jornal da Doença de Parkinson) debruça-se sobre como é que o mal de Parkinson passou de uma doença rara para se tornar no “distúrbio neurológico que mais cresce no mundo“, apontando que devido a factores demográficos e às consequências da industrialização, pode mesmo tornar-se numa pandemia global.

“Em 2040, poderemos falar de uma pandemia que resultará no aumento do sofrimento humano, além de disparar os custos sociais e médicos“, alerta o editor-chefe do Journal of Parkinson’s Disease (JPD), Patrik Brundin, um dos autores do artigo científico, citado pelo Sciencealert.com.

Cada vez mais pessoas serão afectadas por este mal nas próximas décadas e o número de doentes pode triplicar nos 20 anos que aí vêm, muito devido ao aumento da esperança média de vida global que contribui também para incrementar os casos de outras doenças neurológicas.

A doença de Parkinson foi identificada em 1817 pelo cirurgião britânico James Parkinson e em 2016, afectava 6,1 milhões de pessoas em todo o mundo, mais do dobro dos doentes que havia em 1990.

Daqui a 20 anos, esse número pode subir para 12 milhões de pessoas. Mas num cenário ainda mais trágico, o número pode chegar aos 17 milhões, nomeadamente se considerarmos o declínio no consumo do tabaco, fruto de campanhas de prevenção levadas a cabo nos últimos anos. É que o risco de sofrer de Parkinson desce em 40% no caso dos fumadores de longo termo, segundo investigações realizadas há várias décadas.

A crescente industrialização, designadamente devido à exposição a pesticidas, solventes e metais pesados que já foi associada com um aumento do risco de Parkinson, também vai contribuir para a inflação do número de pacientes com esta doença progressiva que afecta, gradualmente, a capacidade de mobilidade, o controlo muscular e o equilíbrio.

“A vaga da doença de Parkinson está a aumentar e a espalhar-se“, nota o neurologista Ray Dorsey do Centro Médico da Universidade de Rochester, nos EUA, um dos autores do artigo citado num comunicado.

Dorsey repara que a doença “exige um enorme custo humano para aqueles que têm a doença e para os que os rodeiam”, realçando a “tensão” gerada em quem exerce o papel de cuidador, além dos elevados “custos económicos” do Parkinson que tendem a crescer nas próximas décadas.

A boa notícia é que ainda podemos agir para tentar evitar a pandemia, como sustenta Dorsey.

“No Século passado, a sociedade confrontou com sucesso pandemias de polio, cancro da mama e VIH a vários níveis”, refere o neurologista, destacando que “central para o sucesso desses esforços foi o activismo desenfreado“.

Assim, fica o convite à comunidade de investigadores e pacientes de Parkinson, bem como de pessoas em risco de sofrerem a doença, para fazerem campanha pela prevenção e pela recolha de fundos para financiar as pesquisas nesta área.

“Esperamos que este artigo aumente a consciencialização para o desafio e forme a base para uma resposta gerada pela comunidade para enfrentar um dos grandes desafios da saúde do nosso tempo”, destaca o co-autor do artigo Bastiaan R. Bloem, do Departamento de Neurologia do Centro Médico da Universidade Radboud, na Holanda.

SV, ZAP //

Por SV
15 Fevereiro, 2019

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292: Café torrado protege contra Alzheimer e Parkinson (e não tem nada a ver com a cafeína)

 


Além de ser uma boa fonte de energia, o café protege-nos contra a doença de Alzheimer e Parkinson. Esta é a conclusão de um novo estudo levado a cabo pelo Instituto do Cérebro de Krembil, no Canadá, que sugere que quanto mais torrado o café, maior é a protecção para o nosso cérebro.

Para a investigação, os cientistas estudaram três tipos de café – torrado leve, torrado escuro e torrado escuro descafeinado – com o objectivo de perceber quais os compostos da bebida é que diminuem a deterioração cognitiva associada a este tipo de patologias.

Os especialistas quiseram ainda entender de que forma é que estes compostos agem de forma a travar a deterioração, tal como explica o artigo publicado no passado mês de Outubro na revista científica Frontiers in Neuroscience.

Os primeiros procedimentos experimentais demonstraram que tanto a cafeína torrada escura quanto os grãos torrados descafeinados tinham um efeito protector semelhante. E, por isso, os cientistas concluíram que o benefício para a saúde não se devia à cafeína.

Excluída a cafeína, a equipa continuou os procedimentos, identificando no café um grupo de compostos conhecidos como fenilindanos, resultantes do processo de do processo de torrefacção dos grãos de café. De acordo com o estudo, estes compostos são os únicos elementos capazes de impedir o agrupamento de duas proteínas comuns nas patologias de Alzheimer e Parkinson, beta-amilóides e proteínas tau.

Tendo em conta que quanto mais torrado o café maior é a quantidade de fenilindano, os cientistas concluíram ainda que o café torrado escuro parece ter um maior efeito protector maior do que o café torrado levemente.

“É a primeira vez que alguém investiga como é que o fenilalaninos interagem com as proteínas responsáveis pelas doenças de Alzheimer e Parkinson”, disse um dos autores do estudo, Ross Mancini.

“O próximo passo seria investigar até que ponto esses compostos são benéficos e perceber se estes têm a capacidade de alcançar a corrente sanguínea ou atravessar a barreira hematoencefálica”, rematou.

ZAP // RT / ScienceDaily

Por ZAP
13 Novembro, 2018

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