“Uma vacina que não seja segura e eficaz não deve sequer ser contemplada”

 

SAÚDE/COVID-19/VACINAS

No Instituto de Medicina Molecular João Lobo Antunes, Miguel Castanho dirige o Laboratório de Bioquímica de Desenvolvimento de Fármacos e Alvos Terapêuticos, onde estuda moléculas capazes de inactivar o SARS-CoV-2. Ao DN fala das incógnitas que persistem sobre a covid-19, da preocupação que lhe inspiram vacinas feitas à pressa e de como isso pode vir a impulsionar os movimentos anti-vacinação.

O investigador Miguel Castanho
© Filipa Bernardo/ Global Imagens

Em entrevista ao DN, o cientista Miguel Castanho fala das incógnitas que ainda persistem sobre o novo coronavírus e a covid-19. Uma delas é a da duração da imunidade. Casos confirmados de reinfecção, embora em número muito reduzido e sem impacto na saúde pública, mostram que ainda não passou o tempo suficiente para haver certezas sobre isso. O investigador, que está a estudar moléculas que possam inactivar o SARS-CoV-2 , acompanha com preocupação a corrida às vacinas e alerta para a necessidade de não se queimarem etapas no seu desenvolvimento. O que vê, diz, é que os políticos falam numa vacina para o novo coronavírus como a salvação, num momento em que ainda há muitas incertezas no ar. “Vejo com alguma preocupação o alastrar da ideia de que a ciência pode ser abreviada para dar essa resposta urgente”, diz.

Passado pouco mais de meio ano do início da pandemia, que incógnitas persistem sobre o novo coronavírus e a covid-19?
Sobretudo os seus efeitos de médio e longo prazo, que são ainda desconhecidos. Não passou ainda tempo suficiente. E isso é ainda mais notório na duração da imunidade ao vírus, que é uma grande interrogação, e está agora de novo em foco por causa dos recentes casos confirmados de reinfecção. Antes eram casos muito duvidosos, porque poderiam ser falsos positivos. Mas agora foi feita a sequenciação dos vírus da primeira e da segunda infecções e verificou-se que não eram exactamente o mesmo vírus. Apesar de tudo, o número de pessoas com reinfecção confirmada é muito baixo em relação ao total de casos de covid-19, portanto não tem expressão na saúde pública. Mas devem ser analisados porque nos podem dizer alguma coisa sobre os mecanismos do vírus.

Esses casos poderão aumentar?
É uma incógnita. Não sabemos se mais à frente, daqui a meses, um ano, ou dois, começamos a ter isto numa escala maior. Isso pode fazer parte de uma sazonalidade do vírus que, a acontecer, dará maior dimensão ao problema e tem implicações nas vacinas. Se as vacinas funcionarem, e esse é um ponto de interrogação muito grande, não se sabe quanto tempo durará a imunidade. Mas há outras incógnitas.

Quais são?
Por exemplo, as diferenças na resposta ao vírus, que não sabemos porque acontecem. Há pessoas que têm uma resposta imunitária muito exacerbada que desencadeia uma desregulação completa do organismo, e as pessoas morrem mais por causa disso do que por uma acção muito agressiva do vírus. Não se sabe exactamente qual é aí o factor-chave. Era extremamente importante percebê-lo, porque se pudéssemos identificar em cada pessoa se esse elemento está presente ou não, poderíamos saber quem está em alto risco, e desenvolver estratégias terapêuticas. Por outro lado, houve coisas que não se confirmaram, como a da transmissão através das superfícies. Isto é importante porque derramaram-se toneladas de desinfectantes no planeta, sem que isso tivesse impacto na evolução da situação. Devemos aprender qualquer coisa com o facto de não termos conseguido fazer uma leitura correta de alguns estudos científicos feitos em laboratório, que não têm automaticamente uma tradução para a nossa vida do dia-a-dia.

Com uma pandemia a acontecer em directo, isso não era um pouco inevitável?
Essa é uma discussão interessante e importante. Para a ciência, esta pandemia não é a primeira nem será a última. A ciência tem uma imagem pública de uma actividade muito ponderada, linear e consensual, mas isso não corresponde à ciência tal como ela se faz. Temos uma pandemia em directo e toda a gente está a olhar para a ciência e espera uma solução rápida e eficaz. E, de repente, as pessoas descobrem com alguma perplexidade que a ciência não é um mundo linear, está cheio de avanços e recuos, nem sempre os cientistas concordam uns com os outros, e há muita discussão. Nada é consensual até que várias fontes independentes, várias técnicas e vários laboratórios cheguem a um mesmo resultado. Seja em tempo de pandemia ou não, a ciência é feita da mesma maneira, e tem de ser assim. Não é admissível atropelar o método científico porque está toda a gente à espera de uma solução rápida. Vejo com alguma preocupação alastrar a ideia de que a ciência pode ser abreviada para dar essa resposta urgente.

Onde é que isso está a acontecer?
No debate sobre as vacinas, que tem sido enviesado, com base na ideia de que é preciso queimar etapas porque a vacina é muito necessária. Há uma obsessão pela vacina, como se não houvesse mais nada para fazer, o que é extremamente perigoso porque faz divergir atenção, e consequentemente os recursos, da investigação nos medicamentos. As terapêuticas de anticorpos, por exemplo, podem vir a dar mais resultados contra o SARS-CoV-2. Isto está a começar a ser explorado, nomeadamente pela Universidade de Oxford, mas se se deslocarem todos os recursos para a vacina, isso poderá prejudicar o desenvolvimento deste campo. Outra coisa que a obsessão da vacina pode levar a que não seja desenvolvida tão rapidamente como seria desejável é a área de diagnóstico e detecção. Se conseguíssemos ter testes mais fiáveis, mais baratos e mais rápidos do que os actuais, o mundo mudava. Se em cada aeroporto pudesse haver esse teste rápido, as ligações aéreas poderiam ser retomadas. Ir atrás da vacina de forma obsessiva retira a atenção de outras áreas, e quando isso acontece caem os recursos disponíveis para outras questões, que poderiam ter um impacto muito grande na pandemia. De alguma maneira, o discurso político sobrepôs-se ao discurso científico, e a questão política afunilou para a vacina, com os chefes de Estado a falar dela como quem fala da salvação.

Tornou-se uma obsessão negativa, a vacina?

Sim. Não digo obviamente que não se deve fazer, mas não devíamos esgotar tudo na vacina.

A corrida às vacinas para a SARS-CoV-2 tornou-se frenética, como nunca se viu. A Rússia até já aprovou uma, o que levantou um coro de preocupações. Quais são os potenciais problemas de uma vacina desenvolvida à pressa?
A vacina russa usa o mesmo princípio de acção da vacina de Oxford, mas os primeiros resultados da vacina russa não foram publicados, e isso faz toda a diferença. A Rússia aprovou a vacina, mas não está mais à frente no seu desenvolvimento, embora dê essa aparência. Foi uma decisão política, uma jogada de antecipação. Chamam-lhe Sputnik V, com um sentido político e uma carga histórica, como nunca tinha acontecido antes com uma vacina. Mas há várias vacinas e fornecedores, e convinha saber que critérios ditam a escolha de uma ou de outra. Isso tem sido comunicado de forma muito confusa.

Nesta altura, as vacinas ainda não estão terminadas.
Pois, mas já estão a ser feitos acordos. Ainda não se sabe o que vai sair dali, mas não sabemos com que critérios estão a ser feitos esses acordos, para se ter a garantia de que se vai comprar algo eficaz e seguro. Nunca se comunicou com grande clareza qual é o princípio desses acordos. E quando se fez uma micro-discussão pública sobre se a vacina vai ser universal e gratuita, quando do primeiro acordo, continuámos todos sem perceber em que circunstâncias a vacina será universal e gratuita. Houve até declarações, não só confusas mas um pouco preocupantes, de que se a vacina for eficaz e segura, a vacinação será universal e gratuita. Mas se não for, não devemos sequer contemplar a hipótese de estar disponível. Por outro lado, se queremos apostar na vacinação para controlar a pandemia, não vejo como isso pode ser feito sem vacinação universal. Se metade das pessoas não se quiser vacinar, então não atingimos a imunidade de grupo, a menos que ela seja muito menor do que estamos à espera.

São demasiados ses?
Para conseguirmos uma vacinação eficaz, é necessário que as pessoas estejam convencidas de que a vacinação é eficaz e segura e de que ela é necessária para todos. Mas para isso é preciso apresentar factos e ter uma comunicação baseada na clareza. Faria parte dessa estratégia conseguir explicar hoje quais são os critérios para aceitar, ou não, tomar uma determinada vacina destas todas que estão em desenvolvimento. Vemos os políticos a apresentar as vacinas de forma muito linear, como se elas fossem uma certeza que vai fazer a grande diferença.

Mesmo em situação de pandemia, o que é que não devia acontecer?
Mesmo no meio de uma pandemia, devia ser seguido todo o procedimento normal para o desenvolvimento de uma vacina. Há muito que se persegue uma vacina para a dengue. Vivemos numa permanente epidemia de dengue em África, na Ásia e na América Latina, e a doença começa agora a surgir na Europa e nos Estados Unidos, mas nunca passou pela cabeça de ninguém atalhar o caminho para se ter uma vacina para a dengue, ou para a sida. Neste último caso, houve candidatas que chumbaram na última fase de testes, porque se descobriu nos ensaios clínicos de larga escala que afinal não conferiam protecção adicional ou, nalguns casos, tinham problemas de segurança para determinados grupos. Uma das críticas aos testes que estão a ser feitos para estas candidatas a vacinas, embora as pessoas tendam a desvalorizar as críticas porque querem a vacina, é que eles não contemplam a diversidade étnica, geográfica e populacional, que normalmente é necessária no desenvolvimento de medicamentos e vacinas, e que poderia haver problemas com esses grupos sub-representados. Tudo o que se conhece são testes de fase 1, que são preliminares e feitos em indivíduos saudáveis para avaliar se há efeitos adversos graves. Sabe-se que houve uma resposta imunitária, mas não se sabe se ela é do tipo e da intensidade suficiente para conseguir combater uma potencial infecção. Isso só se saberá com os testes que estão agora a ser feitos. Os resultados dos testes de fase 1 foram anunciados com muitos adjectivos, mas, olhando para o que foi publicado, veem-se alguns efeitos adversos que, não sendo muito graves, são os que normalmente precisam de ser trabalhados mais à frente no desenvolvimento da vacina, como febres, desmaios, indisposições ou dores de cabeça. Neste caso, não sabemos se serão trabalhados, porque já tivemos notícia de que não vai haver atraso na produção e distribuição das vacinas.

Isto pode ter consequências adversas, nomeadamente no fortalecimento da corrente anti-vacinas?
O que o mundo científico arrisca é a credibilidade. As pessoas são levadas a ter uma fé quase cega na vacina e a ciência não se coaduna com isso, ainda que toda a expectativa tenha sido criada mais pelo mundo político. Mas foi exportada para o mundo científico, e este não conseguiu comunicar com clareza que o que lhe estava a ser imputado não era da sua essência. Caso exista algum problema com as vacinas, isso impulsionará as correntes anti-vacinação, que estavam muito activas antes da pandemia e agora estão em silêncio. Pode ser que corra tudo muito bem, mas estamos um pouco a brincar com o fogo.

Há muitas candidatas a vacinas contra o SARS-CoV-2. Apesar disso, poderemos chegar a não ter uma vacina?
Se a questão da vacina não tivesse sido politizada, eu diria que sim. Vimos isso acontecer muitas vezes, por exemplo no caso do VIH. Mas neste momento, para o mundo político, já não é comportável que não haja pelo menos qualquer coisa, que pode ser uma vacina imperfeita. Estou convencido de que alguma coisa vai ser apresentada.

A Organização Mundial da Saúde já admitiu que esta pandemia pode durar cerca de dois anos, talvez um pouco menos, numa perspectiva optimista. Como vê esse prazo?
Se estamos a falar de uma situação em que a pandemia desaparece na sua configuração actual, diminui o seu impacto e entra numa espécie de estado estacionário a um nível bastante mais baixo do que temos hoje, tornando-se endémico e persistente, mas como um problema relativamente menor, acho que sim. Mas, menos do que isso, não me parece plausível.

Tem estudado os eventuais efeitos de algumas moléculas sobre o SARS-CoV-2. Já tem resultados?
Estudamos antivirais há muito tempo, para vírus como o VIH, a dengue e o zika. Para nós, o SARS-CoV-2 era só uma questão de transposição do que já estávamos a fazer, porque os vírus têm semelhanças estruturais. Temos um projecto europeu para desenvolver formas de levar fármacos até ao cérebro, para protecção dos efeitos neurológicos do zika, e incluímos o SARS-CoV-2 no projecto, porque se confirmou que este coronavírus em muitos casos tem efeitos no sistema nervoso central. Descobriu-se que as pessoas com uma forma moderada de covid-19 podem desenvolver sequelas ao nível do sistema nervoso. A inclusão do SARS-CoV-2 no projecto foi acordada com a Comissão Europeia. Neste momento, já demonstrámos que se consegue levar até ao cérebro as moléculas que estamos a usar. Por outro lado, demonstrámos também que as que lhes agregamos para obter uma atividade antiviral, as porfirinas, inactivam o vírus in vitro. Falta-nos conjugar as duas coisas e demonstrar que isso acontece em modelo animal. Ou seja, que essas moléculas conjugadas chegam ao cérebro e conseguem inactivar o SARS-CoV-2 se aí o encontrarem.

Quando vão avançar para essa fase do estudo?
Para o zika tencionamos ter o modelo animal pronto para ser usado até final do ano. Para o SARS-CoV-2, pensamos já estar em condições de iniciar os testes em modelo animal no princípio do próximo ano.

Este artigo faz parte de uma série dedicada aos investigadores portugueses e é apoiada por Abbvie.

Diário de Notícias
30 AGO 2020

 

365: Estudo português dá nova vida a velhos fármacos para combater a covid-19

 

SAÚDE/INVESTIGAÇÃO/COVID-19

O Departamento de Química da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade Nova de Lisboa (LAQV-REQUIMTE), em colaboração com o Grupo de Investigação 3B”s da Universidade do Minho, acredita que o impacto deste estudo – em que se mostra que a dexametasona pode actuar nas lesões pulmonares dos doentes mais graves com covid-19. Entrevista a Ana Rita Duarte, coordenadora do trabalho.

© Orlando Almeida / Global Imagens

O Departamento de Química da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade Nova de Lisboa (LAQV-REQUIMTE), em colaboração com o Grupo de Investigação 3B”s da Universidade do Minho, acredita que o impacto deste estudo – em que se mostra que a dexametasona pode actuar nas lesões pulmonares dos doentes mais graves com covid-19 – tem relevância não só em Portugal como a nível mundial. “Em Portugal temo-nos tornado pioneiros no estudo de misturas eutécticas para várias aplicações, entre as quais aplicações biomédicas, e a investigação que se faz é muitíssimo reconhecida a nível internacional”, afirma Ana Rita Duarte, coordenadora do trabalho.

Qual a conclusão deste estudo?
Este estudo, tal como outros que temos vindo a realizar com misturas eutécticas para fins farmacêuticos, tem como objectivo melhorar a disponibilidade dos fármacos actualmente disponíveis. Neste estudo demonstramos que a solubilidade da dexametasona num meio aquoso, como o do nosso organismo, aumenta 65 vezes em relação ao fármaco puro; para além disso a sua permeabilidade duplica.

De que forma?
Ou seja, com esta abordagem podemos dar nova vida a fármacos existentes. Uma das principais desvantagens dos medicamentos é o facto de se dissolverem muito pouco em água, o que faz que seja preciso tomar uma dose muito mais elevada do que a necessária para ter o efeito pretendido, aumentando por consequência os efeitos secundários. Com esta tecnologia podemos aumentar a sua eficácia sem ter que aumentar a concentração tomada pelos pacientes tornando os fármacos mais eficazes e mais seguros. Para além disso usando solventes eutécticos, seguimos uma abordagem muito mais simples do que as formulações típicas para este tipo de medicamentos, reduzindo ao mesmo tempo os custos e o impacto ambiental.

O que é a dexametasona e de que forma pode aumentar a sobrevivência dos doentes (graves) com covid-19?
A dexametasona é um fármaco glucocorticoide, da categoria dos corticosteroides (versão sintética de hormonas produzidas pelas glândulas supra-renais), com elevado poder anti-inflamatório e imunossupressor, que tem indicação em diversas patologias. A patologia covid-19 está associada a lesões pulmonares difusas. Os glucocorticoides, e concretamente a dexametasona, podem modular o processo inflamatório subjacente, diminuindo a extensão dessas lesões e, consequentemente, reduzindo a progressão para insuficiência respiratória e morte. É de salientar que no estudo reportado pela Universidade de Oxford se conclui que a administração da dexametasona reduziu em 35% o risco de morte em doentes ventilados, e em 20% em doentes oxigenados, não havendo, no entanto, melhorias significativas em pacientes com sintomas ligeiros.

O vosso estudo é de 2018. Isso quer dizer que foi feito a pensar noutras doenças?
Sim, o nosso estudo foi planeado no âmbito do trabalho de investigação em engenharia de tecidos e medicina regenerativa, realizado no grupo 3B”s. O objectivo inicial era a preparação de um implante para regeneração óssea, no âmbito da engenharia biomédica. A combinação de ácido ascórbico com dexametasona é normalmente utilizada para promover a transformação de células estaminais em células osteogénicas (de osso), pelo que desenvolvemos um biomaterial à base de polímeros naturais impregnado com uma combinação de cloreto de colina com ácido ascórbico e dexametasona.

Qual a importância de estudos como estes para o avanço no uso de fármacos em Portugal e no mundo?
A grande maioria dos fármacos actualmente desenvolvidos pelas farmacêuticas têm problemas de solubilidade e/ou permeabilidade, o que quer dizer que a eficácia quando administrados é relativamente baixa. Daí surge a necessidade de encontrar veículos alternativos que permitam melhorar estes parâmetros. Esta vertente da química verde aliada à farmácia pode permitir novos desenvolvimentos em terapêuticas para as quais os fármacos disponíveis apresentam estas desvantagens.

E qual será o impacto, em termos gerais?
O impacto deste estudo tem relevância não só em Portugal como a nível mundial. Em Portugal temo-nos tornado pioneiros no estudo de misturas eutécticas para várias aplicações, entre as quais aplicações biomédicas, e a investigação que se faz é muitíssimo reconhecida a nível internacional.

Quem é a equipa responsável por este trabalho? Quando tempo demorou a fazê-lo?
A equipa responsável por este trabalho é liderada por mim, Ana Rita Duarte e Alexandre Paiva da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade Nova de Lisboa. Da equipa fazem ainda parte a Dra. Joana Silva e o Prof. Rui L. Reis, do grupo de investigação 3B”s da Universidade do Minho. O trabalho decorreu durante sensivelmente um ano.

Qual o investimento aplicado neste trabalho e de onde provém?
O investimento vem principalmente de fundos públicos, através de concursos nacionais e/ou internacionais altamente competitivos. Nomeadamente este projecto foi co-financiado pela Fundação para a Ciência e Tecnologia, através da bolsa de pós-doutoramento da Dra. Joana Silva, do projecto DESzyme, e pela Comissão Europeia através da bolsa ERC Consolidator DES Solve do European Research Council (Conselho Europeu para a Investigação), financiada em 1,87 milhões de euros, em 2017.

Este artigo faz parte de uma série dedicada aos investigadores portugueses e é apoiada por abbvie

358: Dexametasona é o maior avanço contra o vírus? Calma, diz o Infarmed

 

SAÚDE/COVID-19

Um grupo de investigadores da Universidade de Oxford, no Reino Unido, acredita que a dexametasona é o primeiro fármaco com resultados positivos no tratamento de doentes graves com covid-19 e o ministério da Saúde britânico quer disseminar a sua utilização. No entanto, estes dados ainda não foram avaliados de forma independente. Ao DN, a Autoridade do Medicamento em Portugal lembra que se trata de “resultados preliminares” e promete acompanhar a situação.

© Mário Cruz/Lusa

Da família dos corticoides, a dexametasona é prima de medicamentos como a hexametasona ou a betametasona, disponíveis em qualquer farmácia em pomadas e comprimidos para tratar desde doenças respiratórias, reumáticas, de pele a picadas de insectos. É barata e”há às toneladas em todo o lado”, explica, ao DN, o infecciologista Jaime Nina, sobre o fármaco apontado como uma esperança para o tratamento da covid-19.

O anti-inflamatório é um dos medicamentos incluídos em ensaios clínicos mundiais dedicados ao novo coronavírus e, segundo uma equipa de investigadores da Universidade britânica de Oxford, já com resultados que mostram uma diminuição da mortalidade em doentes graves a tomar dexametasona. Ao início da noite, o primeiro-ministro britânico, Boris Johnson, chamou-lhe mesmo “o maior avanço” contra a covid-19 até ao momento.

Já o Infarmed aconselha mais calma. E lembra, em resposta ao DN, que “as informações do ensaio clínico Recovery, a decorrer no Reino Unido, dão nota dos resultados preliminares”.

Por isso, para a Autoridade do Medicamento portuguesa ainda é cedo para tomar uma posição mais firme sobre a recomendação ou não deste fármaco também em Portugal, no contexto da pandemia de covid-19. “O Infarmed está a acompanhar esta situação aguardando de momento a publicação na íntegra dos resultados”, dizem.

Segundo a investigação, realizada com cerca de dois mil doentes no Reino Unido, o esteróide, tomado via oral, intravenosa ou com aplicação externa, diminuiu a inflamação dos doentes internados por causa da covid-19 e reduziu a letalidade em um terço, no caso das pessoas ligadas a ventiladores. Já os que estão apenas a receber oxigénio terão visto a probabilidade de morte reduzida em um quinto, de acordo com um documento do grupo de trabalho britânico, divulgado esta terça-feira.

A dexametasona é um derivado simples da cortisona (uma hormona natural), usada como anti-inflamatório e “pode ser uma manobra que salva vidas”, aponta o infecciologista Jaime Nina, do Instituto de Higiene e Medicina Tropical (IHMT).

“Os corticoides são medicamentos que diminuem a resposta imunitária e a base da sua utilização na covid está relacionada com os doentes mais graves, que muitas vezes têm danos muito para além dos provados pelo vírus. ​​​​​Assim, dar corticoides para diminuir a resposta imunitária faz algum sentido, mas são medicamentos de alto risco, que só devem ser utilizados em ensaios clínicos”, ou seja em ambiente controlado, alerta o especialista.

Apesar de ter benefícios comprovados e integrar a lista de medicamentos essenciais da Organização Mundial de Saúde, estes fármacos apresentam efeitos secundários “perigosos”, como insuficiência cardíaca, disfunção renal ou diabetes.

Universidade de Oxford fala numa redução da mortalidade em um terço nos cuidados intensivos

O estudo da Universidade de Oxford, parcialmente financiado pelo governo britânico, ainda não foi avaliado de forma independente, mas um relatório preliminar, divulgado esta terça-feira, aponta vantagens claras na adopção do fármaco em doentes graves com covid.

“Um total de 2104 pacientes foram escolhidos de forma aleatória para receber dexametasona uma vez por dia (por via oral ou através de injecção intravenosa) durante dez dias. Estes foram comparados com 4321 pacientes, escolhidos da mesma forma, que receberam apenas os cuidados habituais [para doentes covid]. Entre os pacientes que receberam os cuidados normais, durante 28 dias, a taxa de mortalidade foi mais alta do que no grupo que necessitou de ventilação (41%), nos que apenas precisaram de oxigénio (25%) e menor entre aqueles que não necessitaram de intervenção respiratória (13%)”, pode ler-se no documento agora divulgado, citado pela BBC.

“Este é um resultado extremamente bem-vindo. O benefício para a sobrevivência é claro e imenso em pessoas doentes o suficiente para necessitar de tratamento com oxigénio. A dexametasona deve tornar-se um medicamento padrão para ser usado no tratamento a estas pessoas. A dexametasona é barata, está disponível, e pode ser usada imediatamente para salvar vidas em todo o mundo”, apontou Peter Horby, professor de doenças infecciosas emergentes na Universidade de Oxford e um dos principais responsáveis pelo ensaio clínico.

Os investigadores estimam ainda que se a dexametasona estivesse a ser usada desde o início da pandemia poderia ter salvado mais cerca de cinco mil vidas no Reino Unido, país que tem quase 42 mil vítimas mortais por causa da covid-19.

Tendo em conta estes resultados, o ministro da saúde britânico, Matt Hancock, anunciou que a Grã-Bretanha começará imediatamente a dar dexametasona aos doentes com coronavírus. Hancock referiu ainda que o país começou a armazenar amplamente o medicamento quando o seu potencial se tornou aparente há três meses. “Como vimos os primeiros sinais do potencial da dexametasona, estamos a armazenar desde Março”, afirma, num vídeo divulgado no Twitter.

Matt Hancock

@MattHancock

WATCH: Delighted to announce the first successful clinical trial for a life-saving #coronavirus treatment- reducing mortality by up to a third & further protecting our NHS

This global first exemplifies the power of science- huge thanks to the team, @oxforduni & Jonathan Van-Tam

Desde Março deste ano que foi criado um estudo no Reino Unido para testar uma variedade de fármacos utilizados para tratar outras doenças com o objectivo de encontrar que um pudesse ser aplicado na covid. Para além dos testes com dexametasona, foram ainda usados o ritonavir, o antibiótico zitromicina ou a polémica hidroxicloroquina – entretanto desaconselhada.

OMS fala em “avanço científico”

Para o director-geral da Organização Mundial de Saúde (OMS), o estudo britânico é um “avanço científico”. Tedros Adhanom Ghebreyesus referiu-se, esta terça-feira, à dexametasona como o “primeiro tratamento comprovado que reduz a mortalidade em pacientes” que apenas conseguem respirar com recurso a um ventilador.

“São boas notícias e congratulo o Governo britânico, a Universidade de Oxford e os muitos hospitais e pacientes no Reino Unido que contribuíram para este avanço científico que salvou vidas”, acrescentou o responsável pela OMS.

World Health Organization (WHO)

@WHO

WHO welcomes the initial clinical trial results from the #UnitedKingdom that show #dexamethasone, a corticosteroid, can be lifesaving for patients who are critically ill with #COVID19  https://bit.ly/30Jswgq 

WHO welcomes preliminary results about dexamethasone use in treating critically ill COVID-19…

The World Health Organization (WHO) welcomes the initial clinical trial results from the United Kingdom (UK) that show dexamethasone, a corticosteroid, can be lifesaving for patients who are critic…

who.int

Vacina com abordagem inovadora inicia testes clínicos no Reino Unido

Até ao momento, ainda não existe um tratamento único aprovado para combater a covid, nem uma vacina, apesar das dezenas de tentativas e fórmulas em fase de teste. No Reino Unido, cientistas da universidade Imperial College London vão iniciar, esta semana, testes clínicos em humanos com o objectivo de ter um produto final em 2021, anunciou a instituição.

Nas próximas semanas, 300 voluntários vão receber duas doses da vacina e se esta produzir uma resposta imunológica promissora serão feitos testes maiores no final do ano com cerca de 6 000 voluntários para testar a eficácia.

A primeira fase de testes vai pôr à prova uma nova técnica com “potencial para revolucionar o desenvolvimento de vacinas e permitir que os cientistas respondam mais rapidamente a doenças [infecciosas] emergentes”, destaca o instituto, em comunicado.

Em vez de usar o método tradicional de inocular pessoas com uma forma enfraquecida ou modificada do vírus, este projecto adopta uma nova abordagem, que usa filamentos sintéticos de ARN com base no material genético do vírus. Uma vez injectado no músculo, o ARN auto-amplifica-se, gerando cópias de si próprio, e instruí as células do próprio corpo a produzirem cópias de uma proteína espinhosa encontrada na parte externa do vírus.

Este processo pretende treinar o sistema imunológico a responder ao novo coronavírus para que o corpo possa reconhecê-lo facilmente e defender-se contra a covid-19 no futuro.

Diário de Notícias

 

270: Cientistas descobrem o que acontece no cérebro antes de morrer

 

Massachusetts General Hospital / Wikimedia

O cérebro pode funcionar no máximo durante cinco minutos sem oxigénio. Depois disso, o dano é irreparável.

Quais são os últimos processos que o cérebro do ser humano realiza antes de deixar de funcionar para sempre? A resposta a esta pergunta foi dada num estudo de um grupo de cientistas dos EUA e da Alemanha, publicado em fevereiro na revista Annals of Neurology.

O objectivo do estudo era observar o que sucede no âmbito neuronal quando uma pessoa deixa de viver, com o objectivo de identificar se a isquemia cerebral – a redução do fluxo sanguíneo no cérebro – pode ou não ser reversível, segundo a RT.

A conclusão foi que, passados alguns minutos sem receber oxigénio, os neurónios “apagam-se”. O processo não é repentino. Pelo contrário, acontece dividido em duas fases.

Em primeiro lugar o cérebro fica numa espécie de “modo silencioso“.

Nesta etapa de depressão cortical sem propagação, os neurónios deixam de exercer as suas funções quando detectam que há escassez de oxigénio, mas continuam activos, uma vez que tratam de conseguir esse elemento de todas as formas possíveis.

Depois disso, os neurónios entram no “modo repouso“. Os neurónios começam a poupar toda a energia que podem e mantêm uma carga eléctrica mínima, para poder recuperar-se caso o oxigénio e o fluxo sanguíneo se restabeleçam.

Se isso não acontece no máximo em cinco minutos, os neurónios perdem as suas ligações – ou sinapses – e morrem.

Os especialistas realizaram esta análise em oito pessoas, das quais três padeciam de uma hemorragia subaracnóide – tinham sangue em espaços onde normalmente circula líquido cerebrospinal – e as outras cinco tinham sofrido um traumatismo craniano.

Os investigadores analisaram pacientes com lesões cerebrais graves para identificar com maior precisão o momento em que o cérebro humano deixa de funcionar.

O que acontece no cérebro quando o coração para de bater é um assunto que desperta muito interesse entre a comunidade científica. Vários estudos foram realizados sobre o assunto. Em Dezembro de 2017, os cientistas descobriram que a consciência continuava durante três minutos depois de o coração ter parado de bater, o que parece ser suportado por este último estudo.

ZAP //

Por ZAP
7 Março, 2018

[vasaioqrcode]

 

243: Cérebro humano pode operar em 11 dimensões

 

Neuro-cientistas aproveitaram um ramo clássico da matemática de uma forma totalmente nova para avaliar a estrutura do cérebro. E através da topologia algébrica descobriram que o principal órgão do sistema nervoso está cheio de estruturas geométricas multi-dimensionais e pode operar em até onze dimensões.

Estamos acostumados a ver o mundo por uma perspectiva tridimensional, o que pode parecer estranho ou difícil de conceber. Porém, os resultados do estudo, publicado na Frontiers of Computational Neuroscience, podem ser um próximo passo importante na compreensão dos tecidos do cérebro humano – a estrutura mais complexa que conhecemos.

Este novo modelo de cérebro foi produzido por uma equipa de investigadores do projeto Blue Brain, uma iniciativa da pesquisa suíça dedicada a elaborar uma reconstrução do cérebro humano via supercomputador.

A equipa utilizou topologia algébrica, um ramo da matemática aplicado no sentido de descrever as propriedades de objetos e espaços, independentemente de como mudam de forma.

A equipa descobriu que os grupos de neurónios se conectam em “panelinhas”, ou seja, em grupos afins, e que o número de neurónios numa mesma “panelinha” determinaria o seu tamanho como um objeto geométrico de alta dimensão.

Encontramos um mundo que nunca tínhamos imaginado. Existem dezenas de milhões destes objetos, mesmo numa pequena mancha do cérebro, através de sete dimensões. Em algumas redes, até encontramos estruturas com até onze dimensões”, disse o líder da pesquisa, Henry Markram, neurocientista do Instituto EPFL, na Suíça.

Estima-se que os cérebros humanos contenham um impressionante total de 86 mil milhões de neurónios, com conexões múltiplas entre cada célula e emaranhadas por todas as direções possíveis. Estes formam, desse modo, a vasta rede celular que, de alguma forma, faz com que as pessoas sejam capazes de pensar e de desenvolver a consciência.

Diante de uma quantidade tão imensa de conexões para serem analisadas, não é de admirar que ainda não seja possível compreender, de forma minuciosa, como opera a rede neural do cérebro. Porém, a nova estrutura matemática construída pela equipa conduz-nos alguns passos mais à frente para, um dia, desenvolver um modelo de cérebro digital.

Procedimento

Para realizar os testes matemáticos, a equipa usou um modelo detalhado de neocórtex publicado pelo projeto Blue Rain, em 2015. O neocórtex é considerado a parte mais recentemente desenvolvida dos nossos cérebros no processo evolutivo e envolve-se em algumas das nossas funções mais complexas, como a cognição e a percepção sensorial.

Depois de desenvolver a linha teórica matemática e de testá-la nos seus estímulos virtuais, os cientistas também confirmaram os resultados em tecidos cerebrais reais de cobaias.

De acordo com o estudo, a topologia algébrica fornece ferramentas matemáticas para identificar detalhes da rede neural, tanto numa visão aproximada ao nível dos neurónios individuais quanto numa escala maior, na estrutura cerebral como um todo.

Ao conectar esses dois pontos de vista, os investigadores podiam distinguir as estruturas geométricas de alta dimensão no cérebro, formadas por coleções de neurónios hermeticamente conectados (cliques) e por espaços vazios (cavidades) entre eles.

“Encontramos um número extraordinariamente alto e uma ampla variedade de cliques e cavidades ordenadas de alta dimensão, que jamais foram vistas antes em redes neurais, nem biológicas ou artificiais”, escreveram os pesquisadores no estudo.

“A topologia algébrica é como um telescópio e um microscópio ao mesmo tempo. É possível ampliar as redes para encontrar estruturas ocultas – as árvores na floresta – e ver os espaços vazios e as clareiras, tudo ao mesmo tempo”, diz uma das cientistas, Kathryn Hess, da EPFL.

Essas clareiras, ou cavidades, parecem ser criticamente importantes para a função cerebral. Quando os cientistas deram um estímulo ao tecido do cérebro virtual, perceberam que os neurónios estavam a reagir de maneira altamente organizada.

“É como se o cérebro reagisse a um estímulo ao construir e depois destruir uma torre de blocos multidimensionais, começando com hastes (unidimensionais), pranchas (bidimensionais), cubos (tridimensionais) e, enfim, geometrias mais complexas com 4D, 5D, etc.”, diz um dos cientistas, o matemático Ran Levi, da Universidade Aberdeen, na Escócia.

“A progressão das atividades através do cérebro assemelha-se a um castelo de areia multidimensional, que se materializa fora da areia e, depois, se desintegra”, acrescenta Levi.

Estas descobertas fornecem uma nova imagem tentadora de como o cérebro processa as informações, mas os investigadores pontuaram algo que ainda não está claro: o que faz os cliques e as cavidades formarem-se das suas maneiras altamente específicas.

Será necessário mais trabalho e mais pesquisas para determinar como a complexidade dessas formas geométricas multidimensionais formadas pelos nossos neurónios se correlacionam com a complexidade das diversas tarefas cognitivas.

Mas, definitivamente, esta não será a última vez que teremos notícias de novos insights que a topologia algébrica nos pode fornecer sobre o cérebro – o mais misterioso de entre os órgãos humanos.

ZAP // HypeScience

Por HS
17 Junho, 2017

[vasaioqrcode]

 

229: Descoberto como eliminar primeiros sintomas de Alzheimer

 
Rodrigo Cunha investigador que coordena a equipa internacional |  site da UC

Rodrigo Cunha investigador que coordena a equipa internacional | site da UC

Universidade de Coimbra anunciou a descoberta alcançada em modelos animais foi feita por uma equipa internacional liderada por um português

Uma equipa internacional coordenada pelo investigador português Rodrigo Cunha descobriu como eliminar os primeiros sintomas da doença de Alzheimer em modelos animais, anunciou hoje a Universidade de Coimbra (UC).

A descoberta foi possível porque “pela primeira vez os cientistas focaram o estudo na causa dos primeiros sintomas da doença”, que são as perturbações na memória, causadas por modificações da chamada “plasticidade das sinapses no hipocampo”.

“O hipocampo desempenha um papel essencial na memória, funcionando como o gestor do gigantesco centro de informação recebida pelo cérebro. Das dezenas de milhões de sinais recebidos, o hipocampo tem de seleccionar a informação relevante e validá-la, atribuindo-lhe uma espécie de ‘carimbo de qualidade’. Quando ocorrem falhas, este gestor assume que toda a informação é irrelevante”, segundo uma nota da UC.

Sendo as sinapses “as responsáveis pela transmissão de informação no sistema nervoso”, ao garantirem a comunicação entre neurónios, “a equipa utilizou um modelo animal duplo mutante (com a modificação de dois genes da proteína APP, que causam doença de Alzheimer em humanos) para rastrear toda a actividade destas ligações e identificar o que impede o hipocampo de processar e gerir correctamente” a informação obtida.

O estudo, entretanto publicado na revista científica “Nature Communications”, foi coordenado por Rodrigo Cunha, do Centro de Neurociências e Biologia Celular e da Faculdade de Medicina da UC, tendo a equipa integrado 15 investigadores portugueses e franceses.

Os resultados desta investigação representam “um avanço extraordinário para o desenvolvimento de estratégias de combate à doença de Alzheimer, pois conseguiu-se recuperar o funcionamento sináptico”, afirma Rodrigo Cunha, citado na nota.

O cientista de Coimbra entende que, “do ponto de vista ético, é criticável se não se prosseguir para ensaios” em humanos e garante que estes são seguros para os doentes.

Na sua opinião, existem em Coimbra “todas as condições para avançar”, embora seja necessário assegurar financiamento para o efeito.

Financiado pelo Prémio Mantero Belard de Neurociências da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa e pela Association Nationale de Recherche de França, o estudo foi desenvolvido ao longo de três anos.

Diário de Notícias
22 DE JUNHO DE 2016
15:18
Lusa

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...