322: Conhecido medicamento para diabetes pode conter um carcinógeno

 

SAÚDE

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A Food and Drug Administration, agência federal e reguladora do Departamento de Saúde e Serviços Humanos dos Estados Unidos, está a testar amostras de metformina, um medicamento para diabetes que pode conter o carcinógeno N-Nitrosodimetilamina (NDMA).

De acordo com a Mayo Clinic, a metformina é, geralmente, a primeira medicação prescrita a pacientes com diabetes tipo 2. A droga reduz a produção de glicose no fígado e aumenta a sensibilidade do corpo à insulina, para que a use com mais eficácia.

De acordo com o WebMd, mais de 30 milhões de pessoas nos Estados Unidos têm diabetes – e entre 90 a 95% são do tipo 2. A metformina é o quarto medicamento mais prescrito nos Estados Unidos.

O anúncio da Food and Drug Administration acontece após a o anulamento de três versões da metformina em Singapura e a solicitação da Agência Europeia de Medicamentos para que os fabricantes a testem em busca de NDMA, de acordo com a Bloomberg News.

“A agência está nos estágios iniciais do teste da metformina. No entanto, a agência não confirmou se o NDMA em metformina está acima do limite aceitável de ingestão diária (ADI) de 96 nanogramas nos Estados Unidos”, disse Jeremy Kahn, porta-voz da FDA. “Não se espera que uma pessoa que esteja a tomar um medicamento que contenha NDMA diariamente no ou abaixo do limite aceitável de ingestão diária durante 70 anos tenha um risco aumentado de cancro”.

A Valisure, uma farmácia online norte-americana que testa todos os lotes de medicamentos vendidos antes de distribuí-los, rejeitou 60% da sua metformina desde que iniciou os testes em busca de NDMA em Março. “O público deveria preocupar-se com a crescente descoberta de substâncias cancerígenas em medicamentos, especialmente naqueles que são tomados diariamente, onde até pequenas contaminações podem aumentar com o tempo”, afirmou David Light, CEO da Valisure.

Enquanto a FDA investiga, as autoridades apelaram aos pacientes com diabetes para que não parem de tomar metformina. “Esta é uma condição séria e os pacientes não devem parar de tomar a metformina sem antes conversar com o seu médico”.

A contaminação de drogas com esta mesma substância já levou à anulação de medicamentos para pressão arterial e azia nos últimos dois anos.

ZAP //

Por ZAP
8 Dezembro, 2019

 

321: Azeite extra-virgem pode proteger contra vários tipos de demência

 

SAÚDE

stankuns / Flickr

Consumir azeite extra-virgem pode evitar a evolução de várias formas de demência, descobriu uma equipa de cientistas da Temple University, nos Estados Unidos.

Reduzir o colesterol alto e o risco de doenças cardíacas são duas das mais-valias já conhecidas do azeite extra-virgem. No entanto, vários estudos sugerem que o azeite extra-virgem também traz benefícios cognitivos e neuro-protectores.

Uma investigação de 2012 descobriu, por exemplo, que o azeite melhora a aprendizagem e o desempenho de roedores em testes de memória. O azeite é rico em polifenois, poderosos compostos antioxidantes que podem reverter os efeitos relacionados com a doença ou com o envelhecimento.

Em 2017, outro estudo descobriu que o azeite extra-virgem reduz os primeiros sinais neurológicos da doença de Alzheimer em ratos. A intervenção com azeite extra-virgem melhorou a autofagia – a capacidade de as células cerebrais eliminarem resíduos tóxicos – e ajudou a manter a integridade das sinapses.

Agora, Domenico Praticò, professor dos Departamentos de Farmacologia e Microbiologia e do Centro de Medicina Translacional da Escola de Medicina Lewis Katz da Temple University, na Filadélfia, Estados Unidos, liderou uma nova equipa num estudo sobre os benefícios neurológicos do azeite extra-virgem.

Os cientistas analisaram o efeito do óleo nas tauopatias – condições cognitivas relacionadas à idade em que a proteína Tau se acumula a níveis tóxicos no cérebro, desencadeando várias formas de demência, adianta o Medical News Today.

Os investigadores modificaram geneticamente roedores, de modo a tenderem a acumular quantidades excessivas da proteína Tau normal. Na doença de Alzheimer e na demência fronto-temporal, esta proteína acumula-se no interior dos neurónios.

Já num cérebro saudável, níveis normais de Tau ajudam a estabilizar os microtúbulos. Nas tauopatias, quando a proteína se acumula no interior dos neurónios, impede que as células nervosas recebam nutrientes e comuniquem com outros neurónios, levando à morte dos mesmos.

No estudo, os ratos começaram uma dieta rica em azeite extra-virgem a partir dos 6 meses de idade, o que equivale a cerca de 30 anos de idade humana. Outros roedores, que também eram propensos a acumulações de Tau, continuaram a ter uma dieta regular.

Um ano depois – o que equivale a cerca de 60 anos da idade humana – as experiências revelaram que os roedores propensos a tauopatia tinham 60% menos depósitos de tau do que os roedores que não receberam uma dieta enriquecida com azeite extra-virgem. As novas descobertas foram publicadas recentemente na Aging Cell.

Os roedores que receberam azeite extra-virgem também tiveram melhor desempenho em labirintos e em novos testes de memória de reconhecimento de objectos. “O azeite  extra-virgem faz parte da dieta humana há muito tempo e traz muitos benefícios à saúde, por razões que ainda não compreendemos totalmente”, explica Praticò.

“A possibilidade de o azeite extra-virgem poder proteger o cérebro contra diferentes formas de demência dá-nos a oportunidade de aprender mais sobre os mecanismos pelos quais actua de forma a apoiar a saúde do cérebro”, remata.

ZAP //

Por ZAP
1 Dezembro, 2019

 

320: Na maior família do mundo com Alzheimer, uma mulher escapou

 

CIÊNCIA/SAÚDE

Na maior família do mundo com Alzheimer, uma mulher parece ter a chave para a prevenção. Apesar de ter um alto risco genético de desenvolver a doença aos 40 anos, a colombiana escapou devido a uma mutação rara no seu ADN.

Durante várias gerações, milhares de parentes desta mulher na cidade de Medellín, na Colômbia, têm sido atormentados por uma mutação genética – conhecida como E280A – que leva à demência precoce.

Esta peculiaridade genética em particular afecta apenas um pequeno subconjunto de pacientes com Alzheimer, muitos dos quais vivem nesta cidade, e quase sempre leva ao declínio cognitivo a partir dos 44 anos.

Durante décadas, neurologistas estiveram fascinados por esta mutação e pela família que a carrega. No entanto, dos seis mil membros vivos deste grande clã, há um indivíduo que se destaca. Apesar de ter o mesmo risco genético que muitos dos seus parentes e um cérebro cheio de sinais marcantes da doença de Alzheimer, a memória desta mulher permaneceu notavelmente resistente.

De acordo com os neurologistas, a mulher não mostrou sinais de declínio cognitivo até atingir os 70 anos, três décadas mais tarde do que se esperava. Agora, os investigadores pensam que descobriram a razão, que pode ser outra mutação.

Analisando o cérebro e sequenciando o genoma de 1.200 membros da família, a equipa descobriu uma peculiaridade genética rara que poderia fornecer imunidade ao início precoce da doença. Os autores suspeitam que duas cópias de um gene chamado APOE3 Christchurch sejam responsáveis, pois a mulher parece ser a única no grupo que possuía os dois. Aqueles com apenas uma cópia da variação também apresentaram declínio cognitivo de início precoce.

Ao analisar o cérebro da mulher, os investigadores encontraram os níveis mais altos registados de proteínas amilóides. Estes aglomerados são marcas registadas da doença de Alzheimer. Assim como os seus parentes, a mutação genética da mulher colombiana, E280A, está ligada à superprodução de placas amilóides.

Para os autores do estudo, que foi publicado na segunda-feira na revista especializada Nature Medicine, pensam que os genes especiais desta mulher são um trunfo. “Ela tem um segredo na sua biologia”, disse o neurologista colombiano Francisco Lopera ao The New York Times. “Este caso é uma grande janela para descobrir novas abordagens.”

“Esperamos que as nossas descobertas galvanizem e informem a descoberta de medicamentos e terapias genéticas, para que possamos testá-los em estudos de tratamento e prevenção o mais rápido possível”, disse Eric Reiman, neuro-cientista no Banner Alzheimer’s Institute ao Harvard Gazette.

Yadong Huang, neuro-cientista do Gladstone Institutes, em San Francisco, que não participou na investigação, disse à revista Science que o caso é “muito especial” e pode abrir novos caminhos para pesquisa e terapia.

Michael Greicius, da Universidade de Stanford, concorda, chamando o estudo de “excelente e instigante”, mas lembrou à STAT News que este era apenas um caso extremamente incomum. Aliás, a genética da mulher pode mesmo ser totalmente único.

ZAP //

Por ZAP
7 Novembro, 2019


 

319: Sarampo faz com que o corpo se “esqueça” de como combater infecções

 

(dr) Envato Elements

O sarampo tem um impacto devastador no sistema imunológico que pode debilitar durante anos a capacidade de o corpo combater infecções, concluíram dois investigações recentes sobre o vírus. 

O vírus, apontam os cientistas, pode levar a uma “amnésia imunológica”, ou seja, o corpo esquece-se de como combater micro-organismos que antes sabia derrotar.

Escreve a BBC que o sarampo reverte o sistema imunológico para um estado “infantil”, comprometendo a sua capacidade de criar formas de combater novas infecções.

As descobertas agora divulgadas, frisa a Deutsche Welle, ajuda a explicar por que motivo as crianças costumam contrair outras doenças infecciosas após se curarem do sarampo, alertando ainda para os perigos da não vacinação.

Ambos estudos divulgados recentemente – um publicado na revista Science e outro publicado na Science Immunology – analisaram um grupo de pessoas não vacinadas na Holanda, visando descobrir os efeitos do sarampo no sistema imunológico.

Numa das investigações, os cientistas sequenciaram genes de 26 crianças antes de serem infectadas, tendo depois analisado os mesmo participantes entre 40 a 50 dias depois. A equipa descobriu que determinados anticorpos que tinham sido criados para combater outras doenças tinham desaparecido do sangue dos infectados.

O segundo estudo concluiu que a infecção por sarampo destruiu entre 11% e 73% dos anticorpos protectores das crianças – proteínas do sangue que “recordam” batalhas anteriores contra diferentes vírus e ajudam o corpo a evitar infecções repetidas.

Na prática, as crianças ficaram vulneráveis a infecções a que já tinham sido imunes.

A importância da vacinação

Segundo os cientistas, os resultados obtidos tem implicações para a saúde pública em todo o mundo, uma vez que o declínio nas taxas de vacinação tem conduzido a surtos de sarampo – que, consequentemente, podem permitir o reaparecimento de outras doenças perigosas, como difteria e tuberculose.

“Esta é uma demonstração directa em humanos daquilo a que chamamos ‘amnésia imunológica’, em que o sistema imunológico esquece-se de como responder a infecções enfrentadas anteriormente”, explica a especialista Velislava Petrova, da Universidade de Cambridge, no Reino Unido, que conduziu um dos estudos.

Por sua vez, Stephen Elledge, geneticista e pesquisador do Instituto Médico Howard Hughes, nos Estados Unidos, que conduziu a segunda investigação, sublinha que os seus resultados trazem “evidências realmente fortes de que o vírus do sarampo está mesmo a destruir o sistema imunológico”.

O sarampo – doença que pode ser prevenida com duas doses de uma vacina aplicadas desde a década de 1960 –  causa tosse, feridas na pele e febre, podendo levar a complicações potencialmente fatais, incluindo pneumonia e uma inflamação no cérebro conhecida como encefalite.

Recentemente, a Organização Mundial da Saúde alertou para um “aumento alarmante” de casos de sarampo entre pessoas não vacinadas em todo o mundo. Nos três primeiros meses do ano, o número de casos quadruplicou em relação ao mesmo período de 2018.

“O vírus [do sarampo] é muito mais prejudicial do que imaginávamos, o que significa que a vacina é agora muito mais valiosa”, conclui o geneticista Elledge.

ZAP // BBC / Deutsche Welle

Por ZAP
6 Novembro, 2019

 

Contra a diabetes de tipo 2, coma esta leguminosa ‘mágica’

 

Os sintomas da diabetes incluem a vontade frequente de urinar e a perda inexplicável de peso. Adicionar esta leguminosa ao seu regime alimentar pode ajudar a estabilizar os níveis de glucose.

© iStock Os sintomas da diabetes incluem a vontade frequente de urinar e a perda inexplicável de peso. Adicionar esta leguminosa ao seu regime alimentar pode ajudar a estabilizar os níveis de glucose.

A diabetes é uma condição crónica que provoca o aumento dos níveis de açúcar no sangue.

Em particular, a diabetes de tipo 2 desenvolve-se quando o corpo se torna resistente à insulina ou quando o pâncreas não produz quantidades suficientes daquela substância.

Os sintomas mais comuns de diabetes de tipo 2 englobam a vontade frequente de urinar, a perda inexplicável de peso ou o aumento do apetite, alterações no humor e problemas em dormir.

Porém, uma das formas mais fáceis de diminuir os índices de açúcar no sangue consiste em adoptar algumas mudanças na dieta e no estilo de vida – nomeadamente optar por ingerir uma alimentação saudável e a prática regular de exercício físico.

Vários estudos já apuraram que comer uma dieta rica em leguminosas, nomeadamente em lentilhas, pode ajudar a regular os índices de açúcar e melhorar ainda o controlo glicémico, ambos factores importantes na gestão da diabetes de tipo 2.

As lentilhas são óptimas para os pacientes que sofrem com a doença devido ao seu baixo teor glicémico.

Um estudo realizado por investigadores da Universidade de Toronto, no Canadá, observou os efeitos daquela leguminosa em 121 doentes que padeciam de diabetes de tipo 2.

Os participantes foram divididos em dois grupos – um dos quais adicionou meia chávena de lentilhas ao seu regime alimentar, enquanto que o outro optou por consumir somente alimentos integrais.

Os resultados publicados no periódico científico Archives of Internal Medicine, apuraram que aqueles que consumiram lentilhas apresentaram o dobro da redução dos níveis de açúcar no sangue.

Mais ainda, aquela “leguminosa ‘mágica’”(como foi apelidada pelos cientistas) contribuiu ainda para a redução da pressão arterial.

msn lifestyle
Liliana Lopes Monteiro
18/10/2019

 

317: Diabetes tipo 2 pode ser revertida através da perda de peso

 

rawpixel / unsplash

Resultados de um novo estudo sugerem que as pessoas que foram recentemente diagnosticadas com diabetes tipo 2 podem reverter a doença com uma perda de 10% do seu peso corporal.

Por todo o mundo, cerca de 400 milhões de pessoas têm diabetes tipo 2. As boas notícias, segundo o Science Alert, é que muitas vezes pode ser evitada através do controlo do peso, do exercício físico regular e de uma dieta equilibrada e, mesmo que esta doença nos seja diagnosticada, isso não significa que é necessariamente para sempre.

Nos últimos anos, pesquisas mostraram que é possível reverter a doença e, agora, um novo estudo demonstra que a recuperação pode ser muito mais fácil do que se pensava.

“Já sabemos há algum tempo que a remissão da diabetes é possível usando medidas bastante drásticas, como programas intensivos de perda de peso e restrição extrema de calorias”, diz o epidemiologista Hajira Dambha-Miller, da Universidade de Cambridge.

Num ensaio clínico de 2017, os pacientes tiveram que adoptar uma “substituição total da dieta”, consumindo batidos de baixas calorias durante até cinco meses, antes de serem lentamente reintroduzidos os alimentos.

Embora esta intervenção seja algo extrema e difícil, a verdade é que obtém resultados, assim como outras abordagens intensivas que envolvem combinações de medicamentos, insulina e ajustes no estilo de vida.

Mas, de acordo com Dambha-Miller, as pessoas com diabetes tipo 2 podem não precisar de ser tão extremistas para aumentar as suas hipóteses de reverter a doença. “Os nossos resultados sugerem que pode ser possível ver-se livre da diabetes, durante pelo menos cinco anos, com uma perda de peso mais modesta de 10%“, diz a cientista.

No novo estudo, publicado em Setembro na revista científica Diabetic Medicine, a equipa examinou um grupo de 867 pessoas, com idades entre os 40 e os 69 anos, que tinham sido recentemente diagnosticadas com diabetes tipo 2.

Todos os participantes eram do leste de Inglaterra e foram monitorizados durante cinco anos, durante o qual algumas pessoas receberam um tratamento de intervenção (com consultas e recursos médicos adicionais) ou um grupo de controlo que recebeu apenas atendimento médico de rotina.

No final dos cinco anos de acompanhamento, 257 dos participantes (cerca de 30% do grupo) estavam em remissão.

Em comparação com as pessoas que mantiveram o mesmo peso ao longo do estudo, as pessoas que perderam 10% do seu peso corporal, ou mais, duplicaram as suas hipóteses de alcançar a remissão e reverter o diagnóstico de diabetes tipo 2.

Os autores do estudo observam que experimentos clínicos anteriores que defendiam uma perda de peso de 15% ou mais podem desincentivar os pacientes que têm dificuldade em atingir física ou emocionalmente esses ambiciosos objectivos.

“Isto pode dar algumas razões para motivar as pessoas com diabetes tipo 2 recém-diagnosticadas a perder peso, em vez de se concentrarem em metas específicas e potencialmente inatingíveis”, explicam os cientistas.

ZAP //

Por ZAP
7 Outubro, 2019

 

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