355: Vitamina D associada a menos mortes por covid-19 (e 80% dos portugueses tem falta dela)

 

CIÊNCIA/SAÚDE

Nick Kenrick / Flickr

Um estudo publicado associa a deficiência de vitamina D a uma maior taxa de mortalidade por Covid-19, dando como exemplo países como Espanha e Itália. Portugal é um dos países analisados com os índices mais baixos desta vitamina e o médico Pedro Lôbo do Vale constata que “80% da população tem valores inferiores ao normal”.

A pesquisa publicada no jornal científico Aging Clinical and Experimental Research constatou uma associação entre os baixos níveis de vitamina D e elevados índices de mortalidade por covid-19, após a análise de dados de pacientes de 20 países europeus.

A vitamina D modula a resposta dos glóbulos brancos a infecções, prevenindo que libertem demasiadas citocinas inflamatórias, notam os investigadores. Ora, a covid-19 provoca um excesso de citocinas inflamatórias, o que, segundo alguns especialistas, é uma das principais complicações criadas pela doença.

O estudo agora publicado atribui as elevadas taxas de mortalidade em países como Espanha, Itália e Reino Unido a baixos índices de vitamina D na sua população, comparando-os com os países do Norte da Europa que têm níveis superiores desta vitamina e que foram menos atacados pela pandemia.

Os dados que reportam até 8 de Abril de 2020 colocam Portugal como o país com o pior índice de vitamina D – 30 nanomoles por litro (nmol/L) de sangue – atrás de Espanha (42.5 nmol/L), da Suíça (46 nmol/L), do Reino Unido (47.4 nmol/L), da Bélgica (49.3 nmol/L) e de Itália (50 nmol/L).

Ilie et all
Nível de vitamina D, casos de covid-19/1 milhão de habitantes e mortes causadas por covid-19/1 milhão de habitantes. Dados até 8 de Abril de 2020.

O médico Pedro Lôbo do Vale corrobora os valores relativamente ao nosso país, notando, em declarações ao Correio da Manhã (CM), que “os estudos feitos em Portugal demonstram que 80% da população tem valores inferiores ao normal“. “O normal é de 30 a 100 unidades diárias e há pessoas que têm 12, 13, 14”, aponta.

“A vitamina D é fundamental para a imunidade e as pessoas mais afectadas por esta carência são, precisamente, as pessoas de mais idade. Dos 80 para cima, mas também dos 60 até aos 80, e até mais novas. Os que estão em lares, então, não apanham sol nenhum. E têm valores baixíssimos de vitamina D”, constata ainda Pedro Lôbo do Vale.

O médico repara que se pode fomentar a produção de vitamina D pelo organismo com a exposição solar e com o consumo de peixes gordos.

“Mas é um facto de que cada vez se apanha menos sol. Os trabalhos no exterior são cada vez menos e em lazer as pessoas evitam a exposição solar directa e usam protector solar, que diminui a absorção da vitamina D”, destaca Pedro Lôbo do Vale.

O médico recomenda que se siga o exemplo dos nórdicos que “tomam óleo de fígado de bacalhau logo pela manhã”.

Vitamina D pode “cortar mortalidade em metade”

A pesquisa realizada por investigadores das Universidades Northwestern (EUA) e Anglia Ruskin (Reino Unido) e do Hospital Queen Elizabeth que integra o Serviço Nacional de Saúde britânico concluiu que os valores mais altos de vitamina D encontram-se no norte da Europa, países que também têm as mais baixas taxas de mortalidade por covid-19.

Os cientistas avançam os hábitos do consumo de óleo de fígado de bacalhau e de suplementos, bem como o facto de não evitarem apanhar sol, como as razões para os altos índices de vitamina D nos países nórdicos.

Por outro lado, “os níveis de vitamina D são severamente baixos na população idosa de Espanha, Itália e Suíça“, aponta-se no estudo. Nestes países verificam-se, por seu turno, elevadas taxas de mortalidade por covid-19.

“Tem-se demonstrado que a Vitamina D protege contra infecções respiratórias agudas e os adultos mais velhos, o grupo mais deficiente em vitamina D, são também os mais gravemente afectados pela covid-19″, atesta o investigador Lee Smith, especializado em Saúde Pública e Actividade Física da Universidade Anglia Ruskin, em declarações divulgadas num comunicado sobre o estudo.

“Encontramos um relacionamento bruto significativo entre os níveis médios de vitamina D e o número de casos de covid-19, e particularmente as taxas de mortalidade por covid-19”, salienta ainda Lee Smith.

Os pacientes com deficiência severa de vitamina D têm duas vezes mais probabilidades de sofrerem complicações graves, concluíram os cientistas que atestam que há uma “co-relação entre baixos níveis de vitamina D e sistemas imunológicos hiperactivos”.

A pesquisa salienta uma ligação directa entre os níveis de vitamina D e a chamada “tempestade de citocinas“, a resposta hiper-inflamatória do organismo que é despoletada pela reacção do sistema imunitário ao vírus.

“A tempestade de citocinas pode danificar gravemente os pulmões e levar à síndrome do desconforto respiratório agudo e à morte em pacientes. É isto que parece matar a maioria dos pacientes de covid-19, não a destruição dos pulmões pelo vírus em si”, frisa o investigador Ali Daneshkhah que esteve envolvido no estudo.

“São as complicações do fogo mal direccionado do sistema imunológico” que matam e não tanto a covid-19, como realça Daneshkhah.

Ora, “a vitamina D fortalece a imunidade inata e previne respostas imunológicas hiperactivas”, frisa a Universidade Northwestern num comunicado sobre a pesquisa.

O professor de Engenharia Biomédica na Universidade Northwestern, Vadim Backman, que também esteve envolvido no estudo, sustenta que a vitamina D “não previne que um paciente contraia o vírus, mas pode reduzir as complicações e prevenir a morte naqueles que são infectados”.

Backman acredita que pode “cortar a taxa de mortalidade em metade”.

E pode  explicar mistério da baixa mortalidade em crianças

As conclusões do estudo podem também, segundo o professor, ajudar a explicar porque é que há menor probabilidade de morrerem crianças com covid-19. É que estas ainda não desenvolveram totalmente o seu sistema imunitário adquirido.

“As crianças contam, primeiramente, como os seus sistemas imunitários inatos. Isto pode explicar porque é que a sua taxa de mortalidade é inferior”, defende Backman.

O urologista Petre Cristian Ilie, do Hospital Queen Elizabeth, que também integrou o estudo, avisa, contudo, que a investigação é condicionada pelo número de testes realizados, bem como pelas medidas tomadas por cada país para conter a epidemia. “Co-relação não significa, necessariamente, causa-efeito”, nota.

Fica também o alerta de que nem toda a gente precisa de começar a tomar suplementos de vitamina D – até porque é conveniente evitar tomar doses excessivas, o que pode acarretar efeitos secundários adversos.

Também não há números quanto à dose que será “mais benéfica para a covid-19”, como explica Backman.

“Contudo, é claro que a deficiência de vitamina D é prejudicial e pode ser abordada facilmente com a suplementação apropriada”, sublinha o investigador, concluindo que “pode ser uma chave para ajudar a proteger populações mais vulneráveis”, nomeadamente os “pacientes idosos que têm uma prevalência de deficiência de vitamina D”.

Um estudo divulgado em 2015 apurou que basta expor os braços e as pernas ao sol durante 20 minutos por dia, entre os meses de Abril e de Setembro, para obter a vitamina D necessária para um ano inteiro.

SV, ZAP //

Por SV
11 Maio, 2020

 

261: Afinal, os suplementos de cálcio e vitamina D não protegem os ossos

 

Mizianitka / pixabay

Comer vegetais, fazer exercício ou tomar vitaminas são três ações, aparentemente, benéficas para a nossa saúde. No entanto, os cientistas ainda não conseguiram encontrar provas concretas de que as vitaminas trazem benefícios.

Este novo estudo, publicado em Dezembro no Journal of the American Medical Association,é uma revisão de mais de 33 estudos. Com ele, os cientistas queriam descobrir se as pessoas que tomavam cálcio, vitamina D ou ambas apresentavam menor probabilidade de sofrer fracturas ósseas.

A investigação, liderada por Jia-Guo Zhao, médico do Departamento de Cirurgia Ortopédica, do Hospital de Tianjin, na China, não encontrou nenhuma relação entre os suplementos e a proteção contra fraturas ósseas.

A equipa de investigadores comparou o uso de suplementos com vitamina D, cálcio ou de ambos com o uso de um placebo. Comparou, também, o não uso de suplementos com o surgimento de novas fraturas ósseas. Os estudos incluíam mais de 50 mil adultos, com mais de 50 anos de idade.

Com esta investigação, os cientistas chegaram à conclusão de que os suplementos estudados não estavam, afinal, associados a um menor risco de surgimento de novas fraturas. Este resultado desafia as diretrizes que recomendam a toma de suplementos de cálcio e vitamina D para protegerem os ossos de fraturas.

Embora os suplementos possam parecer inofensivos, muitos deles são desnecessários, enganadores e, até, perigosos. Segundo o ScienceAlert, a indústria dos suplementos está desregulada. Nos EUA, os suplementos enviam, todos os anos, cerca de 23 mil pessoas para os hospitais.

“Isto significa que a Food and Drug Administration (FDA) e os consumidores não têm como saber se o que está na caixa é o que está efetivamente no rótulo. Não há como saber, com certeza, se o produto é seguro”, afirma Bryn Austin, professor de ciências comportamentais da Harvard T.H. Chan School of Public Health.

Geralmente, os nutrientes não são processados de forma eficiente, pelo que é preciso ter em conta que, quando ingerimos uma vitamina ou um suplemento, não estamos a ingerir alimentos reais.

Assim, tomar suplementos como meio de compensar as deficiências nutricionais – que podem ser derivadas, por exemplo, de uma alimentação pouco saudável – pode não funcionar como previsto. Ou, pelo menos, como gostaria que funcionasse.

ZAP //
Por ZAP
12 Janeiro, 2018

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2: Baixos níveis de vitamina D poderão estar relacionados com maior risco de depressão

 

Dados da terceira National Health and Nutrition Examination Survey, realizada nos E.U.A., revelaram que pessoas com deficiência de Vitamina D correm maior risco de ter episódios depressivos, comparativamente com pessoas com níveis suficientes desta vitamina, de acordo com o publicado no International Archives of Medicine.

Não existe ainda conhecimento suficiente para saber se é a deficiência em vitamina D que leva à depressão ou se será a depressão que conduzirá à deficiência em vitamina D – mais estudos serão necessários para decifrar o papel decisivo da vitamina D em transtornos psicossomáticos. No entanto, mesmo não sendo conhecida a relação causa e efeito entre a depressão e a deficiência em vitamina D, numa perspectiva de saúde pública, a coexistência de baixos níveis de vitamina D e depressão são motivo de preocupação. Por este motivo, é importante identificar pessoas que correm maior risco de ter deficiência em vitamina D e/ou para a depressão e intervir mais cedo nas mesmas, pois estas duas condições têm enormes consequências negativas sobre a saúde a longo prazo.

A Organização Mundial de Saúde prevê que, dentro de 20 anos, mais pessoas serão afectadas por depressão do que por qualquer outro problema de saúde, classificando a depressão como a principal causa de incapacidade no mundo, com cerca de 120 milhões de pessoas afectadas.

Relativamente à relação entre a vitamina D e a depressão, esta não é a primeira vez que é estudada. Com base em dados de 1 282 indivíduos com idades entre os 65 e 95 anos, cientistas holandeses publicaram em 2008 no Archives of General Psychiatry que baixos níveis desta vitamina e baixos níveis sanguíneos da hormona paratiroide estavam associados com altas taxas de depressão. Uma revisão sobre esta temática realizada por Bruce Ames e Joyce McCann do Children’s Hospital and Research Center em Oakland destacou também o papel desta vitamina na manutenção da saúde do cérebro, observando a ampla distribuição de receptores de vitamina D em todo o cérebro.

Posteriormente, Vijay Ganji Ph. D., R.D. e os seus colaboradores do estado da Geórgia analisaram dados de 7 970 residentes nos Estados Unidos com idades entre os 15 e os 39. Os resultados obtidos neste estudo mostraram que pessoas com níveis de vitamina D de 50 nanomoles por litro sangue ou menos corriam um risco acrescido de 85% de terem episódios depressivos recorrentes, comparativamente com pessoas com níveis mínimos de 75 nanomoles de vitamina D por litro de sangue.

O mecanismo através do qual a vitamina D desempenha o seu papel na saúde mental ainda não é claramente compreendido mas sabe-se que a vitamina D, na sua forma activa, aumenta o metabolismo da glutationa nos neurónios, portanto, promove a actividade antioxidante que os protege de processos oxidativos degenerativos.

Os investigadores deste estudo verificaram assim que a vitamina D está envolvida na expressão de genes para a produção de neurotransmissores como a dopamina mas é importante ter a noção de que os respectivos resultados não provam que a deficiência de vitamina D causa depressão. Serão necessários estudos complementares para decifrar o mecanismo que permite a associação entre a vitamina D e esta patologia.

Para além desta associação à depressão, a vitamina D tem estudos que comprovam cientificamente a sua eficácia na manutenção da saúde óssea, correcta função nervosa e imunitária e correcta função tiroideia e paratiroideia quando tomada como suplemento alimentar.

Fonte: International Archives of Medicine
2010, 3:29 doi:10.1186/1755-7682-3-29
“Serum vitamin D concentrations are related to depression in young adult US population: the Third National Health and Nutrition Examination Survey”
Authors: V. Ganji, C. Milone, M.M. Cody, F. McCarthy, Y.T. Wang
10-12-2010

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