63: Avanço na luta contra doenças cardíacas

 

Universidade de Coimbra

Uma equipa de investigadores de Coimbra identificou um novo mecanismo responsável por falhas de comunicação entre células do coração que pode estar na origem das doenças cardíacas, foi hoje anunciado.

A investigação, liderada pelo bioquímico Henrique Girão e publicada na revista “Molecular Biology of the Cell”, permitiu descobrir um mecanismo que leva à diminuição ou falta de comunicação entre as células, desregulando o normal batimento cardíaco.

Esse desregular do batimento cardíaco acaba por ter implicações importantes no desenvolvimento de doenças, como a coronária, insuficiência cardíaca, arritmias e enfarte.

Os estudos realizados demonstram que a “ubiquitina assume o papel principal na degradação da conexina43 (Cx43), a proteína que assegura a comunicação rápida e eficaz entre a maioria das células, contribuindo para o normal funcionamento de órgãos e tecidos”, refere uma nota hoje divulgada pela Universidade de Coimbra (UC).

“Trata-se de proteínas muito importantes no coração, são como que canais que permitem a comunicação eficiente entre as diferentes células do coração, o que é importante para que ele bata de forma regulada e controlada”, disse à Lusa o investigador.

No caso do coração, os canais de comunicação intercelular “asseguram a propagação rápida de um sinal que está na origem do batimento”, ou seja, as alterações nessa comunicação, mediada pela Cx43, poderão estar na origem de doenças cardíacas.

No fundo, o que os investigadores da Universidade de Coimbra identificaram foi “o mecanismo responsável pela remoção da Cx43 da membrana das células, e posterior eliminação, resultando numa diminuição, ou ausência, da comunicação entre as células”.

Segundo Henrique Girão, a grande novidade do estudo foi “demonstrar que uma via de degradação denominada autofagia participa na degradação da conexina43 presente na membrana plasmática das células, e que a ubiquitina tem um papel regulador neste processo”.

Os resultados alcançados “podem ter um impacto grande” ao nível do tratamento, porque – explicou o investigador à Lusa -, uma vez identificado o mecanismo responsável pela desregulação da comunicação intercelular, “se inibirmos a autofagia talvez o tal coração em isquemia consiga prevenir algumas das alterações que seriam nocivas” para o órgão.

Nesse sentido, “abre-se caminho para o desenvolvimento futuro de novas abordagens terapêuticas que previnam ou impeçam a eliminação destes canais de Conexina43” e, deste modo, assegurem uma correta comunicação entre as células, disse.

O estudo foi realizado recorrendo a células em cultura e irá agora prosseguir em ratos sujeitos a isquemia cardíaca, de forma a avaliar o impacto da descoberta.

O objectivo é também perceber como é que as alterações da comunicação intercelular contribuem para o aparecimento de outras doenças, como o cancro e a diabetes, afirma o investigador do Instituto Biomédico de Investigação de Luz e Imagem — IBILI.

O estudo conta com a colaboração de cardiologistas do Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra (CHUC), de uma investigadora da Universidade de Einstein, Nova Iorque, e de um grupo de cientistas da Universidade de Dundee, na Escócia.

In Diário de Notícias online
21/05/2012

45: Cientistas da UC mais perto do tratamento da Osteoartrose

 

Investigadores pretendem desenvolver um fármaco capaz de travar a progressão da doença

Investigadores da Universidade de Coimbra identificam composto natural com elevado potencial de tratamento da osteoartrose

Uma equipa de investigadores do Centro de Neurociências e Biologia Celular e da Faculdade de Farmácia da Universidade de Coimbra identificou um composto natural com elevado potencial de tratamento da Osteoartrose, vulgarmente conhecida como reumatismo ou artrose.

Iniciada em 2007, a investigação permitiu identificar o alfa-pineno, um composto puro que “demonstrou uma forte selectividade para a cartilagem, isto é, não actuou em outras células do organismo, o que é um bom indicador de que não provoca efeitos colaterais”, explicou Alexandrina Mendes, docente da Faculdade de Farmácia e investigadora do Centro de Neurociências e Biologia Celular.

Com este estudo, foi ainda possível assinalar um conjunto de óleos essenciais de plantas da flora ibérica, mais concretamente de plantas endémicas de algumas regiões de Portugal, como por exemplo de Quiaios e da Serra da Estrela, com moléculas bastante activas sobre a doença articular crónica mais comum.

Com esta investigação pretende, os cientistas pretendem agora “desenvolver um fármaco capaz de, em simultâneo, travar a progressão da doença e promover a regeneração do tecido da cartilagem”, parte do corpo “que funciona como amortecedor e lubrificante para garantir uma boa articulação e movimento dos ossos, é constituída por uma grande quantidade de proteínas que lhe dão resistência e elasticidade”, explicou a investigadora.

“Com o envelhecimento e, sobretudo, com a doença, predomina a degradação em detrimento da produção de novas células na cartilagem. Conhecendo os mecanismos-chave é possível identificar moléculas que evitem a destruição e restabeleçam o normal funcionamento daquelas células, ou seja, o equilíbrio da produção – degradação”, concluiu Alexandrina Mendes.

In Correio da Manhã online
09/04/2012 | 10h34
Por:Joana Nogueira

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