573: Há 15 dias que aumenta o número de internados: já são quase 5.000

 

 

SAÚDE/COVID-19

Registaram-se 152 óbitos nas últimas 24 horas e há mais 10.385 infectados em Portugal com o novo coronavírus. Estão internadas 4.889 pessoas, mais 236 que ontem.

© AFP

O boletim epidemiológico da Direcção Geral da Saúde (DGS) deste domingo regista mais 152 óbitos por covid-10 e 10 385 novos infectados. Ontem o país bateu o recorde de mortes (166) e de novos casos.

É o 10º dia seguido com mais de 100 mortes diárias. O total de óbitos pelo novo coronavírus em Portugal é agora de 8 861.

Portugal totaliza até agora 549 801 casos de infectados desde o início da pandemia (Março de 2020).

Os internamentos sobem há quase 15 dias consecutivos. De acordo com o boletim deste domingo, há agora quase 5000 pessoas (4 889 pessoas) internadas em enfermaria com covid-19, mais 236 do que na véspera.

Portugal passou assim a barreira dos 4 500 internados e nunca houve tantas pessoas internadas em unidades de cuidados intensivos. Portugal tem este domingo 647 doentes em UCI, mais 9 do que o dia anterior.

A maior parte dos novos casos de infeção está na faixa etária dos 40 aos 49 anos, sendo que as três faixas etárias mais jovens concentram um terço das novas infecções.

Há mais mulheres infectadas (302 185 contra 247 437) , mas a mortalidade é superior nos homens (4 608 contra 4253). A esmagadora maior das mortes regista-se nas faixas etárias acima os 80 anos.

Continua a ser a Região de Lisboa e Vale do Tejo (RLSVT) com o maior número de aumento de mortes (mais 59 nas últimas 24 horas), seguida da Região Norte, com mais 33, em relação a sábado.

No entanto, é a Região Norte a ter, desde início da pandemia, a ter o número mais elevado de infectados (256 208 contra 184 063 na RLVT) e de mortos (3 718, contra 3 174 na RLVT).

Na região Centro já morreram 1 402 pessoas com o novo coronavírus, no Alentejo 400 e no Algarve 119.

Nas últimas 24 horas recuperaram desta doença mais 4 387 pessoas, com um total de 406 929 desde o início da pandemia.

Neste domingo, está sob vigilância um total de 161 120 pessoas, mais 5 719.

Os dados recolhidos entre 2 e 6 de Janeiro dizem que o valor médio do R(t) em Portugal se fixou nos 1,22, o que significa que cada doente covid-19 estava a infectar em média mais do que uma pessoa. Porém, quando esse valor for actualizado deve ser bem superior uma vez que os casos diários têm subido vertiginosamente, passando a barreira das 10 mil infecções diárias.

Médicos alertam para situação “insustentável”

“É absolutamente insustentável o que se está a passar na prestação de cuidados, é uma situação dramática. Acho que é essa a descrição possível”, afirmou o presidente da Associação Nacional de Médicos de Saúde Pública, Ricardo Mexia, lembrando que, “infelizmente os alertas dos hospitais e de todos os envolvidos não são de agora, [já vêm] até [de] antes do Natal”.

Neste sábado, o Hospital Garcia de Orta (HGO), em Almada, apresentava um total de 169 doentes com covid-19 internados, dos quais 18 em cuidados intensivos, com a unidade hospitalar a admitir um “cenário de pré-catástrofe”, caso a situação se mantenha.

O director do Centro Hospitalar Universitário Lisboa Norte (CHULN), Daniel Ferro, disse que o hospital de Santa Maria está em “sobre esforço” e que a adaptação aos picos de atendimento “tem limites”, estando a trabalhar além da capacidade instalada.

Para o presidente da Associação Nacional de Médicos de Saúde Pública, “não é surpreendente que haja de facto pressão”.

“O que acontece é que estamos a atingir um nível insustentável e isso tem muito que ver com aquilo que foi acontecendo”, afirmou.

Embora o país esteja no início de um novo confinamento, “a realidade é que na prática, olhando para a rua e vendo o que se vai passando, há de facto uma grande mobilização das pessoas na rua, etc.” e “acaba por ser difícil combater a pandemia com esta situação”, considerou.

2ª dose da vacina para profissionais de saúde

Entretanto, o Ministério da Saúde anunciou que começam este domingo a ser administradas as segundas doses das vacinas contra a covid-19 aos quase 30 mil profissionais de saúde de contextos prioritários de hospitais e cuidados de saúde primários.

A 27 de Dezembro iniciou-se a primeira fase da vacinação contra o vírus SARS-CoV-2, abrangendo os profissionais dos centros hospitalares universitários do Porto, Coimbra, Lisboa Norte e Lisboa Central, que receberam a vacina desenvolvida pela Pfizer-BioNTech.

Desde então e até sexta-feira, cerca de 106 mil pessoas já foram vacinadas em Portugal continental, incluindo também utentes e funcionários de lares de idosos.

A primeira fase do plano, até final de Março, abrange também profissionais das forças armadas, forças de segurança e serviços críticos. Nesta fase, serão igualmente vacinadas, a partir de Fevereiro, pessoas de idade igual ou superior a 50 anos com pelo menos uma das seguintes patologias: insuficiência cardíaca, doença coronária, insuficiência renal ou doença respiratória crónica sob suporte ventilatório e/ou oxigeno-terapia de longa duração.

A segunda fase arranca a partir de Abril e inclui pessoas de idade igual ou superior a 65 anos e pessoas entre os 50 e os 64 anos, inclusive, com pelo menos uma das seguintes patologias: diabetes, neoplasia maligna activa, doença renal crónica, insuficiência hepática, hipertensão arterial, obesidade e outras doenças com menor prevalência que poderão ser definidas posteriormente, em função do conhecimento científico.

Na terceira fase, será vacinada a restante população, em data a determinar. As pessoas a vacinar ao longo do ano serão contactadas pelo Serviço Nacional de Saúde (SNS).

Diário de Notícias
DN
17 Janeiro 2021 — 14:17

 

 

 

571: Carga viral na saliva pode determinar a vida ou a morte do infectado

 

 

SAÚDE/COVID-19/CARGA VIRAL

A quantidade de vírus na saliva de um doente infectado com o novo coronavírus, pode ajudar a prever o seu futuro. Um estudo da Universidade de Yale conclui que a carga viral na boca está associada à gravidade da doença e pode ajudar a personalizar os tratamentos

© OSCAR DEL POZO / AFP

Os primeiros resultados de um estudo da Yale University (EUA) indicam que a quantidade de vírus na saliva pode ajudar a prever as consequências da doença no infectado com Covid-19.

“A carga viral na saliva nos primeiros momentos está correlacionada com a gravidade da doença e com a mortalidade”, diz a equipa da imunologista da Yale Akiko Iwasaki, que analisou exaustivamente 154 pacientes com Covid-19 no hospital universitário da cidade de New Haven.

De acordo com o El País, a análise destes investigadores mostra que os níveis virais aumentam progressivamente, de um mínimo em pacientes com sintomas leves, a um máximo em pacientes gravemente doentes e em pessoas que morreram de COVID.

A carga viral mais alta na saliva parece estar associada a factores de risco conhecidos, como idade avançada, sexo masculino, cancro, insuficiência cardíaca, hipertensão e doenças pulmonares crónicas.

“Se tirássemos amostras de saliva e analisássemos a carga viral – principalmente no início da infecção, quando a pessoa chega ao hospital – poderia ajudar muito os médicos a prever o prognóstico do paciente e a escolher os tratamentos”, diz o microbiologista espanhol Arnau Casanovas , que participou do novo estudo, que ainda aguarda revisão para ser publicado numa revista especializada.

A equipa liderada por Iwasaki argumenta que a saliva ajuda a prever a progressão da doença muito melhor do que amostras colhidas com um cotonete nasofaríngeo – a já conhecida zaragatoa inserida pelo nariz .

Estes investigadores defendem que estas amostras recolhidas com a zaragatoa apenas refletem a multiplicação do vírus no trato respiratório superior, enquanto a saliva também mostra a situação nos pulmões.

De acordo ainda com o artigo publicado no diário espanhol este sábado, algumas pesquisas mostram que a maior carga viral na saliva também está associada a uma maior quantidade de biomarcadores no sangue da reacção inflamatória característica dos casos graves Covid. Essa carga viral mais alta está ligada a níveis mais baixos de plaquetas, leucócitos e anticorpos específicos contra o coronavírus.

Conclusão prematura?

Elisabet Pujadas , patologista espanhola e pesquisadora da Escola de Medicina Icahn do Hospital Mount Sinai, em Nova York, aplaude o novo estudo. “Traz uma perspectiva valiosa: que a saliva pode ter um valor maior do que se pensava para diagnóstico e prognóstico”, sublinhou ao El País.

A equipe do Pujadas já publicou em Agosto a relação entre a maior carga viral analisada em amostras de nasofaringe e a mortalidade por Covid-19. “É possível que a saliva reflita melhor a infecção do trato respiratório inferior”, afirma.

Pujadas, que trabalha nos Estados Unidos há mais de 15 anos, realça, porém, que a nova análise inclui apenas 154 pacientes, por isso seria “prematuro” concluir que a saliva deveria agora ser usada em vez das amostras nasofaríngeas.

Para Pujadas, a principal lição é que não se devem classificar pacientes Covid apenas com um simples positivo ou negativo. É preciso medir a respectiva carga viral. “Para certos vírus, como o HIV, o padrão de qualidade é a carga viral, porque anos de pesquisa mostraram que ela tem implicações importantes para o risco do paciente e afecta a estratégia de tratamento. O mesmo deve acontecer com a Covid-19 “, afirma Pujadas.

Iwasaki, Casanovas e outros colegas já publicaram um estudo em Setembro que sugeria o potencial da saliva para diagnosticar novas infecções por coronavírus. Uma revisão sistemática de 37 investigações acaba de mostrar que as amostras de saliva podem substituir as amostras nasofaríngeas para o diagnóstico de covid, com a mesma precisão e menor preço.

“Há muito que dizemos que seria melhor usar a saliva como amostra prioritária. É muito mais fácil recolher saliva do que um cotonete nasofaríngeo. Não é preciso uma equipa de enfermagem. Cada pessoa pode cuspir em casa num pequeno tubo. E ainda se evita o risco associado à recolha de uma amostra com o cotonete, porque às vezes as pessoas espirram ou tossem e geram aerossóis “, argumenta Casanovas.

Diário de Notícias
DN
16 Janeiro 2021 — 11:06

 

 

 

569: Maioria dos hospitalizados com covid-19 continua com pelo menos um sintoma seis meses após a infecção

 

 

SAÚDE/COVID-19

Ketut Subiyanto / Pexels

A maioria dos pacientes com covid-19 que foram hospitalizados continuam a manifestar pelo menos um sintoma do novo coronavírus seis meses depois de a infecção ter sido detectada, sugere uma nova investigação.

O novo estudo foi esta semana publicado na revista médica The Lancet e contou com os dados de 1.733 pacientes hospitalizados num hospital de Wuhan, China. Os participantes tinham uma idade média de 57 anos e tiveram alta entre Janeiro e Maio de 2020.

73% dos pacientes afirmaram que continuaram a manifestar sintomas depois de terem superado a covid-19, sendo os mais frequentes a fadiga ou fraqueza muscular (63%), dificuldade para dormir (26%) e ansiedade ou depressão (23%).

“Como a covid-19 é uma doença tão recente, estamos apenas a entender alguns dos seus efeitos a longo prazo nos pacientes. A nossa análise indica que a maioria dos pacientes continua a viver como pelo menos alguns dos efeitos do vírus após a alta hospitalar, evidenciando a necessidade de atendimento médico após a alta, principalmente para quem manifestou infecções graves”, escreveram os autores, citados pelo agência Europa Press.

Os pacientes hospitalizados mais graves apresentavam, seis meses depois do início dos sintomas, uma função pulmonar deteriorada e anomalias no tórax, sintomas que, segundos os cientistas, podem indicar danos nos órgãos.

“O nosso trabalho frisa também a importância de levar a cabo estudos de acompanhamento mais longos em populações maiores para entender todo o espectro de efeitos que a covid-19 pode ter nas pessoas”, remata a equipa.

A covid-19 já matou pelo menos 1.934.693 pessoas no mundo desde o início da pandemia, em Dezembro de 2019, segundo o levantamento realizado esta segunda-feira pela agência de notícias AFP de fontes oficiais às 11:00.

Mais de 90.196.880 casos de infecção foram oficialmente diagnosticados desde o início da pandemia, dos quais pelo menos 55.592.800 pessoas foram consideradas curadas.

Os números baseiam-se nos levantamentos comunicados diariamente pelas autoridades de saúde de cada país e não têm em consideração as revisões efectuadas posteriormente por organismos de estatística, como na Rússia, Espanha e Reino Unido.

Por Sara Silva Alves
12 Janeiro, 2021

 

 

 

567: COVID-19: Encontradas evidências de memória imunológica de longo prazo graças às células B

 

 

SAÚDE/COVID-19

Uma equipa de investigadores procurou preencher as lacunas na compreensão da memória imunológica após uma infecção por SARS-CoV-2. A sua acção levou-os a mergulhar profundamente na resposta com factor imune dos pacientes. Para tal, os cientistas mediram vários componentes do sistema imunológico, incluindo anticorpos circulantes, células B de memória e células T específicas para o novo coronavírus, em pacientes com vários níveis de doença, até oito meses após a infecção.

A boa notícia é que foram encontradas evidências de memória imunológica de longo prazo graças às células B.

Há imunidade para COVID-19 além dos anticorpos

A equipa colaborativa do La Jolla Institute for Immunology (LJI) e do departamento de microbiologia da Icahn School of Medicine em Mount Sinai estudou as respostas das células imunológicas e de anticorpos em mais de 180 homens e mulheres que se recuperaram da COVID-19.

Conforme foi relatado, a memória imunológica destes pacientes ao vírus – em todos os tipos de células imunológicas estudados – era mensurável até oito meses após o aparecimento dos sintomas.

Segundo os autores, os resultados indicam “que a imunidade durável contra a doença secundária COVID-19 é uma possibilidade na maioria dos indivíduos”.

Os nossos dados mostram que a memória imunológica em pelo menos três compartimentos imunológicos foi mensurável em ~ 95% dos indivíduos cinco a oito meses após o início dos sintomas.

Escreveram os autores do estudo.

Como o número de casos diários de COVID-19 em todo o mundo continua a aumentar, se uma infecção inicial com SARS-CoV-2 leva a imunidade protectora de longa duração contra COVID-19 permanece uma questão.

O estudo da natureza da resposta humoral ao vírus, que inclui uma resposta de anticorpos, e da resposta imunitária celular, que inclui células B e células T, ao longo de períodos de seis meses após o início dos sintomas poderia ajudar a informar a duração da imunidade protectora.

Para tal, Jennifer Dan, investigadora na LJI, e os seus colegas recrutaram mais de 180 homens e mulheres dos Estados Unidos que recuperaram da doença. A maioria tinha tido sintomas ligeiros que não exigiam hospitalização, embora 7% tivessem sido hospitalizados.

A memória das células

A maioria dos sujeitos forneceu uma amostra de sangue num único momento, entre seis dias e oito meses após a ocorrência dos sintomas, embora 43 amostras tenham sido fornecidas aos seis meses ou mais após o início dos sintomas.

Em 254 amostras totais de 188 casos COVID-19, a equipa localizou anticorpos, células B, e dois tipos de células T. O anticorpo (IgG) para a proteína Spike foi relativamente estável durante mais de 6 meses e exibiu apenas declínios modestos com seis a oito meses após o início dos sintomas.

As células B de memória específica da proteína Spike eram mais abundantes aos seis meses do que a um mês após o início dos sintomas. As células T, entretanto, apresentavam apenas uma ligeira decadência no corpo. Mais especificamente, as células T CD4+ específicas da SARS-CoV-2 e as células T CD8+ declinaram com uma meia-vida de 3 a 5 meses.

Embora os autores advirtam que “as conclusões directas sobre a imunidade protectora não podem ser feitas com base [nas suas conclusões] porque os mecanismos de imunidade protectora contra a SARS-CoV-2 ou COVID-19 não estão definidos nos humanos”, também dizem que várias “interpretações razoáveis” podem ser feitas a partir do seu estudo.

Estas incluem o apoio a compartimentos de memória imunitária em repouso, contribuindo potencialmente “de formas significativas para a imunidade protectora contra pneumonia ou COVID-19 secundária severa”, escreveram os investigadores.

O trabalho é publicado no portal Science no jornal “Immunological memory to SARS-CoV-2 assessed for up to eight months after infection“.

Pplware
Autor: Vítor M.
08 Jan 2021

 

 

 

561: Europa aprova vacina da Moderna. Vacinação a várias velocidades leva a troca de acusações

 

 

SAÚDE/VACINAS/COVID-19/EUROPA

Cj Gunther / EPA

A Agência Europeia do Medicamento (EMA, sigla em inglês) aprovou a vacina experimental contra a covid-19 produzida pela empresa de biotecnologia norte-americana Moderna para uso nos Estados-Membro da União Europeia (UE). Esta é a segunda vacina a ser aprovada pelo regulador.

De acordo com um comunicado publicado no seu site, a Agência Europeia do Medicamento (EMA) aprovou a vacina experimental da Moderna, dando-lhe “uma autorização de venda condicional” para ser administrada em pessoas com 18 anos ou mais.

A decisão foi feita numa reunião com os especialistas da EMA sobre a vacina experimental contra a covid-19 produzida pela empresa de biotecnologia norte-americana Moderna.

Os peritos reuniram-se na segunda-feira, antecipando-se em dois dias à reunião que já estava marcada, mas decidiram prosseguir as discussões esta quarta-feira. Na terça-feira, o regulador europeu indicou que os especialistas estavam “a trabalhar arduamente para esclarecer questões pendentes com a empresa”.

Esta é a segunda vacina autorizada na União Europeia (UE), depois da do consórcio Pfizer-BioNTech, que começou a ser administrada em 27 de Dezembro em Portugal e em outros países europeus.

Troca de acusações na UE

O processo de vacinação nos vários países da UE está a decorrer a um ritmo mais lento e a várias velocidades, o que tem levado a algumas trocas de acusações na Comissão Europeia.

De acordo com Markus Söder, líder da União Social Cristã da Alemanha, a Comissão Europeia atrapalhou o processo de obtenção de doses de vacina suficientes e de aprovação para uso em todo o bloco.

“Obviamente, o procedimento de compra europeu foi inadequado”, disse Söder, que lidera o estado da Baviera, em declarações ao Bild am Sonntag. “É difícil explicar que uma vacina muito boa é desenvolvida na Alemanha, mas é vacinada mais rapidamente noutros lugares”, acrescentou, referindo-se à vacina da Pfizer/BioNTech.

Mueller / MSC / Wikimedia
Markus Söder, presidente do estado alemão da Baviera

“A Comissão Europeia provavelmente planeou muito burocraticamente: poucos certos foram encomendados e os debates sobre preços prolongaram-se durante muito tempo”, disse Söder sobre os atrasos.

“O factor tempo é crucial”, disse Söder. “Se Israel, os EUA ou o Reino Unido estão muito à frente de nós em vacinação, também beneficiarão economicamente. A questão de como atravessamos o coronavírus economicamente está intimamente relacionada com a rapidez com que terminamos com a vacinação”.

A Comissão Europeia defendeu-se, apontando para a enorme demanda global por uma vacina. “O problema no momento não é o volume de pedidos, mas a escassez mundial de capacidade de produção”, disse a comissária de saúde Stella Kyriakides, em declarações à AFP.

Uğur Şahin, CEO da BioNTech, disse que a sua empresa está a trabalhar para aumentar a produção, mas que “não é tão rápido e simples” trabalhar na Europa como noutros lugares.

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No domingo, o primeiro-ministro do Reino Unido, Boris Johnson, disse que esperava ter dezenas de milhões de vacinações realizadas nos primeiros meses do ano, enquanto as autoridades em Israel disseram que dois milhões de pessoas deveriam ser vacinados até ao final de Janeiro.

Países Baixos criticados por atraso na vacinação

De acordo com a Associated Press, o Governo dos Países Baixos foi fortemente criticado na terça-feira por causa do plano de vacinação covid-19 que tem as primeiras vacinas programadas para serem administradas esta quarta-feira, tornando-o o último país da UE a iniciar a vacinação.

O primeiro-ministro Mark Rutte admitiu que o Governo se concentrou nos preparativos na vacina da AstraZeneca, que ainda não foi aprovada para uso na UE – e não na vacina produzida pela Pfizer/BioNTech.

“Isto é ultrajante”, afirmou Geert Wilders, líder do maior partido da oposição holandesa. “Não é uma estratégia, mas o caos – o caos total – e os preparativos foram pobres e tardios”, acrescentou, dizendo que a Holanda é “a aldeia idiota da Europa”.

Rutte lamentou a falta de agilidade do Governo em adaptar os preparativos. “Estou muito desapontado por estarmos duas semanas atrasados”, disse.

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As vacinações holandesas começaram esta quarta-feira, com funcionários em lares de idosos, pessoas com deficiência e profissionais de saúde da linha de frente. A enfermeira holandesa Sanna Elkadiri, de 39 anos, que trabalha numa residência onde cuida de pessoas com demência, foi a primeira pessoa a ser vacinada nos Países Baixos. “Este é o princípio do fim desta crise”, disse o ministro da Saúde.

Os Países Baixos entraram num confinamento severo em meados de Dezembro, com restrições que fecharam todas as escolas, bares, restaurantes, teatros e outros locais públicos. As taxas de infecção diminuíram nos últimos dias, mas permanecem entre as mais altas da Europa.

França muda estratégia

Tal como a maioria dos Estados-membros da UE, França começou a vacinar a sua população em 27 de Dezembro. Porém, nos primeiros seis dias da campanha de vacinação, apenas foram inoculadas 516 pessoas.

Segundo a AP, a abordagem cautelosa de França parece ter saído pela culatra, reacendendo a raiva sobre a forma como o Governo está a lidar com a pandemia.

O ministro da saúde prometeu na segunda-feira aumentar o ritmo e fez um apelo público tardio em nome da vacina, dizendo que oferece uma “hipótese” a França e o mundo para vencerem uma pandemia que já matou mais de 1,8 milhão pessoas.

Ludovic Marin / EPA
O Presidente de França, Emmanuel Macron

A lenta implantação da vacina da Pfizer/BioNTech foi atribuída à má gestão, falta de pessoal durante as férias e uma complexa política de consentimento projectada para acomodar o cepticismo incomummente amplo sobre a vacina entre o público francês.

“É um escândalo estatal”, disse Jean Rottner, presidente da região Grand-Est, no leste da França, onde as infecções estão a aumentar e alguns hospitais estão lotados. “Ser vacinado está a tornar-se mais complicado do que comprar um carro”.

OMS recomenda que 2.ª dose seja “atrasada”

A Organização Mundial da Saúde (OMS) recomendou esta terça-feira que a administração da segunda dose da vacina da Pfizer-BioNTech seja “atrasada algumas semanas” em situações excepcionais, para permitir que mais pessoas possam ter acesso à primeira dose.

A recomendação resulta da reunião desta terça-feira do Grupo Consultivo Estratégico de Peritos em Imunização (SAGE), que reúne 26 especialistas de várias áreas e diversos países e que, nos últimos meses, tem analisado a informação sobre as vacinas contra a covid-19.

Em conferência de imprensa, o responsável do SAGE, o mexicano Alejandro Cravioto, adiantou que os especialistas recomendaram que, em circunstâncias excepcionais de fornecimento, a vacina da Pfizer-BioNTech seja administrada “entre 21 e 28 dias”. A recomendação de atrasar a segunda dose “em algumas semanas” permitiria “maximizar o número de pessoas que podem beneficiar da primeira dose” desta vacina, referiu Cravioto.

Dinamarca e Alemanha ponderam atrasar segunda dose da vacina. “É preocupante”, diz Agência Europeia do Medicamento

A Alemanha e a Dinamarca ponderam seguir o plano do Reino Unido e adiar a administração da segunda dose da…

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Também esta terça-feira a Agência Europeia de Medicamentos desaconselhou adiar a segunda dose da vacina Pfizer-BioNTech além dos 42 dias, numa altura em que Alemanha e Bélgica admitem administrar a primeira dose a mais pessoas e adiar a segunda além dos 21 dias prescritos.

O organismo, que trata da avaliação técnica das vacinas na UE, destaca que “os vacinados podem não estar totalmente protegidos até sete dias após a segunda dose“, como indicou a Pfizer após os ensaios clínicos, disse à agência espanhola EFE a porta-voz da Agência Europeia de Medicamentos (EMA), Sophie Labbe.

No entanto, a EMA não proíbe estender a administração da segunda dose da vacina da Pfizer contra a covid-19 até aos 42 dias.

Por Maria Campos
6 Janeiro, 2021

 

 

 

560: Nem todas as pessoas vacinadas vão ficar imunizadas, avisa DGS

 

 

SAÚDE/VACINAS/IMUNIZAÇÃO/COVID-19

Tiago Petinga / Lusa

A directora-geral da Saúde avisou esta terça-feira que nem todas as pessoas vacinadas contra a covid-19 vão ficar imunizadas, uma vez que a vacina administrada não é 100% eficaz e ainda não há imunidade de grupo.

Graças Freitas falava na habitual conferência de imprensa na Direcção-Geral da Saúde (DGS), em Lisboa, sobre a evolução da pandemia da covid-19 em Portugal.

Vacinar não quer dizer abandonar critérios de protecção“, frisou, advertindo que “nem todas” as pessoas vacinadas “vão ficar imunizadas”. “A vacina não é 100% eficaz e nós não temos ainda imunidade de grupo”, justificou.

Graça Freitas reforçou, por isso, a necessidade de se manterem medidas de protecção até se atingir a imunidade de grupo, como o uso de máscaras, a higienização das mãos, a ventilação de espaços e o distanciamento físico.

A campanha de vacinação contra a covid-19 iniciou-se em Portugal em 27 de Dezembro com a inoculação de profissionais de saúde nos hospitais.

Na segunda-feira, foi alargada aos lares de idosos.

A vacina que está a ser administrada é a do consórcio Pfizer-BioNTech, para cujo uso de emergência foi aprovada em 21 de Dezembro pela Agência Europeia do Medicamento.

Até à data foram dadas em Portugal 32 mil doses.

Em Portugal, morreram 7.286 pessoas dos 436.579 casos de infecção de covid-19 confirmados, de acordo com o boletim mais recente da DGS. O país contabilizou esta terça-feira mais 90 mortes e 4.956 novos casos de infecção pelo novo coronavírus.

Em declarações ao jornal Observador, o especialista Carlos Antunes considerou que Portugal já entrou numa terceira vaga da doença, alertando ainda que as novas infecções registadas diariamente podem “chegar a valores insuportáveis”.

ZAP // Lusa

Por ZAP
6 Janeiro, 2021

 

 

 

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