298: Vem aí uma pandemia global de Parkinson

 

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A doença de Parkinson passou de uma doença rara a uma potencial pandemia global em algumas décadas, sendo actualmente “o distúrbio neurológico que mais cresce no mundo”. E nos próximos 20 anos, o número de doentes de Parkinson pode triplicar.

Um artigo científico no Journal of Parkinson’s Disease (O Jornal da Doença de Parkinson) debruça-se sobre como é que o mal de Parkinson passou de uma doença rara para se tornar no “distúrbio neurológico que mais cresce no mundo“, apontando que devido a factores demográficos e às consequências da industrialização, pode mesmo tornar-se numa pandemia global.

“Em 2040, poderemos falar de uma pandemia que resultará no aumento do sofrimento humano, além de disparar os custos sociais e médicos“, alerta o editor-chefe do Journal of Parkinson’s Disease (JPD), Patrik Brundin, um dos autores do artigo científico, citado pelo Sciencealert.com.

Cada vez mais pessoas serão afectadas por este mal nas próximas décadas e o número de doentes pode triplicar nos 20 anos que aí vêm, muito devido ao aumento da esperança média de vida global que contribui também para incrementar os casos de outras doenças neurológicas.

A doença de Parkinson foi identificada em 1817 pelo cirurgião britânico James Parkinson e em 2016, afectava 6,1 milhões de pessoas em todo o mundo, mais do dobro dos doentes que havia em 1990.

Daqui a 20 anos, esse número pode subir para 12 milhões de pessoas. Mas num cenário ainda mais trágico, o número pode chegar aos 17 milhões, nomeadamente se considerarmos o declínio no consumo do tabaco, fruto de campanhas de prevenção levadas a cabo nos últimos anos. É que o risco de sofrer de Parkinson desce em 40% no caso dos fumadores de longo termo, segundo investigações realizadas há várias décadas.

A crescente industrialização, designadamente devido à exposição a pesticidas, solventes e metais pesados que já foi associada com um aumento do risco de Parkinson, também vai contribuir para a inflação do número de pacientes com esta doença progressiva que afecta, gradualmente, a capacidade de mobilidade, o controlo muscular e o equilíbrio.

“A vaga da doença de Parkinson está a aumentar e a espalhar-se“, nota o neurologista Ray Dorsey do Centro Médico da Universidade de Rochester, nos EUA, um dos autores do artigo citado num comunicado.

Dorsey repara que a doença “exige um enorme custo humano para aqueles que têm a doença e para os que os rodeiam”, realçando a “tensão” gerada em quem exerce o papel de cuidador, além dos elevados “custos económicos” do Parkinson que tendem a crescer nas próximas décadas.

A boa notícia é que ainda podemos agir para tentar evitar a pandemia, como sustenta Dorsey.

“No Século passado, a sociedade confrontou com sucesso pandemias de polio, cancro da mama e VIH a vários níveis”, refere o neurologista, destacando que “central para o sucesso desses esforços foi o activismo desenfreado“.

Assim, fica o convite à comunidade de investigadores e pacientes de Parkinson, bem como de pessoas em risco de sofrerem a doença, para fazerem campanha pela prevenção e pela recolha de fundos para financiar as pesquisas nesta área.

“Esperamos que este artigo aumente a consciencialização para o desafio e forme a base para uma resposta gerada pela comunidade para enfrentar um dos grandes desafios da saúde do nosso tempo”, destaca o co-autor do artigo Bastiaan R. Bloem, do Departamento de Neurologia do Centro Médico da Universidade Radboud, na Holanda.

SV, ZAP //

Por SV
15 Fevereiro, 2019

 

296: Gaze parafinada

 

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295: Injecção capaz de travar Alzheimer pode estar disponível em 10 anos

 

© iStock Injecção capaz de travar Alzheimer pode estar disponível em 10 anos

Uma injecção com o potencial de deter o aparecimento da doença de Alzheimer poderá estar disponível no mercado dentro de uma década, refere a Alzheimer’s Society (associação de caridade britânica dedicada ao estudo da demência).

O médico James Pickett, investigador chefe naquela organização, disse à publicação The Telegraph, que as recentes descobertas revolucionárias levaram os cientistas a um “ponto de viragem”.

Acrescentando: “Neste momento estamos a começar a conseguir juntar inúmeras peças do puzzle, que estão finalmente a fazer sentido. Temos todo este conhecimento sobre genética, tal como os investigadores de doenças cancerígenas tinham há 30 anos, e estamos agora a investir no seu conhecimento e exploração”.

A injecção iria isolar e aniquilar as proteínas prejudiciais que se acumulam no cérebro.

As declarações chegam após a realização de ensaios científicos “revolucionários” que envolveram o isolamento das ditas proteínas em crianças que padeciam de uma condição rara na espinha.

msn lifestyle
Liliana Lopes Monteiro
02/01/2019

 

287: Descoberto antibiótico que pode combater as bactérias super-resistentes

 

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Um grupo de cientistas chineses sintetizou um complexo antibiótico que é eficaz contra as bactérias resistentes aos medicamentos actuais e é baseado num grupo de compostos descobertos na União Soviética na década de 40.

De acordo com a revista Chemical & Engineering News, este antibiótico é utilizado com sucesso em tratamentos experimentais contra infecções em humanos.

Os especialistas explicaram que se focaram nas moléculas de albomicina a partir da bactéria Streptomyces griseus, que se encontra no solo e se alimenta de restos de vegetais em decomposição, relata o estudo publicado esta semana na Nature Communications.

As albomicinas penetram no sistema de defesa das bactérias e atravessam a sua dupla membrana fosfolipídica de forma a torná-las inactivas.

Em 1955, o biólogo russo Georgy Gause desenvolveu um sistema também baseado nas albomicinas, que se mostrou eficaz em casos de pneumonia infantil e complicações derivadas da disenteria e sarampo, relata a British Medical Journal.

A sua natureza completamente atóxica foi confirmada quando o antibiótico foi utilizado em humanos durante práticas clínicas.

A nova pesquisa, liderada por Yun He, da Universidade de Chongqing, China, conseguiu sintetizar três albomicinas e uma delas – denominada delta-2 – tem-se mostrado altamente eficaz contra diferentes variedades da bactéria Streptococcus pneumoniae e Staphylococcus aureus, três das quais eram resistentes à meticilina.

Além disso, a albomicina delta demonstrou ser muito mais potente do que alguns dos antibióticos utilizados frequentemente, como, por exemplo, a penicilina.

Este composto ainda não está disponível para venda, mas proporciona um grande avanço em relação ao combate das bactérias multi-resistentes a antibióticos.

Por SN
9 Setembro, 2018

286: Novo medicamento para doentes com Parkinson chega a Portugal

 

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Em Portugal existem entre 18 a 20 mil doentes de Parkinson

A farmacêutica portuguesa Bial anunciou nesta quarta-feira estar já disponível no mercado português um novo medicamento para doentes com Parkinson que atrasa os sintomas da progressão da doença.

Em declarações à Lusa, o presidente da Bial, António Portela, explicou que este novo medicamento, cujo princípio activo é a opicapona, “reduz o estado off, que se caracteriza pela lentidão/limitação dos movimentos”.

“Os chamados tempos off são períodos em que o corpo fica rígido e os doentes não se conseguem mexer. O medicamento tem um efeito importante porque reduz em duas horas o tempo off“, sustentou, salientando “a vantagem de ser de toma única diária, o que aumenta a qualidade de vida dos doentes durante o dia, mas também durante o sono”.

O novo medicamento, comercializado com o nome de Ongentys, já está disponível desde 2016 na Alemanha, Inglaterra e Espanha.

Ainda este mês será comercializado em Itália, existindo já acordos com empresas do sector para a sua comercialização nos Estados Unidos da América, Japão, China e Coreia do sul.

“Ainda não submetemos o dossier regulamentar em nenhum destes países, estamos a prepará-los, mas eu conto que, nos próximos seis a nove meses, os nossos parceiros, quer no Japão quer nos Estados Unidos, possam estar a submeter o dossier nesses países”, afirmou António Portela.

O novo medicamento para a doença de Parkinson foi aprovado pela Comissão Europeia em Junho de 2016, tendo sido introduzido em Outubro desse ano na Alemanha e Inglaterra.

“Estes dois países têm processos mais rápidos, ou seja, após a aprovação técnica e científica da Comissão Europeia, o medicamento fica disponível, mesmo com os processos de negociação do preço a da comparticipação a decorrer”, explicou o presidente da Bial.

António Portela referiu ainda que em Portugal o novo medicamento só é disponibilizado após o processo de negociação estar concluído, o que justifica o atraso de 2 anos.

Segundo a Bial, o Ongentys, que resultou de um investimento de cerca de 300 milhões de euros, culmina 11 anos de investigação, “apoiado num vasto e exaustivo programa de desenvolvimento clínico que suportou a aprovação da Comissão Europeia, incluindo 28 estudos de farmacologia humana em mais de 900 pacientes de 30 países”.

Em Portugal existem entre 18 a 20 mil doentes de Parkinson e são identificados todos os anos cerca de dois mil novos casos. Portugal é um dos países (a par com Espanha) com maior prevalência de uma mutação genética, considerada a causa mais frequente de doença de Parkinson.

Trata-se do segundo medicamento na área do sistema nervoso central desenvolvido pela Bial, mas a farmacêutica tem algumas moléculas em desenvolvimento. A que está mais avançada, segundo António Portela, é para o tratamento de “uma doença também rara e difícil, a hipertensão pulmonar arterial, mas nunca estará no mercado antes de 2020”.

ZAP // Lusa

Por Lusa
5 Setembro, 2018

284: Uma das doenças mais mortais do século XVIII voltou a aparecer nos países ricos

 

jholst / Flickr

O escorbuto, doença associada aos marinheiros dos Descobrimentos, não desapareceu por completo e continua a fazer vítimas em países desenvolvidos como os EUA e a Austrália.

Nos dias que correm, é difícil associar desnutrição a um país rico, desenvolvido e com altos índices de obesidade como os Estados Unidos. No entanto, a verdade é que uma das doenças mais mortais do século XVIII está a regressar a esta nação (que desperdiça um quarto da sua comida por ano).

Estamos a falar do escorbuto, uma doença simples de tratar e que é causada pela falta de uma única vitamina, mais propriamente a vitamina C, que pode ser encontrada em muitos tipos de fruta e legumes.

Esta doença ficou amplamente ligada à época dos Descobrimentos, quando os marinheiros, que passavam meses no mar com uma dieta pouco variada e escassa, começavam a ficar com sintomas como perda de dentes e sangue nas gengivas. Depois, surgiam as dores nas articulações e feridas que não cicatrizavam. Em três meses sem ingerir vitamina C, muitos deles morreram.

A falta desta vitamina aumenta os riscos de hemorragias, infecções e ataques cardíacos. O tratamento para o escorbuto foi descoberto em 1747 e passa simplesmente por ingerir pequenas quantidades de vitamina C todos os dias.

Mas, pelos vistos, esta doença ainda não desapareceu por completo e uma das suas vítimas foi precisamente Sonny Lopez, norte-americano de Springfild, Massachusetts, que foi pedir aconselhamento médico a Eric Churchill quando começou a sentir os mesmos sintomas que os marinheiros do século XV.

Segundo o médico, este não foi o primeiro paciente que apareceu no consultório com esta deficiência vitamínica. “Diagnostiquei o primeiro caso há cerca de cinco ou seis anos. Foi muito dramático porque se tratava de alguém com uma doença mental que só comia pão e queijo”, explicou o especialista, citado pelo Science Alert. “Dessa época até agora,  já diagnosticámos entre 20 a 30 pessoas com escorbuto”, acrescenta.

Churchill e a sua equipa do Baystate High Street Health Centre começaram a questionar os pacientes sobre os seus hábitos alimentares e, actualmente, estão a fazer uma investigação sobre o escorbuto em ambiente urbano.

Lopez, que não tem muitas condições financeiras e passou vários anos a comer apenas uma refeição por dia, optava por comidas mais calóricas para tentar controlar a fome. A receita que recebeu do médico foi “comer uma laranja por dia”.

“Muitas pessoas que passam dificuldades para comprar comida acabam por escolher alimentos ricos em gordura, com muitas calorias e que enchem. São as comidas que nos enchem e nos satisfazem mais do que frutas e verduras”, aponta o médico.

Porém, muitos dos pacientes de Churchill têm peso a mais ou são obesos, mostrando que comer excessivamente não é sinónimo de ingerir todas as vitaminas necessárias.

Além disso, de acordo com o mesmo site, os casos de escorbuto não acontecem apenas nos EUA. Em 2016, um relatório desenvolvido na Austrália indicou que havia uma incidência assustadora de casos entre pacientes diabéticos.

“Quando lhes perguntei sobre a alimentação que faziam, uma pessoa disse que comia pouca ou quase nenhuma quantidade de fruta e legumes, enquanto outros comiam esses alimentos mas estavam a cozinhá-los de forma excessiva. Isso destrói a vitamina C”, explica Jenny Gunton, médica e investigadora do Westmead Institute for Medical Research à ABC.

Churchill concluiu no seu estudo que pessoas mais pobres sofrem mais com a doença. “A pobreza no mundo magoa as pessoas de muitas formas – da exposição à violência à falta de voz e oportunidade, passando pelo acesso limitado à comida saudável e atendimento médico”, diz, considerando que este tipo de doença não deveria existir em países desenvolvidos.

Por HS
22 Agosto, 2018

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