345: E se um remédio para a malária fosse solução para o coronavírus?

 

SAÚDE/CODIV-19

É uma velha conhecida da medicina tropical, mas de repente está no centro das atenções por causa da pandemia de covid-19. Estudos preliminares apontaram para a possibilidade de a cloroquina, que há décadas é utilizada para tratar a malária, vir a ser usada em doentes infectados com o novo coronavírus.

É preciso, no entanto, esperar que os ensaios clínicos em curso demonstrem a sua eficácia e segurança no tratamento do covid-19, o que só acontecerá, na melhor das hipóteses, dentro de algumas semanas.

Isso não impediu, no entanto, o presidente americano de anunciar que a FDA, a agência dos Estados Unidos para os medicamentos e a alimentação, tinha aprovado uma “droga muito poderosa” para tratar o coronavírus. Referia-se à cloroquina e as repercussões não tardaram.

Apesar de a própria FDA ter emitido um comunicado a desmentir, uma vez que não existe nesta altura qualquer medicamento para a nova doença, o que se seguiu às declarações de Donald Trump foi uma corrida às farmácias no país, que quase limpou das prateleiras aquele medicamento e um seu derivado, a hydroxychloroquine.

Foi tanto assim que os doentes de lúpus, os que o usam no seu tratamento, enfrentam agora a incerteza da sua escassez. Um pouco como aconteceu com o pânico que há cerca de duas semanas fez esgotar temporariamente o papel higiénico nos supermercados em vários países, mas de forma mais grave, aquele medicamento, que é usado no tratamento de lúpus e da artrite reumatóide, duas doenças auto-imunes, quase desapareceu das farmácias, pondo agora em risco a saúde destes doentes, como noticia o ProPublica, um site de jornalismo de investigação nos Estados Unidos.

A Lupus Foundation of America já fez entretanto saber que está a trabalhar para garantir que os cerca de 1,5 milhões de cidadãos americanos que sofrem de lúpus vão continuar a ter acesso a este medicamento agora tão cobiçado em tempos de pandemia de covid-1

E houve histórias mais ridículas. Em Phoenix, no estado do Arizona, um homem morreu e a mulher ficou em estado crítico depois de ambos terem tomado fosfato de cloroquina, um produto usado para limpar aquários. Depois de melhorar, a mulher falou com o canal de televisão NBC e disse que tinha tomado a substância depois de ter ouvido o presidente Donald Trump e porque tinha medo de ficar doente. “Tinha cá aquilo, porque costumava ter carpas koi. Olhei para o frasco na prateleira e perguntei ao meu marido: ‘Hey, isto não é o que eles estavam a falar na tv?'” Os frascos destas pastilhas vendidas em lojas de animais tinham subido para centenas de dólares no eBay – isto apesar dos avisos públicos de que 1) não era a mesma coisa e 2) não há nenhum medicamento contra o covid-19.

Na Nigéria pelo menos três pessoas tiveram de ser hospitalizadas por intoxicação medicamentosa, depois de terem tomado uma overdose daquela droga – comum em África por causa da malária, sendo a única que previne os seus efeitos mais negativos. As autoridades de saúde nigerianas viram-se obrigadas a lançar um alerta público contra a utilização indiscriminada de medicamentos contra a malária no contexto da pandemia.

No Brasil, o presidente Bolsonaro também ajudou a disseminar a ideia: publicou um vídeo nas redes sociais dizendo que o pesquisadores do Hospital Albert Einstein, em São Paulo, teriam iniciado um programa de testes com cloroquina para tratamento de pacientes diagnosticados com covid-19 e que os laboratórios do Exército brasileiro iriam aumentar a produção daquele composto. Medida adicional do seu governo: o Brasil deixou de vender a cloroquina a outros países.

O ensaio do médico estranho

A cloroquina saltou para as notícias a propósito do novo coronavírus SARS-CoV-2 depois de um grupo de médicos e investigadores franceses terem anunciado na semana passada “resultados promissores” no tratamento de alguns destes doentes, como afirmou Didier Raoult, o diretor do hospital de Marselha onde o estudo foi feito.

Segundo aquele médico, citado na revista francesa Science et Avenir , três quartos dos doentes que foram tratados com hydroxychloroquine não apresentavam rasto do vírus seis dias depois do início do tratamento, ao passo que 90% dos que não receberam aquela droga mantinham a presença do vírus no organismo decorrido o mesmo período de tempo. Este estudo, no entanto, não foi revisto pela comunidade científica.

Dos 20 doentes que foram tratados naquele pequeno ensaio, seis receberam também, além da hydroxychloroquine, um medicamento chamado azitromicina (que é normalmente administrada para prevenir infecções severas do trato respiratório em pacientes com infecções virais) e, nesses, a eficácia do tratamento na eliminação do vírus foi de 100%. Face a estes resultados, e mesmo com dúvidas, o governo francês decidiu alargar a outros hospitais e a um maior número de doentes de covid-19 a administração das duas moléculas combinadas, em contexto de ensaios clínicos, para obter conclusões robustas.

Ensaios clínicos estão a testar a eficácia de medicamentos da malária no tratamento do covid-19.
© EPA/Olivier Hoslet

Segundo o site de jornalismo de investigação The Intercept, no entanto, este médico e o seu ensaio têm levantado muitas dúvidas na comunidade científica, “pelo seu tamanho pequeno”, e escolhas estranhas como foi conduzido. “Há o facto de que seis dos pacientes tratados tiveram condições muito adversas em três dias: um morreu, três foram retirados do estudo para irem para os cuidados intensivos, um estava negativo e um parou o tratamento por causa das náuseas. Estes falhanços foram simplesmente retirados das estatísticas” diz a peça do jornalista Robert Mackey

O médico Didier Raoult é visto como pouco ortodoxo pela comunidade médica – que, como todos, está tão esperançada numa possível cura que escolhe dar o benefício da dúvida ao médico, bastante conhecido e cronista habitual da revista Le Point. Negacionista ambiental, e conhecido pelas suas boutades sobre este vírus – disse, nomeadamente que “este vírus não justifica medidas como se fosse uma catástrofe atómica”, anunciou que vai já publicar um livro chamado Epidemias, Verdadeiros Perigos e Falsos Alertas, segundo o jornal local La Provence. La Nouvel Observateur. Um maverick, como ele próprio se descreve à revista francesa Nouvel Observateur, diz que é ” uma estrela mundial.”

E outros ensaios

Mas a verdade é que a comunidade científica e política está em tanta aflição que a esperança acaba por sobrepor-se à cautela. E este não é o único ensaio clínico em curso com a cloroquina. Tudo começou, aliás, na China, onde os investigadores foram os primeiros a dar conta de efeitos positivos do medicamento contra o vírus SARS-CoV-2 que provoca a covid-19.

Segundo a agência de notícias chinesas Xinhua, a cloroquina, a cloroquina foi testada em 135 doentes numa dezena de hospitais em Pequim e na província de Cantão. 130 passaram a apresentar sintomas moderados e apenas cinco evoluíram para o estado grave. E, segundo, Xu Nanping, vice-ministra da Ciência chinesa, nenhum dos 130 viu a sua situação agravar-se.

Numa conferência de imprensa em Pequim, Sun Yanrong, vice-líder do Centro Nacional Chinês para o Desenvolvimento da Biotecnologia, deu o caso de uma doente de 54 anos que testou negativo depois de ter recebido aquele tratamento durante uma semana apenas. Segundo esta especialista, a maior parte dos doentes tratados levou também menos tempo a recuperar.

A Comissão para a Saúde chinesa ouviu também um conjunto de peritos, liderado pelo renomado médico Zhong Nanshan, especialista da Academia Chinesa de Engenharia, que ficou impressionado com os resultados obtidos.

A cloroquina, uma esperança em testes para o coronavírus.
© DR

Apesar das cautelas, o mundo está a ver aqui um sinal positivo e está a ir atrás dele. A Europa e os Estados Unidos também estão lançados nesta demanda para se perceber se existe aqui um caminho viável para um tratamento eficaz. Em Nova Iorque, o governador Andrew Cuomo anunciou que o estado ia usar 750 mil doses de cloroquina e 70 mil de hydroxychloroquina e 10 mil de azithromycina para fazerem o seu próprio ensaio médico. Mas fez também questão de proibir a venda do medicamento a quem não o use, já, e em pequenas quantidades, apenas para 14 dias de uso. “Nenhuma outra experiência é permitida”, disse.

Em Marrocos, decidiu-se recorrer à cloroquina como tratamento em todos os pacientes internados com covid-se, segundo o jornal local La Quotidiene. A nota foi enviada pelo ministério da Saúde para todos os centros hospitalares e directores regionais. As autoridades instam aos responsáveis que se aprovisionem do medicamento. A farmacêutica Sanofi, que tem uma fábrica deste medicamento em Marrocos, recusou-se a exportar o Nivaquine e o Plaquenil, na semana passada, apesar das demandas. Alegou que só tinha autorização para aquele mercado.

A atenção de Marrocos deveu-se ao facto de o ministro dos transportes, Abdelkader Amara, ter testado positivo para o covid-19, de volta de uma missão à Europa, e ter revelado nas redes sociais que se tinha tratado com nivaquine, um “medicamento para o tratamento da malária, fabricado em Marrocos”. ​​​​Os testes em Marrocos estão a ser feitos com um protocolo elaborado por um comité científico e técnico. Marrocos tem 143 casos, cinco mortos.

A cloroquina, uma esperança em testes para o coronavírus, é produzida pela Sanofi em Marrocos.
© DR

Medicamento bem conhecido

A Bélgica também começou também nesta segunda-feira a testar um novo tratamento para a covid-19 à base de cloroquina. Uma das vantagens da utilização das moléculas de hydroxychloroquine prende-se o facto de estar amplamente testada para a malária, sendo a sua “toxicidade bem conhecida” dos especialistas, como o microbiologista do laboratório de referência da Universidade Católica de Lovaina, Emmanuel Andre, que anunciou o tratamento.

“Já está também a ser feito um ensaio clínico a nível europeu com a combinação das duas moléculas”, informa a investigadora portuguesa em malária, Joana Tavares, do Instituto de Investigação e Inovação em Saúde (I3S) da Universidade do Porto. Diz que face aos “resultados promissores” este é um passo essencial para se determinar com rigor como se “comportam estas droga com estes pacientes de covid-19”, quais as dosagens óptimas ou a duração do tratamento.

Joana Tavares acredita que no contexto urgente da pandemia poderá haver uma resposta mais concreta sobre a real eficácia daqueles medicamentos contra o SARS-CoV-2 “dentro de algumas semanas, talvez um mês”. “Mesmo que os doentes não fiquem completamente curados, se deixarem de ter carga viral deixam de transmitir a doença, e isso já será muito positivo”, conclui a investigadora.

O laboratório farmacêutico Novartis anunciou entretanto que doará doses de hydroxychloroquine em quantidade suficiente para tratar milhões de pessoas se se comprovar que ela é eficaz no tratamento do covid-19. A farmacêutica suíça está, aliás, a colaborar com os ensaios clínicos em curso. Dentro de algumas semanas saber-se-á a resposta.

Diário de Notícias
Filomena Naves com Catarina Carvalho e João Francisco Guerreiro em Bruxelas
24 Março 2020 — 17:23

 

344: Perda de paladar e olfacto pode ser um indicador de que está infectado

 

 

SAÚDE/CODIV-19

Médicos estão a recomendar testes de despistagem e isolamento a quem tenha perdido o paladar e o olfato, mesmo que não apresentem sintomas de estar infetados com o novo coronavírus.

Estão a ser detectados casos de pessoas, por exemplo cozinheiros, que ao serem infectados perdem o olfacto e o paladar.
© EPA/Wu Hong

Anosmia, perda parcial ou total do olfacto, e ageusia, enfraquecimento do sentido do paladar, podem ser possíveis indicadores da infecção pelo covid-19. O New York Times relata o caso de uma mãe infectada que deixou de sentir o cheiro da fralda do seu bebé. E ainda de cozinheiros profissionais que perderam a capacidade de distinguir especiarias, mesmo aquelas com odores mais fortes, como caril e alho. Há ainda quem não consiga identificar o perfume do champô ou o forte cheiro a amónio na liteira dos gatos.

Otorrinolaringologistas britânicos, citando relatos de colegas de todo o mundo, pediram na sexta-feira passada a adultos que perderam o olfacto que permanecessem isolados durante sete dias, mesmo sem apresentar sintomas, para prevenir a propagação da doença. Os dados publicados ainda são limitados, mas os médicos estão suficientemente preocupados para emitir esta recomendação.

“Queremos consciencializar a população de que isto poderá ser um sinal de infecção. Qualquer pessoa que apresente perda de olfacto deverá isolar-se voluntariamente”, segundo um comunicado de Claire Hopkins, presidente da Sociedade de Rinologia Britânica. “Tal poderá contribuir para travar a cadeia de transmissão e salvar vidas.”

Hopkins e Nirmal Kumar, presidente da ENT UK, um grupo que representa otorrinolaringologistas na Grã-Bretanha, emitiram uma declaração conjunta a pedir aos profissionais de saúde que usem equipamentos de protecção individual ao tratar pacientes que perderam o sentido do olfacto e desaconselharam a realização de cirurgias endoscópicas nasais não essenciais, uma vez que o vírus se replica no nariz e na garganta e os exames podem provocar tosses ou espirros, pondo em risco os médicos.

Dois médicos otorrinolaringologistas britânicos que foram infectados com o coronavírus estão em estado crítico, disse Hopkins. Relatórios anteriores de Wuhan, na China, onde o coronavírus surgiu pela primeira vez, alertaram que tanto otorrinolaringologistas como oftalmologistas estavam infectados e morriam em grande número, disse Hopkins.

Os médicos britânicos citaram relatos de outros países indicando que um número significativo de pacientes com coronavírus apresentaram anosmia. Na Coreia do Sul, onde os testes foram generalizados, 30% dos dois mil pacientes que deram positivo (todos eles casos ligeiros) tinham um quadro de anosmia como principal sintoma.

A Academia de Otorrinolaringologia Americana publicou no domingo informações no seu site que indicam que há evidências de que a perda de olfacto e paladar são sintomas significativos associados ao covid-19, e que foram observados em pacientes infectados, embora sem outros sintomas.

Na ausência de um quadro de alergias, rinites ou sinusite, estes sintomas devem ser um sinal de alerta para os médicos rastrearem os pacientes e “justificam seriamente a recomendação para o auto-isolamento, seguido do teste”, afirmou a academia.

“Há fortes evidências de que os otorrinolaringologistas estão entre o grupo de maior risco, por realizarem cirurgias e exames das vias aéreas superiores”, segundo um alerta publicado no site da academia na sexta-feira.

“Uma alta taxa de transmissão do covid-19 em otorrinolaringologistas foi relatada na China, em Itália e no Irão, com muitos dos casos a resultar em morte”, acrescenta-se no aviso.

Rachel Kaye, professora assistente de otorrinolaringologia na Universidade de Rutgers, em Nova Jérsia, afirmou, por sua vez, que colegas na cidade de New Rochelle, em Nova Iorque, relataram ter recebido pacientes que se queixaram de perda de olfacto; mais tarde, estes viriam a dar positivo no teste ao coronavírus.

“Face a esta constatação, muitos otorrinolaringologistas cancelaram os procedimentos médicos e na Universidade de Rutgers, onde os especialistas já tinham começado a usar equipamentos de protecção especial, também se deixou de realizar exames não essenciais”, segundo Rachel Kaye.

Em Itália, nas áreas mais afectadas pelo vírus, já vários médicos concluíram que a perda de paladar e olfacto é um sinal de que uma pessoa, embora pareça saudável, é portadora do covid-19 e, por conseguinte, pode transmitir a doença a outras.

“A maioria dos hospitalizados relata o mesmo: perda de paladar e olfacto”, disse Marco Metra, chefe do departamento de cardiologia do principal hospital de Brescia, na Lombardia, onde 700 dos 1200 pacientes internados têm o coronavírus.

O mesmo foi verificado na Coreia do Norte e na Alemanha. Hendrik Streeck, epidemiologista da Universidade de Bona, afirmou que pelo menos dois terços dos mais de cem pacientes ligeiros com quem falou relataram perda de olfacto e paladar.

Também nos EUA vários pacientes que apresentaram sintomas consistentes, mas que ainda não foram testados ou aguardam os resultados, descreveram a perda de olfacto e paladar, mesmo sem terem o nariz congestionado.

Diário de Notícias
Sandra Gonçalves
23 Março 2020 — 22:53

 

Diabéticos com mais de 60 anos devem cumprir “isolamento rigoroso”

 

SAÚDE/DIABÉTICOS/COVID-19

A Associação Protetora dos Diabéticos de Portugal (APDP) defendeu hoje o isolamento “rigoroso” para pessoas com “diabetes e mais de 60 anos”, por estarem no mesmo “grupo de risco dos idosos com mais de 70 anos sem patologias”.

© Artur Machado/ Global Imagens

Em comunicado, a APDP alerta para a lei que “apela ao dever especial de prevenção de doença Covid-19 das pessoas com diabetes e sugere a importância de quarentena rigorosa para as pessoas com diabetes e mais de 60 anos, considerando-as grupo de maior risco, tal como acontece com as pessoas com mais de 70 anos sem outras patologias”.

A APDP destaca ainda que as pessoas com diabetes “deve ter em casa medicação suficiente para dois meses” e que “as que estão a trabalhar poderão pedir baixa médica, se não estiverem em teletrabalho ou já de quarentena por indicação das autoridades de saúde”.

“A APDP já pediu ao Ministério da Saúde que agilizasse este processo para não obrigar as pessoas a ir ao Centro de Saúde e a clarificação das condições em que o mesmo se processará”, esclarece a associação.

Para a APDP, o “isolamento profilático” dos diabéticos, sobretudo dos que têm mais de 60 anos, “será tão mais importante se tiverem também hipertensão, doença coronária, respiratória ou cancro”.

“Só deverão sair de casa em situações de absoluta necessidade e, sempre, evitando qualquer contacto pessoal”, avisa a associação.

Citado no comunicado, o presidente da APDP, José Manuel Boavista, considera “crucial que sejam adoptadas medidas de contenção social, particularmente na população mais idosa que está mais susceptível a uma fragilização do sistema imunitário devido a outras patologias”.

O responsável esclarece que “esta recomendação de quarentena advém dos dados já apurados noutros países, que demonstram que na população com mais de 60 anos e nas pessoas com doenças crónicas o risco de complicações graves e de morte aumenta.”

José Manuel Boavida acrescenta que “todas as pessoas com diabetes devem ter em casa medicação suficiente para dois meses, dado ter aumentado a previsão de duração da epidemia, assim como material de auto-vigilância e toda a medicação que tomam habitualmente para outras doenças, nomeadamente para o aparelho cardiovascular.”

Tal como a Direcção Geral da Saúde (DGS), a APDP recomenda que é também necessário “ter medicação para a febre, como o paracetamol.”

A associação observa que os diabéticos “devem estar alerta para os sintomas da doença, que são semelhantes aos da gripe e que podem incluir febre, tosse, falta de ar e cansaço”.

“É fundamental manterem-se hidratados, controlar a temperatura corporal e fazer o registo diário da glicemia”, acrescenta.

A APDP refere ainda que esta semana vai disponibilizar um telefone para atender casos de dúvida.

A associação esclarece que, “face à pandemia da doença provocada pelo Covid-19 e para reduzir o risco de contágio, reduziu as consultas presenciais apenas para situações urgentes, passando as consultas a ser realizadas por telefone”.

“Todos os pedidos de medicamentos poderão ser feitos pelos meios habituais, podendo a farmácia da APDP entregá-los no domicílio”, dizem.

O novo coronavírus, responsável pela pandemia da covid-19, já infectou mais de 308 mil pessoas em todo o mundo, das quais mais de 13.400 morreram. Em Portugal, há 14 mortes e 1.600 infecções confirmadas.

O pais encontra-se em estado de emergência desde as 00:00 de quinta-feira e até às 23:59 de 02 de Abril. Além disso, o Governo declarou na terça-feira o estado de calamidade pública para o concelho de Ovar.

Diário de Notícias
DN/Lusa
22 Março 2020 — 23:25

 

Japão já tem medicamento para a gripe “claramente eficaz” contra o coronavírus

 

NOTÍCIAS

Anúncio foi feito por autoridades médicas chinesas.

As autoridades médicas na China anunciaram que o Japão está a produzir um medicamento contra a gripe que se está a mostrar “claramente eficaz” no tratamento de pacientes com coronavírus, segundo avança o The Guardian.

O funcionário do ministério da ciência e tecnologia da China, Zhang Xinmin, afirma que o favipiravir, desenvolvido por uma subsidiária da conhecida marca Fujifilm, produziu resultados positivos em ensaios clínicos na cidade de Wuhan e em Shenzhen que contaram com a participação de 340 pacientes.

“Tem um alto nível de segurança e é claramente eficaz no tratamento”, revela Zhang.

Os pacientes que foram medicados com favipiravir deram negativo ao teste de coronavírus após cerca de quatros dias de se terem tornado casos positivos de Covid-19.

Os raios-X a estes pacientes confirmaram ainda uma melhoria na condição pulmonar em cerca de 91%, contra os 62% de quem é tratado sem o medicamento.

A Fujifilm Toyama Chemical, que desenvolveu o favipiravir, recusou-se a comentar as alegações.

CM
18 de Março de 2020 às 11:17

 

337: Alzheimer: cientistas conseguem reverter a demência. Mais próximos de uma cura

 

CIÊNCIA/ALZHEIMER

Cientistas revelaram que, pela primeira vez, conseguiram reverter a demência em testes realizados com roedores. Uma chance de cura para o Alzheimer está cada vez mais próxima.

Cientistas revelaram que, pela primeira vez, conseguiram reverter a demência em testes realizados com roedores. Uma chance de cura para o Alzheimer está cada vez mais próxima.

A revelação saiu no estudo publicado na Science Translational Medicine, onde sugere que o direccionamento da inflamação no cérebro pode deter a demência.

O cientista Barry Hart conseguiu sintetizou uma molécula, chamada IPW, que bloqueia os receptores que dão início à inflamação. Além de aliviar os sintomas, a droga consegue reparar a parte danificada.

“Quando eliminamos esse ‘nevoeiro’ da inflamação, em questão de dias o cérebro senil rejuvenesceu. É um achado que nos deixa muito optimistas porque mostra a plasticidade do cérebro e sua capacidade de recuperação”, disse a doutora Daniela Kaufer, da Universidade da Califórnia, em Berkeley.

O IPW, bloqueia um gene conhecido como TGF-β que alimenta a inflamação, desencadeando a albumina das proteínas no sangue.

“Agora temos dois biomarcadores que informam exactamente onde a barreira hematoencefálica está vazando, para que você possa seleccionar pacientes para tratamento e tomar decisões sobre quanto tempo administrará a droga”, afirmou Daniela Kaufer.

“Você pode segui-los e, quando a barreira hematoencefálica estiver curada, você não precisará mais da droga.”

“Quando você remove esse nevoeiro inflamatório, em poucos dias, o cérebro envelhecido age como um cérebro jovem. É uma descoberta muito, muito optimista, em termos da capacidade de plasticidade que existe no cérebro. Nós podemos reverter o envelhecimento cerebral”, disse.

Exames chamados de EEGs (electroencefalogramas) revelaram perturbações semelhantes das ondas cerebrais em humanos com Alzheimer, comprometimento cognitivo leve (MCI) e epilepsia.

Isso significa que barreiras com vazamentos e ritmos cerebrais anormais detectáveis por ressonância magnética e EEG, respectivamente, podem acabar sendo usados para sinalizar pessoas com demência – além de indicar uma óptima oportunidade de intervenção usando uma droga para retardar ou até reverter a doença.

Quando eles deram o medicamento aos ratos, em doses que diminuíram a actividade do gene, seus cérebros ficaram mais jovens. Houve menos inflamação e as ondas cerebrais melhoraram, bem como redução da susceptibilidade convulsiva.

Os ratos também navegaram em um labirinto e aprenderam tarefas espaciais da mesma forma que um rato mais jovem.

Em uma análise do tecido cerebral de humanos, o professor Kaufer encontrou evidências de albumina em cérebros envelhecidos e aumentou a neuro-inflamação e a produção de TGF-β.

O professor Friedman, da Universidade Ben-Gurion do Negev, em Israel, também desenvolveu uma técnica de varredura chamada DCE (Dynamic Contraste Enhanced) – um tipo especial de ressonância magnética. Isso detectou mais vazamentos na barreira hematoencefálica de pessoas com maior declínio cognitivo.

No total, essas evidências apontam para uma disfunção no sistema de filtragem de sangue do cérebro como um dos primeiros factores desencadeantes do envelhecimento neurológico, disse Kaufer.

Sua equipe agora abriu uma empresa para desenvolver um medicamento oficial que cure a barreira hematoencefálica para tratamento clínico e pode, eventualmente, terminar por ajudar os idosos com demência ou doença de Alzheimer que demonstraram vazamento da barreira hematoencefálica.

Uma excelente notícia para a medicina mundial, né?

Com informações do GNN

A Soma de Todos os Afetos
9 de Dezembro de 2019
Fabíola Simões

 

336: Investigadores encontraram uma cura para a diabetes (em ratos de laboratório)

 

CIÊNCIA

A Diabetes é uma doença metabólica crónica que se caracteriza pelo aumento dos níveis de açúcar no sangue (glicemia). Em Portugal existem mais de três milhões de pessoas com diabetes ou pré-diabetes, o que representa 40% da população portuguesa. Contudo, no mundo são apontados mais de 463 milhões de adultos com esta doença. Há um crescimento alarmante dizem os números e há uma urgência no seu tratamento.

Até à data, o tratamento mais comum tem sido gerir a doença com uma dieta cuidadosamente controlada e doses regulares de insulina, se necessário. No entanto, a cura pode estar já no horizonte.

Uma equipa de investigação da Universidade de Washington, Estados Unidos, descobriu no ano passado que a infusão de ratos com células estaminais poderia oferecer uma melhor opção de tratamento.

Com base nesta investigação, a mesma equipa pode ter encontrado uma cura: pelo menos em ratos de laboratório.

Ratos de laboratório podem ter a cura para a diabetes

Os diabéticos são caracterizados pela sua dificuldade em produzir ou administrar insulina. Isto requer uma permanente e cuidadosa monitorização, uma dieta rigorosa, exercício e doses caras de insulina. A insulina é normalmente produzida no pâncreas, mas aqueles que têm diabetes não produzem o suficiente.

Assim, para tratar a diabetes, muitos diabéticos têm que vigiar os seus níveis de açúcar no sangue, e injectar a insulina directamente na corrente sanguínea. O tratamento agora revelado supera estas doses e, em vez disso, usa células beta para segregar a insulina necessária.

O tratamento depende das células estaminais pluripotentes induzidas (IPSCs). Estas células são essencialmente uma “folha em branco” que podem ser enganadas para se tornarem praticamente qualquer outro tipo de célula no corpo.

Conforme apresentado neste novo estudo, a equipa melhorou a técnica que tinha desenvolvido no ano passado para produzir e introduzir estas células na corrente sanguínea. Ao converter as células estaminais num outro tipo de célula, sempre há erros e células aleatórias entram na mistura com as células produtoras de insulina. Estas células são inofensivas, mas não valem o seu peso.

Quanto mais células fora do alvo forem conseguidas, menos células relevantes do ponto de vista terapêutico temos. Precisamos de cerca de mil milhões de células beta para curar uma pessoa com diabetes. Mas se um quarto das células produzidas são realmente células do fígado ou outras células do pâncreas, em vez de precisarmos de mil milhões vamos precisar de 1,25 mil milhões. Isso torna a cura da doença 25% mais difícil.

Explicou Jeffrey Millman, líder da investigação.

Células estaminais são a chave da cura

O novo método vai livrar a amostra destas células indesejadas. A equipa de Millman construiu um processo que visava o cito-esqueleto, a estrutura que dá às células a sua forma, e produziu não só uma percentagem maior de células beta eficazes, mas também células que funcionavam melhor.

Quando estas novas células foram infundidas em ratos diabéticos, os seus níveis de açúcar no sangue estabilizaram, deixando-os “funcionalmente curados” da doença durante nove meses.

É verdade, é apenas um ensaio em animais. Os resultados não devem ser interpretados como uma cura para humanos. Contudo, estamos perante um começo promissor.

Posteriormente, a equipa planeia continuar a testar estas células, mas agora em animais maiores. Além disso, o estudo deverá abranger períodos mais longos, com o objectivo de realizar testes clínicos em humanos no futuro.

26 Fev 2020

 

 

 

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