376: Portugueses estão a desenvolver teste de saliva para a covid-19

 

SAÚDE/COVID-19

Resultados da equipa liderada por Nuno Rosa, da Universidade Católica Portuguesa, mostram que a ideia funciona. Os investigadores estão agora à procura de parcerias para produzir o futuro teste que, se tudo correr bem, poderá estar disponível em meados do próximo ano.

O investigador Nuno Rosa
© Miguel Pereira da Silva / GLOBAL IMAGENS

E se bastasse uma pequena gota de saliva para verificar se alguém está, ou já esteve, infectado com o novo coronavírus? Pode parecer futurista, mas em Portugal um grupo de médicos e investigadores liderados por Nuno Rosa, professor da Universidade Católica Portuguesa (UCP) e investigador de um dos seus laboratórios, o Saliva Tec, sediado no campus de Viseu da UCP, está a trabalhar no desenvolvimento de um teste desse tipo. E os resultados não podiam ser mais promissores.

“Estamos ainda a recolher os últimos dados, mas os nossos resultados mostram que a ideia funciona, a prova de conceito está feita”, garante Nuno Rosa, sublinhando que o grupo está agora “na fase de encontrar parceiros para desenvolver e criar um teste miniaturizado para aplicação em larga escala”.

O caminho até lá é complexo, mas o objectivo é ter o teste disponível, “talvez, em meados do próximo ano, se tudo correr bem”.

A ideia de criar um método para detectar, não só a presença de partículas do SARS-CoV-2, mas também de anticorpos contra ele, usando apenas uma amostra de saliva, surgiu de forma natural entre os investigadores do Saliva Tec. Afinal o que ali fazem é isso mesmo: investigação sobre este fluido biológico, que é muito rico em informação, para aplicação ao diagnóstico em saúde.

“Trabalhamos nesta área há anos, e em 2014 ganhámos um financiamento do Portugal 2020 para montar este laboratório, o único no país especificamente criado para a investigação fundamental nesta área”, diz Nuno Rosa. E explica: “Usamos a saliva como fluido informativo sobre a saúde e a partir daí desenvolvemos estratégias de diagnóstico para diferentes patologias, nomeadamente a diabetes, para a qual já temos vários estudos publicados.”

Ao contrário do que acontece com as análises sanguíneas que são hoje rotina no diagnóstico em saúde, a saliva, apesar de ter muita informação biológica – contém mais de quatro mil moléculas diferentes e outros tantos microrganismos que, no seu conjunto, são o microbioma oral -, está muito pouco explorada nesse sentido. “É necessário fazer essa investigação fundamental, estudar e estabelecer os parâmetros que para cada molécula definem a diferença entre a saúde e a doença, para se poder operacionalizar ferramentas de diagnóstico a partir da saliva. É isso que fazemos no Saliva Tec “, explica Nuno Rosa.

Entretanto, surgiu a pandemia. Com todas as suas vítimas, os pesados problemas económicos e as muitas restrições sociais que gerou, a covid-19 acabou por ser também uma oportunidade de desenvolver investigação inovadora, que poderá agora ter um impacto positivo na saúde da comunidade, num momento difícil e cheio de incertezas.

“Quando surgiu a pandemia pensámos logo em fazer este estudo”, conta Nuno Rosa. A criação de um programa especial de apoio financeiro à investigação em covid-19 por parte da Fundação para a Ciência e a Tecnologia (FCT), logo em Abril, foi a oportunidade certa para avançar.

Nuno Rosa reuniu uma equipa entre o seu próprio grupo no Saliva Tec, o Instituto Politécnico de Viseu e o centro hospitalar da cidade, concorreu ao programa da FCT e ganhou um financiamento de 30 mil euros para o projecto.

A primeira fase do trabalho, que implicou acompanhar a evolução de mais de 20 doentes de covid-19 no centro hospitalar de Viseu, avaliar a par e passo a sua carga viral e os seus níveis de anticorpos, determinar todos esses parâmetros e padrões em amostras de saliva de todos os doentes, e estabelecer as comparações, está praticamente concluída – e com bons resultados.

“Estamos muito satisfeitos, as nossas expectativas confirmaram-se, é possível fazer um teste deste tipo, e agora podemos ir melhorando o método, nomeadamente para obter um teste rápido”, explica o investigador.

A técnica desenvolvida pela equipa permite determinar com exactidão os níveis virais e os anticorpos presentes em amostras de saliva dos doentes. E essa dupla capacidade é justamente uma das mais-valias do futuro produto que, assim, poderá servir não só para o diagnóstico da doença, mas também para verificar quem já esteve infectado e ficou imunizado – pelo menos temporariamente, uma vez que não se sabe ainda qual é a duração dessa imunidade.

“Além das partículas do vírus, com o nosso método detectamos dois anticorpos, o IGM e o IGG, que nos mostram fases distintas da infecção”, explica Nuno Rosa.

O primeiro desses anticorpos, o IGM, é produzido pelo sistema imunitário logo na fase inicial da infecção, e o segundo (IGG) permanece no organismo por mais tempo, após a recuperação, e confere a tal imunidade duradoura. A possibilidade que a breve prazo se abre de detectar esses anticorpos num simples teste de saliva poderá tornar-se um contributo importante na gestão de futuras vagas da pandemia.

Mas esta não é a única vantagem de um teste de saliva para a infecção pelo coronavírus. Outra é a sua fácil aplicação, que é simples, indolor e não invasiva, ao contrário do que acontece com actuais testes de diagnóstico que são feitos com recurso a uma zaragatoa, introduzida no interior das fossas nasais

“Os testes de zaragatoa são muito desagradáveis, e há doentes que têm de os repetir muitas vezes”, explica o líder do projecto.

De resto, a ideia de usar a saliva para testes de diagnóstico da covid-19 não é um exclusivo dos investigadores do Saliva Tec. “Há outros grupos no mundo a trabalhar”, afirma Nuno Rosa.

Nos Estados Unidos acaba, aliás, de ser aprovado um primeiro teste de saliva para a covid-19. O SalivaDirect, como se chama, foi desenvolvido por investigadores da Universidade de Yale e já testado com sucesso em jogadores de basquetebol da NBA, a National Basketball Association.

Concebido como um teste rápido e barato, que pode usar diferentes reagentes, ele poderá sobretudo agilizar o diagnóstico, alargando o número de pessoas testadas de forma a identificar mais doentes assintomáticos, que são uma fonte silenciosa de contágio, como explicaram os cientistas que o desenvolveram.

Já o teste que a equipa de Nuno Rosa pretende criar tem as duas valências: a de diagnóstico e a serológica. Trabalhar para chegar a um produto final é agora o que se segue. Mas no caminho feito há algo mais que já se consolidou: a plataforma de trabalho entre todas as instituições da zona de Viseu que integram o projecto. “Isto fica para o futuro e tornará mais fácil a resposta a outras situações de emergência em saúde”, garante Nuno Rosa.

Este artigo faz parte de uma série dedicada aos investigadores portugueses e é apoiada por Abbvie.

Diário de Notícias
23 AGO 2020

 

136: Recibo de caixa electrónica expõe pessoas a produto tóxico, diz estudo

 

Manipular recibos emitidos por caixas electrónicas, lojas e supermercados faz as pessoas terem contacto com um componente químico tóxico que já foi associado com problemas de saúde. É o que conclui um estudo publicado na revista da Associação Médica Americana (Jama).

dd27022014Investigadores analisaram a urina de indivíduos que manusearam o papel térmico utilizado nesse tipo de impresso por duas horas seguidas sem uso de luvas. Eles apresentaram um aumento significativo de bisfenol A (BPA) na urina em relação a quem usava luvas.

A exposição ao BPA já foi associada a condições como infertilidade, obesidade, certos tipos de cancro e problemas de desenvolvimento cerebral em crianças. A substância, presente no papel térmico, também é encontrada no revestimento interno de enlatados e em embalagens plásticas duras e transparentes; o seu uso já foi banido de biberões.

Shelley Ehrlich, do Centro Médico do Hospital Infantil de Cincinnati, nos Estados Unidos, e a sua equipa recrutaram 24 voluntários que forneceram amostras de urina antes e depois de manusear – com e sem luvas – os recibos impressos. O BPA foi detectado em 100% das amostras dos indivíduos que não usaram luvas.

Os cientistas avisam que um estudo maior é necessário para confirmar os resultados. Mas sublinham que são relevantes para pessoas que lidam diariamente com papéis térmicos no trabalho, como caixas de banco e de supermercado.

Um estudo mais antigo, publicado na Nature em 2010, já havia mostrado que o BPA presente em papéis térmicos é capaz de atravessar a pele. Na ocasião, o cientista Daniel Zalko, toxicologista do Instituto Francês para Pesquisa em Agricultura, alertou que o material não é a principal fonte de bisfenol A no ambiente, mas que grávidas deveriam ter mais cuidado ao manipular esses recibos, principalmente as que trabalham em caixas de supermercado.

In Diário Digital online
27/02/2014 | 14:15

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116: Levantada interdição de banhos nas praias de Lisboa

 

Irritação cutânea

Fotografia © Carlos Santos/Global Imagens

Fotografia © Carlos Santos/Global Imagens

A Agência Portuguesa de Ambiente (APA) levantou hoje a interdição de banhos nas praias de Santo Amaro de Oeiras, Carcavelos, Torre e São João da Caparica, que tinha sido decidida depois de relatos de casos de irritação cutânea.

O levantamento da interdição foi decidido por não ter sido detectada uma relação causal entre a presença de micro-algas e as situações de irritação cutânea que foram registadas em várias praias.

Em conferência de imprensa, o presidente da APA, Nuno Lacasta, garantiu que não há contaminação das águas da Grande Lisboa e adiantou que estão a ser recolhidas amostras em várias praias, como Carcavelos, Santo Amaro, Torre, São João e CDS/São João da Caparica.

A prática de banhos pode assim ser retomada ainda que ao abrigo de medidas de protecção, recomendando a lavagem com água doce para as populações mais vulneráveis, como crianças e pessoas com alergias.

In Diário de Notícias online
15/07/2013
por Lusa, texto publicado por Sofia Fonseca

Pistas “check-up” portuguesas fazem sucesso internacional

 

INOVAÇÃO (COM VIDEO)

Projecto que consiste em equipar pistas ou circuitos pedestres com equipamentos simples de rastreio médico para que os cidadãos possam despistar, por si mesmos, possíveis doenças está a fazer sucesso a nível mundial com encomendas para a Bélgica, Angola, Emirados Árabes Unidos, Caraíbas e América Latina.

Este projecto inovador, com o mote “Avalia-te a ti mesmo”, consiste no aproveitamento de estruturas já existentes, como circuitos urbanos e pistas pedonais, nas quais se instalam equipamentos médicos que permitem fazer um auto-rastreio, de forma gratuita. De origem 100% portuguesa, as pistas medicalizadas não pretendem substituir uma consulta medica, mas antes alertar os utilizadores a procurarem um especialista caso encontrem quaisquer anomalias durante o autor-rastreio.

As pistas “check-up” têm numa zona interior com equipamentos para um auto-exame através do qual, com simples testes, o utente fica a saber se há necessidade ou não de consultar o medico. Os equipamentos permitem, entre outras coisas, medir a pressão arterial ou perímetro abdominal.

Na zona exterior existem vários painéis informativos que mostram qual a forma correta de realizar exercícios físicos e que contêm indicadores simples que permitem aos utilizadores regularem o seu estado de saúde e prevenirem certos hábitos e comportamentos de risco.

Além disso, caso haja uma emergência médica todas estas pistas estão equipadas com um desfibrilhador.

O conceito, que ganhou uma menção honrosa na Bienal de Design Ibero-Americano, em Madrid, foi já apresentado à Organização Mundial de Saúde que, segundo António Lúcio Baptista, medico cirurgião e CEO da Ibéria Advanced Health Care (empresa que desenvolveu este projecto), ficou entusiasmada. Estão agora a ser desenvolvidos estudos no âmbito do risco cardiovascular e da saúde mental, que posteriormente também serão apresentados à mesma entidade.

A versão piloto do projecto foi implementada na cidade da Guarda, que foi monitorizado durante um ano. O concelho de Águeda e Viseu irão brevemente criar estruturas semelhantes.

In Diário de Notícias online
08/06/2013
por Ana Chio, editado por Ricardo Simões Ferreira

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102: Rim artificial é um avanço notável

 

TSF15042013A Sociedade Portuguesa de Transplantação lembra o universo de doentes renais para quem este avanço científico é um passo de esperança.

Um avanço notável, uma excelente noticia. É desta forma que a Sociedade Portuguesa de Transplantação classifica o avanço científico conseguido por uma equipa de investigadores norte-americanos, que criou, a partir de células estaminais, um rim artificial que já se revelou capaz de produzir urina depois de transplantado para um rato de laboratório.

Embora os estudos se tenham até agora centrado em modelo animal, a descoberta sugere uma abordagem promissora para a criação de rins com a utilização de células dos próprios doentes, evitando-se assim rejeições ao transplante de órgãos alheios.

Os resultados desta experiência são uma excelente noticia, diz o presidente da Sociedade Portuguesa de Transplantação. Ouvido pela TSF, Fernando Macário lembra o enorme universo, só de doentes renais, para quem este é um passo de esperança

Em todo o caso, Fernando Macário sublinha que é preciso dar tempo ao tempo, até que este avanço possa ser aplicado em seres humanos.

Existem quase 10 mil doentes renais em Portugal que fazem hemodiálise. São doentes que esperam um transplante de rim que, na maioria das vezes, é transplantado de um dador morto. Por isso, são pouco mais de quinhentas as operações deste tipo que se fazem por ano nos hospitais portugueses.

In TSF online
Publicado 15/04/2013 às 07:27

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100: Consumo de carne processada associado a causas de morte prematura

 

Carne-processada2Elevado consumo deste tipo de carne aumenta em 72% o risco de morte por doença cardiovascular e em 11% o risco de cancro mortal, concluiu um estudo.

O estudo European Prospective Investigation into Cancer and Nutrition (EPIC), publicado nesta quinta-feira na revista científica BMC Medicine, identifica o consumo de carnes processadas – como bacon, salsichas ou presunto – como um factor que potencia doenças cardiovasculares, cancros e outros problemas de saúde mortais.
Os resultados do estudo sugerem que, num período de 13 anos, um elevado consumo de carne processada aumenta em 44% a probabilidade de uma morte prematura. O consumo deste tipo de alimentos é responsável por potenciar o risco de doenças cardiovasculares em 72% e o risco de cancro em 11%.

Os cientistas responsáveis pelo estudo observaram uma co-relação proporcionalmente maior entre as taxas mortalidade precoce e a quantidade de carne processada ingerida.

Sabine Rohrmann, professora na Universidade de Zurique e responsável pelo estudo, garante que 3% das mortes precoces ocorridas podiam ter sido evitadas se o consumo de carne processada fosse inferior a 20 gramas por dia. O sal e substâncias químicas utilizadas na preservação destes alimentos são outros dos elementos com efeitos nocivos para os consumidores.

A investigação, financiada pela Europe Against Cancer Program of the European Commission (SANCO), analisou a relação entre o consumo de carnes vermelhas, carnes brancas e carnes processadas e o risco de morte prematura.

O estudo foi conduzido em 10 países europeus, utilizando uma amostra de 448.568 pessoas, com idades entre os 35 e os 69 anos, recolhendo informação completa sobre a sua dieta, hábitos tabágicos, actividade física e índice de massa corporal. Nenhum deles tinha historial de doenças graves ou significativas.

Verificou-se que o consumo de carnes processadas está ainda relacionado com outros hábitos prejudiciais à saúde, como um consumo insuficiente de vegetais e fruta. Aqueles que comem mais carne processada são também os que tem uma maior probabilidade de ser fumadores ou obesos.

Os resultados relacionaram um alto consumo de carne vermelha com uma maior mortalidade, ligação considerada como residual e por isso insuficiente para se considerar estatisticamente válida. O consumo de carnes brancas não foi associado à mortalidade.

Apesar disso, os responsáveis pelo estudo não descartam totalmente as carnes vermelhas da dieta, reconhecendo como benéficos para a saúde os nutrientes que estas contêm.

Mariana Dias
In Público

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