105: Investigação: Consumo de produtos naturais pode levar à morte

 

O Observatório de Interacções Planta-Medicamento (OIMP/FFUC) lança esta segunda-feira uma campanha para sensibilizar a população dos riscos que corre ao consumir medicamentos com produtos naturais, como chás, suplementos ou até alimentos, combinações que nalguns casos podem conduzir à morte.

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“É fundamental que o consumidor conheça os vários tipos de produtos disponíveis no mercado, o que contêm, para que servem, e o risco que pode correr quando os consome”, disse à agência Lusa a coordenadora do Observatório, da Universidade de Coimbra, que estuda as interacções planta-medicamento “mais frequentes e preocupantes” que ocorrem em Portugal para ajudar a preveni-las.

A leitura dos rótulos é essencial: “Se o produto estiver dentro da lei” dispõe a informação necessária para ajudar o consumidor a não correr riscos, explicou Maria da Graça Campos.

O aumento do número de relatos de casos, incluindo mortes, em que surgiram estas interacções tem acompanhado o recente crescimento do consumo destes produtos.

“Muitos destes produtos são vendidos para uso terapêutico como se fossem suplementos alimentares, o que é absolutamente aberrante dado que não suplementam nada e ainda podem colocar em risco a vida dos doentes”, alertou.

Nos últimos 15 anos, “a expansão no consumo” destes produtos sofreu “um enorme implemento”, alegando-se os benefícios da medicina tradicional.

“A verdade é que se criou um negócio bilionário à volta desta ideia, que foge ao controlo rigoroso de eficácia e segurança”, criticou a investigadora, afirmando que é preciso combater o mito de que “os produtos naturais não fazem mal”.

Convencidas de que o que é “natural é bom”, as pessoas “compram indiscriminadamente” tudo o que lhes propõem.

“Enquanto não houve Internet, a ciência estava razoavelmente controlada e a investigação de plantas com elevado potencial terapêutico pertencia apenas a quem dominava esses conteúdos. Hoje, qualquer pessoa acede às bases de dados mundiais e encontra milhões de artigos a referirem esta ou aquela planta com potencial para poder vir a ser desenvolvido um novo medicamento”, advertiu.

Contudo, não sabem que os constituintes activos da planta induzem mais efeitos indesejáveis do que possíveis benefícios.

“O que o público não sabe é que a eficácia [destes produtos], na maior parte das vezes, não foi provada, que o controlo de qualidade é nulo e que, por vezes, vêm adicionados de medicamentos contrafeitos, que podem ainda vir contaminados com substâncias altamente tóxicas”, alertou Graça Campos.

Tal como noutros países, existe em Portugal “uma indústria paralela profícua que prescreve ervinhas (em comprimidos ou não) para tratar doentes seja qual for a doença” a preços elevados, disse Graça Campos.

A investigadora deu exemplos de plantas que interagem com os medicamentos, como as fibras da alimentação, ou suplementos que as contenham em grande quantidade, que podem diminuir a absorção de alguns fármacos, como os antidiabéticos orais.

Também o chá verde, o guaraná ou a erva-mate, que possuem uma grande quantidade de cafeína, estimulante do sistema nervoso central, estão contra-indicados em casos de hipertensão e perturbações de ansiedade.

“Quem estiver a tomar, por exemplo, ansiolíticos e/ou antidepressivos pode vir a ter um efeito oposto”, advertiu.

Doentes com hipertensão, se tomarem com a medicação outros vasodilatadores como o Ginkgo ou folhas de oliveira podem sofrer quebras bruscas de pressão arterial e desmaios.

Estas e outras interacções serão explicadas ao longo de cinco semanas nos Media, através desta campanha, que tem quatro públicos-alvo: os doentes polimedicados, a população saudável que usa suplementos, os adolescentes/drogas/smart drugs e os doentes oncológicos.

In Notícias ao Minuto online
09:03 – 13 de Maio de 2013 | Por Lusa

[Nota] – Sinceramente, nem me vou alongar em teses sobre a medicina natural que sigo há anos, sem qualquer risco e/ou problema de saúde, antes pelo contrário, mas quando leio estas aberrações afirmarem que produtos naturais (naturalmente verdadeiros e não falsificados), podem levar à morte, apenas me resta dizer que NÃO EXISTE NENHUMA DROGA NO MERCADO (leia-se medicamentos farmacêuticos) QUE NÃO TENHAM EFEITOS SECUNDÁRIOS DE TODA A ESPÉCIE, podendo causar graves problemas secundários de saúde e até, esses sim, conduzir à morte.
É bem sintomático a finalidade da utilização do termo “ervinhas”, neste caso: (“uma indústria paralela profícua que prescreve ervinhas (em comprimidos ou não) para tratar doentes seja qual for a doença” a preços elevados, disse Graça Campos) …
Aliás, não existe nenhuma droga farmacêutica que cure o que quer que seja, apenas podem, pela força das drogas implementadas nas suas fórmulas, aliviar certos sintomas no caso de analgésicos e similares. Mas curar, NÃO CURAM! Mais uma tentativa de atirar com poeira para os olhos de quem não se encontra devidamente identificado e conhecedor desta área, por parte dos gigantes da farmacêutica internacionais. Já estão a ter menos lucros? Temos pena, os que seguem as vias naturais… Mas ainda bem que existe, hoje em dia, muita gente que se encontra devidamente identificada com os meios naturais e com a ajuda de profissionais naturópatas credenciados e não com charlatães. Basta ler os comentários desta notícia…

5: Ligação do ácido fólico à genética reforça a sua importância como suplemento alimentar

 

Uma relação entre alterações de DNA em bebés recém nascidos, a suplementação com ácido fólico durante a gravidez e o peso à nascença foi agora descoberta.

O ácido fólico é uma vitamina hidrossolúvel do complexo B, também designado como folato, folacina ou vitamina B9. Esta é uma substância fundamental na formação de ADN (material genético de todas as células) e também ARN (que transporta os dados do ADN) e síntese proteica.

O ácido fólico (isolado ou incorporado num complexo de vitaminas do grupo B) parece ter também a capacidade de regular a produção e utilização pelo organismo da homocisteína, um aminoácido sulfurado que, em níveis elevados, pode danificar o revestimento dos vasos sanguíneos, tornando-os mais susceptíveis à acumulação de placa ateromatosa (placas compostas especialmente por lípidos e tecido fibroso que se formam nas paredes dos vasos sanguíneos, acumulando-se progressivamente e podendo levar à sua obstrução total).

Várias investigações já provaram que a toma de ácido fólico, em dosagem adequada, antes da concepção e durante as primeiras 12 semanas de gravidez, reduz consideravelmente o risco da criança nascer com problemas congénitos na espinal-medula, entre eles a espinha bífida, uma malformação cujas sequelas poderão ser a paralisia parcial ou total dos músculos dos membros inferiores, incontinência e perda de sensibilidade.

Uma equipa de investigação reforçou agora a importância do ácido fólico ao descobrir que genes cruciais para o desenvolvimento poderão estar ligados a níveis de homocisteína presentes no sangue, cujos níveis são fortemente influenciados por factores genéticos e alimentares, tendo o ácido fólico e as vitaminas B6 e B12 maior interesse.

Vários estudos já mostraram que níveis mais altos de vitamina B estão relacionados, pelo menos em parte, a baixas concentrações de homocistéina e são inúmeras as publicações que relacionam a deficiência em ácido fólico no início da gravidez e o aumento do risco de deficiências a nível do tubo neural em crianças. A suplementação com ácido fólico tem também mostrado efeitos protectores relativamente a nascimentos de bebés com pesos reduzidos.

Com base nesta informação, os investigadores deste estudo sugeriram que a metilação de determinados genes do ADN de bebés poderá ser a chave para conhecer a acção do ácido fólico.

A metilação do ADN é uma modificação química importante na regulação do crescimento celular e sua diferenciação é de elevada importância para vários fins biológicos, entre os quais evitar que genes com potenciais informações prejudiciais ao organismo se cheguem a expressar.

Os autores desta investigação examinaram a relação entre o ácido fólico e o seu metabolismo na metilação do DNA no sangue humano a partir do cordão umbilical, analisando simultaneamente modificações em mais de 27 000 pedaços de DNA que estão associados com mais de 14 000 genes. Os resultados obtidos mostraram que existem padrões genéticos específicos associados à concentração de homocisteína no sangue e os níveis de metilação do ADN e peso à nascença. Estes resultados, apesar de exigirem uma investigação mais aprofundada, podem lavar à descoberta de genes importantes para o desenvolvimento fetal.

A importância do ácido fólico é assim mais uma vez reconhecida, existindo medidas de saúde pública associadas ao mesmo e tendo 51 países actualmente um grau de fortificação obrigatória das suas farinhas com ácido fólico.

A dosagem recomendada desta vitamina é de 200 µg para o adulto em geral e de 400 µg para a mulher que pensa em engravidar e durante a gravidez. Quando o casal decide ter filhos e deixa de usar métodos anti-concepcionais recomenda-se que a mulher inicie de imediato a toma de ácido fólico.

Fonte: Epigenetics
Published online ahead of print, doi: 10.4161/epi.6.1.13392
“Quantitative, high-resolution epigenetic profiling of CpG loci identifies associations with cord blood plasma homocysteine and birth weight in humans”
Authors: A.A. Fryer, R.D. Emes, K.M.K. Ismail, K.E. Haworth, C. Mein, W.D. Carroll, W.E. Farrell
31-12-2010

4: Creatina e Função Cerebral

 

Os suplementos de creatina, usualmente associados à nutrição desportiva, poderão melhorar o funcionamento cognitivo em vegetarianos, um grupo em risco de ter níveis baixos de creatina, de acordo com um novo estudo.

A creatina, que consiste num composto baseado em aminoácidos, foi identificada pela primeira vez em 1832 pela sua presença no músculo. Tem sido alvo de vários estudos e ensaios clínicos ao longo dos últimos 12 anos, tendo a maioria investigado os benefícios deste composto durante a performance desportiva. Este composto encontra-se sobretudo em produtos de origem animal, como a carne.

O papel da creatina no funcionamento cerebral foi reportado anteriormente, mas não foram apresentados dados relativamente aos efeitos da suplementação de creatina em vegetarianos, um grupo com níveis inferiores de creatina muscular.

De acordo com novos resultados publicados em British Journal of Nutrition, os vegetarianos mostraram melhorias a nível de memória, após 5 dias de suplementação diária com creatina. Tais melhorias não foram observadas em omnívoros, que regularmente comem carne.

Source: British Journal of Nutrition
Published online ahead of print, doi: 10.1017/S0007114510004733
“The influence of creatine supplementation on the cognitive functioning of vegetarians and omnivores”
Authors: D. Benton and R. Donohoe
15-12-2010

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