“Não atribuam a culpa à covid, as crianças portuguesas têm maus hábitos de sono”

 

 

SAÚDE/SONO/COVID-19

Neurologista especializada em doenças do sono, Teresa Paiva liderou um estudo sobre comportamentos e saúde. Um pretexto para uma conversa mais abrangente sobre os bons e os maus hábitos de dormir em que deixa o aviso: “A crise económica vai provocar mais insónias que o covid.”

© Gonçalo Villaverde/Global Imagens

A especialista do sono Teresa Paiva liderou o estudo o que envolveu nove mil pessoas – a maioria profissionais da área da saúde e também doentes do sono, professores, bombeiros – mas não foi só sobre dormir bem ou mal investigou. “Covid, Sono, Saúde e Hábitos” é o tema da investigação que decorreu entre Abril e Setembro, mas cujas perguntas se focaram nos meses de confinamento e no estado de emergência.

Várias universidades, duas dezenas de laboratórios de sono e mais de 40 autores estão envolvidos nesta investigação. Até agora, foram elaboradas estatísticas sobre 5500 inquéritos, faltando ainda tratar os restantes. Os comportamentos relacionados com a saúde, o sono, a alimentação, a actividade física, a actividade sexual e consumos tóxicos foram temas abordados no inquérito.

A pandemia piorou ou não o sono dos portugueses?
Melhorou o sono de uns e piorou o de outros. Muita gente melhorou porque pura e simplesmente começou a ter menos stress. E esses são os que faziam muitas horas de trabalho, iam levar e buscar os filhos à escola, andavam nas filas de trânsito. Essas pessoas deixaram de repente de ter esse stress no seu quotidiano e melhoraram muito. O sono piorou em média 10%. Nas respostas inicias há 40% que dizem que estavam fartos do confinamento, 15% que fizeram descobertas importantes e 30% dizem que se sentiram bem no confinamento. É uma percentagem importante.

Se o estudo fosse feito agora, os resultados seriam diferentes?
O resultado a partir de agora poderia ser pior porque há dois factores que são importantes, que é o facto de isto se prolongar no tempo, durar mais do que aquilo que muita gente estava à espera, começar a haver muita gente infectada com covid e, por outro lado, começar a haver uma crise económica. As pessoas têm preocupações de poderem ser infectadas ou, se tiverem outras doenças, não serem tratadas nos hospitais.

A pandemia trouxe uma crise económica. Muita gente ficou desempregada ou viu os seus rendimentos reduzidos. Estes são os assuntos que tiram o sono?
A crise económica teve paliativos até agora e vão ser cada vez menores. Esse problema concreto vai provocar mais insónias do que a própria covid. Daqui para a frente penso que as coisas vão piorar. Durante o confinamento houve uma certa tranquilização das coisas. Houve pessoas que efectivamente melhoraram bastante e outras que ficaram iguais. O que estamos neste momento a fazer é tentar perceber o que levou as pessoas a melhorar ou a piorar, o que está subjacente a isso.

Com o isolamento, agravaram-se doenças do foro mental. Não são também uma causa de perturbação do sono?
As doenças psiquiátricas afectam o sono primariamente, quase todas têm perturbações do sono. Só no caso de alguma perturbação da personalidade é que não, de resto tem tudo grandes perturbações do sono. É evidente que, se agrava as doenças psiquiátricas, também agrava os problemas do sono. Nós também perguntámos neste estudo se as pessoas tiveram mais doenças psiquiátricas ou não. Algumas tiveram, outras não. Algumas pessoas com ansiedade melhoraram, aquelas com depressão pioraram.

© Gonçalo Villaverde/Global Imagens

O confinamento, os miúdos em casa e o teletrabalho trouxeram inevitavelmente alterações de rotina. Os horários de ir dormir não foram afectados?
Há pessoas que não suportaram ter os filhos em casa, embora a percentagem seja muito baixa. Mas houve queixas significativas sobre terem de ajudar os filhos na telescola. Para os professores universitários e de liceu foi uma mudança muito grande. E se é uma grande mudança, estar perto de miúdos que estão potencialmente infectados também é um problema.

A minha pergunta era no sentido de saber se tem percepção de que o isolamento alterou as rotinas das crianças, se começaram a deitar-se mais tarde.
Muita gente começou a deitar-se mais tarde, mas só estudei os adultos, não as crianças. Outros mantiveram o horário e outros começaram a deitar-se muito cedo – há sempre uns extremos e um meio. E os extremos são muito importantes de avaliar porque são essas pessoas que nos permitem arranjar soluções que diminuam o mal e sustentem o bem. Esse é o nosso objectivo.

De que forma é que uma criança que tenha alterado as suas rotinas, que tenha passado a deitar-se muito tarde, que use ecrãs, pode ser afectada na escola?
Já faziam antes! Não atribuam a culpa à covid, porque as crianças e os adolescentes portugueses têm hábitos de sono que não são bons, muito tardios, e depois têm de se levantar cedo para irem para a escola. Não aprendem, aprendem mal. Os alunos com privação de sono, seja por que razão for, têm mais insucesso escolar.

Quantas horas deve dormir uma criança?
Uma criança com 10 anos tem de dormir cerca de dez horas e pode dormir até 12 horas. Um adolescente de oito a nove. Já um adulto deve dormir entre sete e nove horas.

Dificilmente as nossas crianças dormirão dez a 12 horas…
Por isso é que há os miúdos nervosos, hiperactivos, a tomarem ritalina, e os miúdos desatentos e o insucesso escolar. E o bullying e a agressividade e a violência… Num estudo feito há vários anos pela professora Margarida Gaspar de Matos, em que eu participei, 5% dos adolescentes levavam armas para a escola, exactamente a mesma percentagem dos adolescentes americanos que levam armas para a escola, a diferença é que uns levam facas e outros pistolas. Dizer que isto foi por causa da covid não foi! Isto já existia.

Até para os adultos o telemóvel passou a ser um objecto junto à cabeceira da cama.
​​​​​​​Para a maioria das pessoas, isso perturba o sono com certeza e não se deve fazer. O que pergunto é: custa assim tanto deixar o telemóvel na sala, ir para a cama e não mexer no telemóvel? Se as pessoas quiserem ter comportamentos errados… Exactamente o que fizemos neste estudo foi questionar as pessoas sobre a actividade física, a alimentação, a ingestão de tóxicos como tabaco, álcool e drogas, que doenças tinham, quais melhoraram e pioraram – é um inquérito muito grande. Estamos a estudar os comportamentos relacionados com a saúde e esses comportamentos são essenciais para se ter uma boa saúde. Há pouco acabei uma consulta e um estagiário disse-me: “Em grande parte das consultas, não estamos a tratar doenças, mas comportamentos.” E é verdade. Passei grande parte das minhas consultas a ensinar comportamentos.

Quais são os problemas de sono que os seus pacientes lhe levam?
Vejo doentes com tudo e mais alguma cosia e vejo doentes muito graves. A queixa dominante são as insónias, o ressonar e a apneia do sono, depois são as pernas inquietas. E depois o deitar demasiado tarde ou o trabalhar por turnos.

Não é a mesma coisa dormir de dia ou de noite?
Estamos feitos para estarmos acordados de dia e dormir à noite. Quando fazemos outro horário estamos a lutar contra as regras do nosso corpo. Trabalhar à noite é antinatural, porque não somos mochos, não somos corujas.

Quais são os sinais a que devemos estar atentos para sabermos se estamos a dormir mal?
O primeiro sinal de que a coisa não está bem é irritabilidade, fadiga e dores de cabeça, e começar a ter problemas de concentração e de memória. Mas a irritabilidade é um dos primeiros sintomas em muita gente. E depois é o acordar cansado, com vontade de dormir mais. Dormir a ver televisão sistematicamente, dormir em reuniões de família, a seguir às refeições e nos transportes é sinal de que a pessoa está privada de sono ou que tem uma doença do sono.

Quando é que se deve procurar ajuda médica?
Há umas convicções erradas. Por exemplo, as pessoas com apneia do sono acham que dormem muito bem porque adormecem muito depressa, mas depois dormem durante o dia e acham normal. Mas não é normal. Uma pessoa só dorme durante o dia se tiver privação do sono ou se tiver uma doença do sono.

Mas a sesta não é boa?
Não há respostas generalizadas. O que se pretende agora é uma medicina personalizada, dirigida a cada pessoa. Eu gosto de dormir a sesta quando me apetece. Há pessoas a quem isso faz muito mal e outras para quem é essencial. O espectro é muito diferente – a uma pessoa que tem crises epilépticas não lhe vamos dizer para ir dormir a sesta, a quem tem enxaquecas quando dorme a sesta também não. Não posso dizer coisas genéricas.

Vem aí o inverno. Temos necessidade de dormir mais nos meses frios?
Se dormirmos em casa, não temos. O que temos é menos luz e ao termos menos luz podemos ter um humor menos bom. O humor das pessoas pode ser pior no inverno e isso está demonstrado. Agora, dormindo em casa, não há grande diferença entre o verão e o inverno.

Como é que o dia-a-dia pode condicionar uma noite bem dormida?
Se andar todo o dia num lufa-lufa, se andar todo o dia a ser assediada, seja moralmente seja sexualmente, a querer fazer mais do que é capaz, se andar todo o dia chateada, preocupada, ou se não fizer nada todo o dia, que é outra questão, vai dormir mal com certeza.

Então qual é a receita?
A receita é simples. Descartes dizia que uma das coisas era o bom senso. E, de facto, na nossa natureza, tudo o que está à nossa volta funciona em equilíbrios e dentro de determinados limites. Se eu tiver desafios e não fizer nada, fico doente também. Tanto um limite como o outro são maus.

E o local onde dormimos condiciona a qualidade do sono?
Se estiver muito frio ou muito quente dormimos mal de certeza. Se estiver muito barulho – é uma queixa frequente o barulho dos vizinhos – também.

Diz-se que as cores das paredes podem influenciar.
Não há estudos científicos sobre isso. E só falo das coisas que foram provadas cientificamente. Se me diz que dormir num quarto todo pintado de preto, ou viver, é péssimo, claro que é.

Há uma série de expressões aplicadas ao sono – o sono dos justos, dormir como um anjo, o sono de beleza. Fazem sentido?
O sono de beleza é uma verdade. Enquanto as pessoas dormem há uma regeneração da pele, ficam mais bonitas. Quando um doente me chega, avalio imediatamente as rugas e o aspecto físico para ver se dorme bem ou mal. O aspecto físico da pele é importante. Em relação ao sono dos justos já tenho mais dificuldade porque muita gente que fez enormes falcatruas no nosso país deve dormir na maior, sem qualquer complexo de culpa. Dormir como um anjo tem muito que ver com o sono dos bebés nos primeiros meses de vida que, quando entram em REM, fazem sorrisos, chamados os sorrisos de anjo. A tranquilidade da criança nessa altura leva a falar do sono dos anjos.

Dorme bem?
Muito bem! Faço exercício, alimento-me razoavelmente, quando estou cansada não trabalho. Tenho regras. Quanto mais trabalho há, mais regras tem de haver.

Diário de Notícias

 

 

310: Alzheimer ataca regiões do cérebro que nos mantêm acordados durante o dia

 

la_petite_mtx / Flickr

Demasiadas sonecas durante o dia são um dos primeiros sinais externos do Alzheimer, embora seja difícil dizer por que isso acontece. Alguns cientistas sugeriram que a doença perturba as regiões do cérebro que promovem o sono, enquanto outros dizem que a falta dele é o que impulsiona o declínio cognitivo.

Segundo o Science Alert, investigadores da Universidade da Califórnia em São Francisco (UCSF), nos Estados Unidos, apresentam agora uma nova explicação. Ao analisar os tecidos cerebrais após a morte de 13 pacientes com a doença e de sete controles saudáveis, a equipa sugere que o Alzheimer ataca directamente regiões do cérebro que nos mantêm acordados durante o dia.

“É notável porque não é apenas um único núcleo cerebral que se está a degenerar, mas toda a rede promotora da vigília. Crucialmente, isso significa que o cérebro não tem forma de compensar porque todos esses tipos de células funcionalmente relacionados estão a ser destruídos ao mesmo tempo”, diz Jun Oh, principal autor do estudo publicado na revista Alzheimer’s & Dementia.

Embora a proteína tau e a beta-amilóide sejam marcas desta doença, uma superabundância da primeira pode contribuir mais para a degeneração cerebral, levando directamente a sintomas como o sono fragmentado.

Um estudo publicado no início deste ano descobriu que pessoas mais velhas que apresentam menos sono de ondas lentas têm níveis mais altos da proteína tau. Os autores sugeriram que, embora esses pacientes estivessem a dormir durante mais tempo, a natureza perturbada desse sono estava a causar sonolência diurna excessiva.

Oh e os seus colegas têm uma teoria diferente. Em vez de partirem da falta de sono da noite anterior, eles sugerem que a sonolência diurna excessiva é causada pela degeneração directa dos neurónios promotores da vigília.

Ao analisar o tecido cerebral, a equipa encontrou uma acumulação significativa de tau em três centros cerebrais promotores da vigília, incluindo o locus coeruleus (LC), a área hipotalâmica lateral (LHA) e o nucleus tuberomammillaris (TMN). Este complexo sistema perdeu até 75% dos seus neurónios.

“O nosso trabalho mostra evidências definitivas de que as áreas do cérebro que promovem a vigília degeneram devido à acumulação da proteína tau — e não amilóide — desde os primeiros estágios da doença”, afirma Lea Grinberg, outra autora do estudo e neurologista e patologista da UCSF.

Entre as muitas fatalidades, havia um tipo de neurónio na LHA que produz um neuropeptídeo chamado orexina. Este neurónio desempenha um papel crucial na vigília: quando é apagado em cobaias, os animais mostram padrões semelhantes aos da narcolepsia — um distúrbio crónico do sono caracterizado pela sonolência diurna.

Nos cérebros dos pacientes com Alzheimer, os investigadores encontraram a orexina praticamente aniquilada. Aliás, a abundância desses neurónios produtores de orexina havia diminuído em mais de 71%.

“Para colocar isso noutra perspectiva, os pacientes com narcolepsia… foram relatados para mostrar uma redução de 85%-95% no número de neurónios orexinérgicos, quase comparáveis ao que vemos em pacientes com Alzheimer”, escrevem os autores.

Embora a doença esteja mais frequentemente associada a problemas de memória, os problemas de sono são uma queixa comum que pode aparecer muito mais cedo. Como tal, os cientistas estão curiosos para saber se esta sonolência excessiva pode de alguma forma ajudar a diagnosticar o Alzheimer de forma mais precoce e eficaz.

ZAP //

Por ZAP
21 Agosto, 2019

 

267: A depressão pode ser combatida com privação de sono

 

patrickgensel / Flickr

Não dormir pode causar muitos problemas de saúde. A privação de sono causa problemas motores e cognitivos e pode até mesmo afetar o coração e outros órgãos a longo prazo. E o pior: se você dormir todas as noites, mas poucas horas ou mal, o seu cérebro é tão afetado quanto o de alguém que não dorme nada por algumas noites seguidas.

Por isso é que é tão surpreendente que a privação de sono seja um dos tratamentos mais eficazes para casos severos de depressão. Investigadores estudam essa possibilidade desde a década de 50, e agora novas abordagens que utilizam a privação do sono como um dos “ingredientes” estão a ajudar a melhorar a vida de alguns pacientes.

Isso acontece porque, aparentemente, a privação do sono causa efeitos diferentes em pessoas saudáveis e naquelas com depressão. Mas é importante salientar: os especialistas dizem que ninguém deve tentar fazer isso sozinho, sem acompanhamento médico.

A técnica envolve não só a privação do sono, mas também o elemento químico lítio. Francesco Benedetti, líder da unidade de psiquiatria e psicobiologia clínica do Hospital San Raffaele, em Milão, Itália, tem investigado a chamada terapia de vigília, em combinação com exposição a luz brilhante e lítio, como meio de tratamento da depressão.

“A privação do sono realmente tem efeitos opostos em pessoas saudáveis ​​e com depressão”, diz Benedetti. Se estiver saudável e não dormir, pode perceber imediatamente como isso afeta o seu humor. Mas se está deprimido, não dormir pode provocar uma melhoria imediata do humor e das habilidades cognitivas. O problema é que, quando dorme para recuperar as horas de sono, há 95% de probabilidade de uma recaída.

O efeito antidepressivo da privação do sono foi publicado pela primeira vez em um relatório na Alemanha em 1959. Após isso, o investigador alemão Burkhard Pflug deu sequência às análises ao investigar o efeito na sua tese de doutoramento e em estudos subsequentes na década de 1970.

Ainda não sabemos exatamente como o simples facto de permanecer acordados age sobre a depressão, muito em função do facto de que ambos os mecanismos – tanto a depressão quanto o sono – não são completamente compreendidos pela ciência, já que abrangem várias partes do cérebro.

A atividade cerebral de pessoas com depressão é diferente durante o sono e a vigília do que a de pessoas saudáveis. Durante o dia, os sinais que promovem o despertar do sistema circadiano – o relógio biológico interno de 24 horas – existem ​​para nos ajudar a resistir ao sono.

À noite, esses sinais são substituídos por outros que nos estimulam a dormir. As nossas células cerebrais também funcionam assim: ficam cada vez mais excitadas ​​em resposta a estímulos durante a vigília e essa excitabilidade dissipa-se quando dormimos. Mas em pessoas com depressão e transtorno bipolar, essas flutuações aparecem amortecidas ou ausentes.

A depressão também está associada a ritmos diários alterados de secreção hormonal e à temperatura corporal. Quanto mais grave a doença, maior o grau de ruptura com a normalidade.

Como os sinais de sono, esses ritmos também são conduzidos pelo sistema circadiano do corpo, que por sua vez é conduzido por um conjunto de proteínas que interagem, codificadas por genes que são expressos num padrão rítmico ao longo do dia.

As proteínas controlam centenas de processos celulares diferentes, que as permitem permanecer sincronizadas e ligar e desligar. Um relógio circadiano está em todas as células do nosso corpo, e estes mini-reloginhos são coordenados por uma área do cérebro chamada núcleo supraquiasmático, que responde à luz.

“Quando as pessoas estão seriamente deprimidas, os ritmos circadianos tendem a ser muito contínuos. Não recebem a resposta usual de melatonina aumentando a noite e os níveis de cortisol estão consistentemente altos em vez de cair à noite”, explica Steinn Steingrimsson, psiquiatra do Hospital Universitário Sahlgrenska em Gotemburgo, na Suécia, que actualmente executa um teste de terapia de vigília.

A recuperação da depressão está associada a uma normalização desses ciclos. “Acho que a depressão pode ser uma das consequências desse achatamento básico de ritmos circadianos e homeostase no cérebro”, diz Benedetti. “Quando privamos pessoas deprimidas de dormir, restauramos esse processo cíclico”, acredita.

Além disso, a privação do sono faz outras coisas ao cérebro deprimido, como provocar mudanças no equilíbrio de neurotransmissores em áreas que ajudam a regular o humor e restaurar a atividade normal em áreas de processamento emocional do cérebro, fortalecendo as ligações entre eles.

ZAP // HypeScience

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264: Uma boa noite de sono pode ajudar a controlar o nosso desejo de comer açúcar

 

quinnanya / Flickr

Será que o truque para acabar com a nossa vontade de comer açúcar está numa boa noite de sono? Um novo estudo realizado no Reino Unido sugere que sim.

Não é surpresa nenhuma que uma noite mal dormida nos leva a sentir mais cansados e com um péssimo humor no dia seguinte. Mas, pelos vistos, o mínimo de 7 horas de sono recomendadas pelas organizações de saúde também parecem ter efeitos na nossa saúde, sobretudo em doenças como a obesidade, diabetes e doenças cardiovasculares, escreve o Live Science.

De acordo com um novo estudo, publicado na semana passada no American Journal of Clinical Nutrition, mais de um terço dos norte-americanos só dorme seis horas ou menos por noite. Com esses dados, os investigadores foram tentar perceber como é que isso poderia afectar as escolhas que fazem na sua alimentação.

A equipa recrutou 21 indivíduos para participar numa consulta de sono de 45 minutos, projetada para prolongar o seu tempo de sono em até 1,5 horas por noite. No outro grupo, também com 21 voluntários, ninguém recebeu intervenção nos seus padrões de sono.

Todos os participantes foram convidados a registar o seu sono e os seus padrões alimentares durante sete dias. Durante este período, também usaram sensores de movimento nos pulsos que mediram a quantidade exata de sono todas as noites, bem como a quantidade de tempo que passavam na cama antes de adormecerem.

Os resultados mostraram que os participantes que aumentaram as horas de sono reduziram a quantidade de açúcar ingerida em até dez gramas no dia seguinte, quando comparado com a quantidade que consumiam no início do estudo.

Além disso, os mesmos participantes também apresentaram uma menor ingestão diária de hidratos de carbono quando comparado com o grupo que não ampliou os seus padrões de sono.

“O facto de o sono prolongado ter levado a uma redução na ingestão de açúcares – referimo-nos aos que são adicionados aos alimentos pelos fabricantes ou mesmo em casa – sugere que uma simples mudança no estilo de vida pode ajudar as pessoas a ter melhores hábitos alimentares”, afirma uma das autoras do estudo, Wendy Hall, do Departamento de Diabetes e Ciências da Nutrição da King’s College London, no Reino Unido.

O grupo que dormiu mais horas recebeu uma lista de sugestões para ajudar os voluntários a ter uma boa noite de sono – evitar cafeína horas antes, estabelecer uma rotina relaxante e não ir para a cama muito cheio ou com fome eram algumas delas.

“A duração e a qualidade do sono são uma área de crescente preocupação com a saúde pública e tem sido associada como um fator de risco para várias condições”, disse a principal autora da pesquisa, Haya Al Khatib, professora do mesmo departamento.

No geral, os resultados deste estudo mostraram que 86% dos participantes que recebeu alguns conselhos aumentou o tempo total passado na cama, e 50% prolongaram a duração do sono em cerca de 52 a 90 minutos por noite, em comparação com o outro grupo. Além disso, três dos participantes alcançaram uma média semanal entre as 7 a 9 horas recomendadas.

No entanto, os cientistas observaram uma coisa: os dados sugerem que a quantidade prolongada de sono pode ter sido de menor qualidade do que o sono dos participantes que estavam no outro grupo. Algo que pode ser explicado pelo facto de qualquer nova rotina necessitar de um período de ajuste.

“Os nossos resultados também sugerem que aumentar o tempo na cama por uma hora ou mais pode levar a escolhas alimentares mais saudáveis”, disse Al Khatib. “Esta ideia fortalece ainda mais a ligação entre poucas horas de sono e dietas de menor qualidade que já foram observadas em estudos anteriores”.

“Agora queremos investigar ainda mais esta descoberta com estudos a longo prazo que examinam a ingestão de nutrientes e a adesão contínua aos comportamentos de extensão do sono com mais detalhes, especialmente em grupos de risco de obesidade ou doenças cardiovasculares”, conclui.

ZAP //
Por ZAP
14 Janeiro, 2018

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181: Falta de sono pode encolher o cérebro, mostra estudo

 

A falta de sono pode fazer o cérebro encolher, aponta um estudo da Universidade de Oxford, no Reino Unido, envolvendo 147 adultos entre 20 e 84 anos.

dd08092014Com os dados obtidos em análises num intervalo de três anos e meio, os cientistas conseguiram relacionar os problemas de sono, como a insónia, e a diminuição da estrutura cerebral.

Os pacientes analisados que afirmavam sofrer de problemas para dormir – 35% do grupo pesquisado – tiveram um declínio mais rápido do volume ou do tamanho do cérebro ao longo do período pesquisado. Os resultados são ainda mais acentuados quando englobam pessoas com mais de 60 anos.

Vários estudos têm mostrado a importância do sono para a saúde do ser humano. A falta de uma boa noite de sono pode levar a problemas como Alzheimer e a demência.

«Ainda não está claro se a qualidade do sono é causa ou consequência das mudanças na estrutura do cérebro», aponta uma das autoras do estudo, Claire Sexton. «Há vários tratamentos eficazes para problemas de sono. Pesquisas futuras precisam de testar se, melhorando a qualidade do sono das pessoas, podemos diminuir a taxa de perda de volume do cérebro. Se for esse o caso, melhorar os hábitos pode ser uma boa maneira de melhorar a saúde cerebral.»

In Diário Digital online
08/09/2014 | 12:52

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Dormir mal aumenta o risco de suicídio nos idosos

 

perturbações de sono

As noites mal dormidas afectam a nível cognitivo e emocional, mas podem constituir um factor de risco de suicídio — especialmente nos indivíduos mais velhos.

observador13082014Não são apenas as depressões que levam ao suicídio. Noites mal dormidas aumentam o risco em quase uma vez e meia de indivíduos mais velhos porem termo à vida, segundo um estudo publicado esta quarta-feira na revista científica JAMA Psychiatry. “Os resultados indicam que a baixa qualidade de sono está associado ao risco de morte por suicídio dez anos mais tarde, mesmo depois da correcção dos sintomas depressivos”, conclui a equipa de cientistas norte-americana.

Os dois factores prevalentes em relação ao risco de suicídio encontrados foram a dificuldade em adormecer e sonos não-reparadores. As noites mal dormidas aumentam 1,4 vezes o risco de suicídio, revela o estudo conduzido por Rebecca Bernert, investigadora no Centro de Distúrbios Emocionais da Escola Médica da Universidade de Stanford, na Califórnia (Estados Unidos).

Os investigadores tinham uma amostra de mais de 14 mil indivíduos com idades superiores a 65 anos seguidos ao longo de dez anos (de 1981 a 1991) com objectivo de estabelecer, pela primeira vez, uma relação entre a fraca qualidade de sono detectada na primeira entrevista e o risco de cometer suicídio ao longo do período do estudo. Pretendiam avaliar as noites mal dormidas como um factor único e não enquanto uma consequência da depressão, porque se tornaria difícil distinguir qual a causa em caso de suicídio.

Um milhão de mortes por suicídio

Ao longo dos 10 anos, a equipa de cientistas obteve dados suficientes de 20 casos de suicídio. Cada um deles foi comparado com 20 indivíduos-controlo escolhidos ao acaso, totalizando 420 doentes estudados. Os indivíduos com problemas de sono, causados tanto por insónias, como por pesadelos ou sonos pouco profundos, mostraram ter um risco de suicídio 1,4 vezes maior que os indivíduos-controlo, mas também um risco 1,2 maior que os indivíduos que apresentavam outros sintomas de depressão. Os suicídios ocorreram em média dois anos após a entrevista inicial.

Neste estudo a má qualidade do sono parece ser um factor que influencia mais o suicídio do que os sintomas depressivos, referem os autores, alertando, porém, que estas duas situações combinadas tornam o risco ainda maior. Os investigadores crêem ainda que as perturbações de sono podem conduzir ao suicídio porque criam problemas cognitivos e emocionais.

A idade dos participantes está relacionada com as queixas que surgem mais tarde na vida dos indivíduos e com a taxa desproporcionalmente alta de idosos que se suicidam comparado com a população em geral. Os adultos mais velhos também tendem a escolher métodos mais letais nas tentativas de suicídio. Actualmente, morrem todos os anos por suicídio um milhão de pessoas no mundo, constituindo 57% do casos de morte violenta.

In Observador online
13/08/2014

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