267: A depressão pode ser combatida com privação de sono

 

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Não dormir pode causar muitos problemas de saúde. A privação de sono causa problemas motores e cognitivos e pode até mesmo afetar o coração e outros órgãos a longo prazo. E o pior: se você dormir todas as noites, mas poucas horas ou mal, o seu cérebro é tão afetado quanto o de alguém que não dorme nada por algumas noites seguidas.

Por isso é que é tão surpreendente que a privação de sono seja um dos tratamentos mais eficazes para casos severos de depressão. Investigadores estudam essa possibilidade desde a década de 50, e agora novas abordagens que utilizam a privação do sono como um dos “ingredientes” estão a ajudar a melhorar a vida de alguns pacientes.

Isso acontece porque, aparentemente, a privação do sono causa efeitos diferentes em pessoas saudáveis e naquelas com depressão. Mas é importante salientar: os especialistas dizem que ninguém deve tentar fazer isso sozinho, sem acompanhamento médico.

A técnica envolve não só a privação do sono, mas também o elemento químico lítio. Francesco Benedetti, líder da unidade de psiquiatria e psicobiologia clínica do Hospital San Raffaele, em Milão, Itália, tem investigado a chamada terapia de vigília, em combinação com exposição a luz brilhante e lítio, como meio de tratamento da depressão.

“A privação do sono realmente tem efeitos opostos em pessoas saudáveis ​​e com depressão”, diz Benedetti. Se estiver saudável e não dormir, pode perceber imediatamente como isso afeta o seu humor. Mas se está deprimido, não dormir pode provocar uma melhoria imediata do humor e das habilidades cognitivas. O problema é que, quando dorme para recuperar as horas de sono, há 95% de probabilidade de uma recaída.

O efeito antidepressivo da privação do sono foi publicado pela primeira vez em um relatório na Alemanha em 1959. Após isso, o investigador alemão Burkhard Pflug deu sequência às análises ao investigar o efeito na sua tese de doutoramento e em estudos subsequentes na década de 1970.

Ainda não sabemos exatamente como o simples facto de permanecer acordados age sobre a depressão, muito em função do facto de que ambos os mecanismos – tanto a depressão quanto o sono – não são completamente compreendidos pela ciência, já que abrangem várias partes do cérebro.

A atividade cerebral de pessoas com depressão é diferente durante o sono e a vigília do que a de pessoas saudáveis. Durante o dia, os sinais que promovem o despertar do sistema circadiano – o relógio biológico interno de 24 horas – existem ​​para nos ajudar a resistir ao sono.

À noite, esses sinais são substituídos por outros que nos estimulam a dormir. As nossas células cerebrais também funcionam assim: ficam cada vez mais excitadas ​​em resposta a estímulos durante a vigília e essa excitabilidade dissipa-se quando dormimos. Mas em pessoas com depressão e transtorno bipolar, essas flutuações aparecem amortecidas ou ausentes.

A depressão também está associada a ritmos diários alterados de secreção hormonal e à temperatura corporal. Quanto mais grave a doença, maior o grau de ruptura com a normalidade.

Como os sinais de sono, esses ritmos também são conduzidos pelo sistema circadiano do corpo, que por sua vez é conduzido por um conjunto de proteínas que interagem, codificadas por genes que são expressos num padrão rítmico ao longo do dia.

As proteínas controlam centenas de processos celulares diferentes, que as permitem permanecer sincronizadas e ligar e desligar. Um relógio circadiano está em todas as células do nosso corpo, e estes mini-reloginhos são coordenados por uma área do cérebro chamada núcleo supraquiasmático, que responde à luz.

“Quando as pessoas estão seriamente deprimidas, os ritmos circadianos tendem a ser muito contínuos. Não recebem a resposta usual de melatonina aumentando a noite e os níveis de cortisol estão consistentemente altos em vez de cair à noite”, explica Steinn Steingrimsson, psiquiatra do Hospital Universitário Sahlgrenska em Gotemburgo, na Suécia, que actualmente executa um teste de terapia de vigília.

A recuperação da depressão está associada a uma normalização desses ciclos. “Acho que a depressão pode ser uma das consequências desse achatamento básico de ritmos circadianos e homeostase no cérebro”, diz Benedetti. “Quando privamos pessoas deprimidas de dormir, restauramos esse processo cíclico”, acredita.

Além disso, a privação do sono faz outras coisas ao cérebro deprimido, como provocar mudanças no equilíbrio de neurotransmissores em áreas que ajudam a regular o humor e restaurar a atividade normal em áreas de processamento emocional do cérebro, fortalecendo as ligações entre eles.

ZAP // HypeScience

 

264: Uma boa noite de sono pode ajudar a controlar o nosso desejo de comer açúcar

 

quinnanya / Flickr

Será que o truque para acabar com a nossa vontade de comer açúcar está numa boa noite de sono? Um novo estudo realizado no Reino Unido sugere que sim.

Não é surpresa nenhuma que uma noite mal dormida nos leva a sentir mais cansados e com um péssimo humor no dia seguinte. Mas, pelos vistos, o mínimo de 7 horas de sono recomendadas pelas organizações de saúde também parecem ter efeitos na nossa saúde, sobretudo em doenças como a obesidade, diabetes e doenças cardiovasculares, escreve o Live Science.

De acordo com um novo estudo, publicado na semana passada no American Journal of Clinical Nutrition, mais de um terço dos norte-americanos só dorme seis horas ou menos por noite. Com esses dados, os investigadores foram tentar perceber como é que isso poderia afectar as escolhas que fazem na sua alimentação.

A equipa recrutou 21 indivíduos para participar numa consulta de sono de 45 minutos, projetada para prolongar o seu tempo de sono em até 1,5 horas por noite. No outro grupo, também com 21 voluntários, ninguém recebeu intervenção nos seus padrões de sono.

Todos os participantes foram convidados a registar o seu sono e os seus padrões alimentares durante sete dias. Durante este período, também usaram sensores de movimento nos pulsos que mediram a quantidade exata de sono todas as noites, bem como a quantidade de tempo que passavam na cama antes de adormecerem.

Os resultados mostraram que os participantes que aumentaram as horas de sono reduziram a quantidade de açúcar ingerida em até dez gramas no dia seguinte, quando comparado com a quantidade que consumiam no início do estudo.

Além disso, os mesmos participantes também apresentaram uma menor ingestão diária de hidratos de carbono quando comparado com o grupo que não ampliou os seus padrões de sono.

“O facto de o sono prolongado ter levado a uma redução na ingestão de açúcares – referimo-nos aos que são adicionados aos alimentos pelos fabricantes ou mesmo em casa – sugere que uma simples mudança no estilo de vida pode ajudar as pessoas a ter melhores hábitos alimentares”, afirma uma das autoras do estudo, Wendy Hall, do Departamento de Diabetes e Ciências da Nutrição da King’s College London, no Reino Unido.

O grupo que dormiu mais horas recebeu uma lista de sugestões para ajudar os voluntários a ter uma boa noite de sono – evitar cafeína horas antes, estabelecer uma rotina relaxante e não ir para a cama muito cheio ou com fome eram algumas delas.

“A duração e a qualidade do sono são uma área de crescente preocupação com a saúde pública e tem sido associada como um fator de risco para várias condições”, disse a principal autora da pesquisa, Haya Al Khatib, professora do mesmo departamento.

No geral, os resultados deste estudo mostraram que 86% dos participantes que recebeu alguns conselhos aumentou o tempo total passado na cama, e 50% prolongaram a duração do sono em cerca de 52 a 90 minutos por noite, em comparação com o outro grupo. Além disso, três dos participantes alcançaram uma média semanal entre as 7 a 9 horas recomendadas.

No entanto, os cientistas observaram uma coisa: os dados sugerem que a quantidade prolongada de sono pode ter sido de menor qualidade do que o sono dos participantes que estavam no outro grupo. Algo que pode ser explicado pelo facto de qualquer nova rotina necessitar de um período de ajuste.

“Os nossos resultados também sugerem que aumentar o tempo na cama por uma hora ou mais pode levar a escolhas alimentares mais saudáveis”, disse Al Khatib. “Esta ideia fortalece ainda mais a ligação entre poucas horas de sono e dietas de menor qualidade que já foram observadas em estudos anteriores”.

“Agora queremos investigar ainda mais esta descoberta com estudos a longo prazo que examinam a ingestão de nutrientes e a adesão contínua aos comportamentos de extensão do sono com mais detalhes, especialmente em grupos de risco de obesidade ou doenças cardiovasculares”, conclui.

ZAP //
Por ZAP
14 Janeiro, 2018

181: Falta de sono pode encolher o cérebro, mostra estudo

 

A falta de sono pode fazer o cérebro encolher, aponta um estudo da Universidade de Oxford, no Reino Unido, envolvendo 147 adultos entre 20 e 84 anos.

dd08092014Com os dados obtidos em análises num intervalo de três anos e meio, os cientistas conseguiram relacionar os problemas de sono, como a insónia, e a diminuição da estrutura cerebral.

Os pacientes analisados que afirmavam sofrer de problemas para dormir – 35% do grupo pesquisado – tiveram um declínio mais rápido do volume ou do tamanho do cérebro ao longo do período pesquisado. Os resultados são ainda mais acentuados quando englobam pessoas com mais de 60 anos.

Vários estudos têm mostrado a importância do sono para a saúde do ser humano. A falta de uma boa noite de sono pode levar a problemas como Alzheimer e a demência.

«Ainda não está claro se a qualidade do sono é causa ou consequência das mudanças na estrutura do cérebro», aponta uma das autoras do estudo, Claire Sexton. «Há vários tratamentos eficazes para problemas de sono. Pesquisas futuras precisam de testar se, melhorando a qualidade do sono das pessoas, podemos diminuir a taxa de perda de volume do cérebro. Se for esse o caso, melhorar os hábitos pode ser uma boa maneira de melhorar a saúde cerebral.»

In Diário Digital online
08/09/2014 | 12:52

Dormir mal aumenta o risco de suicídio nos idosos

 

perturbações de sono

As noites mal dormidas afectam a nível cognitivo e emocional, mas podem constituir um factor de risco de suicídio — especialmente nos indivíduos mais velhos.

observador13082014Não são apenas as depressões que levam ao suicídio. Noites mal dormidas aumentam o risco em quase uma vez e meia de indivíduos mais velhos porem termo à vida, segundo um estudo publicado esta quarta-feira na revista científica JAMA Psychiatry. “Os resultados indicam que a baixa qualidade de sono está associado ao risco de morte por suicídio dez anos mais tarde, mesmo depois da correcção dos sintomas depressivos”, conclui a equipa de cientistas norte-americana.

Os dois factores prevalentes em relação ao risco de suicídio encontrados foram a dificuldade em adormecer e sonos não-reparadores. As noites mal dormidas aumentam 1,4 vezes o risco de suicídio, revela o estudo conduzido por Rebecca Bernert, investigadora no Centro de Distúrbios Emocionais da Escola Médica da Universidade de Stanford, na Califórnia (Estados Unidos).

Os investigadores tinham uma amostra de mais de 14 mil indivíduos com idades superiores a 65 anos seguidos ao longo de dez anos (de 1981 a 1991) com objectivo de estabelecer, pela primeira vez, uma relação entre a fraca qualidade de sono detectada na primeira entrevista e o risco de cometer suicídio ao longo do período do estudo. Pretendiam avaliar as noites mal dormidas como um factor único e não enquanto uma consequência da depressão, porque se tornaria difícil distinguir qual a causa em caso de suicídio.

Um milhão de mortes por suicídio

Ao longo dos 10 anos, a equipa de cientistas obteve dados suficientes de 20 casos de suicídio. Cada um deles foi comparado com 20 indivíduos-controlo escolhidos ao acaso, totalizando 420 doentes estudados. Os indivíduos com problemas de sono, causados tanto por insónias, como por pesadelos ou sonos pouco profundos, mostraram ter um risco de suicídio 1,4 vezes maior que os indivíduos-controlo, mas também um risco 1,2 maior que os indivíduos que apresentavam outros sintomas de depressão. Os suicídios ocorreram em média dois anos após a entrevista inicial.

Neste estudo a má qualidade do sono parece ser um factor que influencia mais o suicídio do que os sintomas depressivos, referem os autores, alertando, porém, que estas duas situações combinadas tornam o risco ainda maior. Os investigadores crêem ainda que as perturbações de sono podem conduzir ao suicídio porque criam problemas cognitivos e emocionais.

A idade dos participantes está relacionada com as queixas que surgem mais tarde na vida dos indivíduos e com a taxa desproporcionalmente alta de idosos que se suicidam comparado com a população em geral. Os adultos mais velhos também tendem a escolher métodos mais letais nas tentativas de suicídio. Actualmente, morrem todos os anos por suicídio um milhão de pessoas no mundo, constituindo 57% do casos de morte violenta.

In Observador online
13/08/2014

94: Vacina da gripe A está sob suspeita

 

Saúde: Há 795 casos de narcolepsia na União Europeia

Adolescente adormece em qualquer lado e tem alucinações. Anda sempre acompanhada pela avó

Adolescente adormece em qualquer lado e tem alucinações. Anda sempre acompanhada pela avó

A família de uma adolescente de 16 anos reportou à Autoridade Nacional do Medicamento (Infarmed) a sonolência diurna excessiva (narcolepsia), paralisia no sono, fraqueza muscular e alucinações, sintomas que a rapariga passou a ter depois de ser vacinada com a Pandemrix contra a gripe A, em 2009. Há mais dois casos de narcolepsia em Portugal, cuja ligação à vacina também está a ser investigada pelo Infarmed. Noutros países europeus registaram-se 795 casos, 200 dos quais na Suécia, mas há também na Finlândia, Noruega, Irlanda e França.

Esta doença, que provoca uma sonolência extrema e súbita, não tem cura. A especialista em doenças do sono, a neurologista Teresa Paiva, afirmou ao CM que acredita haver mais casos em Portugal. “Acho muito estranho que não haja mais casos da doença, porque muitas crianças e adolescentes foram vacinados. Eu própria notifiquei um caso ao Infarmed, de uma criança, em 2009”, afirmou Teresa Paiva.

A especialista sublinhou que “há uma relação entre a vacina Pandemrix e a narcolepsia e isso está actualmente provado através de vários estudos internacionais”.

Segundo Teresa Paiva, haverá uma “predisposição genética” das pessoas vacinadas para desenvolver a doença do sono, que é “muito grave” e manifesta-se pouco tempo depois da vacinação.

A adolescente, que pediu ao CM para não ser identificada, sofre com a doença. “Adormeço nas aulas, no autocarro e por isso tenho de andar acompanhada pela minha avó”, conta a rapariga.

O Infarmed afirma ao CM que recebeu três notificações de narcolepsia associada à vacina, uma das quais já em 2013, e que está a ser “investigada”. Os restantes dois casos foram reportados em 2010 e 2011. O CM contactou a direcção do laboratório GlaxoSmithKline, que comercializou a vacina Pandemrix, mas recusou prestar esclarecimentos.

ADOLESCENTE SUECA TOMA ESTIMULANTES

A sueca Emelie Olsson é uma das adolescentes que desenvolveu narcolepsia, após ter sido imunizada com a vacina Pandemrix. Contou que precisa de tomar estimulantes para controlar o problema. O especialista na doença, Emmanuel Mignot, da Universidade de Stanford, EUA, acredita que as evidências científicas mostram a relação entre a vacina e a doença. Porém, Norman Begg, médico da divisão de vacinas do laboratório diz não existirem provas suficientes.

In Correio da Manhã online
03/02/2013
Por:Cristina Serra

Sonhos repetidos funcionam como “um aviso”

 

Neurociências

O professor de Psiquiatria e de Ciências da Consciência da Faculdade de Medicina de Lisboa, Mário Simões, defendeu hoje que os sonhos repetidos devem ser valorizados pelo próprio indivíduo, porque funcionam como “uma mensagem, uma espécie de aviso”.

Contudo, em declarações à Lusa no Simpósio Aquém e Além do Cérebro, a decorrer no Porto, até sábado, o especialista considerou que no que respeita à interpretação dos sonhos “apenas os repetidos devem ser valorizados para perceber a mensagem dos seus mecanismos inconscientes de percepção da vida”. Os restantes devem ser “colocados na máquina trituradora”.

“Sabemos hoje que os sonhos são uma grande central de tratamento do lixo do dia-a-dia. Eu diria que 90 por cento dos nossos sonhos são para tratar do lixo do dia, para no dia seguinte termos novas ideias”, afirmou.

O psiquiatra referiu à Lusa que actualmente “conhece-se muito sobre a patologia, sobre algumas funções que o sono e o sonho têm. As mais conhecidas são sobre a memória e hoje viu-se, aqui, que as memórias durante a vida são integradas e fortalecidas no sono, mas também no sonho”, sustentou.

“Quanto a outras funções do sonho, vamos tentar perceber se são aquelas que Freud falou como sendo uma realização de desejos insatisfeitos, possivelmente também são, mas também sabemos que as pessoas que são privadas de sonhar à noite têm problemas de saúde”, disse.

Mário Simões apontou “problemas não só ligados às insónias. Em termos sociais as pessoas que tem má qualidade de sono e de sonhos ou que não sonham são as mais irritáveis no dia seguinte, com mais erros de atenção, no desempenho na condução e no seu trabalho”.

“Em animais, sabe-se que quando não sonham nada vêm a morrer em curto prazo com infecções graves, imunológicas”, frisou, referindo que o mesmo acontece com as pessoas que privadas de sono ou sonho podem sofrer alterações neuro-imunológicas.

Proporcionar um maior conhecimento sobre o sono e o sonho, o impacto que têm na vida do indivíduo e na sociedade e apontar novos caminhos na investigação científica mundial em neurociências nestes domínios são objectivos do simpósio organizado pela Fundação Bial que conta com a presença de alguns dos líderes na investigação científica mundial neste domínio.

O encontro, que vai já na 9.ª edição, é este ano dedicado ao “Sono e Sonhos” com o intuito de esclarecer questões como: “Porque se dorme? O que se passa no corpo humano quando se dorme? Qual a influência do sono (ou sua ausência) na sociedade? Porque se sonha? ou “O que representam os sonhos?”.

Hoje esteve em discussão a neurobiologia dos processos do sono e da cognição, estando agendada para sexta-feira a discussão sobre os aspectos anómalos subjacentes aos sonhos.

In Diário de Notícias online
por Lusa
29/03/2012

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