506: Mais 4.788 casos e 73 mortes em Portugal nas últimas 24 horas

 

 

SAÚDE/COVID-19

Horas após as autoridades reguladoras dos EUA darem aprovação a uma terapia de anticorpos e o G20 ter prometido um acesso global às futuras vacinas, Portugal regista 83 942 casos activos de covid-19 e um total de 3897 óbitos.

© Cesar Manso / AFP

O país tem mais 4788 casos de covid-19 e 73 óbitos nas últimas 24 horas, informou a Direcção Geral da Saúde (DGS) através do boletim epidemiológico.

O número de pessoas em internamento hospitalar continua a subir e a bater recordes. Há agora 3151, mais 126 pessoas do que na véspera, e 491 doentes em unidades de cuidados intensivos, um aumento de 6.

Há mais 3540 pessoas recuperadas, pelo que há agora 83 942 casos activos num total de 260 758 pessoas infectadas desde Março.

Com mais 73 óbitos, o número total de mortes é agora de 3897.

Por regiões, o Norte mantém-se na frente das transmissões e das mortes: adicionou mais 3091 casos e 39 óbitos, totalizando 135 363 casos e 1822 mortes.

Lisboa e Vale do Tejo registou novas 844 transmissões e mais 20 óbitos, contabilizando agora 88 983 casos e 1421 mortes. A região Centro registou 637 casos e 12 mortes, atingindo 25 013 infecções e 499 vítimas mortais. O Alentejo teve mais 112 casos e 2 mortes, num total de 5169 casos e 96 óbitos.

O Algarve continua a ser a região com menos casos. Conta agora mais 73 pessoas com covid-19, perfazendo no total 4679 casos e 42 óbitos.

Nas regiões autónomas, Açores e Madeira, têm um número total semelhante: 779 e 772, respectivamente, depois de adicionados os novos 18 casos açorianos e 13 madeirenses.

A DGS que, entretanto, simplificou as normas de admissão de utentes em lares e outras instituições, ao emitir uma orientação que dispensa a realização de um teste à covid-19 se a pessoa em causa tiver cumprido nos últimos 90 dias os critérios de fim de isolamento.

Novas medidas no estado de emergência

Ontem o governo anunciou as novas medidas a vigorar a partir de terça-feira, altura do novo estado de emergência, que inicia às 00.00 do dia 24 de Novembro e cessará às 23.59 do dia 8 de Dezembro.

Passa a ser obrigatório o uso de máscara nos locais de trabalho, excepto quando os postos de trabalho são isolados ou quando haja separação física entre diferentes postos.

O governo decretou também para todo o continente proibição da circulação entre concelhos nos dias que vão rodear os feriados de 1 e 8 de Dezembro – ambos a uma terça-feira: das 23.00 de 27 de Novembro às 5h00 de 2 de Dezembro; e das 23.00 de 4 de Dezembro às 5.00 de 9 Dezembro.

Ao mesmo tempo, nas vésperas desses feriados (30 de Novembro e 7 de Dezembro) haverá suspensão de actividades lectivas, tolerância de ponto para a administração pública e um “apelo às entidades privadas para dispensa de trabalhadores” – sendo estas, mais uma vez, medidas gerais para todo o continente.

Também criou quatro escalões de concelhos consoante a incidência da pandemia: risco moderado, risco elevado, risco muito elevado e risco extremamente elevado. Em risco “extremamente elevado” estão 47 concelhos, por apresentarem mais de 960 casos de doença por 100 mil habitantes.

Na conferência de imprensa em que apresentou as medidas, o primeiro-ministro rejeitou a oposição entre a economia e o combate à crise sanitária: “Não existe essa dicotomia”.

“A nossa vida é só uma, precisamos de saúde para viver, precisamos de trabalho para viver. Precisamos de empresas a funcionar para podermos viver e, portanto, temos de trabalhar em todas essas dimensões”, sustentou António Costa.

Tratamento aprovado nos EUA

A entidade reguladora norte-americana concedeu no sábado autorização urgente à empresa de biotecnologia Regeneron para a utilização no país do tratamento com anticorpos mono-clonais que o presidente dos EUA recebeu em Outubro contra a covid-19.

A autorização Food and Drug Administration (FDA) limita o uso do fármaco a pessoas com mais de 12 anos que tenham apresentado resultados positivos no teste à covid-19 e que estejam em risco de desenvolver um caso grave da doença, explicou a cientista chefe da FDA Denise M. Hinton num comunicado enviado à empresa.

O medicamento contém dois anticorpos potentes que, em estudos preliminares, mostraram resultados promissores na contenção da infecção, especialmente se administrado durante as fases iniciais da doença.

A autorização dá-se no dia em que os Estados Unidos passaram os 12 milhões de casos confirmados de infecção (12 051 253), os quais provocaram 255 588 mortes, de acordo com o relatório independente da Universidade Johns Hopkins. Segundo este balanço há, nas últimas 24 horas, mais 155 377 novas infecções e 1291 mortes.

A barreira dos 12 milhões de casos foi ultrapassada apenas seis dias depois de os EUA alcançarem os 11 milhões de infecções e apenas 12 dias depois de atingir os 10 milhões, um sinal de que o país tem uma forte propagação de infecções.

G20 promete acesso à vacina

Os dirigentes do G20 prometeram hoje “não desistir de nenhum esforço” para garantir o acesso equitativo às vacinas contra a covid-19, de acordo com um rascunho da declaração final da cimeira, num tom consensual, mas sem anúncios concretos.

“Não desistiremos de nenhum esforço para garantir o acesso acessível e equitativo [às vacinas, testes e tratamentos] para todos”, está escrito no texto consultado pela AFP.

A cimeira das 20 maiores potências económicas mundiais realiza-se, este ano, num formato virtual sob a presidência da Arábia Saudita, o que suscitou críticas das organizações da defesa dos direitos humanos.

A pandemia de covid-19 matou, pelo menos, 1 381 915 pessoas no mundo, desde que foi relatado o início da doença na China, no final de Dezembro de 2019, segundo um balanço da AFP deste domingo, a partir de fontes oficiais.

O balanço até hoje, às 11.00, contabiliza 58 165 460 casos de infecção em todo o mundo, oficialmente diagnosticados desde o início da propagação – que a Organização Mundial de Saúde (OMS) veio a assumir como pandemia – e, destes, pelo menos, 37 053 500 são considerados curados.

Diário de Notícias

DN
22 Novembro 2020 — 14:35

 

 

505: Os três sintomas que podem antecipar um caso grave de covid-19

 

 

SAÚDE/COVID-19/SINTOMAS

Febre, tosse e dificuldade em respirar. São estes os três sintomas que podem indicar que se está perante um caso grave da doença provocada pelo SARS-CoV-2, conclui um estudo da Sociedade Espanhola de Medicina Interna.

Unidade de Cuidados Intensivos num hospital em Madrid
© OSCAR DEL POZO / AFP

Existem sintomas que podem antecipar um caso grave de covid-19. São eles: febre, tosse e dificuldade em respirar, conclui um estudo da Sociedade Espanhola de Medicina Interna (SEMI). A investigação, que envolveu mais de 12 mil doentes, sugere que estes três sintomas indicam que se está perante uma situação que poderá ter uma evolução mais grave da infecção causada pelo SARS-CoV-2.

O vírus responsável pela covid-19 representa um desafio para a humanidade e é no conhecimento científico que se depositam muitas das esperanças para o combater de forma eficaz, a par do desenvolvimento das vacinas. É por isso que se multiplicam estudos que levantam um pouco mais do véu sobre o novo coronavírus que já infectou mais de 56 milhões de pessoas em todo o mundo. É o caso do trabalho de investigação levado a cabo pela Sociedade Espanhola de Medicina, que teve a participação do Hospital de Salamanca.

Neste estudo foi possível associar sintomas dos doentes com covid-19 à antecipação da evolução da doença e os resultados preliminares apontam um trio preocupante que pode revelar-se fatal.

“Doentes com dispneia [falta de ar] seriam a priori aqueles com qualquer outro tipo de pneumonia, mas se febre e tosse forem adicionadas, a sua evolução pode ser pior”, explica José Ángel Martín Oterino, chefe do serviço de Medicina Interna do Hospital de Salamanca, citado pela La Gaceta de Salamanca.

Já quem manifesta sintomas de uma constipação comum, além da perda de paladar e de olfacto, geralmente desenvolve uma infecção menos grave, refere o estudo, cujos dados preliminares foram dados a conhecer num artigo publicado no Journal of Clinical Medicine.

Do grupo de pessoas com dor de cabeça e de garganta ou dores musculares, apenas 10% tiveram que ser internados em Unidade de Cuidados Intensivos (UCI).

Os doentes que apresentam uma sintomatologia que inclui vómitos e diarreia também podem sofrer uma forma mais grave da doença provocada pelo novo coronavírus, mas, ainda assim, não atingem o nível de risco dos que tem dificuldade respiratória.

“Pacientes que apresentam a tríade clássica de febre, tosse e dispneia, bem como aqueles que também apresentam vómitos e diarreia são os que têm o pior prognóstico ,a priori; por outro lado, aqueles com sintomas como os de uma constipação comum ou com nítida perda de olfacto e paladar são os que apresentam um melhor prognóstico”, refere o médico Manuel Rubio-Rivas, membro do SEMI.

Análise abrangeu mais de 12 mil doentes internados com covid-19

Neste estudo, que envolveu 12 066 pessoas internados com covid-19 de diferentes hospitais espanhóis, os especialistas traçaram quatro grupos fenotípicos de pacientes hospitalizados e os sintomas que podem indicar como será a evolução da doença.

O primeiro grupo, com 8737 pacientes, 72,4% dos que participaram do estudo, foi o maior e mais numeroso e composto por pacientes com os três sintomas: febre, tosse e dificuldade em respirar. Nele se incluem sobretudo “homens mais velhos com maior prevalência de comorbidades”. “O tempo entre o início dos sintomas e a admissão também foi menor neste subgrupo de pacientes, em comparação com os outros grupos identificados. Um em cada 10 pacientes desse grupo necessitou de internamento em Unidade de Cuidados Intensivos (UCI) e um quarto deles morreu, representando a maior taxa de mortalidade entre os quatro grupos”, refere a SEMI.

O segundo grupo, com 9,9% dos pacientes, um total de 1196, apresenta dificuldade no paladar e perda de olfacto, “muitas vezes acompanhada de febre, tosse e/ou dispneia”. “Este grupo apresentou a menor percentagem de admissão em UCI e taxa de mortalidade”.

Em relação ao terceiro grupo, com 880 pacientes, 7,3% “apresentavam dor nas articulações e/ou músculos, dor de cabeça e dor de garganta”, que também costuma ser acompanhada de febre, tosse e/ou dispneia. Até 10,8% dos pacientes deste grupo necessitaram de cuidados intensivos.

O quarto grupo, com 1253 pacientes, 10,4% do total, manifestou sintomas como diarreia, vómitos e dores abdominais, “também muitas vezes acompanhadas de febre, tosse e/ou dispneia”. “Destes, 8,5% necessitaram de internamento em UCI e 18,6% morreram. Esta taxa de mortalidade é a segunda mais alta dos quatro grupos identificados”, lê-se no comunicado da Sociedade Espanhola de Medicina.

Uma classificação dos sintomas, divida por grupos, que, segundo Manuel Rubio-Rivas, pode ajudar os médicos a aplicar medidas de tratamento “mais adequadas em cada caso”, numa “medicina de maior precisão”.

Diário de Notícias
DN
20 Novembro 2020 — 01:24

 

 

504: Mais três casos de legionella. Desligadas torres de refrigeração de duas empresas, uma delas é a LongaVida

 

 

SAÚDE/LEGIONELLA/SURTO

“Cumprindo as indicações da autoridade de saúde e na sua presença, a título preventivo, a LongaVida desligou de imediato as suas torres de refrigeração”, avançou a empresa situada em Matosinhos. Há já 85 pessoas que contraíram a doença.

Matosinhos, 18/11/2020- Fábrica da Longa Vida em Perafita, Matosinhos.
(Pedro Correia/Global Imagens)

A empresa de produtos lácteos LongaVida, em Matosinhos, adiantou esta quarta-feira (18) ter desligado as suas torres de refrigeração “a título preventivo” devido ao surto de legionella na região do Grande Porto que já afectou 85 pessoas.

“Cumprindo as indicações da autoridade de saúde e na sua presença, a título preventivo, a LongaVida desligou de imediato as suas torres de refrigeração”, avançou, em comunicado.

O surto de ‘legionella’ que está a afectar a região do Grande Porto registou esta quarta-feira mais três casos, que deram entrada no Hospital Pedro Hispano, em Matosinhos, confirmou fonte da Administração Regional de Saúde do Norte (ARS-Norte).

Com estes novos casos, sobe para 85 o número de pessoas que contraíram a doença, desde 29 de Outubro, nos concelhos de Matosinhos, Vila do Conde e Póvoa de Varzim, sendo que nove morreram com complicações associadas e 20 continuam internadas em três hospitais do distrito do Porto.

A empresa LongaVida efectua todos os controles exigidos por lei às suas torres de refrigeração, estando a acompanhar de perto o surto em colaboração com as autoridades que se encontram a realizar inspecções nesta área geográfica.

Referindo que “quaisquer informações” sobre este tema deverão ser prestadas pelas autoridades competentes, a empresa espera que a situação possa ser “rapidamente” esclarecida.

“Para a LongaVida a segurança das suas pessoas e das suas operações é uma prioridade não negociável”, vincou.

A origem do surto ainda não foi descoberta, mas a Administração Regional de Saúde (ARS) do Norte divulgou, na terça-feira, que, “como medida cautelar, a Autoridade de Saúde de Matosinhos procedeu à suspensão do funcionamento das torres de refrigeração de duas indústrias, localizadas no concelho de Matosinhos“, embora sem especificar quais.

Sem uma explicação concreta para a dispersão geográfica do surto, a ARS-Norte avançou que a mesma “é compatível com uma eventual fonte ambiental sujeita aos efeitos das alterações climáticas da depressão Bárbara”.

Câmara de Matosinhos acompanha com “preocupação o desenvolvimento do surto”

Hoje, a Câmara Municipal de Matosinhos, numa reacção à suspensão das torres de refrigeração de duas fábricas do concelho, disse estar a “acompanhar de perto e com preocupação o desenvolvimento do surto”.

Independentemente do concelho onde se situem estas instalações, o importante é que o foco tenha sido identificado e que esta situação possa, em breve, ser ultrapassada. A autarquia tem disponíveis todos os meios necessários para actuar, caso estes sejam solicitados pelas entidades de saúde responsáveis pela gestão do caso”, garantiu a Câmara de Matosinhos, em comunicado.

Na semana passada, o Ministério Público anunciou a abertura de um inquérito para investigar as causas do surto.

A doença do legionário, provocada pela bactéria ‘Legionella pneumophila’, contrai-se por inalação de gotículas de vapor de água contaminada (aerossóis) de dimensões tão pequenas que transportam a bactéria para os pulmões, depositando-a nos alvéolos pulmonares.

Diário de Notícias
DN/Lusa
18 Novembro 2020 — 19:31

 

 

São precisos quatro a seis meses até ter “níveis significativos de vacinação”, alerta a OMS

 

 

SAÚDE/VACINAS/COVID-19

Responsável pelo programa de emergências sanitárias da OMS avisa que as vacinas contra a covid-19 não devem ser vistas como uma solução mágica nesta segunda vaga da pandemia.

O director executivo do programa de emergências sanitárias da Organização Mundial da Saúde (OMS), Michael Ryan
© Christopher Black / World Health Organization / AFP

O director executivo do programa de emergências sanitárias da Organização Mundial da Saúde (OMS) alertou, esta quarta-feira, que as vacinas não chegam a tempo de derrotar a segunda onda da pandemia de covid-19.

Michael Ryan afirmou que as vacinas não devem ser vistas como uma solução mágica e que os países que lutam contra o ressurgimento do vírus têm de combater esta segunda vaga de infecções sem elas, mesmo que ainda sejam disponibilizadas durante este inverno.

“Acho que são precisos pelo menos quatro a seis meses antes de termos níveis significativos de vacinação em qualquer lugar”, afirmou o responsável da OMS durante uma sessão pública de perguntas e respostas ao vivo nas redes sociais.

Apesar dos recentes anúncios promissores sobre a fase final dos ensaios clínicos de vacinas, nomeadamente a da Pfizer e da Moderna, Ryan alertou: “Ainda não chegámos lá com as vacinas. Chegaremos, mas ainda não estamos lá”

Enfatizou que muitos países vão ter de enfrentar esta segunda onda da pandemia sem as vacinas. “Temos de entender e interiorizar isto, e perceber: desta vez, temos que escalar esta montanha sem vacinas.”

Esta quarta-feira, a Pfizer referiu que o resultado final do teste clínico da vacina mostra eficácia de 95%, enquanto a Moderna disse esta semana que sua própria candidata era 94,5% eficaz contra a infecção pelo novo coronavírus. Já a Rússia afirma que a sua vacina, Sputnik V, tem mais de 90% de eficácia.

Apesar das boas notícias para o combate à pandemia, Ryan alertou para a possibilidade de se abrandar no que se refere à vigilância individual contra o novo coronavírus, tendo a percepção errada de que as vacinas resolveriam agora o problema.

Algumas pessoas acham que uma vacina será, em certo sentido, a solução: o unicórnio que todos nós temos perseguido. Não é”, disse o irlandês.

“Se adicionarmos vacinas e esquecermos as outras coisas, a covid-19 não fica reduzida a zero.”

Número de casos diminui na Europa, mas mortes continuam a subir

O número de novos casos de covid-19 na Europa diminuiu na semana passada pela primeira vez em mais de três meses, mas as mortes na região continuaram a subir, segundo dados da OMS.

Pelo menos 55,6 milhões de casos em todo o mundo foram registados desde o início da pandemia na China, onde foram detectados as primeiras infecções em Dezembro do ano passado. Mais de 1,3 milhões de pessoas já morreram devido à covid-19, de acordo com um balanço feito pela AFP, tendo como base dados oficiais.

Preocupação no impacto das restrições nas crianças

Ryan expressou preocupação sobre como a pandemia deixou muitos netos enlutados que não conseguiram passar pelo processo normal de luto devido às restrições impostas para combater o vírus. “Muitas crianças perderam avós”, disse. “Existe um grande trauma entre as crianças”, considerou.

Para o responsável da OMS, o processo de luto para as crianças foi interrompido devido às medidas restritivas, que impossibilitaram as pessoas de se despedirem dos entes queridos. Manifestou preocupação pelo impacto que isto teve nos mais jovens, o de “lamentar a perda de um avô que foi interrompida”. “Tem um impacto para toda a vida”, reforçou.

Diário de Notícias
DN/AFP
18 Novembro 2020 — 21:37

Entretanto, Portugal tem mais 5.891 casos e 79 mortes nas últimas 24 horas
No dia em que a ministra da Saúde diz esperar ter tudo a postos para distribuir as primeiras doses de vacinas em Janeiro, regista-se um total de 3632 mortos e 236015 infectados por covid-19.

 

 

498: Novos dados indicam que imunidade à covid-19 pode durar anos

 

 

SAÚDE/COVID-19

Amostras de sangue de pacientes recuperados sugerem uma resposta imunológica poderosa e duradoura, relataram os investigadores

© EPA/STR

Mais um sinal de que há luz ao fundo do túnel em relação à pandemia de covid-19. Um novo estudo sugere que a imunidade à covid-19 possa durar anos e talvez até décadas, dando assim a esperança de que a vacina possa colocar termo ao novo coronavírus, avança o New York Times.

Segundo os novos dados, a maioria das pessoas que recuperou da infecção apresenta células imunológicas suficientes para afastar o vírus e prevenir doenças oito meses após a infecção e ao que tudo indica essas células podem persistir no corpo durante muito mais tempo.

A investigação, publicada online, não foi revista por pares nem difundida numa revista científica, mas é o estudo mais abrangente sobre a memória imunológica em relação ao coronavírus feito até hoje.

“Essa quantidade de memória provavelmente evitará que a grande maioria das pessoas contraiam doenças graves durante muitos anos”, disse Shane Crotty, virologista do Instituto de Imunologia La Jolla, dos Estados Unidos, que co-liderou o novo estudo.

As descobertas provavelmente poderão aliviar os especialistas preocupados com a possibilidade de a imunidade ao vírus poder ter vida curta, o que significaria que as vacinas teriam de ser administradas repetidamente para manter a pandemia sob controlo.

Esta investigação foca-se ainda em outra descoberta recente: os sobreviventes da SARS, causada por outro coronavírus, ainda carregam certas células imunológicas importantes 17 anos após a recuperação.

Investigadores da Universidade de Washington, liderados pela imunologista Marion Pepper, já haviam mostrado que certas células de “memória” que foram produzidas após a infecção pelo coronavírus persistem no corpo durante pelo menos três meses. E um estudo publicado na semana passada também chegou à conclusão que as pessoas que recuperaram da Covid-19 têm células imunes que são poderosas e protectoras mesmo quando os anticorpos não são detectáveis.

Estes estudos “estão todos a pintar o mesmo quadro, de que após umas primeiras semanas críticas, a resposta imunológica parece bastante convencional”, disse Deepta Bhattacharya, imunologista da Universidade do Arizona.

Akiko Iwasaki, imunologista da Universidade de Yale, disse que não ficou surpreendida com o fato de o corpo ter uma resposta duradoura porque “é isso que deve acontecer”. Ainda assim, ficou animada com a investigação: “Esta é uma notícia empolgante”.

Um pequeno número de pessoas infectadas no novo estudo não tinha imunidade duradoura após a recuperação, talvez por causa das diferenças nas quantidades de coronavírus a que foram expostas. Mas as vacinas podem superar essa variabilidade individual, disse Jennifer Gommerman, imunologista da Universidade de Toronto. “Isso ajudará a focar a resposta, para que não se obtenha o mesmo tipo de heterogeneidade que se vê numa população infectada”, referiu.

Estes novos dados contrariam a preocupação causada nos últimos tempos pelos relatos de que a diminuição dos níveis de anticorpos pudesse fazer com que a imunidade desaparecesse ao fim de alguns meses, deixando assim as pessoas vulneráveis a uma reinfecção.

No entanto, muitos imunologistas frisam que é natural que os níveis de anticorpos caiam, pois são apenas uma pequena parte do sistema imunológico. E, embora sejam necessários para bloquear o vírus e prevenir uma segunda infecção – algo conhecido como imunidade esterilizante -, as células imunológicas que se “lembram” do vírus com mais frequência são responsáveis ​​pela prevenção de doenças graves.

“A esterilização da imunidade não acontece com muita frequência – essa não é a norma”, disse Alessandro Sette, imunologista do Instituto de Imunologia La Jolla.

O que acontece mais frequentemente nas re-infecções é o sistema imunológico reconhecer o invasor e extinguir rapidamente o vírus, até porque a covid-19 é particularmente lento a causar danos, dando assim ao sistema imunológico tempo suficiente para entrar em acção.

Para este estudo, Alessandro Sette e seus colegas recrutaram 185 homens e mulheres, com idades entre 19 e 81 anos, que se recuperaram da covid-19. A maioria apresentou sintomas leves, que não exigiram uma hospitalização. E a maior parte das pessoas envolvidas no estudo forneceu apenas uma amostra de sangue, enquanto 38 forneceram várias amostras ao longo de muitos meses.

A equipa acompanhou quatro componentes do sistema imunológico: anticorpos, células B que produzem mais anticorpos conforme necessário; e dois tipos de células T que matam outras células infectadas. A ideia era construir uma imagem da resposta imunológica ao longo do tempo, observando os seus constituintes. “Se se olhar apenas para um, podemos estar a perder o quadro completo”, disse Crotty.

O estudo é o primeiro a mapear a resposta imunológica a um vírus em detalhes tão granulares, dizem os especialistas.

Diário de Notícias
DN
18 Novembro 2020 — 09:54

 

 

495: Cientista italiano diz que a covid-19 vai ser “como uma constipação” em 2024

 

 

SAÚDE/COVID-19/VACINAS

olgierd-cc / Flickr

Um afamado cientista italiano diz que nos próximos anos a covid-19 poderá tornar-se uma simples constipação. Ainda assim, o especialista alerta que a evolução da pandemia depende de muitas variáveis.

Em declarações ao jornal transalpino Corriere della Sera, Giuseppe Remuzzi, director do Centro de Investigações Farmacológicas Mario Negri, em Milão, argumenta que a chegada de uma vacina não vai eliminar o novo coronavírus e acredita que as medidas de prevenção vão ter de ser mantidas pelo menos até 2024.

Dando o exemplo da mais recente vacina da Pfizer, Remuzzi defende que não vai acabar com o vírus, assemelhando-se às vacinas contra a gripe, que “protegem-nos da doença, mas não a farão desaparecer”.

A farmacêutica Pfizer revelou que dados provisórios sobre a vacina contra o novo coronavírus indicam que pode ser eficaz em 90% dos casos e que este mês pedirá o uso em situações de emergência nos Estados Unidos.

“Grande parte da população será imunizada, mas apenas com a condição de que as medidas de prevenção actuais sejam mantidas. Máscara, distanciamento social, lavagem contínua das mãos. Actualmente, nenhuma vacina será por si só capaz de extinguir a pandemia”, disse o especialista, citado pela Newsweek.

A chegada de vacinas e outras medidas de saúde pública vão fazer com que a covid-19 se torne “como uma constipação”, disse Remuzzi. Questionado sobre durante quanto tempo será preciso manter as regras actuais, o médico diz que “segundo um estudo da Nature, prevê-se que seja em 2024″.

Ainda assim, o cientista italiano realça que a evolução da pandemia depende de muitas variáveis e, por isso, “é impossível prever” a sua trajectória.

A duração da imunidade poderá variar “entre seis a oito meses”, o que “significa que teremos que ser vacinados todos os anos, como acontece com a gripe”. Além disso, Remuzzi prevê que sejam necessárias duas doses da vacina.

“Ter mais de uma [vacina] ajudará a aproximar da meta de cobrir todo o planeta e, enquanto isso, vai permitir que os cientistas aperfeiçoem-nas no decorrer dos trabalhos”, disse ainda Remuzzi.

Quanto à prioridade de administração da vacina, o especialista diz que a resposta é lógica: “Para todos os profissionais de saúde e para as pessoas mais vulneráveis. Depois, continuar, dos maiores de 60 anos, até aos grupos de menor risco da população”.

ZAP //

Por ZAP
15 Novembro, 2020

 

 

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