585: Variante inglesa pode representar 50% dos casos em Lisboa e Vale do Tejo

 

 

SAÚDE/COVID-19/VARIANTE INGLESA

A ministra da Saúde revelou esta quinta-feira no Parlamento que a presença da variante inglesa da covid-19 na região de Lisboa e Vale do Tejo pode representar metade dos casos confirmados.

© PAULO SPRANGER / Global Imagens

Perto de um terço dos casos de covid-19 no país podem corresponder à nova variante detectada no Reino Unido, e a Área Metropolitana de Lisboa pode representar quase metade dos casos confirmados, segundo um documento da Direcção-Geral da Saúde.

O documento, divulgado esta quinta-feira pela ministra da Saúde, Marta Temido, no parlamento, cita dados do laboratório Unilabs, os quais referem que “cerca de 32,2% dos casos podem corresponder à nova variante B.1.1.7, e na região da Área Metropolitana de Lisboa esta variante pode representar quase 50% dos casos confirmados”.

“No entanto, existem limitações inerentes a dados provenientes apenas de um laboratório, e podem não ser representativos”, adverte a Direcção-Geral da Saúde.

Segundo o documento, a proporção da variante detectada no Reino Unido sobre o total de casos “tenderá a aumentar em virtude da vantagem selectiva da maior transmissão. Se for confirmado o aumento da letalidade associado à variante, é expectável um aumento da letalidade em Portugal”.

É ainda citado o relatório no NervTaga de 21 de Janeiro que indica que a variante associada ao Reino Unido apresenta maior transmissibilidade quando comparada com outras variantes, como tem vindo a ser reconhecido internacionalmente.

Recentemente, com base em diferentes estudos realizados, identificou-se a possibilidade de que esta variante seja também mais letal.

Segundo um estudo da Public Health England, os indivíduos infectados com a variante detectada no Reino Unido tiveram um risco de morte de 1,65 vezes superior, quando comparado com os doentes infectados com outras variantes.

O estudo ressalva que “existem limitações importantes a estes resultados, nomeadamente a sua baixa representatividade.

“Apesar destas informações, o risco global de morte por covid-19 mantém-se reduzido”, sublinha.

O documento apresentado por Marta Temido menciona também o caso identificado em Portugal da nova variante detectada na África do Sul, um homem de 36 anos, natural de África do Sul, residente em Lisboa.

A data de diagnóstico de covid-19 foi no passado dia 7 de Janeiro e o caso está dado como recuperado desde o dia 17.

Esta infecção deu origem “a um caso secundário, coabitante, igualmente vigiado e sem outros casos secundários conhecidos, refere a DGS.

“A vigilância epidemiológica e laboratorial de casos importados da África do Sul será mantida, não existindo à data evidência de transmissão comunitária desta variante em Portugal”, salienta.

A pandemia de covid-19 provocou, pelo menos, 2 176 000 mortos resultantes de mais de 100 milhões de casos de infecção em todo o mundo, segundo um balanço feito pela agência francesa AFP.

Em Portugal, morreram 11 608 pessoas dos 685 383 casos de infecção confirmados, de acordo com o boletim mais recente da Direcção-Geral da Saúde.

Diário de Notícias
DN
28 Janeiro 2021 — 17:23