110: “A campanha do colesterol é o maior escândalo médico do nosso tempo”

 

Entrevista a Uffe Ranskov, investigador dinamarquês e fundador da Liga Internacional dos Cépticos do Colesterol que defende que o colesterol alto não é causa mas apenas um sintoma das doenças cardiovasculares.

activa15062013Como começou o seu interesse no colesterol?

Quando a campanha anti-colesterol começou na Suécia, em 1989, fiquei surpreendido porque nunca tinha visto indicações na literatura médica que mostrassem que o colesterol elevado ou as gorduras saturadas fossem prejudiciais. Como sabia pouco do assunto comecei a ler de forma sistemática e rapidamente percebi que o rei ia nu.

Parece haver uma guerra de estudos nesta matéria…

Quase todas as pesquisas nesta área são pagas pelas farmacêuticas e pela indústria das margarinas. É também um facto triste que muitos investigadores que mostraram que o colesterol elevado não é mau, não o percebam eles próprios. Por exemplo, dois grupos de investigação norte-americanos mostraram recentemente que o colesterol de doentes que deram entrada no hospital com ataque cardíaco estava abaixo do normal. Concluíram que era preciso baixar o colesterol ainda mais. Um dos grupos fez isso mesmo. Três anos depois tinha morrido o dobro dos pacientes a quem tinham baixado o colesterol, comparativamente aqueles em que o colesterol foi deixado na mesma.

Se o colesterol não tem influência na doença coronária como se explica que haja tantos estudos a mostrar efeitos positivos das estatinas em pessoas com historial de doenças coronárias?

A razão prende-se com o facto das estatinas terem outros efeitos, anti inflamatórios, além de baixarem o colesterol. O seu pequeno benefício só foi demonstrado em pessoas jovens e homens de meia- idade que já tiveram um ataque cardíaco. Nenhum ensaio de estatinas foi capaz de prolongar a vida às mulheres ou pessoas saudáveis cujo único ‘problema’ é terem o colesterol alto. E há mais de 20 estudos que demonstram que pessoas mais velhas com colesterol vivem mais tempo.

– Há quem não desvalorize completamente o papel do colesterol, nomeadamente o LDL, mas enfatize a importância do tamanho das partículas.

O investigador norte-americano Ronald Krauss descobriu que o LDL existe em vários tamanhos e que um número elevado de partículas pequenas e com maior densidade está associado a um maior risco de ataque cardíaco, enquanto que um numero alto de partículas de LDL grandes está associado a um risco menor. Também demonstraram que ao comer gordura saturada o número de partículas pequenas no sangue descia e que o número das grandes subia. Isto não significa que as partículas pequenas sejam a causa dos ataques cardíacos. Haver uma relação não implica que seja de causa efeito. O que estes estudos demonstraram foi que comer gorduras saturadas não causa doenças coronárias. De qualquer forma, uma análise do colesterol diz pouco. O nível de colesterol depende de muitas coisas. O stress pode aumentar o nível de colesterol em 30% a 40% em meia hora.

Diz ainda que as gorduras saturadas não são um problema mas sim a comida processada, com gorduras hidrogenadas, e o açúcar…

Sim, o triste é que até os autores do mais recente relatório da OMS/FAO admitiram que a gordura saturada é inocente e apesar disso continuam com as recomendações de dietas com baixos teor de gordura e altos teores de hidratos de carbono. O relatório diz ‘As provas disponíveis de ensaios controlados não permitem fazer um juízo sobre efeitos substantivos da gordura na dieta no risco de doença cardiovascular’. Na Suécia, milhares de diabéticos obesos puderam deixar a medicação para a diabetes evitando os hidratos de carbono e comendo alimentos ricos em gordura saturada.

O que recomenda às pessoas relativamente à toma de estatinas?

Não usem estatinas! O seu benefício é mínimo e o risco de efeitos adversos é muito mais alto do que o que as farmacêuticas dizem. Vários investigadores independentes mostraram que há problemas musculares em25 a 50% das pessoas, especialmente nos mais velhos. Pelo menos 4% ficam com diabetes e parece haver também ligação a perdas de memória ou Alzheimer. Os problemas de fígado também são um risco. A campanha do colesterol é simplesmente o maior escândalo médico do nosso tempo.

In Activa online
Por: Bárbara Bettencourt
03 Maio 2013, às 14:59

40: Conheça os mitos em torno do consumo de café

 

O café é a segunda bebida mais consumida no mundo, sendo apenas superada pela água. Não graças aos portugueses

O café, tão enraizado na cultura portuguesa, ao contrário do que se pensa, é mais consumido pelos restantes europeus do que por nós próprios.

Enquanto nos restantes países da Europa o consumo desta bebida ronda os 5,79 quilos por pessoa ao ano, em Portugal o consumo anual anda à volta dos 4,26 quilos por pessoa. Só na Finlândia, a ingestão é de cerca de 13 quilos per capita ao ano. Fazendo as contas, os portugueses bebem menos 35% de café que a média europeia e menos 70% que os finlandeses.

Uma particularidade do consumo português de café prende-se com o facto de ser ingerido essencialmente fora do lar, representando cerca de 80% do consumo total. Bebemos café, na maioria das vezes, em locais de convívio, como é o caso dos restaurantes, dos snacks, dos cafés, dos hotéis e dos bares.

Sabia que a cafeína é a substância far­macologicamente activa mais utilizada e mais estudada? Apesar disso, continuam a existir uma série de mitos em torno do seu consumo. Quem nunca ouviu que faz mal ao coração, que as grávidas não o devem beber e que é proibido dar às crianças? Estas conclusões não passam de mitos e há evidência científica a comprovar o contrário.

Tome nota dos mitos apontados pelo programa Café & Saúde da Organização Internacional do Café, baseado nas conclusões do Institute for Scientific Information on Coffe.

1. Beber café faz mal à saúde. Não podia ser menos verdade.Beber café de forma regular, cerca de 3 a 4 chávenas por dia, é o ideal. Ao contrário do que se possa pensar, até traz benefícios terapêuticos. Se, por acaso, não beber café por achar que faz mal, pense melhor. Aproveite o prazer de saborear um bom café!

2. Beber café aumenta o risco de doença cardiovascular. Também não é verdade.O consumo moderado de café não está associado a ataques cardíacos, arritmia ou hipertensão. Pelo contrário, vários estudos sugerem que o café pode ajudar a reduzir este tipo de patologia.

3. Grávidas não devem beber café. O importante é que reduzam a dose diária, não que parem de beber café. Duas chávenas (80-100mg) diárias de café é aceitável.

4. Café desidrata. Errado. As evidências científicas não suportam um efeito diurético significativo e afirmam que o café pode contribuir para a ingestão diária de líquidos, não levando a desidratação ou a perdas significativas de fluidos corporais.

5. O consumo de café é viciante. Mito. Se remover a ingestão de café, é normal que sinta dores de cabeça e até maior sonolência, mas isso é só ao início. Se deixar de beber café de forma gradual, não passa por nenhum destes sintomas.

6. Descafeinado é mais saudável do que café. Mito: O descafeinado é apenas uma opção para os indivíduos mais sensíveis à cafeína ou que sentem dificuldade em adormecer.

Como nem tudo que se diz é mito, tome nota do que é verdade:

1. Beber café ao fim do dia ou à noite pode afectar o sono. Facto. Há muita gente sensível à cafeína, sendo por isso preferível que evitem beber café cerca de quatro horas antes de se deitarem.

2. Beber café aumenta o desempenho desportivo. Facto. O desempenho desportivo está directamente ligado ao consumo de cafeína (3-4mg/kg). Estudos comprovam e relacionam a ingestão de cafeína à performance, resistência e a uma redução na percepção de esforço.

3. Beber café ajuda na concentração e no estado de alerta. Facto. Uma porção de 75mg de cafeína, a quantidade encontrada em cerca de uma “bica”, é o suficiente para aumentar o estado de atenção e de alerta. Os efeitos estimulantes são observados entre 15 – 45 minutos após o consumo e normalmente duram cerca de quatro horas.

In jornal i online
Por Solange Sousa Mendes
publicado em 15 Mar 2012 – 17:25

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