354: Investigadores de Coimbra exploram terapia inovadora para doença de Alzheimer

 

 

CIÊNCIA/ALZHEIMER

Uma equipa de investigadores da Universidade de Coimbra (UC) descobriu “um possível novo alvo terapêutico para a doença de Alzheimer”, que poderá representar “um passo importante para o tratamento” dessa doença neuro-degenerativa.

© Maria João Gala /Global Imagens

A investigação procurou microARNs (“pequenas sequências genéticas com um papel regulador nas células”) que fossem “possíveis alvos terapêuticos inovadores para a doença de Alzheimer, tendo filtrado o microARN-31 como alvo promissor para este tipo de estratégias”, afirma a UC, numa nota enviada hoje à agência Lusa.

Desenvolvido por uma equipa de investigadores do Centro de Neuro-ciências e Biologia Celular (CNC) da UC, o estudo já foi publicado na revista científica Molecular Therapy – Nucleic Acids.

Actualmente sem terapias eficazes, a Alzheimer é “um dos maiores problemas de saúde mundial, tendo um grande impacto económico e social”, sublinha a UC.

A doença caracteriza-se pela progressiva degeneração e morte dos neurónios, especialmente na zona do hipocampo, a região do cérebro responsável pela formação e consolidação de memórias, explica a UC, referindo que se acredita que “a perda de função dos neurónios desta região estará na base da perda de memória observada na doença”.

Este trabalho de investigadores do CNC teve como objectivo principal “estudar se seria possível obter, através da modulação de um microARN específico, um efeito benéfico num modelo animal” da doença de Alzheimer”.

“Queríamos observar se aumentar os níveis do microARN-31 — já identificado em quantidades mais baixas no plasma de doentes, comparando com pessoas saudáveis da mesma idade — traria benefícios relevantes não só no que diz respeito às características histopatológicas da doença, como ao nível das alterações comportamentais características da patologia”, afirma Ana Luísa Cardoso, coordenadora do projecto.

Para avaliar os efeitos benéficos do microARN-31, os especialistas recorreram a um modelo animal de ratinho para o estudo da doença de Alzheimer, utilizando apenas fêmeas.

“Após injecção de um vírus geneticamente modificado que forçasse a expressão do microARN-31, foram avaliados marcadores da doença, como a acumulação de placas beta amilóide (aglomerados tóxicos de um peptídeo, característicos da doença) no cérebro dos animais, assim como a perda de função neuronal na zona do hipocampo”, explicita a UC.

Foram realizados também ensaios comportamentais, para aferir se o microARN-31 poderia prevenir a perda de memória associada à doença de Alzheimer.

“Uma das principais fases deste estudo focou-se no desenvolvimento de uma estratégia lentiviral, ou seja, uma ferramenta de expressão de um vírus, capaz de entregar o microARN-31 aos neurónios e passível de ser entregue no cérebro do modelo animal da doença de Alzheimer”, explica, citada pela UC, Ana Teresa Viegas, primeira autora do estudo.

“Posteriormente, quisemos avaliar a deposição de placas beta amilóide, a função neuronal e o comportamento dos animais após a injecção do microARN, e avaliar se existiam melhorias quando comparado com animais não tratados com a sequência genética”, adianta.

“Observámos que a expressão deste microARN no hipocampo dos animais levava a uma diminuição da deposição de placas beta amilóide, especialmente na zona do subículo – pequena área do hipocampo responsável pela memória de trabalho”, relata Ana Teresa Viegas.

Também se verificou, destaca a investigadora, que, “comparando com os animais não tratados, os animais que receberam o microARN-31 apresentavam menores défices neste tipo de memória, que é recrutada em tarefas simples do dia-a-dia, não implicando vários processos de aprendizagem”.

Simultaneamente, os investigadores observaram “menores níveis de ansiedade e de inflexibilidade cognitiva – características observadas nos humanos em fases iniciais da doença”, acrescenta Ana Teresa Viegas.

A opção de realizar o estudo em modelos animais fêmeas pretendeu “mostrar a relevância de se focarem alguns estudos de doenças neuro-degenerativas no sexo feminino, porque, especialmente no caso da doença de Alzheimer, esta é mais prevalecente em mulheres, e a grande maioria dos estudos são ou foram feitos em animais machos, ignorando possíveis diferenças entre sexos”, refere Ana Luísa Cardoso.

Na próxima fase do estudo, a equipa vai, designadamente, procurar compreender como a utilização deste microARN-31 poderá ser útil para o desenvolvimento de estratégias terapêuticas para outras doenças neuro-degenerativas.

O estudo contou ainda com a participação de Vítor Carmona, Elisabete Ferreiro, Joana Guedes, Pedro Cunha, Ana Maria Cardoso, Luís Pereira de Almeida, Catarina Resende de Oliveira e João Peça – também investigadores do CNC – e com a colaboração de João Pedro de Magalhães, investigador da Universidade de Liverpool, Reino Unido.

O projecto foi financiado pelo Fundo Europeu de Desenvolvimento Regional (FEDER), Fundação para a Ciência e Tecnologia (FCT), Bial e programa de acções Marie Curie.

Diário de Notícias

Lusa

352: Tecnologia ajuda pacientes de Alzheimer a recuperar a memória

 

SAÚDE/ALZHEIMER

Vielight
Neuro RX Gamma

Uma nova tecnologia semelhante a uns headphones pode ajudar a reverter os sintomas da doença de Alzheimer. O dispositivo aponta luz directamente para as regiões responsáveis pela memória no cérebro.

Uma empresa canadiana criou uma tecnologia que se pode revelar bastante útil para pacientes com a doença de Alzheimer, já que pode ser capaz de restaurar a memória das pessoas. Os cientistas responsáveis pela inovação acreditam que o brilho da luz directamente nas áreas do cérebro danificadas pela doença pode reverter o Alzheimer.

O dispositivo, chamado Neuro RX Gamma, assemelha-se a uns headphones e aponta luzes LED para o cérebro através do nariz e do crânio. Segundo o Tech Explorist, a tecnologia é adequada a um uso doméstico, não é invasiva e foca-se na região do cérebro responsável pela memória.

A luz infravermelha é enviada através de quatro díodos posicionados sobre o couro cabeludo e um posicionado dentro da narina. Os cientistas sugerem que a luz melhora as mitocôndrias que fornecem energia às células e estimula o cérebro a activar células imunes que combatem doenças e tentam livrar-se delas.

O Neuro RX Gamma aprimorou as habilidades de escrita e leitura, recuperou a memória, melhorou o sono, ansiedade e stress, reduziu o mau humor e aumentou o desenvolvimento cognitivo.

Além disso, em experiências iniciais, a inovação mostrou reverter os sintomas de Alzheimer, livrar-se de proteínas tóxicas acumulados no cérebro e melhorar as células responsáveis pela memória. Caso isto se confirme nos ensaios clínicos, esta será a primeira tecnologia capaz de reverter a doença.

ZAP //

Por ZAP
26 Abril, 2020


 

337: Alzheimer: cientistas conseguem reverter a demência. Mais próximos de uma cura

 

CIÊNCIA/ALZHEIMER

Cientistas revelaram que, pela primeira vez, conseguiram reverter a demência em testes realizados com roedores. Uma chance de cura para o Alzheimer está cada vez mais próxima.

Cientistas revelaram que, pela primeira vez, conseguiram reverter a demência em testes realizados com roedores. Uma chance de cura para o Alzheimer está cada vez mais próxima.

A revelação saiu no estudo publicado na Science Translational Medicine, onde sugere que o direccionamento da inflamação no cérebro pode deter a demência.

O cientista Barry Hart conseguiu sintetizou uma molécula, chamada IPW, que bloqueia os receptores que dão início à inflamação. Além de aliviar os sintomas, a droga consegue reparar a parte danificada.

“Quando eliminamos esse ‘nevoeiro’ da inflamação, em questão de dias o cérebro senil rejuvenesceu. É um achado que nos deixa muito optimistas porque mostra a plasticidade do cérebro e sua capacidade de recuperação”, disse a doutora Daniela Kaufer, da Universidade da Califórnia, em Berkeley.

O IPW, bloqueia um gene conhecido como TGF-β que alimenta a inflamação, desencadeando a albumina das proteínas no sangue.

“Agora temos dois biomarcadores que informam exactamente onde a barreira hematoencefálica está vazando, para que você possa seleccionar pacientes para tratamento e tomar decisões sobre quanto tempo administrará a droga”, afirmou Daniela Kaufer.

“Você pode segui-los e, quando a barreira hematoencefálica estiver curada, você não precisará mais da droga.”

“Quando você remove esse nevoeiro inflamatório, em poucos dias, o cérebro envelhecido age como um cérebro jovem. É uma descoberta muito, muito optimista, em termos da capacidade de plasticidade que existe no cérebro. Nós podemos reverter o envelhecimento cerebral”, disse.

Exames chamados de EEGs (electroencefalogramas) revelaram perturbações semelhantes das ondas cerebrais em humanos com Alzheimer, comprometimento cognitivo leve (MCI) e epilepsia.

Isso significa que barreiras com vazamentos e ritmos cerebrais anormais detectáveis por ressonância magnética e EEG, respectivamente, podem acabar sendo usados para sinalizar pessoas com demência – além de indicar uma óptima oportunidade de intervenção usando uma droga para retardar ou até reverter a doença.

Quando eles deram o medicamento aos ratos, em doses que diminuíram a actividade do gene, seus cérebros ficaram mais jovens. Houve menos inflamação e as ondas cerebrais melhoraram, bem como redução da susceptibilidade convulsiva.

Os ratos também navegaram em um labirinto e aprenderam tarefas espaciais da mesma forma que um rato mais jovem.

Em uma análise do tecido cerebral de humanos, o professor Kaufer encontrou evidências de albumina em cérebros envelhecidos e aumentou a neuro-inflamação e a produção de TGF-β.

O professor Friedman, da Universidade Ben-Gurion do Negev, em Israel, também desenvolveu uma técnica de varredura chamada DCE (Dynamic Contraste Enhanced) – um tipo especial de ressonância magnética. Isso detectou mais vazamentos na barreira hematoencefálica de pessoas com maior declínio cognitivo.

No total, essas evidências apontam para uma disfunção no sistema de filtragem de sangue do cérebro como um dos primeiros factores desencadeantes do envelhecimento neurológico, disse Kaufer.

Sua equipe agora abriu uma empresa para desenvolver um medicamento oficial que cure a barreira hematoencefálica para tratamento clínico e pode, eventualmente, terminar por ajudar os idosos com demência ou doença de Alzheimer que demonstraram vazamento da barreira hematoencefálica.

Uma excelente notícia para a medicina mundial, né?

Com informações do GNN

A Soma de Todos os Afetos
9 de Dezembro de 2019
Fabíola Simões

 

332: Nova vacina contra o Alzheimer pronta para avançar para testes em humanos

 

CIÊNCIA/SAÚDE/ALZHEIMER

la_petite_mtx / Flickr

Uma nova vacina que previne a neuro-degeneração associada ao Alzheimer deverá começar a ser testada em humanos dentro dos próximos dois anos.

A comunidade científica antecipa com grande ansiedade uma nova vacina capaz de prevenir a neuro-degeneração associada à doença de Alzheimer. Depois dos testes em ratos terem sido um verdadeiro sucesso, esta vacina está agora pronta para avançar para os testes em humanos já nos próximos dois anos.

Segundo o New Atlas, caso a experiência em seres humanos tenha sucesso esperado, este pode bem ser o principal avanço científico da próxima década. O estudo com os resultados foi recentemente publicado na revista científica Alzheimer’s Research & Therapy.

A vacina desenvolvida pela equipa de investigadores do Instituto de Medicina Molecular da Universidade da Califórnia gera anticorpos que previnem e removem a agregação de amilóides e tau no cérebro. A acumulação destas duas proteínas é uma das principais causas patológicas associadas à neuro-degeneração.

No passado, vários tratamentos apenas se focavam numa destas proteínas. No entanto, acredita-se que o Alzheimer possa surgir da acumulação excessiva de ambas. Assim, este novo tratamento combina duas vacinas: a AV-1959R e a AV-1980R, cada uma focada numa das proteínas.

“Em animais, podemos usá-la para impedir o desenvolvimento da perda de memória antes que o animal comece a acumular estas proteínas”, disse Nikolai Petrovsky, um dos cientistas envolvidos no estudo. “Mas também podemos mostrar que, mesmo quando administramos após os animais terem as proteínas, podemos realmente livrarmo-nos das proteínas anormais”, acrescentou.

É um momento emocionante para começar a nova década — espero que este seja o avanço científico da próxima década, se conseguirmos que funcione nos testes humanos”, atirou Petrovsky.

ZAP //

Por ZAP
10 Janeiro, 2020

 

330: Médicos estão a receitar LSD a pacientes com Alzheimer

 

SAÚDE/ALZHEIMER

Elisa Paolini / Flickr

Um grupo de médicos receitou a quase 50 pacientes idosos com doença de Alzheimer doses baixas de LSD para verificar se o medicamento psicadélico tinha algum impacto na sua cognição ou equilíbrio.

Drogas psicodélicas como o LSD são um tema muito discutido entre investigadores e médicos. Estudos anteriores indicaram que o medicamento poderia ajudar a tratar condições como dependência de álcool e depressão.

O novo estudo, publicado na semana passada na revista Psychopharmacology, era apenas um ensaio clínico de fase 1 – ou seja, o foco era muito mais a segurança do que a eficácia.

A investigação não mostrou sinais de que o LSD melhorasse as habilidades cognitivas dos pacientes com Alzheimer, de acordo com o New Atlas, mas forneceu evidências de que o medicamento psicadélico também não causou nenhum dano.

Ao mostrar que o LSD não prejudicou activamente os participantes voluntários, os médicos podem agora avançar com a próxima fase de estudos voltados para a identificação dos benefícios cognitivos – se houver – de micro-dosagem de LSD.

Com base nas suas descobertas, os investigadores do estudo suspeitam que os tratamentos com LSD possam prevenir ou tratar a inflamação cerebral, retardando ou interrompendo o declínio cognitivo dos pacientes com Alzheimer e outras formas de deterioração neural.

“O estudo fornece dados de segurança tranquilizadores e abre as portas para ensaios clínicos em larga escala para avaliar os potenciais efeitos terapêuticos do LSD”, concluiu Robin Carhart-Harris, do Centro de Pesquisa Psicodélica do Imperial College London, em declarações ao New Atlas.

ZAP //

Por ZAP
2 Janeiro, 2020

 

325: Os seus genes não são o único factor que determina o risco de Alzheimer

 

SAÚDE/DOENÇAS

Elisa Paolini / Flickr

O desenvolvimento da doença de Alzheimer não está exclusivamente ligado à genética, sugere um artigo científico publicado recentemente.

No primeiro estudo publicado sobre a doença de Alzheimer em trigémeos idênticos, os cientistas descobriram que, apesar de partilharem o mesmo ADN, só dois dos irmãos desenvolveram Alzheimer.

“Estas descobertas mostram que o seu código genético não determina se tem o desenvolvimento da doença de Alzheimer”, explicou Morris Freedman, autor do artigo científico publicado recentemente na revista Brain.

Há esperança para as pessoas que têm um forte histórico familiar de demência, uma vez que existem outros factores – ambiente ou estilo de vida – que podem proteger ou acelerar a demência”, acrescentou, citado pelo EurekAlert.

Os três irmãos, de 85 anos, tinham hipertensão, mas só os que sofriam de Alzheimer tinham um comportamento obsessivo-compulsivo de longa data.

A equipa de cientistas analisou a sequência genética e a idade biológica das células a partir de amostras de sangue de cada um dos trigémeos, assim como de cada um dos filhos dos irmãos com Alzheimer. Um das filhos desenvolveu Alzheimer de início precoce, aos 50 anos, enquanto que o outro não relatou qualquer sinal de demência.

Os cientistas sugerem que o início tardio da doença entre os trigémeos está, provavelmente, relacionado com um gene específico ligado a um risco maior de doença de Alzheimer – a apolipoproteína E4 (também conhecida como APOE4). Ainda assim a equipa não conseguiu explicar o início precoce da doença de Alzheimer no filho de um dos trigémeos.

A equipa também descobriu que, apesar de os trigémeos serem octogenários na altura do estudo, a idade biológica das células era seis a dez anos mais nova do que a idade cronológica. Por outro lado, um dos filhos do trigémeo, que desenvolveu Alzheimer de início precoce, tinha uma idade biológica nove anos mais velha que a idade cronológica. O outro filho do mesmo trigémeo, que não tinha demência, apresentou uma idade biológica muito próxima à idade real.

“O ADN com o qual morremos não é necessariamente o que temos quando somos bebés, o que pode estar relacionado ao motivo pelo qual dois dos trigémeos desenvolveram a doença e o outro não”, esclareceu Ekaterina Rogaeva, outra autora do artigo. “À medida que envelhecemos, o nosso ADN envelhece connosco e, como consequência, algumas células podem sofrer mutações.”

Além disso, existem outros factores químicos ou ambientais que, apesar de não alterarem os genes, afectam a maneira como são expressos.

ZAP //

Por ZAP
16 Dezembro, 2019

 

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