321: Azeite extra-virgem pode proteger contra vários tipos de demência

 

SAÚDE

stankuns / Flickr

Consumir azeite extra-virgem pode evitar a evolução de várias formas de demência, descobriu uma equipa de cientistas da Temple University, nos Estados Unidos.

Reduzir o colesterol alto e o risco de doenças cardíacas são duas das mais-valias já conhecidas do azeite extra-virgem. No entanto, vários estudos sugerem que o azeite extra-virgem também traz benefícios cognitivos e neuro-protectores.

Uma investigação de 2012 descobriu, por exemplo, que o azeite melhora a aprendizagem e o desempenho de roedores em testes de memória. O azeite é rico em polifenois, poderosos compostos antioxidantes que podem reverter os efeitos relacionados com a doença ou com o envelhecimento.

Em 2017, outro estudo descobriu que o azeite extra-virgem reduz os primeiros sinais neurológicos da doença de Alzheimer em ratos. A intervenção com azeite extra-virgem melhorou a autofagia – a capacidade de as células cerebrais eliminarem resíduos tóxicos – e ajudou a manter a integridade das sinapses.

Agora, Domenico Praticò, professor dos Departamentos de Farmacologia e Microbiologia e do Centro de Medicina Translacional da Escola de Medicina Lewis Katz da Temple University, na Filadélfia, Estados Unidos, liderou uma nova equipa num estudo sobre os benefícios neurológicos do azeite extra-virgem.

Os cientistas analisaram o efeito do óleo nas tauopatias – condições cognitivas relacionadas à idade em que a proteína Tau se acumula a níveis tóxicos no cérebro, desencadeando várias formas de demência, adianta o Medical News Today.

Os investigadores modificaram geneticamente roedores, de modo a tenderem a acumular quantidades excessivas da proteína Tau normal. Na doença de Alzheimer e na demência fronto-temporal, esta proteína acumula-se no interior dos neurónios.

Já num cérebro saudável, níveis normais de Tau ajudam a estabilizar os microtúbulos. Nas tauopatias, quando a proteína se acumula no interior dos neurónios, impede que as células nervosas recebam nutrientes e comuniquem com outros neurónios, levando à morte dos mesmos.

No estudo, os ratos começaram uma dieta rica em azeite extra-virgem a partir dos 6 meses de idade, o que equivale a cerca de 30 anos de idade humana. Outros roedores, que também eram propensos a acumulações de Tau, continuaram a ter uma dieta regular.

Um ano depois – o que equivale a cerca de 60 anos da idade humana – as experiências revelaram que os roedores propensos a tauopatia tinham 60% menos depósitos de tau do que os roedores que não receberam uma dieta enriquecida com azeite extra-virgem. As novas descobertas foram publicadas recentemente na Aging Cell.

Os roedores que receberam azeite extra-virgem também tiveram melhor desempenho em labirintos e em novos testes de memória de reconhecimento de objectos. “O azeite  extra-virgem faz parte da dieta humana há muito tempo e traz muitos benefícios à saúde, por razões que ainda não compreendemos totalmente”, explica Praticò.

“A possibilidade de o azeite extra-virgem poder proteger o cérebro contra diferentes formas de demência dá-nos a oportunidade de aprender mais sobre os mecanismos pelos quais actua de forma a apoiar a saúde do cérebro”, remata.

ZAP //

Por ZAP
1 Dezembro, 2019

 

320: Na maior família do mundo com Alzheimer, uma mulher escapou

 

CIÊNCIA/SAÚDE

Na maior família do mundo com Alzheimer, uma mulher parece ter a chave para a prevenção. Apesar de ter um alto risco genético de desenvolver a doença aos 40 anos, a colombiana escapou devido a uma mutação rara no seu ADN.

Durante várias gerações, milhares de parentes desta mulher na cidade de Medellín, na Colômbia, têm sido atormentados por uma mutação genética – conhecida como E280A – que leva à demência precoce.

Esta peculiaridade genética em particular afecta apenas um pequeno subconjunto de pacientes com Alzheimer, muitos dos quais vivem nesta cidade, e quase sempre leva ao declínio cognitivo a partir dos 44 anos.

Durante décadas, neurologistas estiveram fascinados por esta mutação e pela família que a carrega. No entanto, dos seis mil membros vivos deste grande clã, há um indivíduo que se destaca. Apesar de ter o mesmo risco genético que muitos dos seus parentes e um cérebro cheio de sinais marcantes da doença de Alzheimer, a memória desta mulher permaneceu notavelmente resistente.

De acordo com os neurologistas, a mulher não mostrou sinais de declínio cognitivo até atingir os 70 anos, três décadas mais tarde do que se esperava. Agora, os investigadores pensam que descobriram a razão, que pode ser outra mutação.

Analisando o cérebro e sequenciando o genoma de 1.200 membros da família, a equipa descobriu uma peculiaridade genética rara que poderia fornecer imunidade ao início precoce da doença. Os autores suspeitam que duas cópias de um gene chamado APOE3 Christchurch sejam responsáveis, pois a mulher parece ser a única no grupo que possuía os dois. Aqueles com apenas uma cópia da variação também apresentaram declínio cognitivo de início precoce.

Ao analisar o cérebro da mulher, os investigadores encontraram os níveis mais altos registados de proteínas amilóides. Estes aglomerados são marcas registadas da doença de Alzheimer. Assim como os seus parentes, a mutação genética da mulher colombiana, E280A, está ligada à superprodução de placas amilóides.

Para os autores do estudo, que foi publicado na segunda-feira na revista especializada Nature Medicine, pensam que os genes especiais desta mulher são um trunfo. “Ela tem um segredo na sua biologia”, disse o neurologista colombiano Francisco Lopera ao The New York Times. “Este caso é uma grande janela para descobrir novas abordagens.”

“Esperamos que as nossas descobertas galvanizem e informem a descoberta de medicamentos e terapias genéticas, para que possamos testá-los em estudos de tratamento e prevenção o mais rápido possível”, disse Eric Reiman, neuro-cientista no Banner Alzheimer’s Institute ao Harvard Gazette.

Yadong Huang, neuro-cientista do Gladstone Institutes, em San Francisco, que não participou na investigação, disse à revista Science que o caso é “muito especial” e pode abrir novos caminhos para pesquisa e terapia.

Michael Greicius, da Universidade de Stanford, concorda, chamando o estudo de “excelente e instigante”, mas lembrou à STAT News que este era apenas um caso extremamente incomum. Aliás, a genética da mulher pode mesmo ser totalmente único.

ZAP //

Por ZAP
7 Novembro, 2019


 

314: Perda cognitiva de um ano de Alzheimer revertida em apenas dois meses

 

CIÊNCIA e SAÚDE

Uma das maneiras mais promissoras a serem investigadas para tratar e controlar a doença de Alzheimer, é a de utilização de ondas electromagnéticas capazes de reverter a perda de memória. Um estudo-piloto recorreu a este método e conseguiu alguns resultados entusiasmantes.

O estudo foi realizado em apenas oito exercícios durante dois meses, razão pela qual os resultados ainda não são totalmente conclusivos, mas os investigados observaram um “desempenho cognitivo aprimorado” em sete dos exercícios.

Os pacientes — que sofrem de Alzheimer leve e moderada — receberam uma touca MemorEM, que utiliza emissores criados especialmente para gerar um fluxo específico de ondas electromagnéticas através do crânio. O tratamento foi realizado duas vezes por dia, durante o período de uma hora, e é muito simples de administrar em casa.

O equipamento MemorEM está a ser criado pela NeuroEM Therapeutics, e é importante especificar que dois dos cientistas responsáveis por este estudo são fundadores da empresa — razão pela qual poderá haver interesses comerciais.

No entanto, a investigação gerou um artigo publicado há três meses na revista científica Journal of Alzheimer’s Disease e revisto por pares, mostrando alguns resultados que certamente deveriam ser investigados mais a fundo.

“Talvez o melhor indicativo de que os dois meses de tratamento tiveram um efeito clinicamente importante nos pacientes com Alzheimer neste estudo seja que nenhum dos pacientes quis devolver o dispositivo ao Instituto da Universidade do Sul da Florida após o estudo ser terminado”, disse o biólogo Gary Arendash, CEO da NeuroEM Therapeutics. De acordo com Arendash, um dos pacientes disse: “Voltei”.

O estudo tem como base investigações anteriores desta mesma equipa que se concentraram em roedores, que demonstraram que a touca electromagnética transcraniana (TEMT) seria capaz de proteger o cérebro contra a perda de memória ou até mesmo reverter perda anterior em ratos mais velhos.

A touca parece capaz de deteriorar as proteínas beta-amilóide tóxicas e também as proteínas tau que têm uma forte relação com o Alzheimer: as ondas parecem ser capazes de desestabilizar as ligações fracas de hidrogénio que mantêm os aminoácidos unidos.

Aparentemente estas proteínas entopem o cérebro destruindo e sufocando os neurónios necessários para a manutenção das memórias, falar a partir de pensamentos, entre outros processos cognitivos fundamentais para o nosso funcionamento.

Através de uma série de testes cognitivos, criados para medir o nível de demência, a influência das ondas electromagnéticas foi vista como “grande e clinicamente importante”. A escala de medida do ADAS-Cog varia entre uma média de cinco pontos para alguém sem Alzheimer, para uma média de 31 pontos para quem sofre da doença.

O estudo observou uma mudança positiva na média superior a quatro pontos em sete dos oito voluntários. Esta mudança corresponde a uma redução cognitiva de mais de um ano em pacientes com Alzheimer — portanto equivaleu a um ano do impacto negativo de Alzheimer revertido num espaço de apenas dois meses.

O estudo também demonstrou que nenhum dos participantes pareceu sofrer efeitos colaterais ou quaisquer danos no cérebro. O próximo passo será um estudo maior, envolvendo mais pacientes. A empresa está planear um estudo a envolver 150 voluntários já para este ano. Caso demonstre que o tratamento TEMT é eficaz e seguro, poderá alcançar a aprovação necessária para a comercialização do equipamento.

“Apesar dos esforços significativos durante quase 20 anos, interromper ou reverter o comprometimento da memória em pessoas com Alzheimer iludiu os investigadores”, disse Amanda Smith, neuro-cientista da Universidade do Sul da Florida.

“Estes resultados fornecem evidências preliminares de que a administração do TEMT avaliada neste pequeno estudo pode ter a capacidade de melhorar o desempenho cognitivo em pacientes com doença leve e moderada”.

ZAP // HypeScience

Por ZAP
29 Setembro, 2019

310: Alzheimer ataca regiões do cérebro que nos mantêm acordados durante o dia

 

la_petite_mtx / Flickr

Demasiadas sonecas durante o dia são um dos primeiros sinais externos do Alzheimer, embora seja difícil dizer por que isso acontece. Alguns cientistas sugeriram que a doença perturba as regiões do cérebro que promovem o sono, enquanto outros dizem que a falta dele é o que impulsiona o declínio cognitivo.

Segundo o Science Alert, investigadores da Universidade da Califórnia em São Francisco (UCSF), nos Estados Unidos, apresentam agora uma nova explicação. Ao analisar os tecidos cerebrais após a morte de 13 pacientes com a doença e de sete controles saudáveis, a equipa sugere que o Alzheimer ataca directamente regiões do cérebro que nos mantêm acordados durante o dia.

“É notável porque não é apenas um único núcleo cerebral que se está a degenerar, mas toda a rede promotora da vigília. Crucialmente, isso significa que o cérebro não tem forma de compensar porque todos esses tipos de células funcionalmente relacionados estão a ser destruídos ao mesmo tempo”, diz Jun Oh, principal autor do estudo publicado na revista Alzheimer’s & Dementia.

Embora a proteína tau e a beta-amilóide sejam marcas desta doença, uma superabundância da primeira pode contribuir mais para a degeneração cerebral, levando directamente a sintomas como o sono fragmentado.

Um estudo publicado no início deste ano descobriu que pessoas mais velhas que apresentam menos sono de ondas lentas têm níveis mais altos da proteína tau. Os autores sugeriram que, embora esses pacientes estivessem a dormir durante mais tempo, a natureza perturbada desse sono estava a causar sonolência diurna excessiva.

Oh e os seus colegas têm uma teoria diferente. Em vez de partirem da falta de sono da noite anterior, eles sugerem que a sonolência diurna excessiva é causada pela degeneração directa dos neurónios promotores da vigília.

Ao analisar o tecido cerebral, a equipa encontrou uma acumulação significativa de tau em três centros cerebrais promotores da vigília, incluindo o locus coeruleus (LC), a área hipotalâmica lateral (LHA) e o nucleus tuberomammillaris (TMN). Este complexo sistema perdeu até 75% dos seus neurónios.

“O nosso trabalho mostra evidências definitivas de que as áreas do cérebro que promovem a vigília degeneram devido à acumulação da proteína tau — e não amilóide — desde os primeiros estágios da doença”, afirma Lea Grinberg, outra autora do estudo e neurologista e patologista da UCSF.

Entre as muitas fatalidades, havia um tipo de neurónio na LHA que produz um neuropeptídeo chamado orexina. Este neurónio desempenha um papel crucial na vigília: quando é apagado em cobaias, os animais mostram padrões semelhantes aos da narcolepsia — um distúrbio crónico do sono caracterizado pela sonolência diurna.

Nos cérebros dos pacientes com Alzheimer, os investigadores encontraram a orexina praticamente aniquilada. Aliás, a abundância desses neurónios produtores de orexina havia diminuído em mais de 71%.

“Para colocar isso noutra perspectiva, os pacientes com narcolepsia… foram relatados para mostrar uma redução de 85%-95% no número de neurónios orexinérgicos, quase comparáveis ao que vemos em pacientes com Alzheimer”, escrevem os autores.

Embora a doença esteja mais frequentemente associada a problemas de memória, os problemas de sono são uma queixa comum que pode aparecer muito mais cedo. Como tal, os cientistas estão curiosos para saber se esta sonolência excessiva pode de alguma forma ajudar a diagnosticar o Alzheimer de forma mais precoce e eficaz.

ZAP //

Por ZAP
21 Agosto, 2019

 

304: Há uma planta sempre presente na nossa cozinha que previne a perda de memória

 

(CC0/PD) TheVirtualDenise / Pixabay

Ingerir alho pode prevenir o esquecimento, sobretudo em pacientes com Alzheimer ou Parkinson. O benefício vem do sulfeto alílico.

O consumo de alho ajuda a neutralizar as mudanças relacionadas à idade nas bactérias intestinais associadas a problemas de memória, segundo um estudo recente, realizado em cobaias. O benefício vem do sulfeto alílico, um composto presente no alho e conhecido pelos seus benefícios para a saúde.

“A nossa descoberta sugere que a administração dietética de alho, contendo sulfeto alílico, pode ajudar a manter microrganismos intestinais saudáveis e melhorar a saúde cognitiva em idosos”, afirmou Jyotirmaya Behera, líder da equipa de cientistas da Universidade de Louisville, nos Estados Unidos.

Na prática, este composto restaura triliões de microrganismos, também conhecidos como microbiota, no intestino. Pesquisas anteriores já haviam sublinhado a importância da microbiota intestinal para a saúde humana, mas poucos estudos haviam explorado o bem-estar do intestino e as doenças neurológicas normalmente associadas ao envelhecimento.

“A diversidade da microbiota intestinal é diminuída em pessoas idosas, um estágio da vida em que as doenças neuro-degenerativas, como o Alzheimer e o Parkinson, se desenvolvem, e as habilidades cognitivas e de memória podem diminuir”, disse Neetu Tyagi, cientista que fez parte da equipa responsável e co-autora deste estudo.

“Quisemos entender melhor como as alterações na microbiota intestinal estão relacionadas ao declínio cognitivo associado ao envelhecimento”, acrescentou, citada pelo Science Daily.

Behera adiantou que os dados sugerem que o consumo dietético de alho “pode ajudar a manter os microrganismos do intestino saudáveis e melhorar a capacidade cognitiva e de raciocínio na população mais idosa”.

Os cientistas testaram esta teoria em ratos idosos de 24 meses, o que equivale à idade humana entre os 56 e os 69 anos. A estas cobaias foi-lhes dado sulfeto alílico e os animais foram, posteriormente, comparados a ratos mais novos e da mesma idade que não receberam aquela substância.

Os resultados desta experiência revelaram que os roedores mais velhos que consumiram o suplemento revelaram ter uma melhor memória a curto e médio prazo, assim como uma melhor saúde intestinal.

Além disso, pesquisas subsequentes concluíram que o sulfeto alílico preserva ainda uma expressão genética derivada de um factor neuronal natriurético no cérebro que é crucial para a preservação da memória. As descobertas foram anunciadas na reunião anual da American Physiological Society, em Orlando, Florida.

Ainda assim, as experiências continuam. Os cientistas têm como objectivo entender melhor a relação entre a microbiota intestinal e o declínio cognitivo como tratamento no envelhecimento da população.

ZAP //

Por ZAP
14 Abril, 2019

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295: Injecção capaz de travar Alzheimer pode estar disponível em 10 anos

 

© iStock Injecção capaz de travar Alzheimer pode estar disponível em 10 anos

Uma injecção com o potencial de deter o aparecimento da doença de Alzheimer poderá estar disponível no mercado dentro de uma década, refere a Alzheimer’s Society (associação de caridade britânica dedicada ao estudo da demência).

O médico James Pickett, investigador chefe naquela organização, disse à publicação The Telegraph, que as recentes descobertas revolucionárias levaram os cientistas a um “ponto de viragem”.

Acrescentando: “Neste momento estamos a começar a conseguir juntar inúmeras peças do puzzle, que estão finalmente a fazer sentido. Temos todo este conhecimento sobre genética, tal como os investigadores de doenças cancerígenas tinham há 30 anos, e estamos agora a investir no seu conhecimento e exploração”.

A injecção iria isolar e aniquilar as proteínas prejudiciais que se acumulam no cérebro.

As declarações chegam após a realização de ensaios científicos “revolucionários” que envolveram o isolamento das ditas proteínas em crianças que padeciam de uma condição rara na espinha.

msn lifestyle
Liliana Lopes Monteiro
02/01/2019

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