332: Nova vacina contra o Alzheimer pronta para avançar para testes em humanos

 

CIÊNCIA/SAÚDE/ALZHEIMER

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Uma nova vacina que previne a neuro-degeneração associada ao Alzheimer deverá começar a ser testada em humanos dentro dos próximos dois anos.

A comunidade científica antecipa com grande ansiedade uma nova vacina capaz de prevenir a neuro-degeneração associada à doença de Alzheimer. Depois dos testes em ratos terem sido um verdadeiro sucesso, esta vacina está agora pronta para avançar para os testes em humanos já nos próximos dois anos.

Segundo o New Atlas, caso a experiência em seres humanos tenha sucesso esperado, este pode bem ser o principal avanço científico da próxima década. O estudo com os resultados foi recentemente publicado na revista científica Alzheimer’s Research & Therapy.

A vacina desenvolvida pela equipa de investigadores do Instituto de Medicina Molecular da Universidade da Califórnia gera anticorpos que previnem e removem a agregação de amilóides e tau no cérebro. A acumulação destas duas proteínas é uma das principais causas patológicas associadas à neuro-degeneração.

No passado, vários tratamentos apenas se focavam numa destas proteínas. No entanto, acredita-se que o Alzheimer possa surgir da acumulação excessiva de ambas. Assim, este novo tratamento combina duas vacinas: a AV-1959R e a AV-1980R, cada uma focada numa das proteínas.

“Em animais, podemos usá-la para impedir o desenvolvimento da perda de memória antes que o animal comece a acumular estas proteínas”, disse Nikolai Petrovsky, um dos cientistas envolvidos no estudo. “Mas também podemos mostrar que, mesmo quando administramos após os animais terem as proteínas, podemos realmente livrarmo-nos das proteínas anormais”, acrescentou.

É um momento emocionante para começar a nova década — espero que este seja o avanço científico da próxima década, se conseguirmos que funcione nos testes humanos”, atirou Petrovsky.

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10 Janeiro, 2020

 

330: Médicos estão a receitar LSD a pacientes com Alzheimer

 

SAÚDE/ALZHEIMER

Elisa Paolini / Flickr

Um grupo de médicos receitou a quase 50 pacientes idosos com doença de Alzheimer doses baixas de LSD para verificar se o medicamento psicadélico tinha algum impacto na sua cognição ou equilíbrio.

Drogas psicodélicas como o LSD são um tema muito discutido entre investigadores e médicos. Estudos anteriores indicaram que o medicamento poderia ajudar a tratar condições como dependência de álcool e depressão.

O novo estudo, publicado na semana passada na revista Psychopharmacology, era apenas um ensaio clínico de fase 1 – ou seja, o foco era muito mais a segurança do que a eficácia.

A investigação não mostrou sinais de que o LSD melhorasse as habilidades cognitivas dos pacientes com Alzheimer, de acordo com o New Atlas, mas forneceu evidências de que o medicamento psicadélico também não causou nenhum dano.

Ao mostrar que o LSD não prejudicou activamente os participantes voluntários, os médicos podem agora avançar com a próxima fase de estudos voltados para a identificação dos benefícios cognitivos – se houver – de micro-dosagem de LSD.

Com base nas suas descobertas, os investigadores do estudo suspeitam que os tratamentos com LSD possam prevenir ou tratar a inflamação cerebral, retardando ou interrompendo o declínio cognitivo dos pacientes com Alzheimer e outras formas de deterioração neural.

“O estudo fornece dados de segurança tranquilizadores e abre as portas para ensaios clínicos em larga escala para avaliar os potenciais efeitos terapêuticos do LSD”, concluiu Robin Carhart-Harris, do Centro de Pesquisa Psicodélica do Imperial College London, em declarações ao New Atlas.

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2 Janeiro, 2020

 

325: Os seus genes não são o único factor que determina o risco de Alzheimer

 

SAÚDE/DOENÇAS

Elisa Paolini / Flickr

O desenvolvimento da doença de Alzheimer não está exclusivamente ligado à genética, sugere um artigo científico publicado recentemente.

No primeiro estudo publicado sobre a doença de Alzheimer em trigémeos idênticos, os cientistas descobriram que, apesar de partilharem o mesmo ADN, só dois dos irmãos desenvolveram Alzheimer.

“Estas descobertas mostram que o seu código genético não determina se tem o desenvolvimento da doença de Alzheimer”, explicou Morris Freedman, autor do artigo científico publicado recentemente na revista Brain.

Há esperança para as pessoas que têm um forte histórico familiar de demência, uma vez que existem outros factores – ambiente ou estilo de vida – que podem proteger ou acelerar a demência”, acrescentou, citado pelo EurekAlert.

Os três irmãos, de 85 anos, tinham hipertensão, mas só os que sofriam de Alzheimer tinham um comportamento obsessivo-compulsivo de longa data.

A equipa de cientistas analisou a sequência genética e a idade biológica das células a partir de amostras de sangue de cada um dos trigémeos, assim como de cada um dos filhos dos irmãos com Alzheimer. Um das filhos desenvolveu Alzheimer de início precoce, aos 50 anos, enquanto que o outro não relatou qualquer sinal de demência.

Os cientistas sugerem que o início tardio da doença entre os trigémeos está, provavelmente, relacionado com um gene específico ligado a um risco maior de doença de Alzheimer – a apolipoproteína E4 (também conhecida como APOE4). Ainda assim a equipa não conseguiu explicar o início precoce da doença de Alzheimer no filho de um dos trigémeos.

A equipa também descobriu que, apesar de os trigémeos serem octogenários na altura do estudo, a idade biológica das células era seis a dez anos mais nova do que a idade cronológica. Por outro lado, um dos filhos do trigémeo, que desenvolveu Alzheimer de início precoce, tinha uma idade biológica nove anos mais velha que a idade cronológica. O outro filho do mesmo trigémeo, que não tinha demência, apresentou uma idade biológica muito próxima à idade real.

“O ADN com o qual morremos não é necessariamente o que temos quando somos bebés, o que pode estar relacionado ao motivo pelo qual dois dos trigémeos desenvolveram a doença e o outro não”, esclareceu Ekaterina Rogaeva, outra autora do artigo. “À medida que envelhecemos, o nosso ADN envelhece connosco e, como consequência, algumas células podem sofrer mutações.”

Além disso, existem outros factores químicos ou ambientais que, apesar de não alterarem os genes, afectam a maneira como são expressos.

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16 Dezembro, 2019

 

321: Azeite extra-virgem pode proteger contra vários tipos de demência

 

SAÚDE

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Consumir azeite extra-virgem pode evitar a evolução de várias formas de demência, descobriu uma equipa de cientistas da Temple University, nos Estados Unidos.

Reduzir o colesterol alto e o risco de doenças cardíacas são duas das mais-valias já conhecidas do azeite extra-virgem. No entanto, vários estudos sugerem que o azeite extra-virgem também traz benefícios cognitivos e neuro-protectores.

Uma investigação de 2012 descobriu, por exemplo, que o azeite melhora a aprendizagem e o desempenho de roedores em testes de memória. O azeite é rico em polifenois, poderosos compostos antioxidantes que podem reverter os efeitos relacionados com a doença ou com o envelhecimento.

Em 2017, outro estudo descobriu que o azeite extra-virgem reduz os primeiros sinais neurológicos da doença de Alzheimer em ratos. A intervenção com azeite extra-virgem melhorou a autofagia – a capacidade de as células cerebrais eliminarem resíduos tóxicos – e ajudou a manter a integridade das sinapses.

Agora, Domenico Praticò, professor dos Departamentos de Farmacologia e Microbiologia e do Centro de Medicina Translacional da Escola de Medicina Lewis Katz da Temple University, na Filadélfia, Estados Unidos, liderou uma nova equipa num estudo sobre os benefícios neurológicos do azeite extra-virgem.

Os cientistas analisaram o efeito do óleo nas tauopatias – condições cognitivas relacionadas à idade em que a proteína Tau se acumula a níveis tóxicos no cérebro, desencadeando várias formas de demência, adianta o Medical News Today.

Os investigadores modificaram geneticamente roedores, de modo a tenderem a acumular quantidades excessivas da proteína Tau normal. Na doença de Alzheimer e na demência fronto-temporal, esta proteína acumula-se no interior dos neurónios.

Já num cérebro saudável, níveis normais de Tau ajudam a estabilizar os microtúbulos. Nas tauopatias, quando a proteína se acumula no interior dos neurónios, impede que as células nervosas recebam nutrientes e comuniquem com outros neurónios, levando à morte dos mesmos.

No estudo, os ratos começaram uma dieta rica em azeite extra-virgem a partir dos 6 meses de idade, o que equivale a cerca de 30 anos de idade humana. Outros roedores, que também eram propensos a acumulações de Tau, continuaram a ter uma dieta regular.

Um ano depois – o que equivale a cerca de 60 anos da idade humana – as experiências revelaram que os roedores propensos a tauopatia tinham 60% menos depósitos de tau do que os roedores que não receberam uma dieta enriquecida com azeite extra-virgem. As novas descobertas foram publicadas recentemente na Aging Cell.

Os roedores que receberam azeite extra-virgem também tiveram melhor desempenho em labirintos e em novos testes de memória de reconhecimento de objectos. “O azeite  extra-virgem faz parte da dieta humana há muito tempo e traz muitos benefícios à saúde, por razões que ainda não compreendemos totalmente”, explica Praticò.

“A possibilidade de o azeite extra-virgem poder proteger o cérebro contra diferentes formas de demência dá-nos a oportunidade de aprender mais sobre os mecanismos pelos quais actua de forma a apoiar a saúde do cérebro”, remata.

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1 Dezembro, 2019

 

320: Na maior família do mundo com Alzheimer, uma mulher escapou

 

CIÊNCIA/SAÚDE

Na maior família do mundo com Alzheimer, uma mulher parece ter a chave para a prevenção. Apesar de ter um alto risco genético de desenvolver a doença aos 40 anos, a colombiana escapou devido a uma mutação rara no seu ADN.

Durante várias gerações, milhares de parentes desta mulher na cidade de Medellín, na Colômbia, têm sido atormentados por uma mutação genética – conhecida como E280A – que leva à demência precoce.

Esta peculiaridade genética em particular afecta apenas um pequeno subconjunto de pacientes com Alzheimer, muitos dos quais vivem nesta cidade, e quase sempre leva ao declínio cognitivo a partir dos 44 anos.

Durante décadas, neurologistas estiveram fascinados por esta mutação e pela família que a carrega. No entanto, dos seis mil membros vivos deste grande clã, há um indivíduo que se destaca. Apesar de ter o mesmo risco genético que muitos dos seus parentes e um cérebro cheio de sinais marcantes da doença de Alzheimer, a memória desta mulher permaneceu notavelmente resistente.

De acordo com os neurologistas, a mulher não mostrou sinais de declínio cognitivo até atingir os 70 anos, três décadas mais tarde do que se esperava. Agora, os investigadores pensam que descobriram a razão, que pode ser outra mutação.

Analisando o cérebro e sequenciando o genoma de 1.200 membros da família, a equipa descobriu uma peculiaridade genética rara que poderia fornecer imunidade ao início precoce da doença. Os autores suspeitam que duas cópias de um gene chamado APOE3 Christchurch sejam responsáveis, pois a mulher parece ser a única no grupo que possuía os dois. Aqueles com apenas uma cópia da variação também apresentaram declínio cognitivo de início precoce.

Ao analisar o cérebro da mulher, os investigadores encontraram os níveis mais altos registados de proteínas amilóides. Estes aglomerados são marcas registadas da doença de Alzheimer. Assim como os seus parentes, a mutação genética da mulher colombiana, E280A, está ligada à superprodução de placas amilóides.

Para os autores do estudo, que foi publicado na segunda-feira na revista especializada Nature Medicine, pensam que os genes especiais desta mulher são um trunfo. “Ela tem um segredo na sua biologia”, disse o neurologista colombiano Francisco Lopera ao The New York Times. “Este caso é uma grande janela para descobrir novas abordagens.”

“Esperamos que as nossas descobertas galvanizem e informem a descoberta de medicamentos e terapias genéticas, para que possamos testá-los em estudos de tratamento e prevenção o mais rápido possível”, disse Eric Reiman, neuro-cientista no Banner Alzheimer’s Institute ao Harvard Gazette.

Yadong Huang, neuro-cientista do Gladstone Institutes, em San Francisco, que não participou na investigação, disse à revista Science que o caso é “muito especial” e pode abrir novos caminhos para pesquisa e terapia.

Michael Greicius, da Universidade de Stanford, concorda, chamando o estudo de “excelente e instigante”, mas lembrou à STAT News que este era apenas um caso extremamente incomum. Aliás, a genética da mulher pode mesmo ser totalmente único.

ZAP //

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7 Novembro, 2019


 

314: Perda cognitiva de um ano de Alzheimer revertida em apenas dois meses

 

CIÊNCIA e SAÚDE

Uma das maneiras mais promissoras a serem investigadas para tratar e controlar a doença de Alzheimer, é a de utilização de ondas electromagnéticas capazes de reverter a perda de memória. Um estudo-piloto recorreu a este método e conseguiu alguns resultados entusiasmantes.

O estudo foi realizado em apenas oito exercícios durante dois meses, razão pela qual os resultados ainda não são totalmente conclusivos, mas os investigados observaram um “desempenho cognitivo aprimorado” em sete dos exercícios.

Os pacientes — que sofrem de Alzheimer leve e moderada — receberam uma touca MemorEM, que utiliza emissores criados especialmente para gerar um fluxo específico de ondas electromagnéticas através do crânio. O tratamento foi realizado duas vezes por dia, durante o período de uma hora, e é muito simples de administrar em casa.

O equipamento MemorEM está a ser criado pela NeuroEM Therapeutics, e é importante especificar que dois dos cientistas responsáveis por este estudo são fundadores da empresa — razão pela qual poderá haver interesses comerciais.

No entanto, a investigação gerou um artigo publicado há três meses na revista científica Journal of Alzheimer’s Disease e revisto por pares, mostrando alguns resultados que certamente deveriam ser investigados mais a fundo.

“Talvez o melhor indicativo de que os dois meses de tratamento tiveram um efeito clinicamente importante nos pacientes com Alzheimer neste estudo seja que nenhum dos pacientes quis devolver o dispositivo ao Instituto da Universidade do Sul da Florida após o estudo ser terminado”, disse o biólogo Gary Arendash, CEO da NeuroEM Therapeutics. De acordo com Arendash, um dos pacientes disse: “Voltei”.

O estudo tem como base investigações anteriores desta mesma equipa que se concentraram em roedores, que demonstraram que a touca electromagnética transcraniana (TEMT) seria capaz de proteger o cérebro contra a perda de memória ou até mesmo reverter perda anterior em ratos mais velhos.

A touca parece capaz de deteriorar as proteínas beta-amilóide tóxicas e também as proteínas tau que têm uma forte relação com o Alzheimer: as ondas parecem ser capazes de desestabilizar as ligações fracas de hidrogénio que mantêm os aminoácidos unidos.

Aparentemente estas proteínas entopem o cérebro destruindo e sufocando os neurónios necessários para a manutenção das memórias, falar a partir de pensamentos, entre outros processos cognitivos fundamentais para o nosso funcionamento.

Através de uma série de testes cognitivos, criados para medir o nível de demência, a influência das ondas electromagnéticas foi vista como “grande e clinicamente importante”. A escala de medida do ADAS-Cog varia entre uma média de cinco pontos para alguém sem Alzheimer, para uma média de 31 pontos para quem sofre da doença.

O estudo observou uma mudança positiva na média superior a quatro pontos em sete dos oito voluntários. Esta mudança corresponde a uma redução cognitiva de mais de um ano em pacientes com Alzheimer — portanto equivaleu a um ano do impacto negativo de Alzheimer revertido num espaço de apenas dois meses.

O estudo também demonstrou que nenhum dos participantes pareceu sofrer efeitos colaterais ou quaisquer danos no cérebro. O próximo passo será um estudo maior, envolvendo mais pacientes. A empresa está planear um estudo a envolver 150 voluntários já para este ano. Caso demonstre que o tratamento TEMT é eficaz e seguro, poderá alcançar a aprovação necessária para a comercialização do equipamento.

“Apesar dos esforços significativos durante quase 20 anos, interromper ou reverter o comprometimento da memória em pessoas com Alzheimer iludiu os investigadores”, disse Amanda Smith, neuro-cientista da Universidade do Sul da Florida.

“Estes resultados fornecem evidências preliminares de que a administração do TEMT avaliada neste pequeno estudo pode ter a capacidade de melhorar o desempenho cognitivo em pacientes com doença leve e moderada”.

ZAP // HypeScience

Por ZAP
29 Setembro, 2019

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