273: É barato, vende-se sem receita e pode evitar o Alzheimer

 

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Uma equipa de pesquisa liderada pelo neuro-cientista Patrick McGeer sugere que um regime diário de anti-inflamatórios não-esteróides, como o ibuprofeno, pode prevenir o início do Alzheimer.

Isso significa que, ao tomar um remédio que é vendido sem receita médica diariamente, as pessoas podem evitar uma doença que é a quinta principal causa de morte em pessoas com 65 anos ou mais.

De acordo com o Alzheimer’s Disease International, a condição afecta cerca de 47 milhões de pessoas em todo o mundo, custando aos sistemas de saúde globais mais de 818 mil milhões de reais – perto de 200 mil milhões de euros.

McGeer é presidente e director executivo da Aurin Biotech, empresa com sede em Vancouver. Ele e a esposa, Edith McGeer, estão entre os neuro-cientistas mais citados no mundo. O seu laboratório é reconhecido mundialmente por 30 anos de trabalho em neuro-inflamação e doenças neuro-degenerativas, particularmente Alzheimer.

Um artigo que detalha as suas descobertas mais recentes foi publicado na revista científica Journal of Alzheimer’s Disease.

Em 2016, o médico e a sua equipa anunciaram ter desenvolvido um teste simples de saliva que pode diagnosticar a doença de Alzheimer, bem como prever o seu início. O teste baseia-se na medição da concentração da proteína beta amilóide peptídica 42 (Abeta42), secretada na saliva.

Todas as pessoas, independentemente do sexo ou da idade, produzem mais ou menos a mesma taxa de Abeta42. Se essa taxa de produção for duas a três vezes maior do que a média, esses indivíduos estão destinados a desenvolver Alzheimer.

Isso acontece porque o Abeta42 é um material relativamente insolúvel e, embora seja produzido em todo o corpo, os depósitos acumulam-se apenas no cérebro, causando neuro-inflamação e destruindo neurónios.

Ao contrário da crença generalizada de que o Abeta42 era produzido apenas no cérebro, a equipa de McGeer demonstrou que o peptídeo é produzido em todos os órgãos do corpo e é secretado na saliva pela glândula sub-mandibular.

Como resultado, com apenas uma colher de chá de saliva, é possível prever se um indivíduo terá Alzheimer, mesmo antes os sintomas aparecerem.

Isso, por sua vez, dá-lhes a oportunidade de tomar medidas preventivas precoces, como o consumo de medicamentos como o ibuprofeno.

“O que aprendemos com a nossa pesquisa é que as pessoas que estão em risco de desenvolver Alzheimer exibem os mesmos níveis elevados de Abeta42 que as pessoas que já têm a doença. Além disso, exibem esses níveis elevados durante toda a vida e, teoricamente, podem ser testados a qualquer momento. Sabendo que a prevalência de Alzheimer começa aos 65 anos, recomendamos que as pessoas sejam testadas dez anos antes, aos 55 anos. Se apresentam níveis elevados de Abeta42, então é a hora para começar a tomar o ibuprofeno diário”, explicou McGeer.

A maioria dos ensaios clínicos até hoje concentraram-se em pacientes que já possuíam défices cognitivos, de leves a graves. Como resultado, nenhum conseguiu evitar a progressão da doença.

De acordo com o médico, a sua descoberta vem mudar as regras do jogo.

“Temos agora um teste simples que pode indicar se uma pessoa está destinada a desenvolver a doença de Alzheimer muito antes de começar a desenvolver-se. Os indivíduos podem impedir que isso aconteça através de uma solução simples que não requer receita médica ou visita a um médico. Isso é um verdadeiro avanço, pois aponta numa direcção em que o Alzheimer pode eventualmente ser eliminado“, afirmou.

Os cientistas alertam, no entanto, que os resultados deste estudo não significam que deva começar a tomar um medicamento diariamente por conta própria. Se tem dúvidas quanto à sua saúde, consulte um especialista.

ZAP // HypeScience

Por HS
30 Março, 2018

 

266: Ansiedade pode ser sinal precoce de Alzheimer

 

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Sintomas de ansiedade crescente podem ser um sinal precoce de Alzheimer, anos antes do comprometimento cognitivo ser evidente, sugere um novo estudo.

Há muito que os investigadores estudam os factores de risco que aumentam as probabilidades de desenvolver Alzheimer, incluindo condições neuro-psiquiátricas como depressão. Agora, os cientistas dizem que sintomas de ansiedade podem ser um marcador dinâmico da doença numa fase inicial.

“Em vez de olhar para a depressão como a pontuação total, olhamos para sintomas específicos como a ansiedade“, explica a psiquiatra geriátrica Nancy Donovan do Bigham and Women’s Hospital, em Boston, nos EUA.

“Quando comparado com outros sintomas da depressão como tristeza ou perda de interesse, os sintomas de ansiedade aumentaram ao longo do tempo nos pacientes com níveis mais altos de beta amilóide no cérebro”.

A beta amilóide é uma proteína que está compreensivelmente ligada ao Alzheimer, acumulando-se no cérebro em aglomerados que formam placas e perturbam a comunicação entre neurónios.

Essa interrupção é considerada a principal culpada por trás do comprometimento cognitivo do Alzheimer, mas isso poderia também estar implicado na fase pré-clínica da condição, potencialmente até 10 anos antes do declínio da memória ser diagnosticado.

Donovan e outros investigadores examinaram dados do “Harvard Aging Brain Study“, um estudo observacional com a duração de cinco anos a 270 homens e mulheres saudáveis com idades entre os 62 e os 90 anos sem desordens psiquiátricas activas.

Entre outros testes, os participantes foram submetidos a exames ao cérebro e anualmente os cientistas analisavam uma potencial depressão. com o decurso do estudo, a equipa encontrou níveis de beta amilóide mais altos nos cérebros associados a sintomas de ansiedade crescente no córtex cerebral.

“Isto sugere que os sintomas de ansiedade podem ser uma manifestação precoce de Alzheimer”, explica Donovan. “Se as próximas investigações fixarem a ansiedade como um indicador precoce, seria importante não só para identificar pessoas cedo com Alzheimer, mas também no sentido de tratar e prevenir o desaceleramento e prevenção do processo da doença”.

Neste ponto, os investigadores reconhecem que há muito por saber sobre como ocorre esta associação entre a ansiedade e a beta amilóide – e vale a pena reforçar que serão necessários acompanhamentos longitudinais para verificar se os participantes mostram agudização da ansiedade quando desenvolvem o Alzheimer.

258: Medicamento contra a diabetes pode reverter significativamente a perda de memória por Alzheimer

 

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Num novo estudo de colaboração internacional, cientistas descobriram que um medicamento desenvolvido para diabetes tipo 2 pode reduzir e reverter significativamente a perda de memória em ratos com doença de Alzheimer.

O próximo passo da pesquisa será testar a droga em humanos. A melhor notícia é que, como o remédio já foi aprovado para comercialização, caso se prove um sucesso, pode atingir o mercado muito mais rápido do que outras opções experimentais de tratamento para a demência.

O estudo envolveu investigadores da Universidade Shaoyang e da Universidade Médica de Shanxi, na China, e da Universidade Lancaster, no Reino Unido.

Pesquisas anteriores já estabeleceram uma ligação entre as duas condições – a diabetes tipo 2 é um factor de risco para a doença de Alzheimer. Além disso, parece fazer a doença progredir mais rápido.

A explicação pode passar pelaa insulina não chegar às células corretamente. A insulina é um fator de crescimento conhecido por proteger as células cerebrais. A resistência à insulina tem sido observada nos cérebros de pessoas com Alzheimer, bem como é o mecanismo biológico por trás da diabetes tipo 2.

Logo, os cientistas têm investigado se drogas que tratam diabetes tipo 2 podem também melhorar os sintomas de Alzheimer.

Estas abordagens são muito importantes, porque se aproveitam de conhecimentos existentes e substâncias já testadas, tornando muito mais rápido a oferta de novos tratamentos promissores para as pessoas.

O novo tratamento é interessante porque protege as células cerebrais atacadas pela doença de três maneiras diferentes, juntando diversas abordagens.

Alguns estudos tiveram sucesso no passado com uma droga mais antiga para diabetes, conhecida como liraglutida, mas este medicamento parece ser mais eficaz.

O fármaco, referido apenas como “agonista de receptores triplo” (do inglês “triple receptor agonist”) na pesquisa, actua de várias maneiras para evitar a degeneração do cérebro: activando o GIP-1, o GIP e os receptores de glucagon ao mesmo tempo.

Como a sinalização de fatores de crescimento fica prejudicada nos cérebros dos pacientes com Alzheimer, a ideia era que a droga poderia ajudar a reestimular as células cerebrais danificadas e impedir danos futuros.

Os cientistas testaram a droga em ratos que tinham sido geneticamente modificados para ter doença de Alzheimer.

Depois foi analisada a aprendizagem e a formação da memória nos animais, e descobriram que a droga reverteu significativamente o défice de memória e foi capaz de melhorar níveis de um factor de crescimento cerebral que protege o funcionamento das células nervosas, assim como reduzir a quantidade de placas amilóides tóxicas no cérebro. A droga experimental também reduziu a inflamação crónica e o stress oxidativo, assim como retardou a taxa de perda de células nervosas.

“Estes resultados muito promissores demonstram a eficácia de novos fármacos múltiplos que originalmente foram desenvolvidos para tratar diabetes tipo 2, mas têm efeitos neuro-protectores consistentes vistos em vários estudos”, disse o principal autor do estudo, Christian Hölscher, da Universidade Lancaster.

Contudo, ainda é necessário verificar se o mesmo efeito será observado em seres humanos. Comparações diretas com outros medicamentos também deverão ser realizadas para avaliar se este novo tratamento é superior aos anteriores.

ZAP // HypeScience

 

255: Azeite extra virgem previne o Alzheimer

 

© MoveNotícias bacalhau-cozido-consoada-de-natal

A ciência já demonstrou diversas vezes os benefícios para a saúde do azeite extra virgem, ingrediente principal da dieta mediterrânea, que também está associada à longevidade e a uma vida saudável.

E uma pesquisa publicada no periódico científico ‘Annals of Clinical and Translational Neurology’ sugere que o consumo regular do alimento protege o cérebro contra o Alzheimer, ao promover a eliminação de substâncias prejudiciais ao cérebro, além de preservar a memória e a habilidade de aprendizagem à medida que envelhecemos.

Segundo o novo estudo, o consumo do azeite reduz a formação de estruturas nocivas no cérebro, como as placas beta-amilóides, que se formam entre as células e os caminhos dos neurónios, e os emaranhados neurofibrilares, que bloqueiam a chegada de nutrientes.

Estudos anteriores já mostraram que a acumulação desses resíduos pode aumentar o risco da doença. Agora os pesquisadores descobriram que as propriedades presentes no azeite extra virgem podem promover um efeito protector no cérebro.

“Descobrimos que o azeite reduz a inflamação cerebral, mas o mais importante é que ativa um processo conhecido como ‘autofagia’”, disse Domenico Pratico, professor da Universidade Temple, nos Estados Unidos, e principal autor da pesquisa, ao ‘Medical News Today’.

Autofagia é o processo pelo qual as células se desintegram e eliminam do corpo os detritos tóxicos.

Para entender a ligação entre o azeite e a doença neurodegenerativa, os pesquisadores examinaram o impacto da ingestão de azeite extra virgem em ratos com Alzheimer induzido. Para isso, os animais foram divididos em dois grupos, um recebeu uma dieta alimentar enriquecida com azeite extra virgem e outro, uma dieta simples.

Ambas as dietas foram introduzidas quando os ratos tinham seis meses de vida, ou seja, antes dos sintomas do Alzheimer começarem a surgir. Conhecidos como “triplo transgénicos”, os ratos desenvolveram três características-chave da doença: perda progressiva da memória, placas beta-amilóides e emaranhados neurofibrilares.

A princípio, não houve diferença entre os dois grupos. No entanto, depois de terem completado entre 9 e 12 meses, os animais que consumiram o azeite saíram-se muito melhor nos testes que avaliaram memória de trabalho, memória espacial e habilidades de aprendizagem.

Além disso, esses animais tiveram níveis maiores de autofagia no cérebro, níveis reduzidos de placas beta-amilóides e da fosforilação da proteína TAU, associada à formação dos emaranhados neurofibrilares”, explicou Pratico. “O azeite extra virgem é melhor que frutas e vegetais sozinhos. A gordura vegetal monoinsaturada [presente no azeite] é mais saudável que gorduras animais saturadas”, disse Pratico.

Exames do tecido cerebral dos ratos revelaram diferenças dramáticas na aparência e função das células nervosas. “Uma coisa que se destacou imediatamente foi a integridade sináptica“, lembrou.

A integridade das conexões entre os neurónios, conhecidas como sinapses, foram preservadas nos animais na dieta de azeite. Comparados aos ratos na dieta regular, as suas células nervosas, em função da autofagia, mostraram-se muito mais ativas.

“Esta é uma descoberta emocionante para nós, uma vez que a redução da autofagia marca o início dos sintomas do Alzheimer”, frisou o professor. “Graças à activação da autofagia, a memória e a integridade sináptica foram preservadas e os efeitos patológicos, relacionados à doença, reduzidos.”

MSN lifestyle
24/12/2017

 

232: Alzheimer. Vem aí a primeira droga que trava a doença?

 
Credit TauRx Therapeutics

Credit TauRx Therapeutics

Um novo composto que levou 30 anos a desenvolver foi anunciado como o mais eficaz de sempre. Mas há quem esteja céptico

A LMTX, uma nova droga contra o Alzheimer para a qual já estão a decorrer ensaios clínicos em fase final, foi apresentada esta quarta–feira como “promissora” na conferência internacional da Alzheimer Association, em Toronto. “Os nossos resultados não têm precedentes, comparados com quaisquer outros”, afirmou o investigador Claude Wishik da Universidade de Aberdeen, na Escócia, e co-fundador da farmacêutica TauRx, que desenvolveu a LMTX.

Os dados são ainda preliminares, mas de acordo com Claude Wishik os doentes que foram tratados exclusivamente com aquela droga ao longo de 15 meses evidenciaram uma “redução significativa da progressão da doença”, com “retardamento do declínio cognitivo” e com resultados compatíveis nas imagens de ressonância magnética, que mostraram “uma redução entre 33% e 38% da progressão da atrofia cerebral nestes doentes”. As boas notícias, porém, acabam aqui. Tomada em combinação com outras drogas, a LMTX não mostrou qualquer efeito, o que levou muitos a olhar com alguma reserva para os dados.

“Tenho de confessar que os resultados que nos foram apresentados são sobretudo um desapontamento”, afirmou o neurologista David Knopman, da Mayo Clinic, citado no New York Times.

Os dados apresentados em Toronto por Claude Wishik foram tratados de forma oposta na imprensa britânica e americana. No Reino Unido, onde a droga foi desenvolvida nas últimas três décadas, a LMTX foi apresentada como a mais eficaz até hoje contra o Alzheimer. Nos Estados Unidos, a visão dominante foi a do desapontamento. No press release divulgado pela própria farmacêutica está escrito que “o estudo falha uma das suas metas, uma vez que a LMTX, enquanto coterapia, não mostra quaisquer benefícios”.

Mecanismos misteriosos

O ensaio clínico de fase III cujos resultados foram agora apresentados envolveu um total de 891 doentes com sintomas entre ligeiros e moderados. Durante 15 meses, o grupo maior de doentes fez uma terapia combinada com LMTX e outras drogas, um outro grupo de apenas 15 por cento dos doentes fez uma terapia só com a nova droga e um terceiro grupo tomou um placebo.

A droga só mostrou os efeitos positivos descritos por Claude Wishik no grupo de 15% dos doentes que foram exclusivamente tratados com a nova droga. Em todos os outros a doença progrediu sem retardamento visível dos sintomas.

Doença neuro-degenerativa progressiva e sem tratamento, o Alzheimer continua a ser uma doença misteriosa e, apesar das muitas drogas e progressos tantas vezes anunciados para novas terapias, até hoje nunca foi possível desenvolver um medicamento eficaz, capaz de anular as causas e os mecanismos da doença.

“Até agora só tem sido possível agir sobre os sintomas”, explica o neurologista Lopes Lima, da Universidade do Porto, sublinhando que “as drogas que existem neste momento só conseguem atrasar a perda de memória e manter mais tempo os doentes autónomos, porque a evolução da doença continua”. Em média, com esses medicamentos, há um prolongamento em 20% a 30% do período em que os doentes mantêm a qualidade de vida, o que tem que ver com o retardamento dos sintomas.

Na prática, não se conhece exactamente o mecanismo que desencadeia a doença. Os estudos mostram que há dois processos envolvidos: um deles tem que ver com a formação no cérebro de placas de uma proteína chamada beta-amilóide que destroem os neurónios; o outro envolve outra proteína, a tau, que também se acumula no cérebro com um efeito destrutivo similar. Nas últimas décadas, a busca de compostos capazes de evitar as placas da primeira das duas proteínas pareceu muitas vezes ter conseguido resultados promissores, mas eles nunca se cumpriram.

Já a farmacêutica britânica TauRx, como outras, decidiu investir na busca de um composto capaz de contrariar a acumulação das proteínas tau no cérebro. Os resultados mais recentes dessa busca foram agora divulgados. Claude Wishik diz não saber por que motivo a coterapia com a LMTX não funcionou e diz que os ensaios vão prosseguir e que haverá novos resultados no final do ano.

O neurologista Lopes Lima concorda que estes “não são ainda resultados para grandes entusiasmos”. Considera que “é importante”o facto de a ressonância magnética mostrar nos doentes tratados apenas com a LMTX “uma atrofia menos marcada” , mas mostra-se prudente: “Estamos a falar de morfologia, pode não ter um significado directo.”

Diário de Notícias
29 DE JULHO DE 2016
01:28
Filomena Naves

231: Exame de sangue para detectar Alzheimer com 80% de precisão

 
José Mota / Global Imagens

José Mota / Global Imagens

Para já, o teste pode ajudar a indústria a desenvolver medicamentos para impedir que a doença se desenvolva. No futuro, pode vir a ser usado pela população em geral

“Rápido, simples e preciso”. É assim que é apresentado um novo teste de diagnóstico de Alzheimer, que será dado a conhecer durante este fim de semana, na conferência da Associação Internacional de Alzheimer, em Toronto. Trata-se de um teste genético, que permite perceber se uma pessoa tem ou não propensão para a doença e, para já, poderá ser útil para a indústria, que ainda procura descobrir fármacos que impeçam o seu desenvolvimento.

O teste, diz o diário inglês The Times, envolve a pesquisa de 130 mil combinações genéticas associadas à doença de Alzheimer, numa pequena amostra de ADN. Desenvolvido pela empresa de biotecnologia Cytox, de Oxford, está projectado para custar algumas centenas de euros. Segundo os fabricantes, tem uma taxa de precisão superior a 80% na previsão de níveis perigosos da proteína beta-amilóide, que desencadeia o processo de degradação das estruturas que os neurónios utilizam para comunicar. A partir dessa análise de sangue, é possível construir um perfil de risco para cada pessoa.

Inicialmente, avança o The Times, o teste será oferecido às empresas farmacêuticas, que procuram voluntários de alto risco para a participação em ensaios clínicos, visto que ainda há uma escassez muito grande de participantes que se enquadrem no perfil adequado. Apesar de o número de ensaios nesta área ter duplicado desde 2013, continua a ser manifestamente insuficiente.

Na página da Cytox na Internet, os responsáveis explicam que este teste pode ter grandes vantagens em termos de custos e de tempo para as farmacêuticas no desenvolvimento de fármacos, pesquisa clínica e estratificação de pacientes para participação nas diferentes fases dos ensaios clínicos.

“Os testes podem ser muito úteis para a investigação, não para os doentes”, diz ao DN o neurologista Lopes Lima. Não será necessário prever que a pessoa vai ter a doença, “uma vez que não há tratamento para evitar que ela se desenvolva”. E isso “só serviria para angustiar” quem tem um diagnóstico positivo.

Na opinião do neurologista, “faz sentido que esses testes sejam usados na investigação, para encontrar medicamentos profiláticos. Quando tivermos esses tratamentos, os testes também podem fazer sentido para os doentes”. Para a participação em ensaios clínicos, é importante “escolher pessoas com alto risco” para a doença, pelo que, nesses casos – “sabendo que o tratamento pode falhar” – os interessados podem querer fazer o teste.

Segundo o neurologista Rui Costa, “há várias empresas que querem desenvolver biomarcadores da doença”, para conseguirem prever se uma pessoa vai ou não ter Alzheimer. Um diagnóstico precoce da doença permitiria uma melhor actuação. “Isto pode ser muito interessante, se se desenvolverem terapias para retardar a doença. Quanto mais cedo for identificada, mais tempo de qualidade a pessoa terá”, frisa o especialista.

Rui Costa salienta que o desenvolvimento do teste genético “é um grande passo”, mas ressalva que, com uma taxa de precisão de 80%, “não se sabe se a pessoa vai ou não ter a doença”, pelo que este instrumento precisa de ser melhorado”. A crença do neurologista é de que na próxima década serão encontradas formas de retardar a doença, sendo que esta ferramenta “irá ajudar a indústria a testar fármacos” com esse fim. No futuro, Rui Costa acredita que o teste possa vir a ser usado para a população em geral. A partir dos 60 anos? “O ideal até era que fosse antes, décadas antes de a doença existir”, afirma. Até porque há uma série de factores, nomeadamente nutricionais e relacionados com o estilo de vida, que podem ser alterados em função do diagnóstico.

Actualmente, o único diagnóstico definitivo que existe para a doença de Alzheimer é feito através de uma biopsia ao cérebro, pelo que raramente é realizado. “Não é feito, porque não há tratamento que supere os defeitos provocados pela biopsia”, explica Lopes Lima, acrescentando que o que é usado é um “diagnóstico de presunção”. Quando existe um quadro de demência, são feitos vários exames e análises ao doente e, se estiver tudo normal, os médicos pressupõem que se trata de uma demência degenerativa. “Em 80 a 90% dos casos é Alzheimer”, indica.

Quanto aos fármacos, os únicos disponíveis são para atrasar o desenvolvimento da doença, atingindo alguns sintomas.

Diário de Notícias
23 DE JULHO DE 2016
03:34
Joana Capucho

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