1776: Mais infecções em profissionais nos hospitais e em doentes oncológicos

SAÚDE PÚBLICA/PANDEMIA/COVID-19/INFECÇÕES

A sociedade está mais liberta das medidas de restrição e os casos aumentam entre profissionais da saúde e entre quem está mais susceptível, nomeadamente entre doentes oncológicos. Médicos do IPO de Lisboa relembram que regras de protecção têm de continuar a ser cumpridas pelos doentes e pelos que estão à sua volta. Hospitais começam a ter mais casos entre os profissionais.

Sociedade está mais liberta de regras e doentes oncológicos correm maior risco de infeção.

O número de casos disparou em poucos dias na comunidade e isso já se está a fazer sentir no aumento de casos entre os profissionais de saúde e entre alguns grupos de doentes, como os oncológicos. Esta semana, duas das principais unidades de saúde do país confirmaram ao DN que a tendência sentida na comunidade era a que se estava a registar entre os seus profissionais, estando a transmissão a ocorrer fora de portas, mais pelos contactos sociais.

No Centro Hospitalar Universitário São João, no Porto, a média de novos casos de infecção entre os profissionais nesta semana foi de 20 por dia, havendo agora 100 casos de infecção activos. No Centro Hospitalar Universitário Lisboa Central, que integra os hospitais São José, Curry Cabral, Santa Marta, Capuchos, D. Estefânia e Maternidade Alfredo da Costa, a média diária de casos também foi de 20, embora o total de infecções activas seja menor, 70.

No Centro Hospitalar Universitário Lisboa Norte, a média diária de casos nesta semana foi de 3, garantiu fonte da unidade. A situação preocupa as unidades, até porque se aproxima um período de férias, em Junho, mas ainda nenhuma teve necessidade de proceder à reorganização de equipas ou de escalas.

Do lado dos doentes, o aumento de casos já se começou a sentir nos que estão mais fragilizados e, por isso, também correm mais riscos de adquirir a doença. A directora do Serviço de Hematologia do IPO de Lisboa afirma ao DN: “Estamos a notar que o número de casos entre os doentes oncológicos imuno-deprimidos está claramente a aumentar e a acompanhando o que está a acontecer na comunidade”. Maria Gomes da Silva alerta para o facto de estes “doentes terem de continuar a cumprir as regras de protecção e os que estão à sua volta também”. Até porque, “a maioria dos doentes infectados têm doença em actividade ou estão a fazer terapêutica” e estes são os que “correm maior risco de desenvolver doença grave ou moderada em relação à população em geral”.

A médica explica que, “nas circunstâncias actuais os doentes oncológicos estão menos protegidos”. Em primeiro lugar, “porque são doentes que, embora vacinados, não conseguem dar uma resposta imunitária como a população em geral, correndo assim um risco considerável de desenvolver doença grave ou moderada”. Em segundo, porque nas circunstâncias actuais a sociedade ao estar mais liberta de regras também está menos protegida. “Numa circunstância em que a sociedade e todas as pessoas se protegem mais, estes doentes estão mais protegidos”. Se as circunstâncias actuais não são assim, reforça, “é preciso que os doentes e as pessoas à sua volta mantenham os mesmos cuidados”, como uso de máscara, distanciamento e poucos contactos sociais.

No caso dos doentes que trata, hematológicos e imuno-deprimidos, “o problema é que se algum se infecta, para além de poder desenvolver doença moderada a grave, pode dar-se o caso, dependendo também da sua situação, de podermos fazer pouco por eles”, embora especifique que “nem todas as pessoas que se infectam são iguais. O risco de desenvolverem doença grave não é igual para todas”, mas, sublinha, “para os doentes imuno-deprimidos o risco de infecção neste momento é maior, porque a sociedade está mais aberta”.

No entanto, Maria Gomes da Silva, deixa claro que, com “a letalidade não aumentou com esta nova variante”. Aliás, “percebemos cada vez melhor quem são os doentes mais susceptíveis”. Nas unidades oncológicas, as regras de protecção e os cuidados a ter são frequentemente relembradas aos doentes, até porque “quando um doente é diagnosticado com covid-19 há que tomar decisões, nomeadamente se se interrompe o tratamento que está a fazer. Quando a covid-19 surge quase em simultâneo com o diagnóstico da doença oncológica há que decidir se se aguarda algum tempo até se eliminar o vírus ou se se corre o risco de fazer a terapêutica com o vírus activo, mas esta é uma decisão que depende muito da gravidade dos casos e das opções de terapêutica”.

O número de casos entre doentes oncológicos imuno-deprimidos está claramente aumentar e, às vezes, “as formas iniciais da doença são relativamente ligeiras, como uma constipação, mas a sintomatologia mais séria pode vir a instalar-se mais tardiamente. O facto de o doente passar bem a primeira semana não significa que seja assim na segunda ou terceira semana. Tive doentes que foram internados um mês depois de estarem infectados”, alerta. As normas para os doentes oncológicos não mudaram, estes devem continuar a usar máscaras, a evitar contacto social e a cumprir isolamento de 20 dias caso sejam infectados.

O director do Serviço de Oncologia Médica do IPO de Lisboa, António Moreira, também diz ao DN que “a impressão que temos é que o aumento de casos em doentes com tumores sólidos corresponde ao que se passa na comunidade. Notamos isso no ambulatório em que os doentes, por rotina, têm de fazer vários testes à covid-19 e o número de positivos tem vindo a aumentar”.

No entanto, destaca, “há um aumento na incidência, mas não posso dizer que isso se esteja a traduzir num aumento da gravidade da doença. Mas, de qualquer forma, tem repercussões importantes do ponto de vista da capacidade de gestão dos cuidados a estes doentes”.

Ou seja, “para um doente em ambulatório ter poucos sintomas ou não os ter não causa grande perturbação, mas para os doentes que estão internados o risco de contaminação de outros doentes é maior e isso pressupõe a sua transferência para outras unidades hospitalares, o que é sempre um problema. Não porque haja descontinuidade de cuidados, mas porque a transferência para unidades que não são especializadas em oncologia é um desconforto.”

O médico defende que dentro das unidades oncológicas deveria ser feita “uma avaliação de risco individualizada de cada situação, porque não são todas iguais”. E dentro dos doentes oncológicos há uns mais susceptíveis do que outros, mas relembra também ser fundamental que “os doentes se continuem a proteger”.

Diário de Notícias
Ana Mafalda Inácio
14 Maio 2022 — 07:00

 

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1775: Para vencer esta fase, quarta dose deve ser dada a profissionais da saúde e a testagem ser gratuita

SAÚDE PÚBLICA/PANDEMIA/COVID-19/4ª. DOSE/TESTAGEM GRATUITA

Em quatro dias desta semana, Portugal registou quase 100 mil novas infecções e 110 mortes. O país já entrou numa nova onda. E já houve necessidade de antecipar a quarta dose aos maiores de 80 anos para a próxima semana. O pneumologista Filipe Froes defende ser preciso fazer mais para se controlar a pandemia nesta “fase de transição”.

Reforço da vacinação deve integrar profissionais mais expostos ao contacto social e da saúde para se tentar prevenir a transmissão.

No início do mês, o regresso à normalidade parecia estar a chegar. A sensação vinha do abandono da máscara em todos os espaços, menos nas áreas de saúde e nos transportes públicos, e com o anúncio da ministra Marta Temido de que não fazia sentido antecipar a quarta dose, a segunda de reforço, contra a covid-19, nesta altura, por não ser necessário. A pandemia parecia estar controlada, alguns analistas afirmavam que, mesmo que houvesse um ressurgimento de casos, como houve no Carnaval, a situação estava controlada.

O Governo decidiu aliviar outro mecanismo que até aqui teve impacto no controlo da infecção, a testagem gratuita. Assim, no início do mês, os testes de diagnóstico passaram a ser pagos, pelo menos a 25 euros nas farmácias, mas ao fim de três semanas a taxa de positividade já está nos 42%, quando, segundo os critérios internacionais deveria ser de 4%. Em cada dez pessoas que fazem teste, oito estão infectadas, uma taxa que o país nunca registou.

O fim destas medidas foi sustentado com a premissa que poderiam regressar, caso a situação assim o exigisse. O certo é que o país vive uma nova onda e só o início do processo de vacinação da quarta dose para idosos com mais de 80 anos e pessoas vulneráveis, como transplantados e doentes oncológicos, foi antecipado para a próxima semana, quando estava previsto para o final de Agosto e princípio de Setembro.

O pneumologista e ex-coordenador do Gabinete de Crise para a Covid-19 da Ordem dos Médicos, Filipe Froes, diz ser preciso mais para se ultrapassar “esta fase de transição, entre o fim da pandemia e o início de uma nova normalidade”.

Portugal volta a viver nova onda. O professor da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa, Carlos Antunes, confirmou ao DN esta semana, que “vivemos uma nova onda bem definida do ponto matemático e epidemiológico. O aumento do número de casos disparou em 50% da semana passada para esta, nos mesmos dias. A tendência é de crescimento em velocidade cruzeiro em todas as regiões e faixas etárias”.

País voltou a ultrapassar nesta semana os 20 mil casos

Ontem, a DGS divulgou que, no dia 12, foram registadas mais 26.314 novas infecções por covid-19 e 29 óbitos. Em apenas quatro dias, desta semana o país atingiu quase os 100 mil (96.246) casos e os 110 óbitos. A saber: 20.487 infecções, a segunda-feira e 29 óbitos, 24.572 na terça e 27 óbitos e 24.876 na quarta e 25 óbitos .

Desde o dia 22 de Abril que o R (t), índice de transmissão vinha a subir, e nesta semana disparou, talvez pela nova linhagem da Ómicron, BA.5, que se está a sobrepor à BA.2, mas também pelo abandono do uso de máscara. O pneumologista Filipe Froes confessa não ter estranhado o aumento de casos, diz mesmo que era expectável, e critica o facto de a testagem gratuita ter sido abolida e que o reforço da vacinação se destine só aos mais idosos e mais vulneráveis.

“A fase de transição que estamos a viver tem características e especificidades próprias, que deveriam ter sido percepcionadas, para se perceber o impacto que poderiam ter na comunidade e o que deveria ter sido feito para minimizar as suas consequências”, argumenta. O médico considera que para se avançar no regresso à normalidade há três vertentes fundamentais que têm de ser acauteladas, que impõem, por exemplo, algumas medidas diferentes das que foram tomadas pelo Governo.

Agora, “o objectivo é manter o controlo da pandemia, prevenir a gravidade da doença e promover a normalidade sócio-económica, e, para isso, há que continuar a actuar na diminuição da circulação do vírus e na sua transmissão”. O que só é possível, sublinha, “se se mantiver uma estratégia de diagnóstico precoce” e se “a acessibilidade à testagem for fácil e gratuita”.

Esta foi, precisamente, uma das medidas que o Governo deixou cair no início do mês. “A testagem gratuita é um dos mecanismos de combate à doença que tem impacto na circulação e na transmissão do vírus na comunidade”, porque “se os testes não forem gratuitos e a pessoa entender que não o faz, está-se a promover a manutenção da transmissão do vírus na comunidade. Não se está a poupar o que quer que seja”.

Pelo contrário, reforça, “a manutenção da testagem gratuita é um investimento no combate da pandemia e na normalização social e económica”. Esta semana, o Governo fez saber que os testes gratuitos teriam de ser referenciados pela Linha SNS 24, que terá capacidade para os prescrever automaticamente aos casos suspeitos.

A nível do controlo da transmissão, o médico é defende a promoção da vacinação de reforço para vários grupos da sociedade e não só para os mais idosos e vulneráveis, voltando a referir que deve ser equacionada a hipótese de teletrabalho, sempre que possível, e a aposta nas condições de ventilação e de arejamento.

O único critério para reforço na vacinação não pode ser a idade ou a fragilidade do doente

“São precisas medidas que não são farmacológicas, como o reforço da vacinação a dois grandes grupos populacionais importantes: os que estão em contacto directo com os mais vulneráveis, como os profissionais de saúde, e os que têm profissões mais expostas ao contacto social, como motoristas, empregados de balcão e de restaurantes. O único critério não pode ser só o da idade ou das pessoas com comorbilidades”, explica, dando como exemplo o que está a acontecer nos EUA: “A quarta dose está a ser dada a pessoas com mais de 50 anos, não para proteger mais contra a gravidade, mas sobretudo para prevenir a transmissão do vírus”.

Embora destaque que a prevenção da gravidade é a segunda vertente fundamental para se ultrapassar a fase que estamos a viver. E tal só será possível se os que correm mais riscos se protegerem e se todos os nós também. ” As pessoas que fizeram transplantes ou os doentes oncológicos, com doença activa e sujeitos a terapêuticas, têm de continuar a proteger-se, usando máscara, por exemplo, mas todos temos o dever de os proteger da forma mais adequada”.

A terceira fase fundamental desta fase de transição é “o regresso à normalidade e, para este, é importante que se mantenham as redes de vigilância e de monitorização epidemiológica e clínica”, bem como, e para haver uma melhor percepção dos riscos, “uma informação por parte da DGS que não seja manifestamente insuficiente”.

O médico não defende o regresso da máscara como uma obrigatoriedade, mas como recomendação às pessoas mais vulneráveis e aos infectados, quando não tiverem sintomas e puderem trabalhar. Por outro lado, não considera também que esta fase de transição vá ser muito prolongada, mantendo-se no final desta primavera e início de verão. Mas é preciso agir adequadamente.

Reforço da vacinação: As medidas da DGS

Quarta dose para idosos

As pessoas com 80 ou mais anos e as residentes em Estruturas Residenciais para Idosos (ERPI) vão ser vacinadas com a segunda dose de reforço já a partir de segunda-feira, dia 16 de maio. A meta traçada pela ministra, final de Agosto e princípio de Setembro, é assim antecipada. Todos os elegíveis começarão a ser convocados por agendamento local, através de SMS ou por chamada telefónica, como já aconteceu noutras fases da vacinação. A população elegível é de cerca de 750 mil pessoas, que devem ser vacinadas com um intervalo mínimo de 4 meses após a última dose ou após um diagnóstico de infecção por SARS-CoV-2, ou seja, este reforço abrange também as pessoas que recuperaram da infecção.

Crianças imuno-deprimidas levam reforço

As crianças e jovens entre os 12 e 15 anos com condições de imuno-supressão, identificadas na norma 002/2021, também passam a ser elegíveis para receber uma dose adicional de vacina contra a covid-19, na sequência de parecer favorável da Comissão Técnica da Vacinação para a Covid-19. Os jovens com estas condições serão vacinados de acordo com orientação e prescrição médica.

Diário de Notícias
Ana Mafalda Inácio
14 Maio 2022 — 00:13


Pelas vítimas do genocídio praticado
pela União Soviética de Putin, na Ucrânia
For the victims of the genocide practiced
by the Soviet Union of Putin, in Ukraine

 

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