1765: Linhagem BA.5 responsável por 37% dos casos e pode atingir os 80% este mês

SAÚDE PÚBLICA/PANDEMIA/COVID-19/LINHAGENS

De acordo com o INSA, a variante BA.5 duplicou a sua frequência entre as semanas de 11 e 17 de Abril e 18 e 24 de Abril.

© Artur Machado / Global Imagens

A linhagem BA.5 da variante Ómicron já é responsável por 37% dos casos de infecção em Portugal, uma tendência de crescimento que deve chegar aos 80% a 22 de maio, estima o Instituto Nacional de Saúde Doutor Ricardo Jorge (INSA).

“Projecta-se que a linhagem BA.5 possa atingir uma frequência relativa de cerca de 80% ao dia 22 de maio, assumindo uma tendência de crescimento relativo de 13% por dia e um tempo de duplicação de cerca de seis dias”, adianta o relatório sobre a diversidade genética do coronavírus SARS-CoV-2 em Portugal.

A Organização Mundial de Saúde (OMS) já admitiu que essa linhagem, que apresenta várias características genéticas consideradas de interesse pelos especialistas, caso de mutações com impacto na entrada do coronavírus nas células, pode ser mais transmissível do que a BA.2, mas ressalvou que ainda não existem dados que comprovem que provoca covid-19 mais grave.

De acordo com o INSA, a BA.5 duplicou a sua frequência entre as semanas de 11 e 17 de Abril e 18 e 24 de Abril, estimando que represente “37% dos casos positivos ao dia 8 de maio”.

O último relatório do grupo de trabalho do Instituto Superior Técnico sobre a evolução da pandemia, divulgado terça-feira pela Lusa, alerta que as novas linhagens da variante Ómicron do coronavírus SARS-CoV-2, em conjugação com a eliminação da obrigatoriedade do uso generalizado de máscara, podem estar a contribuir para o aumento do número de casos.

De acordo com o documento, a incidência média a sete dias aumentou de 8.763 para 14.267 casos desde 19 de Abril, o que se deve “à retirada abrupta do uso de máscara em quase todos os contextos e à nova linhagem BA.5 da variante Ómicron que começa a instalar-se” no país.

Quanto à BA.2, que foi detectada pela primeira vez em Portugal no final de 2021 e que passou a ser a dominante na última semana de Fevereiro deste ano, apresenta uma prevalência decrescente, representando agora 62,9% das amostras analisadas pelo INSA.

Foram também identificadas pela primeira vez no país sequências da BA.2.12.1, associada a dois casos detectados nas regiões Centro e Lisboa e Vale do Tejo, uma sub-linhagem que “tem suscitado interesse internacional” e que tem apresentado um considerável aumento de circulação em alguns países, caso dos Estados Unidos da América, refere o relatório, que avança ainda que, até à data, não foi detectado qualquer caso BA.4 em Portugal.

No âmbito da monitorização contínua da diversidade genética do SARS-CoV-2 que o INSA está a desenvolver, têm sido analisadas uma média de 523 sequências por semana desde o início de Junho de 2021, provenientes de amostras colhidas aleatoriamente em laboratórios distribuídos pelos 18 distritos de Portugal continental e pelas regiões autónomas dos Açores e da Madeira, abrangendo uma média de 139 concelhos por semana.

Diário de Notícias
DN/Lusa
11 Maio 2022 — 15:25


Pelas vítimas do genocídio praticado
pela União Soviética de Putin, na Ucrânia
For the victims of the genocide practiced
by the Soviet Union of Putin, in Ukraine

 

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‘Acinetobacter baumannii’. A bactéria que é uma “ameaça” em hospitais

SAÚDE PÚBLICA/BACTÉRIAS/HOSPITAIS

As infecções devido a esta bactéria podem manifestar-se de diferentes formas, desde pneumonias a infecções urinárias, “podendo ser de difícil diagnóstico e tratamento e estando associadas a elevadas taxas de mortalidade”.

Serviço nos Hospitais
© Orlando Almeida/Global Imagens

Investigadores da Faculdade de Medicina da Universidade do Porto (FMUP) alertaram esta quarta-feira para a necessidade de prevenir surtos do microrganismo ‘Acinetobacter baumannii’ em ambiente hospitalar, considerando que, face ao contexto pandémico, estão criadas condições para uma “tempestade perfeita”.

“Num contexto de covid-19 e de sobrelotação de hospitais, muita ocupação de cuidados intensivos, em que há menos tempo e a pressão é maior, é evidente que estão criadas condições para que esse microrganismo [‘Acinetobacter baumannii’] possa sobreviver e possa causar mais infecções. É preciso procurá-lo e diagnosticá-lo”, descreveu à Lusa o investigador Acácio Rodrigues.

O professor da FMUP, que sobre este tema assina com o investigador Diogo Duarte um artigo científico no Journal of Pathology, Microbiology and Immunology, avaliou o risco actual de rápida transmissão desta bactéria em ambiente hospitalar e concluiu que estão criadas as condições para uma “tempestade perfeita” face ao contexto da pandemia da covid-19.

A completa lotação das unidades de cuidados intensivos, a falta de tempo e o ‘burnout’ dos profissionais de saúde, bem como o atraso na detecção do ‘Acinetobacter baumannii’, são aspectos descritos pelos investigadores que alertam para “o aparecimento de uma ameaça grave”.

“Isto é um problema. Os hospitais têm de ser seguros”, sublinhou Acácio Rodrigues.

O ‘Acinetobacter baumannii’ é um microrganismo que coloniza doentes e coloniza o ambiente.

As infecções podem manifestar-se de diferentes formas, desde pneumonias a infecções urinárias, “podendo ser de difícil diagnóstico e tratamento e estando associadas a elevadas taxas de mortalidade”.

Este microrganismo “tem uma capacidade muito acrescida, comparativamente a outros, de sobreviver em ambientes húmidos e ambientes adversos e, eventualmente, infectar doentes que venham a contactar com superfícies onde tenham estado doentes previamente colonizados e infectados”, acrescentou o docente.

Acresce que este é uma bactéria que “desenvolve resistência aos antibióticos, aos desinfectantes e aos detergentes”, razão pela qual os investigadores defendem uma “maior rotatividade” dos produtos usados nas limpezas de equipamentos e superfícies, bem como “atenção redobrada” em unidades de cuidados intensivos, unidades de queimados, entre outras que acolhem doentes críticos.

Informação remetida à Lusa pela FMUP destaca que esta bactéria “pode persistir durante largos meses” em superfícies e equipamentos hospitalares, como aparelhos de ventilação colonizados, e que a transmissão do ‘Acinetobacter baumannii’ ocorre directamente pelo contacto entre doentes infectados e pelo contacto dos doentes com profissionais de saúde.

Para prevenir surtos, o investigador frisa que em causa não está uma medida única de prevenção, mas sim “uma conjugação de medidas”.

O despiste precoce da colonização por este microrganismo, o isolamento de doentes, bem como medidas acrescidas e muito cuidadosas de desinfecção das superfícies dos quartos hospitalares são algumas das recomendações.

As estratégias de prevenção da transmissão desta bactéria podem, ainda, passar pela inclusão de ‘checklists’ (lista de verificação de tarefas de uma rotina ou de itens necessários) nos procedimentos hospitalares e educação dos profissionais, com os investigadores a recomendarem “uma boa comunicação”.

Sobre a rotatividade dos produtos de limpeza e desinfecção, e de modo a evitar a resistência da bactéria aos desinfectantes, os autores do estudo recomendam a “rotatividade dos compostos a cada três meses”.

Diário de Notícias
DN/Lusa
11 Maio 2022 — 12:37


Pelas vítimas do genocídio praticado
pela União Soviética de Putin, na Ucrânia
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1763: Máscaras deixam de ser recomendadas em aeroportos e voos da UE na segunda-feira

– Estamos a entrar na SEXTA VAGA? Com todas estas facilidades, não tarda está aí a bater à porta a 7ª. vaga!

SAÚDE PÚBLICA/PANDEMIA/COVID-19/FACILITISMO MORTAL

As regras relativas às máscaras continuarão a variar por companhia aérea, apesar do fim da recomendação da obrigatoriedade pela Agência Europeia para a Segurança da Aviação e pelo Centro Europeu de Prevenção e Controlo das Doenças.

© Spencer Platt/Getty Images/AFP

A Agência Europeia para a Segurança da Aviação (EASA) e o Centro Europeu de Prevenção e Controlo das Doenças (ECDC) informaram hoje que, a partir da próxima segunda-feira, deixam de recomendar máscaras obrigatórias em aeroportos e voos europeus.

Num comunicado conjunto hoje divulgado, relativo às viagens aéreas na União Europeia (UE) em altura de levantamento de restrições relacionadas com a covid-19, a EASA e o ECDC indicam que vão “retirar a recomendação de uso obrigatório de máscaras médicas nos aeroportos e a bordo de um voo”, embora lembrando que “uma máscara facial continua a ser uma das melhores protecções contra a transmissão” do SARS-CoV-2, nomeadamente para pessoas mais vulneráveis.

“A actualização do Protocolo Conjunto sobre Segurança Sanitária na Aviação tem em conta os últimos desenvolvimentos da pandemia, em particular os níveis de vacinação e a imunidade adquirida naturalmente e o levantamento das restrições num número crescente de países europeus”, justificam estas agências da EU.

Em causa estão então novas recomendações para as viagens aéreas na UE sobre o uso de máscaras faciais que deverão entrar em vigor a partir da próxima segunda-feira.

Ainda assim, as regras relativas às máscaras continuarão a variar por companhia aérea para além dessa data, pelo que estas agências europeias assinalam que, em voos de ou para um destino onde o uso de máscaras ainda é necessário nos transportes públicos, deve-se continuar a encorajar o uso de máscaras, de acordo com as recomendações.

Também os passageiros vulneráveis devem continuar a usar uma máscara facial independentemente das regras, defendem a EASA e o ECDC, especificando que, nestes casos, deve ser usada uma máscara do tipo FFP2/N95/KN95, “que oferece um nível de protecção mais elevado do que uma máscara cirúrgica padrão”.

Citado pela nota de imprensa, o director executivo da EASA, Patrick Ky, destaca que, “a partir da próxima semana, as máscaras de rosto deixarão de ser obrigatórias nas viagens aéreas em todos os casos, alinhando-se amplamente com as novas exigências das autoridades nacionais em toda a Europa em matéria de transportes públicos”.

“Para os passageiros e tripulações aéreas, este é um grande passo em frente na normalização das viagens aéreas”, adianta Patrick Ky, pedindo porém aos passageiros que se comportem “de forma responsável e respeitem as escolhas dos outros à sua volta”.

Já a directora do ECDC, Andrea Ammon, observa que, “embora os riscos se mantenham, […] as intervenções e vacinas não-farmacêuticas [medidas restritivas] permitiram que as vidas começassem a voltar ao normal”, daí já não ser recomendado o uso obrigatório de máscara em viagens aéreas na UE.

Ainda assim, Andrea Ammon aponta ser “importante ter presente que, juntamente com o distanciamento físico e a boa higiene das mãos, [o uso de máscara] é um dos melhores métodos para reduzir a transmissão”.

Nas directrizes hoje divulgadas, está ainda incluída uma “flexibilização das medidas mais rigorosas sobre as operações aéreas, o que ajudará a aliviar o fardo sobre a indústria, mantendo ao mesmo tempo medidas apropriadas em vigor”, adiantam as agências da UE.

A actualização surge numa altura em que as máscaras faciais deixam de ser obrigatórias em muitos Estados-membros da UE e em que algumas companhias aéreas já não o impõem.

Segundo os dados do ECDC, cerca de 325 milhões de pessoas na UE estão totalmente vacinadas contra a covid-19 e perto de 230 milhões receberam uma dose de reforço.

Diário de Notícias
Lusa/DN
11 Maio 2022 — 10:34


Pelas vítimas do genocídio praticado
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Covid-19. Portugal com transmissibilidade de 1,17 e sexta vaga “a começar a desenhar-se”, diz relatório

– Expectável esta situação graças aos grunhos labregos dos dois sexos que continuam na boa-vai-ela, na irracionalidade, na imbecilidade, na acefalia, no tratamento irresponsável que sempre deram face a uma PANDEMIA MORTAL! Apenas sinto imensa pena de quem é infectado e/ou morre por culpa destes anormais.

SAÚDE PÚBLICA/PANDEMIA/COVID-19/SEXTA VAGA

Relatório do Instituto Superior Técnico indica que a incidência média a sete dias aumentou de 8.763 para 14.267 casos desde 19 de Abril, o que se deve “à retirada abrupta do uso de máscara em quase todos os contextos e à nova linhagem BA.5 da variante Ómicron que começa a instalar-se” no país.

© PAULO SPRANGER / Global Imagens

A eliminação do uso de máscara aumentou as infecções em Portugal, que atingiu um índice de transmissibilidade (Rt) de 1,17 e que poderá registar uma sexta vaga de covid-19, indica um relatório do Instituto Superior Técnico sobre a pandemia.

“A possibilidade de uma sexta vaga está a desenhar-se de forma muito intensa”, avança o relatório do grupo de trabalho do Instituto Superior Técnico (IST) que acompanha a evolução da covid-19 em Portugal e a que a Lusa teve hoje acesso.

Segundo esta avaliação de risco da pandemia elaborada por Henrique Oliveira, Pedro Amaral, José Rui Figueira e Ana Serro, que compõem este grupo de trabalho coordenado pelo presidente do IST, Rogério Colaço, “a actual situação é de aumento do perigo pandémico face ao anterior relatório” de 19 de Abril.

De acordo com o documento, a eliminação do uso de máscaras “parece ter tido um efeito muito acentuado na subida de casos actual”, uma medida que os especialistas do IST consideram ter sido “acertada” nas escolas, mas que está a provocar um “excesso de contágios” em ambiente laboral.

“A sua eliminação em contexto laboral e a não recomendação de teletrabalho quando este é possível, provoca um excesso de contágios que, segundo os nossos modelos, está a contribuir fortemente para a subida presente” de infecções, sublinha ainda o relatório do IST.

O uso generalizado de máscaras deixou de ser obrigatório a partir de 22 de Abril, com excepção dos estabelecimentos de saúde, incluindo farmácias comunitárias, assim como nos lares de idosos, serviços de apoio domiciliário, unidades de cuidados continuados e transportes colectivos de passageiros.

Subida de casos positivos “provavelmente contribuirá” para o aumento da mortalidade nos próximos 30 dias

O grupo de trabalho do Técnico considera também que os dados existentes indicam que as novas linhagens da variante Ómicron do coronavírus SARS-CoV-2 podem estar a contribuir para o aumento do número de casos.

Face à “tendência de agravamento significativo” da pandemia em Portugal, os especialistas admitem que a recente subida de casos positivos de SARS-CoV-2 “provavelmente contribuirá” para o aumento da mortalidade nos próximos 30 dias.

O pico deste indicador na recente vaga da Ómicron foi registado em 6 de Fevereiro e os óbitos diários em média a sete dias passaram de 20.9 para os actuais 20.3.

De acordo com o relatório do IST, a incidência média a sete dias aumentou de 8.763 para 14.267 casos desde 19 de Abril, o que se deve “à retirada abrupta do uso de máscara em quase todos os contextos e à nova linhagem BA.5 da variante Ómicron que começa a instalar-se” no país.

Com dados de 9 de maio, o grupo de trabalho adianta que o Indicador de Avaliação da Pandemia (IAP) do Instituto Superior Técnico e da Ordem dos Médicos está agora nos 83.8 pontos, com tendência de subida e acima do “nível de alarme”.

O IAP combina a incidência, a transmissibilidade, a letalidade e a hospitalização em enfermaria e em cuidados intensivos, apresentando dois limiares: o nível de alarme, quando atinge os 80 pontos, e o nível crítico, quando chega aos 100 pontos.

“Aconselhamos o reforço da monitorização e passar a mensagem de que o perigo pandémico ainda não terminou”, destaca ainda o relatório, que acrescenta que a “monitorização dos números da pandemia deve ser feita de forma rigorosa e transparente até a declaração de fim da pandemia” pela Organização Mundial da Saúde.

“Para efeitos de análise, previsão e de comunicação, o facto de a Direcção-Geral da Saúde apresentar os dados dos internamentos à sexta-feira com dados relativos à segunda-feira anterior constitui um défice de informação devida ao público e à comunidade médica e científica que evita a prevenção e a tomada de medidas por parte dos serviços”, alerta ainda o relatório.

Diário de Notícias
DN/Lusa
11 Maio 2022 — 07:56


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1761: OMS diz que quarta dose da vacina deve ser apenas para idosos e imunodeprimidos

SAÚDE PÚBLICA/PANDEMIA/COVID-19/IDOSOS/4ª. DOSE

A quarta dose contra a covid-19 deve ser administrada apenas em idosos ou pessoas com o sistema imunitário fragilizado, defendeu a Organização Mundial da Saúde (OMS), reiterando como prioritária a vacinação primária a nível global.

Britânia Margaret Keenan, de 91 anos, que foi a primeira mulher no Reino Unido a receber a vacina da Pfizer, recebe dose de reforço
© Jacob King / POOL / AFP

“Não há dados específicos que justifiquem recomendar a quarta dose de forma mais generalizada”, adiantou a cientista chefe da OMS, Soumya Swaminathan, numa conferência de imprensa sobre a evolução da pandemia da covid-19 no mundo.

A especialista reiterou que a OMS recomenda um processo de vacinação contra o coronavírus SARS-CoV-2 composto por duas doses iniciais e uma de reforço, o que permite “uma resposta imunitária mais completa e forte”.

“Consideramos que a primeira fase de vacinação é composta por três doses”, explicou Soumya Swaminathan, ao reconhecer que uma “quarta dose pode ajudar” na imunização das pessoas com mais idade ou com doenças que afectam o sistema imunitário.

Segundo alegou, uma parte considerável da população mundial ainda não tem acesso a vacinas, como é o caso de África, continente onde apenas 15% da população total receberam as primeiras duas doses.

“Em África, apenas 26% da população com mais de 60 anos recebeu duas doses e isso é muito preocupante porque em qualquer surto futuro, como o que estamos a ver em alguns países, esse grupo estará em risco de desenvolver doença grave”, alertou Soumya Swaminathan.

Recentemente, a ministra da Saúde, Marta Temido, anunciou que as pessoas com mais de 80 anos vão receber um novo reforço da vacina contra a covid-19 a partir do final de Agosto ou início de Setembro e que estava também a ser equacionado para as pessoas entre 60 e 80 anos.

Diário de Notícias
DN/Lusa
10 Maio 2022 — 17:57


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1760: OMS: novas linhagens são mais transmissíveis mas ainda não há dados sobre gravidade

SAÚDE PÚBLICA/PANDEMIA/COVID-19/LINHAGENS

A responsável técnica da OMS para a pandemia afirmou que “A BA.4 e BA.5 têm uma ligeira vantagem de crescimento em relação à BA.2”, adiantando que estão a decorrer vários estudos para apurar se essas duas linhagens da variante Ómicron causam uma maior severidade da doença.

Maria Van Kerkhove
© Richard Juilliart / AFP

As linhagens BA.4 e BA.5 da variante Ómicron do coronavírus SARS-CoV-2 são mais transmissíveis do que a BA.2, mas ainda não há dados para apurar se provocam covid-19 mais grave, adiantou esta terça-feira a Organização Mundial da Saúde (OMS).

“A BA.4 e BA.5 têm uma ligeira vantagem de crescimento em relação à BA.2”, afirmou a responsável técnica da OMS para a pandemia, ao adiantar que estão a decorrer vários estudos para apurar se essas duas linhagens da variante Ómicron causam uma maior severidade da doença.

Em conferência de imprensa, Maria Van Kerkhove referiu que a BA.2 continua a ser a linhagem predominante no mundo, tendo-se sobreposto à BA.1 em termos de circulação nos vários países onde foram detectadas.

Os últimos dados do Instituto Nacional de Saúde Doutor Ricardo Jorge (INSA) estimam que a linhagem BA.2 da variante Ómicron seja ainda responsável por 73,8% das infecções registadas em Portugal, uma percentagem que tem vindo a baixar nas últimas semanas.

De acordo com o INSA, em contra-ciclo, os indicadores disponíveis sugerem um aumento relevante de circulação da linhagem BA.5 e potencialmente de uma nova sub-linhagem da BA.2, agora designada como BA.2.35, que apresentam mutações adicionais com impacto na entrada do vírus nas células e ou na sua capacidade de evadir a resposta imunitária.

“Estamos a acompanhar a Ómicron e todas as sub-linhagens que estão a circular globalmente. Isso indica que o coronavírus continua a evoluir”, afirmou a especialista da OMS, ao alertar que a redução generalizada da testagem tem resultado numa diminuição da sequenciação do vírus que provoca a covid-19.

“Precisamos de manter a testagem e a sequenciação para podermos acompanhar estas linhagens”, apelou Maria Van Kerkhove, ao reiterar que as vacinas contra a covid-19 “estão a aguentar-se muito bem em relação à doença grave e morte”.

De acordo com a epidemiologista, “é absolutamente crítico” que as pessoas sejam vacinadas contra a covid-19, reafirmando o objectivo da OMS de imunizar 70% da população de todos os países do mundo.

Na conferência de imprensa, director-geral da OMS defendeu que a estratégia de “covid zero” não é sustentável, alegando que o coronavírus SARS-CoV-2 continua a evoluir e a tornar-se mais transmissível.

“Quando falamos da estratégia de `covid zero´, pensamos que isso não é sustentável, considerando o comportamento do vírus e o que antecipamos em relação ao futuro”, disse Tedros Adhanom Ghebreyesus, ao adiantar que essa posição da OMS tem sido discutida com os peritos chineses.

A China continua a praticar uma política de “tolerância zero” à covid-19, que inclui o isolamento de cidades inteiras e a realização de testes em massa, sempre que um surto é detectado.

Diário de Notícias
DN/Lusa
10 Maio 2022 — 17:08


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1759: Planeamento e preparação. As lições que uma pandemia deixou ao País

SAÚDE PÚBLICA/PANDEMIA/COVID-19/PLANEAMENTO

Pré-publicação. Covid-19 em Portugal: a estratégia mostra um olhar para a forma como as autoridades lidaram com a pandemia. As fragilidades detectadas – na Saúde Pública – e as melhorias que foram surgindo, são alguns dos temas abordados neste trabalho da autoria do grupo responsável pelas propostas de desconfinamento que foram servindo de base à decisão política do Governo. O livro é o primeiro publicado pela Fundação Mestre Cascais e pela UMinho Editora.

Elevado número de casos de covid-19 depressa esgotaram a capacidade de resposta da Saúde Pública.

Embora as pandemias sejam imprevisíveis, a preparação adequada e o planeamento prévio podem ajudar-nos a geri-las melhor. Por muito tempo, os coronavírus foram identificados como patógenos com alto potencial pandémico. No entanto, o mundo não estava preparado para lidar de forma eficaz com o SARS-CoV-2. Demorámos a aceitar que seríamos afectados por um vírus que parecia tão longínquo. Hoje, depois daquilo que vivemos, há lições que devemos guardar.

Podemos argumentar que não havia sistema de saúde no mundo preparado para uma pandemia como a da covid-19. No entanto, a tecnologia mais recente permitiu desenvolver redes de vigilância interligadas e mais inteligentes (apoiadas no digital). Basta observar o quanto evoluímos em termos organizacionais quanto à utilização de tecnologias de videoconferência ou de partilha de dados através da nuvem.

Numa perspectiva hospitalar, se é verdade que sempre existiu uma rede no Serviço Nacional de Saúde vocacionada para responder a casos urgentes e complexos, a pandemia implicou uma tal avalanche de infecções que o sistema existente para identificar necessidades e apoiar a gestão revelou-se demasiado lento para encontrar respostas efectivas.

Rapidamente se percebeu que algo teria de ser feito para reduzir a pressão nas urgências e nos internamentos. Neste contexto, os sistemas digitais instalados conseguiram ir evoluindo de forma a apoiarem o processo de gestão hospitalar (tendo os serviços centrais como pivot), criando respostas articuladas e precisas e, assim, diminuindo a pressão. E isso também aconteceu graças à flexibilidade de resposta dos serviços.

Na fase inicial da pandemia, os profissionais de saúde de todo o mundo enfrentaram a escassez de muitos equipamentos essenciais, incluindo ventiladores e até mesmo material de protecção individual (por exemplo, máscaras faciais e luvas). Apesar da lição aprendida, não há uma forma prática de abordar esta questão, porque também não existe uma maneira fácil de armazenar esses materiais, até mesmo por razões logísticas.

Além disso, a próxima crise mundial pode não estar associada a insuficiência respiratória. Por isso, é urgente pensar em soluções criativas para no futuro sermos capazes de lidar com a nossa capacidade de responder a uma variação repentina da dinâmica de procura e oferta.

Todos reconhecerão que os cuidados de saúde primários foram uma peça fulcral na resposta à covid-19. Estes serviços conseguiram reinventar-se com alguma celeridade. O facto de termos níveis organizacionais como os Agrupamentos de Centros de Saúde – com conexão aos hospitais de referência e com proximidade aos serviços de saúde pública e equipas de enfermagem de resposta comunitária – permitiu desenvolver horários flexíveis, criar uma resposta de centros pré-urgência para Covid (Áreas Dedicadas à Covid e depois Áreas Dedicadas para Doentes Respiratórios), ter uma linha própria para utentes ainda antes do SNS24 estar preparado para a emergência covid-19 e apoiar os centros de acolhimento que entretanto se desenvolveram. Resta saber se a experiência adquirida agora se transfere para conhecimento e implementação sustentável no futuro.

Uma outra grande lição nesta pandemia foi a fragilidade da Saúde Pública. A actuação da Saúde Pública no terreno, identificando cadeias de transmissão e implementando medidas que permitiam cortar essa transmissão, era determinante para conter a doença na comunidade.

Ora, face ao número avassalador de casos de infecção, depressa ultrapassámos a capacidade de resposta da Saúde Pública. Não foi fácil encontrar respostas flexíveis com envolvimento de outros intervenientes para que todo esse trabalho nunca quebrasse. A Saúde Pública sai da pandemia exausta e com uma necessidade urgente de se reorganizar e fortalecer.

O diálogo entre política e ciência é fulcral. Definitivamente, é-o em momentos de crise sanitária, mas também o será no quotidiano rotineiro e para lá das temáticas da saúde. Essa é uma aprendizagem a fazer.

Em contexto de pandemia, a promoção da literacia em saúde ganhou também redobrada importância junto das pessoas, das comunidades e das organizações, constituindo-se como uma importante resposta e ferramenta da saúde pública. Desde o início da pandemia que as palavras de ordem passaram por magnitude e incerteza. Acima de tudo, impunha-se transmitir à população comportamentos adequados – individuais ou populacionais – e medidas não farmacológicas, que se constituíam como chaves para a prevenção e controlo da pandemia.

Nos próximos tempos, iremos precisar que a população incorpore na sua rotina uma série de comportamentos associados a uma protecção quanto às infecções respiratórias. Aqui a literacia em saúde não pode falhar. A comunicação também não. Ambas estão interligadas e precisam ainda de fazer algum caminho entre nós.

Durante a pandemia, estivemos sempre atentos à situação mundial: que variantes estavam em circulação, que respostas eram desencadeadas, que resultados advinham delas… Todavia, esse olhar global não pressupunha o envolvimento em sinergias à escala internacional, porque essas simplesmente nunca existiram. Cada país organizou-se sempre virado para si próprio. Assistimos, de longe, à persistência de variantes em circulação, à baixa cobertura vacinal em certas geografias e fomos criando regras de circulação entre países, conforme o interesse de cada um.

É verdade que o Regulamento Sanitário Internacional, como documento e reflexo de uma parceria internacional com décadas de experiência na articulação internacional e controlo de fronteiras, garantiu alguma monitorização sobre eventos com impacto na saúde pública e redimensionou a atenção internacional nos primeiros casos de covid-19, preparando equipas e fornecendo uma base de apoio à resiliência e sustentabilidade das medidas tomadas para o controlo do vírus à escala global. Mesmo assim, temos de assumir que, neste contexto pandémico, o apoio global deveria ter sido maior. Por exemplo, no que às vacinas diz respeito. Enquanto alguns países discutiam a 3.ª dose, outros tentavam aceder à 1.ª. E lá fomos cerrando fronteiras…

Uma grande novidade na pandemia foi a utilização regular da ciência de dados para a modelação e apoio à decisão. Apesar de diferentes grupos de investigação epidemiológica desenvolverem os seus modelos, a OMS foi um interlocutor-chave na partilha de conhecimento e no apoio aos países com maior dificuldade na tomada de decisão e resposta. Iniciativas como o Data Science Hub da OMS ou a actualização do HIS tool irão, decerto, melhorar respostas futuras e estabelecer sustentabilidade nas respostas de emergência e vigilância. Há, pois, que as manter e melhorar.

O futuro da resposta pandémica passa também por aumentar a capacidade de protecção da saúde pública através de mecanismos de inteligência epidemiológica, reforçando as operações necessárias para manter o estado de alerta, preparar respostas e intervenções quando estas forem activadas por situação de emergência. Nunca teremos sucesso enquanto não houver um apoio claro à escala planetária.

Uma emergência biológica com expressão pandémica, com capacidade de reservatório em qualquer região, terá potencial para se reincidir, de um momento para o outro, em todo o planeta. Neste contexto, a decisão política deve fazer-se guiar pela melhor evidência científica disponível. É isso que nos assegura os melhores resultados. A covid-19 demonstrou como os cientistas podem impulsionar a sua actividade num momento crítico. Fizeram-no, por exemplo, ao gerar vacinas seguras e eficazes num período de tempo até então inimaginável ou na modelação como apoio às mais complexas decisões.

No entanto, como esta pandemia demonstrou, quando enfrentamos um agente patogénico desconhecido, a evidência científica leva tempo a produzir-se, mesmo que a comunidade científica se una massivamente em torno do objectivo de prevenir e controlar a doença. Pela nossa parte, ficámos a conhecer demasiado bem quantos segundos se podem replicar dentro de cada segundo de espera… Estivemos sempre obsessivamente no encalço dessa produção científica que se queria rápida, mas que teimava em tardar.

A cada nova variante, a cada novo cenário epidemiológico, a cada nova vacina, enfrentámos a necessidade de ver o tempo desdobrar-se para que a realidade se desenvolvesse, para que os dados maturassem e os mistérios se resolvessem, até ao momento em que já se soubesse o suficiente para basearmos as nossas propostas no que seria um conhecimento científico fiável. Por um lado, a nossa pressa e, por outro, a lentidão aflitiva do tempo de revelação do vírus (ou das suas variantes) e dos efeitos das medidas de saúde pública foram sempre uma constante que acompanhou o nosso trabalho.

A ciência sozinha não pode controlar uma pandemia. A longo prazo, a divulgação activa da ciência ao público e aos decisores é fundamental para alcançar uma implementação coordenada da intervenção em escalas, sectores e grupos populacionais.

Não há dúvida de que uma estratégia baseada na unificação, no envolvimento público e na tomada de decisão informada são três passos estruturantes para melhorar no futuro o controlo de emergências de saúde pública. O diálogo entre política e ciência é fulcral. Definitivamente, é-o em momentos de crise sanitária, mas também o será no quotidiano rotineiro e para lá das temáticas da saúde. Essa é uma aprendizagem a fazer.

Neste tempo, também aprendemos o quanto a comunicação é eficaz e poderá ser um coadjuvante essencial na disseminação do conhecimento, na influência das tomadas de decisão política e na construção de uma opinião pública informada e comprometida na aprendizagem de comportamentos mais preventivos.

Para que tudo funcione, não é preciso uma grande e complexa estrutura de comunicação. Nós próprios fizemos isso no interior deste Grupo dos 7 e estivemos frequentemente nas primeiras páginas dos jornais mais importantes e ocupámos os alinhamentos dos noticiários de maior audiência. Nunca a nossa mensagem foi deturpada, nem tão-pouco os nossos ritmos de comunicação foram adulterados.

Apenas seguimos à risca uma estratégia que tornámos clara para todos, partilhando com todos a informação de que dispúnhamos na data fixada para tal e mostrando-nos sempre disponíveis para os esclarecimentos necessários. Parece algo muito simples. E na verdade assim é, mas tudo isso requer planeamento e uma ideia muito clara do que se pretende fazer. Seria muito importante continuar esse caminho no que à comunicação da saúde diz respeito, sobretudo na relação que deve ser mantida com os media.

Os autores do livro que será apresentado dia 13 na Reitoria da Universidade do Minho: Felisbela Lopes, Raquel Duarte, Filipe Alves, Ana Aguiar, Hugo Monteiro, Marta Pinto e Óscar Felgueiras.

Outra lição a reter é a de que a ciência constitui um universo vasto que devemos explorar em todo o seu potencial, nomeadamente no que diz respeito à sua capacidade para integrar diversos tipos de conhecimento, robustecendo-se nas suas conclusões.

No nosso método, incluímos a recolha e tratamento de dados provenientes da auscultação da comunidade, tanto de especialistas, como de cidadãos anónimos. E fizemos questão de não esquecer as pessoas que enfrentam a vulnerabilidade social e que, melhor do que ninguém, sabem o que é necessário fazer para a sua protecção em relação aos efeitos desiguais com que são atingidas pelas crises, sejam elas de que tipo forem.

Essa auscultação, que abriu o conhecimento científico ao saber experiencial, enriqueceu indelevelmente as nossas propostas e moldou-as de forma a reunirem maior consenso e serem mais tangíveis nos seus resultados. Não esqueçamos, por isso, de continuar a fazer dialogar a ciência, a decisão política e a comunidade. Não deixemos ninguém para trás. Não fechemos a gestão das crises de um país ao universo das elites. Incluamos todas as vozes e usemos para isso o método científico em toda a sua plasticidade.

Não esqueçamos também a importância do diálogo entre diferentes campos do saber. Não temos hoje dúvidas de que as discussões que tivemos a propósito do entre-cruzamento da medicina, da psicologia, da educação, da comunicação, da matemática nos tornaram, simultaneamente, mais sábios e mais humildes. E melhoraram as nossas propostas.

Por fim, uma lição: o caminho faz-se com todos. Se, neste tempo que o livro reflecte, o país conseguiu controlar o vírus, isso deve-se aos decisores políticos a quem coube tomar medidas, aos especialistas que procuraram sempre ajudar a partir dos seus domínios de trabalho e, acima de tudo, aos cidadãos. A eles se deve tudo.

Covid-19 em Portugal: a estratégia
Universidade do Minho e Fundação Mestre Cascais

Diário de Notícias
Raquel Duarte, Felisbela Lopes, Filipe Alves, Ana Aguiar, Hugo Monteiro, Marta Pinto e Óscar Felgueiras
11 Maio 2022 — 00:13


Pelas vítimas do genocídio praticado
pela União Soviética de Putin, na Ucrânia
For the victims of the genocide practiced
by the Soviet Union of Putin, in Ukraine

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