1776: Mais infecções em profissionais nos hospitais e em doentes oncológicos

SAÚDE PÚBLICA/PANDEMIA/COVID-19/INFECÇÕES

A sociedade está mais liberta das medidas de restrição e os casos aumentam entre profissionais da saúde e entre quem está mais susceptível, nomeadamente entre doentes oncológicos. Médicos do IPO de Lisboa relembram que regras de protecção têm de continuar a ser cumpridas pelos doentes e pelos que estão à sua volta. Hospitais começam a ter mais casos entre os profissionais.

Sociedade está mais liberta de regras e doentes oncológicos correm maior risco de infeção.

O número de casos disparou em poucos dias na comunidade e isso já se está a fazer sentir no aumento de casos entre os profissionais de saúde e entre alguns grupos de doentes, como os oncológicos. Esta semana, duas das principais unidades de saúde do país confirmaram ao DN que a tendência sentida na comunidade era a que se estava a registar entre os seus profissionais, estando a transmissão a ocorrer fora de portas, mais pelos contactos sociais.

No Centro Hospitalar Universitário São João, no Porto, a média de novos casos de infecção entre os profissionais nesta semana foi de 20 por dia, havendo agora 100 casos de infecção activos. No Centro Hospitalar Universitário Lisboa Central, que integra os hospitais São José, Curry Cabral, Santa Marta, Capuchos, D. Estefânia e Maternidade Alfredo da Costa, a média diária de casos também foi de 20, embora o total de infecções activas seja menor, 70.

No Centro Hospitalar Universitário Lisboa Norte, a média diária de casos nesta semana foi de 3, garantiu fonte da unidade. A situação preocupa as unidades, até porque se aproxima um período de férias, em Junho, mas ainda nenhuma teve necessidade de proceder à reorganização de equipas ou de escalas.

Do lado dos doentes, o aumento de casos já se começou a sentir nos que estão mais fragilizados e, por isso, também correm mais riscos de adquirir a doença. A directora do Serviço de Hematologia do IPO de Lisboa afirma ao DN: “Estamos a notar que o número de casos entre os doentes oncológicos imuno-deprimidos está claramente a aumentar e a acompanhando o que está a acontecer na comunidade”. Maria Gomes da Silva alerta para o facto de estes “doentes terem de continuar a cumprir as regras de protecção e os que estão à sua volta também”. Até porque, “a maioria dos doentes infectados têm doença em actividade ou estão a fazer terapêutica” e estes são os que “correm maior risco de desenvolver doença grave ou moderada em relação à população em geral”.

A médica explica que, “nas circunstâncias actuais os doentes oncológicos estão menos protegidos”. Em primeiro lugar, “porque são doentes que, embora vacinados, não conseguem dar uma resposta imunitária como a população em geral, correndo assim um risco considerável de desenvolver doença grave ou moderada”. Em segundo, porque nas circunstâncias actuais a sociedade ao estar mais liberta de regras também está menos protegida. “Numa circunstância em que a sociedade e todas as pessoas se protegem mais, estes doentes estão mais protegidos”. Se as circunstâncias actuais não são assim, reforça, “é preciso que os doentes e as pessoas à sua volta mantenham os mesmos cuidados”, como uso de máscara, distanciamento e poucos contactos sociais.

No caso dos doentes que trata, hematológicos e imuno-deprimidos, “o problema é que se algum se infecta, para além de poder desenvolver doença moderada a grave, pode dar-se o caso, dependendo também da sua situação, de podermos fazer pouco por eles”, embora especifique que “nem todas as pessoas que se infectam são iguais. O risco de desenvolverem doença grave não é igual para todas”, mas, sublinha, “para os doentes imuno-deprimidos o risco de infecção neste momento é maior, porque a sociedade está mais aberta”.

No entanto, Maria Gomes da Silva, deixa claro que, com “a letalidade não aumentou com esta nova variante”. Aliás, “percebemos cada vez melhor quem são os doentes mais susceptíveis”. Nas unidades oncológicas, as regras de protecção e os cuidados a ter são frequentemente relembradas aos doentes, até porque “quando um doente é diagnosticado com covid-19 há que tomar decisões, nomeadamente se se interrompe o tratamento que está a fazer. Quando a covid-19 surge quase em simultâneo com o diagnóstico da doença oncológica há que decidir se se aguarda algum tempo até se eliminar o vírus ou se se corre o risco de fazer a terapêutica com o vírus activo, mas esta é uma decisão que depende muito da gravidade dos casos e das opções de terapêutica”.

O número de casos entre doentes oncológicos imuno-deprimidos está claramente aumentar e, às vezes, “as formas iniciais da doença são relativamente ligeiras, como uma constipação, mas a sintomatologia mais séria pode vir a instalar-se mais tardiamente. O facto de o doente passar bem a primeira semana não significa que seja assim na segunda ou terceira semana. Tive doentes que foram internados um mês depois de estarem infectados”, alerta. As normas para os doentes oncológicos não mudaram, estes devem continuar a usar máscaras, a evitar contacto social e a cumprir isolamento de 20 dias caso sejam infectados.

O director do Serviço de Oncologia Médica do IPO de Lisboa, António Moreira, também diz ao DN que “a impressão que temos é que o aumento de casos em doentes com tumores sólidos corresponde ao que se passa na comunidade. Notamos isso no ambulatório em que os doentes, por rotina, têm de fazer vários testes à covid-19 e o número de positivos tem vindo a aumentar”.

No entanto, destaca, “há um aumento na incidência, mas não posso dizer que isso se esteja a traduzir num aumento da gravidade da doença. Mas, de qualquer forma, tem repercussões importantes do ponto de vista da capacidade de gestão dos cuidados a estes doentes”.

Ou seja, “para um doente em ambulatório ter poucos sintomas ou não os ter não causa grande perturbação, mas para os doentes que estão internados o risco de contaminação de outros doentes é maior e isso pressupõe a sua transferência para outras unidades hospitalares, o que é sempre um problema. Não porque haja descontinuidade de cuidados, mas porque a transferência para unidades que não são especializadas em oncologia é um desconforto.”

O médico defende que dentro das unidades oncológicas deveria ser feita “uma avaliação de risco individualizada de cada situação, porque não são todas iguais”. E dentro dos doentes oncológicos há uns mais susceptíveis do que outros, mas relembra também ser fundamental que “os doentes se continuem a proteger”.

Diário de Notícias
Ana Mafalda Inácio
14 Maio 2022 — 07:00

 

© ® inforgom.pt é um domínio registado por F. Gomes

 

1775: Para vencer esta fase, quarta dose deve ser dada a profissionais da saúde e a testagem ser gratuita

SAÚDE PÚBLICA/PANDEMIA/COVID-19/4ª. DOSE/TESTAGEM GRATUITA

Em quatro dias desta semana, Portugal registou quase 100 mil novas infecções e 110 mortes. O país já entrou numa nova onda. E já houve necessidade de antecipar a quarta dose aos maiores de 80 anos para a próxima semana. O pneumologista Filipe Froes defende ser preciso fazer mais para se controlar a pandemia nesta “fase de transição”.

Reforço da vacinação deve integrar profissionais mais expostos ao contacto social e da saúde para se tentar prevenir a transmissão.

No início do mês, o regresso à normalidade parecia estar a chegar. A sensação vinha do abandono da máscara em todos os espaços, menos nas áreas de saúde e nos transportes públicos, e com o anúncio da ministra Marta Temido de que não fazia sentido antecipar a quarta dose, a segunda de reforço, contra a covid-19, nesta altura, por não ser necessário. A pandemia parecia estar controlada, alguns analistas afirmavam que, mesmo que houvesse um ressurgimento de casos, como houve no Carnaval, a situação estava controlada.

O Governo decidiu aliviar outro mecanismo que até aqui teve impacto no controlo da infecção, a testagem gratuita. Assim, no início do mês, os testes de diagnóstico passaram a ser pagos, pelo menos a 25 euros nas farmácias, mas ao fim de três semanas a taxa de positividade já está nos 42%, quando, segundo os critérios internacionais deveria ser de 4%. Em cada dez pessoas que fazem teste, oito estão infectadas, uma taxa que o país nunca registou.

O fim destas medidas foi sustentado com a premissa que poderiam regressar, caso a situação assim o exigisse. O certo é que o país vive uma nova onda e só o início do processo de vacinação da quarta dose para idosos com mais de 80 anos e pessoas vulneráveis, como transplantados e doentes oncológicos, foi antecipado para a próxima semana, quando estava previsto para o final de Agosto e princípio de Setembro.

O pneumologista e ex-coordenador do Gabinete de Crise para a Covid-19 da Ordem dos Médicos, Filipe Froes, diz ser preciso mais para se ultrapassar “esta fase de transição, entre o fim da pandemia e o início de uma nova normalidade”.

Portugal volta a viver nova onda. O professor da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa, Carlos Antunes, confirmou ao DN esta semana, que “vivemos uma nova onda bem definida do ponto matemático e epidemiológico. O aumento do número de casos disparou em 50% da semana passada para esta, nos mesmos dias. A tendência é de crescimento em velocidade cruzeiro em todas as regiões e faixas etárias”.

País voltou a ultrapassar nesta semana os 20 mil casos

Ontem, a DGS divulgou que, no dia 12, foram registadas mais 26.314 novas infecções por covid-19 e 29 óbitos. Em apenas quatro dias, desta semana o país atingiu quase os 100 mil (96.246) casos e os 110 óbitos. A saber: 20.487 infecções, a segunda-feira e 29 óbitos, 24.572 na terça e 27 óbitos e 24.876 na quarta e 25 óbitos .

Desde o dia 22 de Abril que o R (t), índice de transmissão vinha a subir, e nesta semana disparou, talvez pela nova linhagem da Ómicron, BA.5, que se está a sobrepor à BA.2, mas também pelo abandono do uso de máscara. O pneumologista Filipe Froes confessa não ter estranhado o aumento de casos, diz mesmo que era expectável, e critica o facto de a testagem gratuita ter sido abolida e que o reforço da vacinação se destine só aos mais idosos e mais vulneráveis.

“A fase de transição que estamos a viver tem características e especificidades próprias, que deveriam ter sido percepcionadas, para se perceber o impacto que poderiam ter na comunidade e o que deveria ter sido feito para minimizar as suas consequências”, argumenta. O médico considera que para se avançar no regresso à normalidade há três vertentes fundamentais que têm de ser acauteladas, que impõem, por exemplo, algumas medidas diferentes das que foram tomadas pelo Governo.

Agora, “o objectivo é manter o controlo da pandemia, prevenir a gravidade da doença e promover a normalidade sócio-económica, e, para isso, há que continuar a actuar na diminuição da circulação do vírus e na sua transmissão”. O que só é possível, sublinha, “se se mantiver uma estratégia de diagnóstico precoce” e se “a acessibilidade à testagem for fácil e gratuita”.

Esta foi, precisamente, uma das medidas que o Governo deixou cair no início do mês. “A testagem gratuita é um dos mecanismos de combate à doença que tem impacto na circulação e na transmissão do vírus na comunidade”, porque “se os testes não forem gratuitos e a pessoa entender que não o faz, está-se a promover a manutenção da transmissão do vírus na comunidade. Não se está a poupar o que quer que seja”.

Pelo contrário, reforça, “a manutenção da testagem gratuita é um investimento no combate da pandemia e na normalização social e económica”. Esta semana, o Governo fez saber que os testes gratuitos teriam de ser referenciados pela Linha SNS 24, que terá capacidade para os prescrever automaticamente aos casos suspeitos.

A nível do controlo da transmissão, o médico é defende a promoção da vacinação de reforço para vários grupos da sociedade e não só para os mais idosos e vulneráveis, voltando a referir que deve ser equacionada a hipótese de teletrabalho, sempre que possível, e a aposta nas condições de ventilação e de arejamento.

O único critério para reforço na vacinação não pode ser a idade ou a fragilidade do doente

“São precisas medidas que não são farmacológicas, como o reforço da vacinação a dois grandes grupos populacionais importantes: os que estão em contacto directo com os mais vulneráveis, como os profissionais de saúde, e os que têm profissões mais expostas ao contacto social, como motoristas, empregados de balcão e de restaurantes. O único critério não pode ser só o da idade ou das pessoas com comorbilidades”, explica, dando como exemplo o que está a acontecer nos EUA: “A quarta dose está a ser dada a pessoas com mais de 50 anos, não para proteger mais contra a gravidade, mas sobretudo para prevenir a transmissão do vírus”.

Embora destaque que a prevenção da gravidade é a segunda vertente fundamental para se ultrapassar a fase que estamos a viver. E tal só será possível se os que correm mais riscos se protegerem e se todos os nós também. ” As pessoas que fizeram transplantes ou os doentes oncológicos, com doença activa e sujeitos a terapêuticas, têm de continuar a proteger-se, usando máscara, por exemplo, mas todos temos o dever de os proteger da forma mais adequada”.

A terceira fase fundamental desta fase de transição é “o regresso à normalidade e, para este, é importante que se mantenham as redes de vigilância e de monitorização epidemiológica e clínica”, bem como, e para haver uma melhor percepção dos riscos, “uma informação por parte da DGS que não seja manifestamente insuficiente”.

O médico não defende o regresso da máscara como uma obrigatoriedade, mas como recomendação às pessoas mais vulneráveis e aos infectados, quando não tiverem sintomas e puderem trabalhar. Por outro lado, não considera também que esta fase de transição vá ser muito prolongada, mantendo-se no final desta primavera e início de verão. Mas é preciso agir adequadamente.

Reforço da vacinação: As medidas da DGS

Quarta dose para idosos

As pessoas com 80 ou mais anos e as residentes em Estruturas Residenciais para Idosos (ERPI) vão ser vacinadas com a segunda dose de reforço já a partir de segunda-feira, dia 16 de maio. A meta traçada pela ministra, final de Agosto e princípio de Setembro, é assim antecipada. Todos os elegíveis começarão a ser convocados por agendamento local, através de SMS ou por chamada telefónica, como já aconteceu noutras fases da vacinação. A população elegível é de cerca de 750 mil pessoas, que devem ser vacinadas com um intervalo mínimo de 4 meses após a última dose ou após um diagnóstico de infecção por SARS-CoV-2, ou seja, este reforço abrange também as pessoas que recuperaram da infecção.

Crianças imuno-deprimidas levam reforço

As crianças e jovens entre os 12 e 15 anos com condições de imuno-supressão, identificadas na norma 002/2021, também passam a ser elegíveis para receber uma dose adicional de vacina contra a covid-19, na sequência de parecer favorável da Comissão Técnica da Vacinação para a Covid-19. Os jovens com estas condições serão vacinados de acordo com orientação e prescrição médica.

Diário de Notícias
Ana Mafalda Inácio
14 Maio 2022 — 00:13


Pelas vítimas do genocídio praticado
pela União Soviética de Putin, na Ucrânia
For the victims of the genocide practiced
by the Soviet Union of Putin, in Ukraine

 

© ® inforgom.pt é um domínio registado por F. Gomes

 

1774: Mais 23.746 casos e 15 mortes por covid-19 em relação à semana passada

SAÚDE PÚBLICA/PANDEMIA/COVID-19/INFECÇÕES/MORTOS

Número de casos, mortes e internamentos a subir, assim como incidência.

A pandemia de covid-19 está novamente em crescimento, tendo sido registados um total de 99.866 casos entre 3 e 9 de Maio, mais 23.746 do que na semana anterior, indica o relatório de situação semanal da Direcção-Geral da Saúde (DGS).

Este aumento também se reflecte na incidência, que é agora de 970 casos por 100 mil habitantes – uma variação de mais 31% face aos sete dias anteriores -, e no R(t), actualmente em 1,13.

O número de óbitos também está a aumentar, tendo sido contabilizados 142 entre 3 e 9 Maio, ou seja, mais 14 do que na semana anterior.

Paralelamente, no último dia do período em análise havia 1.207 pessoas internadas (mais 88 do que na semana anterior), 59 das quais em unidades de cuidados intensivos (menos uma).

No período analisado, a região em que houve mais casos foi o Norte (35.993), seguido de Lisboa e Vale do Tejo (29.047), Centro (20.986), Alentejo (5.759), Algarve (3.519), Açores (3.368) e Madeira (1.194).

O relatório indica ainda que 92% da população tem vacinação completa e que 62% já recebeu a dose de reforço.

Adicionalmente, a DGS divulgou o Relatório de Monitorização da Situação Epidemiológica da Covid-19, que fala numa “tendência crescente” de novos casos e de R(t) a nível nacional e em todas regiões, excepto a Região Autónoma da Madeira.

Já o número de pessoas com covid-19 internadas em UCI no Continente revelou uma “tendência estável”, assim como a razão entre pessoas internadas e infectadas (0,17) e a mortalidade específica por covid-19 (26,1 óbitos em 14 dias por 1.000.000 habitantes).

A linhagem dominante em Portugal é a BA.2 da variante Omicron, que a 8 de maio representava 62,9% dos casos em Portugal. Os restantes 37,1% dizem respeito à linhagem BA.5 da variante Omicron.

Diário de Notícias
DN
13 Maio 2022 — 20:19


Pelas vítimas do genocídio praticado
pela União Soviética de Putin, na Ucrânia
For the victims of the genocide practiced
by the Soviet Union of Putin, in Ukraine

 

© ® inforgom.pt é um domínio registado por F. Gomes

 

1773: Linhagem mais recente da variante Ómicron já deverá ser dominante em Portugal

SAÚDE PÚBLICA/PANDEMIA/COVID-19/VARIANTE

Segundo investigadores do INSA, a variante Ómicron “terá já ultrapassado os 50%” dos novos casos de infecção

© ANTóNIO COTRIM/LUSA

A mais recente linhagem da variante ​​​​​​​ómicron do coronavírus SARS-CoV-2, que aparenta ser mais contagiosa, mas não demonstra ser mais grave, deverá já ser dominante em Portugal, estima o Instituto Nacional de Saúde Doutor Ricardo Jorge (INSA).

O investigador do INSA João Paulo Gomes disse aos jornalistas na sede da instituição que a linhagem BA5 da variante Ómicron “terá já ultrapassado os 50%” dos novos casos de infecção, especulando que será “a variante dominante”.

“Trata-se de uma linhagem mais transmissível e com algumas mutações que são associadas a uma maior capacidade do vírus para infectar e fugir ao sistema imunitário”, conseguindo ultrapassar os anticorpos gerados quer pelas vacinas quer pela infecção natural e assim expandir-se mais.

A linhagem está a aumentar em Portugal a par do que se passa na África do Sul, onde foi pela primeira vez identificada a variante Ómicron, mas os primeiros estudos “nada indicam” quanto a uma eventual maior gravidade.

“Não parece estar associada a um fenótipo de doença mais severo. Pensamos que será quase inevitável que [a covid-19] se transforme quase numa gripe. Vamos ter que viver com este coronavírus e pensa-se que o processo de vacinação vá ter que continuar, nem que seja para os grupos mais vulneráveis”, considerou.

João Paulo Gomes, que é responsável pela monitorização da diversidade genética do SARS-CoV-2 e outras doenças infecciosas em Portugal, declarou que “é um vírus com uma capacidade de adaptação incrível, que muito rapidamente se vai adaptando à própria evolução do sistema imunitário”.

Por conseguir passar pela imunidade das vacinas e natural, “as vacinas actualmente distribuídas, ainda desenvolvidas com a estirpe original [do novo coronavírus], são muito pouco eficazes contra a infecção, mas continuam a mostrar uma eficácia muito elevada quanto ao processo de hospitalização”.

“Todos conhecemos amigos, colegas que tiveram a infecção há poucos meses e estão agora novamente infectados, isso está a acontecer com estas linhagens”, apontou.

O INSA faz a monitorização de amostras do SARS-CoV-2 recolhidas semanalmente em todo o país, identificando os códigos genéticos.

“Todo o mundo tem beneficiado dos primeiros dados gerados”, referiu, acrescentando que ao conhecer a realidade de um país, os outros podem ter uma visão do que os espera e preparar-se melhor.

Diário de Notícias
DN/Lusa
13 Maio 2022 — 15:25


Pelas vítimas do genocídio praticado
pela União Soviética de Putin, na Ucrânia
For the victims of the genocide practiced
by the Soviet Union of Putin, in Ukraine

 

© ® inforgom.pt é um domínio registado por F. Gomes

 

1772: DGS avisa que segunda dose de reforço pode prevenir hospitalização e morte

SAÚDE PÚBLICA/PANDEMIA/COVID-19/2ª. DOSE

A DGS já tinha anunciado na quinta-feira a vacinação dos maiores de 80 anos e dos residentes em lares, um processo que tem início na segunda-feira.

© Rita Chantre / Global Imagens

A Direcção-Geral da Saúde (DGS) afirmou esta sexta-feira que a vacinação da população mais vulnerável com a segunda dose de reforço contra a covid-19 pode apresentar benefícios na prevenção de doença grave, hospitalização e morte.

Na norma da “Campanha de vacinação contra a covid-19”, esta sexta-feira actualizada e que recomenda a vacinação dos maiores de 80 anos e dos residentes em lares com a segunda dose de reforço, a DGS refere que o plano de vacinação “é dinâmico, evolutivo e adaptável à evolução do conhecimento científico, à situação epidemiológica, e à calendarização da chegada das vacinas” a Portugal”.

“Mais recentemente, a evidência científica tem vindo a sugerir que a vacinação com uma segunda dose de reforço pode apresentar benefício na prevenção de doença grave, hospitalização e morte, em determinados grupos populacionais mais vulneráveis como as pessoas com 80 ou mais anos de idade, sobretudo em situações de maior incidência de casos de infecção por SARS-CoV-2”, refere no documento.

A DGS já tinha anunciado na quinta-feira a vacinação dos maiores de 80 anos e dos residentes em lares, um processo que tem início na segunda-feira.

A população elegível é de cerca de 750 mil pessoas, que devem ser vacinadas com um intervalo mínimo de quatro meses após a última dose ou após um diagnóstico de infecção por SARS-CoV-2, que provoca a covid-19.

Segundo a norma hoje publicada, “o segundo reforço deve ser, preferencialmente, da mesma marca do primeiro reforço” da vacina de mRNA (Pfizer ou Moderna).

Também são elegíveis para receber uma dose adicional da vacina contra a covid-19 os maiores de 12 anos com condições de imunossupressão, como transplantados, infecção por VIH (com contagem de linfócitos T-CD4+ <200/µL) e doentes oncológicos em tratamento.

A DGS refere na norma que a vacinação de pessoas com imunossupressão deve ser efectuada sob orientação e prescrição do médico da especialidade, indicando a data a partir da qual ou período em que deve ser administrada a dose adicional.

“Caso uma pessoa esteja elegível simultaneamente para vacinação com uma dose adicional e uma dose de reforço, deve ser vacinada com dose adicional”, aconselha a autoridade de saúde.

A Comissão Técnica de Vacinação Contra a Covid-19 (CTVC) da DGS recomendou esta toma da segunda dose de reforço, com o “objectivo de melhorar a protecção da população mais vulnerável, face ao actual aumento da incidência de casos em Portugal”.

Diário de Notícias
DN/Lusa
13 Maio 2022 — 16:31


Pelas vítimas do genocídio praticado
pela União Soviética de Putin, na Ucrânia
For the victims of the genocide practiced
by the Soviet Union of Putin, in Ukraine

 

© ® inforgom.pt é um domínio registado por F. Gomes

 

Júlio Machado Vaz: “Se for necessário marcha-atrás nas restrições, tenho dúvidas quanto à reacção da população”

SAÚDE PÚBLICA/PANDEMIA/COVID-19/ENTREVISTA

Os efeitos da pandemia na saúde mental dos portugueses em análise no divã do psiquiatra, que assume que “já esteve deprimido”. Acredita no potencial da tecnologia, mas não teme que substitua o médico. Sobre a eutanásia, é um dos assinantes do manifesto e diz que “ficaria muito surpreendido se não caíssemos numa situação de, em termos legais, isso ter sido aprovado e, em termos operacionais, começarmos a caminhar em terreno enlameado e que torna o trajecto muito lento”.

Júlio Machado Vaz.
© Leonel de Castro/Global Imagens

Psiquiatra, professor universitário e comunicador, há mais de 30 anos que nos habituamos a vê-lo, ou a ouvi-lo, a tentar explicar temas complexos em palavras simples. Não gosta que lhe chamem sexólogo, mas foi por aí que se tornou conhecido dos portugueses, um rótulo que lhe ficou colado à figura e à voz. Entre a televisão e a rádio, nunca deixou de dar consultas, há uma década abandonou a faculdade, o ambiente estava, diz ele, irrespirável. Depois de anos de pandemia e restrições, a saúde mental entrou na ordem do dia. O nosso convidado é Júlio Machado Vaz, 72 anos.

Depois de dois anos de pandemia estamos todos a precisar de ir ao divã ou só alguns?
Alguns estão, mas não devemos confundir, aliás, o meu querido professor Coimbra de Matos explicava isso como ninguém: não devemos confundir tristeza com depressão, portanto, acrescentaria que também não devemos confundir profundo cansaço com depressão. É sempre perigoso quando começamos a psiquiatrizar sentimentos que acabam por ser normais, perante os desafios que nos aparecem pela vida, e estes dois anos têm sido um desafio grande, inesperado, e que continua. Isso leva-nos longe, não sei se concordam, mas há um sentimento em muitos de nós que foi decretar o fim da pandemia e ponto final. Por outro lado, começamos a ler que talvez estejamos no início de uma sexta vaga, portanto, há aspectos que transformam o momento em que vivemos, tem-se estado muito mais ocupado com a guerra na Ucrânia, mas transforma-se numa situação curiosa. Isto porque tenho sinceras dúvidas de que se for considerado necessário fazer travão às quatro rodas e fazer alguma marcha-atrás, tenho muitas dúvidas quanto à reacção da maioria da população.

Não foi na verdade decretado, mas temos todos já esse sentimento de libertação.
Tem toda a razão. O verbo decretar tem um peso quase Diário da República, empreguei-o no sentido em que as pessoas, umas conscientemente e outras inconscientemente, assumiram que esta primavera marcava o fim da pandemia. Há muita gente que já fala na pandemia no passado e a realidade é mais complexa do que isso.

As restrições a que fomos sujeitos, os confinamentos, o medo de uma doença totalmente desconhecida e altamente contagiosa, de alguma forma criaram desequilíbrios emocionais em cada um de nós, e na própria sociedade, que levarão muito tempo a resolver, ou não?
Mais uma vez, não podemos generalizar. Houve pessoas que passaram sem grandes sacudidelas, por isso houve outras que tiveram e ainda têm problemas, mas em que a recuperação – partindo do princípio de que não estamos a caminho da décima quinta vaga -, se fará de modo rápido e sem problemas maiores. Mas temos de assumir, e os meus colegas responsáveis pela saúde mental fizeram isto desde o início, que há consequências psicológicas que, algumas delas, justificam até diagnósticos psiquiátricos e que têm uma característica que é quase irónica, que parece “de mau gosto”, prolongam-se no tempo. Ou seja, o tempo da doença biológica, digamos assim, não é o mesmo tempo das consequências a nível da saúde mental.

“Nas consequências de confinamento, até em profissionais de saúde, observaram-se casos de stress pós-traumático quatro e cinco anos depois dos acontecimentos.”

Estes efeitos da pandemia podem sentir-se ao nível emocional por quanto tempo?
Só tínhamos tido experiências, embora em muito menor escala, sobre as consequências de confinamento, até em profissionais de saúde, e observaram-se casos de stress pós-traumático quatro e cinco anos depois dos acontecimentos. E, ainda por cima, afectavam o comportamento dos profissionais de saúde, um exemplo: havia colegas meus, três ou quatro anos depois, quando numa consulta normalíssima de seguimento a pessoa à sua frente tossia, tinham um movimento automático de recuo. As coisas ficaram de tal maneira incrustadas que ainda influenciam o comportamento pessoal, ainda por cima de um profissional de saúde.

Portanto, um estado de alerta constante.
É verdade, e se quisermos ir ao diagnóstico, porque tive o cuidado de dizer que será uma minoria, mas que existe, há muito ainda a ideia em Portugal que o stress pós-traumático é algo que só afecta ou afectou quem esteve na guerra colonial. E aqui permitirão que renda a minha homenagem ao meu grande amigo e recentemente perdido, o dr. Afonso de Albuquerque que se bateu nessa área como ninguém. Mas não é verdade, começamos a observar situações de stress pós-traumático, observaremos situações de agravamento de patologias pré-existentes, e aparecerão distúrbios de ansiedade e distúrbios depressivos.

Dados recentes mostram que a sociedade portuguesa está muito mais desperta para a problemática da saúde mental. Mais de dois terços dos portugueses consideram que se trata de uma área de intervenção prioritária. Na sua opinião, resulta dos últimos dois anos ou simplesmente do facto de se falar mais do tema, inclusive na comunicação social?
Sim, tem-se falado mais do tema. Não podemos esconder o sol com a peneira e temos um problema de iliteracia na saúde, mas que está incluído num problema de iliteracia no geral. A saúde mental foi sempre encarada – e agora estou a falar mesmo nos profissionais e pelos profissionais -, como, digamos assim, a enjeitada do ramo da medicina. A queixa psicológica foi sempre considerada menos credível, menos “honesta”, do que a queixa física. Quando conversamos e alguém refere algo que tem a ver com ortopedia, medicina interna, etc., não nos passa pela cabeça duvidar da seriedade da questão, da necessidade de procura de ajuda, mas com a saúde mental não é assim.

“Os homens têm uma pressão social ainda maior para considerar o sofrimento psicológico como uma demonstração de fraqueza (…) foram educados com aquelas frases como “um homem não chora”.

A dor da alma não está catalogada.
Não e, ainda por cima, há um efeito género, ou seja, os homens têm uma pressão social ainda maior para considerar o sofrimento psicológico como uma demonstração de fraqueza. Portanto, é muito vulgar recebermos homens que estão em estados mais adiantados de sofrimento psicológico, porque eles acham que já deveriam ter conseguido resolver aquilo. Ainda foram educados com aquelas velhas frases como “um homem não chora”, “mostra que és um homem”, etc.. Mas as falhas claras, as insuficiências melhor dizendo, ao nível da saúde mental existiam antes da pandemia, a pandemia só veio aprofundar essas feridas. Tenho lido com prazer as declarações do professor Miguel Xavier, do meu velho amigo o professor Lauret Fernandes e, portanto, tenho a esperança que isto sirva para de uma vez por todas – não vai acontecer de uma semana para a outra -, se perceba que não podemos andar pelo país inteiro a dizer às pessoas que a saúde é uma questão global, da parte psicológica, da parte física, um dos adjectivos da moda é uma visão holística da pessoa, e depois no concreto os meus colegas dizerem-me que quando pedem para referenciar alguém para uma consulta, por exemplo, de psiquiatria ou psicologia, essa consulta leva meses e meses até se realizar. É impensável.

Tem esperança que tenha impacto nas políticas públicas do Ministério da Saúde ao nível da saúde mental?
É verdade, veja o número de psicólogos nos cuidados de saúde primários.

Mas, ao mesmo tempo, Portugal é o país onde se receita mais antidepressivos e ansiolíticos. Na sua opinião, trata-se de um excesso de prescrições ou de um número anormal de casos? No sentido em que, seremos nós, por definição, um povo triste, dado a estados de alma negativos, com o fado, a fatalidade e o luto, ou isso são as tais heranças da mesma lógica de “um homem nunca chora”?
Tenho uma posição muito ambivalente em relação a isso. Sempre achei que tínhamos um bocado de azar em sermos vizinhos dos espanhóis, porque eles têm uma alegria de viver, uma capacidade de encher aquelas magníficas praças enormes de carrinhos de bebé para beberem uma “copa” antes de irem jantar às dez da noite, etc., que a nós nos faz sempre parecer macambúzios. Mas não alinho nada, por outro lado, nessa história de que estamos sempre atacados por um espírito de um fado, não, os portugueses não são assim tão dotados de especificidades a nível do humor. Não creio que seja isso que está em causa, o que acontece é que perante determinadas situações, a população apercebe-se daquilo que lhe vai dentro. O facto de se ter começado a falar mais de saúde mental também foi importante, é verdade, mas arriscar-me-ia a dizer que terá sido mais importante para aqueles que decidem, para aqueles que planeiam, do que propriamente para aqueles que estão habituados a que, cada vez que nessas áreas procuram ajuda, terem respostas de todo insuficientes.

“Doença psiquiátrica implica escutar. A esmagadora maioria dos meus colegas, sobretudo nos cuidados de saúde primários, não tem essa possibilidade. Nessas situações, é mais fácil prescrever.”

Mas já não temos o rácio mais alto de medicamentos antidepressivos em Portugal?
Em primeiro lugar, as condições de trabalho influenciam. Como compreende, o sofrimento psicológico – e repare que tenho o cuidado de não dizer “a doença psiquiátrica” -, implica que se tenha possibilidade de escutar as pessoas. A esmagadora maioria dos meus colegas, sobretudo nos cuidados de saúde primários, não tem essa possibilidade. Nessas situações, é mais fácil prescrever, é mais rápido, e isso acontece. Por outro lado, vivemos numa sociedade que está muito virada para soluções rápidas e, por isso, também não é raro que do lado da própria pessoa que tem as queixas, haja a nostalgia de uma pastilha que vai resolver tudo. Portanto, nessa altura, acaba por se formar uma espécie de tempestade perfeita, em que dos dois lados da secretária há um movimento de mútuo acordo para a medicação. Aí, regressaria ao que disse anteriormente a respeito da tristeza e da depressão: enquanto as depressões – o que não significa que não haja apoio psicoterapêutico -, pressupõem uma ajuda medicamentosa, não faz sentido nenhum estar a medicar a tristeza. A tristeza é algo tão natural como a alegria e demasiadas vezes nós profissionais, psiquiatras ou não, porque é bom não esquecer que não são só os psiquiatras que receitam medicação psiquiátrica, por vezes estamos a sobre-medicar. Portanto, esses números, em termos de literacia de saúde dos próprios profissionais, são números que são preocupantes em termos do país.

Há pouco falou das condições de trabalho: trabalhamos de mais, ganhamos de menos, ou seja, grande parte da vida útil é passada a trabalhar com pouco espaço e tempo para o lazer? A semana de quatro dias, por exemplo, poderia ter um efeito no sentido de melhorar o bem-estar na sociedade?
Poderia. É uma coincidência que me ponha essa questão porque ontem mesmo gravei com a Inês sobre o ócio, um texto belíssimo de Robert Louis Stevenson, A Capacidade do Ócio.

Mas não há tempo para ele ultimamente.
Temos uma visão pejorativa da própria palavra, mas o ócio não é não fazer nada, o ócio pode ser muito produtivo. Por exemplo, havia nos clássicos a noção que enquanto o ócio era destinado ao trabalho intelectual, o negócio era destinado ao trabalho ligado à sobrevivência. Quando me fala na semana de quatro dias, o que tenho dificuldade é em falar nisso isoladamente, porque isso vem no seguimento de outras ideias, muitas delas aplicadas como, por exemplo, a flexibilização do trabalho. Isto vive paredes-meias com questões como a crise da natalidade, mas também o maior empoderamento dos trabalhadores. Sabemos que a rentabilidade é maior quando os trabalhadores, em qualquer tipo de área, têm a noção que eles próprios têm uma determinada autonomia para que as tarefas sejam levadas a cabo, e não que estão inseridos numa espécie de cadeia de produção completamente automatizada.

Recordo-vos aquela imagem extraordinária de Chaplin nos Tempos Modernos, em que saía da fábrica e começava a apertar os botões dos casacos das pessoas na rua porque era isso que ele fazia todos os dias. A priori e por aquilo que me é dito pelas pessoas que estudam o tema, a semana de quatro dias não tem nada que me assuste, não é uma questão de preguiça como diz muita gente. Gostaria de recordar que houve uma altura em que foi preciso haver lutas sociais para não se trabalhar ao sábado, para nós o fim de semana é mais ou menos um direito adquirido. A questão não está aí, a questão está na organização de trabalho, e se se provar que com quatro dias por semana o trabalho não sofre com isso, que isso pode ajudar, de certa forma, em termos da problemática do desemprego, a minha questão é, porque não? Nós não inventámos a roda, há países que estão a experimentar esse sistema, vamos ver as avaliações que já existem, e um dia, porque não?

Recentrando na importância de colocar os cidadãos à frente da doença, isso realmente aconteceu com a pandemia ou a covid-19 ultrapassou tudo e todos? Fomos abalroados pela covid-19, mesmo nos serviços de saúde e passou à frente daquilo que é o interesse do cidadão?

Fomos. Fomos porque a manta é curta, como diz o povo, e, portanto, uma inevitável concentração de recursos numa determinada área, como foi e tem sido a área da pandemia, fez com que outras áreas e o metabolismo basal dos serviços em geral, e dos cuidados de saúde em particular, foram muito afectados. As pessoas queixam-se ainda, mas queixavam-se amargamente, que não conseguiam entrar em contacto com os profissionais de saúde. Por outro lado, é bom também dizer isto, os profissionais de saúde queixavam-se amargamente de que lhes eram acometidas funções que não deveriam ser da sua responsabilidade, e que os impediam de prosseguir a sua actividade normal mínima, naquilo que é o mais nobre da profissão, que é a consulta com o doente. É evidente que a tecnologia ajudou em termos das questões do confinamento, as comunicações por e-mail, etc., mas quer queiramos quer não, houve um prejuízo enorme da actividade, ainda por cima, da área fulcral do SNS que são os cuidados de saúde primários, que já viviam em dificuldades, e que ficaram completamente submersos com a situação que atravessámos. Isto é evidente que tem consequências, mas havia problemas que vinham de trás, qualquer um de vocês já ouviu aquela expressão de que “gosto muito do meu médico de família, mas ele só olha para o ecrã do computador”, ou seja, problemas na relação médico-paciente.

“A inteligência artificial abre-nos perspectivas magníficas a nível da imagiologia, a nível da capacidade de articular os serviços (…), mas dentro dos seus limites que têm a ver com a lógica.”

Já todos ouvimos falar muito de tecnologia na saúde, fala-se muito do avanço da robótica, da inteligência artificial e por isso pergunto, que papel fica reservado ao tal humanismo essencial à medicina?
Enquanto estava à espera de estabelecer ligação convosco, estava a ler na diagonal um artigo enviado pelo professor Espiga de Macedo, uma amizade de 60 anos, e o artigo era sobre as questões do diagnóstico, a relação médico-doente, etc.. E dizia algo que assino por baixo: a inteligência artificial abre-nos perspectivas magníficas a nível da imagiologia, a nível da capacidade de articular os diversos serviços, da informação circular, etc.. Depois, era a opinião de quem escrevia o artigo, há determinadas funções de integração, tanto do tratamento como do diagnóstico, em que a inteligência artificial tem muito mais dificuldades, e em que o médico continua a ser mais eficaz. Mas antes de tudo isto há outra coisa: o que é que esperamos da medicina? Uma relação entre duas pessoas com todo o auxílio que a inteligência artificial nos pode dar? Aliás, recentemente, um colega meu nos Estados Unidos, depois de sublinhar todos os avanços da inteligência artificial, quando lhe perguntaram o que valorizava mais em tudo isso, sorriu e disse, “estou com uma enorme esperança de que a inteligência artificial me permita ter o tempo para ver cada doente, que tinha há 20 ou 30 anos”. Isto conta muito, e até me podem dizer, e aqui também há diferenças nos estudos entre os mais velhos e os mais jovens, os mais jovens estão mais disponíveis para aplicações, contactos à distância, para um diagnóstico que é dado pela própria máquina ou algoritmo, mas isso não significa que depois não haja a nostalgia do contacto humano. Não podemos pedir à inteligência artificial que funcione fora dos seus limites, e os seus limites têm a ver com a lógica. Somos um animal que muitas vezes é profundamente ilógico e isso é algo com que temos de lidar em consulta, ao longo do tratamento. Houve agora uma pequena/média discussão por causa de um critério em relação ao desempenho dos meus colegas das USF tipo B, com a questão das interrupções de gravidez e com as infecções sexualmente transmissíveis e isso já foi retirado. Vejamos, isto tem a ver com uma nostalgia de que me lembro de há 30 ou 40 anos, por exemplo em relação às infecções sexualmente transmissíveis, e depois há aquela hipocrisia que é falarmos disto como se apenas se referisse aos mais jovens, o que é uma redonda e anafada mentira. Mas a nostalgia era a seguinte: se as pessoas estiverem devidamente informadas, não haverá comportamentos de risco. Isto pura e simplesmente não é verdade porque em determinadas situações as pessoas tentam a sorte, portanto, ir buscar a uma situação dessas a prova de uma determinada incompetência do profissional de saúde, não faz sentido rigorosamente nenhum. E reparem que nem sequer abordei isto pelo prisma de liberdade das pessoas, não é preciso ir aí, basta ter a noção de que a informação só por si não garante nada em relação ao comportamento das pessoas.

“Assumi que tinha estado deprimido. E colegas meus telefonaram-me dizendo ‘o que tu fizeste é suicidário. Quem é que agora te vai consultar?’. E não foi isso que aconteceu. Havia pessoas que iam ter comigo e diziam “talvez o senhor perceba”.

O senhor é um psiquiatra que já teve uma depressão, já confessou isso e explicou porquê.
Permita-me só, por deformação profissional, pôr a coisa de outra maneira? Estive deprimido. Sabe porquê? Quando dizemos “teve uma depressão”, parece que outro diagnóstico psiquiátrico está numa esquina, terrivelmente chateado, por não ter nada que fazer, passamos nós e cai-nos em cima. Não é assim. Não é uma entidade externa. Numa determinada altura nós estamos deprimidos. E, com um bocado de sorte, depois deixamos de estar.

O facto de ter estado deprimido ajuda-o a perceber melhor quem tem diante de si?
Eu acho, e aqui tenho que deixar uma palavra de agradecimento do dr. Jaime Milheiro, que foi o meu psicanalista há 40 anos. Estou profundamente convencido de que se não fui mais longe em auto-conhecimento, a culpa foi minha porque ele fez, na minha opinião um óptimo trabalho e hoje faz-me o favor de ser um bom amigo. Se, por um lado, eu tive a opção – e não estou a dizer que foi a melhor -, houve alturas da minha vida em que eu pensei que não era assim que as coisas se deviam passar, mas fiz psicanálise e não fiz terapia medicamentosa. Eu próprio era psiquiatra e tinha a sensação de que é mais do que legítimo que tentemos fazer abrandar os sintomas com medicação, mas eu tinha a sensação de que o fulcro da questão não era esse. Que havia um padrão na minha vida que era preciso deslindar, e que sem isso não iria lá. Portanto, em termos de auto-conhecimento foi bom. Um psiquiatra, um psicólogo, um médico de medicina geral e familiar, que se conhece melhor, em geral tem melhor capacidade de empatizar com quem está à sua frente. No meu caso particular, houve um pormenor, hoje em dia engraçado, já não sei em que entrevista, eu assumi que tinha estado deprimido. E colegas meus, muito bem-intencionados, telefonaram-me dizendo “o que tu fizeste é suicidário. Quem é que agora te vai consultar?”. E não foi isso que aconteceu. O que aconteceu é que havia pessoas que iam ter comigo e diziam “eu ouvi aquilo, eu li aquilo, talvez o senhor perceba”. Ou seja, quando uma pessoa me dizia “eu estou completamente desmotivado, não tenho um objectivo na vida, ando triste, etc.”, e eu dizia “se calhar tem aquela sensação desagradável que é custar-nos até abrir a persiana de manhã”. Não era raro a pessoa dizer “é exactamente isso”. E isto para a pessoa é reconfortante. Do outro lado alguém entende. Cuidado que não estou a dizer que haja workshops para deprimir os psiquiatras.

A que médicos vai o médico Júlio Machado Vaz? E como funciona essa relação paciente-médico quando o próprio paciente é médico? É uma luta, uma discussão, é um debate?
Essa é uma daquelas perguntas que só me apetece dar a resposta clássica: “só na presença do meu advogado”. Porque nós os médicos, com enorme frequência, sendo médicos de outro médico, e sendo doentes de outro médico, furamos completamente as regras. Primeiro, porque não é nada raro que as nossas consultas sejam em conversas de corredor ou num jantar em que estamos com o colega ou, porque também somos médicos, perante uma medicação que aceitámos oficialmente chegamos cá fora e imediatamente adaptamo-la porque achamos que aquele medicamente não precisa de ter aquela dose, aquele outro talvez a uma outra hora. Somos muito indisciplinados. E isso não é bom. Lembro-me de um livro que li, sobre relação entre médico e doente, e que se debruçava sobre essa questão. Um colega meu trabalhava com um prémio Nobel na área da neurologia e estava preocupado com determinados sintomas. Então, em conversa estilo café, deu-lhe nota das suas preocupações. E o outro mais velho, mais experiente, mais sábio disse-lhe “sabes o que tens que fazer?”, “não, o quê?”, “acho que tens que ir ao médico”. Ou seja, nessas alturas, temos que nos convencer que precisamos de uma consulta e vamos a uma consulta. Não é passar tangentes e ouvir palpites. É irmos a uma consulta, ouvir, queixarmo-nos, depois fazermos os exames que nos são prescritos, mas sem fazer batota pelo meio. Aliás, em termos de formação em medicina, há escolas médicas que põem os alunos, durante alguns dias, em enfermaria, na posição dos doentes. E isso é muito revelador porque conseguir pôr-se nos sapatos do outro, é uma vantagem extraordinária. E não é uma coisa fácil.

Vamos agora mudar ligeiramente de sapatos para ir até à faculdade. Deixou a faculdade porque estava irrespirável, e estou a citá-lo. Irrespirável porquê? O que é que o fez deixar a faculdade?
Numa determinada altura, com razão ou sem ela, houve alguém do Instituto de Ciências Abel Salazar que teve uma atitude para comigo que me fez sentir indesejado na escola. Nessa altura pensei em tomar a decisão e tomei-a porque podia.

Mas sentiu uma certa ditadura do pensamento?
Senti uma profunda deselegância para comigo. E não gostei porque estive décadas no Instituto Abel Salazar e, como se costuma dizer, vesti a camisola do instituto desde os primeiros tempos em que se dizia que quem estava no instituto ou era comunista ou era retornado, tive a honra de trabalhar, não na mesma área, mas lado a lado com pessoas como o Nuno Grande, etc., e, talvez eu estivesse já a azedar com a idade, mas achei que tinha sido vítima de uma garotice, e lembrei-me de uma frase de meu pai que costumava dizer que tinha aversão a agressividade e confrontos, e dizia uma frase que não era dele que é: quando se vai a um restaurante e o serviço é mau, não se volta. E eu pensei, não me estou a sentir confortável e vou-me embora. E posso ter alguma razão, porque eu vim-me embora e o único órgão de Biomédicas que escreveu um e-mail a desejar-me felicidades foi a Associação de Estudantes. E pensei assim, primeiro fiquei chocado, mas é o órgão mais importante para mim. E deixe-me dizer aqui uma coisa. Durante algum tempo em Biomédicas, eu era o único exótico que levava para as aulas slides, de pintura ou de poesia, e agora tenho a enorme alegria de ter em Biomédicas, uma disciplina opcional de poesia com o João Luís Barreto Guimarães. E fiquei muito contente.

É um dos assinantes do manifesto da eutanásia, e o Partido Socialista quer voltar a discutir o tema. Qual será a solução que acha que vamos ter?
Quer que lhe seja franco? Acho que formalmente, o projecto ou os projectos, se houver um acordo serão aprovados. Depois, a passagem à prática será qualquer coisa que o povo costuma dizer: demorou tanto com as obras de Santa Engrácia. E, portanto, ficaria muito surpreendido se não caíssemos numa situação de, em termos legais, isso ter sido aprovado e, em termos operacionais, começarmos a caminhar em terreno enlameado e que, portanto, torna o trajecto muito lento. Mas pode ser o pessimismo de uma velha raposa que já viu muitas batalhas nas mais diversas áreas.

Diário de Notícias
Rosália Amorim e Pedro Cruz (TSF)
13 Maio 2022 — 07:00


Pelas vítimas do genocídio praticado
pela União Soviética de Putin, na Ucrânia
For the victims of the genocide practiced
by the Soviet Union of Putin, in Ukraine

© ® inforgom.pt é um domínio registado por F. Gomes

 

1770: Bruxelas avisa UE para estar preparada para rápidas restrições se necessário

– O que não faltam para aí são acéfalos irracionais “descontraídos” e “esquecidos”… Só quando lhes bater à porta é que se vão lembrar de rezar à santa deles…

SAÚDE PÚBLICA/PANDEMIA/COVID-19/RESTRIÇÕES

“Este não é um momento de descontracção e de esquecimento”, avisou a comissária europeia da Saúde sobre a pandemia de covid-19. Afirmou que os Estados-membros precisam “de estar preparados para reintroduzir rapidamente” medidas restritivas, caso seja necessário.

A comissária europeia da Saúde, Stella Kyriakides, alertou que o vírus SARS-CoV-2, responsável pela covid-19, “ainda está entre nós, está a circular, a infectar e a sofrer mutações constantes”
© EPA/STEPHANIE LECOCQ

A comissária europeia da Saúde, Stella Kyriakides, avisou esta quinta-feira que ainda não é “momento de descontracção e de esquecimento” da pandemia de covid-19, avisando os Estados-membros que têm de estar preparados para reintroduzir rapidamente medidas restritivas, se necessário.

“Este não é um momento de descontracção e de esquecimento, é uma altura que devemos aproveitar para estarmos preparados para aumentar a nossa vigilância e, por isso, pedi aos Estados-membros que considerassem uma série de acções para os próximos meses, a fim de desenvolverem a preparação e coordenação da UE [União Europeia]”, declarou a responsável europeia da tutela, no Parlamento Europeu, em Bruxelas.

Intervindo na primeira reunião da comissão especial parlamentar sobre as lições da resposta à pandemia da covid-19, Stella Kyriakides vincou ser necessário “ter sistemas de vigilância em funcionamento para que, no caso de haver uma nova variante e um aumento súbito nos casos, os Estados-membros possam imediatamente detectá-la e ser capazes de reagir”.

“Precisamos de estar preparados para reintroduzir rapidamente medidas não-farmacêuticas [medidas restritivas]”, insistiu a comissária europeia da Saúde.

E exemplificou: “Se fecharmos todos os centros de vacinação, se tudo o que foi criado for subitamente suspenso e se tivermos uma situação em que precisamos de reagir, será mais difícil pô-lo a funcionar imediatamente”.

“O vírus ainda está entre nós, está a circular, a infectar e a sofrer mutações constantes”

Actualmente, cerca de 325 milhões de pessoas na UE estão totalmente vacinadas contra a covid-19 e perto de 230 milhões receberam uma dose de reforço.

No entanto, “mais de 100 milhões de europeus ainda não estão vacinados ou estão apenas parcialmente vacinados, [pelo que] temos de continuar a comunicar-lhes com as nossas campanhas de vacinação e continuar a abordar as causas da hesitação vacinal com um alcance personalizado ao nível da comunidade”, pediu Stella Kyriakides.

Reconhecendo que a situação epidemiológica da covid-19 melhorou, já que apesar de haver um número elevado de casos na UE os hospitais não estão sobrecarregados e a mortalidade é baixa, a responsável assumiu que “a situação é, pelo menos de momento, controlável”.

Porém, “o vírus ainda está entre nós, está a circular, a infectar e a sofrer mutações constantes”, razão pela qual “temos de nos preparar para o outono e o inverno e manter as nossas populações mais vulneráveis protegidas”, adiantou Stella Kyriakides.

E concluiu: “Vivemos na era das pandemias. Não sabemos quando virá a próxima crise, mas temos de estar preparados para a enfrentar”.

Diário de Notícias
DN/Lusa
12 Maio 2022 — 11:30


Pelas vítimas do genocídio praticado
pela União Soviética de Putin, na Ucrânia
For the victims of the genocide practiced
by the Soviet Union of Putin, in Ukraine

[vqrsize=”130″/]

 

© ® inforgom.pt é um domínio registado por F. Gomes

 

1769: Pessoas com 80 ou mais anos e residentes em lares vão receber segunda dose de reforço

SAÚDE PÚBLICA/PANDEMIA/COVID-19/IDOSOS

A vacinação nos lares vai iniciar-se já na segunda-feira, enquanto as pessoas com 80 ou mais anos vão começar a ser vacinadas durante a próxima semana, nos centros de vacinação ou nos centros de saúde.

As pessoas com 80 ou mais anos e os residentes em Estruturas Residenciais para Idosos (ERPI) vão ser vacinadas com a segunda dose de reforço de um imunizante contra a covid-19.

A vacinação nos lares vai iniciar-se já na segunda-feira, enquanto as pessoas com 80 ou mais anos vão começar a ser vacinadas durante a próxima semana, nos centros de vacinação ou nos centros de saúde, após serem convocadas por agendamento local, através de SMS ou chamada telefónica, como já aconteceu noutras fases da vacinação.

“A população elegível é de cerca de 750 mil pessoas, que devem ser vacinadas com um intervalo mínimo de 4 meses após a última dose ou após um diagnóstico de infecção por SARS-CoV-2, ou seja, este reforço abrange também as pessoas que recuperaram da infecção”, indica o comunicado enviado esta quinta-feira pela Direcção-Geral da Saúde (DGS) às redacções.

Trata-se de uma antecipação de uma medida já prevista pelo governo, uma vez que a ministra da Saúde, Marta Temido, tinha anunciado no início deste mês que as pessoas com mais de 80 anos iam receber um novo reforço da vacina contra a covid-19 a partir do final de Agosto ou início de Setembro e que estava também a ser equacionado para as pessoas entre 60 e 80 anos. O objectivo, explica a DGS, é “melhorar a protecção da população mais vulnerável, face ao actual aumento da incidência de casos de covid-19 em Portugal”.

Paralelamente, passam a ser elegíveis para receber uma dose adicional de vacina contra a covid-19 as crianças e jovens entre os 12 e 15 anos com condições de imunossupressão, na sequência de um parecer favorável da Comissão Técnica de Vacinação Contra a COVID-19 (CTVC). Os jovens com estas condições serão vacinados de acordo com orientação e prescrição médica.

Na terça-feira, a Organização Mundial da Saúde (OMS) defendeu que a quarta dose devia ser administrada apenas em idosos ou pessoas com o sistema imunitário fragilizado, reiterando como prioritária a vacinação primária a nível global. “Não há dados específicos que justifiquem recomendar a quarta dose de forma mais generalizada”, adiantou a cientista chefe da organização, Soumya Swaminathan, numa conferência de imprensa sobre a evolução da pandemia da covid-19 no mundo.

Diário de Notícias
DN
12 Maio 2022 — 20:48


Pelas vítimas do genocídio praticado
pela União Soviética de Putin, na Ucrânia
For the victims of the genocide practiced
by the Soviet Union of Putin, in Ukraine

[vqrsize=”130″/]

 

© ® inforgom.pt é um domínio registado por F. Gomes

 

1768: Portugal entra em nova onda ao chegar quase aos 25 mil casos diários

SAÚDE PÚBLICA/PANDEMIA/COVID-19/INFECÇÕES

De uma semana para a outra, casos aumentam quase 50%. Portugal pode ser o primeiro da Europa a registar uma nova onda, que “já está bem definida”, diz Carlos Antunes da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa. Autoridades da saúde e políticas já deveriam estar a explicar à população o que se está a passar e a tomar medidas. Internamentos e óbitos já estão a aumentar entre os idosos.

Testes de diagnóstico deixaram de ser gratuitos e taxa de positividade já está em 42%, em cada dez oito estão infectados.

Mais uma vez, o vírus SARS CoV-2 vem mostrar que tudo pode mudar de uma uma semana para outra, basta uma nova linhagem de uma das variantes já existentes ou um nova variante mesmo. Portugal é disso um exemplo. O número de casos aumentou em quase 50% em apenas uma semana, aquela em que o país voltou a passar a barreira dos 20 mil e os 24 mil casos, quando na semana passada, as projecções com base nos dados de casos reais, avaliados pela Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa, apontavam para que se atinge apenas os 15 ou 16 mil casos como média diária.

O professor Carlos Antunes, que desde o início da pandemia integra a equipa que faz a modelação da evolução da pandemia, confirma: “Quase sem darmos por isso, volta a acontecer um aumento exponencial de casos. Já estamos com um crescimento de velocidade cruzeiro, mais casos em todas as regiões e faixas etárias, mais óbitos e já se começa a denotar um aumento nos internamentos em algumas regiões”.

Portanto, do ponto de vista matemático pode dizer-se que estamos perante “uma nova vaga, que, matematicamente, está perfeitamente definida, e que do ponto de vista epidemiológico está associada a vários factores, um deles é o aparecimento de uma nova linhagem da Ómicron, a BA.5, que está a prevalecer em relação à BA.2, outro à maior mobilidade e contacto social com menor protecção”.

O analista de dados diz mesmo que “um crescimento assim ainda não foi detectado em outros países da Europa”, e que “Portugal pode ser o primeiro, embora já esteja a acontecer na África da Sul e nos EUA”. O professor admite nunca ter pensado que tanta gente pudesse abdicar do uso de máscara tão rapidamente, que a medida deveria ter deixado de ser obrigatória para ser recomendada, mas com uma mensagem forte de que esta deveria continuar a ser usada em espaços fechados com muita gente e que o crescimento de casos está dependente da auto-avaliação do risco.

Podemos estar a caminhar para uma vaga idêntica à de Janeiro

O professor considera ser importante que a informação sobre o estado da situação volte a ser dada à população de forma clara e diariamente, “a população perdeu a noção do risco e é preciso que a informação lhe chegue”, defendendo mesmo que as autoridades políticas e de saúde já deveriam estar a fazer conferências para explicar o que se está a acontecer, embora reconheça que esta atitude tem a ver com a ponderação do risco que estão a fazer.

Há uma semana, Carlos Antunes dizia ao DN que, mesmo que houvesse um aumento de casos, a situação em termos de gravidade estava tranquila, agora diz não se saber o que pode acontecer. “Vamos ver se a protecção vacinal e a imunidade natural vão ser suficientes para parar esta onda ou se vamos ter mesmo a necessidade de aplicar medidas e dar um passo atrás, já se percebeu que há alguma resistência política, e que os testes gratuitos não vão voltar, vai continua a ser a Linha SNS 24 a encaminhar o doente, nem a obrigação do uso de máscara, mas Portugal deveria reequacionar isso imediatamente, sob pena de actuar tardiamente”.

Os casos dispararam e a informação está a ficar desactualizada de dia para dia. No início da semana, o R(t), índice de transmissibilidade a nível nacional segundo o INSA estava em 1.14, na terça-feira o Instituto Superior Técnico veio dizer que já estava em 1.17 e, hoje, quinta-feira, a nossa avaliação já dá 1.19. Pode parecer contraditório, mas não é. O tempo de análise é que é diferente”. A tendência de crescimento já se está a fazer sentir nos internamentos em enfermarias nalgumas regiões e nos óbitos nas faixas etárias acima dos 65 anos, embora mais na faixa acima dos 80 anos.

Conforme destaca Carlos Antunes, “os óbitos já estão a dar sinal de aumento. Na semana passada, em relação à semana anterior, a mortalidade por milhão de habitantes a 14 dias ainda estava a descer. “Estava nos 24 óbitos e a média da mortalidade estava nos 19 mortos, agora já está a subir outra vez. A mortalidade por milhão de habitantes a 14 dias está em 27.5 óbitos e a mortalidade diária em em 24 óbitos. O mesmo se está a passar com os internamentos em enfermarias, acima dos 65 anos, em que o aumento já é bem visível na região Norte”.

Nesta quinta-feira, a comissária europeia para a Saúde alertou os Estados-membros para estarem preparados para terem de votar atrás nas restrições, caso fosse necessário, mas o ECDC, por exemplo abandonou a obrigatoriedade das máscaras nos aeroportos e nos aviões. Portanto, e perante estes sinais exteriores, “pode haver alguma teimosia política em não voltar atrás”, justifica.

Mas, a verdade, é que a taxa de positividade na testagem é de 42%, uma taxa nunca antes atingida. “Em cada dez que fazem teste, oito estão positivos”, explica, acrescentando que a tendência registada agora em número de casos e de positividade em testes revela um aumento superior ao do Carnaval.

“Provavelmente, estamos a caminhar para uma vaga semelhante à de Janeiro, em termos de casos e de óbitos, em que chegámos às 50 e 60 mortes diárias”. E porquê? Porque “todas as etárias estão a subir, os mais novos, entre os 10 e os 29 anos, estão com a maior dinâmica, devido aos contactos sociais, mas um dos problemas graves no nosso país é que não conseguimos separar os que podem ser infectados sem consequências dos mais vulneráveis. O aumento de casos a parir dos 65 está com maior ritmo e a partir dos 80 anos também. E isto indicia que vamos ter um aumento de óbitos e de internamentos a partir de agora”.

Por tudo isto, o Carlos Antunes defende que “já se deveria estar a tomar medidas, apelando, mesmo individualmente, ao regresso do uso de máscara em espaços fechados sem ventilação e com muita gente para proteger os mais idosos e vulneráveis.

De acordo com a análise da equipa da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa, Portugal voltou a passar a barreira dos 20 mil casos, na segunda-feira foram 20.486, terça 24.572 e quarta 24.866, e a chegar quase aos 30 óbitos diários, 29, 27 e 25, respectivamente. As projecções apontam para que a partir da próxima semana, “o país possa estar já numa tendência como a que registámos em Janeiro, quer em número de casos diários quer em óbitos”.

Por isso, diz, “é preciso que a população tenha perfeita consciência desta situação, porque agora estamos dependentes da auto-avaliação do risco”, declarando que “é a academia que está a vir dar conta da situação” .

Nesta altura, o país já ultrapassou os quatro milhões de casos e os 22 mil óbitos, está com 4.044.134 de infectados desde o início da pandemia e com 22.550 óbitos, quando no final de 2021 havia 1.389.646 e 18.955 óbitos.

Diário de Notícias
Ana Mafalda Inácio
12 Maio 2022 — 22:37


Pelas vítimas do genocídio praticado
pela União Soviética de Putin, na Ucrânia
For the victims of the genocide practiced
by the Soviet Union of Putin, in Ukraine

[vqrsize=”130″/]

 

© ® inforgom.pt é um domínio registado por F. Gomes

 

1767: OMS: Número de mortos na Europa ultrapassa os 2 milhões

– Os acéfalos indigentes irracionais que continuam a encarar esta pandemia mortal como se tratasse de uma “gripezinha”, continuam a não acreditar na realidade dos factos. Mais de DOIS MILHÕES DE MORTOS só na Europa!!! Vamos para a borga cambada!

SAÚDE PÚBLICA/PANDEMIA/EUROPA/MORTOS

O número de mortos causados pela pandemia de covid-19 ultrapassou os dois milhões de pessoas na Europa, já há muitos meses epicentro da doença, anunciou esta quinta-feira a Organização Mundial de Saúde (OMS).

Um funcionário retira equipamento de protecção na ala Covid 19 do Hospital das Forças Armadas do Porto, 2 de Dezembro de 2020. Preparado para “abrir portas” a qualquer momento para receber doentes dos hospitais do Norte, no Hospital das Forças Armadas do Porto a gestão da segunda vaga da pandemia é feita “diariamente” e missão continua a ser “cuidar com dignidade”. (ACOMPANHA TEXTO DE 05/12/2020) JOSÉ COELHO/LUSA
© LUSA

“Foi atingido um marco devastador, já que o número de mortes por covid-19 relatadas por países da região da OMS na Europa ultrapassou os dois milhões de pessoas”, disse um porta-voz da OMS, citado pela agência de notícias francesa AFP.

No total, a OMS na Europa — cujos países membros se estendem até à Ásia central — registou 2.002.058 mortes causadas pela pandemia em 218.225.294 casos de infecção pelo coronavírus SARS-CoV-2.

O país do mundo com maior número de mortos continua a ser os Estados Unidos, tendo ultrapassado a marca de um milhão de mortes, anunciou hoje a Casa Branca.

Após uma recuperação na primeira quinzena de Março, a pandemia do coronavírus SARS-Cov 2 diminuiu na Europa, tendo o número de casos diminuído 26% nos últimos sete dias e o de mortes baixado 24%.

Mais de dois anos após as primeiras restrições adoptadas para combater a infecção, a maioria dos países europeus pretende “virar a página da covid-19” e já restam poucas limitações no continente.

Em termos mundiais, o número de novos casos relatados continua a cair, excepto nas Américas e em África, segundo referiu a OMS.

No seu relatório semanal sobre a pandemia, divulgado na terça-feira, a agência de saúde da ONU disse que cerca de 3,5 milhões de novos casos e mais de 25.000 mortes foram relatadas globalmente, o que representa, respectivamente, reduções de 12% e 25% dos casos.

A tendência de queda do número de infectados registados começou em Março, embora muitos países tenham já desmantelado os programas de testes e vigilância, o que torna mais difícil uma contagem precisa dos casos.

Segundo a OMS, apenas duas regiões continuam a ver os número de infecções por covid-19 aumentarem: as Américas, com mais 14%, e a África, com mais 12%.

Os números permaneceram estáveis no Pacífico ocidental e caíram no resto do mundo, referiu a agência.

Ainda assim, o director-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, avisou, em conferência de imprensa realizada esta semana, que “o aumento de casos em mais de 50 países mostra a volatilidade do vírus”.

O responsável sublinhou que as variantes da covid-19, incluindo as versões mutantes da Ómicron, são altamente contagiosas e estão a provocar um ressurgimento da pandemia em vários países.

O director-geral da OMS referiu ainda que só as taxas relativamente altas de imunidade da população estão a impedir um aumento das hospitalizações e mortes, mas avisou que “isso não é garantido nos locais onde os níveis de vacinação são baixos”.

Nos países mais pobres, apenas cerca de 16% das pessoas foram vacinadas contra a covid-19.

O relatório da OMS observou que algumas das maiores subidas no número de infectados 19 foram observadas na China, que registou um aumento de 145% na última semana.

Diário de Notícias
DN/Lusa
12 Maio 2022 — 14:01


Pelas vítimas do genocídio praticado
pela União Soviética de Putin, na Ucrânia
For the victims of the genocide practiced
by the Soviet Union of Putin, in Ukraine

[vqrsize=”130″/]

 

© ® inforgom.pt é um domínio registado por F. Gomes