1525: Centro Europeu encoraja países a mudar a forma como se está a tratar a covid-19

– É notoriamente errado começar a tratar a pandemia do Covid-19, como se de uma endemia se tratasse. Ou será que os espanhóis e os ingleses afinaram pelo diapasão do brasileiro que disse que o covid-19 não passava de uma “gripezinha”? Basta aferir a infecciosidade diária e as mortes que, embora em menor número devido à vacinação, vão causando estragos por todo o Mundo. Acéfalos!

SAÚDE PÚBLICA/PANDEMIA/COVID-19

Espanha anunciou recentemente que vai passar a monitorizar a pandemia de covid-19 como se de uma gripe comum se tratasse.

© PATRICIA DE MELO MOREIRA / AFP)

Depois de Espanha ter anunciado que planeia monitorizar a pandemia de covid-19 como se de uma gripe comum se tratasse, fonte do Centro Europeu de Prevenção e Controlo das Doenças (ECDC) disse ao El País que a entidade está a avaliar a eficácia da estratégia espanhola e encorajou mais países a mudar de abordagem.

“O ECDC encoraja os países a fazer a transição de um sistema de vigilância de emergência para outros mais sustentáveis e orientados para objectivos”, disse um porta-voz da organização. “Esperamos que mais estados-membros queiram mudar para uma abordagem de vigilância sustentável a longo prazo”, acrescentou.

O surgimento da variante Ómicron, mais contagiosa mas menos letal numa população amplamente imunizada, seja por vacinação ou por infecção anterior, fez com que se instalasse na Europa o debate sobre o novo normal. A redução do período de isolamento em vários países, entre os quais Portugal, aponta nesse sentido.

No Reino Unido, o governo de Boris Johnson também está comprometido em começar a tratar a covid-19 como uma doença endémica.

Por outro lado, a maioria dos especialistas e países como França e Alemanha consideram que ainda é cedo para falar de uma doença endémica, mas há cada vez mais vozes a pedir para que se prepare essa fase da pandemia.

Além da menor letalidade, a disseminação massiva tem levado os sistemas de saúde dos países europeus ao limite, pois rastrear todos os contactos tem-se tornado uma missão impossível. “A proposta espanhola faz sentido porque o rápido aumento da incidência torna impossível o rastreamento de contactos e sobrecarrega as capacidades de diagnóstico”, crê Eva Grill, epidemiologista da Universidade Ludwig Maximilian, em Munique.

Os laboratórios alemães alertaram esta semana que estão a atingir o seu limite, sendo que Lothar Wieler, presidente do Instituto Robert Koch, anunciou na sexta-feira que terá de ser tomada uma decisão sobre os critérios para se fazerem testes PCR.

A Comissão Europeia assume que ainda é cedo para mudar a abordagem para a estratégia proposta por Espanha e pelo Reino Unido, ainda que um porta-voz da comissária Stella Kyariakides tenha admitido que a “maior inumanidade natural” promovida pela variante Ómicron, juntamente com a vacinação, possa ser “um primeiro passo em direcção a um cenário quase endémico”. “Ainda não estamos nessa fase e o vírus ainda se comporta como um perigoso vírus pandémico”, alertou.

Já o responsável pela estratégia de vacinas da Agência Europeia de Medicamentos (EMA), Marco Cavalieri, apelidou a proposta do primeiro-ministro espanhol Pedro Sánchez de precipitada. “A Ómicron é altamente contagiosa e causa um alto número de pessoas infectadas. É importante não subestimá-la”, frisou.

A OMS também não mostra pressa e mudar a abordagem, estimando que mais de 50% da população europeia seja infectada nas próximas seis a oito semanas. O director da agência da ONU para a Europa, Hans Kluge, considera prematura a proposta espanhola, receando o surgimento de novas mutações.

Diário de Notícias
DN
17 Janeiro 2022 — 19:30

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