1529: Recorde de 43.729 casos, 46 mortes e desde Fevereiro que não havia tantas mortes

– E pretendem os “especialistas” que isto passe a endemia… Diz um deles: “Estamos cada vez mais imunes ao vírus”… Adoro quando eles se auto-definem como “especialistas”… 🙂 

– Estatísticas até hoje, Terça-feira:

18.01.2022 – 43.729 infectados – 46 mortos
17.01.2022 – 21.917 infectados – 31 mortos

Total até hoje (dois dias): 65.646 infectados – 77 mortos

SAÚDE PÚBLICA/PANDEMIA/COVID-19/INFECÇÕES/MORTOS

Houve 46 mortos nas últimas 24 horas, o número mais alto desde 26 de Fevereiro de 2021. Há agora 1.955 pessoas internadas (mais 17 que ontem) e há mais 42.055 recuperados da doença, indica o relatório diário da DGS.

Centro de vacinação no Parque das Nações, em Lisboa
© Diana Quintela/ Global Imagens

Portugal confirmou, nas últimas 24 horas, 43.729 novos casos de covid-19, segundo o boletim epidemiológico da Direcção-Geral da Saúde (DGS). O relatório desta terça-feira (18 de Janeiro) refere ainda que morreram mais 46 pessoas devido à infecção, o número mais alto desde Fevereiro do ano passado.

De sublinhar que só em Lisboa e Vale do Tejo foram 25 os mortos nas últimas 24 horas.

Sobre a situação nos hospitais, os dados mostram que há agora 1.955 internados (mais 17), dos quais 160 estão em unidades de cuidados intensivos, menos 14 pessoas.

Foram, no entanto, registados mais 42.055 casos de pessoas que recuperaram da doença, refere a a DGS no dia em que arranca a testagem dos alunos das escolas públicas.

Estudantes começam hoje a ser testados

Cerca de um milhão de estudantes das escolas públicas de todo o país vão poder ser testados a partir desta terça-feira através de um acordo entre os directores escolares e as farmácias.

A decisão foi avançada à Lusa na semana passada pelo presidente da Associação Nacional de Directores de Agrupamentos e Escolas Públicas (ANDAEP), Filinto Lima, que explicou que este projecto resultava de um protocolo entre a ANDAEP e a Associação Nacional das Farmácias (ANF).

“A iniciativa de testagem covid-19 arranca hoje”, anunciam as duas entidades num comunicado conjunto enviado às redacções, explicando que o objectivo é “garantir a segurança dos alunos durante o novo período lectivo”.

O programa agora organizado pela ANF e ANDAEP prevê que o serviço de testagem seja articulado localmente entre cada escola e as farmácias de proximidade, podendo a testagem ser realizada nas instalações da farmácia ou da escola. Para o presidente da ANDAEP, a iniciativa “vai permitir que os alunos possam ser todos testados a custo zero para as famílias e para as escolas”.

Portugal ultrapassa os 30 milhões de testes à covid-19

Desde o início da pandemia, já foram realizados em Portugal mais de 30 milhões de testes à covid-19, indica esta terça-feira o Instituto Nacional de Saúde Dr. Ricardo Jorge (INSA). Na sexta-feira (14 de Janeiro), o país atingiu um total de 30.074.386 milhões de testes à infecção por SARS-CoV-2. No total, são “aproximadamente 17,7 milhões de testes TAAN/PCR e perto de 12,4 milhões de Testes Rápidos de Antigénio (TRAg) de uso profissional”.

O INSA refere, em comunicado, que em apenas quatro dias, de 11 a 14 de Janeiro, Portugal “voltou a ultrapassar a marca de um milhão de testes, dos quais mais de 770 mil (70%) foram TRAg de uso profissional”. Dados que não incluem os auto-testes..

Já entre os dias 1 e 14 de Janeiro, foram realizados perto de 3,3 milhões de testes de diagnóstico à covid-19 (cerca de 1 milhão TAAN/PCR e mais de 2,2 milhões TRAg de uso profissional), com uma média diária de mais de 233 mil testes.

Diário de Notícias
DN
18 Janeiro 2022 — 15:18

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1528: Surto com 19 infectados na Misericórdia de Portalegre

SAÚDE PÚBLICA/PANDEMIA/COVID-19/SURTOS

Na sequência deste surto, as visitas aos utentes da Santa Casa da Misericórdia de Portalegre foram canceladas.

12 utentes e sete funcionários da Santa Casa da Misericórdia de Portalegre testaram positivo à covid-19
© Facebook Misericórdia de Portalegre

Um surto de covid-19 na Santa Casa da Misericórdia de Portalegre regista 19 casos de infecção pelo coronavírus SARS-CoV-2, entre utentes e funcionários, revelou esta terça-feira a provedora da instituição, Luísa Moreira.

De acordo com a responsável, em declarações à Lusa, estão, nesta altura, “12 utentes e sete funcionários” infectados.

“Há muitas pessoas que testaram positivo, mas toda a gente está vacinada, não temos ninguém com sintomas. Estamos todos calmos e tranquilos”, disse.

Na sequência deste surto, as visitas aos utentes da Santa Casa da Misericórdia de Portalegre foram canceladas.

“Isto [infecção] está sempre a mudar, temos funcionários que já fizeram o período de quarentena e já voltaram”, relatou.

A Misericórdia está “a fazer testes a toda a gente, com a colaboração da Unidade Local de Saúde do Norte Alentejano (ULSNA)”, cujos profissionais “têm sido incansáveis”, acrescentou a responsável.

No dia 11 de Novembro de 2020, ocorreu o primeiro surto de covid-19 na Santa Casa da Misericórdia de Portalegre, tendo o mesmo sido dado como “resolvido” no início de Janeiro de 2021 tendo, na altura, falecido 15 utentes.

A covid-19 provocou 5 537 051 mortes em todo o mundo desde o início da pandemia, segundo o mais recente balanço da agência AFP.

A doença respiratória é provocada pelo coronavírus SARS-CoV-2, detectado no final de 2019 em Wuhan, cidade do centro da China.

Uma nova variante, a Ómicron, classificada como preocupante e muito contagiosa pela Organização Mundial da Saúde (OMS), foi detectada na África Austral e, desde que as autoridades sanitárias sul-africanas deram o alerta em Novembro, tornou-se dominante em vários países, incluindo em Portugal.

Diário de Notícias
DN/Lusa
18 Janeiro 2022 — 12:59

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1527: Moderna anuncia para 2023 vacina única contra a gripe e covid-19

SAÚDE PÚBLICA/PANDEMIA/COVID-19/GRIPE/VACINAS

A farmacêutica norte-americana está também a desenvolver uma vacina para combater a variante Ómicron.

A Moderna espera lançar até finais de 2023 uma vacina única anual que combate ao mesmo tempo a gripe e a covid-19. O anúncio foi feito na segunda-feira por Stephane Bancel, presidente executivo da farmacêutica norte-americana.

“Trata-se de uma dose única de reforço anual para que as pessoas evitem ter de vacinar-se duas ou três vezes em cada inverno”, afirmou Bancel, adiantando que espera que o fármaco possa ser comercializado em finais de 2023 e que servirá ao mesmo tempo para combater a gripe e a covid-19.

O presidente executivo da Moderna revelou ainda que a farmacêutica está a trabalhar desde Novembro no desenvolvimento de uma vacina de dose única para combater a variante Ómicron. “Esperamos poder entregar todos os dados ao regulador em Março para depois determinarmos os próximos passos a dar”, adiantou.

Em Novembro, numa entrevista ao jornal Financial Times, Stephane Bancel afirmou que os dados sobre a eficácia das vacinais contra a nova variante iriam estar disponíveis em semanas, mas afirmou que os cientistas não estavam optimistas. “Todos os cientistas com quem conversei… sentem que isto não vai ser bom'”, disse.

Na altura, o CEO da Moderna já afirmava ao Financial Times que poderia acontecer uma “queda considerável” na eficácia das vacinas actuais contra a variante Ómicron.

Diário de Notícias
DN
18 Janeiro 2022 — 08:31

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“Temos de olhar com optimismo para o futuro. Estamos cada vez mais imunes ao vírus”

– É bom recordar ao senhor microbiologista, as estatísticas desta pandemia em Portugal, ou seja, “ao fim de dois anos de pandemia, Portugal soma 1.906.891 de infectados e 19.334 óbitos.” Aligeirar a pandemia, é passar um atestado de estupidez a quem não possui canudos académicos, mesmo de especialistas na área microbiológica. E não é incutir medo nas pessoas, como muitos afirmam, mas AVISAR as pessoas, especialmente os acéfalos indigentes que continuam a desenvolver as suas vidinhas “sociais” como se nada se passasse, que esta PANDEMIA AINDA CONTINUA A SER MORTAL e as infecções ainda se desconhecem, a longo prazo, quais as suas consequências no organismo humano. E eu continuo a olhar para o vírus, embora este seja invisível, como um INIMIGO nesta guerra biológica!

SAÚDE PÚBLICA/PANDEMIA/IMUNIDADE

É microbiologista e coordenador do estudo sobre a diversidade genética do SARS-CoV-2 no Instituto Nacional de Saúde Dr. Ricardo Jorge. João Paulo Gomes é dos peritos que desde o início da pandemia marca presença nas reuniões do Infarmed com os políticos para explicar a circulação do vírus no nosso país. Quase dois anos depois, diz nesta entrevista ao DN que temos razões para estar optimistas e que o grande desafio para o futuro será ter a coragem de olhar para a doença e mudar as regras. Ao fim de dois anos de pandemia, Portugal soma 1.906.891 de infectados e 19.334 óbitos.

Nesta entrevista ao DN, o microbiologista do INSA deixa uma dupla mensagem aos portugueses. A primeira é de optimismo, a segunda para continuarem a aderir à vacinação periódica se estar for considerada imperativa para o controlo da doença.
© Orlando Almeida Global Imagens

A nova variante do SARS-CoV-2, a Ómicron, tornou-se dominante no mundo em apenas dois meses. Até agora, tem-se revelado mais transmissível mas menos grave do que a Delta. Como investigador receia que ainda nos possa surpreender em relação ao seu impacto?
Penso que não nos trará grandes surpresas. Está a seguir o caminho que a comunidade científica espera. Ou seja, um vírus começa com variantes severas, mas, depois, e de acordo com a adaptação obrigatória a uma população, vai ficando cada vez mais imune às suas infecções e a sua severidade tende a reduzir. É o que estamos a observar com a Ómicron, mais transmissível do que as variantes anteriores e menos severa, pelo menos na associação ao processo de hospitalização. Contudo, não podemos descartar, no futuro próximo, o aparecimento de outras variantes com características que também nos preocupem, mas, historicamente, sabemos que a tendência dos vírus não é para que se tornem mais agressivos, mas sim menos, ao longo do tempo.

Em termos de futuro o que se pode esperar da pandemia? Já se disse que o pior cenário seria uma variante com a contagiosidade da Ómicron e a severidade da Delta. É o mais previsível?
Esperemos que não. A comunidade científica diz que o que está a acontecer com a nova variante é “o expectável” – menor severidade do vírus, independentemente da sua transmissibilidade, porque a população também está mais preparada para lidar com ele -, mas o futuro é perfeitamente imprevisível.

Quer explicar?
Porque temos países com taxas de vacinação muito díspares. E, nessa perspectiva, tudo pode acontecer. Nos países com taxas de vacinação baixas, o vírus circula mais facilmente e tem mais liberdade para gerar variantes sem qualquer filtro, e é sempre uma incógnita o que pode acontecer quando essas variantes passam a circular em países com elevada taxa de vacinação. O que temos vindo a observar, e independentemente das variantes, é que as vacinas têm resultado. De forma melhor para umas, menos bem para outras, mas têm resultado. Há sempre um grau de imunidade que é conferido contra as variantes em circulação. Portanto, acho que temos de olhar para o futuro com optimismo. Estamos cada vez mais imunes ao vírus, seja pelo processo natural da infecção seja pela vacinação, e diria, apesar de ser impossível fazer uma previsão, que a comunidade científica é unânime neste optimismo.

Falou nas vacinas, mas tem-se dito que as que temos agora não têm tanta eficácia para a Ómicron. Perante isto continuam a ser a maior arma que temos?
Claro. Disso não há dúvida nenhuma. O problema desta última variante prende-se com o facto de o número de mutações que tem ser quase o triplo das de outras variantes, em particular quando comparada com a Delta. Muitas dessas mutações estão alojadas em regiões específicas da tal proteína específica (spike), e às quais sabemos que se ligam os anticorpos. Ora, a partir do momento que as mutações surgem nessas regiões os anticorpos deixam de se ligar e isso justifica que a Ómicron consiga fugir melhor ao nosso sistema imunitário do que todas as outras variantes. No entanto, independentemente de as vacinas terem uma menor eficácia para a Ómicron, não quer dizer que não confiram imunidade. O que já se verificou é que têm uma baixa eficácia contra o processo de infecção. Ou seja, infecta muito facilmente, mesmo uma pessoa com o esquema vacinal completo, até com o reforço. Mas quando é feita uma análise aos seus resultados em termos de hospitalização, esses são excelentes.

“Se as pessoas apanharem a terceira dose voltarão a ter níveis de anticorpos elevados e estarão muito mais protegidas contra a doença severa e contra a hospitalização”.

E isso quer dizer…?
Que as pessoas que já tomaram a terceira dose estão muito protegidas contra esta variante. As vacinas não mudaram, portanto o único e exclusivo problema com esta variante é a queda da imunidade ao longo do tempo. Se as pessoas apanharem a terceira dose voltarão a ter níveis de anticorpos elevados e estarão muito mais protegidas contra a doença severa e contra a hospitalização. Portanto, as vacinas continuam a ser muito eficazes.

Um estudo feito na África da Sul e divulgado na sexta-feira revela que a Ómicron tem menos 25% de risco de hospitalização do que a Delta. Mas em termos de infecção, afecta mais alguns grupos de acordo com a idade ou com comorbilidades?
Pensa-se que seja uma variante muito idêntica às outras. Por exemplo, na Dinamarca e em Portugal verificou-se que a faixa etária onde a Ómicron teve uma grande incidência, nas primeiras seis semanas, foi na dos 20 aos 29 anos. Esta sobreposição total entre os dados de Portugal e da Dinamarca foi muito curiosa, mas ao longo do tempo, já vamos com mais de dois meses de Ómicron, essa tendência diluiu-se, espalhando-se por todos os outros grupos etários.

Que conclusões se podem tirar desse facto?
Não podemos tirar grandes conclusões, porque não sabemos se tal teve que ver com maior circulação por parte dos jovens ou com menor cuidado nas regras. O que for dito é pura especulação. Portanto, não se pode dizer que a Ómicron tenha, preferencialmente, tendência para infectar os grupos mais jovens. Sobre o estudo que referiu, devo dizer que há outros mais optimistas, que mostram que o risco de hospitalização da Ómicron, quando comparado com o da Delta, é da ordem dos 30%. Em Portugal, os primeiros dados que temos também apontam para uma redução muito significativa do risco.

Também se disse que a Ómicron poderia ser particularmente grave para alguns grupos da população, como grávidas e pessoas com outras doenças. Sendo assim seria semelhante à Delta. Está correcto?
Não. Penso que tem que ver com uma questão de rigor dos estudos. Não esqueçamos que com a Ómicron temos incidências muito superiores às que tivemos com a Delta e, nessa perspectiva, temos de fazer comparações adequadas, não numéricas, mas percentuais e absolutamente calibradas com o estado vacinal das populações, grupos etários, comorbilidades, etc. É muito fácil cair na tentação de dizer que começam a aparecer casos com a Ómicron que não apareciam com a Delta, mas quantas infecções temos com uma e quantas tivemos com outra? Com a Ómicron temos cinco, seis, sete vezes mais do que com a Delta. Então, a probabilidade de aparecerem esses casos também é maior.

A dominância da Ómicron significa que o percurso Delta termina aqui?
Foi isso que aconteceu com as variantes anteriores. Por exemplo, no Natal de 2020 e em Janeiro de 2021, tínhamos uma Alpha perfeitamente dominante, com mais de 90% dos casos nos países onde se instalou. Mas de repente perdeu força e foi substituída pela Delta, que chegou a atingir em certos países 100% dos casos. Temos de perceber que o mundo hoje é global, que as fronteiras estão abertas e que, em pouco tempo, podemos observar grandes oscilações na prevalência das variantes que entram e saem dos vários países. A Delta é suficientemente transmissível para, eventualmente, se manter a níveis que não sejam residuais.

“A BA.2, que era uma linhagem da Ómicron da qual ninguém falava, parece que está a ser mais transmissível do que a BA.1 na Dinamarca”.

Tem-se falado só de Ómicron, mas esta variante tem mais do que uma linhagem, não é?
A OMS definiu três linhagens da Ómicron, BA.1, BA.2 e BA.3, sendo que tudo o que estamos a viver actualmente diz respeito à BA.1. Surgiram todas mais ou menos ao mesmo tempo, mas sempre se falou só da BA.1. Agora, estamos a ter um dado curioso. Nestas duas últimas semanas, na Dinamarca, a BA.2 começou a substituir a BA.1. Ou seja, a BA.2, que era uma linhagem da Ómicron da qual ninguém falava, parece que está a ser mais transmissível do que a BA.1 na Dinamarca. Vamos ver se isto acontece nos outros países, nomeadamente em Portugal.

E se acontecer?
Quer dizer que a segunda linhagem da Ómicron é mais transmissível do que a primeira. Não há outra hipótese, mas tal não quer dizer que seja motivo de preocupação, porque continuamos a falar da Ómicron, que é uma variante menos severa. Isto quer dizer que a variante continua a evoluir. A Delta teve mais de cem linhagens. Em Portugal, até há umas semanas, houve uma linhagem da Delta prevalecente só no Algarve, pela associação do turismo com o Reino Unido. Portanto, não é fácil dizer se a Delta vai desaparecer. Há sempre imprevisibilidade.

Na semana passada, Chipre anunciou ter detectado uma nova variante, que denominou “Deltacron”, por ter características fortes da Delta e da Ómicron. Confirma-se?
A acontecer seriam péssimas notícias. Estaríamos a misturar a variante mais severa que tivemos até agora com a mais transmissível. Mas o que a comunidade científica tem assumido publicamente é que há uma enorme probabilidade de tal configurar um erro de análise de resultados, o que é relativamente frequente quando se faz a descodificação das sequências genéticas. Em princípio, foi falso alarme.

Já há dados sobre o impacto que a Ómicron pode ter em termos de sequelas, de longo-covid?
Ainda não se sabe. A variante surgiu no final de Novembro. Contudo, e ainda sem fundamento científico, usando apenas o bom senso, e uma vez que é menos severa no tipo de sintomatologia e no risco de hospitalização, diria que é razoável pensar-se que seja mais suave no longo-covid. Mas temos de pensar nos casos graves, que existem sempre em qualquer variante, e estes poderão ter problemas de longo-covid.

“Não é possível o nosso mundo continuar como está. Isto não é vida em termos sociais, familiares, escolares e económicos. Não é possível continuar desta forma”.

A menor severidade da Ómicron fez especialistas internacionais e nacionais defenderem que se deve repensar o combate à doença, passando a tratá-la como endémica, como uma gripe. Partilha dessa visão ou temos caminho a percorrer?
Partilho a 100% dessa visão, mas não no momento actual. Ou seja, não nesta semana nem eventualmente na próxima. Não tenho grande dúvida de que não há outro caminho a tomar, porque não é possível o nosso mundo continuar como está. Isto não é vida em termos sociais, familiares, escolares e económicos. Não é possível continuar desta forma.

O que há a fazer?
A situação vai melhorar e temos de começar a modificar o modus operandi. Só que ainda estamos numa fase muito crítica. Os números que estamos a observar em termos de hospitalizações e de mortes ainda são resultado dos contágios no Natal e na passagem de ano. Ou seja, uma pessoa infectada tem sintomas ao fim de dois, três ou quatro dias, mas a hospitalização só ocorre uma semana depois disso e a ida para os cuidados intensivos duas a três semanas depois – daí que os especialistas considerem que o pico das infecções esteja a ocorrer agora. Mas dentro de algumas semanas vamos começar a observar um decréscimo no número de casos, das hospitalizações em enfermarias e nos cuidados intensivos e de mortes. A partir desta altura valerá a pena quem de direito debater sobre a forma como se olha para a doença e fazer mudanças.

É esse o desafio?
Se observarmos, de facto, um decréscimo no número de casos, na pressão do SNS e consequentemente na mortalidade, o desafio será ter coragem para mudar a forma como olhamos para a doença e as regras. Pensar-se em encarar a covid-19 como uma doença mais normal do que o que tem sido até agora. Para o bem de todos.

Que mudanças?
Por exemplo, o processo de testagem deve estar focado só nos sintomáticos, passando a depender muito de cada um de nós. Se me sinto mal testo-me. Se der positivo comunico e faço o meu isolamento. Se me sinto bem, porquê testar-me? É esta a mudança que, mais tarde ou mais cedo, vai ter de acontecer. Eu diria que, passando esta fase, o desafio será mudar a forma como se olha para a doença.

“O importante será proteger as pessoas mais vulneráveis. A curto prazo são inevitáveis os reforços vacinais para estes grupos”.

Acredita que a covid-19 se tornará uma doença endémica com picos no inverno e reforços vacinais?
É bastante provável que sim. Foi o que aconteceu com outras doenças respiratórias que, tendencialmente, pioram no inverno. Não se espera o desaparecimento da doença, mas que esta tenha maior incidência no frio, porque as pessoas estão mais debilitadas e vivem mais em espaços interiores. Quanto a processos de vacinação, apesar de ser uma incógnita, imagino que num futuro próximo, em poucos anos pelo menos, as pessoas com comorbilidades ou de faixas etárias mais elevadas terão de manter um reforço vacinal periódico. Quanto ao resto da população poderá não ser necessário, porque já há uma imunidade natural considerável, quer pela infecção quer pelas vacinas. O importante será proteger as pessoas mais vulneráveis. A curto prazo são inevitáveis os reforços vacinais para estes grupos.

Não será necessária uma quarta dose para toda a população?
Tudo depende da forma como as coisas evoluírem nos próximos meses. As coisas estão a correr bem. Houve uma grande adesão às vacinas, mas se chegarmos à fase em que as incidências são muito baixas, mesmo que haja a sugestão para a vacinação, a população pode não se sentir tão motivada a aderir. Agora, para os grupos mais sensíveis, esta quarta dose tem de estar garantida.

O aparecimento de medicamentos específicos para a covid vai mudar a atitude em relação à vacinação?
Acho que não. Os fármacos que estão a aparecer estão muito focados no tratamento da doença em hospitalização. E não penso que o futuro vá no sentido de termos medicação que tomemos de livre vontade, como tomamos anti-gripais. Posso estar enganado, mas penso que a vacinação continuará a ter um papel inequívoco na profilaxia.

Diz que as coisas estão a correr bem, qual é a mensagem que deixa aos portugueses nesta altura?
​​​​​​​Deixo uma dupla mensagem. A primeira é de optimismo. Acredito que a maior parte das pessoas ficou agradavelmente surpreendida, depois do choque da transmissibilidade da Ómicron, com o facto de esta ser menos severa. A segunda mensagem vai para a vacinação periódica. Se se confirmar que esta é imperativa no controlo da pandemia, ou endemia, que os portugueses mantenham a adesão que sempre demonstraram. Não tenho dúvidas de que se não houvesse vacina não estaríamos como estamos agora.

Diário de Notícias
Ana Mafalda Inácio
18 Janeiro 2022 — 00:20

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1525: Centro Europeu encoraja países a mudar a forma como se está a tratar a covid-19

– É notoriamente errado começar a tratar a pandemia do Covid-19, como se de uma endemia se tratasse. Ou será que os espanhóis e os ingleses afinaram pelo diapasão do brasileiro que disse que o covid-19 não passava de uma “gripezinha”? Basta aferir a infecciosidade diária e as mortes que, embora em menor número devido à vacinação, vão causando estragos por todo o Mundo. Acéfalos!

SAÚDE PÚBLICA/PANDEMIA/COVID-19

Espanha anunciou recentemente que vai passar a monitorizar a pandemia de covid-19 como se de uma gripe comum se tratasse.

© PATRICIA DE MELO MOREIRA / AFP)

Depois de Espanha ter anunciado que planeia monitorizar a pandemia de covid-19 como se de uma gripe comum se tratasse, fonte do Centro Europeu de Prevenção e Controlo das Doenças (ECDC) disse ao El País que a entidade está a avaliar a eficácia da estratégia espanhola e encorajou mais países a mudar de abordagem.

“O ECDC encoraja os países a fazer a transição de um sistema de vigilância de emergência para outros mais sustentáveis e orientados para objectivos”, disse um porta-voz da organização. “Esperamos que mais estados-membros queiram mudar para uma abordagem de vigilância sustentável a longo prazo”, acrescentou.

O surgimento da variante Ómicron, mais contagiosa mas menos letal numa população amplamente imunizada, seja por vacinação ou por infecção anterior, fez com que se instalasse na Europa o debate sobre o novo normal. A redução do período de isolamento em vários países, entre os quais Portugal, aponta nesse sentido.

No Reino Unido, o governo de Boris Johnson também está comprometido em começar a tratar a covid-19 como uma doença endémica.

Por outro lado, a maioria dos especialistas e países como França e Alemanha consideram que ainda é cedo para falar de uma doença endémica, mas há cada vez mais vozes a pedir para que se prepare essa fase da pandemia.

Além da menor letalidade, a disseminação massiva tem levado os sistemas de saúde dos países europeus ao limite, pois rastrear todos os contactos tem-se tornado uma missão impossível. “A proposta espanhola faz sentido porque o rápido aumento da incidência torna impossível o rastreamento de contactos e sobrecarrega as capacidades de diagnóstico”, crê Eva Grill, epidemiologista da Universidade Ludwig Maximilian, em Munique.

Os laboratórios alemães alertaram esta semana que estão a atingir o seu limite, sendo que Lothar Wieler, presidente do Instituto Robert Koch, anunciou na sexta-feira que terá de ser tomada uma decisão sobre os critérios para se fazerem testes PCR.

A Comissão Europeia assume que ainda é cedo para mudar a abordagem para a estratégia proposta por Espanha e pelo Reino Unido, ainda que um porta-voz da comissária Stella Kyariakides tenha admitido que a “maior inumanidade natural” promovida pela variante Ómicron, juntamente com a vacinação, possa ser “um primeiro passo em direcção a um cenário quase endémico”. “Ainda não estamos nessa fase e o vírus ainda se comporta como um perigoso vírus pandémico”, alertou.

Já o responsável pela estratégia de vacinas da Agência Europeia de Medicamentos (EMA), Marco Cavalieri, apelidou a proposta do primeiro-ministro espanhol Pedro Sánchez de precipitada. “A Ómicron é altamente contagiosa e causa um alto número de pessoas infectadas. É importante não subestimá-la”, frisou.

A OMS também não mostra pressa e mudar a abordagem, estimando que mais de 50% da população europeia seja infectada nas próximas seis a oito semanas. O director da agência da ONU para a Europa, Hans Kluge, considera prematura a proposta espanhola, receando o surgimento de novas mutações.

Diário de Notícias
DN
17 Janeiro 2022 — 19:30

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1524: Doentes com covid-19 assintomáticos transmitem menos que os sintomáticos

SAÚDE PÚBLICA/PANDEMIA/COVID-19/ASSINTOMÁTICOS

Roungroat / Rawpixel

Um estudo recente investigou a progressão da infecção de covid-19 em estudantes e funcionários no laboratório de testes clínicos da Universidade de Boston (BU).

Segundo a Medical Live Sciences, os resultados do estudo permitiram observar que indivíduos com covid-19 assintomáticos e pré-sintomáticos contribuíram para a transmissão da SARS-CoV-2, tal como os indivíduos sintomáticos.

No entanto, os pacientes assintomáticos são geralmente menos infecciosos do que os pacientes sintomáticos — ou seja, adquiriram cargas virais mais baixas que os indivíduos sintomáticos, que manifestaram as cargas virais mais elevadas. As cargas virais dos pré-sintomáticos encontravam-se entre estes extremos.

Protocolo seguido

A reacção quantitativa em cadeia da polimerase de transcrição inversa (qRT-PCR) é o padrão actual para os testes de coronavírus.

Este teste detecta o ácido ribonucleico SARS-CoV-2 (RNA) e comunica os valores do limiar do ciclo (CT), também referidos como intensidade do sinal PCR. Os valores de CT, inversamente proporcionais à carga viral, refletem o quão infeccioso é o vírus.

Por conseguinte, seria lógico assumir que os valores de CT seriam diferentes para indivíduos sintomáticos e assintomáticos da covid-19.

As informações relacionadas com a carga viral, os valores de CT, o momento de início dos sintomas, e a transmissibilidade da SRA-CoV-2 ajudaram os especialistas nos actuais esforços de mitigação do vírus.

O estudo preliminar, pré-publicado em Janeiro na medRxiv, incluiu cerca de 40.000 estudantes e funcionários do campus da Universidade de Boston (BU).

Destes 40.000 indivíduos, os investigadores amostraram 1.633 que deram positivo no teste covid-19, entre 7 de Agosto de 2020, e 18 de Março de 2021.

A equipa analisou retrospectivamente os sintomas clínicos, dados epidemiológicos de rastreio de contactos, e investigações laboratoriais em valores de CT.

A análise dos valores de CT em bruto incluiu todos os 1.633 casos positivos de SARS-CoV-2. Esta análise abrangeu todo o conjunto de dados, faixas etárias, bem como populações de estudantes e funcionários.

Foram utilizados iniciadores RT-qPCR, visando N1, N2, e RNA polimerase (RNase P) para avaliar cada amostra de teste.

As amostras com valores CT alvo N1 e N2 acima de 40 foram consideradas negativas para o SARS-CoV-2, enquanto que os valores abaixo de 40 para, pelo menos, um alvo, foram considerados positivos.

O alvo do gene humano RNase P foi utilizado para controlo de qualidade e não foi  para normalizar os valores N1 ou N2.

Todos os sujeitos de teste foram categorizados como pré-sintomáticos, sintomáticos, ou assintomáticos, e registaram os seus sintomas numa entrevista, com um profissional de saúde treinado.

Os indivíduos pré-sintomáticos experimentaram sintomas no dia 0 do teste RT-qPCR positivo ou em qualquer dia até 10 dias.

Os indivíduos assintomáticos não desenvolveram sintomas relacionados com a covid-19 antes ou depois de um teste RT-qPCR positivo, enquanto os indivíduos sintomáticos tiveram sintomas antes do dia do teste.

Durante o período de estudo, todos os casos positivos da SARS-CoV-2, independentemente dos sintomas, foram colocados em quarentena durante o mesmo período de tempo.

Conclusões do estudo

Os resultados do estudo permitiram observar uma forte relação entre a intensidade do sinal RT-qPCR e a presença ou ausência de sintomas.

Assim, os indivíduos assintomáticos tinham as cargas virais mais baixas— valores CT mais elevados — enquanto que os indivíduos sintomáticos tinham as cargas virais mais elevadas, e os pré-sintomáticos se encontravam entre estes extremos.

Os resultados demonstraram que os indivíduos sintomáticos tinham, em média, cargas virais mais elevadas do que aqueles que eram pré-sintomáticos ou assintomáticos, sugerindo assim que são mais infecciosos.

O protocolo dos Centros de Controlo e Prevenção de Doenças (CDC) dos Estados Unidos exige que ambos os resultados dos antigénios nucleocapsidos (N1 e N2) sejam positivos para que o resultado global do teste RT-qPCR seja declarado positivo.

No presente estudo, um teste RT-qPCR positivo foi considerado positivo quando um ou ambos os resultados do alvo antigénico N1 ou N2 davam positivo, o que torna esta estratégia de teste mais sensível do que a definição do CDC, embora um pouco menos específica.

Contudo, esta foi a abordagem escolhida, uma vez que a detecção de indivíduos assintomáticos com baixas cargas virais teria tornado a propagação de covid-19 mais eficaz, no campus de BU.

As comparações dos valores de CT entre os grupos de infectados foram realizadas através de testes estatísticos não paramétricos, testes Kruskal-Wallis, e Mann-Whitney U.

Os resultados mostraram que apenas 12,4% dos testes positivos tinham um único valor de CT amplificado (N1 ou N2) e eram assintomáticos.

Os estudos futuros vão mostrar se os valores de CT podem prever a capacidade de transmissão do novo coronavírus de cada indivíduo.

Enquanto que 87,7% do total de casos amplificaram ambos os alvos N1 e N2, 7,7% dos casos apenas amplificaram N1 e 4,7% apenas amplificaram N2.

Dos 87,7% de casos que detectaram ambos os alvos, 48,0% eram pré-sintomáticos, 34,2% eram sintomáticos, e 17,7% eram assintomáticos.

Ainda assim, não houve muita diferença na distribuição de indivíduos pré-sintomáticos, assintomáticos, ou sintomáticos entre as populações com apenas o alvo N1 ou apenas o N2. Isto sugere que os resultados globais diferiram ligeiramente dos testes definidos pelo protocolo do CDC.

Os resultados foram consistentes com o que os investigadores propuseram, sustentando que os pacientes assintomáticos são geralmente menos infecciosos do que os pacientes sintomáticos.

Uma vez que os valores da CT estão fortemente associados à sintomatologia, a maioria dos sujeitos de teste experimentaram pelo menos um sintoma em algum momento antes, ou nos dez dias seguintes ao teste positivo de covid-19.

Aqueles que relataram os sintomas no momento do diagnóstico tinham os valores mais baixos de CT, enquanto que aqueles que permaneceram assintomáticos tinham os valores mais altos de CT.

Apenas 5,5% dos sujeitos dos testes tinham sido vacinados contra a covid-19, na altura da recolha de dados, e a BU não exigiu a comunicação do estado de vacinação.

Este factor impediu a análise da interacção do estado de vacinação, em conjunto com os valores de CT ou os sintomas da covid-19.

Estudos adicionais devem agora abordar o estado da vacinação como uma variável na análise, semelhante à descrita neste estudo.

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17 Janeiro, 2022

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