1519: Cientistas descobrem benefícios inesperados da gordura na diabetes tipo 2

SAÚDE PÚBLICA/CIÊNCIA/DIABETES TIPO 2

Daniel Castellano / SMCS

Cientistas da UNIGE descobriram que a gordura pode ajudar o pâncreas a adaptar-se ao excesso de açúcar, retardando assim o aparecimento da diabetes.

Segundo a SciTechDaily, com quase 10% da população mundial afectada, a diabetes tipo 2 é uma questão importante de saúde pública.

Um estilo de vida excessivamente sedentário e uma dieta demasiado calórica encorajam o desenvolvimento desta doença metabólica, alterando o funcionamento das células pancreáticas e tornando a regulação do açúcar no sangue menos eficaz.

Contudo, a gordura, frequentemente citada como a principal culpada, pode afinal ajudar a retardar o aparecimento de diabetes.

De facto, a gordura não agrava necessariamente a doença e pode mesmo desempenhar um papel protector.

Ao estudar as células beta produtoras de insulina do pâncreas, cientistas da Universidade de Genebra, UNIGE, na Suíça, mostraram que estas células sofriam menos de excesso de açúcar, quando estavam expostas à gordura.

Ao investigar os mecanismos celulares em funcionamento, os investigadores descobriram como um ciclo de armazenamento e mobilização de gordura permite que as células se adaptem ao excesso de açúcar.

O estudo, publicado em Janeiro, realça um mecanismo biológico inesperado que poderia ser utilizado como alavanca para atrasar o início da diabetes tipo 2.

A diabetes tipo 2 resulta de uma disfunção das células beta pancreáticas, que são responsáveis pela secreção de insulina.

Isto prejudica a regulação dos níveis de açúcar no sangue e pode causar sérias complicações cardíacas, oculares e renais.

Nos anos 70, a gordura foi destacada e surgiu o conceito de lipotoxicidade: a exposição das células beta à gordura causaria a sua deterioração.

Mais recentemente, o excesso de açúcar foi também acusado de danificar as células beta e promover o desenvolvimento da diabetes tipo 2.

No entanto, embora a culpabilidade do açúcar já não esteja em dúvida, o papel da gordura na disfunção das células beta permanece ambíguo.

Relativamente a quais os mecanismos celulares envolvidos, Pierre Maechler, professor no departamento de Fisiologia Celular e Metabolismo e no Centro de Diabetes da Faculdade de Medicina da UNIGE explica a solução.

“Para responder a esta questão-chave, estudámos como as células beta humanas e murinas se adaptam a um excesso de açúcar e/ou gordura”, explicou o docente, que liderou a equipa de investigação.

Para diferenciar o efeito da gordura do do açúcar, os cientistas expuseram as células beta a um excesso de açúcar, de gordura, e depois a uma combinação dos dois.

A toxicidade do açúcar foi primeiramente confirmada. As células beta expostas a níveis elevados de açúcar expeliram muito menos insulina do que o normal.

“Quando as células são expostas a demasiado açúcar como a demasiada gordura, armazenam a gordura sob a forma de gotículas em antecipação de tempos menos prósperos”, explica Lucie Oberhauser, investigadora do Departamento de Fisiologia Celular e Metabolismo da Faculdade de Medicina da UNIGE, e co-autora do estudo.

“Surpreendentemente, demonstrámos que este stock de gordura, em vez de agravar a situação, permite restabelecer a secreção de insulina a níveis quase normais. A adaptação das células beta a determinadas gorduras contribui assim para manter níveis normais de açúcar no sangue”, acrescenta a docente.

Analisando melhor as mudanças celulares em jogo, a equipa de investigação apercebeu-se que as gotículas de gordura não eram reservas estáticas, mas sim o local de um ciclo dinâmico de armazenamento e mobilização.

Graças a estas moléculas de gordura libertadas, as células beta adaptaram-se ao excesso de açúcar e mantiveram uma secreção quase normal de insulina.

“Esta libertação de gordura não é realmente um problema desde que o corpo a utilize como fonte de energia“, acrescenta Pierre Maechler.

“Para evitar o desenvolvimento da diabetes, é importante dar a este ciclo benéfico uma oportunidade de ser activo, por exemplo, mantendo uma actividade física regular”, acrescenta ainda o líder do estudo.

Os cientistas estão agora a tentar determinar o mecanismo através do qual esta gordura libertada estimula a secreção de insulina, na esperança de descobrir uma forma de retardar o aparecimento da diabetes.

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14 Janeiro, 2022

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1518: Segundo dia com 33 mortos, 38.136 novos casos e internados voltam a subir

– Estatística até hoje, Sábado:

15.01.2022 – 38.136 infectados – 33 mortos
14.01.2022 – 40.090 infectados – 34 mortos
13.01.2022 – 40.134 infectados – 22 mortos
12.01.2022 – 40.945 infectados – 20 mortos
11.01.2022 – 30.340 infectados – 28 mortos
10.01.2022 – 20.212 infectados – 20 mortos

Total até hoje: 209.857 infectados – 157 mortos

SAÚDE PÚBLICA/PANDEMIA/COVID-19/INFECÇÕES/MORTOS

Dados da DGS indicam que se estão 1.733 pessoas internadas devido à covid-19, ou seja mais 34 do que na sexta-feira, das quais 163 nos cuidados intensivos.

A vacinação com a terceira dose contra a covid-19 prossegue
© Diana Quintela/ Global Imagens

Portugal registou, nas últimas 24 horas, 38.136 novos casos de covid-19, segundo o boletim epidemiológico da Direcção-Geral da Saúde (DGS).

Mais 33 pessoas morreram devido à infecção por SARS-CoV-2, menos uma do que ontem, indica ainda o relatório deste sábado (15 de Janeiro). Desde 3 de Março, ou seja há mais de 10 meses, que não se registavam tantos óbitos por causa da doença, tendo nesse dia sido declarados 41.

Neste momento há mais 10.036 novos casos activos da doença e mais 28.067 recuperados. Há ainda mais 10.202 contactos em vigilância.

Em 24 horas registaram-se mais 34 internamentos, num total de 1.733, dos quais 163 em cuidados intensivos, ou seja mais um do que na sexta-feira.

A região do norte é aquela que apresenta maior número de infecções, com 14.899 novas e 12 mortos. Segue-se a de Lisboa e Vale do Tejo com 13.585, mas com 14 mortos. A região centro registou mais 4.649 novos casos de covid-19 e cinco mortos; a do Alentejo 1.224 novos casos e um óbito; e a do Algarve 1.219 e sem qualquer morto.

Na região autónoma dos Açores há mais 427 novos casos, sem óbitos a registar e na da Madeira mais 2.133 novas infecções e uma morte.

Vacinação de pessoas envolvidas nas mesas de voto

Cerca de 90 mil pessoas são chamadas este sábado a ser vacinadas com a dose de reforço contra a covid-19, por irem integrar as 16.400 mesas de voto nas eleições legislativas ou serem funcionários das juntas de freguesia.

Segundo um comunicado conjunto do Ministério da Saúde e do Ministério da Administração Interna divulgado na quinta-feira, a vacinação no dia de hoje fica dedicada a este universo, “convocado por SMS, através de agendamento central”.

Para as pessoas elegíveis que não recebam a mensagem, haverá senhas digitais, mediante a apresentação de um documento comprovativo das funções em causa.

O coordenador do plano de vacinação, Carlos Penha-Gonçalves, coronel do exército, disse à Lusa que o número de pessoas elegível neste caso está estimado em 90 mil, que representa o universo da capacidade vacinal de um dia, razão pela qual os centros de vacinação vão estar dedicados exclusivamente a este processo associado às eleições legislativas.

Teletrabalho recomendado

O regime de teletrabalho obrigatório, decretado pelo Governo no final de Dezembro de 2021 devido ao agravamento da pandemia de covid-19, termina este sábado, voltando a ser recomendado para todas as empresas.

Por seu lado, o teletrabalho continua obrigatório no caso dos trabalhadores imuno-deprimidos, trabalhadores com deficiência e grau de incapacidade superior a 60% e pessoas com dependentes a cargo que sejam doentes de risco e tenham de assistir às aulas à distância.

A adopção do teletrabalho volta a exigir o acordo entre empregador e trabalhador, conforme estabelece o Código do Trabalho.

Diário de Notícias
15 Janeiro 2022 — 14:39

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1517: A pandemia está a chegar ao fim (e Bill Gates já sabe quando)

SOCIEDADE/AS PROFECIAS DE BILL GATES/PANDEMIA

Thomas Hawk / Flickr
O bilionário Bill Gates, fundador da Microsoft

Bill Gates não tem sido parco em dar a sua opinião acerca da pandemia de covid-19 que há quase dois anos assola o planeta, e apresentou mais uma vez a sua estimativa para o fim do surto pandémico.

O bilionário fundador da Microsoft, Bill Gates, considera que a pandemia de covid-19 está a chegar ao fim, e que a doença poderá brevemente ser tratada como uma gripe sazonal.

Gates partilhou as suas opiniões acerca da evolução da pandemia, da propagação da variante Ómicron e dos esforços de vacinação numa “excitante” conversa no Twitter com Devi Sridhar, regente de Saúde Pública Global da Universidade de Edimburgo.

Segundo o bilionário, o fim da pandemia será acelerado pelo elevado grau de transmissibilidade da variante Ómicron. “Uma vez que a Ómicron passe por um país, no resto do ano veremos menos casos, e a covid-19 poderá ser tratada como a gripe sazonal”.

Segundo o New York Times, o número de novos casos de covid-19 começou a cair nas primeiras cidades norte-americanas atingidas pela nova variante — uma tendência que parece confirmar a queda significativa de novos casos registada na África do Sul e no Reino Unido após o aparente pico de infecções com Ómicron.

Gates realça que “a maior parte dos casos mais severos é em pessoas não vacinadas”. Mas, adverte, “à medida que os países enfrentem a sua onda de Ómicron, os seus sistemas de saúde serão desafiados“.

O fundador da Microsoft está optimista mas cauteloso em relação à evolução da situação pandémica global.

“A Ómicron vai criar muita imunidade durante pelo menos o próximo ano”, diz Gates. “Não é provável que apareça uma variante mais transmissível, mas já fomos surpreendidos muitas vezes durante esta pandemia.

Bill Gates / Twitter

Não é a primeira vez que o bilionário prevê o fim da pandemia. Gates tinha inicialmente sugerido, há um ano, que acabaria na primavera de 2021.

Em Abril, ainda antes do aparecimento da Ómicron, sugeriu que acabaria já em 2022 — e que o Reino Unido e os Estados Unidos deveriam ser os primeiros países a sair da pandemia.

Mais recentemente, em Dezembro do ano passado, Gates disse acreditar que podemos estar a entrar na “pior fase da pandemia”. “Justamente quando parecia que a vida voltaria ao normal, podemos estar a entrar na pior fase da pandemia. A Ómicron vai atingir-nos a todos“, escreveu então o milionário no Twitter.

“Em breve estará em todos os países do mundo”, profetizou, acertadamente, o fundador da Microsoft. E já então Bill Gates previa que, graças à rápida propagação da nova variante, a onda de infecções poderia terminar em cerca de três meses.

Mas as profecias de Bill Gates quanto a episódios pandémicos no nosso planeta não se cingem ao actual surto do novo coronavírus.

Em Novembro de 2020, Gates previu que “inevitavelmente” a humanidade enfrentará uma nova pandemia num futuro próximo, mas que o seu impacto seria ainda assim “menos destrutivo” do que a disseminação do SARS-CoV-2. “Poderá ser daqui a 20 anos, mas devemos assumir que pode ser dentro de três anos”, acrescentou.

Mas há notícias piores. Não estamos preparados para essa pandemia, advertiu em Setembro Bill Gates.

O bilionário, que até é acusado por algumas teorias da conspiração de ser ele próprio o causador da pandemia, tem sido capaz nos últimos anos, de profetizar com acerto a forma como o Mundo muda. Esperemos que tenha adivinhado o fim da actual, e falhado redondamente a profecia da próxima.

Armando Batista
15 Janeiro, 2022



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1516: Até 720 mil pessoas vão estar em isolamento no dia das eleições

– Enquanto em eleições anteriores, a abstenção deveu-se principalmente à continua falta de confiança nos políticos e nos partidos, que fizeram promessas e não as cumpriram quando passaram à governança, nestas eleições de Janeiro de 2022, a abstenção será também por culpa desta governança, que não criou meios logísticos e/ou mecanismos para quem se encontra em isolamento ou internado, bastando implementar o voto por correspondência – como no caso dos imigrantes -, ou através do Portal das Finanças, via formulário idêntico ao Boletim de Voto. Se a entrega do IRS é obrigatoriamente efectuada via Internet, porque não a entrega do Boletim de Voto? Mas atenção que não é só para os confinados, internados. Quem tem mobilidade reduzida encontra-se na mesma situação. E não devem de ser poucos…

SAÚDE PÚBLICA/PANDEMIA/COVID-19/ELEIÇÕES LEGISLATIVAS

Nuno Fox / Lusa

Entre 03% e 07% dos portugueses poderão estar em isolamento devido à pandemia de covid-19 no dia das eleições legislativas, 30 de Janeiro, altura em que a incidência de infecções deverá estar mais baixa, indicam os cenários do INSA.

“Relativamente aos indivíduos em isolamento ou quarentena, a verificarem-se os cenários traçados, já deveremos estar em fase descendente nessa altura”, adiantou à Lusa Baltazar Nunes, investigador do Instituto Nacional de Saúde Doutor Ricardo Jorge.

“De acordo com as nossas simulações, esse valor a 30 de Janeiro poderá estar entre 03% a 07% da população“, acrescentou o responsável do INSA.

Segundo o responsável pela Unidade de Investigação Epidemiológica do INSA, se o máximo tiver sido alcançado nos últimos dias, e o país não ultrapassar os 40 mil a 50 mil casos diários, o cenário para o final do mês é de que o número de isolamentos estará “mais próximo dos 03% do que dos 07%”.

De acordo com o Instituto Nacional de Estatística, a população residente em Portugal é de cerca de 10,3 milhões de pessoas, o que quer dizer que poderão estar isoladas ou em quarentena no dia das eleições entre 310 mil e 720 mil pessoas.

Baltazar Nunes salientou ainda que a situação epidemiológica a 30 de Janeiro, dia em que os portugueses são chamados a eleger os 230 deputados, será, em grande parte, determinada pela eficácia das medidas de contenção implementadas durante a última semana de Dezembro e as primeiras de Janeiro deste ano.

Além disso, a situação da pandemia no final do mês depende do desenrolar da vacinação de reforço e das crianças dos 5 aos 11 anos, adiantou o especialista, ao avançar que, “quanto maior for a cobertura vacinal destes grupos, melhor será a situação epidemiológica a 30 de Janeiro”.

De acordo com investigador do INSA, a incidência de infecções deverá começar o seu “processo descendente nas próximas semanas” e, caso se verifiquem os cenários previstos, no dia das legislativas é provável que o país esteja “com níveis de incidência acumulada mais baixos do que os actuais e que o índice de transmissibilidade (Rt) esteja abaixo ou perto de 1”.

Segundo avançou a Direcção-Geral da Saúde na sexta-feira, a incidência por 100 mil habitantes está nos 3.813,6 a nível nacional e o Rt – que estima o número de casos secundários de infecção resultantes de cada pessoa portadora do vírus – registou uma descida, passando para 1,19.

Relativamente à pressão sobre os serviços de saúde, que tem aumentado gradualmente nos últimos dias, Baltazar Nunes adiantou que, também de acordo com os cenários, o máximo de ocupação de camas em unidades de cuidados intensivos (UCI) será registado entre a primeira e a segunda semana de Fevereiro.

“Se os cenários delineados se verificarem, na semana de 30 de Janeiro, estaremos próximos ou a atingir o máximo de camas em enfermaria e em unidades de cuidados intensivos. Os nossos cenários projectavam máximos em enfermaria que podem variar entre 1.300 e 3.700 e em UCI entre 184 a 453”.

Na sexta-feira, 1.699 doentes com covid-19 estavam internados em enfermaria e 162 nas unidades de cuidados intensivos dos hospitais de Portugal continental.

Abstenção galopante atingiu a maioria em 2019

Os portugueses abstêm-se cada vez mais desde as eleições para a Assembleia Constituinte, em 1975, exceptuando em três do total de 16 sufrágios para o parlamento, tendo sido mais os não votantes do que os votantes nas últimas legislativas.

A abstenção em legislativas tem vindo sempre a subir desde 25 de Abril de 1975 (o menor valor, de 8,34%) até à mais recente votação do género, em 06 de Outubro de 2019 (o mais alto registo, de 51,43%).

Só em 1980, em 2002 e em 2005 houve quebras na galopante taxa de eleitores ausentes das mesas de voto, à medida que o entusiasmo com o regime democrático, após 48 anos de ditadura fascista do Estado Novo, foi esmorecendo.

A última vez em que houve uma quebra na tendência abstencionista crescente foi em 20 de Fevereiro de 2005, quando se verificou uma baixa de cerca de três pontos percentuais face à eleição anterior.

Após oito meses do governo do primeiro-ministro da coligação pós-eleitoral PSD/CDS-PP, Santana Lopes, o então Presidente da República, Jorge Sampaio, dissolvera o parlamento por “irregular funcionamento das instituições” e convocara novas eleições.

Então, os portugueses foram às urnas em maior percentagem do que três anos antes e votaram maciçamente no PS, que obteve assim a sua primeira e até agora única maioria absoluta (45%), com José Sócrates na liderança.

No sufrágio imediatamente anterior, em 17 de Março de 2002, também já tinha havido um recuo da abstenção face às eleições anteriores, desta feita ligeiríssima (menos de uma décima percentual).

Foi quando os eleitores lusos foram chamados a pronunciar-se depois de o então primeiro-ministro de um segundo Governo minoritário socialista, António Guterres, pedir a demissão para evitar o “pântano” político, após perder as eleições autárquicas de Dezembro de 2001.

Na altura, a vitória sorriu ao PSD de Durão Barroso, com 40,2%, seguido do PS (37,8%) e do CDS-PP (08,7%).

O então líder social-democrata viria a deixar o executivo conjunto com o democrata-cristão Paulo Portas para seguir para a Comissão Europeia, ficando então Santana Lopes no posto de primeiro-ministro, apenas por escassos oito meses até Sampaio recorrer à “bomba atómica” devido à sucessão de remodelações e demissões em vários gabinetes e magistraturas da administração pública protagonizados pelo entretanto fundador e presidente do Aliança.

Antes, é preciso recuar 42 anos para encontrar nova quebra da taxa de abstenção: dois meses antes de morrer na queda de um avião em Camarate, o social-democrata Francisco Sá Carneiro conseguiu o seu segundo triunfo seguido com a Aliança Democrática (PPD/CDS/PPM), em 05 de Outubro de 1980.

A AD teve 44,91% por cento dos votos, à frente da Frente Republicana e Socialista (PS, União da Esquerda Socialista e Democrática e Acção Social Democrata Independente), que obteve 26,65%, e da Aliança Povo Unido (PCP, Movimento Democrático Português/Comissão Democrática Eleitoral), com 16,75%.

A abstenção diminuiu na altura um ponto percentual face às legislativas anteriores, com os portugueses a voltarem a confiar no líder do PPD (PSD) depois de um período com três breves e instáveis Governos da iniciativa presidencial de Ramalho Eanes, liderados, à vez, por Alfredo Nobre da Costa, Carlos Mota Pinto e Maria de Lourdes Pintasilgo.

Nas últimas legislativas, realizadas a 06 de Outubro de 2019, foram mais os que optaram por não votar do que os que exerceram o seu direito de voto, com a abstenção a situar-se nos 51,43%.

  ZAP // Lusa

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15 Janeiro, 2022

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1515: Três dias com 40 mil casos. O pico pode ter passado

– O sub-título desta notícia é enganador: “Semana termina com 40.090 casos e 34 óbitos.“. Não, a semana, até ontem, Sexta-feira, termina  com 171.721 infectados e 124 mortos, faltando ainda os números de hoje, Sábado e de amanhã, Domingo.

Estatística até Sexta-feira:

14.01.2022 – 40.090 infectados – 34 mortos
13.01.2022 – 40.134 infectados – 22 mortos
12.01.2022 – 40.945 infectados – 20 mortos
11.01.2022 – 30.340 infectados – 28 mortos
10.01.2022 – 20.212 infectados – 20 mortos

Total até Sexta-feira: 171.721 infectados – 124 mortos

SAÚDE PÚBLICA/PANDEMIA/COVID-19/ESTATÍSTICAS

Semana termina com 40.090 casos e 34 óbitos. O desafio agora é diminuir o número de casos com país a funcionar em pleno.

Testagem nas escolas começou na segunda-feira.
© Adelino Meireles / Global Imagens

Portugal termina a semana acima dos 40 mil novos casos de covid-19 e com um máximo de óbitos que não era registado há dez meses (34). Aliás, esta foi a semana em que o país voltou a atingir um máximo no número de novas infecções pelo SARS-CoV-2, na incidência da doença, mas sempre com o índice de transmissibilidade R(t) a descer. O máximo de casos foi registado na quarta-feira (40.945), na quinta-feira já reduziu (40.134) e ontem também (40.090).

Segundo explicou ao DN, na quarta-feira, o professor da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa Carlos Antunes, que integra a equipa que desde o início da pandemia faz a modelação da doença, estes números podem significar que o país atingiu finalmente o pico desta onda epidémica que começou em Dezembro, devido à nova variante, Ómicron, detectada na África do Sul.

O país tem tido um número de novos casos nunca antes registado mas com relativo impacto no Serviço Nacional de Saúde. Ou melhor, com um número de internados sem grande pressão nos hospitais. Contudo, o mesmo já não é assim na linha da frente do combate à pandemia, nomeadamente na saúde pública e na medicina geral e familiar, com estes serviços a não conseguirem dar a resposta necessária aos utentes.

Quanto aos óbitos, Portugal está com uma média diária de 22. Nesta semana, o número mais elevado foi atingido ontem (34), seguindo-se quinta-feira (22) e depois quarta (20). Segundo indicava ontem o Instituto Nacional de Estatística, cerca de 10% dos óbitos ocorridos no ano passado foram devido à covid-19.

O país registou, em 2021, 125.032 óbitos, mais 1.353 (1,1%) do que em 2020 e mais 12.741 (11,3%) do que em 2019. O número de óbitos por covid-19 registado em 2021 foi 12.004 (6.972 em 2020), correspondendo a 9,6% do total de óbitos.

Em relação à incidência da doença, actualizada ontem, passou de 3.615,9 para 3.813,6 a nível nacional e de 3.615,3 para 3.796,0 a nível do continente. Já o R(t) tem vindo a baixar, passando de quarta-feira para ontem de 1,23 para 1,19, tanto no país como no continente.

Em termos de internamentos, o total tem vindo a aumentar, mas o número de pessoas em cuidados intensivos tem-se mantido estável. O boletim diário da Direcção-Geral da Saúde de ontem indicava não ter havido qualquer alteração nas últimas 24 horas, registando-se 1699 internados, dos quais 162 em UCI. No que respeita às regiões, Norte e Lisboa e Vale do Tejo são as que continuam a registar maior número de casos – ontem, tinham, respectivamente, 15.914 e 14.513. Depois seguiam-se as do Centro (4.589), Algarve (1.224) e Alentejo (1.207). Nas ilhas, há a destacar a Madeira, com 2.193 casos, tendo os Açores 450.

Esta é a última de duas semanas em que o país viveu algumas medidas mais restritivas, como teletrabalho obrigatório, e com a proibição no funcionamento de bares e discotecas. A partir de ontem, a diversão nocturna regressa e os especialistas, como Carlos Antunes, dizem que o desafio agora vai ser conseguir diminuir o número de casos.

anamafaldainacio@dn.pt
Diário de Notícias
Ana Mafalda Inácio
15 Janeiro 2022 — 00:17

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