1469: Escolas reabrem dia 10 e teletrabalho obrigatório até dia 14

SAÚDE PÚBLICA/PANDEMIA/COVID-19/CONSELHO DE MINISTROS

© TIAGO PETINGA/LUSA

O primeiro-ministro é que deu rosto ao novo conjunto de medidas contra a pandemia de covid-19 e na sequência do Conselho de Ministros desta quinta-feira anunciou que as escolas reabrem mesmo presencialmente no próximo dia 10, como já tinha sido fixado no quadro de medidas anterior. António Costa disse também que haverá testagem nos estabelecimentos de ensino nas duas próximas semanas. “Vamos proceder à testagem dos professores e dos assistentes operacionais nas próximas duas semanas”, referiu.

Veja aqui todas as decisões tomadas pelo Governo.

António Costa relembrou também a vacinação de crianças entre os 5 e os 11 anos e do pessoal docente e não docente entre hoje e 9 de Janeiro.

Para lá do que estava em aberto ou previsto, e atendendo ao elevado de pessoas infectadas com a doença, sobretudo com a nova variante Ómicron, foi anunciado o encerramento dos bares e discotecas até 14 de Janeiro e o regime de teletrabalho obrigatório e partir dessa data “recomendado”. “No teletrabalho, a obrigatoriedade é prolongada até dia 14 [de Janeiro] e a partir do dia 14 há uma recomendação da manutenção do teletrabalho”, precisou o primeiro-ministro no final do Conselho de Ministros, que decorreu no Palácio da Ajuda, em Lisboa.

O líder do governo justificou esta alteração ligeira das medidas fazendo apelo ao que “por unanimidade” os especialistas, na sequência da reunião do Infarmed, disseram sobre a evolução da pandemia e da variante Ómicron. “Apesar da alta transmissibilidade e previsível crescimento do número de infectados, poderemos avançar na próxima semana com cautela”, disse António Costa.

Manter-se-á a exigência de teste para acesso a bares e discotecas e a proibição de consumo de bebidas alcoólicas na via pública. Tal como os testes negativos para visitas a lares, a pacientes internados em estabelecimentos de saúde, grandes eventos, eventos sem lugares marcados e recintos improvisados. O mesmo é aplicável a recintos desportivos.

Só haverá isenção de testagem nos últimos casos para quem tenha dose de reforço há mais de 14 dias.

Mantém-se também a manutenção de controlo das fronteiras, com teste negativo obrigatório para todos os voos que cheguem a Portugal e as sanções para as companhias aéreas que violarem esta regra.

Certificados digitais continuam a ser exigidos em restaurantes, estabelecimentos de alojamentos turísticos, espectáculos culturais, eventos com lugares marcados e ginásios. António Costa assegurou que ao 14.º dia de reforço da dose da vacina contra a covid-19 esse certificado será actualizado automaticamente.

Voto presencial ainda em avaliação

Sobre a votação nas eleições legislativas de 30 de Janeiro para pessoas infectadas ou em isolamento, o primeiro-ministro começou por lembrar que a nossa Lei Eleitoral “regula quase ao pormenor o nosso processo eleitoral”, até o horário de funcionamento das mesas de voto. “Só a Assembleia da República, em condições normais, pode proceder a alterações da legislação”, disse António Costa, sobre as várias propostas que têm sido feitas para que esses cidadãos possam votar presencialmente.

“Temos de fazer tudo dentro do quadro da lei, é preciso ter segurança jurídica”, frisou ao justificar um pedido de parecer ao Conselho Consultivo da Procuradoria-Geral da República, com carácter de urgência, sobre esse quadro de votação de pessoas em isolamento.

“Temos de assegurar que todas as pessoas possam exercer o seu direito de voto e o que o façam em segurança e que não o deixem de fazer com receio de serem contaminados”, afirmou. Nesse sentido, disse estar a trabalhar com a Associação Nacional de Municípios para “aumentar o mais possível” o número de mesas de voto antecipado, previsto para dia 23 de Janeiro.

António Costa revelou ainda que a ministra da Administração Interna terá uma reunião com os partidos para organizar esse processo de votação para quem está isolado e para que os infectados com covid-19 possam exercer presencialmente o seu direito de voto, “mas que o façam em condições de segurança”.

Anunciou também que será dada prioridade na vacinação com dose de reforço aos cidadãos que integrem as mesas de voto.

Menos internamentos e menor severidade

Logo no início da sua comunicação sobre as novas medidas, António Costa fez um balanço da actual situação pandémica em Portugal. “A alta transmissibilidade da variante Ómicron foi crescente e neste momento é absolutamente dominante, representando cerca de 80% dos casos positivos”, afirmou o primeiro-ministro. António sublinhou o que os especialistas disseram na quarta-feira, na reunião do Infarmed, para assegurar que a nova variante oferece menor severidade da doença.

“É por isso que tendo hoje mais casos do que tínhamos há um ano temos um número muito inferior de internamentos, internamentos em cuidados intensivos e de óbitos a lamentar”. Ainda assim alertou para o facto de não se saber “os efeitos a longo prazo” da infecção, pelo que voltou a apelar à vacinação da população.

Referindo-se aos lares de idosos, disse que há agora 51 surtos nestas instituições, enquanto há um ano existiam 318. “Esta variante tem um menor impacto no risco da saúde e para o SNS”.

As novas normas da DGS referem que que só haverá isolamento de casos positivos ou de coabitantes dos mesmos. Também as pessoas com dose de reforço ficam “isentas de isolamento”, destacou o primeiro-ministro.

Também as pessoas com dose de reforço há mais de 14 dias deixam de necessitar de testar para ter acesso a locais específicos

“As escolas podem retomar a normalidade de funcionamento na próxima segunda-feira”, disse, referindo-se à actualização da norma da DGS sobre o isolamento de crianças em contexto escolar.

Diário de Notícias
Paula Sá com Susete Henriques
06 Janeiro 2022 — 12:45

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1468: Segundo dia com mais de 39 mil casos. Mais 25 mortos. Internamentos a subir

– Estatísticas até hoje, Quinta-feira:

06.01.2022 – 39.074 infectados – 25 mortos
05.01.2022 – 39.570 infectados – 14 mortos
04.01.2022 – 25.836 infectados – 15 mortos
03.01.2022 – 10.554 infectados – 10 mortos

Total da semana até hoje: 115.034 infectados – 64 mortos

– … “se aligeirem as medidas tomadas a 21 de Dezembro, passando o objectivo a alcançar a ser o da “autogestão” da pandemia, no reforço da responsabilidade de cada cidadão, dando-lhe para isso mecanismos que permitam gerir a sua percepção de risco e o seu comportamento.” Ora bem, não sendo eu epidemiologista, nem estando por lá perto, possuo neurónios que não se encontram afectados pelo auto-confinamento a que me impus voluntariamente, apenas saindo para o exterior em caso de absoluta e extrema necessidade. A isto chama-se RESPONSABILIDADE CÍVICA e de CIDADANIA, atitudes que não são seguidas por uma grande maioria de acéfalos indigentes, que continuam nas suas extremamente paupérrimas vidinhas “sociais”. Ora, se esta choldra não entende a gravidade da situação, não se protege, protegendo a comunidade, quais são os “mecanismos” a dar a quem é acéfalo, que permitam gerir a sua percepção de risco e o seu comportamento.? ZERO! Fiquemos por aqui.

SAÚDE PÚBLICA/PANDEMIA/COVID-19/INFECÇÕES/MORTOS

Dados da DGS indicam que foram registados 39.074 novas infecções e 25 mortes nas últimas 24 horas. Há ainda 1.311 pessoas internadas devido à covid-19, dos quais 158 em unidades de cuidados intensivos.

Centro de vacinação do Parque das Nações, Lisboa
© Diana Quintela/ Global Imagens

Em dia de reunião do Conselho de Ministros, Portugal confirmou 39.074 ​​​novos casos de covid-19 nas últimas 24 horas, de acordo com o boletim epidemiológico da Direcção-Geral da Saúde (DGS). Há a registar mais 25 mortes associadas à infecção, indica ainda o relatório desta quinta-feira (6 de Janeiro).

Este é o segundo dia consecutivo em que é superada a barreira das 39 mil novas infecções, depois de ontem ter sido batido o recorde da pandemia em Portugal com 39.570 casos.

Lisboa e Vale do Tejo (16.989) e Norte (14.094) foram onde se registou maior número de casos positivos de covid-19, bem longe das 4.285 infecções detectadas na região Centro. No Alentejo foram verificados 1.154, na Madeira foram 1.152, no Algarve chegou aos 1.021 e nos Açores houve pelos 379 nas últimas 24 horas.

No que diz respeito a óbitos, em Lisboa e Vale do Tejo foram declarados 15, enquanto o Norte registou 7, tendo Alentejo, Algarve e Açores reportado um óbito.

Há agora 1.311 internados (mais 60 que no dia anterior), dos quais 158 (mais 15) estão em unidades de cuidados intensivos, refere a DGS, um dia depois de mais uma reunião que juntou especialistas em saúde pública para avaliar a evolução da pandemia em Portugal.

No Infarmed, em Lisboa, os técnicos do Instituto Nacional de Saúde Ricardo Jorge (INSA), perante o Presidente da República, o primeiro-ministro, a ministra da Saúde e outros representantes políticos e parceiros sociais, referiram que o pico desta onda epidémica só deverá ser atingido na segunda semana de Janeiro, podendo os números de novas infecções oscilar entre as 40 mil e as 130 mil, com o subsequente aumento, “também muito elevado, de pessoas em isolamento”.

O epidemiologista Baltazar Nunes referiu mesmo que “o total de pessoas isoladas em quarentena pode variar entre 4% e 12% da população”. Ainda ontem, a incidência por 100 mil habitantes também bateu recordes: 2.104,7 a nível nacional e 2.114,3 no continente. O R (t) subiu para 1,41 em todo o país.

Peritos defendem aligeirar as medidas restritivas

O vice-presidente da Associação Portuguesa de Médicos de Saúde Pública (APMSP), Gustavo Tato Borges, argumentou ao DN que “se não fosse a benignidade que a doença assumiu já estaríamos todos em casa fechados com estes valores de incidência e de R (t)”.

A verdade é que a variante Ómicron – identificada na África do Sul, que em pouco mais de um mês se espalhou pelo mundo e que já é dominante na Europa, incluindo Portugal – trouxe um maior nível de contágio, mas menos gravidade.

Como explicaram os técnicos do INSA na reunião, apesar de o número de os números relativos a novas infecções serem elevados, os que retratam a gravidade da doença são bem diferentes dos que registávamos no ano passado por esta altura. Havia menos casos, mas as mortes atingiam quase as duas centenas e os internados em cuidados intensivos rondavam quase um milhar.

E é esta mudança de cenário que levou os especialistas reunidos com o governo a defender que, a bem da sociedade, da saúde mental e da vida económica, se aligeirem as medidas tomadas a 21 de Dezembro, passando o objectivo a alcançar a ser o da “autogestão” da pandemia, no reforço da responsabilidade de cada cidadão, dando-lhe para isso mecanismos que permitam gerir a sua percepção de risco e o seu comportamento.

Arranca hoje período de vacinação exclusiva para crianças e comunidade escolar

A vacinação continua a ser uma das estratégias principais no combate à pandemia, com Portugal a iniciar esta quinta-feira o segundo período de vacinação exclusivo para as crianças entre os 5 e 11 anos.

Cerca de 154 mil crianças entre os 5 e 11 anos, durante a manhã, e professores e profissionais das creches e ATL, à tarde, vão ser chamados para a vacinação contra a covid-19.

Entre hoje e domingo, o período da tarde dos centros de vacinação estará em modalidade Casa Aberta para professores e profissionais das creches e ATL para a dose de reforço da vacina contra a covid-19. Para isso, será necessário ter senha digital.

O SPMS esclarece que para usufruírem do sistema de senha digital da modalidade Casa Aberta os utentes devem solicitar uma senha no dia em que pretenderem ser vacinados.

O problema é que o site não está a funcionar. O DN fez várias tentativas e não conseguiu aceder ao serviço. Mais recentemente, surge uma informação: “Caro utilizador. O serviço encontra-se com muita procura. Por favor volte a tentar dentro alguns minutos. Muito obrigado”.

Diário de Notícias
DN
06 Janeiro 2022 — 14:07

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1467: Quem é que anda a gozar com as pessoas?

CERTIFICADOS DE VACINAÇÃO

Anteontem, desloquei-me a um Centro de Vacinação para ser inoculado com a terceira dose da vacina anti-covid, agendada pelo SNS conforme SMS recebido no meu telemóvel. Vacina esta que apenas deveria ser aplicada SEIS MESES depois da segunda inoculação, que seria a 24 de Janeiro.

Até aqui, tudo bem, depois da inoculação, deram-me um cartão onde mencionava o lote da vacina, data, etc..

Ontem, recebi no meu telemóvel um SMS com a seguinte informação: “Ministério da Saúde: COVID19: Certificado VACINAÇÃO, Código: XXXXXXXX”

Entrei no Portal do SNS24 -> Certificado Vacinação -> Data de Nascimento -> Número de Utente de Saúde -> Código de Acesso ao Certificado -> SUBMETER.

Resultado, depois de introduzido o código enviado por SMS:

Código não é válido ou encontra-se Expirado? Se nem 15 minutos passaram? Hoje, dia 6 tentei de novo e o resultado foi a mesma situação. Parece que andam a gozar com as pessoas…

Francisco Gomes
06.01.2022

 

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1466: Professores têm de pedir senha digital para se vacinarem

SAÚDE PÚBLICA/PANDEMIA/COVID-19/PROFESSORES/VACINAÇÃO

Até domingo, as tardes estão reservadas à administração da dose de reforço da vacina aos docentes.

© ANTÓNIO COTRIM/LUSA

Entre hoje e domingo, o período da tarde dos centros de vacinação estará em modalidade Casa Aberta para professores e profissionais das creches e ATL para a dose de reforço da vacina contra a covid-19. Para isso, será necessário ter senha digital.

“Os utentes elegíveis da comunidade escolar do ensino básico e secundário e das Respostas Sociais na infância que queiram vacinar-se com a dose de reforço, terão de efectuar previamente o pedido de senha digital no Portal COVID-19 (https://covid19.min-saude.pt/casa-aberta/)”, é indicado numa nota dos Serviços Partilhados do Ministério da Saúde .

O SPMS esclarece que para usufruírem do sistema de senha digital da modalidade Casa Aberta os utentes devem solicitar uma senha no dia em que pretenderem ser vacinados.

Neste portal, deverá ser preenchido um formulário, sendo posteriormente enviada para o telemóvel uma senha digital com o respectivo número e hora prevista.

Diário de Notícias
DN
06 Janeiro 2022 — 09:19

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1465: Arranca hoje período de vacinação exclusiva para crianças e comunidade escolar

SAÚDE PÚBLICA/PANDEMIA/COVID-19/VACINAÇÃO INFANTIL

Até domingo, cerca de 154 mil crianças entre os 5 e 11 anos, durante a manhã, e professores e profissionais das creches e ATL, à tarde, vão ser chamados para a vacinação contra a covid-19.

© HOMEM DE GOUVEIA/LUSA

Começa esta quinta-feira um segundo período de vacinação exclusivo para as crianças entre os 5 e 11 anos, com cerca de 154 mil agendamentos até domingo.

No primeiro período para estas idades, que decorreu no fim de semana de 18 e 19 de Dezembro, foram vacinadas 95 752 crianças com a dose pediátrica da Pfizer.

A decisão de vacinar este grupo etário foi anunciada pelo Governo em 10 de Dezembro, após a recomendação da DGS, ouvida a Comissão Técnica de Vacinação e ponderadas as questões de natureza logística com o núcleo de coordenação de apoio ao Ministério da Saúde.

Entre 5 de Fevereiro e 13 de Março serão administradas as segundas doses, altura em que ficará concluído o esquema vacinal para esta faixa etária, estima o Governo.

No início da semana foi também anunciado pelo secretário de Estado Adjunto e da Saúde, António Lacerda Sales, que professores e profissionais das creches e ATL receberiam uma dose de reforço da vacina contra a covid-19.

Considerados grupo prioritário para a vacinação pelas autoridades de saúde, vão ser chamados nos mesmos dias que as crianças entre os 5 e os 11 anos, mas da parte da tarde, na modalidade Casa Aberta, para a qual vão ter uma senha digital.

Na segunda-feira, a Federação Nacional dos Professores (Fenprof) tinha voltado a reivindicar que os trabalhadores das escolas deveriam ser considerados como um dos grupos prioritários da vacinação, devendo ser vacinados antes do regresso às aulas agendado para 10 de Janeiro.

Segundo estimativas da Fenprof, cerca de metade dos docentes ainda não tinham feito o reforço da vacina, por não serem considerados ilegíveis para o poder fazer.

Segundo adiantou o coordenador do plano de vacinação, Carlos Penha-Gonçalves, na reunião de peritos de quarta-feira no Infarmed, a maior parte das pessoas que ainda estão por vacinar contra a covid-19 são crianças e jovens entre os 5 e os 20 anos.

Carlos Penha-Gonçalves, coronel do exército, adiantou que, neste momento, há 90% da população com a vacinação iniciada e 88% com a vacinação completa.

Há uma fracção da população que ainda está à espera da segunda dose porque não é elegível, sendo na maior parte crianças que foram vacinadas no dia 18 e 19 de Dezembro, explicou o representante do Núcleo de Coordenação do Plano de Vacinação contra a covid-19.

Diário de Notícias
DN/Lusa
06 Janeiro 2022 — 07:44

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Gratuitidade de auto-testes é “um investimento” e não “um custo para o Estado”

SAÚDE PÚBLICA/PANDEMIA/COVID-19/AUTO-TESTES

Portugal está com mais casos, mas menos doença grave. A pneumologista Raquel Duarte, que tem apoiado o Governo nas várias fases de desconfinamento, propôs ontem na reunião do Infarmed que os auto-testes passem a ser gratuitos, reforçando-se assim a estratégia da autogestão da pandemia e da responsabilidade do cidadão. Mas não só. A equipa de peritos que lidera propôs ainda aligeirar as medidas em vigor, defendendo o regresso à escola já na segunda-feira, o fim da obrigatoriedade do teletrabalho e a abertura de discotecas e bares. O Conselho de Ministros reúne-se hoje para tomar decisões.

Não basta ter o auto-teste, é preciso passar a mensagem de como o fazer e de como o registar.
© Maria JOºao Gala Global Imagens

No dia em que políticos e peritos voltaram a reunir-se no Infarmed para avaliar a situação epidemiológica provocada pelo SARS-CoV-2, o país voltou a bater um recorde em número de casos de infecção: 39 570. Mas, segundo afirmaram ontem no anfiteatro do Infarmed os técnicos do Instituto Nacional de Saúde Ricardo Jorge (INSA), perante o Presidente da República, o primeiro-ministro, a ministra da Saúde e outros representantes políticos e parceiros sociais, o pico desta onda epidémica só deverá ser atingido na segunda semana de Janeiro, podendo os números de novas infecções oscilar entre as 40 mil e as 130 mil, com o subsequente aumento, “também muito elevado, de pessoas em isolamento”.

O epidemiologista Baltazar Nunes referiu mesmo que “o total de pessoas isoladas em quarentena pode variar entre 4% e 12% da população”. Ainda ontem, a incidência por 100 mil habitantes também bateu recordes: 2104,7 a nível nacional e 2114,3 no continente. O R (t) subiu para 1,41 em todo o país.

O vice-presidente da Associação Portuguesa de Médicos de Saúde Pública (APMSP), Gustavo Tato Borges, argumentou ao DN que “se não fosse a benignidade que a doença assumiu já estaríamos todos em casa fechados com estes valores de incidência e de R (t)”.

A verdade é que a variante Ómicron – identificada na África do Sul, que em pouco mais de um mês se espalhou pelo mundo e que já é dominante na Europa, incluindo Portugal – trouxe um maior nível de contágio, mas menos gravidade. Por exemplo, ontem, apesar dos 39 570 casos, registaram-se apenas 14 óbitos, estando ainda a taxa de ocupação de cuidados intensivos longe da linha de risco, acima dos 70%. Ontem havia 143 pessoas em UCI, de um total de 1251 internados.

Ou seja, e como explicaram os técnicos do INSA na reunião, apesar de o número de os números relativos a novas infecções serem elevados, os que retratam a gravidade da doença são bem diferentes dos que registávamos no ano passado por esta altura. Havia menos casos, mas as mortes atingiam quase as duas centenas e os internados em cuidados intensivos rondavam quase um milhar.

E é esta mudança de cenário que levou os especialistas reunidos com o governo a defender que, a bem da sociedade, da saúde mental e da vida económica, se aligeirem as medidas tomadas a 21 de Dezembro, passando o objectivo a alcançar a ser o da “autogestão” da pandemia, no reforço da responsabilidade de cada cidadão, dando-lhe para isso mecanismos que permitam gerir a sua percepção de risco e o seu comportamento.

Viver o mais normalmente possível em segurança

A pneumologista Raquel Duarte explicou ao DN que “esta mudança de estratégia é importante para podermos viver uma vida o mais normal possível e em segurança”, sublinhando: “Desde o início que a nossa filosofia tem sido a de apostar na saúde da população, mas olhando também para o impacto social, económico e psicológico da pandemia.

E para olharmos para esta faceta multidisciplinar precisamos de ter todas as actividades do nosso dia a funcionar com segurança, porque a pandemia não acabou, o vírus continua a circular e temos milhares de casos por dia. Portanto, o que precisamos de pôr em prática é o que já sabemos que funciona: o acesso à testagem, a distância social, a boa ventilação nos espaços interiores e o uso correto da máscara.”

Todas estas medidas estão incluídas na proposta ontem apresentada pela médica no Infarmed. “Propomos um aligeirar das medidas porque defendemos a abertura das escolas já na próxima semana, o fim da obrigatoriedade do teletrabalho, a abertura de bares e de discotecas e não impomos lotação de pessoas em espaços interiores – embora se mantenha o número de pessoas por metro quadrado – desde que sejam cumpridas todas as outras regras gerais de saúde pública. Só assim conseguiremos ter a sociedade a funcionar em pleno e com segurança”

O grupo liderado por Raquel Duarte propôs ainda que o convívio familiar se restrinja a grupos inferiores a dez pessoas, que estas usem máscara fora do período da refeição e que façam testagem prévia. Nas celebrações (casamentos, baptizados) deve evitar-se grupos com mais de cem pessoas, tendo o evento de ter uma avaliação do risco que existirá e testagem prévia.

Aliás, a testagem é, mais uma vez, considerada uma das medidas fundamentais para fazer face a mais uma onda epidémica. A pneumologista do Centro Hospitalar de Vila Nova de Gaia, que integra também a equipa de investigação da ARS do Norte, explicou aos políticos que o porquê da razão de agora virem pedir a gratuitidade dos auto-testes.

Na proposta feita pode ler-se: “Devem tornar-se os auto-testes acessíveis e gratuitos, sem esquecer as populações marginalizadas; promover a utilização do auto-teste com a possibilidade de validação (presencial ou remota) por profissionais de saúde, assim como o seu registo para efeito da certificação; e dar capacitação aos serviços e explicar de forma clara aos cidadãos o que fazer perante um teste positivo”. Segundo o grupo de peritos que trabalhou a proposta, esta medida reforçaria a testagem e aliviaria os profissionais de saúde, que já estão sobrecarregados com outras funções.

Para o vice-presidente da APMSP, Gustavo Tato Borges, a gratuitidade dos testes é uma medida positiva, até porque “nesta fase da pandemia a autogestão dos casos positivos e do isolamento profilático é fundamental. Os profissionais já não conseguem chegar a todas as pessoas e, hoje, os portugueses já sabem perfeitamente quando têm um sintoma de maior preocupação, necessidade de testagem e de auto-isolamento. Se as pessoas tiverem acesso de forma livre a mais testes, mais vezes se testam e mais depressa encontramos casos positivos e quebramos cadeias de contágio”.

Filipe Froes, o pneumologista coordenador do Gabinete de Crise para a Covid-19 da Ordem dos Médicos, argumentou mesmo que “a medida não é um custo para o Estado, mas um investimento no controlo da infecção”, explicando: “A testagem aumenta e até poderemos abdicar da realização de testes PCR, no caso de pessoas com o esquema vacinal completo, que dessem positivo e que fossem assintomáticas.”

Para o médico, esta medida é tão importante quanto o acelerar da vacinação de reforço, para maiores de 50 anos, e da segunda dose para as crianças, que deveria ter um intervalo de apenas quatro a cinco semanas, já que estas “precisam é de ser protegidas agora em Janeiro, quando vivemos o pico, e não em Abril ou Maio quando já não será necessário”. E vai mais longe ao defender que “a solução para esta fase da pandemia está na vacinação de reforço. É nisto que nos devemos concentrar nas próximas semanas. Tudo o que fizermos em termos de vacinação de reforço é um meio de nos aproximarmos do fim desta onda pandémica e do impacto desta variante na nossa população e no nosso país”.

Questionados sobre se as medidas propostas são as adequadas ou se se poderia fazer mais, Gustavo Tato Borges considerou que “as medidas propostas são as que fazem sentido para a fase que estamos a viver, permitem que a economia continue a funcionar, portanto não há necessidade de mexer muito nelas”, enquanto Filipe Froes, sublinhou, que, na sua opinião, a recomendação do teletrabalho deve ser mantida. “A obrigatoriedade vai ser difícil, mas deveria continuar a ser recomendado sempre que possível, para salvaguarda da protecção dos próprios e pela diminuição do risco da transmissão na comunidade”.

O representante da Ordem dos Médicos sustentou que “cada empresa deve fazer a sua avaliação de risco e saber o que é melhor para a empresa, para os seus colaboradores e para o país. E agir de acordo com essa premissa”.

Governo reúne-se hoje para decidir o que vai fazer

O governo avalia hoje as medidas apresentadas pela equipa de Raquel Duarte que assentam na estratégia célere no diagnóstico e rastreio através do “fácil acesso aos métodos de diagnóstico perante suspeita (…) e no reforço de campanhas que expliquem às pessoas o que devem fazer em caso de testarem positivo (…)”, mas também na capacitação dos serviços de forma a reduzir “a carga do Trace Covid na actividade dos médicos de medicina geral e familiar, para que estes possam dedicar-se mais aos doentes de maior risco, em isolamento, garantindo-lhes o contacto célere e directo perante sinais de agravamento”.

E, mais uma vez, a forma de comunicar será fundamental para se conseguir uma maior envolvência da comunidade. A proposta apresentada por Raquel Duarte refere ser “importante que haja uma estratégia de comunicação clara sobre a avaliação de risco, como fazer um auto-teste, como proceder perante um auto-teste positivo, desde a necessidade do isolamento e por quanto tempo, como se pode aceder à plataforma para registo do teste e seu resultado e como é feita a identificação de contactos, entre outras orientações”. Ou seja, não basta tornar os auto-testes gratuitos, a população tem de ser ensinada sobre a forma como deve agir.

Para estes especialistas os sinais de alerta para uma mudança de estratégia devem soar quando a taxa de internamento em UCI atingir os 70%. “Propõe-se que, se for atingida a fasquia dos 70%, ou seja, 179 internamentos em UCI e um R(t) superior a 1, sejam aplicadas medidas a fim de contribuir para uma travagem precoce do respectivo impacto da doença”; “propõe-se ainda que o indicador de referência para os internamentos em UCI seja uma média a cinco dias, de modo a que este se torne mais robusto face a eventuais variações diárias causadas por perturbações de reporte”.

O importante agora é conseguir-se a “autogestão da pandemia”. O Presidente Marcelo Rebelo de Sousa já disse confiar na responsabilidade dos portugueses para se atingir este objectivo. Falta o Conselho de Ministros decidir. Está confirmado que, após a reunião, alguém apresentará as conclusões aos jornalistas, não se sabendo a que horas. É possível que seja o primeiro-ministro, mas ontem à hora do fecho desta edição não estava confirmado.

Com João Pedro Henriques

Diário de Notícias
Ana Mafalda Inácio
06 Janeiro 2022 — 00:15

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1463: Anunciar fim da pandemia é “exagerado”. Peritos defendem alívio (e esperam pico na próxima semana)

SAÚDE PÚBLICA/PANDEMIA/COVID-19/INFARMED

Tiago Petinga / Lusa
O Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, primeiro-ministro, António Costa

Políticos e especialistas de saúde pública voltaram a reunir-se na sede do Infarmed para avaliar a evolução da pandemia de covid-19 em Portugal. O pico de casos de covid-19 é esperado na segunda semana de Janeiro.

Pedro Pinto Leite, da Direcção-Geral da Saúde (DGS), foi o primeiro a apresentar os dados sobre a situação epidemiológica no país, adiantando, e sem surpresas, que se estão a registar “valores históricos” de novos casos de covid-19.

A incidência a 14 dias é de 2.007 casos por 100 mil habitantes, um valor que tem registado uma “tendência fortemente crescente” em todas as regiões e grupos etários, tendo sido maior nos mais jovens.

Apesar da má notícia, o especialista revelou a boa no final da sua intervenção: a taxa de mortalidade encontra-se nos 19 óbitos por milhão de habitantes nos últimos 14 dias, “abaixo do valor de referência”.

A mortalidade por covid-19 está “estável, diria decrescente“, situando-se ainda num cenário de mortalidade “moderada”.

“O risco de morte é substancialmente inferior nos indivíduos com esquema vacinal completo”, destacou. Desta forma, antes da vacina, 27% dos casos na faixa etária superior aos 80 anos resultavam em morte. Com a vacinação, a percentagem reduziu para 8%-9%, e com o reforço baixou para cerca de 5%.

Ómicron. Anúncio do fim da pandemia é “exagerado”

João Paulo Gomes, do Instituto Nacional de Saúde Doutor Ricardo Jorge (INSA), anunciou que a Ómicron domina já “o cenário epidemiológico em muitos países” (mais de 90, de acordo com a OMS), sendo que, à data de ontem, cerca de 90% dos casos em Portugal são desta variante.

A grande disseminação da Ómicron ocorreu na faixa etária dos 20 aos 29 anos e a maior transmissibilidade parece estar relacionada com a capacidade de infecção das vias respiratórias superiores. Isto significa que a Ómicron afecta os pulmões em menor escala, se comparada com a variante Delta.

Já Ana Paula Rodrigues, do INSA, referiu que a eficácia da vacina face à nova variante Ómicron é “mais baixa do que aquela que foi estimada para a Delta”, mas após o reforço “há um aumento” na ordem dos 80%, que varia em função da idade.

Em Outubro, 86% da população tinha anticorpos contra a covid-19, em grande parte devido à vacinação. A população está mais protegida contra internamentos, ainda que o grupo etário dos 50 aos 59 anos deva ter cuidados redobrados (uma vez que ainda não tem o reforço).

Baltazar Nunes, também do INSA, alertou que, apesar de não se verificar um aumento dos internamentos em Unidades de Cuidados Intensivos (UCI), é preciso ir vigiando a situação.

Já o pico de infecções de covid-19 é esperado na segunda semana de Janeiro: deverão ser atingidos valores diários entre 42 mil e 130 mil casos.

Ainda com base nos cenários realizados pelo Instituto Ricardo Jorge, espera-se que as hospitalizações em enfermaria possam ficar entre as 1.300 e as 3.700 camas na última semana de Janeiro ou primeira de Fevereiro e as em UCI entre 180 e 450 camas, na primeira ou segunda semana de Fevereiro.

Na sua intervenção durante a reunião de avaliação epidemiológica, Henrique Barros, do Instituto de Saúde Pública da Universidade do Porto, sublinhou que há muitas incertezas associadas à Ómicron, pelo que “o anúncio do fim da pandemia pode ser ainda bastante exagerado“.

Recomendações dos especialistas

Raquel Duarte, do Instituto de Saúde Pública da Universidade do Porto, apresentou algumas sugestões para o combate à pandemia, salientando que a vacinação, o controlo das fronteiras, o controlo da qualidade do ar e a atenção às populações mais vulneráveis são recomendações que se mantêm.

Ainda assim, Portugal encontra-se numa fase em que se deve dar mais importância à autonomia da população. O apelo ao uso de máscara e outras medidas de segurança mantém-se, privilegiando agora a auto-avaliação do risco.

Neste sentido, a especialista salientou a necessidade de tornar os auto-testes acessíveis e gratuitos, válidos para certificado com o acompanhamento de um profissional de saúde a monitorizar (mesmo que remotamente).

Ainda que considere ser necessária intervenção das equipas de saúde pública no corte das cadeias de transmissão, Raquel Duarte afirmou que é preciso retirar a sobrecarga de trabalho nessas equipas, facilitando os inquéritos epidemiológicos por via digital.

Foi proposta também uma redução das medidas restritivas, mas com adopção de medidas gerais de combate à pandemia.

O uso dos certificados digitais, testes frequentes ou a proibição de consumo de bebidas alcoólicas na via pública configuram nas recomendações dos peritos, que salvaguardam que, em caso de situação de alerta, medidas como o teletrabalho, intensificação de testes limitação da lotação na restauração e nos eventos públicos devem entrar em vigor.

Desta forma, a proposta da equipa de Raquel Duarte é que seja introduzido um novo sinal de alerta se a ocupação de UCI chegar a 70% do nível de alerta (179 camas ocupadas ao longo de cinco dias) e o R(t) se mantiver acima de 1.

  Liliana Malainho, ZAP //
Liliana Malainho
5 Janeiro, 2022

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1462: Graça Freitas: Crianças que contactem com caso positivo na escola não ficam em isolamento

SAÚDE PÚBLICA/PANDEMIA/COVID-19/CRIANÇAS

O que se pede aos pais é que sejam reduzidos os contactos e convívios e que essas crianças, dependendo da idade, usem máscara.

Graça Freitas
© Reinaldo Rodrigues/Global Imagens

A directora-geral da Saúde, Graça Freitas, esclareceu esta quarta-feira que crianças que tenham um contacto com um caso positivo de covid-19 na escola não ficam em isolamento.

Em declarações à agência Lusa, Graça Freitas disse que só são considerados contactos de alto risco as crianças que vivam na mesma casa que alguém com covid-19, pelo que ficam isoladas, já que não têm reforço da vacina.

“Nós, por norma, vamos considerar as crianças apenas contacto de alto risco se forem coabitantes de um doente”, pelo que essa criança fica isolada, porque “é um contacto domiciliário e as crianças não têm reforço”, explicou a directora-geral da Saúde.

Uma criança com um contacto com um caso positivo na escola não fica em isolamento, disse Graça Freitas à Lusa, acrescentando que o que se pede aos pais é que sejam reduzidos os contactos e convívios e que essas crianças, dependendo da idade, usem máscara.

As crianças que ficam na escola fazem um teste ao terceiro dia, adiantou.

As aulas deverão recomeçar na segunda-feira em Portugal depois de ter sido alargado o período de férias do Natal de duas para três semanas como medida de combate à pandemia.

Diário de Notícias
DN/Lusa
05 Janeiro 2022 — 21:35

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