1461: Coronavírus: “Produzimos a vacina e não queremos dinheiro. É uma oferta”

SAÚDE PÚBLICA/PANDEMIA/COVID-19/VACINAS

Peter Hotez / Twitter
Peter Hotez e Maria Elena Bottazzi, líderes da investigação

De um hospital pediátrico no Texas chega uma nova vacina, sem patente, e que já está chegou à Índia.

Chama-se Corbevax e é uma vacina contra o coronavírus. Mas esta vacina proveniente dos Estados Unidos da América não é “mais uma” vacina que vai ser comercializada em dezenas de países. Foi anunciada apenas na semana passada e tem algo diferente.

Investigadores do hospital pediátrico do Texas e da escola de medicina de Baylor (também no Texas) produziram uma vacina que tem a particularidade de a patente…não existir.

“O nosso centro pediátrico do Texas não planeia ganhar dinheiro com isto, é uma oferta para o mundo“, explicou Peter Hotez, um dos líderes deste projecto.

Como não há patentes nem outras burocracias extra envolvidas, esta vacina, sublinha o professor, deverá ser a vacina mais barata de todas, entre as que já foram produzidas para tentar travar a COVID-19.

Esta é uma parceria entre os norte-americanos e uma empresa indiana de produtos biológicos, a Biological E. Limited. O investigador indicou que já há 150 milhões de doses disponíveis e, a partir de Fevereiro, vão ser produzidas 100 milhões de doses por mês – mais do que os números previstos pelo próprio governo dos EUA.

A nível técnico, Peter Hotez explicou que, para produzir esta vacina, foi utilizada uma antiga tecnologia de fermentação de levedura de proteína recombinante, semelhante à usada para a vacina contra a hepatite B (que existe há 40 anos).

Os resultados dos ensaios clínicos foram comparados com os números de uma vacina já aprovada, a Covishield (versão indiana da Astrazeneca), e confirmaram a sua eficácia. A vacina pode ser produzida em cada país; o hospital do Texas já transferiu a tecnologia para produtores de Índia, Indonésia, Bangladesh e Botswana.

A equipa de investigadores reuniu mais de 20 cientistas e foi liderada por Peter Hotez e por Maria Elena Bottazzi, também professora e uma das directoras no hospital pediátrico do Texas.

A investigação conjunta entre instituições de EUA e Índia começou no final de 2020 e houve ensaios clínicos ao longo de 2021, com milhares de participantes. Depois disso, a Corbevax mostrou ser segura e eficaz.

Nuno Teixeira da Silva
5 Janeiro, 2022

 

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1460: Portugal com recorde de 39.570 novos casos e 14 mortos nas últimas 24 horas

– Estatísticas até hoje, Quarta-feira:

05.01.2022 – 39.570 infectados – 14 mortos
04.01.2022 – 25.836 infectados – 15 mortos
03.01.2022 – 10.554 infectados – 10 mortos

Total até hoje: 75.960 infectados – 39 mortos

SAÚDE PÚBLICA/PANDEMIA/COVID-19/INFECÇÕES/MORTOS

De acordo com o boletim diário da Direção-Geral da Saúde, há agora 1251 pessoas internadas, das quais 143 em unidades de cuidados intensivos.

© EPA/Antonio Lacerda

Portugal contabilizou 39.570 novos casos de covid-19 e 14 mortes associadas à doença nas últimas 24 horas, indica o boletim epidemiológico da Direcção-Geral da Saúde (DGS).

Os dados do boletim epidemiológico desta quarta-feira (5 de Janeiro) indicam ainda que há agora 1251 internados (mais 48 que no dia anterior), dos quais 143 encontram-se em unidades de cuidados intensivos (menos 4).

INSA prevê máximo de casos na primeira ou segunda semana de Janeiro

O número máximo de casos de covid-19 pode ser atingido nesta primeira ou na segunda semana de Janeiro, de acordo com o que disse o epidemiologista Baltazar Nunes, do Instituto Ricardo Jorge, na reunião do Infarmed que se realizou esta quarta-feira.

“Assumimos que o máximo de casos seja esperado para a primeira semana ou para a segunda semana de Janeiro”, avançou o especialista, explicando que estes dados são baseados em cenários.

Por outro lado, para cada pessoa infectada haverá três que vão necessitar de estar em quarentena, faltando ao trabalho ou à escola, apontou o investigador do Instituto Nacional de Saúde Dr. Ricardo Jorge (INSA).

Com base nas simulações matemáticas e que assumem um cenário de menor perda de protecção da vacina até ao cenário de perda de protecção, o INSA estima um número de novas infecções “muito elevado”, entre 40 mil a 130 mil, no pico esperado para o início de Janeiro, com um subsequente aumento também “muito elevado” do número de pessoas em isolamento.

“Nós podemos assumir que o total de pessoas que podem estar isoladas em quarentena pode variar entre 4 % da população a cerca de 12 % da população”, um valor que pode ser observado ou “na semana actual ou na segunda semana de Janeiro”, salientou Baltazar Nunes na reunião que reúne peritos, políticos, membros do Governo e o Presidente da República para analisar a situação epidemiológica no país.

Baltazar Nunes recordou quem, em Setembro de 2021, numa reunião no Infarmed, o INSA apresentou três cenários prováveis para o outono/inverno.

“O terceiro cenário era aquele que nós supúnhamos que havia uma perda de protecção da vacina com o tempo e que surgia uma nova variante do SARS-CoV- 2 em Dezembro. Era esperado, foi o que aconteceu no ano passado e neste momento é esse o cenário que temos entre mãos”, salientou.

Contudo, observou, há factores diferentes na variante Ómicron, relativamente a uma variante que na altura se podia esperar com a mesma gravidade da Delta, que têm que ser levados em consideração agora nos cenários para se poder projectar o que é esperado para os meses próximos.

Considerou-se então que há um aumento dos contactos em dois momentos: no Natal, mais cerca de 25% relativamente ao aumento considerado no período homólogo, e um aumento inferior durante o Ano Novo de 15%, assumindo-se neste caso que algumas das medidas que foram implementadas neste período fizeram reduzir os contactos relativamente ao aumento de contactos observados no Natal.

“Consideramos também que a vacina perde o seu efeito com o tempo e que há uma protecção média de um ano para a população com 65 e mais anos e de dois anos para a população com menos de 65 anos” e que as medidas que foram implementadas reduzem os contactos efectivos em cerca de 30%, disse, assinalando que após este período o país volta às medidas anteriores ao Natal.

“É este o cenário que nós simulamos e este modelo foi calibrado com os dados até 13 de Dezembro”, explicou.

As projecções apontam ainda que o risco de hospitalização é menor na Ómicron cerca de 0,4 vezes em relação à Delta, disse Baltazar Nunes, explicando que para os diferentes cenários de perda de protecção da vacina, há diferentes níveis de incidência.

Portugal ainda está “numa tendência crescente”, mas a expectativa é que as medidas implementadas reduzam em cerca 30% os contactos e haja uma inversão da tendência, começando a decrescer.

Mas, avisou Baltazar Nunes, ao levantar estas medidas “vai haver um ‘platô’ de casos e que mais tarde vai traduzir-se num decrescimento da incidência, aqui já pela própria evolução da epidemia”

Relativamente às hospitalizações, há também diferentes cenários de acordo com a perda de protecção da vacina que podem variar entre os 1.300 e cerca de 3.700 internamentos em enfermaria, esperado para a última semana de Janeiro, primeira de Fevereiro.

A nível dos cuidados intensivos, pode variar entre 180 camas a cerca de 450 camas, esperado para a primeira semana ou segunda semana de Fevereiro, mas número “muito aquém” dos máximo observados em hospitalizações no final de Janeiro e início de Fevereiro de 2021.

Isolamento de assintomáticos passou para sete dias

Refira-se que desde esta quarta-feira o período de isolamento para as pessoas assintomáticas que testam positivo ao SARS-CoV-2 e têm doença ligeira passou a ser de sete dias.

As normas actualizadas pela DGS também reduzem para sete dias o isolamento dos contactos de alto risco, mas alteram as definições destes contactos, que só entram em vigor na próxima segunda-feira.

Assim, passam a ser considerados contactos de alto risco os coabitantes do caso confirmado, excepto se tiverem esquema vacinal completo com dose de reforço, quem resida ou trabalhe em lares ou outras respostas dedicadas a pessoas idosas, comunidades terapêuticas e de inserção social, bem como em centros de acolhimento temporário, de alojamento de emergência e na rede de cuidados continuados.

De acordo com as normas actualizadas esta quarta-feira, o período de isolamento será de 10 dias para quem desenvolve doença moderada e 20 para quem desenvolve doença grave e para quem tem problemas de imuno-depressão, independentemente da gravidade da evolução clínica.

Diário de Notícias
DN
05 Janeiro 2022 — 15:35

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1459: Já em vigor. Período de isolamento de assintomáticos reduz para sete dias

SAÚDE PÚBLICA/PANDEMIA/COVID-19/ISOLAMENTO/ASSINTOMÁTICOS

As normas foram actualizadas esta quarta-feira pela Direcção Geral de Saúde, que também reviu a definição de contacto de alto risco.

O período de isolamento para as pessoas assintomáticas que testam positivo ao SARS-CoV-2 e têm doença ligeira passa a partir desta quarta-feira a ser de sete dias, segundo a Direcção-Geral da Saúde (DGS).

As normas actualizadas pela DGS também reduzem para sete dias o isolamento dos contactos de alto risco, mas alteram as definições destes contactos, que só entram em vigor na próxima segunda-feira.

Assim, passam a ser considerados contactos de alto risco os coabitantes do caso confirmado, excepto se tiverem esquema vacinal completo com dose de reforço, quem resida ou trabalhe em lares ou outras respostas dedicadas a pessoas idosas, comunidades terapêuticas e de inserção social, bem como em centros de acolhimento temporário, de alojamento de emergência e na rede de cuidados continuados.

De acordo com as normas actualizadas esta quarta-feira, o período de isolamento será de 10 dias para quem desenvolve doença moderada e 20 para quem desenvolve doença grave e para quem tem problemas de imuno-depressão, independentemente da gravidade da evolução clínica.

O que fazer um assintomático em caso de teste positivo

A DGS indica que as pessoas assintomáticas com resultado positivo devem auto-isolar-se, “interrompendo o auto-isolamento para a realização de teste laboratorial, quando indicado”, e podem fazer testes rápidos de antigénio de uso profissional (TRAg) ou testes moleculares (TAAN).

Após o teste (24 a 48 horas) receberão uma mensagem, através da qual lhes chega o formulário de apoio ao inquérito epidemiológico, informação relativa à declaração de isolamento e o folheto de recomendações e medidas a observar.

A norma define que os assintomáticos podem igualmente fazer auto-teste, “caso não seja possível a realização de um TRAg ou TAAN no prazo de 24 horas” e, nesse caso, devem contactar o SNS24, através do qual recebem a requisição para realização de TAAN ou TRAg (confirmatório), informação relativa à declaração de isolamento e o folheto de recomendações e medidas a observar.

Diz igualmente a norma que as pessoas com infecção confirmada por SARS-CoV-2 que sejam assintomáticas à data do diagnóstico têm indicação para auto-cuidados e isolamento no domicílio e, caso desenvolvam sintomas, devem contactar o SNS24.

O que deve fazer quem tem sintomas

Todas as pessoas que, independentemente do estado vacinal, apresentem quadro de infecção respiratória aguda com tosse de novo ou agravamento do padrão habitual, febre ou dificuldade respiratória e/ou perturbações no olfacto ou diminuição ou perda de paladar, devem contactar o SNS24.

– Como contactar o SNS24 se eu próprio estive TRINTA MINUTOS em linha de espera e tive de desistir, porque a irritante musiquinha de espera estava a dar cabo da minha saúde mental? Não foi para caso Covid mas em Portugal é só os doentes covid que têm prioridades? E os não-covid, ficam à mercê da sua sorte?

Segundo a norma, ficarão em auto-cuidados e isolamento no domicílio as pessoas que tiverem sintomas ligeiros como febre por período inferior a 3 dias e/ou tosse, ausência de dificuldade respiratória, vómitos ou diarreia e se não tiverem doenças crónicas descompensadas ou condições associadas a risco de evolução para a covid-19 com gravidade.

Nos termos da mesma norma, só serão encaminhados para avaliação clínica presencial nas áreas dedicadas nos cuidados de saúde primários os doentes com sintomas moderados como febre persistente, pieira ou tosse persistente, com obesidade ou doença crónica compensada.

Por outro lado, serão encaminhadas para avaliação clínica presencial em áreas dedicadas nos serviços de urgência hospitalares quem tiver sintomas como febre persistente com mais de 48 horas de duração, dispneia ou sinais de dificuldade respiratória, vómitos ou diarreia persistentes ou ainda doença crónica descompensada, doença renal crónica em diálise, neoplasia maligna activa ou imunossupressão.

As pessoas sintomáticas com suspeita de infecção por SARS-CoV-2, após a realização do teste para SARS-CoV-2 com resultado negativo (TAAN ou TRAg) deixam de estar em isolamento, excepto se forem contacto de alto risco de um caso confirmado.

Contactos de risco

A norma sobre o rastreio de contactos define que, no actual contexto epidemiológico, “é privilegiada a identificação dos contactos de alto risco de caso confirmado de infecção”.

Diz ainda que os contactos de alto risco devem realizar testes laboratoriais para SARS-CoV-2 (TAAN ou TRAg) o mais precocemente possível até ao 3.º dia e um segundo teste ao 7.º dia, que definirá o fim do período de isolamento. Já os restantes contactos são aconselhados a fazer apenas um teste o mais precocemente possível, até ao 3.º dia do contacto com o caso confirmado.

Diário de Notícias
DN/Lusa
05 Janeiro 2022 — 08:15

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1458: Quase 90% dos internados em cuidados intensivos não receberam a vacina

“O secretário de Estado Adjunto e da Saúde disse esta segunda-feira que quase 90% dos internados com a doença da covid-19 em cuidados intensivos não receberam a vacina“; “António Lacerda Sales indicou também que cerca de 60% dos internados nas enfermarias dos hospitais nacionais também não foram vacinados.” E porque é que estes doentes não foram vacinados? Negacionistas? Incúria dos serviços hospitalares?

SAÚDE PÚBLICA/PANDEMIA/COVID-19/INTERNADOS

Actualmente contabilizam-se “menos de um terço nos internamentos convencionais, menos de um quarto em unidades de cuidados intensivos e, felizmente, menos de um quinto em termos de óbitos”, afirmou o secretário de Estado Adjunto e da Saúde.

Enfermaria dedicada a doentes com covid-19 no Hospital de Santa Maria, em Lisboa
© Gerardo Santos / Global Imagens

O secretário de Estado Adjunto e da Saúde disse esta segunda-feira que quase 90% dos internados com a doença da covid-19 em cuidados intensivos não receberam a vacina, tendo reforçado o apelo para que as pessoas se vacinem.

António Lacerda Sales indicou também que cerca de 60% dos internados nas enfermarias dos hospitais nacionais também não foram vacinados.

O governante falava aos jornalistas em Coimbra, à margem da cerimónia de recepção aos médicos internos do Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra (CHUC).

“Este é o melhor indicador para fazer este apelo à vacinação”, sustentou Lacerda Sales, comparando de seguida os números actuais com os de há um ano.

Actualmente contabilizam-se “menos de um terço nos internamentos convencionais, menos de um quarto em unidades de cuidados intensivos e, felizmente, menos de um quinto em termos de óbitos”, enumerou.

O governante apelou também para a testagem, outra das formas de isolar e combater a pandemia e salientou a capacidade de testagem do país à covid-19, através das mais de 1400 farmácias aderentes e 700 postos de laboratoriais de testagem.

“Queremos que as pessoas se testem, porque é muito importante para controlarmos estas crise sanitária”

Salientando que Portugal é o quarto país europeu com mais testes realizados, mais de 26 milhões até hoje, Lacerda Sales enfatizou que só na quinta-feira, dia 30 de Dezembro, foram realizados mais de 400 mil testes.

“Temos capacidade de testagem, temos testes, muitas instituições a testar, pelo que queremos que as pessoas se testem, porque é muito importante para controlarmos estas crise sanitária”, disse.

O secretário de Estado Adjunto e da Saúde apelou ainda à população para não se dirigir aos hospitais e às urgências para realizarem testes covid-19, “porque tendo esta capacidade de testagem noutros locais poderão libertar o tempo aos profissionais de saúde para situações mais graves”.

Diário de Notícias
DN/Lusa
03 Janeiro 2022 — 13:34

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1457: A célula mais simples que existe veio do Espaço interestelar. É uma etanolamina

SAÚDE/CIÊNCIA/ASTROBIOLOGIA

ZAP // sun / flickr
Camada de fosfolípidos numa membrana celular

Investigadores do Centro Espanhol de Astrobiologia, em Madrid, descobriram um componente da célula mais simples que existe, no espaço interestelar.

O astrónomo Víctor Rivilla e investigadores do Centro Espanhol de Astrobiologia em Madrid descobriram um componente vital do fosfolípido mais simples do espaço.

Os fosfolípidos são um dos principais componentes da membrana plasmática da célula e compõem as membranas de todas as células da Terra.

A equipa publicou um estudo inicial a 25 de maio, que ainda carece da revisão de pares, no qual explica a descoberta do componente fosfolípido, conhecido como etanolamina, e nota também que a investigação indica que todos os precedentes da vida podem ter tido origem no espaço.

De acordo com a Interesting Engineering, a ciência ainda não conseguiu revelar totalmente a origem da vida, mas sabe-se que começou na Terra, há cerca de 4,5 mil milhões de anos, e envolveu inúmeros componentes moleculares.

Uma teoria explica que estes componentes estavam disponíveis na Terra, porque o espaço deu ao planeta o gás e pó que contêm as moléculas orgânicas necessárias à vida, quase como “materiais de construção”.

Os astrónomos identificaram estes “blocos de construção” como sendo aminoácidos, os precursores de proteínas, e moléculas que podem armazenar informação sob a forma de ADN.

Mas, existe outro componente essencial para a vida, as moléculas que podem formar membranas, capazes de conter e proteger as moléculas da vida em compartimentos chamados proto-células. Os fosfolípidos nunca tinham sido observados no espaço, até à descoberta de Rivilla e da sua equipa.

A equipa de investigação analisou a luz de uma nuvem interestelar de gás e poeira chamada Sagitário B2, que se encontra a 390 anos luz do centro da Via Láctea.

A etanolamina tem a fórmula química NH2CH2CH2OH e a equipa simulou o espectro que a molécula produz com as baixas temperaturas que se pensava existirem na nuvem.

Encontraram provas claras deste espectro na luz, que passou através da nuvem. “Isto tem implicações importantes não só para as teorias sobre a origem da vida na Terra, mas também para outros planetas e satélites habitáveis em qualquer parte do Universo”, realçou a equipa.

Os astrónomos já tinham encontrado etanolamina antes em meteoritos, sem saber  como lá chegou. Alguns investigadores argumentam que foi se formou através de um conjunto desconhecido de reacções de um asteroide. Mas de acordo com a última descoberta, a etanolamina é muito mais disseminada.

Na Terra, a etanolamina faz parte da fomração a cabeça hidrofílica das moléculas de fosfolípidos, que se auto-montam em membranas celulares.

Os investigadores referiram, em entrevista com a Astronomy Magazine, que a sua descoberta em nuvens interestelares sugere que “a etanolamina pode ter sido transferida da nebulosa proto-Solar para planetesimais e corpos mais pequenos do Sistema Solar e, posteriormente, para o nosso planeta”.

De seguida, pode ter causado a formação de células na “sopa” prebiótica, da qual emergiram os nossos antepassados.

Outra teoria da equipa é que a etanolamina permite a formação de proto-células no próprio meio interestelar.

O meio interestelar é rico em outros componentes prebióticos, tais como água e aminoácidos. O resultado seriam vasos de fusão de goop prebiótico, prontos para semear a Terra, ou qualquer outro corpo que passasse.

Embora nenhuma destas teorias responda à questão de como a vida começou na Terra, o estudo é uma indicação de que já não existe qualquer mistério sobre como surgiram “os materiais” que a “construiram”.

“Estes resultados indicam que a etanolamina se forma eficientemente no espaço e, se chegou cedo à Terra, pode ter contribuído para a evolução precoce das membranas primitivas”, notou Rivilla e a equipa.

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ZAP
3 Janeiro, 2022

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1456: Nova vacina contra a covid-19 tem imunidade vitalícia (e já mostrou resultados promissores em animais)

SAÚDE PÚBLICA/VACINAS/COVID-19

Mat Napo / Unsplash

O Japão está a trabalhar numa vacina contra a covid-19 que oferece imunidade ao longo da vida inteira, e não apenas temporariamente.

Investigadores do Instituto Metropolitano de Ciências Médicas de Tóquio estão a trabalhar numa vacina que não só proporciona imunidade vitalícia contra o vírus SARS-CoV-2, como também poderia ser transportada à temperatura ambiente para cantos longínquos do mundo, informou o The Japan Times.

À medida que as infecções causadas pela variante Ómicron aumentam no mundo, os países podem, em breve, ter de enfrentar a difícil decisão de impor restrições mais rigorosas ou deixar a variante fluir através da população.

Segundo a Interesting Engineering, as vacinas estão a reduzir a gravidade da doença, mas são ineficazes para travar a propagação da infecção altamente transmissível.

Enquanto as empresas de vacinas desenvolvem doses de reforço, específicas para cada variante, surge agora a notícia de uma única vacina, com duração vitalícia.

Michinori Kohara e a equipa de investigadores que estão a liderar o desenvolvimento da vacina de uso único também criaram uma das vacinas mais bem sucedidas da história, uma contra a varíola.

A equipa utiliza uma estirpe do vírus que não causa doença, mas substituiu alguns dos seus componentes proteicos pelos da proteína SRA-CoV-2.

Embora combinar a proteína com um mecanismo de entrega diferente seja uma estratégia normalmente utilizada na concepção da vacina nos dias de hoje, Kohara está confiante de que a sua vacina pode não só fornecer anticorpos neutralizantes potentes com uma única dose, mas também induzir uma forte imunidade celular que oferece protecção a longo prazo.

As experiências realizadas em ratos mostraram que os vacinados mantinham níveis elevados de anticorpos, durante os seus anos médios de vida.

Quando foram administradas duas doses, com três semanas de intervalo, os anticorpos neutralizantes aumentaram dez vezes, segundo o estudo.

Experiências semelhantes realizadas em macacos mostraram que a vacina os protegia da infecção, uma vez que os níveis do vírus nos animais vacinados permaneciam inferiores aos limites de detecção, sete dias após terem sido infectados com o coronavírus.

Kohara também realçou ao The Japan Times que a vacina oferece a vantagem adicional de produzir menos efeitos secundários, em comparação a outras vacinas, às quais foram concedidas autorizações de utilização de emergência.

A estirpe não patogénica utilizada na concepção da vacina é incapaz de se replicar em mamíferos, e produz menos efeitos secundários, alegou o investigador.

Os investigadores testaram a vacina contra as quatro variantes de coronavírus, anteriormente relatadas como preocupantes, e consideraram-na eficaz.

Kohara sublinha também que a vacina não só funciona contra a Ómicron, como também pode ser armazenada à temperatura ambiente, sendo fáceis de transportar e administrar em países com climas tropicais.

O Instituto Metropolitano de Ciências Médicas de Tóquio não tem experiência anterior em comercialização de vacinas e contratou a Nobelpharma Co, fabricante de medicamentos domésticos, para a levar a cabo através de ensaios clínicos.

A primeira e segunda fases de ensaios clínicos em humanos só devem ter início em 2023, seguidas de uma fase de ensaio mais vasta, se não surgirem preocupações de eficácia e segurança. Se tudo correr bem, a vacina poderá estar disponível no mercado a partir de 2024.

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