1534: Recorde de 52.549 casos com 33 mortes. Portugal já ultrapassou os 2 milhões de infecções

– Estatísticas até hoje, Quarta-feira:

19.01.2022 – 52.549 infectados – 33 mortos
18.01.2022 – 43.729 infectados – 46 mortos
17.01.2022 – 21.917 infectados – 31 mortos

Total até hoje (três dias): 118.195 infectados – 130 mortos

– Só de olhar para estes números, em apenas três dias, me arrepio. E a continuar, já ultrapassámos os DOIS MILHÕES de infecções! E ainda querem que os confinados vão votar no dia 30? Penso que estar a analisar este tipo de situações, a tentar debatê-las com quem não responde, é o mesmo que estar a falar para uma parede! Ponto final!

SAÚDE PÚBLICA/PANDEMIA/COVID-19/INFECÇÕES/MORTOS

De acordo com os dados da Direcção-Geral da Saúde, nas últimas 24 horas houve 33 mortos. Há agora 1.959 pessoas internadas devido à covid-19 (mais quatro que no dia anterior), das quais 153 (menos sete) nos cuidados intensivos.

Posto de testagem à covid-19 em Lisboa
© Reinaldo Rodrigues/Global Imagens

Foram confirmadas, nas últimas 24 horas, 52.549 novos casos de covid-19, de acordo com o boletim epidemiológico da Direcção-Geral da Saúde (DGS). Trata-se de um novo recorde de infecções em Portugal num só dia, sendo que foram ultrapassadas os dois milhões de casos de infecção desde o início da pandemia: totalizam 2.003.169.

O maior número de casos nas últimas 24 horas foi registado na região Norte, que teve 22.455 novas infecções, seguido por Lisboa e Vale do Tejo com 16.192 e o Centro com 7.744. As restantes regiões do país tiveram números substancialmente mais baixos, também tendo em conta a demografia, sendo que 1.960 foram detectados no Algarve, 1.865 na Madeira, 1.502 no Alentejo e 831 nos Açores.

Há ainda a registar mais 33 mortes devido à infecção por SARS-CoV-2, indica o relatório desta quarta-feira (19 de Janeiro).

Os dados mostram também que há agora 1.959 pessoas internadas devido à doença (mais quatro que no dia anterior), das quais 153 em unidades de cuidados intensivos (menos sete).

Ao dia de hoje, Portugal soma 356.477 casos activos de covid-19, segundo os dados actualizados da DGS no dia em que arranca a vacinação de crianças entre os 5 e os 11 anos nos Açores, na ilha de São Miguel, em regime de casa aberta, alargando-se no decorrer da semana à maioria do arquipélago.

Os Açores são a última região do país a vacinar crianças entre os 5 e os 11 anos contra a covid-19. Segundo a Direcção Regional da Saúde, o processo poderá abranger cerca de 11 mil crianças em toda a região.

OMS diz que “pandemia está longe de acabar e novas variantes podem surgir”

Um processo de vacinação que começa um dia depois da Organização Mundial da Saúde (OMS) avisar que a pandemia da covid-19 “está longe de acabar”, lembrando que novas variantes do coronavírus SARS-CoV-2 podem surgir depois da disseminação da variante Ómicron, mais contagiosa.

“Esta pandemia está longe de acabar, e com o incrível crescimento global da Ómicron, novas variantes podem surgir”, advertiu o director-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, na habitual videoconferência de imprensa da organização sobre a evolução epidemiológica da covid-19.

Ghebreyesus reiterou que, apesar de ser menos grave, a Ómicron está a causar hospitalizações, a maioria entre pessoas não vacinadas, e mortes.

“Mesmo os casos menos graves estão a inundar as unidades de saúde”, alertou, assinalando que, em muitos países, “as próximas semanas vão continuar a ser críticas para os profissionais e sistemas de saúde”.

“Peço a todos que façam o melhor para reduzir o risco de infecção, para que possam ajudar a aliviar a pressão dos sistemas” de saúde, apelou o dirigente da OMS, enfatizando que a vacinação “é a chave para proteger os hospitais de ficarem sobrecarregados”, porque continua eficaz a prevenir a doença grave e a morte.

Pfizer diz que testou com sucesso tratamento oral contra Ómicron

Também na terça-feira, a farmacêutica Pfizer garantiu que os estudos realizados em laboratório do tratamento oral paxlovid contra o novo coronavirus demonstraram a eficácia deste contra a nova variante Ómicron.

Em comunicado, a empresa informou que os estudos sugerem que o tratamento “tem o potencial de manter concentrações de plasma muito superiores à quantidade necessária para evitar que a Ómicron se replique nas células”.

A paxlovid, que obteve uma autorização de emergência nos EUA e em outros países, reduz o risco de hospitalização ou morte em cerca de 90%, comparado com um placebo em doentes de alto risco, quando são tratados nos cinco primeiros dias desde o aparecimento dos sintomas.

Em Dezembro, a Agência Europeia do Medicamento (EMA, na sigla em inglês) assegurou que o paxlovid pode ser usado para tratar os adultos com covid-19 que não requeiram oxigénio suplementar e que tenham um maior risco de desenvolver uma forma grave da doença.

Diário de Notícias
DN
19 Janeiro 2022 — 15:27

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1533: Pico de contágio da Ómicron entre o terceiro e sexto dia após infecção

SAÚDE PÚBLICA/PANDEMIA/COVID-19/CONTÁGIOS/OMICRON

Estudo de investigadores japoneses aponta que ao contrário de outras variantes, o pico de contágio da Ómicron dá-se mais tarde e vai até ao sexto dia de isolamento. Em Portugal a quarentena é de sete dias, mas no Reino Unido são cinco dias.

© TIAGO PETINGA/LUSA

O pico da transmissão da variante Ómicron dá-se entre o terceiro e o sexto dia depois de um teste positivo à covid-19. Esta é pelo menos a conclusão de um estudo do Instituto de Doenças Infecciosas do Japão, publicado na revista britânica BMJ. Uma conclusão que, de alguma forma, coloca em causa o período de apenas cinco de isolamento que é praticado em alguns países.

Os investigadores responsáveis por este estudo asseguram que a quantidade de ARN viral do coronavírus é mais alta entre o terceiro dia e o sexto dia de infecção e do surgimento de sintomas. Ou seja, isto significa que o pico do contágio dá-se precisamente até à véspera do final do isolamento de sete dias que é imposto em Portugal e em vários países europeus. Nalguns casos, existem países, como o Reino Unido e os EUA, onde o isolamento é de apenas cinco dias.

Estudos anteriores sobre a mesma temática, mas relativamente a outras variantes do vírus, indicavam que o pico da transmissão dava-se dois dias antes do surgimento de sintomas e três dias após a infecção.

Em declarações à revista BMJ, Paul Hunter, professor de Medicina da Universidade de East Anglia, nos EUA, e um dos maiores defensores da redução do tempo de isolamento – nos EUA e no Reino Unido são apenas cinco dias -, diz que este estudo “vem baralhar as águas”. “Ainda estou a trabalhar nas evidências a favor e contra, já que o estudo japonês mudou o que era o nosso entendimento”, referiu.

Recentemente, o Reino Unido decidiu, à semelhança de outros países, reduzir o período de isolamento de casos decCovid-19 positivos para cinco dias agora que a vacinação de reforço foi disponibilizada para jovens de 16 e 17 anos.

As pessoas infectadas residentes em Inglaterra podem sair da quarentena após cumprirem cinco dias de isolamento completos, desde que possuam teste negativo.

Em Portugal a situação é diferente. No dia 31 de Janeiro, a Direcção-Geral da Saúde anunciou que o período de isolamento de pessoas infectadas assintomáticas e contactos de alto risco passava de 10 para 7 dias.

Em comunicado, a DGS explicava que a decisão estava “alinhada com orientações de outros países e resulta de uma reflexão técnica e ponderada”, tendo em conta o período de incubação da variante Ómicron”.

Nesse mesmo dia, em entrevista à RTP 3, Graça Freitas, directora-geral da Saúde, indicou que a redução para cinco dias do período de isolamento estava “em aberto”. Graça Freitas fez questão em sublinhar que o novo período de isolamento (sete dias) apenas se verifica para a variante Ómicron , “um dia que surja uma nova variante temos de adoptar novamente o sistema com novos paradigmas de resposta”

Diário de Notícias
DN
19 Janeiro 2022 — 11:39

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1532: Eleitores em isolamento vão poder votar a 30 de Janeiro

– Já alguém escreveu que isto era uma farsa eleitoral. Na altura, concordei com a análise mas depois de ler esta notícia, reforço a minha convicção que realmente é uma FARSA ELEITORAL! Ora, se alguém se encontra em CONFINAMENTO OBRIGATÓRIO pela autoridade sanitária, pode deslocar-se desse confinamento para ir votar? Assim, NÃO…!!! Esta é uma medida ultra-estúpida, irracional e totalmente irresponsável! Cruzar pessoas sãs com infectados, mesmo que estes últimos tenham um horário diferido dos primeiros? Já não bastam os acéfalos indigentes irresponsáveis que andam à balda sem cumprirem as regras sanitárias, os negacionistas, os atrasados mentais que andam pelas ruas sem máscara, não respeitam o distanciamento físico? Mais de 20, 30, 40 mil infectados diários não dizem absolutamente nada a esta gente? RECUSO-ME, TERMINANTEMENTE, a ir votar nestas condições, eu que preservo a minha saúde, não me expondo a riscos desnecessários! E depois não se queixem do aumento do nível de abstenção…

SAÚDE PÚBLICA/PANDEMIA/COVID-19/CONFINAMENTO/ELEIÇÕES

Conselho Consultivo da Procuradoria-Geral da República (PGR) deu luz verde a que os eleitores em isolamento possam sair para votar no domingo das eleições.

© André Luís Alves/Global Imagens

Quem estiver em confinamento a 30 de Janeiro, dia das eleições legislativas antecipadas, vai poder sair para votar.

Segundo a ministra da Administração Interna, Francisca Van Dunem, em conferência de imprensa esta quarta-feira, o parecer do Conselho Consultivo da Procuradoria-Geral da República (PGR), que tinha sido pedido pelo Governo, conclui que “os eleitores que se encontrem em confinamento obrigatório decretado pelas autoridades de saúde podem sair do local de confinamento no dia 30 estritamente para exercer o direito de voto”.

De acordo com a ministra isto obrigará a uma alteração das condições determinadas para o isolamento, o que será feito através de uma resolução do Conselho de Ministros.

Haverá indicação de um horário específico para que os cidadãos em isolamento possam votar, o que deverá acontecer ao final da tarde, entre as seis e as sete da tarde, na última hora em que as urnas estarão abertas.

Segundo a diretcora-geral da Saúde, Graça Freitas, o “grande objectivo é mitigar ao máximo o encontro entre pessoas que possam transmitir a doença e outras que sejam susceptíveis”. Graça Freitas explica que a recomendação da DGS vai no sentido da criação de um “horário dedicado” ao voto de eleitores em confinamento, pelo que serão usados os mesmos espaços de voto, mas em “horário diferente” – “Isto vai permitir uma segregação de circuitos, minimizando os riscos de contacto”. “Estão criadas todas as condições para que as pessoas não se aglomerem”, garante.

A responsável da DGS diz também que “as pessoas das mesas estarão com equipamento de protecção individual reforçado, se assim o entenderem”.

Graça Freitas esclarece também que o facto de haver um horário específico para os eleitores em confinamento não é impeditivo que qualquer cidadão possa votar nesse horário – o que seria, aliás, contrário às leis eleitorais, que determinam o horário de funcionamento das urnas.

Nesse sentido, Francisca Van Dunem especifica que a indicação de uma hora para o voto de cidadãos em isolamento se tratará de “uma recomendação” – o parecer do Conselho Consultivo da PGR especifica que o Governo “não pode inibir as pessoas de votarem durante todo o período” – mas manifesta-se confiante que a indicação será acatada.

Já o secretário de Estado da Administração Interna, Antero Luís, avança que mais de 200 mil pessoas estão inscritas, nesta altura, para o voto antecipado, que decorrerá a 23 de Janeiro, um número “aquém” do que eram as expectativas da administração eleitoral, que espera valores na ordem de um milhão. O secretário de Estado reitera, assim, o apelo a que os cidadãos se inscrevam no voto antecipado, que já tinha sido deixado antes por Francisca Van Dunem.

Quanto a estimativas sobre o número de pessoas que poderão estar em isolamento à data das eleições, Graça Freitas aponta para 600 mil pessoas, mas ressalva que em parte serão pessoas sem direito de voto (por serem menores, por exemplo).

Diário de Notícias
Susete Francisco
19 Janeiro 2022 — 13:17

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1531: Ómicron tem prevalência de 93%, mas INSA detecta outra linhagem em Portugal

SAÚDE PÚBLICA/PANDEMIA/COVID-19/OMICRON

ben / Flickr
Coronavírus: SARS-CoV-2, o vírus que causa a covid-19

A variante Ómicron é responsável por 93% das infecções em Portugal e uma outra linhagem foi detectada com características genéticas semelhantes, anunciou o Instituto Nacional de Saúde Doutor Ricardo Jorge (INSA).

“Desde 6 de Dezembro, tem-se verificado um elevado crescimento na proporção de casos prováveis da variante Ómicron, tendo atingido uma proporção estimada máxima (93%) entre os dias 7-9 de janeiro”, refere o relatório do INSA sobre a diversidade genética do SARS-CoV-2, que provoca a covid-19.

Segundo o documento, aquando da identificação da Ómicron (BA.1) em meados de Novembro de 2021, foi detectada uma outra linhagem (BA.2) com várias características genéticas semelhantes entre si e que apresentam um “excesso” de mutações na proteína spike, muitas delas partilhadas.

De acordo com o INSA, a linhagem BA.2 já foi detectada em vários países, destacando-se a sua crescente proporção entre as sequências genómicas reportadas recentemente pelo Reino Unido e Dinamarca.

A monitorização em tempo-real da falha na detecção do gene S (SGTF – S gene target failure) é um dos critérios laboratoriais utilizados para identificar casos suspeitos de variante Ómicron.

Tendo em conta o decréscimo de cerca de 10% na proporção de amostras positivas SGTF na última semana em Portugal e a “recente emergência da linhagem BA.2” em vários países, o INSA solicitou ao laboratório Unilabs a pesquisa dirigida de mutações num conjunto de amostras positivas sem perfil SGTF que tinham sido identificadas naquele laboratório.

“Estes ensaios preliminares revelaram perfis mutacionais compatíveis com a linhagem BA.2, sugerindo que o decréscimo na proporção de amostras positivas SGTF poderá dever-se, pelo menos parcialmente, a um aumento de circulação desta linhagem em Portugal”, avança o relatório.

A linhagem BA.2 foi já detectada em amostragens aleatórias por sequenciação de 27 de Dezembro a 2 de Janeiro, representando pelo menos uma introdução no Algarve.

“Os próximos dias permitirão aferir a evolução da frequência relativa da linhagem BA.2 em Portugal, bem como a sua dispersão por região”, refere ainda o INSA.

No âmbito da monitorização contínua da diversidade genética que o INSA realiza, têm sido analisadas uma média de 519 sequências por semana desde o início de Junho de 2021, provenientes de amostras colhidas aleatoriamente em laboratórios distribuídos pelos 18 distritos de Portugal continental e pelas regiões autónomas dos Açores e da Madeira, abrangendo uma média de 132 concelhos por semana.

A covid-19 provocou 5.543.637 mortes em todo o mundo desde o início da pandemia, segundo o mais recente balanço da agência France-Presse. Em Portugal, desde Março de 2020, morreram 19.380 pessoas e foram contabilizados 1.950.620 casos de infecção, segundo a última actualização da Direcção-Geral da Saúde.

ZAP //Lusa

Lusa
19 Janeiro, 2022

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“Pandemia está longe de acabar e novas variantes podem surgir”, diz OMS

SAÚDE PÚBLICA/PANDEMIA/COVID-19/OMS

O director-geral da OMS alerta que “as próximas semanas vão continuar a ser críticas para os profissionais e sistemas de saúde”.

Director-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus.
© Fabrice COFFRINI / AFP

A Organização Mundial da Saúde (OMS) avisou esta terça-feira que a pandemia da covid-19 “está longe de acabar”, lembrando que novas variantes do coronavírus SARS-CoV-2 podem surgir depois da disseminação da variante Ómicron, mais contagiosa.

“Esta pandemia está longe de acabar, e com o incrível crescimento global da Ómicron, novas variantes podem surgir”, advertiu o director-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, na habitual videoconferência de imprensa da organização sobre a evolução epidemiológica da covid-19.

Ghebreyesus reiterou que, apesar de ser menos grave, a Ómicron está a causar hospitalizações, a maioria entre pessoas não vacinadas, e mortes.

“Mesmo os casos menos graves estão a inundar as unidades de saúde”, alertou, assinalando que, em muitos países, “as próximas semanas vão continuar a ser críticas para os profissionais e sistemas de saúde”.

“Peço a todos que façam o melhor para reduzir o risco de infecção, para que possam ajudar a aliviar a pressão dos sistemas” de saúde, apelou o dirigente da OMS, enfatizando que a vacinação “é a chave para proteger os hospitais de ficarem sobrecarregados”, porque continua eficaz a prevenir a doença grave e a morte.

Segundo a OMS, na semana passada foram reportados mais de 18 milhões de novos casos de infecção no mundo. O número de mortes por covid-19 “manteve-se estável”.

Diário de Notícias
DN/Lusa
19 Janeiro 2022 — 10:38

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1529: Recorde de 43.729 casos, 46 mortes e desde Fevereiro que não havia tantas mortes

– E pretendem os “especialistas” que isto passe a endemia… Diz um deles: “Estamos cada vez mais imunes ao vírus”… Adoro quando eles se auto-definem como “especialistas”… 🙂 

– Estatísticas até hoje, Terça-feira:

18.01.2022 – 43.729 infectados – 46 mortos
17.01.2022 – 21.917 infectados – 31 mortos

Total até hoje (dois dias): 65.646 infectados – 77 mortos

SAÚDE PÚBLICA/PANDEMIA/COVID-19/INFECÇÕES/MORTOS

Houve 46 mortos nas últimas 24 horas, o número mais alto desde 26 de Fevereiro de 2021. Há agora 1.955 pessoas internadas (mais 17 que ontem) e há mais 42.055 recuperados da doença, indica o relatório diário da DGS.

Centro de vacinação no Parque das Nações, em Lisboa
© Diana Quintela/ Global Imagens

Portugal confirmou, nas últimas 24 horas, 43.729 novos casos de covid-19, segundo o boletim epidemiológico da Direcção-Geral da Saúde (DGS). O relatório desta terça-feira (18 de Janeiro) refere ainda que morreram mais 46 pessoas devido à infecção, o número mais alto desde Fevereiro do ano passado.

De sublinhar que só em Lisboa e Vale do Tejo foram 25 os mortos nas últimas 24 horas.

Sobre a situação nos hospitais, os dados mostram que há agora 1.955 internados (mais 17), dos quais 160 estão em unidades de cuidados intensivos, menos 14 pessoas.

Foram, no entanto, registados mais 42.055 casos de pessoas que recuperaram da doença, refere a a DGS no dia em que arranca a testagem dos alunos das escolas públicas.

Estudantes começam hoje a ser testados

Cerca de um milhão de estudantes das escolas públicas de todo o país vão poder ser testados a partir desta terça-feira através de um acordo entre os directores escolares e as farmácias.

A decisão foi avançada à Lusa na semana passada pelo presidente da Associação Nacional de Directores de Agrupamentos e Escolas Públicas (ANDAEP), Filinto Lima, que explicou que este projecto resultava de um protocolo entre a ANDAEP e a Associação Nacional das Farmácias (ANF).

“A iniciativa de testagem covid-19 arranca hoje”, anunciam as duas entidades num comunicado conjunto enviado às redacções, explicando que o objectivo é “garantir a segurança dos alunos durante o novo período lectivo”.

O programa agora organizado pela ANF e ANDAEP prevê que o serviço de testagem seja articulado localmente entre cada escola e as farmácias de proximidade, podendo a testagem ser realizada nas instalações da farmácia ou da escola. Para o presidente da ANDAEP, a iniciativa “vai permitir que os alunos possam ser todos testados a custo zero para as famílias e para as escolas”.

Portugal ultrapassa os 30 milhões de testes à covid-19

Desde o início da pandemia, já foram realizados em Portugal mais de 30 milhões de testes à covid-19, indica esta terça-feira o Instituto Nacional de Saúde Dr. Ricardo Jorge (INSA). Na sexta-feira (14 de Janeiro), o país atingiu um total de 30.074.386 milhões de testes à infecção por SARS-CoV-2. No total, são “aproximadamente 17,7 milhões de testes TAAN/PCR e perto de 12,4 milhões de Testes Rápidos de Antigénio (TRAg) de uso profissional”.

O INSA refere, em comunicado, que em apenas quatro dias, de 11 a 14 de Janeiro, Portugal “voltou a ultrapassar a marca de um milhão de testes, dos quais mais de 770 mil (70%) foram TRAg de uso profissional”. Dados que não incluem os auto-testes..

Já entre os dias 1 e 14 de Janeiro, foram realizados perto de 3,3 milhões de testes de diagnóstico à covid-19 (cerca de 1 milhão TAAN/PCR e mais de 2,2 milhões TRAg de uso profissional), com uma média diária de mais de 233 mil testes.

Diário de Notícias
DN
18 Janeiro 2022 — 15:18

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1528: Surto com 19 infectados na Misericórdia de Portalegre

SAÚDE PÚBLICA/PANDEMIA/COVID-19/SURTOS

Na sequência deste surto, as visitas aos utentes da Santa Casa da Misericórdia de Portalegre foram canceladas.

12 utentes e sete funcionários da Santa Casa da Misericórdia de Portalegre testaram positivo à covid-19
© Facebook Misericórdia de Portalegre

Um surto de covid-19 na Santa Casa da Misericórdia de Portalegre regista 19 casos de infecção pelo coronavírus SARS-CoV-2, entre utentes e funcionários, revelou esta terça-feira a provedora da instituição, Luísa Moreira.

De acordo com a responsável, em declarações à Lusa, estão, nesta altura, “12 utentes e sete funcionários” infectados.

“Há muitas pessoas que testaram positivo, mas toda a gente está vacinada, não temos ninguém com sintomas. Estamos todos calmos e tranquilos”, disse.

Na sequência deste surto, as visitas aos utentes da Santa Casa da Misericórdia de Portalegre foram canceladas.

“Isto [infecção] está sempre a mudar, temos funcionários que já fizeram o período de quarentena e já voltaram”, relatou.

A Misericórdia está “a fazer testes a toda a gente, com a colaboração da Unidade Local de Saúde do Norte Alentejano (ULSNA)”, cujos profissionais “têm sido incansáveis”, acrescentou a responsável.

No dia 11 de Novembro de 2020, ocorreu o primeiro surto de covid-19 na Santa Casa da Misericórdia de Portalegre, tendo o mesmo sido dado como “resolvido” no início de Janeiro de 2021 tendo, na altura, falecido 15 utentes.

A covid-19 provocou 5 537 051 mortes em todo o mundo desde o início da pandemia, segundo o mais recente balanço da agência AFP.

A doença respiratória é provocada pelo coronavírus SARS-CoV-2, detectado no final de 2019 em Wuhan, cidade do centro da China.

Uma nova variante, a Ómicron, classificada como preocupante e muito contagiosa pela Organização Mundial da Saúde (OMS), foi detectada na África Austral e, desde que as autoridades sanitárias sul-africanas deram o alerta em Novembro, tornou-se dominante em vários países, incluindo em Portugal.

Diário de Notícias
DN/Lusa
18 Janeiro 2022 — 12:59

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1527: Moderna anuncia para 2023 vacina única contra a gripe e covid-19

SAÚDE PÚBLICA/PANDEMIA/COVID-19/GRIPE/VACINAS

A farmacêutica norte-americana está também a desenvolver uma vacina para combater a variante Ómicron.

A Moderna espera lançar até finais de 2023 uma vacina única anual que combate ao mesmo tempo a gripe e a covid-19. O anúncio foi feito na segunda-feira por Stephane Bancel, presidente executivo da farmacêutica norte-americana.

“Trata-se de uma dose única de reforço anual para que as pessoas evitem ter de vacinar-se duas ou três vezes em cada inverno”, afirmou Bancel, adiantando que espera que o fármaco possa ser comercializado em finais de 2023 e que servirá ao mesmo tempo para combater a gripe e a covid-19.

O presidente executivo da Moderna revelou ainda que a farmacêutica está a trabalhar desde Novembro no desenvolvimento de uma vacina de dose única para combater a variante Ómicron. “Esperamos poder entregar todos os dados ao regulador em Março para depois determinarmos os próximos passos a dar”, adiantou.

Em Novembro, numa entrevista ao jornal Financial Times, Stephane Bancel afirmou que os dados sobre a eficácia das vacinais contra a nova variante iriam estar disponíveis em semanas, mas afirmou que os cientistas não estavam optimistas. “Todos os cientistas com quem conversei… sentem que isto não vai ser bom'”, disse.

Na altura, o CEO da Moderna já afirmava ao Financial Times que poderia acontecer uma “queda considerável” na eficácia das vacinas actuais contra a variante Ómicron.

Diário de Notícias
DN
18 Janeiro 2022 — 08:31

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“Temos de olhar com optimismo para o futuro. Estamos cada vez mais imunes ao vírus”

– É bom recordar ao senhor microbiologista, as estatísticas desta pandemia em Portugal, ou seja, “ao fim de dois anos de pandemia, Portugal soma 1.906.891 de infectados e 19.334 óbitos.” Aligeirar a pandemia, é passar um atestado de estupidez a quem não possui canudos académicos, mesmo de especialistas na área microbiológica. E não é incutir medo nas pessoas, como muitos afirmam, mas AVISAR as pessoas, especialmente os acéfalos indigentes que continuam a desenvolver as suas vidinhas “sociais” como se nada se passasse, que esta PANDEMIA AINDA CONTINUA A SER MORTAL e as infecções ainda se desconhecem, a longo prazo, quais as suas consequências no organismo humano. E eu continuo a olhar para o vírus, embora este seja invisível, como um INIMIGO nesta guerra biológica!

SAÚDE PÚBLICA/PANDEMIA/IMUNIDADE

É microbiologista e coordenador do estudo sobre a diversidade genética do SARS-CoV-2 no Instituto Nacional de Saúde Dr. Ricardo Jorge. João Paulo Gomes é dos peritos que desde o início da pandemia marca presença nas reuniões do Infarmed com os políticos para explicar a circulação do vírus no nosso país. Quase dois anos depois, diz nesta entrevista ao DN que temos razões para estar optimistas e que o grande desafio para o futuro será ter a coragem de olhar para a doença e mudar as regras. Ao fim de dois anos de pandemia, Portugal soma 1.906.891 de infectados e 19.334 óbitos.

Nesta entrevista ao DN, o microbiologista do INSA deixa uma dupla mensagem aos portugueses. A primeira é de optimismo, a segunda para continuarem a aderir à vacinação periódica se estar for considerada imperativa para o controlo da doença.
© Orlando Almeida Global Imagens

A nova variante do SARS-CoV-2, a Ómicron, tornou-se dominante no mundo em apenas dois meses. Até agora, tem-se revelado mais transmissível mas menos grave do que a Delta. Como investigador receia que ainda nos possa surpreender em relação ao seu impacto?
Penso que não nos trará grandes surpresas. Está a seguir o caminho que a comunidade científica espera. Ou seja, um vírus começa com variantes severas, mas, depois, e de acordo com a adaptação obrigatória a uma população, vai ficando cada vez mais imune às suas infecções e a sua severidade tende a reduzir. É o que estamos a observar com a Ómicron, mais transmissível do que as variantes anteriores e menos severa, pelo menos na associação ao processo de hospitalização. Contudo, não podemos descartar, no futuro próximo, o aparecimento de outras variantes com características que também nos preocupem, mas, historicamente, sabemos que a tendência dos vírus não é para que se tornem mais agressivos, mas sim menos, ao longo do tempo.

Em termos de futuro o que se pode esperar da pandemia? Já se disse que o pior cenário seria uma variante com a contagiosidade da Ómicron e a severidade da Delta. É o mais previsível?
Esperemos que não. A comunidade científica diz que o que está a acontecer com a nova variante é “o expectável” – menor severidade do vírus, independentemente da sua transmissibilidade, porque a população também está mais preparada para lidar com ele -, mas o futuro é perfeitamente imprevisível.

Quer explicar?
Porque temos países com taxas de vacinação muito díspares. E, nessa perspectiva, tudo pode acontecer. Nos países com taxas de vacinação baixas, o vírus circula mais facilmente e tem mais liberdade para gerar variantes sem qualquer filtro, e é sempre uma incógnita o que pode acontecer quando essas variantes passam a circular em países com elevada taxa de vacinação. O que temos vindo a observar, e independentemente das variantes, é que as vacinas têm resultado. De forma melhor para umas, menos bem para outras, mas têm resultado. Há sempre um grau de imunidade que é conferido contra as variantes em circulação. Portanto, acho que temos de olhar para o futuro com optimismo. Estamos cada vez mais imunes ao vírus, seja pelo processo natural da infecção seja pela vacinação, e diria, apesar de ser impossível fazer uma previsão, que a comunidade científica é unânime neste optimismo.

Falou nas vacinas, mas tem-se dito que as que temos agora não têm tanta eficácia para a Ómicron. Perante isto continuam a ser a maior arma que temos?
Claro. Disso não há dúvida nenhuma. O problema desta última variante prende-se com o facto de o número de mutações que tem ser quase o triplo das de outras variantes, em particular quando comparada com a Delta. Muitas dessas mutações estão alojadas em regiões específicas da tal proteína específica (spike), e às quais sabemos que se ligam os anticorpos. Ora, a partir do momento que as mutações surgem nessas regiões os anticorpos deixam de se ligar e isso justifica que a Ómicron consiga fugir melhor ao nosso sistema imunitário do que todas as outras variantes. No entanto, independentemente de as vacinas terem uma menor eficácia para a Ómicron, não quer dizer que não confiram imunidade. O que já se verificou é que têm uma baixa eficácia contra o processo de infecção. Ou seja, infecta muito facilmente, mesmo uma pessoa com o esquema vacinal completo, até com o reforço. Mas quando é feita uma análise aos seus resultados em termos de hospitalização, esses são excelentes.

“Se as pessoas apanharem a terceira dose voltarão a ter níveis de anticorpos elevados e estarão muito mais protegidas contra a doença severa e contra a hospitalização”.

E isso quer dizer…?
Que as pessoas que já tomaram a terceira dose estão muito protegidas contra esta variante. As vacinas não mudaram, portanto o único e exclusivo problema com esta variante é a queda da imunidade ao longo do tempo. Se as pessoas apanharem a terceira dose voltarão a ter níveis de anticorpos elevados e estarão muito mais protegidas contra a doença severa e contra a hospitalização. Portanto, as vacinas continuam a ser muito eficazes.

Um estudo feito na África da Sul e divulgado na sexta-feira revela que a Ómicron tem menos 25% de risco de hospitalização do que a Delta. Mas em termos de infecção, afecta mais alguns grupos de acordo com a idade ou com comorbilidades?
Pensa-se que seja uma variante muito idêntica às outras. Por exemplo, na Dinamarca e em Portugal verificou-se que a faixa etária onde a Ómicron teve uma grande incidência, nas primeiras seis semanas, foi na dos 20 aos 29 anos. Esta sobreposição total entre os dados de Portugal e da Dinamarca foi muito curiosa, mas ao longo do tempo, já vamos com mais de dois meses de Ómicron, essa tendência diluiu-se, espalhando-se por todos os outros grupos etários.

Que conclusões se podem tirar desse facto?
Não podemos tirar grandes conclusões, porque não sabemos se tal teve que ver com maior circulação por parte dos jovens ou com menor cuidado nas regras. O que for dito é pura especulação. Portanto, não se pode dizer que a Ómicron tenha, preferencialmente, tendência para infectar os grupos mais jovens. Sobre o estudo que referiu, devo dizer que há outros mais optimistas, que mostram que o risco de hospitalização da Ómicron, quando comparado com o da Delta, é da ordem dos 30%. Em Portugal, os primeiros dados que temos também apontam para uma redução muito significativa do risco.

Também se disse que a Ómicron poderia ser particularmente grave para alguns grupos da população, como grávidas e pessoas com outras doenças. Sendo assim seria semelhante à Delta. Está correcto?
Não. Penso que tem que ver com uma questão de rigor dos estudos. Não esqueçamos que com a Ómicron temos incidências muito superiores às que tivemos com a Delta e, nessa perspectiva, temos de fazer comparações adequadas, não numéricas, mas percentuais e absolutamente calibradas com o estado vacinal das populações, grupos etários, comorbilidades, etc. É muito fácil cair na tentação de dizer que começam a aparecer casos com a Ómicron que não apareciam com a Delta, mas quantas infecções temos com uma e quantas tivemos com outra? Com a Ómicron temos cinco, seis, sete vezes mais do que com a Delta. Então, a probabilidade de aparecerem esses casos também é maior.

A dominância da Ómicron significa que o percurso Delta termina aqui?
Foi isso que aconteceu com as variantes anteriores. Por exemplo, no Natal de 2020 e em Janeiro de 2021, tínhamos uma Alpha perfeitamente dominante, com mais de 90% dos casos nos países onde se instalou. Mas de repente perdeu força e foi substituída pela Delta, que chegou a atingir em certos países 100% dos casos. Temos de perceber que o mundo hoje é global, que as fronteiras estão abertas e que, em pouco tempo, podemos observar grandes oscilações na prevalência das variantes que entram e saem dos vários países. A Delta é suficientemente transmissível para, eventualmente, se manter a níveis que não sejam residuais.

“A BA.2, que era uma linhagem da Ómicron da qual ninguém falava, parece que está a ser mais transmissível do que a BA.1 na Dinamarca”.

Tem-se falado só de Ómicron, mas esta variante tem mais do que uma linhagem, não é?
A OMS definiu três linhagens da Ómicron, BA.1, BA.2 e BA.3, sendo que tudo o que estamos a viver actualmente diz respeito à BA.1. Surgiram todas mais ou menos ao mesmo tempo, mas sempre se falou só da BA.1. Agora, estamos a ter um dado curioso. Nestas duas últimas semanas, na Dinamarca, a BA.2 começou a substituir a BA.1. Ou seja, a BA.2, que era uma linhagem da Ómicron da qual ninguém falava, parece que está a ser mais transmissível do que a BA.1 na Dinamarca. Vamos ver se isto acontece nos outros países, nomeadamente em Portugal.

E se acontecer?
Quer dizer que a segunda linhagem da Ómicron é mais transmissível do que a primeira. Não há outra hipótese, mas tal não quer dizer que seja motivo de preocupação, porque continuamos a falar da Ómicron, que é uma variante menos severa. Isto quer dizer que a variante continua a evoluir. A Delta teve mais de cem linhagens. Em Portugal, até há umas semanas, houve uma linhagem da Delta prevalecente só no Algarve, pela associação do turismo com o Reino Unido. Portanto, não é fácil dizer se a Delta vai desaparecer. Há sempre imprevisibilidade.

Na semana passada, Chipre anunciou ter detectado uma nova variante, que denominou “Deltacron”, por ter características fortes da Delta e da Ómicron. Confirma-se?
A acontecer seriam péssimas notícias. Estaríamos a misturar a variante mais severa que tivemos até agora com a mais transmissível. Mas o que a comunidade científica tem assumido publicamente é que há uma enorme probabilidade de tal configurar um erro de análise de resultados, o que é relativamente frequente quando se faz a descodificação das sequências genéticas. Em princípio, foi falso alarme.

Já há dados sobre o impacto que a Ómicron pode ter em termos de sequelas, de longo-covid?
Ainda não se sabe. A variante surgiu no final de Novembro. Contudo, e ainda sem fundamento científico, usando apenas o bom senso, e uma vez que é menos severa no tipo de sintomatologia e no risco de hospitalização, diria que é razoável pensar-se que seja mais suave no longo-covid. Mas temos de pensar nos casos graves, que existem sempre em qualquer variante, e estes poderão ter problemas de longo-covid.

“Não é possível o nosso mundo continuar como está. Isto não é vida em termos sociais, familiares, escolares e económicos. Não é possível continuar desta forma”.

A menor severidade da Ómicron fez especialistas internacionais e nacionais defenderem que se deve repensar o combate à doença, passando a tratá-la como endémica, como uma gripe. Partilha dessa visão ou temos caminho a percorrer?
Partilho a 100% dessa visão, mas não no momento actual. Ou seja, não nesta semana nem eventualmente na próxima. Não tenho grande dúvida de que não há outro caminho a tomar, porque não é possível o nosso mundo continuar como está. Isto não é vida em termos sociais, familiares, escolares e económicos. Não é possível continuar desta forma.

O que há a fazer?
A situação vai melhorar e temos de começar a modificar o modus operandi. Só que ainda estamos numa fase muito crítica. Os números que estamos a observar em termos de hospitalizações e de mortes ainda são resultado dos contágios no Natal e na passagem de ano. Ou seja, uma pessoa infectada tem sintomas ao fim de dois, três ou quatro dias, mas a hospitalização só ocorre uma semana depois disso e a ida para os cuidados intensivos duas a três semanas depois – daí que os especialistas considerem que o pico das infecções esteja a ocorrer agora. Mas dentro de algumas semanas vamos começar a observar um decréscimo no número de casos, das hospitalizações em enfermarias e nos cuidados intensivos e de mortes. A partir desta altura valerá a pena quem de direito debater sobre a forma como se olha para a doença e fazer mudanças.

É esse o desafio?
Se observarmos, de facto, um decréscimo no número de casos, na pressão do SNS e consequentemente na mortalidade, o desafio será ter coragem para mudar a forma como olhamos para a doença e as regras. Pensar-se em encarar a covid-19 como uma doença mais normal do que o que tem sido até agora. Para o bem de todos.

Que mudanças?
Por exemplo, o processo de testagem deve estar focado só nos sintomáticos, passando a depender muito de cada um de nós. Se me sinto mal testo-me. Se der positivo comunico e faço o meu isolamento. Se me sinto bem, porquê testar-me? É esta a mudança que, mais tarde ou mais cedo, vai ter de acontecer. Eu diria que, passando esta fase, o desafio será mudar a forma como se olha para a doença.

“O importante será proteger as pessoas mais vulneráveis. A curto prazo são inevitáveis os reforços vacinais para estes grupos”.

Acredita que a covid-19 se tornará uma doença endémica com picos no inverno e reforços vacinais?
É bastante provável que sim. Foi o que aconteceu com outras doenças respiratórias que, tendencialmente, pioram no inverno. Não se espera o desaparecimento da doença, mas que esta tenha maior incidência no frio, porque as pessoas estão mais debilitadas e vivem mais em espaços interiores. Quanto a processos de vacinação, apesar de ser uma incógnita, imagino que num futuro próximo, em poucos anos pelo menos, as pessoas com comorbilidades ou de faixas etárias mais elevadas terão de manter um reforço vacinal periódico. Quanto ao resto da população poderá não ser necessário, porque já há uma imunidade natural considerável, quer pela infecção quer pelas vacinas. O importante será proteger as pessoas mais vulneráveis. A curto prazo são inevitáveis os reforços vacinais para estes grupos.

Não será necessária uma quarta dose para toda a população?
Tudo depende da forma como as coisas evoluírem nos próximos meses. As coisas estão a correr bem. Houve uma grande adesão às vacinas, mas se chegarmos à fase em que as incidências são muito baixas, mesmo que haja a sugestão para a vacinação, a população pode não se sentir tão motivada a aderir. Agora, para os grupos mais sensíveis, esta quarta dose tem de estar garantida.

O aparecimento de medicamentos específicos para a covid vai mudar a atitude em relação à vacinação?
Acho que não. Os fármacos que estão a aparecer estão muito focados no tratamento da doença em hospitalização. E não penso que o futuro vá no sentido de termos medicação que tomemos de livre vontade, como tomamos anti-gripais. Posso estar enganado, mas penso que a vacinação continuará a ter um papel inequívoco na profilaxia.

Diz que as coisas estão a correr bem, qual é a mensagem que deixa aos portugueses nesta altura?
​​​​​​​Deixo uma dupla mensagem. A primeira é de optimismo. Acredito que a maior parte das pessoas ficou agradavelmente surpreendida, depois do choque da transmissibilidade da Ómicron, com o facto de esta ser menos severa. A segunda mensagem vai para a vacinação periódica. Se se confirmar que esta é imperativa no controlo da pandemia, ou endemia, que os portugueses mantenham a adesão que sempre demonstraram. Não tenho dúvidas de que se não houvesse vacina não estaríamos como estamos agora.

Diário de Notícias
Ana Mafalda Inácio
18 Janeiro 2022 — 00:20

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1525: Centro Europeu encoraja países a mudar a forma como se está a tratar a covid-19

– É notoriamente errado começar a tratar a pandemia do Covid-19, como se de uma endemia se tratasse. Ou será que os espanhóis e os ingleses afinaram pelo diapasão do brasileiro que disse que o covid-19 não passava de uma “gripezinha”? Basta aferir a infecciosidade diária e as mortes que, embora em menor número devido à vacinação, vão causando estragos por todo o Mundo. Acéfalos!

SAÚDE PÚBLICA/PANDEMIA/COVID-19

Espanha anunciou recentemente que vai passar a monitorizar a pandemia de covid-19 como se de uma gripe comum se tratasse.

© PATRICIA DE MELO MOREIRA / AFP)

Depois de Espanha ter anunciado que planeia monitorizar a pandemia de covid-19 como se de uma gripe comum se tratasse, fonte do Centro Europeu de Prevenção e Controlo das Doenças (ECDC) disse ao El País que a entidade está a avaliar a eficácia da estratégia espanhola e encorajou mais países a mudar de abordagem.

“O ECDC encoraja os países a fazer a transição de um sistema de vigilância de emergência para outros mais sustentáveis e orientados para objectivos”, disse um porta-voz da organização. “Esperamos que mais estados-membros queiram mudar para uma abordagem de vigilância sustentável a longo prazo”, acrescentou.

O surgimento da variante Ómicron, mais contagiosa mas menos letal numa população amplamente imunizada, seja por vacinação ou por infecção anterior, fez com que se instalasse na Europa o debate sobre o novo normal. A redução do período de isolamento em vários países, entre os quais Portugal, aponta nesse sentido.

No Reino Unido, o governo de Boris Johnson também está comprometido em começar a tratar a covid-19 como uma doença endémica.

Por outro lado, a maioria dos especialistas e países como França e Alemanha consideram que ainda é cedo para falar de uma doença endémica, mas há cada vez mais vozes a pedir para que se prepare essa fase da pandemia.

Além da menor letalidade, a disseminação massiva tem levado os sistemas de saúde dos países europeus ao limite, pois rastrear todos os contactos tem-se tornado uma missão impossível. “A proposta espanhola faz sentido porque o rápido aumento da incidência torna impossível o rastreamento de contactos e sobrecarrega as capacidades de diagnóstico”, crê Eva Grill, epidemiologista da Universidade Ludwig Maximilian, em Munique.

Os laboratórios alemães alertaram esta semana que estão a atingir o seu limite, sendo que Lothar Wieler, presidente do Instituto Robert Koch, anunciou na sexta-feira que terá de ser tomada uma decisão sobre os critérios para se fazerem testes PCR.

A Comissão Europeia assume que ainda é cedo para mudar a abordagem para a estratégia proposta por Espanha e pelo Reino Unido, ainda que um porta-voz da comissária Stella Kyariakides tenha admitido que a “maior inumanidade natural” promovida pela variante Ómicron, juntamente com a vacinação, possa ser “um primeiro passo em direcção a um cenário quase endémico”. “Ainda não estamos nessa fase e o vírus ainda se comporta como um perigoso vírus pandémico”, alertou.

Já o responsável pela estratégia de vacinas da Agência Europeia de Medicamentos (EMA), Marco Cavalieri, apelidou a proposta do primeiro-ministro espanhol Pedro Sánchez de precipitada. “A Ómicron é altamente contagiosa e causa um alto número de pessoas infectadas. É importante não subestimá-la”, frisou.

A OMS também não mostra pressa e mudar a abordagem, estimando que mais de 50% da população europeia seja infectada nas próximas seis a oito semanas. O director da agência da ONU para a Europa, Hans Kluge, considera prematura a proposta espanhola, receando o surgimento de novas mutações.

Diário de Notícias
DN
17 Janeiro 2022 — 19:30

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