1277: Governo confirma que haverá mais meios para a dose de reforço

– Ó senhor António Lacerda Sales, V. Exa. está a pedir aos portugueses que ainda não cumpriram os seis meses da segunda dose para e passo a citá-lo: “Por isso é que estou hoje a fazer aqui um apelo: que as pessoas se antecipem e possamos ganhar durante este mês um grande nível de adesão para que depois as pessoas possam passar o Natal com mais tranquilidade e juntas com as famílias”” para se ANTECIPAREM a este prazo? Será isso justificável do ponto de vista clínico? Ou andamos a baralhar as pessoas?

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Chegada de mais meios surgirá da “cooperação intensa com o Ministério da Defesa e as Forças Armadas”, além do Ministério da Saúde e dos seus organismos.

A vacinação com a dose de reforço contra a covid-19 vai mesmo ter mais meios, confirmou este sábado o secretário de Estado Adjunto e da Saúde, na sequência do pedido feito pelo responsável do núcleo de coordenação, coronel Penha Gonçalves.

Em declarações aos jornalistas à margem de uma visita ao centro de vacinação em Mafra, António Lacerda Sales reconheceu que “o número de elegíveis mais do que duplicou”, em virtude das novas orientações dadas pela Direcção-Geral da Saúde (DGS), e sinalizou que há agora “mais 1,8 milhões de pessoas para vacinar” além das que já estavam inicialmente previstas até 19 de Dezembro.

“Vamos ter reforços, como é óbvio”, começou por dizer o governante, sublinhando: “Temos de reprogramar e voltar a planear, quer do ponto de vista da logística, quer do ponto de vista dos recursos e do planeamento, porque é mais do dobro dos elegíveis. E é isso que vamos fazer com o Núcleo de Coordenação [do processo de vacinação] e com as autarquias”.

Lacerda Sales vincou que a chegada de mais meios surgirá da “cooperação intensa com o Ministério da Defesa e as Forças Armadas”, além do Ministério da Saúde e dos seus organismos.

“Fruto dessa articulação, conseguiremos alocar mais recursos a este replaneamento que temos de fazer”, notou, sem deixar de esclarecer que este será um “replaneamento integrado” face às “três novas camadas” que entraram para o processo: pessoas que tomaram a segunda dose há pelo menos 150 dias, doentes recuperados e os maiores de 18 anos com a dose única da vacina da Janssen administrada há mais de três meses.

Paralelamente, o secretario de Estado Adjunto e da Saúde lançou um apelo às pessoas para receberem a dose de reforço contra a covid-19 e enalteceu o aumento da adesão que já se verificou hoje, naquele que foi o dia com mais doses de reforço administradas, acima das 42 mil inoculações. Só com uma grande adesão, sustentou o governante, será possível ter um Natal “com mais tranquilidade”.

“Mais importante do que a meta – que com certeza vamos atingir – é proteger as pessoas. Queremos que o Natal das nossas famílias não seja igual ao do ano passado, queremos que as famílias possam estar juntas. Por isso é que estou hoje a fazer aqui um apelo: que as pessoas se antecipem e possamos ganhar durante este mês um grande nível de adesão para que depois as pessoas possam passar o Natal com mais tranquilidade e juntas com as famílias”.

A terminar, Lacerda Sales evitou pronunciar-se sobre a eventual vacinação das crianças entre os cinco e os 11 anos, pedindo que se espere pelas decisões da DGS e dos organismos internacionais sobre essa matéria. Porém, reiterou que Portugal tem “logística, recursos e meios” para fazer face a esse desafio e que “a prova está mais do que dada” pelo país.

Coordenador do Plano de Vacinação assume “reorganização interna”

As alterações ao processo de vacinação da dose de reforço contra a covid-19 exigem também uma reorganização interna do núcleo de coordenação, além do aumento dos meios no terreno, admitiu este sábado o responsável pelo plano.

“Estamos a reprogramar, é também uma reorganização interna para responder aos novos desafios. Estamos confiantes de que isso vai acontecer, estamos já a trabalhar para isso e esperamos que, progressivamente, vamos aumentando a nossa capacidade de vacinação”, afirmou o coronel Carlos Penha Gonçalves aos jornalistas numa visita a um centro de vacinação em Mafra, no distrito de Lisboa.

O responsável por esta etapa do processo lembrou que há “um plano em curso” e que a estrutura está concentrada na sua execução, que prevê a vacinação de 900 mil pessoas até 19 de Dezembro.

“O nosso foco é esse e o ritmo que estamos a atingir agora vai permitir fazer isso. É preciso que as pessoas venham ao processo de vacinação quando forem agendadas. Se não conseguirem, venham à ‘casa aberta’ e serão vacinadas. Neste momento estamos a vacinar as pessoas mais frágeis”, esclareceu, reiterando: “Não vamos chamar as pessoas sem ter capacidade para as vacinar”.

Questionado sobre o redimensionamento da resposta no terreno, Penha Gonçalves disse que a avaliação sobre os pontos de vacinação existentes está a ser feita pelas administrações regionais de saúde e que o ajuste, que “tem sido feito desde o início do processo”, pode passar por um aumento em número ou na dimensão dos centros.

Em Portugal, desde Março de 2020, morreram 18.310 pessoas e foram contabilizados 1.119.784 casos de infecção, segundo dados da Direcção-Geral da Saúde de hoje.

Diário de Notícias
Lusa
20 Novembro 2021 — 18:28

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Covid-19: Situação é “moderadamente preocupante” em Portugal

– As estatísticas que publico diariamente neste Blogue, com origem na D.G.S. – Direcção Geral da Saúde são “moderadamente preocupantes”? Então o que é, para vocês, extremamente preocupante? Nesta semana (falta a informação de amanhã, Domingo), já vai em 12.296 infectados e 53 mortos. Isto é “moderadamente preocupante”?

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A situação epidemiológica da covid-19 é agora “moderadamente preocupante” em Portugal, segundo o ECDC, que fala numa preocupação “muito elevada” no resto da Europa e prevê aumento das infecções, internamentos e mortes nas duas próximas semanas.

© Rita Chantre / Global Imagens

“Na semana 44 [entre 01 a 07 de Novembro], 10 países da União Europeia e Espaço Económico Europeu – Bélgica, Bulgária, Croácia, República Checa, Estónia, Grécia, Hungria, Países Baixos, Polónia e Eslovénia – foram classificados como altamente preocupantes, 13 países – Áustria, Dinamarca, Finlândia, Alemanha, Islândia, Irlanda, Letónia, Liechtenstein, Lituânia, Luxemburgo, Noruega, Roménia e Eslováquia – como muito preocupantes e três países – Chipre, França e Portugal – como moderadamente preocupantes”, diz em entrevista por escrito à agência Lusa, em Bruxelas, Ole Heuer, do Centro Europeu de Prevenção e Controlo das Doenças (ECDC).

A estes acrescem “quatro países – Itália, Malta, Espanha e Suécia – como pouco preocupantes”, acrescenta o responsável pelo departamento de doenças contagiosas e epidemias do ECDC.

Segundo Ole Heuer, nesta primeira semana do mês (sobre a qual o centro europeu tem os dados mais recentes), o “nível de preocupação para a UE/EEE em geral é muito elevado, de 8,3 em 10”, numa avaliação que tem em conta as taxas de positividade dos testes realizados e de notificação de casos, bem como indicadores de gravidade (casos entre pessoas com 65 anos de idade ou mais e admissões ou taxas de ocupação ou de morte em hospitais ou unidades de cuidados intensivos).

“No final da semana 44, a situação epidemiológica global na UE/EEE caracterizou-se por uma elevada taxa global de notificação de casos e em rápido aumento e uma taxa de mortalidade baixa, mas em lenta subida”, assinala o especialista do ECDC à Lusa.

“Prevê-se que as taxas de notificação de casos, as taxas de mortalidade e de internamento em hospitais e unidades de cuidados intensivos aumentem durante as próximas duas semanas”, antecipa.

Ole Heuer precisa que “as taxas de notificação de casos são actualmente mais elevadas entre os grupos etários com menos de 50 anos, mas as taxas de notificação entre os grupos etários mais velhos também estão a aumentar rapidamente”.

E apesar de ressalvar que “o quadro varia consideravelmente de país para país”, o responsável adianta que “o aumento das taxas de notificação de casos e uma situação epidemiológica global de grande ou muito preocupante são agora observados na maioria dos Estados-membros da UE/EEE”.

Em média, na primeira semana deste mês, a taxa global de notificação de casos de covid-19 para a UE/EEE foi de 383,9 por 100 mil habitantes (o que compara com 316,4 na semana anterior), sendo que estes números têm vindo a aumentar há cinco semanas.

Por seu lado, a taxa de mortalidade a 14 dias por infecção SARS-CoV-2, que provoca a covid-19, estava nesta semana em 35,5 mortes por milhão de habitantes, em comparação com 32,3 mortes na semana anterior, também a aumentar há cinco semanas.

Numa altura em que 76,5% dos adultos na UE estão totalmente vacinados, Ole Heuer explica à Lusa que este ressurgimento se deve ao “relaxamento de intervenções não-farmacêuticas”, isto é, ao levantamento de medidas restritivas como distanciamento físico, uso de máscaras, redução da lotação em eventos/encontros de interior e de aposta no teletrabalho.

“Embora as vacinas sejam muito eficazes na prevenção de doenças e mortes graves, as pessoas vacinadas podem ser infectadas e transmitir a covid-19, embora em menor grau do que os indivíduos não vacinados”, lembra o especialista.

Ole Heuer salvaguarda que as vacinas têm sim “desempenhado um papel importante” ao “protegerem as pessoas de ficarem gravemente doentes e de morrerem de covid-19”, dada a eficácia superior a 80% contra doença grave.

Criado em 2005, o ECDC é uma agência europeia de aconselhamento aos países para reforço da capacidade de defesa da Europa contra as doenças infecciosas.

Diário de Notícias
Lusa
20 Novembro 2021 — 09:24

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Covid-19: Vacina contra gripe “essencial para mitigar impacto” nos hospitais

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O Centro Europeu de Prevenção e Controlo das Doenças (ECDC) considera que a vacinação contra a gripe é “essencial para mitigar o impacto” nos sistemas de saúde na União Europeia (UE) perante o ressurgimento de casos de covid-19.

© ANTÓNIO PEDRO SANTOS/LUSA

“A vacinação contra a gripe sazonal – especialmente para populações vulneráveis e trabalhadores da saúde – é essencial para mitigar o impacto nos indivíduos e nos sistemas de saúde nos próximos meses”, afirma o responsável pelo departamento de doenças contagiosas e epidemias do ECDC, Ole Heuer, em entrevista por escrito à agência Lusa, em Bruxelas.

Assinalando que “os grupos de risco de doença grave da gripe se sobrepõem, em grande parte, aos grupos com maior risco de doença grave e de morte por covid-19″, o especialista do ECDC acrescenta existirem “vários benefícios na co-administração de vacinas anticovid-19 com campanhas de vacinação contra a gripe sazonal”, como aliás está a ser feito em Portugal.

“A infra-estrutura para a vacinação contra a gripe sazonal já existe e pode ser modificada de acordo com o contexto epidemiológico da covid-19”, reforça Ole Heuer.

Em causa estão, desde logo, “doses adicionais ou doses de reforço para aqueles em maior risco de doença grave e morte devido à covid-19”.

Na quinta-feira, o chefe da Estratégia de Ameaças Biológicas para a Saúde e Vacinas da Agência Europeia de Medicamentos, Marco Cavaleri, manifestou uma posição semelhante, encorajando “todas as pessoas a quem é oferecida uma vacina contra a gripe a vacinarem-se e a protegerem-se a si próprios, os seus familiares, amigos e colegas”.

Marco Cavaleri adiantou que “os dados preliminares indicam que a vacina da gripe pode ser administrada ao mesmo que tempo que a vacina anticovid-19”.

A UE enfrenta actualmente um elevado ressurgimento das infecções por SARS-CoV-2, que provoca a covid-19, com os internamentos, as entradas nos cuidados intensivos e o número de mortes também a aumentar, situação causada pela dominância da variante Delta (mais contagiosa) e pela descida das temperaturas, mais propícia a doenças respiratórias.

Em Portugal, decorre a campanha de vacinação contra a gripe sazonal, que começou em Outubro com a vacinação dos grupos prioritários.

Segundo dados das autoridades portuguesas, o Serviço Nacional de Saúde (SNS) vai ter, nesta época gripal, 2,24 milhões de doses de vacinas contra a gripe, o que representa um aumento global de 7% (mais cerca de 146 mil doses) comparativamente ao ano passado.

Apesar de a gripe ser considerada uma doença de cura espontânea, pode causar complicações em pessoas com doenças crónicas ou com 65 ou mais anos, sendo estas consideradas como prioritárias na inoculação para evitar a doença grave, assim como mulheres grávidas e profissionais de saúde.

Em Portugal, a vacinação contra a covid-9 pode ser feita em simultâneo com a vacina contra a gripe, o que está a acontecer desde meados de Outubro para facilitar a adesão à vacinação.

Criado em 2005, o ECDC é uma agência europeia de aconselhamento aos países para reforço da capacidade de defesa da Europa contra as doenças infecciosas.

Diário de Notícias
Lusa
20 Novembro 2021 — 09:35

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1274: Internados continuam a aumentar em dia com 10 mortes e 2.333 novos casos

– Estatísticas até hoje, Sábado:

20.11.2021 – 2.333 infectados – 10 mortes
19.11.2021 – 2.371 infectados – 5 mortos
18.11.2021 – 2.398 infectados – 12 mortos
17.11.2021 – 2.527 infectados – 9 mortos
16.11.2021 – 1.693 infectados – 9 mortos
15.11.2021 – 0.974 infectados – 8 mortos

Total da semana: 12.296 infectados – 53 mortos

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Portugal registou mais 10 mortes e 2.333 casos confirmados de covid-19 nas últimas 24 horas, segundo o boletim epidemiológico da Direcção-Geral da Saúde (DGS) deste sábado.

© EPA/STEPHANIE LECOCQ

Os dados mais recentes mostram que há agora 544 internados (mais 16 que no dia anterior), dos quais 88 em unidades de cuidados intensivos (mais 9 do que no dia anterior).

A região de Lisboa e Vale do Tejo é a que apresenta mais óbitos (4) e mais novos casos (855), seguida da região Norte, que regista dois óbitos e 633 novos casos.

Alentejo e Açores não registaram qualquer óbito nas últimas 24 horas.

Portugal e países com elevada vacinação com “pressão gerível” nos hospitais

Os países europeus com taxas mais altas de vacinação anticovid-19 enfrentam uma “pressão gerível” nos hospitais em altura de forte ressurgimento das infecções, considera o Centro Europeu de Prevenção e Controlo das Doenças (ECDC), embora sugerindo novas restrições.

“Os países ou regiões com níveis de cobertura vacinal na população total acima do nível médio actual da UE, e particularmente aqueles com os níveis mais elevados de cobertura, podem ter uma pressão gerível de internamentos e mortes” por covid-19, afirma o responsável pelo departamento de doenças contagiosas e epidemias do ECDC, Ole Heuer, em entrevista por escrito à agência Lusa, em Bruxelas.

Isto “a menos que haja uma forte diminuição da imunidade seis meses após a vacinação e/ou a sua população tenha uma imunidade natural baixa”, salvaguarda o responsável.

A UE enfrenta actualmente um elevado ressurgimento das infecções por SARS-CoV-2, que provoca a covid-19, com os internamentos, as entradas nos cuidados intensivos e o número de mortes também a aumentar, situação causada pela dominância da variante Delta (mais contagiosa) e pela descida das temperaturas, mais propícia a doenças respiratórias.

Por essa razão, Ole Heuer argumenta que mesmo estes países com elevada vacinação deviam “manter ou reintroduzir medidas como a limitação da dimensão dos eventos e reuniões, a promoção do teletrabalho, o uso de máscaras faciais em espaços partilhados e o distanciamento físico, uma vez que as pessoas vacinadas ainda podem ser infectadas e transmitir mais ainda o SARS-CoV-2”.

Dados do ECDC revelam que, até ao momento, 76,5% da população adulta na UE está totalmente vacinada, enquanto mais de 81% tomou apenas a primeira dose.

Isto equivale a 279 milhões de pessoas com o esquema de vacinação completo e 297 milhões com pelo menos uma dose administrada, segundo a página na Internet do ECDC referente à vacinação na UE e que tem por base dados dos Estados-membros.

Por países, existem grandes discrepâncias nas taxas, entre os 28,6% de vacinação total de adultos na Bulgária e 92,6% na Irlanda.

Além da Bulgária, também a Roménia regista uma taxa de 42,8%, a segunda pior da UE, com os restantes países a superarem os 50%, ainda assim.

Relativamente aos países com níveis mais altos de população adulta totalmente vacinada, são, além da Irlanda, Portugal (91,9%) e Malta (91,8%), ainda segundo os dados do ECDC.

Ole Heuer diz à Lusa que os países com menor vacinação “continuam a ser os mais severamente afectados” pelo ressurgimento do vírus.

Questionado sobre as razões que justificam estes níveis tão baixos, principalmente na Europa central e de leste, o especialista aponta que “muitos países identificaram desafios em torno da desconfiança, desinformação e baixa percepção do risco, especialmente nos jovens, como alguns dos principais motores da baixa vacinação em diferentes grupos populacionais”.

Ole Heuer adianta, por isso, que os “esforços incansáveis para aumentar as taxas de cobertura vacinal em toda a UE/EEE [União Europeia e Espaço Económico Europeu] são da maior importância”.

“Em paralelo, deve ser considerada a administração de uma dose adicional de vacina a pessoas que possam ter uma resposta limitada ao ciclo primário de vacinação anticovid-19, tais como indivíduos imuno-deprimidos”, e ainda “doses de reforço para grupos populacionais que apresentem sinais de diminuição da imunidade, como indivíduos mais velhos e frágeis, em particular os que vivem em ambientes fechados”, sugere o especialista.

Criado em 2005, o ECDC é uma agência europeia de aconselhamento aos países para reforço da capacidade de defesa da Europa contra as doenças infecciosas.

Diário de Notícias
DN/Lusa
20 Novembro 2021 — 14:16

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“É por uma questão de prudência que se recomenda a dose de reforço”

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Investigador principal do Instituto de Medicina Molecular e membro da Comissão Técnica da Vacinação diz ao DN que quem tomou vacina da Janssen perdeu elevado grau de protecção mais cedo do que o esperado, mas defende também que vacinação das crianças terá de continuar a ser ponderada em termos de benefício no combate à pandemia.

Investigador Luís Graça diz que “estratégias para erradicar o vírus, provavelmente, não serão bem sucedidas. Vamos ter de aprender a viver com o vírus”.
© Reinaldo Rodrigues Global Imagem

Durante esta semana houve várias novidades relativamente ao processo de vacinação contra a covid-19. Uma delas foi o reforço de mais uma dose a todas as pessoas que tomaram a vacina da Janssen. Esta decisão foi baseada em estudos feitos, mas significa que esta não é tão eficaz como as outras?

A decisão foi baseada nos dados recolhidos através da monitorização da efectividade das vacinas que são realizados no nosso país e em vários outros países. Por exemplo, em Portugal o Instituto Nacional de Saúde Ricardo Jorge (INSA) tem vindo a monitorizar a sequência genética do vírus para sabermos se há novas variantes a surgirem, o Infarmed tem vindo a monitorizar a segurança das vacinas, de diferentes marcas e nos diferentes grupos populacionais, e os efeitos adversos e o mesmo é feito por entidades congéneres de outros países. Depois, toda esta informação é partilhada, permitindo que, ao longo do tempo, e desde que as vacinas começaram a ser administradas, possam ser feitas correcções à forma de utilização das vacinas para garantir que o processo é feito com segurança e com o máximo benefício possível. É a através deste processo de monitorização e vigilância que tem sido possível identificar pequenas reduções na protecção das vacinas em determinados grupos, levando à definição de estratégias de reforço para que se reponha o nível de protecção que se observava inicialmente quando as pessoas terminaram a vacinação original.

Mas o que foi observado concretamente em relação à vacina da Janssen para fosse tomada esta decisão?

O que se observou através deste processo de monitorização é que as pessoas vacinadas com a Janssen, que é de toma única, independentemente da sua idade, estavam a demonstrar uma protecção menor do que aquela que era desejável. E foi por essa razão que se recomendou que haja uma dose de reforço para repor os níveis de protecção elevados que pretendemos para toda a população, de forma a que possamos dizer que mais de 85% dos portugueses tem uma protecção conferida pelas vacinas que é muito elevada.

Esta semana a directora-geral também anunciou que o intervalo de seis meses entre as doses de reforço pode ser encurtado. Esta medida é importante para os mais idosos, até pela época em que estamos a entrar?

É importante que as pessoas que registam uma diminuição na protecção das vacinas tomem uma dose de reforço. O processo de perda de protecção é gradual e a monitorização feita nos diferentes países veio demonstrar existir um claro beneficio com o reforço a partir dos seis meses. Contudo, é defensável que a partir dos cinco meses este reforço já possa ser dado para que se reponha um grau de protecção semelhante ao obtido logo após a vacinação.

Para as pessoas mais novas, e no caso de estas necessitarem de reforço, não é importante encurtar o intervalo?

No caso da vacina da Janssen o que se observou é que houve uma diminuição na protecção independentemente da idade e mais precoce do que os seis meses. Daí que se recomende um reforço ao fim de três meses. Mas isto é a demonstração de que as decisões são tomadas com base numa análise de real benefício para o indivíduo. E no que toca ao reforço em relação às pessoas mais novas vacinadas com a Pfizer ou a Moderna os dados obtidos ainda não justificam um reforço de vacinação.

Os recuperados da covid começaram por tomar uma dose, agora vão tomar a segunda. Isto quer dizer que mesmo tendo o vírus passado pelo organismo humano que não se consegue uma imunidade superior à das vacinas?

Há estudos a demonstrar que as pessoas infectadas que recuperaram e que receberam uma dose de vacina têm uma protecção muito significativa, equivalente a uma protecção melhor do que a obtida pelas pessoas que nunca foram infectadas e levaram duas doses. Contudo, como em todas as respostas imunitárias é natural um progressivo declínio da protecção, mas isto não é evidência de perda significativa de protecção. É por uma questão de prudência que se recomenda que estas pessoas também façam um reforço. A recomendação para que pessoas com mais de 65 anos, com vacinação completa há seis meses, façam um reforço também foi feita para termos a garantia de que é reposto o grau de protecção desejável contra a infecção e doença grave.

Quanto às vacinas de segunda geração, que poderão ter a capacidade de bloquear a infecção. Acha mesmo Só poderemos respirar de alívio em relação ao SARS CoV-2 quando estas chegarem?

Mais importante do que pensarmos em cenários do futuro cujos detalhes desconhecemos é arranjar estratégias que façam o melhor uso possível das vacinas que temos agora para nos protegermos contra esta infecção. Neste momento, temos a sorte de ter vacinas muito eficazes, que têm mudado o panorama da infecção nos países em que há uma maior cobertura vacinal, como é o caso de Portugal. Temos um número elevado de infecções mas continuamos com um impacto muito menor nos cuidados hospitalares do que acontecia com a população não vacinada.

“É muito desejável que novas vacinas facilitem ainda mais o combate à pandemia, mas, neste momento, a estratégia tem de ser pensada com base nas vacinas que estão disponíveis.

Na sua opinião em que se deve apostar agora como estratégia?

A prioridade é definir estratégias que permitam aumentar a protecção das pessoas mais vulneráveis com as vacinas existentes e não estarmos a pensar em vacinas que ainda não conseguimos antecipar quando é que vão surgir e se vão trazer um aumento de capacidade de protecção contra este vírus. Se trouxerem, então, deverão ser incorporadas no plano de vacinação de acordo com as suas características, mas, neste momento, isso não é possível antecipar. É muito desejável que novas vacinas facilitem ainda mais o combate à pandemia, mas, neste momento, a estratégia tem de ser pensada com base nas que estão disponíveis.

Tendo em conta que uma das faixas etárias com maior incidência da doença em Portugal é a das crianças, dos 0 aos 9 anos, a vacinação destas vai ser avaliada?

O combate à pandemia e o processo de vacinação são contínuos. As diferentes estratégias têm de ser avaliadas a todo o momento para se melhorar este combate, e, naturalmente, que a vacinação de crianças é algo que também terá de ser ponderado em termos de benefício para se continuar o processo de protecção contra à pandemia. O mesmo aconteceu com outros grupos, grávidas e adolescentes, para os quais se avançou com a vacinação quando havia a garantia de que era seguro e benéfico.

A Comissão Técnica de Vacinação está a avaliar?

Continuamos a acompanhar os dados do impacto da doença em todas as populações, nomeadamente na pediátrica. Começam a ser conhecidos estudos sobre a eficácia e segurança nesta população. E isto vai ser acompanhado.

Como imunologista e especialista em vacinas, como pensa que vai evoluir a pandemia, o que deve ser feito para travar o crescimento de casos?

O que estamos a verificar globalmente, no mundo, é que as estratégias para erradicar o vírus, provavelmente, não serão bem sucedidas. Mesmo os países que apostaram muito nestas estratégias, como é o caso da Austrália e a Nova Zelândia, já constataram que não será possível seguir essa via. Por essa razão, penso que no futuro vamos ter de aprender a viver com o vírus, da mesma forma como vivemos com muitos outros vírus respiratórios, que também trazem gravidade e mortalidade, como o da gripe. É preciso é arranjar formas de proteger a população mais vulnerável e formas que impeçam que o vírus tenha um impacto demasiado grande na nossa sociedade.

Diário de Notícias
Ana Mafalda Inácio
20 Novembro 2021 — 07:00

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1272: Bill Gates prevê que a covid-19 vai ser menos comum do que a gripe em 2022

SOCIEDADE/PREVISÕES/COVID-19

billionairessuccess / Flickr
O fundador da Microsoft, Bill Gates

Bill Gates prevê que, no próximo ano, as infecções e mortes por covid-19 vão ser menos comuns do que aquelas causadas pela gripe.

Não é a primeira vez que Bill Gates faz previsões sobre a evolução da pandemia de covid-19 — muitas delas acertadas. Pouco tempo antes de o novo coronavírus ter surgido na cidade chinesa de Wuhan, Gates chegou mesmo a prever uma pandemia como aquela que agora enfrentamos.

Numa conferência anual do TED, em Vancouver, Canadá, em plena epidemia do Ébola, Gates falou sobre a próxima doença mortal, numa palestra intitulada “O Próximo Surto? Não estamos prontos”. “Se algo matar mais de 10 milhões de pessoas nas próximas décadas, é mais provável que seja um vírus altamente infeccioso do que uma guerra”, afirmou.

Agora, segundo a Bloomberg, o co-fundador da Microsoft afirmou que as mortes por covid-19 podem cair abaixo daquelas causadas pela gripe até meados do próximo ano. Além disso, Gates também prevê que as taxas de infecção caiam abaixo dos níveis da gripe, desde que novas variantes perigosas não surjam.

O aumento das taxas de vacinação, a imunidade ganha por infecção e o surgimento de novos tratamentos contra a covid-19 justificam a eventual descida da taxa de infecção e do número de mortes.

Bill Gates também espera que as restrições na oferta de vacinas contra a doença sejam resolvidas ainda no próximo ano. A procura de vacinas em alguns países, nomeadamente na África subsariana, ainda não é certa, mas poderá ser elevada.

Em Setembro, um relatório da Fundação Bill e Melinda Gates referiu que as nações não estão a fazer o suficiente para se prepararem para a próxima pandemia, desafiando os países a investir a longo prazo em sistemas de saúde.

“Parece óbvio que num mundo globalizado, onde pessoas e bens se movem constantemente através das fronteiras, é insuficiente os países ricos serem os únicos com equipamento e recursos para sequenciar vírus”, apontou o relatório.

Daniel Costa
19 Novembro, 2021

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