1217: DGS avisa que pandemia não acabou e insiste nas medidas de protecção

SAÚDE PÚBLICA/PANDEMIA/PROTECÇÃO

Graça Freitas diz que pandemia “está em curso a diferentes velocidades em diferentes partes do globo”

© Reinaldo Rodrigues/Global Imagens

A directora-geral da Saúde avisou esta sexta-feira que a pandemia de covid-19 ainda não terminou e tem diferentes velocidades em diversos locais do globo, insistindo na importância de se cumprirem as medidas de protecção.

“Por muito que gostássemos que fosse assim, a pandemia não acabou, está em curso a diferentes velocidades em diferentes partes do globo, mas não terminou. As medidas de protecção genéricas que estão em vigor desde inicio da pandemia devem ser seguidas de forma voluntária e com auto-responsabilização de todos”, afirmou à Lusa Graça Freitas, apontando o uso de máscara e a ventilação dos espaços.

“Recomendamos no interior o uso de máscara, [porque] é um método barreira (…), assim como o arejamento das instalações”, exemplificou, acrescentando: “como abrirmos a sociedade promovemos mais contactos entre as pessoas e, portanto, há que ter cautelas e a principal é continuar a vacinação”.

Sobre o alerta da Organização Mundial de Saúde, que na quinta-feira se mostrou preocupada com o acelerar do aumento de novos casos sobretudo na Europa, Graça Freitas apontou os três cenários em cima dos quais as autoridades nacionais trabalham:

“O primeiro é aquele em que a vacina se manteria efectiva, por um período muito longo e tudo estaria estabilizado, o cenário dois é aquele em que sabemos que alguns perdem imunidade, com um aumento do número de casos sem repercussões na gravidade, é entre o um e o dois que Portugal está (…), e um terceiro cenário, mais grave, em que pode aparecer uma variante que consiga escapar ao sistema imunitário construído” quer com a vacina, quer com a infecção, explicou.

A responsável lembrou que “há muitos casos em todo o mundo e muito potencial para o vírus sofrer mutações e aparecerem outras variantes”, sublinhando: “é preciso estarmos atentos e fazer sempre tudo o que pudermos para controlar este vírus”.

“O que agora podemos fazer é ter bons sistemas de vigilância, os cidadãos usarem os métodos protecção e vacinar os elegíveis”, disse Graça Freitas, insistindo: “É preciso muita atenção. A pandemia não acabou e pode aparecer uma variante nova. Temos de estar preparados”.

Na quinta-feira, a OMS avisou que a situação da pandemia de covid-19 na Europa é “muito preocupante” e apontou a cobertura insuficiente de vacinas e o relaxamento de restrições para explicar o aumento de casos nas últimas semanas.

A covid-19 provocou pelo menos 5.020.845 mortes em todo o mundo, entre mais de 248,03 milhões infecções pelo novo coronavírus registadas desde o início da pandemia, segundo o mais recente balanço da agência France-Presse.

Em Portugal, desde Março de 2020, morreram 18.184 pessoas e foram contabilizados 1.094.048 casos de infecção, segundo dados da Direcção-Geral da Saúde.

Diário de Notícias
DN/Lusa
05 Novembro 2021 — 13:31

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1216: Terceiro dia consecutivo acima das mil infecções. Menos doentes internados, mas Incidência e Rt sobem

– Por um dever intrínseco de cidadania e de valores cívicos – que muitos acéfalos intelectualóides labregos não possuem -, este Portal da Saúde vai continuar a inserir informação adequada, protelando a sua inactividade para data a anunciar oportunamente no futuro.

– Estatísticas até hoje, Sexta-feira:

05.11.2021 – 1.289 infectados – 9 mortos
04.11.2021 – 1.382 infectados – 4 mortos
03.11.2021 – 1.074 infectados – 9 mortos
02.11.2021 – 0.450 infectados – 9 mortos
01.11.2021 – 0.491 infectados – 5 mortos

Total da semana: 4.686 infectados – 36 mortos

Portugal com mais 9 mortes e 1.289 casos nas últimas 24 horas.

Portugal registou nove mortes e 1.289 novos casos confirmados de covid-19 nas últimas 24 horas, segundo o boletim epidemiológico da Direcção-Geral da Saúde (DGS) desta sexta-feira.

É o terceiro dia consecutivo acima da fasquia das mil novas infecções diárias, embora os números desta sexta-feira sejam ligeiramente inferiores aos da véspera, quando foram registados 1.382 casos.

O país contabiliza agora um total de 18.193 óbitos e 1.095.337 casos confirmados desde o início da pandemia.

Foram dadas como recuperadas 893 pessoas, menos do que as novas infecções registadas, o que levou o número de casos activos a subir para 32.867 (mais 387).

O boletim desta sexta-feira mostra também uma diminuição no número de pessoas hospitalizadas com covid-19 em Portugal (são agora 345, menos 12 do que na quinta-feira), bem como de doentes internados em unidades de cuidados intensivos (66, menos 7 do que no dia anterior).

Das nove mortes contabilizadas nas últimas 24 horas, seis delas foram na região de Lisboa e Vale do Tejo, duas na região Centro e uma no Alentejo.

A subir ligeiramente, no entanto, estão a taxa de incidência e o índice de transmissibilidade. O número de novos casos nos últimos 14 dias por 100.000 habitantes (taxa de incidência) é agora de 106,1 casos a nível nacional, quando na última actualização era de 104,3, e de 105,6 no continente (104,4 anteriormente).

Já o R(t), índice de transmissibilidade, a nível nacional está em 1,04 (era 1,03 na última actualização), mantendo-se estável no território continental (1,03).

Pampilhosa da Serra é agora o concelho com maior taxa de incidência no país e também o único acima da fasquia dos 960 casos por 100 000 habitantes: 1066.

DGS avisa que pandemia não acabou e insiste nas medidas de protecção

A directora-geral da Saúde avisou esta sexta-feira que a pandemia de covid-19 ainda não terminou e tem diferentes velocidades em diversos locais do globo, insistindo na importância de se cumprirem as medidas de protecção.

“Por muito que gostássemos que fosse assim, a pandemia não acabou, está em curso a diferentes velocidades em diferentes partes do globo, mas não terminou. As medidas de protecção genéricas que estão em vigor desde inicio da pandemia devem ser seguidas de forma voluntária e com auto-responsabilização de todos”, afirmou à Lusa Graça Freitas, apontando o uso de máscara e a ventilação dos espaços.

“Recomendamos no interior o uso de máscara, [porque] é um método barreira (…), assim como o arejamento das instalações”, exemplificou, acrescentando: “como abrirmos a sociedade promovemos mais contactos entre as pessoas e, portanto, há que ter cautelas e a principal é continuar a vacinação”.

Sobre o alerta da Organização Mundial de Saúde, que na quinta-feira se mostrou preocupada com o acelerar do aumento de novos casos sobretudo na Europa, Graça Freitas apontou os três cenários em cima dos quais as autoridades nacionais trabalham:

“O primeiro é aquele em que a vacina se manteria efectiva, por um período muito longo e tudo estaria estabilizado, o cenário dois é aquele em que sabemos que alguns perdem imunidade, com um aumento do número de casos sem repercussões na gravidade, é entre o um e o dois que Portugal está (…), e um terceiro cenário, mais grave, em que pode aparecer uma variante que consiga escapar ao sistema imunitário construído” quer com a vacina, quer com a infecção, explicou.

A responsável lembrou que “há muitos casos em todo o mundo e muito potencial para o vírus sofrer mutações e aparecerem outras variantes”, sublinhando: “é preciso estarmos atentos e fazer sempre tudo o que pudermos para controlar este vírus”.

“O que agora podemos fazer é ter bons sistemas de vigilância, os cidadãos usarem os métodos protecção e vacinar os elegíveis”, disse Graça Freitas, insistindo: “É preciso muita atenção. A pandemia não acabou e pode aparecer uma variante nova. Temos de estar preparados”.

Nova vaga em Portugal como a de 2020 é “pouco provável”

O crescimento da pandemia na Europa deve-se à insuficiente vacinação e ao levantamento de restrições, afirmou esta quinta-feira a Associação de Médicos de Saúde Pública, considerando “pouco provável” uma nova vaga em Portugal com a do início de 2020.

“Uma quarta vaga com a dimensão e a gravidade das anteriores será muito pouco provável, mas Portugal faz parte de um mundo aberto. Se outros países estão a assistir a um aumento de casos, e com a mobilidade que as pessoas têm, é normal que Portugal possa ter, durante os meses de inverno, um aumento de casos e uma nova vaga, que a vacinação pode tornar menos letal”, adiantou à Lusa o vice-presidente da associação, Gustavo Tato Borges.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) e a Agência Europeia do Medicamento (EMA) consideraram esta quinta-feira “preocupante” a situação da pandemia da covid-19 na Europa, com um aumento significativos de infecções em alguns países, tendo mais do que duplicado as hospitalizações associadas à doença numa semana.

Segundo Gustavo Tato Borges, esta evolução negativa da pandemia deve-se, em grande medida, às assimetrias de cobertura da vacinação entre os países europeus, assim como ao relaxamento das medidas não farmacológicas, que “fez aumentar o risco dos contactos próximos e a maior transmissibilidade da doença, o que era perfeitamente expectável”.

Em relação ao crescimento do número de casos em Portugal nos últimos dias, o especialista de saúde pública salientou que não está a ser acompanhado por um aumento proporcional em termos de mortalidade, devido ao efeito protector da vacina contra a covid-19.

“Não vamos ter aquilo que aconteceu em Janeiro e Fevereiro de 2020. Acho que essa dimensão catastrófica de casos e de mortes não deve voltar a acontecer, mas poderemos assistir a um aumento considerável que pode `boicotar´ o normal funcionamento do Serviço Nacional de Saúde” nos meses de inverno, adiantou Gustavo Tato Borges.

A EMA considerou esta quinta-feira que a situação epidemiológica relacionada com a covid-19 na União Europeia (UE) é “muito preocupante”, dado a aproximação do inverno, instando os cidadãos a vacinarem-se ou completarem o esquema de vacinação.

Dados de outra agência europeia, o Centro Europeu de Prevenção e Controlo das Doenças (ECDC), revelam que, até ao momento, 75,4% da população adulta na UE está totalmente vacinada, enquanto 80,6% tomou apenas a primeira dose.

Isto equivale a 275 milhões de pessoas com o esquema de vacinação completo, segundo a página na Internet do ECDC referente à vacinação na UE e que tem por base dados dos Estados-membros.

Por países, existem grandes discrepâncias nas taxas de vacinação, entre os 26,4% de vacinação total na Bulgária e os 92,3% na Irlanda.

Também a OMS avisou esta quinta-feira que a situação da pandemia de covid-19 na Europa é “muito preocupante” e apontou a cobertura insuficiente de vacinas e o relaxamento de restrições para explicar o aumento de casos nas últimas semanas.

“Estamos em outro ponto crítico para a eclosão da pandemia. A Europa está mais uma vez no epicentro da pandemia, onde estávamos há um ano. A diferença, hoje, é que sabemos mais e podemos fazer mais”, disse o director da Organização Mundial da Saúde (OMS) Europa, Hans Kluge, numa conferência de imprensa.

Diário de Notícias
DN
05 Novembro 2021 — 15:17

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1215: Pandemia teve “impacto significativo” nos idosos. Saúde mental é das áreas mais afectadas

SAÚDE MENTAL/IDOSOS/PANDEMIA

Pedro Sarmento Costa / Lusa

Principais consequências registam-se ao nível da saúde mental, com muitos idosos a admitirem que se sentiram mais sós e com mais mostras de ansiedade.

Os idosos, a quem foi pedida especial cautela durante a pandemia por serem o maior grupo de risco, sofreram um “impacto significativo” motivado pela crise sanitária e pelas medidas implementadas tendo em vista a limitação da circulação do vírus. Esta é uma das conclusões de um estudo feito por investigadores portugueses que contou com a participação de 1080 pessoas, com idades superiores aos 60 anos, e que decorreu entre Junho e Agosto de 2020. De facto, 16% dos inquiridos afirmou não ter saído de casa e 80% disse não ter visitado os seus familiares pelo menos com a regularidade com que faziam anteriormente.

O estudo resultou num artigo científico intitulado Impacto da covid-19 na População Idosa em Portugal: Resultados do Survey of Health, Ageing and Retirement que foi publicado na revista Acta Médica Portuguesa. Nele é possível ler que houve uma “diminuição da socialização e na deterioração de hábitos de vida” das pessoas mais velhas, com impacto na saúde mental.

Como referido anteriormente, os investigadores do Centro Hospitalar Lisboa Norte, da Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa e do Instituto de Ciências Sociais da Universidade do Minho destacam que “aos mais velhos foi pedida especial cautela, muitas vezes com os bens essenciais levados a suas casas”, o que resultou “num confinamento importante e grande alteração das suas rotinas, com um pano de fundo de incerteza“.

De acordo com os dados divulgados, dois 1080 participantes, 55% tinham entre 60 e 69% anos, 27% tinham entre 70 e os 79 anos, 15% tinham entre 80 e 89 anos e 3% tinham mais de 90 anos. No que concerne aos resultados, 16% dos inquiridos disse não ter saído de casa desde o início da pandemia e só 23% revelaram ter mantido “os mesmos hábitos de sair de casa para fazer uma caminhada, tal como antes da pandemia”.

Na mesma linha, 29% dos participantes afirmou que não voltaram a fazer caminhadas e 35% reduziram estes hábitos, cita o jornal Público. “Apenas 8% dos inquiridos mantiveram as visitas a familiares com a mesma regularidade e mais de 80% deixaram de visitar ou visitaram familiares com menos regularidade“, pode ler-se no artigo.

No que respeita à saúde mental, 31% dos participantes admitiram sentir-se mais sós desde o início da pandemia, ao passo que 80% referiram ter mais ansiedade ou nervosismo desde o início da pandemia e 73% afirmaram sentir-se mais tristes ou deprimidos. Em 30% dos inquiridos, houve perturbações no sono. “Sabe-se que existe uma associação importante entre o sedentarismo e a depressão nos mais velhos, sendo a actividade física uma estratégia preventiva e também curativa da depressão nos idosos“, especificam os investigadores.

Num outro campo, o dos cuidados de saúde, o estudo revela que 12% dos inquiridos “desistiram de algum cuidado médico por medo de serem infectados”, enquanto 56% revelaram que “houve um atraso nos seus tratamentos devido à pandemia”. Em 8% dos casos, esses tratamentos terão sido “negados“. Ainda assim, mais de 80% das pessoas consideraram que o seu estado de saúde não se alterou como consequência da pandemia.

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ZAP
5 Novembro, 2021

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1214: 138 votos a favor. Eutanásia novamente aprovada no Parlamento

– Aos “beatos” cristãos que não aprovaram a eutanásia, apenas questiono: é um acto de “cristandade” deixar uma pessoa sofrer, com doença incurável, além do sofrimentos dos seus familiares até ao último minuto de sopro de vida?

SAÚDE PÚBLICA/EUTANÁSIA APROVADA

Diploma foi alterado depois da declaração de inconstitucionalidade do Tribunal Constitucional e volta agora a Belém com os conceitos mais explicitados.

© Leonardo Negrão/Arquivo Global Imagens

A despenalização da morte medicamente assistida foi novamente aprovada, esta tarde, na Assembleia da República, com 138 votos a favor, 84 contra e cinco abstenções.

Uma votação muito semelhante à que se registou a 29 de Janeiro, quando a eutanásia foi aprovada em votação final global com com 136 votos a favor, 78 contra e 4 abstenções. Desta vez, mais dois deputados votaram a favor e mais seis votaram contra – o que se explica pela presença de um maior número de parlamentares no hemiciclo.

Votaram a favor do texto 101 deputados do PS, os 19 parlamentares do Bloco de Esquerda, três do PAN, dois do PEV, um da Iniciativa Liberal e as duas deputadas não inscritas, Joacine Katar Moreira e Cristina Rodrigues. Votaram igualmente a favor 13 deputados do PSD, entre os quais o líder do partido, Rui Rio.

Na bancada social-democrata houve ainda três abstenções, a que se somaram duas no PS.

A restante bancada social-democrata votou contra, tal como os cinco deputados do CDS e o deputado único do Chega. Sete deputados do PS também votaram contra o diploma.

A nova versão do texto, que explicita os conceitos visados pelo Tribunal Constitucional, volta agora a Belém e é possível que Marcelo Rebelo de Sousa, depois da declaração de inconstitucionalidade do decreto, volte a submeter o texto à apreciação dos juízes do Palácio Ratton. Recorde-se que, em Março, uma maioria de sete juízes contra cinco declarou o diploma inconstitucional, questionando nomeadamente o conceito de “lesão definitiva de gravidade extrema de acordo com o consenso científico”. Uma formulação que, para o TC, “não permite, ainda que considerado o contexto normativo em que se insere, delimitar com o indispensável rigor as situações da vida em que pode ser aplicado”.

A imprecisão dos conceitos usados no texto tinha já sido o fundamento do pedido de fiscalização da constitucionalidade de Marcelo Rebelo de Sousa. “Considerando que recorre a conceitos excessivamente indeterminados, na definição dos requisitos de permissão da despenalização da morte medicamente assistida, e consagra a delegação, pela Assembleia da República, de matéria que lhe competia densificar, o Presidente da Republica decidiu submeter a fiscalização preventiva de constitucionalidade o decreto da Assembleia da República”, referia então uma nota da Presidência.

Deputados precisaram conceitos visados pelo TC

Em Março o diploma voltou ao Parlamento, tendo sido alterado num grupo de trabalho com membros dos cinco partidos que avançaram com os projectos de lei iniciais que vieram a dar origem a um texto único – PS, Bloco de Esquerda, PAN, PEV e Iniciativa Liberal.

As alterações consistem no aditamento de um novo artigo que clarifica os conceitos de morte medicamente assistida, suicídio medicamente assistido, eutanásia, doença grave ou incurável, lesão definitiva ou de gravidade extrema, sofrimento, médico orientador e médico especialista. Uma solução muito próxima da lei espanhola, um processo legislativo que chegou a correr a par do português, mas que entretanto já teve desfecho: em Junho a morte medicamente assistida passou a ser legal, tornando a Espanha no quinto país europeu a admitir a antecipação da morte.

O diploma que regressará agora às mãos do Presidente da República define como “morte medicamente assistida” a que “ocorre por decisão da própria pessoa, em exercício do seu direito fundamental à autodeterminação e livre desenvolvimento da personalidade, quando praticada ou ajudada por profissionais de saúde”.

O “suicídio medicamente assistido” é definido como a “auto-administração de fármacos letais, pelo médico ou profissional de saúde devidamente habilitado para o efeito”.

A doença grave ou incurável é definida como “doença grave, que ameace a vida, em fase avançada e progressiva, incurável e irreversível, que origina sofrimento de grande intensidade”.

No que diz respeito à “lesão definitiva de gravidade extrema”, passa a considerar-se “lesão grave, definitiva e amplamente incapacitante que coloca a pessoa em situação de dependência de terceiro ou de apoio tecnológico para a realização das actividades elementares da vida diária, existindo certeza ou probabilidade muito elevada de que tais limitações venham a persistir no tempo sem possibilidade de cura ou de melhorias significativas”.

Os deputados dos cinco partidos definiram ainda “sofrimento intolerável” como “um sofrimento físico, psicológico e espiritual, decorrente de doença grave ou incurável ou de lesão definitiva de gravidade extrema, com grande intensidade, persistente, continuado ou permanente e considerado intolerável pela própria pessoa”.

Também as definições de “médico orientador” e “médico especialista” foram precisadas. No primeiro caso, especificou-se que é quem “tem a seu cargo coordenar toda a informação e assistência ao doente, sendo o interlocutor principal do mesmo durante todo o processo assistencial, sem prejuízo de outras eventuais obrigações que possam caber a outros profissionais”. Este é “indicado pelo doente”. O especialista é o clínico “da patologia “que afecta o doente e que não pertence à mesma equipa do médico orientador”.

Ontem, na discussão do novo texto, os partidos voltaram a enunciar os argumentos, pró e contra, que se repetem desde o início da discussão. Mas nas bancadas do PSD e do CDS ouviram-se novas críticas quanto ao timing desta aprovação, com o líder parlamentar social-democrata, Adão Silva, a apontar o “frenesim de última hora” e a aprovação à “25ª hora” – leia-se em vésperas de dissolução da Assembleia da República – de uma matéria que qualificou como “transcendental”. Adão Silva, que é favorável à despenalização da morte medicamente assistida, absteve-se na votação desta tarde.

susete.francisco@dn.pt

Diário de Notícias
Susete Francisco
05 Novembro 2021 — 13:00

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Reforço em ‘casa aberta’ a partir de 80 anos na segunda-feira

SAÚDE PÚBLICA/PANDEMIA/VACINAÇÃO/CASA ABERTA/80 ANOS

A directora-geral da Saúde, Graça Freitas, defendeu que também será possível aos que têm 70 ou mais anos fazerem auto agendamento da dose de reforço contra a covid-19.

© Rui Manuel Fonseca /Global Imagens

O reforço da vacina contra a covid-19 vai funcionar em modalidade ‘casa aberta’ para quem tem 80 ou mais anos a partir de segunda-feira e já decorre o levantamento nos hospitais e centros de saúde para o reforço nos profissionais de saúde.

A directora-geral da Saúde, Graça Freitas, disse esta sexta-feira à Lusa que a partir de segunda-feira também será possível aos que têm 70 ou mais anos fazerem auto agendamento da dose de reforço contra a covid-19.

“Começámos pelos mais vulneráveis, nos lares e na rede de cuidados continuados, que estão praticamente todos, tanto os residentes como os profissionais dessas instituições. Agora estamos em plena fase de vacinação de pessoas com 80 ou mais anos”, explicou a responsável.

Graça Freitas disse que estes utentes têm sido convocados via SMS e têm podido igualmente agendar a sua dose de reforço, e revelou que, a partir de segunda-feira, podem usar também a modalidade ‘casa aberta’, tal como aconteceu com a vacinação.

“Existem duas formas: uma delas é entrar no portal da Direcção Geral da Saúde e tirar uma senha de marcação digital (…), escolhendo um um dia e hora mais conveniente e a outra hipótese é recorrer a um centro de vacinação, de preferência da parte da tarde, para ser vacinados, o que recomendamos fortemente, tanto na dose de reforço, como no caso da vacinação contra a gripe”, afirmou.

“Estamos em plena campanha vacinação para nos protegermos em relação ao Inverno que se aproxima e a prioridade é vacinar com a dose de reforço contra a covid-19 os que tem mais de 65 anos, vacinando também contra a gripe, neste caso também as grávidas e outras pessoas com algumas doenças”, acrescentou.

Graça Freitas adiantou que também a partir de segunda-feira o auto-agendamento da dose de reforço fica disponível para os que têm 70 anos ou mais, lembrando: “só podem levar a dose de reforço contra a covid pelo menos 180 dias depois da dose anterior da vacina”.

“Algumas pessoas poderão ainda não ter esse intervalo, mas a maior parte já está apta”, afirmou.

Sobre a escolha do centro de vacinação, Graça Freitas diz que, quem não puder levar a dose de reforço no mesmo centro onde lhe foi administrada a vacina contra a covid-19, não deixará de ser vacinado.

“Se não puder ser não terá problema, pois todos os centros têm acesso ao sistema electrónico onde está registada a história vacinal das pessoas. Não queremos perder oportunidades de vacinação, nem deixar de vacinar alguém que quer ser vacinado”, afirmou.

Questionada sobre a dose de reforço nos restantes profissionais de saúde, Graça Freitas disse que isso “já está a ser feito”, explicando que quando a comissão técnica de vacinação recomendou a dose de reforço apontou as pessoas com 65 ou mais anos e os profissionais de saúde e profissionais do sector social que lidam directamente com os doentes.

“A prioridade vai para lares e para os com mais de 80, mas já abrimos para os restantes profissionais de saúde. Nos lares e na rede de cuidados continuados foram vacinados utentes e profissionais e já estão a ser levantadas as necessidade e enviadas vacinas para os centros de saúde e hospitais de todo o sistema de saúde, não só no SNS”, explicou.

Sobre a possibilidade de abranger com a dose de reforço outros profissionais, no âmbito da resiliência do Estado, tal como aconteceu com a vacinação primária da covid-19, a responsável respondeu: “estamos a administrar as doses de reforço de acordo com a evidência científica, que indica que a efectividade da vacina é menor nos mais velhos, logo, essas são aquelas pessoas que têm de ser protegidas”.

“Por agora, vamos vacinar com a dose de reforço os mais vulneráveis, acima dos 65 anos, dando também uma dose adicional aos imuno-suprimidos, independentemente da idade, e aos profissionais de saúde e do sector social que cuidam destes doentes. Só faremos novas alterações se saírem outras evidências que indiquem que é necessário reforçar outros grupos”, acrescentou.

Diário de Notícias
Lusa
05 Novembro 2021 — 13:04

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