1180: 832 novos casos de covid-19 e 6 mortes nas últimas 24 horas

– “Pandemia já matou mais de 4,9 milhões de pessoas em todo o mundo“. Como é que uma “gripezinha” consegue matar tanta gente?

SAÚDE PÚBLICA/COVID-19/INFECÇÕES/MORTES

Há agora 299 internados, dos quais 60 estão em unidades de cuidados intensivos, indicam os dados do relatório diário da DGS.

Centro de vacinação contra a covid-19 em Viana do Castelo
© Rui Manuel Fonseca/Global Imagens

Portugal registou, em 24 horas, 832 novos casos de covid-19, segundo o boletim epidemiológico da Direcção-Geral da Saúde (DGS). Relatório desta terça-feira (19 de Outubro) dá conta de mais seis mortes associadas à infecção pelo novo coronavírus.

Dados mostram que há agora 299 internados, menos 13 que no dia de ontem, dos quais 60 estão em unidades de cuidados intensivos (menos dois).

No que diz respeito a regiões, Lisboa e Vale do Tejo contabilizou 317 novas infecções e três mortos, sendo que o Norte contabilizou 251 novos casos e dois óbitos.

A outra vítima mortal foi registada no Centro, que teve ainda 169 novos casos de covid-19. O Algarve somou 41 casos, o Alentejo registou 32, a Madeira ficou pelos 14 e os Açores contabilizou oito novas infecções.

Portugal soma, ao dia de hoje, 30.021 casos activos da doença, indica ainda o boletim da DGS, numa altura em o índice de transmissibilidade do SARS-CoV-2, denominado R(t), está acima de 1, segundo a última actualização.

Casos na faixa etária que vai dos 20 aos 29 anos aumentam R(t)

Ouvido pelo DN, o epidemiologista Carlos Antunes diz que aumento do R(t) se deve aos jovens e que os casos na faixa etária que vai dos 20 aos 29 anos não podem passar para os idosos. Só assim se conseguirá mitigar o risco das cadeias de transmissão.

Segundo o especialista da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa, que integra a equipa que faz a modelação da doença desde o início da pandemia, o aumento do R(t) “não é alarmante”, mas é um sinal.

“Se conseguirmos vacinar a população acima dos 65 anos com a terceira dose o mais depressa possível, podemos mitigar o risco”, considera.

Filipe Froes, pneumologista e coordenador do Gabinete de Crise para a Covid-19 da Ordem dos Médicos, concorda que este aumento “é um sinal de que é preciso vacinar rapidamente os mais de 2,2 milhões de pessoas acima dos 65 anos, que são a população mais vulnerável”.

Pandemia já matou mais de 4,9 milhões de pessoas em todo o mundo

Ainda no que se refere à evolução da pandemia, a covid-19 é responsável por pelo menos 4.902.638 pessoas em todo o mundo desde o final de Dezembro de 2019, segundo um balanço realizado pela agência de notícias francesa AFP com base em fontes oficiais.

Mais de 241.039.700 casos de infecção foram oficialmente diagnosticados desde o início da pandemia.

Os Estados Unidos são o país mais afectado em termos de mortes e casos, com 726.201 mortes para 45.051.076 casos, de acordo com o levantamento mais recente realizado pela Universidade Johns Hopkins.

Diário de Notícias
DN
19 Outubro 2021 — 14:51

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1179: Casos nos 20 aos 29 anos aumentam R(t). É preciso reforçar vacinação dos mais velhos rapidamente

SAÚDE PÚBLICA/COVID-19/INFECÇÕES

O epidemiologista Carlos Antunes diz que aumento do R(t) se deve aos jovens e que os casos nesta faixa etária não podem passar para os idosos. Só assim se conseguirá mitigar o risco das cadeias de transmissão.

Jovens fizeram filas à porta de discotecas quando abriram pela primeira vez ao fim de ano e meio.
© Igor Martins Global Imagens

Em quatro dias, a incidência por 100 mil habitantes passou de 83,2 tanto no país como no continente, para 84,3 e 84,7, respectivamente. O R(t) – índice de transmissibilidade – subiu de 0,97 e 0,98 para 1.01 e 1.02, no país e no continente. Segundo Carlos Antunes, da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa, que integra a equipa que faz a modelação da doença desde o início da pandemia, “não é um aumento alarmante”, mas é um sinal. “Se conseguirmos vacinar a população acima dos 65 anos com a terceira dose o mais depressa possível, podemos mitigar o risco”. Filipe Froes, pneumologista e coordenador do Gabinete de Crise para a Covid-19 da Ordem dos Médicos, concorda que este aumento “é um sinal de que é preciso vacinar rapidamente os mais de 2,2 milhões de pessoas acima dos 65 anos, que são a população mais vulnerável”.

Como referiu ao DN o professor da Faculdade de Ciências, o aumento de casos a que estamos a assistir resulta da abertura total da sociedade a partir de 1 de Outubro. “O aumento de casos que tivemos em Setembro incidiu nas camadas mais novas, dos zero aos 10-12 anos e depois até aos 17 anos, devido à abertura de creches e das escolas. Os surtos registados nestas idades não tiveram muito significado, porque se conseguiu que não passassem a barreira das faixas etárias dos pais e dos avós.”

Mas, a partir de dia 1 de Outubro, a faixa que mais tem crescido em número de casos e que está a empurrar a incidência e o R(t) para 1.0 ou para mais de 1.0 é a dos 20 aos 29 anos. “É a faixa dos universitários, a faixa que mais convive socialmente, em restaurantes, bares, discotecas, festas ao ar livre e na qual ainda há uma margem de população que não terminou o seu esquema vacinal”, refere Carlos Antunes.

Aliás, sublinha, “é esta faixa que está a empurrar a incidência e o R(t), mas se conseguirmos fazer com que as cadeias de transmissão não saiam destas faixas etárias – ou seja, se conseguirmos vacinar quem ainda não foi e protegermos os mais vulneráveis -, poderemos dizer, então, que se consegue mitigar o risco” de se vir a desenvolver na comunidade mais infecções e com mais gravidade.

Carlos Antunes e Filipe Froes consideram ambos que já se pode dizer que o país, ao contrário de outros, já está a viver uma situação endémica – uma situação em que já é possível controlar os surtos -, mas, lembram, não se poder esquecer que vamos entrar numa época do ano que favorece o vírus e as infecções respiratórias. “Vamos ter mais frio e mais chuva e não sabemos como vai reagir o sistema imunitário, sobretudo dos mais velhos”, argumenta Carlos Antunes. “Até porque, a maioria desta faixa etária já foi vacinada há mais de seis meses e sabemos hoje que ao fim deste tempo os anticorpos nos mais velhos também ficam mais reduzidos.”

291 casos. Este é o número de infecções positivas à covid-19 registadas ontem. Havendo três mortes e mais 17 internamentos, passando o total para 312, dos quais 64 em unidades de cuidados intensivos. Portugal soma neste momento 1.080.097 de infectados e 18.100 óbitos, desde o início da pandemia.

O pneumologista Filipe Froes relembra também esta situação, sustentando, por isso, ser necessário “vacinar rapidamente os 2,2 milhões de pessoas acima dos 65 anos. São a população mais vulnerável e estamos a entrar precisamente no período do ano que mais favorece o vírus, que é o outono e o inverno. O verão foi favorável ao humano e desfavorável ao vírus, a época que se segue funciona precisamente ao contrário. Reúne todas as condições que favorecem o SARS-CoV-2 e outros vírus, como o da gripe, que levam ao desenvolvimento de infecções respiratórias”.

Recorde-se que Portugal foi o primeiro país do mundo a atingir há duas semanas um recorde na vacinação, 85% de população vacinada. Isto significa algo, dizem os especialistas, quanto mais não seja o facto de, em Setembro, as cadeias de transmissão registadas nos mais novos não terem passado para as faixas etárias adultas. No entanto, e apesar dos 85% de vacinados, é normal que, com a abertura total das actividades económicas desde o 1 de Outubro, desde restaurantes, concertos, bares e discotecas, o número de infecções aumente entre os não vacinados.

Os especialistas sublinham que o aumento que se está a registar nos últimos dias da incidência e do R(t) não é comparável aos registados no início do verão com a quarta vaga, mas pode significar que temos de continuar “a antecipar, monitorizar e a prevenir muito bem as situações de infecção”, defende Filipe Froes.

Com a vacinação, explica ainda, “conseguimos separar o aumento de casos da doença da sua gravidade, mas é preciso que esta situação se mantenha”, defendendo ainda que após a vacinação dos idosos com a terceira dose, se deve “avançar para os grupos de risco, como profissionais de saúde, professores, forças de segurança, etc.”

O epidemiologista da Faculdade de Ciências de Lisboa Carlos Antunes explica ao DN que a análise da sua equipa se tem centrado agora nas faixas etárias por regiões, tendo já concluído que o aumento de casos está a ocorrer em zonas urbanas com uma dimensão de população universitária elevada, casos de Lisboa, Porto e Coimbra.

De qualquer forma, argumenta, “se conseguirmos que estas cadeias de transmissão não passem para outras faixas etárias é normal que o R(t) estabilize em 1 e a incidência também, sem que seja necessário tomar novas medidas de restrição”.

Diário de Notícias
Ana Mafalda Inácio
19 Outubro 2021 — 00:11

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