1167: Aspirina para prevenir primeiro enfarte deve ser tomada só por pessoas com risco cardiovascular

SAÚDE PÚBLICA/ASPIRINA/PREVENÇÃO

Rui Guerreiro, coordenador do grupo de estudo de tromboses e plaquetas da Sociedade Portuguesa de Cardiologia (SPC), admite que a aspirina previne enfartes e AVC, mas refere que a informação mais actualizada indica que isso “tem um custo” ao nível dos efeitos secundários.

A toma regular da aspirina para prevenir um primeiro ataque cardíaco ou um acidente vascular cerebral (AVC) deve ser feita apenas por quem apresenta elevado risco cardiovascular e mediante acompanhamento médico, alertou esta quarta-feira um especialista.

“Só num grupo restrito de pessoas com muito risco cardiovascular pode ser benéfico fazer aspirina antes de qualquer evento cardiovascular”, adiantou Rui Guerreiro, coordenador do grupo de estudo de tromboses e plaquetas da Sociedade Portuguesa de Cardiologia (SPC), à Lusa.

Segundo o médico, nas pessoas que nunca tiveram um enfarte ou um AVC, os últimos estudos mostram que, embora o medicamento “previna a ocorrência destes eventos, tem um custo significativo” de aumento da possibilidade de hemorragias, principalmente ao nível gastro-intestinal.

“Na prevenção primária, o que sabemos hoje em dia é que [a aspirina] deve ser feita apenas num grupo muito restrito de pessoas com muito alto risco cardiovascular”, adiantou Rui Guerreiro, exemplificando com os casos de pessoas com diabetes com mais de 20 anos de evolução ou com doenças genéticas.

Relativamente a quem já tive um enfarte ou um AVC, o membro da SPC avançou que estas pessoas “continuam a ter indicação para fazer aspirina”, por prescrição e com acompanhamento médico.

A aspirina torna o sangue mais fino, o que evita a formação de coágulos sanguíneos e ajuda a reduzir o risco de ataque cardíaco ou AVC.

De acordo com Rui Guerreiro, desde há muito tempo que se constatou que a aspirina previne enfartes e AVC, mas a informação mais actualizada indica que isso “tem um custo” ao nível dos efeitos secundários.

“Esta prática clínica em prevenção primária já não é actual. Desde há alguns anos que temos esta informação e as recomendações traduzem exactamente isso. É uma prática que tem vindo a ser abandonada com base nos últimos estudos”, adiantou o cardiologista.

Especialistas norte-americanos adiantaram na terça-feira que a ingestão diária de aspirina para reduzir este risco não deverá ser recomendada para pessoas com 60 ou mais anos, nos Estados Unidos da América.

“Usar aspirina diariamente pode ajudar a prevenir ataques cardíacos e de acidente vascular cerebral em alguns [casos], mas também pode causar efeitos adversos graves, como hemorragia interna”, disse John Wong, membro da ‘task force’ dos Serviços Preventivos dos EUA, citado em comunicado.

Por seu lado, as pessoas de 40 e 59 anos em risco, mas sem histórico de doenças cardiovasculares, devem tomar a decisão de começar o tratamento de forma individual, junto dos médicos, acrescentaram os especialistas dos EUA.

“É importante que as pessoas entre os 40 e os 59 anos que não têm histórico de doenças cardíacas conversem com o seu médico para decidirem em conjunto se é correto ingerirem aspirina”, adiantou John Wong.

O comunicado da ‘task force’ dos EUA acrescenta que as novas recomendações não se aplicam a pessoas que tomam aspirina depois de já terem sofrido um AVC ou um ataque cardíaco.

É estimado que cerca de 600 mil norte-americanos sofrem um primeiro ataque cardíaco e que cerca de 610 mil sofrem o primeiro AVC todos anos.

O uso da aspirina para reduzir o risco de doenças cardiovasculares costuma ser iniciado de forma espontânea pelos norte-americanos. De acordo com um estudo de 2017, eram 23,4% que usavam aspirina.

De acordo com Rui Guerreiro, esta conclusão dos especialistas norte-americanos “não é diferente da posição” da Sociedade Europeia de Cardiologia, que consta das recomendações sobre prevenção cardiovascular emitidas recentemente.

Diário de Notícias
DN/Lusa
13 Outubro 2021 — 18:51

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1166: 9 mortos e 828 casos. Incidência e R(t) a subir

SAÚDE PÚBLICA/COVID-19/INFECÇÕES/MORTES

Dados da DGS mostram que nos hospitais portugueses há agora 335 pessoas internadas com covid-19. Incidência e R(t) sobem. Há mais casos esta quarta-feira que nas 24 horas anteriores, são agora 828.

Unidade de cuidados intensivos do Hospital Pedro Hispano, em Matosinhos
© Artur Machado / Global Imagens

Foram confirmados, em 24 horas, 828 novos casos de covid-19 em Portugal, indica o boletim epidemiológico da Direcção-Geral da Saúde (DGS). Há também a registar mais nove mortes, segundo o relatório desta quarta-feira (13 de Outubro).

Os dados sobre a situação nos hospitais portugueses mostram que há agora 335 internados (ontem eram 345), dos quais 54 estão em unidades de cuidados intensivos (ontem era 56 em UCI).

Quer a incidência quer o R(t) subiram esta quarta-feira. Agora a incidência nacional é de 83,2 casos de infecção por SARS-CoV-2/ COVID-19 por 100 000 habitantes. No Continente: 83,2 casos de infecção por SARS-CoV-2/ COVID-19 por 100 000 habitantes.

Já o R(t) a nível nacional é de 0,97 e no Continente de 0,98.

A DGS fez também saber esta quarta-feira que as pessoas com esquema vacinal completo há mais de 14 dias deixam de precisar de fazer testes de rastreio covid nalguns contextos, como reuniões familiares e eventos culturais, desportivos ou cooperativos.

A norma actualizada pela DGS, indica que ficam também dispensados de testes de rastreio periódico os residentes, utentes e profissionais de alguns locais, designadamente unidades de Cuidados Continuados Integrados e instituições de apoio a migrantes e refugiados, assim como nos estabelecimentos prisionais e centros educativos que apresentem esquema completo há mais de 14 dias.

Nos lares de idosos, mantém-se a indicação de realização de testes periódicos aos residentes, utentes e profissionais, independentemente do seu estado vacinal, como medida de protecção adicional para estas populações mais vulneráveis.

Mais de 8,8 milhões de portugueses com vacinação completa

Novas regras na Estratégia Nacional de Teste numa altura em que mais de 8,8 milhões de pessoas já têm a vacinação completa em Portugal (85%).

A região Norte do continente é aquela onde existe a maior percentagem de população totalmente vacinada (87%), informou a autoridade nacional da Saúde na terça-feira.

Segundo o relatório semanal da DGS sobre a vacinação, que contabiliza a vacinação desde 27 de Dezembro de 2020 até ao último domingo, a região do Algarve é a única com uma taxa de vacinação completa abaixo dos 80% (79%).

A seguir à região norte do país, o Alentejo é aquela onde se regista uma maior taxa de pessoas com vacinação completa (86%), seguindo-se Lisboa e Vale do Tejo (83%), Madeira (82%) e Açores (82%).

O relatório refere que no total do país mais de 8,8 milhões de pessoas (85%) já completaram a vacinação contra o vírus SARS-CoV-2, e que mais de 8,9 milhões (87%) receberam pelo menos uma dose.

Diário de Notícias
DN
13 Outubro 2021 — 14:18

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1165: Eis a Melhor Forma de Lavar a Sua Máscara

SAÚDE PÚBLICA/CIÊNCIA/MÁSCARAS

Quer esteja a usar uma máscara cirúrgica descartável ou uma máscara de tecido, eis como garantir que o seu equipamento de protecção permanece higienizado.

Se costuma sair de máscara e luvas, descubra como as limpar, quando as deve descartar e as razões pelas quais não deve recear a presença do coronavírus nas suas roupas.
Fotografia de Bobby Doherty, National Geographic

Usar uma máscara em público costumava estar associado ao Carnaval, ao Halloween, ou a um assalto a um banco. Contudo, em poucos meses, devido à COVID-19, esta peça de vestuário tornou-se num item do nosso quotidiano.

A Organização Mundial de Saúde recomenda a utilização de uma máscara cirúrgica – como as usadas nos hospitais – apenas se nos sentirmos doentes ou se estivermos a cuidar de uma pessoa doente. O Centro de Controlo e Prevenção de Doenças (CDC) dos EUA vai ainda mais longe e aconselha uma protecção de tecido para quem necessita de frequentar locais com muitas pessoas. E há quem exceda estas directrizes oficiais e use também luvas reutilizáveis ou descartáveis.

Contudo, os especialistas alertam que a utilização indevida de qualquer um destes equipamentos de protecção pode potencialmente resultar numa exposição a germes – porque as próprias máscaras e luvas ficam contaminadas se não forem limpas ou trocadas com frequência, e podem contaminar as nossas mãos ou coisas em que mais tarde tocamos sem protecção.

“Quando vejo alguém [a usar luvas] a tocar em balcões e depois coloca as mãos na carteira, penso: Agora criaram uma contaminação cruzada e anularam qualquer protecção que estejam a usar”, diz Jade Flinn, educadora de enfermagem na unidade de bio-contenção da Universidade Johns Hopkins, em Baltimore, Maryland.

O distanciamento social e a lavagem frequente das mãos continuam a ser as melhores armas, dizem os especialistas, para evitar a propagação ou infecção por SARS-CoV-2, o vírus responsável por esta pandemia global.

O CDC publicou instruções passo a passo para a remoção das luvas e recomenda que se lavem as mãos depois deste processo.
Fotografia de Bobby Doherty, National Geographic

Se costuma sair de máscara e luvas, descubra como as limpar, quando as deve descartar e as razões pelas quais não deve recear a presença do coronavírus nas suas roupas.

Como limpar uma máscara de tecido
De acordo com a OMS e o CDC, um ciclo de lavagem padrão na máquina da roupa é suficiente para retirar o coronavírus dos tecidos.

“Dado que se trata de um vírus envelopado, é muito susceptível aos detergentes”, diz Rachel Graham, virologista da Universidade da Carolina do Norte, em Chapel Hill. O envelope que encapsula vírus como a influenza e o SARS-CoV-2 é composto por uma camada delicada de proteínas e lípidos oleosos, que se mantêm unidos através de uma tensão superficial.

Os detergentes para a roupa e os sabonetes contêm surfactantes, químicos que desfazem facilmente o envelope, reduzindo a tensão superficial, explica Joshua Santarpia, patologista do Centro Médico da Universidade do Nebrasca, em Omaha. As moléculas de surfactante têm uma extremidade que é atraída pelos óleos e gorduras, e outra que é atraída pela água. A extremidade atraída pelo óleo encaixa-se no envelope do coronavírus, quebrando-o. O restante fica preso em vagens circulares do surfactante, chamadas micelas, e é lavado pela água.

“A interacção deste surfactante com o envelope viral destrói rapidamente a capacidade de infecção do vírus”, diz Santarpia. Grande parte dos produtos de limpeza, sejam domésticos ou comerciais, contêm surfactantes potentes.

A temperatura da água da máquina de lavar não faz diferença, desde que se use detergente. “As máscaras de algodão suportam temperaturas mais elevadas; portanto, se se sentir mais confiante com uma lavagem de temperatura mais elevada, pode fazê-lo”, diz Graham. E as concentrações de calor de um secador oferecem protecção adicional: é o suficiente para matar a maioria dos microrganismos.

E se estiver a usar uma máscara cirúrgica ou um respirador N95?
Ao contrário do que acontece com as máscaras de tecido, as máscaras cirúrgicas descartáveis são feitas de produtos sintéticos que não suportam o ciclo normal de lavagem da máquina.

“Se lavar estas máscaras, vai provocar muitos danos na sua capacidade de filtragem”, diz Santarpia. Os profissionais de saúde têm reutilizado os respiradores N95 por questões de necessidade – máscaras mais justas e em forma de cúpula que são consideradas as únicas que filtram eficientemente as pequenas partículas como os vírus. As instalações onde Flinn e Santarpia trabalham usam desinfectantes de nível hospitalar que preservam a integridade das máscaras durante o processo de limpeza.

E o hospital onde Santarpia trabalha, no Nebrasca, também está a higienizar máscaras com luz UV-C, um tipo de luz ultravioleta com muita intensidade energética. Isto permite que a equipa reutilize as suas máscaras várias vezes, diz Santarpia. De acordo com o CDC, como a UV-C é considerada mais intensa e tem mais probabilidades de provocar cancro do que a UV-A e a UV-B, esta forma de esterilização só deve ser feita com a supervisão de especialistas treinados na utilização de luz UV-C.

Para o público em geral, é importante lembrar que, idealmente, só se devem usar as máscaras cirúrgicas uma vez – e se for imperativo reutilizar a máscara, esta deve ser colocada de parte durante tempo suficiente para o vírus se degradar.

“A mensagem a reter é a de que o vírus pode permanecer infeccioso durante várias horas, potencialmente alguns dias, em várias superfícies, incluindo nas máscaras.”
por AMANDINE GAMBLE, UNIVERSIDADE DA CALIFÓRNIA, LOS ANGELES

E quanto tempo é? Os cientistas ainda estão a tentar descortinar exactamente qual é a duração do vírus SARS-CoV-2 nas superfícies, no ar e nas máscaras. As evidências preliminares divulgadas em finais de Abril, ainda sem uma revisão por pares, encontraram vestígios do coronavírus que persistiram durante um período considerável nos respiradores N95.

“A mensagem a reter é a de que o vírus pode permanecer infeccioso durante várias horas, potencialmente alguns dias, em várias superfícies, incluindo nas máscaras”, diz Amandine Gamble, uma das autoras do estudo e especialista em doenças infecciosas da Universidade da Califórnia em Los Angeles. Amandine suspeita que o coronavírus pode ficar nas fibras de uma máscara, representando um risco até que o germe se degrade espontaneamente com o tempo. Por esse motivo, o CDC desaconselha a utilização de um respirador N95 durante mais de oito horas no total e, a não ser que o fabricante tenha outras especificações, estes filtros faciais devem ser descartados após cinco reutilizações.

E mesmo fora dos hospitais, a reutilização continuada dos respiradores pode fazer com que o vírus se acumule ao longo do tempo e pode aumentar as probabilidades de exposição acidental do seu utilizador.

“É importante ter em mente que as probabilidades de infecção aumentam com o número de partículas virais encontradas”, diz Amandine. “Não é um processo de ligar-desligar, mas sim gradual.”

Podemos lavar e reutilizar luvas?
As organizações de saúde pública não recomendam a utilização de luvas de qualquer tipo para evitar a infecção por coronavírus.

“Desde que a nossa pele esteja intacta, é uma barreira imunitária muito eficaz”, diz Graham, acrescentando que também não existem evidências de que o coronavírus consiga atravessar ferimentos, e que não circula bem na corrente sanguínea.

Porém, para quem está muito preocupado, se não quiser seguir as directrizes de saúde e deseja ter uma camada de protecção extra, deve ter o mesmo tipo de cuidado que teria se não estivesse a usar luvas.

“A minha preocupação é a de que algumas pessoas pensem que estão protegidas pelas luvas”, diz Jane Greatorex, virologista da Universidade de Cambridge, no Reino Unido. “As luvas devem ser descartadas ou lavadas da mesma forma que lavamos as mãos.”

O CDC publicou instruções passo a passo para a remoção das luvas e recomenda que se lavem as mãos depois deste processo.

“As luvas descartáveis não devem ser lavadas, porque é provável que fiquem com brechas” diz Santarpia. “As pessoas devem concentrar-se muito mais na higienização das mãos do que na utilização de luvas.”

E em relação ao resto da roupa?
Ir ao supermercado não significa que precisamos de deitar a roupa fora. Os vírus envelopados, como o coronavírus, não sobrevivem facilmente em superfícies porosas, como nas camisas de algodão, em blusas de poliéster ou nas calças de ganga.

Os coronavírus propagam-se maioritariamente através de gotículas respiratórias, que são principalmente água e mantêm o vírus húmido até este atingir outro corpo. Com o passar do tempo – entre alguns dias a uma semana – os vírus secam e deterioram-se, diz Gerardo Lopez, microbiologista ambiental da Universidade do Arizona que estudou a forma como os vírus se transmitem em várias superfícies.

“Não é com as roupas que nos devemos preocupar.”

Com um germe que se propaga tão facilmente como o SARS-CoV-2, Gerardo diz que o importante é limpar tudo – mãos, máscaras, maçanetas das portas, telemóveis – que tenha contacto humano frequente. “Não subestime a possibilidade de um vírus permanecer nos objectos”, acrescenta Gerardo.

Não é com as roupas que nos devemos preocupar. Quando as gotículas respiratórias entram em contacto com um tecido como o algodão, o tecido absorve um pouco da humidade, seca as gotículas e expõe as partículas do vírus e o seu frágil envelope ao ar.

“A camada externa de lípidos seca e a proteína que necessita para se ligar aos receptores fica inoperante”, diz Gerardo. O material genético do vírus pode manter-se, “mas perde a sua viabilidade”, acrescenta. E as máquinas de lavar roupa tratam bem do resto.

Este artigo foi publicado originalmente em inglês no site nationalgeographic.com.

Por Sarah Gibbens
Publicado 1/06/2020, 15:34

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