1125: Colégio de Lisboa distribui aos pais carta aberta contra vacinação

SAÚDE PÚBLICA/SAÚDE MENTAL/NEGACIONISTAS

A denúncia partiu dos encarregados de educação do colégio “O Pelicano”, cuja direcção justificou ter-se limitado a distribuir aos funcionários e aos pais a informação que chegou.

Encarregados de educação de um colégio em Lisboa denunciaram esta sexta-feira ter recebido na escola uma carta aberta, datada de Julho, que considera que os jovens e as crianças não devem ser vacinados contra a covid-19, considerando a situação “muito peculiar”.

Em declarações à Lusa, Hugo Mouro disse ter achado a “situação muito estranha”, depois de ter percebido que os papéis que uma das auxiliares lhe tinha dado à entrada do estabelecimento de ensino tinham a ver com uma carta contra a vacinação e não sobre a questão da baixa da educadora do seu filho.

“Vi que estavam outros pais a receber os papéis, mas só quando cheguei ao carro vi o que eram. Como a educadora do meu filho está de baixa e não recebemos qualquer tipo de informação oficial até agora, pensei que era esse o caso”, começou por explicar.

No entanto, depois de ler os documentos em questão, a carta aberta datada de 24 de Julho, em que diversos médicos sustentam que a vacina contra a covid-19 tem poucos benefícios nos jovens e nas crianças, decidiu ir buscar o filho e retirá-lo da escola em questão.

Hugo Moura explicou que até ao dia de hoje não tinha qualquer tipo de queixa contra o colégio “O Pelicano”, adiantando ter investigado sobre o mesmo, na altura de escolher a escola do filho. “Ainda estou a processar, não estava nada à espera. Vê-se que a primeira folha do documento é descaracterizada, não há logótipo nenhum do colégio, só se encontra datada de 30 de Outubro e é assinado pela Direcção do Colégio.

Para o encarregado de educação, “não são as escolas a ditar a saúde pública”, pelo que se mostrou desagradado com a “situação peculiar” que viveu.

Outra encarregada de educação, que preferiu não ser identificada, confirmou igualmente que o documento de várias páginas tinha sido distribuído à entrada por uma auxiliar do colégio, na presença da directora da escola, que habitualmente se encontra numa das entradas a receber as crianças.

Na primeira folha do documento que foi facilitada à Lusa, tanto pelo encarregado de educação, como pela direcção da escola, lê-se: “Caros pais, os directores dos Agrupamentos de Escolas, de Escolas Secundárias, das Escolas Profissionais, das Escolas Básicas e dos Colégios Particulares recebemos a informação que juntamos”.

Numa resposta à Lusa via email, a direcção do colégio “O Pelicano” explicou ter recebido a carta aberta e ter entendido distribuir aos funcionários e aos pais a informação que chegou.

“No dia 30 de Setembro, a directora do colégio entregou estes papéis aos 19 funcionários. No dia 1 de Outubro foram entregues aos pais do grupo de crianças dos três anos”, refere a resposta assinada pela directora do colégio e vice-presidente da Fundação A Caridade, Marina Aires Pereira.

Em 24 de Julho deste ano, diversos médicos de diferentes especialidades mostraram-se contra a vacinação contra a covid-19 em crianças e jovens saudáveis, por considerarem que os benefícios de administração da vacina nesta população não superam os riscos.

Através de uma carta aberta, os especialistas sustentaram que o argumento de protecção dos mais idosos para justificar a vacinação em jovens “não é eticamente aceitável”, defenderam que a vacina tem poucos benefícios neste grupo etário, lembram que a doença se manifesta nesta população quase sempre de forma ligeira ou assintomática e apontam para alguns efeitos secundários mais graves, como uma relação das vacinas (Pfizer/BioNTech e Moderna) com um risco muito raro de inflamações cardíacas (miocardite e pericardite).

Rui Martins, da Confederação Nacional Independente dos Pais e Encarregados de Educação (CNIPE), avançou à Lusa “não ter tido qualquer tipo de queixa até ao momento” sobre este documento poder estar a ser distribuído em outras escolas do país.

“Não é normal [a situação]. Os pais que se negam à vacinação querem fazer prevalecer que esse é o caminho, mas tal não é correto. Tem a ver com a corrente negacionista, que respeitamos, mas os números da vacinação falam por si”, acrescentou.

Fonte do Ministério da Educação indicou à Lusa não ter conhecimento do caso, nem de qualquer tipo de queixa.

Também contactado pela Lusa, Rodrigo Queirós e Melo, da Associação dos Estabelecimentos de Ensino Particular e Cooperativo, revelou não ter tido conhecimento “nem deste caso, nem de nenhum semelhante no sector de escolas que engloba”.

Na carta, que se dirige aos “pais, avós, famílias, professores, profissionais de saúde, agentes e militares das forças de segurança e a todos quanto se preocupam com a humanidade” pode ler-se, entre outras frases, “esta ‘vacina’ pode matar ou deixar sequelas permanentes”.

Diário de Notícias
Lusa
01 Outubro 2021 — 16:48

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1124: Mais 696 casos e 4 mortos em Portugal nas últimas 24 horas

SAÚDE PÚBLICA/COVID-19/INFECÇÕES/MORTES

Portugal tem agora 357 pessoas internadas devido ao SARS-CoV-2, segundo o boletim diário da Direcção-Geral da Saúde.

Centro de vacinação em Ponta Delgada, nos Açores
© EDUARDO COSTA/LUSA

No dia em que entra vigor a última fase do desconfinamento, o boletim epidemiológico da Direcção-Geral da Saúde (DGS) dá conta que, em 24 horas, foram registados 696 novos casos de covid-19 e mais quatro mortes em Portugal.

Segundo o relatório desta sexta-feira (1 de Outubro), há agora 357 internados, dos quais 67 estão em unidades de cuidados intensivos, sendo que Portugal soma actualmente 30 501 casos activos da doença.

Esta sexta-feira é marcada pela entrada em vigor da última fase de levantamento de restrições em Portugal continental, numa altura em que o país está muito perto de atingir os 85% da população totalmente vacinada.

Esta última etapa do plano desconfinamento implica, por exemplo, a reabertura dos espaços de diversão nocturna, encerrados desde Março de 2020. Já os restaurantes, cafés e a generalidade do comércio deixam de estar sujeitos a um limite máximo de clientes.

Os espectáculos culturais deixam de ter limitação de lotação, mas será exigido o certificado digital para grandes eventos culturais, e os clientes dos restaurantes e os hóspedes dos hotéis vão deixar de ter de apresentar o certificado de vacinação ou o teste negativo à covid-19.

DGS publica novo referencial para escolas

O uso de máscara será obrigatório nos transportes públicos, nas Lojas de Cidadão, nas salas de espectáculos, nos cinemas, nas salas de congressos, nos recintos de eventos, nos serviços de saúde e nas estruturas residenciais para idosos, assim como nos espaços comerciais com área superior a 400 metros quadrados, incluindo centros comerciais.

Também nesta sexta-feira foi publicada a nova versão do Referencial Escolas para o ano lectivo 2021/2022, no qual a DGS esclarece as regras quanto ao uso de máscara, a testagem e isolamento profilático.

No documento, a autoridade nacional da Saúde indica, por exemplo que o uso de máscaras no recreio das escolas deixa de ser obrigatório, mas é recomendado “sempre que se verifiquem aglomerados de pessoas”.

“Em concordância com a norma n.º 015/2020 da DGS, aos contactos com história de infecção pelo SARS-CoV-2/Covid-19 há menos de 180 dias, não se aplica a realização de testes laboratoriais, o isolamento profilático e a vigilância activa, estando sujeitos a vigilância passiva durante 14 dias desde a data da última exposição”, lê-se no documento da DGS, que estipula ainda regras relativamente a uma testagem inicial, passando a englobar os alunos do 3.º ciclo do ensino básico.

Pode consultar o Referencial Escolas aqui.

Vacinados que testem negativo deixam de precisar de isolamento

Segundo a norma que também foi divulgada hoje pela DGS, as pessoas com vacinação completa que tenham tido um contacto de risco deixam de fazer isolamento se testarem negativo à covid-19, excepto se forem coabitantes e partilharem o mesmo quarto com a pessoa que testou positivo.

De acordo com a orientação, estão obrigados a isolamento os contactos de casos confirmados no contexto de surtos em lares e noutras estruturas para pessoas idosas, unidades de cuidados continuados, de acolhimento de crianças e jovens em risco, cadeias e centros de acolhimento de migrantes e refugiados.

O mesmo acontece para quem resida ou trabalhe em Estruturas Residenciais para Idosos (ERPI) ou noutras respostas similares dedicadas a pessoas idosas, que são igualmente considerados contactos de alto risco e, por isso, sujeitos a isolamento profilático.

Segundo a DGS, “em situação excepcionais, a Autoridade de Saúde pode determinar, fundamentada numa avaliação de risco caso a caso, o isolamento profilático a contactos de caso confirmado de infecção por SARS-CoV-2 / covid-19 noutras circunstâncias não previstas na presente norma”.

“O fim do isolamento profilático é estabelecido após a obtenção de um resultado negativo num teste laboratorial TAAN para SARS-CoV-2, realizado ao 10.º dia após a data da última exposição ao caso confirmado”, refere a norma.

Diário de Notícias
01 Outubro 2021 — 17:33

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1123: Portugal regista 15.922 reacções adversas às vacinas

SAÚDE PÚBLICA/COVID-19/VACINAS/REACÇÕES

Dados do Infarmed indicam que das mais de 15 mil reacções adversas às vacinas que foram notificadas, 5.929 foram classificadas como graves e incluem 85 casos de morte em idosos

© Rui Manuel Fonseca/Global Imagens

Mais de 15.900 suspeitas de reacções adversas às vacinas contra a covid-19 foram notificadas em Portugal, das quais 5.929 foram classificadas como graves e que incluem 85 casos de morte em idosos, segundo dados do Infarmed.

“Os casos de morte ocorreram num grupo de indivíduos com uma mediana de idades de 77 anos e não pressupõem necessariamente a existência de uma relação causal entre cada óbito e a vacina administrada, decorrendo também dentro dos padrões normais de mortalidade da população portuguesa”, ressalva o “Relatório de Farmacovigilância — Monitorização da Segurança das Vacinas contra a covid-19 em Portugal”.

Desde o início da campanha de vacinação a 27 de Dezembro de 2020 até 26 de Setembro, foram registadas 15.922 notificações de reacções adversas (RAM), num total de 15.956.183 doses administradas, 5.929 (37%) classificadas como “graves” e 9.993 (63%) como “não graves”.

Das reacções notificadas como “graves”, 3.612 foram classificadas como “clinicamente importantes” (23%), 1.517 geraram incapacidade (9,5%), 557 motivaram hospitalização (3,5%), 158 representaram “risco de vida” (1%) e 85 morte (0,5%).

Dos casos classificados como graves, cerca de 85% dizem respeito a situações de incapacidade temporária (incluindo o absentismo laboral) e outras consideradas clinicamente significativas pelo notificador, quer seja profissional de saúde ou utente, refere a Autoridade Nacional do Medicamento.

“Com o decorrer do programa de vacinação, e o estímulo para a notificação de suspeitas de RAM associadas a vacinas contra a covid-19, este valor tem aumentado”, sublinha.

“As reacções adversas são pouco frequentes, com cerca de 1 caso em mil inoculações”

Contudo, acrescenta, “as reacções adversas são pouco frequentes, com cerca de 1 caso em mil inoculações, um valor estável ao longo do tempo”.

O maior número de casos registou-se na faixa etária 25/49 anos (2.799), grupo onde foi administrado o maior número de vacinas (5.420.526).

O Infarmed reporta 22 casos de reacções não graves em menores de 3 anos, explicando que dizem respeito “a ocorrências não graves de febre, regurgitação ou irritabilidade em crianças cujas mães poderão ter sido expostas à vacina”.

Na faixa etária dos 12-17 anos, foram notificados 47 casos como graves e 30 como não graves, num total de 994.827 vacinas inoculadas, o que representa 0,1 reacções adversas por 1.000 doses administradas.

Segundo o Infarmed, os casos notificados como graves são reacções de tipo alérgico, que dependem do perfil individual do vacinado.

“São casos que motivaram observação e/ou tratamento clínico, mas todos tiveram evolução positiva e sem sequelas. Oito destes casos foram casos de mio/pericardite”, salienta.

Entre os 18 e os 24 anos, foram registadas 310 reacções graves e 433 não graves, em 1.066.386 vacinas inoculadas.

No grupo 50/64 anos, foram notificadas 1.360 reacções graves e 2.247 não graves, num total de 3.887.195 doses, enquanto na faixa etária 65/79 anos foram registadas 775 reacções graves e 1.206 não graves (em 3.233.934 vacinas), e nos maiores de 80.363 reacções graves e 279 não graves (1.352.978 de vacinas administradas).

Do total de reacções adversas, 8.434 são referentes à vacina da Pfizer/BioNtech, num total de 10.731.924 doses administradas, 4.293 da Astrazeneca, em 2.202.274 doses inoculada, 1.778 da Moderna (1.901.818 doses) e 1.340 da Janssen (1.120.167).

Por cada 1.000 doses administradas, foi comunicada uma RAM no nas vacinas Pfizer, Moderna e da Janssen, e duas na AstraZeneca.

O Infarmed ressalva que estes dados “não permitem a comparação dos perfis de segurança entre vacinas, uma vez que estas foram utilizadas em subgrupos populacionais distintos e em períodos e contextos epidemiológicos distintos”.

A reacção mais notificada é dor de cabeça, seguida de febre e dor muscular

A maioria das reacções foi registada em mulheres, com 3.925 notificações de casos graves e 6.739 não graves, enquanto nos homens foram, respectivamente, 1.688 e 2.702.

A reacção mais notificada é dor de cabeça (3.826), seguida da febre (3.820), dor muscular (3.744), dor no local de injecção (3.347), fadiga (1.864), calafrios (1618), náusea (1.453), dores nas articulações (1.187), dor generalizada (1.067), tonturas (960), mal-estar geral (900), dor nas extremidades corporais (830), aumento dos gânglios linfáticos(808), fraqueza orgânica (728), vómitos (716).

Durante o período de recobro pós-vacinal estabelecido, de 30 minutos, é monitorizada a ocorrência de qualquer reacção imediata do tipo alérgico. Após este período, qualquer suspeita de reacção alérgica grave deve motivar a procura de atendimento médico imediato.

Diário de Notícias
Lusa
01 Outubro 2021 — 12:20

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